࿔Capítulo 2.1
࿔*:・゚ Capítulo 2.1
A vida é finita, e ninguém pode escapar do fim dela. Além disso, a visita da morte é sempre repentina, e por isso é incrivelmente cruel. Wonwoo, que havia ficado sozinho, aceitou essa verdade de forma devastadora, mas em troca sua alma foi se desgastando e voou como poeira.
Acreditava que sua alma havia murchado até restar apenas uma casca. Mas aconteceu algo inacreditável, e a casca vazia encheu-se de emoções num instante. Wonwoo, que havia desmaiado e acordado num mundo desconhecido, encarou Sang Cheon à sua frente e voltou a sentir o nó na garganta. Vendo os olhos de Wonwoo oscilando, Sang Cheon perguntou com cuidado.
— Desculpe, mas eu não me lembro nada do senhor. Nós já nos encontramos?
Em suas palavras havia preocupação, e por isso Wonwoo ficou ainda mais emocionado. Ah, continua igual. Essa pessoa continua sendo boa. Por isso mesmo não podia dizer a verdade. Por mais boa que a pessoa fosse, se um estranho dissesse ter vindo de outro mundo, com certeza ficaria na defensiva. Talvez achasse que ele era louco e ligasse para o hospital. Por isso, em vez de acenar com a cabeça, Wonwoo enxugou as lágrimas e sorriu de canto.
— Não sei bem.
Sang Cheon ficou olhando fascinado para o rosto sorridente de Wonwoo, mas assim que ouviu a resposta, voltou à realidade.
— Não sabe, mas por que agiu como se me conhecesse muito bem, me abraçando e tudo mais, hm hm?
— …O senhor se parece com alguém que conheço.
Não é bem isso. Sua reação foi exagerada demais para algo assim. Deveria haver um motivo para ter chorado até desmaiar.
Sang Cheon engoliu as palavras que queria rebater. Embora desde que acordara Wonwoo parecesse bastante calmo, Sang Cheon ainda desconfiava do seu estado mental.
Agora que sabia que Wonwoo era o guia que havia fugido da fazenda de monstros. Se havia sobrevivido num lugar tão aterrorizante, seria estranho estar com a cabeça no lugar.
[— Esse aí também fala muita besteira.]
Enquanto a sua frente ouvia palavras loucas. No ouvido, sussurrava uma fala aterrorizante. Sang Cheon ignorou a voz do Bruto e engoliu um suspiro. Queria mandá-lo embora logo, agora que Wonwoo havia acordado. Se fosse apenas um louco qualquer, tudo bem, mas era alguém da família Ji.
Tinha ouvido que a família Ji detinha os guias na mão e exercia poder de forma arrogante. Já tinha dor de cabeça por estar envolvido com o Bruto, e não queria aumentar ainda mais os problemas. O problema estava em outro lugar.
— De qualquer forma, está confirmado que me confundiu com outra pessoa, certo? Então me desculpe, mas se puder sair…
[— Não.]
— O quê?
Sang Cheon sem querer respondeu ao Bruto e de relance observou a reação de Wonwoo.
— Desculpe. Não era para o senhor…
[— Segura ele. O sujeito com sobrenome Ji não pode ir embora assim.]
Não, e se não for embora, o que vai fazer?
[— Já que fez meus ouvidos sofrerem com tanta besteira, pelo menos arranque a boca dele.]
— Está tudo bem.
Ouvindo a resposta de Wonwoo, Sang Cheon forçou o rosto para não mostrar o quanto estava tenso. Esse Bruto, mesmo preso, queria rasgar a boca de alguém que estava longe? E quem rasgaria essa boca? A possibilidade de estar mandando ele fazer isso era enorme. Só de pensar, Sang Cheon sentiu arrepios. O motivo para mandar Ji Wonwoo embora logo havia crescido. Se as coisas continuassem assim, ficaria sendo espremido no meio. Wonwoo, sem saber do desespero de Sang Cheon, inclinou a cabeça educadamente e se desculpou com respeito.
— Devo ter assustado muito o senhor com aquele comportamento estranho. Obrigado por não me expulsar e até por ter cuidado de mim.
— Não, não precisa me agradecer assim.
[— Considerando que é um Ji, fala coisas que fazem sentido. Merda, que irritante.]
Isso é motivo para xingar? Sang Cheon forçou um sorriso e olhou para Wonwoo.
— A pessoa que você conhece, era assim tão parecida comigo?
Wonwoo olhou ao redor por um momento. Um lugar velho como um depósito cheio de peças de todo tipo de equipamento, mas ele o observava como se fosse um resort confortável.
— Essa pessoa também era boa com conserto de máquinas. Era muito talentosa. Pesquisava IA também. Mas a profissão principal era diferente.
Pesquisa de IA? Sang Cheon inclinou a cabeça com estranheza. Como gostava de todo tipo de técnica variada, ele também tinha um pé na IA. É claro que os pesquisadores de IA podiam ser contados nos dedos, então não havia mais espaço para colocar o outro pé.
Toda tecnologia que os humanos pesquisavam tinha sua prioridade de suporte determinada de acordo com a lei de sobrevivência estabelecida pelos Espers. Isso significava que tecnologias voltadas para a comodidade de pessoas comuns tinham dificuldade de avançar. Naturalmente, a IA, que não era tão importante para o sustento básico, também ficava de fora do suporte. Havia muitos que achavam a palavra IA estranha.
