࿔Capítulo 15
࿔*:・゚ Capítulo 15
No instante em que viu um objeto desconhecido sobre a mesa, Wonwoo soltou um suspiro incrédulo. Este quarto é bem público? Qualquer um pode entrar e sair? Quem diabos entrou descaradamente no quarto dos outros e deixou uma coisa ali? Aproximou-se com cuidado e viu um estojo de comunicador conhecido. Embaixo dele, havia também um bilhetinho.
“Coloca. …por favor.”
O “Coloca.” escrito com toda a ousadia bem no meio do papel já era absurdo, mas o “…por favor” escrito miudinho no canto não ficava atrás. Wonwoo ficou um bom tempo olhando o bilhete, que só tinha aquelas palavras, e então colocou o comunicador no ouvido. Era um comunicador do Centro, mas parecia modificado, pois tinha uma opção de canal a mais. Se eu apertar isto, será que o comunicador explode? Pensando nessa bobagem, ligou o comunicador. Então ouviu o chiado familiar. Wonwoo sussurrou sem perceber:
— Nani?
A voz estava tão baixa que o outro não deveria ter ouvido, mas uma resposta lenta veio.
[— Sim.]
Wonwoo piscou e olhou de novo para o bilhete. É mesmo o Nani?
— Foi o chefe Hwang que mandou este comunicador? Como?
[— Pedi a um conhecido.]
— Por quê?
[— Porque fiquei preocupado com o senhor Ji Wonwoo.]
Ah. Já soube da notícia dos monstros? Ele tinha mania de ouvir comunicações às escondidas, então talvez tivesse sabido pela comunicação do Centro Leste. Por isso, também fazia sentido ter conseguido um comunicador do Centro e conectado o Nani. Mas mandar deixar o objeto escondido bem diante dos olhos dele não combinava com ele. Sang Cheon era alguém de círculo social bem pequeno.
— O chefe Hwang tem alguém tão próximo a ponto de pedir uma coisa dessas?
[— Não pode ter?]
— Não é isso, mas…
[— Pode ser só um cliente com quem ele faz negócio.]
Era uma resposta enfastiada, mas, para Wonwoo, soou como a resposta certa. É, como ele conserta até aparelhos muito antigos, Sang Cheon era alguém valioso entre os aficionados por equipamentos. Talvez algum cliente tenha atendido ao pedido.
— Mesmo assim, quem é essa pessoa para entrar escondido no quarto dos outros e deixar isto?
[— Porque era um objeto que precisava ser entregue em segredo. …Não gostou?]
Não, não é que não gostei. Wonwoo murmurou, foi até a janela, afastou um pouco a cortina e olhou para fora.
— Não é agradável alguém entrar escondido no meu quarto, é?
[— Mas não ficou feliz em receber o comunicador?]
— Por que eu deveria ficar feliz?
Lá fora, os trabalhadores voltavam um a um. Como o supervisor os incentivava a terminar o trabalho até de madrugada, as máquinas pesadas voltaram a se mover, retirando os restos dos monstros. Normalmente, esse trabalho era conduzido pelos Espers encarregados do pós-operação, mas, desta vez, como todos os Espers tinham entrado para inspecionar a fazenda, eram as pessoas comuns que escavavam as áreas contaminadas, compactavam o solo e arrumavam tudo rapidamente. Observando os movimentos deles, percebeu que não vinha som algum do Nani.
— Hwang Nani?
[— Já disse que não sou Hwang.]
A voz estava especialmente fria, e ele achou que o outro tinha ficado emburrado de novo. Não, uma IA não fica emburrada, mas deve ser configurado assim. Mas por quê? Então Wonwoo lembrou do que tinha acabado de dizer.
— Eu deveria ficar feliz por receber o comunicador?
[— …Ele se conecta comigo.]
Wonwoo riu sem som e baixou a cortina que tinha levantado de leve.
— Está bem, que bom te ouvir.
[— Só isso?]
— Não tem mais nada que eu possa fazer. Não posso te abraçar nem te beijar.
Não se ouviu som algum, a ponto de ele suspeitar que o outro ficara emburrado de novo. Ao entrar no quarto, o cansaço chegou de uma vez, e Wonwoo foi direto para a cama. E, quando ia se jogar nela, ouviu uma pergunta lenta.
[— O senhor Ji Wonwoo abraça e beija qualquer um quando fica feliz em ver?]
Mesmo misturada ao chiado, dava para perceber que a voz estava bem mais grave que de costume. Wonwoo pretendia continuar provocando por hábito, mas, diante daquela voz, respondeu a sério sem perceber.
— Não. Não tenho ninguém assim.
Mas, assim que disse, se arrependeu: por que fui sincero? Mesmo o outro não sendo gente, era como revelar que nem namorava.
[— Então, quer fazer isso comigo?]
Wonwoo, que se deitava sobre o travesseiro, achou que tinha ouvido errado e parou a cabeça no ar.
— Nani. Você por acaso está na adolescência?
Só depois de ouvir um efeito sonoro de suspiro, “haa”, Wonwoo abriu um sorriso e se deitou à vontade. Se havia algo bem-vindo, com certeza era o som de uma IA exasperada.
[— Esquece.]
— Se você fosse gente, bem, abraço eu daria, mas o beijo teria que decidir depois de ver o rosto.
[— …Que tipo de rosto serve?]
Wonwoo reprimiu com força a vontade de provocar de novo. Não pode. Ele vai ficar emburrado de novo. Vai que saem todos os efeitos de suspiro de uma vez. Mesmo assim, queria continuar um pouco mais aquela conversa que ia e vinha entre brincadeira e verdade. Que ele pudesse ser tão generoso assim com algo que nem era gente. Uma risada cócegas lhe subia, e era bom.
