Capítulo 04.4
𓆝 ⋆。𖦹°‧ Capítulo 4 – Parte 4
Pensando bem, os dois eram almas gêmeas. Nenhum era melhor ou pior que o outro. Eram exatamente iguais.
— Não.
— Mas o Seonghyeon hyung disse que sim.
《Não. Cha Seonghyeon é definitivamente pior. Um homem quatro anos mais velho que devia agir de forma mais adulta. E foi contar tudo mesmo assim.》
— Jaekyoung. — No fim, Jiheon soltou um suspiro profundo. — Você vai mesmo falar disso agora?
— E se não for agora, quando vai ser?
— Eu preferia que você deixasse para depois da competição.
— Não. Eu detesto ainda mais a ideia de ter que manter esse mal-entendido até lá.
《Mal-entendido? Que mal-entendido?》
Antes que Jiheon perguntasse, Jaekyoung disse:
— Eu não tenho nada com o Seonghyeon hyung.
— Eu sei, você já falou isso antes.
Jiheon respondeu por alto.
— O Seonghyeon hyung tem namorado.
— Sim, isso eu também sa… o quê?
Jiheon arregalou os olhos e olhou para Jaekyoung.
— Você também viu, hyung. A pessoa que estava no banco do carona anteontem.
— …O quê? Aquela pessoa? — Jiheon gritou surpreso. — Não era o empresário dele?
— Não era. Hyung, olhe para a frente. Vamos bater.
Diante da fala de Jaekyoung, só então Jiheon voltou depressa olhar para a frente.
《Do que ele está falando, afinal?》
Enquanto apertava o volante com mais força, confuso, Jaekyoung falou ao seu lado com uma voz impassível:
— Eu nunca me encontrei sozinho com o Seonghyeon hyung. Sempre nos encontramos os três, incluindo aquela pessoa. Quando fomos fotografados no restaurante da outra vez, também estávamos nós três. É que quem tirou a foto recortou só nós dois e postou.
《 Então a foto do pub de anteontem também tinha três pessoas e postaram de propósito só os dois…》
— Mas por que ele faz isso? — Jiheon perguntou sem entender de forma alguma.— Encontrando-se assim, naturalmente as pessoas só fotografam você e o Cha Seonghyeon. Sabendo disso, por que vocês continuam se encontrando juntos?
— É justamente por isso que a gente se encontra juntos — disse Jaekyoung, ainda com a expressão impassível. — Assim, a atenção fica voltada para nós dois, e ninguém desconfia do outro lado.
Em outras palavras, era uma forma de desviar a atenção das pessoas.
— Ha…
Jiheon acabou rindo, achando aquilo absurdo. Não sabia se devia chamar aquela atitude de ousada ou de vil. De qualquer forma, era muito a cara de Cha Seonghyeon não se importar nem um pouco com a situação dos outros e pensar apenas em si mesmo.
Mas, deixando Cha Seonghyeon de lado, Jiheon entendía menos ainda porque Jaekyoung, mesmo sabendo muito bem das intenções dele, aceitava acompanhá-lo sempre que era chamado.
— E você? Por que participa disso?
— Porque devo um favor àquele hyung.
— Que favor?
— Um favor.
Jaekyoung falou de forma cortante. Vendo-o emanar com o corpo inteiro uma aura de “não pergunte mais”, pelo visto ele detestava mesmo falar daquilo.
Jiheon não pretendia insistir, mas estava curioso. Que diabos de favor era aquele para fazer justamente Kwon Jaekyoung se sujeitar a todo aquele incômodo e acompanhá-lo sempre que ele marcava esses encontros? Será que Jaekyoung tinha pegado dinheiro emprestado?
Não, não podia ser dinheiro. Pela personalidade de Jaekyoung, era difícil imaginar que ele fizesse algo de propósito para ficar em dívida com alguém. E, mesmo que tivesse recebido ajuda sem querer, ele não tinha sensibilidade social suficiente para enxergar aquilo como uma dívida. “Você me ajudou porque quis. Por que isso seria uma dívida minha? Se não queria se envolver, não devia ter se metido desde o começo.” Jaekyoung era perfeitamente capaz de dizer algo tão frio assim. Esse era o tipo de sujeito que Kwon Jaekyoung era.
