Capítulo 05.1
Capítulo 05 – Parte 1
— Ué, o que é isso? O que você está fazendo aqui a esta hora?
Ao sair da sala de fumantes, ele deu de cara justamente com o assistente-gerente Nam, que ia entrando.
— É que hoje tenho bastante coisa para resolver.
— Hein? Sozinho? Ele ainda está em período de experiência, não está? — Jiheon apenas deu de ombros em silêncio, como quem dizia que estavam com falta de pessoal e não havia muito o que fazer. — Bem, de qualquer forma, é praticamente só fazer o papel de motorista.
O assistente-gerente Nam pareceu se convencer rapidamente e prosseguiu:
— Ter deixado o gerente Jeong cuidando disso até agora foi um desperdício de mão de obra. Já deveriam ter contratado alguém só para resolver essas coisas externas há muito tempo.
Dessa vez, Jiheon também se limitou a sorrir, sem responder.
— Pode entrar.
Quando ele falou abrindo bem a porta da sala de fumantes, o assistente-gerente Nam disse “obrigado” e entrou.
— Ah, vamos almoçar juntos mais tarde.
— Sim, vamos.
Jiheon respondeu brevemente e se afastou.
Assim que voltou ao escritório, a primeira coisa que fez foi conferir o celular. Havia uma mensagem de Minwoo.
[Gerente, o atleta Kwon Jaekyoung terminou o treino da manhã e agora estamos indo almoçar.]
A mensagem chegara havia quatro minutos.
Não precisava nem olhar para saber que era McDonald’s de novo. Jiheon soltou uma risadinha.
Não precisava nem olhar para saber que era McDonald’s de novo. Jiheon soltou uma risadinha.
Começou a escrever no campo de mensagem: [Vão ao McDonald’s? Deixe o Kwon Jaekyoung comer só sorvete ou milk-shake, só um dos dois. Hoje está quente de novo, ele vai querer os dois]. Mas apagou tudo e enviou apenas: [Valeu, bom trabalho à tarde também].
Antes mesmo que Minwoo respondesse, guardou o celular na gaveta da mesa. Do contrário, não sabia o que mais acabaria escrevendo no messenger.
Era evidente o que ele escreveria. Aquelas frases que já havia digitado e apagado várias vezes desde antes: [Como está o humor do Kwon Jaekyoung?], [Não houve nada de estranho no treino?], [O Kwon Jaekyoung não disse nada em especial?]. Se fosse simplesmente para verificar as condições do atleta, não teria nada de estranho, mas ainda assim ele não queria. Porque ele mesmo sabia melhor do que ninguém que não era esse o verdadeiro motivo.
《Vamos parar com isso, por favor.》
Jiheon passou a palma da mão pelo rosto.
《 Ele é um atleta da nossa empresa, e eu sou um dos integrantes da equipe de gestão exclusiva dele. Basta pensar assim, não é? Em que ele difere do Song Yeonho? Assim como eu fingi não perceber e deixei passar o Song Yeonho se insinuando, basta fazer o mesmo desta vez. O que há de tão difícil nisso?》
Ele não sabia quantas vezes havia pensado naquilo na noite anterior. Pensou na empresa, pensou em casa e continuou pensando até a hora de dormir. Se não fizesse isso, achava que não conseguiria encarar Jaekyoung no dia seguinte.
Ainda assim, naquela manhã, assim que chegou à empresa, Jiheon chamou Minwoo e lhe entregou a chave do carro. Dizer que estava com muito trabalho era apenas uma desculpa. A verdade era que seu autocontrole não estava funcionando como deveria. Não tinha confiança de que conseguiria tratar Jaekyoung como sempre.
Talvez Jaekyoung já soubesse que isso aconteceria. Afinal, no dia anterior, ao descer do carro, ele havia dito:
“— A gente se vê amanhã, hyung.”
Jaekyoung nunca se despedia daquela maneira. Para começar, ele nem sequer costumava se despedir. Entrava no carro sem dizer nada e descia sem dizer nada.
Mas, no dia anterior, antes de ir embora, fizera questão de dizer que se veriam no dia seguinte. Era a primeira vez que dizia algo assim ao descer do carro.
Será que ele sentia que precisava fazer aquilo? Será que pensou que, se não deixasse claro que se veriam no dia seguinte, talvez Jiheon não aparecesse, e por isso dissera aquilo de propósito?
《Se for assim, ele me conhece bem demais. Não…Ou será que justamente não me conhece?》
Jiheon riu, com o rosto parcialmente escondido pela mão. Era evidente que Jaekyoung ainda não o conhecia tão bem. Agia como se soubesse tudo sobre ele, mas, na verdade, não sabia de nada. Era por isso que agia daquela maneira. Era por isso que estava enganado.