[— IA?]
Viu, esse também não conhece. Por isso Sang Cheon ficou curioso com aquela palavra IA dita pela boca de Wonwoo.
— Quem era essa pessoa? Pelo que eu sei, pesquisadores de IA são bem raros. Como os dados são importantes e é preciso compartilhar para pesquisar, conheço quase todos os que pesquisam.
— O senhor não a conheceria porque nunca a encontraram. Faleceu há um ano.
Com a última palavra, a voz de Wonwoo tornou a afundar. Sang Cheon soltou um “Ah” e acenou com a cabeça, mas ainda desconfiava se o outro estava mentindo. Então o ouviu acrescentar.
— Ouvi que o modelo inicial de IA que essa pessoa pesquisava recebeu o nome do cão de estimação de um dos pesquisadores. Dizem que era na esperança de que a IA amasse os humanos como aquele cão. O nome era Mandu, se não me engano.
É… Mandu? Sang Cheon ficou paralisado sem conseguir responder e engoliu em seco. Um pesquisador que tinha contato com Sang Cheon havia sugerido colocar esse nome num modelo de IA. Sang Cheon havia reclamado que usar o nome de um animal seria sem graça, mas ficou sóbrio imediatamente com a explicação dele. Como desdenhar se era o nome de seu cão de estimação falecido?
Mas no fim Mandu não foi usado. Desde o início o número de desenvolvedores era pequeno e não conseguiram nem montar um algoritmo decente. Como era uma pesquisa feita no tempo livre, era impossível que saísse um resultado adequado. Por isso ultimamente era mais um encontro social do que um grupo de pesquisa.
O que deixava Sang Cheon arrepiado era que o nome Mandu havia surgido de brincadeira há apenas alguns dias. Era apenas coincidência? Será que interceptaram meu telefone? Não, isso não. Ele tinha certeza que pelo menos em termos de segurança, seria impossível violar suas defesas.
— Qual era a profissão principal dessa pessoa?
— Segurança.
Hã? Eu e essa pessoa somos bem parecidos. Atordoado, Sang Cheon logo começou a levar os pontos em comum a sério. Wonwoo acrescentou uma explicação sobre a pessoa que conhecia.
— Embora fosse uma pessoa que detestava brigas, pesquisava até armamentos. Armas para que pessoas comuns também pudessem lutar contra monstros e proteger seus próprios corpos.
— …Pessoas comuns não conseguem vencer monstros por melhores que sejam as armas que tenham nas mãos. Não conseguem suportar a força e a velocidade dos monstros.
— Então basta criar armas superiores.
— …
[— Essa é a bobagem que o velho fica falando.]
É mesmo. É o que eu fico dizendo. Se armas superiores forem criadas, pessoas comuns também teriam força para enfrentar monstros como os Espers. Era o antigo desejo de Sang Cheon. Mesmo que numa sociedade dominada pelos Espers fosse ignorado e desrespeitado, esse desejo era impossível de abandonar. Mas por que um louco que apareceu do nada estava expressando seus próprios pensamentos?
— Mas seria difícil numa sociedade dominada pelos Espers.
— Existe alguma sociedade que não seja dominada pelos Espers?
Respondeu rispidamente tentando esconder a emoção que o agitava, mas Wonwoo voltou a sorrir sem emitir som. Sang Cheon novamente não conseguiu tirar os olhos daquele rosto. Nossa, o jeito que sorri é muito…
[— Por quê?]
Sang Cheon se sobressaltou com a pergunta do Bruto e desviou o olhar. Era impossível explicar que havia ficado fascinado pelo sorriso de Ji Wonwoo. Ahm, Sang Cheon fez uma tosse falsa e murmurou mal dando para ouvir.
— Não foi nada.
[— Mas por que sua respiração parece a de um pervertido?]
— Quem é pervertido?!
Ah, droga. Sang Cheon novamente acenou para Wonwoo dizendo que não.
— Não era para o senhor. Dito isso, também não quer dizer que eu seja pervertido.
— Tudo bem. O senhor nem é tão estranho quanto eu.
Pelo menos sabe que é estranho. Mas visto assim de perto parecia normal, o que era confuso.
— Mas parece que o senhor saiu do hospital. Não precisa voltar?
— Deve estar tudo bem. Se eu fosse alguém importante, já teriam me encontrado mobilizando Espers.
Sang Cheon franziu os olhos com a frase que avaliava a si mesmo como se fosse um terceiro.
— Então por que veio com roupa de hospital? Pelo menos a roupa… ou venha depois de receber alta. Além disso, quem está procurando não sou eu… Ei, não está chorando, está?
— Não estou.
A resposta foi essa, mas os olhos de Wonwoo estavam úmidos. Conseguiu de alguma forma não deixar as lágrimas cair e encarou Sang Cheon diretamente.
— Senhor, tive alguns problemas de memória. É como se tivesse caído em um lugar desconhecido, tudo parece estranho. Tudo ao meu redor, tudo neste mundo.
Era um mau presságio. Parecia o prelúdio de um pedido de ajuda direcionado a ele. Sang Cheon naturalmente queria recusar antes mesmo de ouvir o que seria dito. Mas havia um obstáculo.
[— Ajuda ele.]
✧˖°. ༄ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Yuki&Faby