《Será que ele realmente… deve mesmo um favor? Não será só uma desculpa para poder estar junto de quem ele gosta de algum jeito?》
— O que você está pensando de novo, hyung?
Assim que Jiheon mergulhou de novo nos próprios devaneios, Jaekyoung o interceptou como se adivinhasse.
— Não estou pensando em nada.
— Não venha com essa. Está estampado no seu rosto.
— Não, é sério, não estou pensando em nada.
Jiheon falou com voz natural enquanto conferia discretamente o próprio rosto no retrovisor. Ao lado, ouviu-se o som do suspiro de Jaekyoung.
— Para de suspirar, vai espantar a sorte.* — disse Jiheon, rindo sem graça.
*NT: Na Coreia, há uma superstição de
que suspirar faz a sorte ir embora.
Em vez de responder, Jaekyoung apoiou o cotovelo na janela. Passou a ponta dos dedos pela testa, como se refletisse por um instante, e então voltou a falar, soltando outro suspiro breve:
— Quando eu estava na Austrália, aquele hyung foi até lá para uma gravação.
— Você não precisa me contar. — Jiheon se apressou em dizer, desconcertado. — Eu não estou muito curioso, então, se você não quer falar, não fale. Não precisa.
— Não. Eu detesto que você fique pensando bobagem, hyung, então eu vou falar.
— Não, não estou pensando besteira. Ei, Jaekyoung, por favor… — Jiheon implorou em tom brincalhão. — É que eu realmente não quero ouvir.
E era verdade. Por mais curioso que estivesse, não queria saber. E ouvir aquela história diretamente de Jaekyoung era algo que desejava menos ainda.
— Só escuta.
Jaekyoung não ia deixar o assunto morrer. Jiheon suspirou e acabou cedendo.
— Tá bom, tá bom. A gente conversa sobre isso depois. Depois da competição.
— Esquece. Vou falar agora, então escuta. Odeio ainda mais ter que ficar adiando isso até lá — Jaekyoung respondeu, irritado. — Se você quer que eu me concentre na competição, então me escuta.
Aquilo já era praticamente uma ameaça. Claro que Jaekyoung não ia comprometer a própria competição só porque Jiheon não queria ouvi-lo, mas, a essa altura, Jiheon já não tinha como continuar se recusando.
— Está bem. Fale.
No fim Jiheon desistiu. Jaekyoung o olhou de relance uma vez e, voltando a olhar para a frente, disse:
— Foi em dezembro, pouco antes do Natal. A pessoa que serviu de guia para a equipe de gravação era conhecida de conhecidos meus. Ele me contou que Seonghyeon hyung queria sair comigo e disse que, se eu estivesse interessado, era só avisar que ele arranjaria um encontro.
《…Um começo de romance bem comum.》
Jiheon não esperava por aquilo. Claro que não imaginava que o primeiro encontro tivesse sido digno de um filme romântico, mas jamais pensou que tivesse sido tão descaradamente arranjado por conveniência. Para ser sincero, aquilo até o chocou um pouco. Jaekyoung saía com homens com tanta naturalidade. Aquele garoto tão jovem, aquela criança que parecia não se interessar por nada além da natação.
— Eu disse que não estava interessado, mas ele insistiu para que eu pelo menos visse uma foto. Disse que com certeza seria do meu tipo. Então eu olhei e, de fato, era. Ele era alto, tinha um porte físico parecido e, principalmente, o formato dos olhos era muito semelhante.
《Semelhantes a quem, afinal…?》
Também dessa vez, Jiheon guardou o comentário para si. Não disse nada porque acreditava que, se continuasse ouvindo, acabaria descobrindo o resto da história. Jaekyoung parecia tão absorto nas próprias lembranças que provavelmente havia deixado de fora algum detalhe. Era melhor não interrompê-lo e deixá-lo viajar sozinho pelo passado. De qualquer forma, Jiheon já tinha uma ideia de quem ele estava falando.