《Mas não é isso. Na verdade, não é nada disso. Definitivamente não.》
Jiheon murmurou as palavras em silêncio.
Chegada a hora do almoço, Jiheon saiu do escritório com o assistente-gerente Nam. O cardápio, por sugestão do assistente-gerente Nam, foi peixe grelhado.
Quando chegaram ao restaurante, justamente passava no canal de notícias uma reportagem sobre o Campeonato Pan-Pacífico de Natação de Incheon.
— Oh, pelo visto os atletas chegaram hoje.
O assistente-gerente Nam comentou enquanto se sentava a uma mesa de onde conseguia ver bem a televisão. No noticiário, mostravam os atletas que haviam chegado naquele dia ao aeroporto de Incheon.
— Alguns já vinham chegando aos poucos desde dias atrás, mas hoje chegou quase todo mundo. A nossa seleção também entrou na vila olímpica hoje.
— Ah, é? E o Kwon Jaekyoung, quando vai?
— No sábado.
— Sério? Não está muito em cima da hora?
O assistente-gerente Nam falou com uma expressão de “e tudo bem?”.
— Não é um lugar que exija adaptação de fuso, e de qualquer forma é em Incheon. É melhor treinar tranquilamente aqui o quanto der e chegar pouco antes da competição.
— Ah, é verdade. Isso faz sentido. Ele nem treina junto com a seleção, de qualquer forma.
Os treinos de Jaekyoung fora da vila olímpica e sua ausência nos treinamentos coletivos já eram situações habituais havia alguns anos, a ponto de ninguém mais comentar a respeito.
— Ei, aquele atleta não é o australiano amigo do Kwon Jaekyoung?
Ao ouvir a pergunta do assistente-gerente Nam, Jiheon ergueu a cabeça e olhou para a televisão. Noah Kenny atravessava o portão de desembarque, mandando beijos para os jornalistas que o aguardavam no aeroporto.
— É isso mesmo, Noah Kenny.
— Uau, aquilo é… um legítimo alfa australiano.
O assistente-gerente Nam falou como quem se admira.
— Como assim? — Jiheon caiu na gargalhada sem se dar conta. — O senhor fala como se estivesse falando de um canguru australiano.
— Não, mas ele é australiano demais. Não existe outra forma de explicar isso.
Jiheon não teve como refutar. Com mais de 2m de altura, porte robusto, cabelos loiros levemente cacheados e um sorriso radiante como o sol, Noah era, literalmente, o alfa australiano em pessoa.
Como era horário de almoço, o restaurante estava cheiíssimo. Graças a isso, os dois pratos de peixe grelhado que haviam pedido só chegaram vinte e tantos minutos depois de se sentarem.
— Assistente Nam, por acaso o senhor sabe o que é o fenômeno do vínculo?
Jiheon falou enquanto espremia limão sobre o peixe.
— Hm? O vínculo não é aquilo que acontece com os animais? Tipo quando um passarinho sai do ovo e reconhece como mãe o primeiro ser que vê?
— Sim. É isso mesmo, mas parece que também usam essa expressão para pessoas, em relação a feromônios.
— É mesmo? Nunca tinha ouvido falar disso. Bem, é só pesquisar. — O assistente-gerente Nam pegou o celular sem hesitar. Encontrou o resultado da busca em poucos instantes e começou a ler. — Ah, então isso só acontece com alfas. Não é à toa que nunca ouvi falar. Pelo que entendi da explicação… é quando um alfa desenvolve uma sensibilidade especial ao primeiro feromônio com que entra em contato depois da manifestação, certo? Esse feromônio fica literalmente gravado nele e, mesmo dez ou vinte anos depois, basta sentir aquele cheiro novamente para ter uma reação intensa.
— Sim. Eu também sei o que é, mas fiquei curioso se é um caso comum.
O assistente-gerente Nam, ainda olhando o celular, disse “sei lá?”.
— Hoje em dia, a menos que se trate de casais ou namorados que fazem isso de propósito, é raro um alfa ser exposto a feromônios. Todo mundo usa chip. …Hmm, mas antigamente parece que não era tão raro assim, hein? Pelo que está escrito na wiki, a expressão “par do destino” usada nas relações alfa-ômega provavelmente surgiu por causa desse efeito de imprinting.
O assistente-gerente Nam pareceu ler com atenção por um instante o conteúdo daquela página e logo pousou o celular, dizendo:
— Mas por que isso de repente?
— Nada, coisa minha.
Jiheon falou pegando os hashis.
— É que um conhecido meu parece ser esse caso. Fiquei pensando se dá para saber alguma solução ou algo assim.
— Precisa de solução? Se ele simplesmente não for exposto àquele feromônio, não há problema, não é?