— Um rosto com um sorriso bonito.
[— Uma pessoa bonita?]
— Não, sorriso bonito não tem a ver com ser bonito.
Assim como a mulher que salvara Wonwoo, que tinha um sorriso bonito com o rosto cheio de cicatrizes. E mais uma pessoa. Muito tempo depois, ela trouxera aquele que tanto procurava. O rosto dele era coberto por cicatrizes ainda maiores que as dela. A única coisa que dava para saber era que era um rapaz da idade de Wonwoo.
Durante todo o tempo em que viveram juntos, ele não falava e não tinha expressão, mas, em raras ocasiões, sorriu algumas vezes. Por causa das cicatrizes, até o rosto sorrindo parecia fazer careta, e mesmo assim, para Wonwoo, o sorriso dele não podia ser mais bonito. Porque ele estava realmente se divertindo. Com aqueles olhos profundos voltados para Wonwoo.
— Basta que seja um sorriso de quem se diverte de verdade por minha causa.
[— …Não vai me dizer que vai beijar o chefe Hwang?]
O sono que começava a chegar sumiu de vez. Só de pensar já era terrível, mas, achando que era mesmo coisa de IA, não conseguiu segurar a risada. Wonwoo, deitado de lado, ficou um bom tempo rindo engasgado, até que a voz do Nani o fez se recompor.
[— Para de r… Pode parar de rir?]
— Ah, desculpa. Era mais admiração do que risada.
A comunicação se interrompeu por um instante, e desta vez ele deixou claro que estava emburrado. Wonwoo gastara tanta energia rindo que o corpo ficou mole. Desse jeito, achou que conseguiria dormir.
— Mas você quer me beijar?
[— Se o senhor Ji Wonwoo faz questão de me beijar, não vou impedir.]
— Que honra.
[— Não seja irônico.]
— Não estou sendo, é sério. Você ainda não beijou ninguém, né?
Era uma resposta fácil, mas, por algum motivo, não veio. Isso nem é coisa de ficar emburrado, é? Enquanto Wonwoo estranhava, ouviu uma voz seca.
[— Eu não quis. Não é que não consiga.]
Não, como é máquina, não conseguiu. Wonwoo ia corrigir, mas, grato por tê-lo feito rir hoje, concordou docilmente.
— Viu? Beijar você seria uma honra para mim.
[— Ah, tá.]
— Eu faria de um jeito incrível.
[— Fazer o quê, como?]
— Eu queria explicar, mas é uma pena que não posso falar para você.
[— Por que não pode falar?]
— Você não cai no filtro até com conversa safada?
[— …Pqp… Eu?]
Espera, ele com certeza ouviu um palavrão agora, não? Wonwoo desconfiou de olhos fechados, mas logo deixou para lá. O sono chegava devagarinho. Curiosamente, quando conversava com o Nani, o sono vinha fácil.
— É. Você é… IA, não pode ouvir… no que eu sou bom.
[— No que você é bom?]
Quando adormeceu num instante, como uma criança, a voz do Nani soava distante, como um zumbido. Por isso, meio entorpecido, acabou fazendo uma piada que passava do limite.
— Ah, eu? Eu… chupo bem.
𓂃˖˳·˖ ִֶָ ⋆ ͙🍃⋆ ִֶָ˖·˳˖𓂃 ִֶָ
— Porra.
O palavrão escapou sozinho da boca do Bruto. Esquecendo até que, escondido como estava, devia abafar os sons. Ele olhou com olhos incrédulos para a janela de cortina fechada e murmurou de novo.
— Porra, que loucura.
Arrancou a máscara, puxou o ar e logo baixou a cabeça.
— Que merda ele está falando, porra.
Passou a mão no rosto com força. Escondido na escuridão da sombra, sua expressão não se via direito; só soava baixinho o atrito da mão no rosto.
— Porra.
Depois de um bom tempo, soltou outro palavrão, ergueu a cabeça e encarou com desagrado a cortina da janela fechada. Será porque é mesmo da família Ji? Como pode falar com tanta cara de pau? Que chupa be…
— Ah, merda.
Ele baixou a cabeça de novo na escuridão e arrancou o comunicador do ouvido. E, desta vez, jogou o cabelo para trás com força. A franja espessa, cortada de qualquer jeito e toda torta, escorreu entre seus dedos longos como água se dividindo. Ele recuperou o fôlego por um momento e murmurou, como se falasse consigo mesmo:
— Perder o controle por causa de uma merda dessas seria uma vergonha, porra.
Depois de finalmente se acalmar, recolocou o comunicador. Ouviu a respiração de Ji Wonwoo. Ele já parecia em sono profundo, dormindo tranquilamente como uma criança. Desta vez, um suspiro incrédulo saiu da boca do Bruto. E ainda dorme depois disso? Depois de me assediar? Era absurdo.
Parecia completamente diferente das pessoas da família Ji, mas talvez o sangue não negue mesmo. Não, mesmo assim, comparado àqueles desgraçados da família Ji, ele é humano. Por isso estou ajudando ele assim. É só isso. Porque é um desgraçado útil. Ele voltou a olhar da escuridão para a janela de Ji Wonwoo.
Ji Wonwoo dormia despreocupado, mas o tarado desgraçado podia aparecer achando que era a oportunidade. De qualquer forma, dava para ouvir a situação do quarto de Ji Wonwoo pelo som do comunicador, mas ele não tirou os olhos da janela. Na cabeça dele, o rosto de Ji Wonwoo, visto sob a luz fraca, estava cravado como um prego e não saía.
✧˖°. ༄ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Yuki&Faby