— Mas, quando eu de fato o conheci, ele não era nada parecido. Pela foto, achei que fossem bastante semelhantes, mas, pessoalmente, não tinham nada a ver um com o outro. Para começar, a atmosfera era completamente diferente.
A essa altura, Jiheon já tinha uma ideia do que se tratava a dívida mencionada por Jaekyoung. Se suas suspeitas estivessem certas, Jaekyoung havia cometido um erro e tanto… ou melhor, uma tremenda indelicadeza. Nesse caso, mesmo que Cha Seonghyeon tivesse lhe dado um tapa na cara, não haveria nada a dizer em sua defesa.
— No começo, achei que fosse por causa da cor do cabelo. Naquela época, o hyung estava com o cabelo castanho. Quando comentei isso, no dia seguinte ele apareceu com o cabelo pintado de preto. Mesmo assim, continuava não parecendo. Então eu disse que sentia muito, mas que não ia dar certo.
Correção. Jiheon agora achava que conseguiria entender até se Cha Seonghyeon tivesse arrancado a genitália de Jaekyoung com uma mordida. O homem havia pintado o cabelo para conseguir dormir com Kwon Jaekyoung. E não em qualquer lugar, mas na Austrália, do outro lado do mundo, onde precisou procurar um salão para mudar a cor. Justamente Cha Seonghyeon, uma celebridade que estava no auge da popularidade. E, para piorar, depois de tudo isso, ainda havia sido rejeitado.
— O hyung riu e disse que, se não dava, não tinha jeito. Falou que estava tudo bem e que eu só precisava sair com ele enquanto estivesse na Austrália. Então, acompanhei o Seonghyeon hyung quando ele foi a clubes e saiu para fazer compras.
《Então era assim que aquelas fotos tinham sido tiradas.》
Jiheon suspirou em silêncio.
— O Seonghyeon-hyung disse que aquilo já bastava e que eu não precisava mais me sentir mal, mas eu também sou gente. Não tem como simplesmente ficar de boa com uma coisa dessas. Então, quando nos encontramos de novo, pouco depois de eu chegar à Coreia, ele me pediu ajuda e eu aceitei. Foi só isso.
Ouvindo a história, Jiheon finalmente conseguiu entender tudo. Por que Jaekyoung acompanhava Cha Seonghyeon e por que dizia que lhe devia um favor. Até mesmo aquele “me chame sempre que precisar” provavelmente tinha surgido naquele mesmo contexto.
Agora, a relação entre os dois fazia todo o sentido. Ainda assim, isso só fez Jiheon se perguntar uma coisa sobre a outra pessoa.
— Se você chega ao ponto de procurar alguém parecido com ele, não seria melhor entrar em contato com a própria pessoa de novo? Em vez de machucar alguém inocente e depois ficar se sentindo culpado por isso?
Diante da fala de Jiheon, Jaekyoung ficou um instante em silêncio e disse:
— …Qual pessoa?
— Estou falando do Lin Han.
— Quem é esse?
Diante da resposta de Jaekyoung, Jiheon, desconcertado, gritou:
— O quê? Espera aí. Não era esse o nome dele?
— Não sei. Estou perguntando quem é essa pessoa.
— Aquele com quem você se envolveu no seu primeiro escândalo. O jogador de polo aquático taiwanês. Não era Lin Han? Ou era outro nome?
Só então Jaekyoung murmurou um “ah”. Passou a ponta dos dedos pelo queixo e olhou para o lado, com os olhos semicerrados. Sua expressão era de quem tinha acabado de se lembrar dessa história.
Naquele instante Jiheon percebeu. Não teve como não perceber. Não era sobre Lin Han. Jaekyoung, desde o início, nem sequer pensava nessa pessoa.
E, ao mesmo tempo, houve mais um fato que ele descobriu. Jaekyoung não havia omitido o complemento por estar absorto na própria história. Ele o havia omitido de propósito.