— Bom… é verdade.
Quando Jiheon assentiu, o assistente-gerente Nam falou imediatamente:
— Mande ele tomar remédio. Aquele que reduz a sensibilidade.
— Ele já toma. Mas parece que ele reage mesmo a uma quantidade ínfima de feromônio.
Jiheon suspirou sem se dar conta.
— Você sabe, há casos em que, mesmo com o chip, um pouco de feromônio é liberado.
— Ah, há. Mas isso deve ser uma quantidade realmente ínfima.
— Sim. E parece que ele reage mesmo a isso.
— Puxa.
O assistente-gerente Nam murmurou como quem lamenta e logo mudou o tom:
— Então não tem jeito. Mande a pessoa que o expôs ao feromônio assumir a responsabilidade.
— Hmm… mas essa pessoa também não deve ter liberado feromônio sabendo.
— Não, isso é evidente.
Era brincadeira, brincadeira. O assistente-gerente Nam riu, desconcertado.
— Os dois lados tiveram azar, que responsabilidade é essa? Eu disse isso como piada, é claro.
— Ah, eu sei que era piada.
Jiheon também falou rindo. Era verdade. Ele naturalmente entendera que era piada. E, ainda assim, acabou falando como quem se justifica sem querer.
Nem isso eu consigo levar com naturalidade. Pensando que ele mesmo parecia não ter folga interior, Jiheon continuou em tom bem mais sereno:
— De qualquer forma, acho que está certo dizer que os dois tiveram azar. Parece que ficou assim porque ambos entraram em contato frequente sem saberem disso justamente no período em que haviam acabado de se manifestar.
— Hoje em dia a maioria dos casos deve ser assim, de qualquer forma.
O assistente-gerente Nam assentiu.
— E, do lado do ômega, ele também aumentou a dose do medicamento do chip para que praticamente não haja liberação de feromônios.
— Ah, então os dois lados fizeram tudo o que podiam.
O assistente-gerente Nam fez uma expressão de “qual é o problema?”. Em vez de responder, Jiheon retirou a espinha grande do meio do pedaço de peixe-espada. Afastou a espinha retirada para o lado e, dessa vez, começou a tirar as espinhas finas dos dois lados enquanto dizia:
— Parece que o lado alfa… está tendo uma espécie de ilusão.
— Ilusão? Que ilusão?
O assistente-gerente Nam perguntou enquanto também separava a carne da cavala.
— Então, é que o corpo dele simplesmente reagiu ao feromônio, mas ele interpretou isso como uma questão de sentimento.
— Ah, do tipo “isso é amor”?
— Amor eu já não sei.
— Ah, está bem. De qualquer forma, ele está iludido achando que gosta da outra pessoa, é isso?
— É isso.
Jiheon assentiu. O assistente-gerente Nam disse “entendi”, assentiu e, jogando na boca a carne de cavala que havia separado, falou:
— Mas como é que se sabe se isso é ilusão ou é de verdade?
— Ora, isso…
Vendo de fora dá para saber. Jiheon falou rindo.
— Como é que se sabe vendo de fora? Isso não é uma coisa que ninguém além da própria pessoa sabe?
— Bom, é verdade, mas…
Jiheon disfarçou por alto.
— Mas…
O assistente-gerente Nam pousou os hashis e, pegando o copo de água, disse:
— Desculpe, mas, por acaso, esse conhecido é o senhor mesmo, gerente Jeong?
— …
Jiheon, surpreso, não conseguiu dizer nada por um instante.
— Desculpe.
O assistente-gerente Nam falou logo em seguida, esfregando a própria nuca.
— Eu sei que não se pode perguntar essas coisas, mas foi por curiosidade mesmo.
Desculpe, gerente Jeong. O assistente-gerente Nam repetiu o pedido de desculpas.
— Não, não. Não precisa se desculpar.
Jiheon fez que não com as mãos, desconcertado. E logo falou sorrindo:
— Sim, é isso mesmo. Estou falando de mim.
— Hmm, entendi.
O assistente-gerente Nam tinha uma expressão de “eu sabia”.
— O senhor não parece muito surpreso.
— Ah, é que eu já vinha pensando que talvez fosse isso.
O assistente-gerente Nam falou pegando os hashis de novo.
— Mas eu não falei nada porque parecia que o senhor não queria revelar.
O assistente-gerente Nam removeu num instante a espinha grande da cavala. Jiheon observou por um tempo os gestos habilidosos dele e voltou a tirar as espinhas do próprio peixe.
⊹ ࣪ ⋆。𖦹⋆.Continua…﹏⊹ ࣪ ˖
◆ Tradução e raws Belladonna, revisão Nat ◆