Capítulo 03.6
𓆝 ⋆。𖦹°‧ Capítulo 3.6
— Então me restam quatro desejos, certo?
Jaekyoung falou fechando a tampa da caneta.
— …É isso que importa agora?
Mal tinha assinado o contrato publicitário e, antes mesmo de a tinta secar, ele já estava falando de desejos. Jiheon suspirou de propósito, bem alto, e perguntou:
— Normalmente, você não perguntaria primeiro coisas como “quando vai ser a gravação?” ou “qual vai ser o conceito”? Ou, pelo menos, não conferiria mais uma vez os detalhes do pagamento?
— Isso a empresa resolve.
O tom deixava claro: “Não é problema meu”.
A atitude indiferente de Jaekyoung não era novidade, mas aquilo já era demais. Afinal, era uma publicidade que ele próprio iria gravar, e ele não demonstrava o menor interesse. Propagandas de televisão eram vistas pelo país inteiro. Provavelmente seriam vistas por muito mais gente do que os vídeos das provas.
E, mesmo assim, ele não se importava nem um pouco com a publicidade. Só conseguia falar daqueles desejos, como se nada mais importasse. Naquele ponto, era quase como se ele tivesse aceitado gravar a propaganda só para poder pedir desejos.
E olha que, se ao menos fossem desejos grandiosos… Mas não. Ele só pedia coisas que mal podiam ser chamadas de desejos.
— Ei, mas por que quatro? — Jiheon perguntou casualmente enquanto recolhia os contratos. — Ontem e anteontem eu também entrei na piscina com você.
Quando insinuou que aqueles dias também deveriam entrar na conta, Jaekyoung fez uma expressão de quem não fazia ideia do que ele estava falando.
— Você entrou por conta própria. Porque quis nadar.
— Ah, foi?
Jiheon disfarçou, fingindo se concentrar em organizar os contratos. Mas Jaekyoung não era de deixar uma oportunidade dessas passar.
— Hyung, você sabe que ter uma raia inteira só para você é um puta luxo, não sabe? Nesse caso, quem deveria cobrar sou eu. Aluguel da piscina. E da sunga também.
— Ei, não seja mesquinho.
Ele já ia acabar levando a pior por uma esperteza que nem valia tanto a pena. E, como tinha sido ele quem dera brecha primeiro, se cedesse naquele momento, acabaria cedendo sempre dali em diante. Agora, precisava ir até o fim e avançar sem vergonha, mesmo que fosse na maior cara de pau.
— De qualquer forma você não tem mais nada para me mandar fazer. Fique com isso mesmo.
Quando ele disse isso enquanto enfiava os contratos na pasta plástica com gestos bruscos, Jaekyoung riu como se aquilo fosse um absurdo. Jiheon tinha consciência de que estava dizendo um absurdo. Mas não podia recuar dali. Já que começou a insistir, tinha que ir até o fim.
— E eu estava pensando… contar parar de fumar como um único desejo não faz sentido. Não é nada fácil, e tem gente que até faz curso para conseguir largar o cigarro. Se eu realmente conseguir parar de fumar, isso deveria valer por uns dez desejos…
— Sim, se você conseguir eu faço assim, hyung.
Jaekyoung respondeu sem nem ouvir Jiheon terminar.
— …Você diz isso sabendo que eu não vou conseguir, né?
— Não é isso. Eu acredito em você, hyung. Você vai conseguir.
Jaekyoung falou imediatamente. Diante daquela reação mecânica, Jiheon esqueceu a determinação inicial de se impor e acabou caindo na gargalhada.
— Você é um robô? Faça pelo menos com alguma expressão.
— Essa é a minha expressão normal.
E era mesmo. Aquele moleque tinha o rosto inexpressivo como padrão. Fizesse o que fizesse, dissesse o que dissesse, era sempre a mesma expressão. E, quando se irritava, no máximo apareciam uma ou duas rugas na testa.
Ainda assim, naquele dia ele parecia à sua maneira de bom humor. Para Jiheon, que desde a manhã andava ansioso, atento ao humor de Jaekyoung por ser o dia da primeira gravação publicitária, aquilo era um alívio imenso. É claro que não dava para saber quando ele mudaria de repente.
— Mas afinal quando começa a gravação?
Como não podia deixar de ser, Jaekyoung logo falou como quem está entediado. Jiheon disse “pois é” e logo espiou para fora da sala de espera. Do outro lado da parede de vidro, dezenas de pessoas se moviam agitadamente. Já estavam assim havia quase duas horas; naquele ritmo iam ser expulsos sem nem conseguir gravar.
Felizmente o ginásio de Gwacheon havia autorizado a gravação, mas com restrição de horário. Era para gravarem tudo e irem embora entre as três e as seis, horário originalmente alugado por Jaekyoung. Ainda assim, depois de muito implorar, conseguiram alugar a partir da uma, horário em que o uso pelo público em geral era restrito — mas, mesmo assim, já eram quase três horas e a gravação nem havia começado. Ele se perguntava por que demorava tanto, se iam gravar apenas cenas de natação, e pelo visto estavam penando para montar a iluminação.
— Mas parece que agora vai começar logo.
Mal ele terminou de falar, alguém bateu à porta da sala de espera. Quando Jiheon foi depressa abrir a porta, a responsável pela maquiagem falou com cautela:
— É que parece que a gravação vai começar logo. Eu gostaria de retocar a maquiagem mais uma vez; tudo bem?
— Ah, claro.
