⋆.ೃ࿔ Capítulo 5
⋆.ೃ࿔ Capítulo 05
— Me chamo Han Seona e vou trabalhar com você a partir de hoje. Isso mesmo, esse é o meu nome verdadeiro. Sei que todos aqui escondem a identidade, mas não me importo. E já vou avisando logo: primeiro, não quero construir amizades pessoais com colegas de trabalho. Odeio falar sobre assuntos pessoais fora do serviço e também odeio ouvir. Especialmente, nem me pergunte por que luto contra os Espers, sendo eu mesma uma Esper. Não tenho a menor intenção de revelar o motivo de ter me juntado a esta causa. Segundo, após o término do expediente, na medida do possível, não entre em contato comigo, a menos que seja uma situação de emergência, como monstros caindo sobre a minha cabeça.
A primeira impressão que teve de Seona foi a de alguém bastante exigente e ranzinza, mas Wonwoo não tinha energia para se importar com isso. Ele apenas piscou os olhos em silêncio, completamente confuso e sem fala.
— Então… quer dizer que você é a nova integrante da nossa equipe?
— Sim. Terceiro, não me faça repetir o que foi dito. Odeio ter que explicar outra vez.
— Não é isso. Pelo que sei, não haveria reforço de pessoal para a nossa equipe.
— Quarto, também odeio brincadeiras sob o pretexto de trote para novatos.
“Não, não é nada disso.” Wonwoo murmurou para si mesmo e voltou a piscar os olhos rapidamente. Seona olhou para ele com um certo desdém e perguntou sem perder tempo:
— Mais importante que isso, ouvi dizer que serei inserida na operação hoje mesmo. Disseram para eu me informar sobre a missão quando chegasse à equipe, mas onde estão os outros membros?
— Os outros membros… Tem um tio que cuida das informações e dos aparelhos, mas ele costuma ajudar apenas antes de iniciarmos as missões.
— Não estou falando do suporte de retaguarda. Quero saber dos companheiros que vão a campo comigo.
— Não tem.
As sobrancelhas de Seona se contraíram por um instante.
— Não tem?
— Sim. Eu sozinho sou o suficiente. Mas veja só, você acabou de perguntar de novo.
Seona franziu a testa descaradamente e virou a cabeça abruptamente. Foi possível ouvir o que ele resmungou baixinho.
— Que merda. Eu disse para não me colocarem em uma posição insignificante.
Wonwoo sentiu um certo constrangimento e tentou se afastar de mansinho, mas Seona o chamou, questionando:
— Onde você vai?
— …Trabalhar?
— Entendido.
Em seguida, ela pegou os equipamentos por conta própria e o seguiu. Dessa vez, foi Wonwoo quem perguntou a ela:
— Onde você vai?
— Não disse que ia trabalhar? Não tenho a intenção de faltar logo no meu primeiro dia como novata.
— O trabalho não será fácil, sabe? É uma missão bastante difícil para quem está começando. Não, na verdade, não é isso que importa…
— Eu vou dar conta da minha parte, então não se preocupe.
Diante de sua determinação, não havia mais o que replicar. Assim, Wonwoo partiu para a caçada de Espers, com uma companheira que não estava nos planos. Por outro lado, a equipe que pregou uma peça em Seona ao enviá-la para lá como um trote de boas-vindas não teve sorte naquele dia. Por não terem visto o inimigo que estava de emboscada, todos os membros daquela equipe foram dizimados.
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— Desculpe por ter falado daquele jeito desagradável de manhã.
Seona se desculpou imediatamente assim que ficou sabendo de toda a situação. Wonwoo balançou a cabeça, sem dar muita importância.
— Não achei que tenha sido tão ruim assim.
— É sério?
— Sim. Fiquei pensando em quantos companheiros você deve ter perdido para acabar falando daquela maneira.
— O fato de compreender isso significa que passou pela mesma experiência?
Wonwoo apenas deu um sorriso contido, que logo sumiu diante da pergunta seguinte de Seona.
— É por isso que você trabalha sozinho, sem formar nenhuma parceria?
— Não, é só porque é incômodo. Todos os que vêm não duram mais de uma semana. Ficar explicando as coisas toda hora para novatos e ter que enterrar os corpos já se tornou um estorvo.
— …
— Vá até a administração. Com certeza eles vão te transferir para uma equipe adequada, e terá mais sorte desta vez.
— Aqui parece adequado para mim. — Wonwoo olhou para ela com espanto. — Você viu como é o meu trabalho hoje.
— Sim. E certamente não é um trabalho insignificante.
— O dia de hoje até que foi fácil.
— …
Wonwoo pensou que a conversa estava encerrada e fez menção de se virar, mas Seona o chamou.
— Vou ficar. Vamos trabalhar juntos.
— Pode soar ofensivo, mas eu não quero mais recolher cadáveres.
— Eu também posso acabar recolhendo o seu cadáver.
— Essa é a melhor coisa que já me disseram até hoje.
Seona o olhou perplexa e propôs um acordo razoável.
— Se completarmos um ano trabalhando juntos, eu te conto o motivo de ter vindo para cá e tornado os Espers meus inimigos.
— Bem… Não estou muito curioso.