— Bem, é claro que ele era parecido — respondeu Jaekyoung um pouco tarde demais. Um sorriso vago surgiu nos lábios de Jaekyoung, parcialmente escondidos pelos dedos longos. Era aquele mesmo sorriso autodepreciativo que Jiheon já tinha visto uma vez. — Ele veio puxar conversa comigo por engano, porque estava bêbado. Mesmo assim, era parecido. E, como também era atleta, o corpo era ainda mais parecido.
Mais uma vez, Jaekyoung deixou a frase incompleta, sem revelar o resto. No fim das contas, isso só podia significar que queria que Jiheon perguntasse. “Parecido com quem, afinal? De quem você está falando?” Aquele moleque estava esperando que ele fizesse justamente essas perguntas.
Se Jaekyoung queria que perguntasse, então o certo era perguntar. Afinal, se aquele atleta queria alguma coisa, cabia a Jiheon atender ao seu desejo, fosse ele qual fosse. Não era nada difícil.
Mas, por algum motivo, ele não conseguia abrir a boca. Não sabia o que perguntar, muito menos como fazê-lo. Sua cabeça estava tão confusa que, ironicamente, não conseguia formular pensamento algum.
No fim, quem abriu a boca primeiro foi Jaekyoung.
— Por que você não pergunta?
— O quê?
— Com quem, afinal, ele era parecido. — Ele já não hesitava mais. — Por que você não pergunta de quem eu estou falando?
— Sei lá, é preciso mesmo perguntar isso?
Jiheon falou em tom forçadamente calmo.
— Até agora você sempre perguntou imediatamente quando estava curioso sobre alguma coisa.
— É mesmo? — Jiheon murmurou como se falasse de outra pessoa. Ao contrário do tom seco, a palma da mão que segurava o volante estava suada. Por causa do ar-condicionado que soprava frio sem parar, dentro do carro estava mais do que fresco, quase frio e, ainda assim, ele suava. — É que dessa vez eu não estou muito curioso.
Jiheon falou sem tirar os olhos da traseira do carro branco à frente. Jaekyoung percebeu que ele nem sequer olhava em sua direção e soltou uma risadinha.
— Hyung. — A mão que segurava o volante se apertou com força. — Do que você tem tanto medo?
Jiheon continuou fitando apenas a frente, sem responder nada. Jaekyoung também não parecia ter dito aquilo esperando uma resposta, e não insistiu nem o pressionou mais.
Em algum momento o carro chegou à frente do hotel.
— A gente se vê amanhã, hyung.
Jaekyoung falou soltando o cinto e desceu do carro sem sequer esperar a resposta de Jiheon.
Assim que a porta do passageiro se fechou, Jiheon pisou no acelerador. Embora o ar-condicionado estivesse ligado, ele abriu as janelas do motorista e do passageiro, e o ar morno invadiu o carro num instante.
Naquele momento, um cheiro intenso de mato, que nunca sentira antes, pareceu atingir suas narinas.
Ele sabia. Aquilo era tudo falso. Uma ilusão criada pelo próprio cérebro por causa de uma obsessão excessiva.
Ele sabia disso, mas detestava aquela sensação. Mais do que aversão, sentia preocupação; e, mais do que preocupação, medo.
Sua mão voltou a apertar o volante com força. As veias no dorso da mão saltavam azuladas, retorcidas, como se fossem romper a pele a qualquer instante. Jiheon sequer percebeu o quanto estava apertando até sentir um formigamento doloroso na palma. Só então afrouxou conscientemente os dedos.
《Calma. Só fica calmo.》
Jiheon repetiu para si mesmo enquanto afrouxava e voltava a apertar o volante lentamente. Felizmente, com o passar do tempo, sentiu a agitação diminuir aos poucos. Quando o prédio da empresa surgiu ao longe, já havia recuperado completamente a serenidade.
Com a mente mais tranquila, a primeira coisa em que pensou foi em quando poderia tirar meio período de folga. Pelo visto, precisaria passar na clínica em breve.
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⊹ ࣪ ⋆。𖦹⋆.Continua no volume 2…﹏⊹ ࣪ ˖
◆ Tradução e raws Belladonna, revisão Nat ◆