— Eu também não estou curioso para saber o que você pensa. Só estou dizendo que quero te contar quando fizermos um ano.
— …Tudo bem.
Dessa forma, ele se juntou à equipe de Seona, e ela cumpriu a promessa, mesmo que não de forma perfeita.
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— Eu sei o que estão espalhando por aí sobre o fato de eu, uma Esper, ter vindo para o lado da facção anti-Esper. Ficam tagarelando que mudei de lado porque minhas ondas são peculiares e não consegui encontrar um Guia compatível, não é? — Após o término da missão daquele dia, Seona tocou no assunto primeiro, demonstrando irritação. — É uma tremenda conversa fiada. Eu só sigo o que o meu coração decide. Se tivesse resolvido permanecer do lado dos Espers, preferiria ter morrido em uma sobrecarga de energia. Quem eles pensam que eu sou, caralho?
Ela bufou de raiva por um instante, olhou de relance para Wonwoo e explicou o motivo de ter se juntado à facção anti-Esper.
— Eu tinha uma amiga. Compartilhavámos os mesmos hobbies… Bem, você sabe, não sabe? Do que eu gosto? Eu conversava com ela todo dia sobre as coisas que gostávamos e, quando encontrava alguma criação fantástica de fãs, ficava toda empolgada e contava para ela. Nós íamos juntas a eventos de fãs e comprávamos todos os produtos possíveis. Mas aí a guerra estourou, e ela me veio com uma história, disse que iria ajudar a facção anti-Esper.
A voz de Seona carregava a mesma indignação daquele momento. Ela continuou o relato.
— No começo, achei que ela tinha enlouquecido. Veja bem, ela era alguém realmente simples. Era o tipo de pessoa que perguntaria se política ou ideologia eram coisas de comer. Deixando isso de lado, sua família era de uma linhagem ilustre de Espers. Então, perguntei por que estava se metendo em uma guerra, e a resposta foi… porra, que a pessoa que desenhava aquela obra que nós tanto gostávamos tinha postado um aviso. Disse que, por estar do lado da facção anti-Esper, não conseguiria desenhar até que a guerra terminasse. Ou seja, para ver o final da história logo, era preciso acabar com a guerra. E ela faria isso do lado da facção anti-Esper, já que não podia matar o autor como um inimigo. Não é uma tolice sem tamanho?
Seona soltou uma risada nasalada, achando aquilo um absurdo, mesmo pensando depois de tanto tempo, e fechou os olhos por um momento. Então, com a voz mais baixa, revelou o desfecho do amigo.
— Porém, antes de conseguir se juntar à facção, ela foi descoberta pelos Espers. O mais ridículo é que quem a denunciou foi a própria família. Caralho, foi o irmão mais novo, de quem ela mais gostava, quem a entregou. Minha amiga não era alguém que perderia para os outros em termos de força, mas foi morta de um jeito tão brutal que o corpo foi todo despedaçado, ficou irreconhecível. E a família ficou apenas assistindo. Fui eu quem recolheu os pedaços de ossos e de carne dela, um por um. Só depois de finalmente conseguir enterrá-la é que passei para este lado imediatamente. Esse é o meu motivo. Peguei uma repulsa tão grande pelos Espers que não suportava sequer respirar o mesmo ar que eles.
Seona franziu os olhos, fechando-os com força, e respirou com dificuldade até finalmente conseguir abri-los novamente. Olhando para Wonwoo, que a observava de cima, ela soltou mais um xingamento.
— Porra, na verdade, eu queria te contar no exato dia em que completássemos um ano. Faltavam só quinze dias para fazer um ano que trabalho com você… Caralho, por causa do meu descuido de hoje! Ah, merda, está doendo pra caramba.
Após os xingamentos ásperos, Seona cuspiu uma grande quantidade de sangue de uma só vez. Somente após tossir algumas vezes e expelir o sangue que obstruía suas vias respiratórias é que conseguiu se deitar direito novamente. No entanto, sua voz ficou fraca, como a de alguém que havia esgotado todas as forças.
— É brincadeira. Não está doendo ao ponto de morrer. — Ela falou em tom de brincadeira, mas toda a cor já havia sumido de seu corpo.
Mesmo desconsiderando o sangue que havia vomitado, o sangramento em outras partes era grave. Seona olhou para Wonwoo e suspirou. Ele não conseguia dizer nada, apenas a segurava firme.
— Wonwoo, pare de chorar. Eu não vou morrer. Ei, se eu morrer, quem vai… xingar no seu lugar? Você nem sabe xingar… Caralho, como eu posso morrer e te deixar sozinho…?
A voz murmurante de Seona cessou. Talvez por ter se esforçado até o último instante para não morrer, ela permaneceu com os olhos bem abertos. Por isso, Wonwoo não conseguia fechá-los. Mesmo sabendo que o corpo ficaria rígido com o passar do tempo e seria difícil fechá-los depois, e mesmo que o olhar sem foco não tivesse mais nenhuma vida, ele não conseguia tocá-la. 350 dias. Seona foi a segunda companheira que permaneceu por mais tempo ao lado de Wonwoo.
⊹ ⚘ ⊹ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Flower