Jiheon abriu ainda mais a porta, dizendo para ela entrar. Ele achou que Jaekyoung resmungaria perguntando por que teria que se maquiar de novo, mas felizmente, mesmo demonstrando que era chato, ele entregou o rosto docilmente à responsável pela maquiagem. Ele até puxou conversa quando ela ia refazer as sobrancelhas.
— Mas isso não vai sair todo quando eu entrar na água?
— De jeito nenhum. É ultrarresistente à água. Essa linha pode ser considerada praticamente cosmético para filmagem subaquática.
— E na hora de tirar, como faz?
— Com o removedor específico sai perfeitamente. Eu vou tirar tudo direitinho, então não se preocupe.
— E por que eu me preocuparia?
Jaekyoung provavelmente disse aquilo no sentido literal de “isso é problema seu e, se não sair, a responsabilidade é sua, então por que eu me preocuparia?”. Mas a responsável pela maquiagem pareceu entender como “por que eu me preocuparia, se você é tão confiável?”. Por isso ela ria daquele jeito, de orelha a orelha.
Ilusão ou não, contanto que o clima fosse bom, tudo bem. Jiheon se tranquilizou. Vendo-o conversar normalmente com outras pessoas daquele jeito, pelo visto Jaekyoung estava mesmo em boas condições naquele dia.
Bem, e não era só naquele dia. Naqueles últimos dias Jaekyoung estava sempre de bom humor. O estado físico estava bom e os tempos, melhores ainda. Jiheon também não sabia o motivo. Ele treinava, comia, descansava e treinava de novo exatamente no mesmo ciclo de sempre; por que as condições melhoraram tão de repente? A única coisa que se podia chamar de mudança nesse meio-tempo era Jiheon ter entrado algumas vezes na piscina junto.
Mas não parecia ser esse o motivo. E não era à toa: pelo fato de Jiheon ter entrado na piscina, não era como se ele e Jaekyoung tivessem feito algo juntos. Jaekyoung se concentrava no treino exatamente como sempre fazia, e Jiheon, para não atrapalhá-lo, apenas nadava sozinho por uns quarenta minutos na raia mais afastada e saía. Bem, eles nunca fizeram nada como uma corrida entre os dois, nem conversaram.
Só que, quando Jaekyoung descansava durante o treino, ele ficava observando Jiheon nadar de longe. Normalmente, quando descansava, ele cobria o rosto com uma toalha, deitava no banco fora da piscina e não se movia. Ficava deitado dez minutos como se estivesse morto e, quando chegava a hora, voltava direto para a água.
Mas, enquanto Jiheon estava presente, ele não se deitava no banco e simplesmente ficava dentro da água. Recostado na raia flutuante ou encostado na parede de azulejo, ficava um bom tempo apenas observando Jiheon, que nadava sozinho na raia da ponta. Jiheon queria perguntar o que ele tanto olhava, mas, com medo de que aquilo virasse conversa e, por descuido, estragasse o ritmo de treino de Jaekyoung, não dizia nada. Aí Jaekyoung, depois de observar por um tempão, assim que o intervalo terminava voltava imediatamente ao treino e logo se concentrava apenas nos próprios movimentos, como se tivesse esquecido a existência de Jiheon.
Jiheon também pretendia não entrar mais na piscina se, por acaso, ele estivesse atrapalhando o treino de Jaekyoung, mas não parecia ser o caso. Pelo contrário, os tempos saíam ainda melhores e as condições não podiam estar melhores.
Ainda assim, será que agora é melhor não entrar? Como falta só uns quinze dias para a competição, o certo é reduzir ao máximo qualquer fator que possa influenciar.
Foi então que:
— Atleta Kwon Jaekyoung, assim que a maquiagem terminar já pode sair!
Um membro da equipe escancarou a porta da sala de espera sem bater, gritou aquilo e sumiu.
— Parece que vão começar a gravar agora.
Os gestos da responsável pela maquiagem ficaram ainda mais apressados. Ela ajustou por último um pouco a cor dos lábios e finalizou o retoque.
— E aí, perfeito, não é?
A responsável abriu um sorriso satisfeito para Jiheon enquanto organizava a maleta de maquiagem.
— Pois é.
Jiheon ficou intimamente surpreso. Mesmo sendo maquiagem, era apenas uma base bem leve, os lábios e as sobrancelhas desenhadas um pouco mais marcadas. E, ainda assim, só com aquilo a impressão mudou completamente. Como Jaekyoung tinha um rosto naturalmente delicado e bonito, ele estava preocupado que a maquiagem o deixasse com um ar bonito demais, mas não foi nada disso. Pelo contrário, aquela vaga sensação de menino sumiu por completo e ele ficou mais másculo.
Mas Jaekyoung parecia achar estranha a própria aparência maquiada. Quando lhe mostraram o espelho, ele fez uma expressão levemente surpresa e, assim que a maquiadora saiu da sala, comentou:
— Está estranho.
— O quê? O que está estranho?
— Tudo. Por que passaram isso nos lábios?
— Disseram que, se não passassem, só os lábios iam ficar pálidos. Está bom. — Jiheon riu. — Você só está achando estranho porque não está acostumado. Afinal, é a primeira vez que se maquia. Visto de fora, não está estranho coisa nenhuma. Não ficou com aquela aparência que você está imaginando. Está só bonito.
Quando Jiheon disse que ele tinha gostado, Jaekyoung, ainda com uma expressão um pouco insatisfeita, não disse mais nada.
— Vamos.
Quando ele falou apontando para a porta, Jaekyoung se levantou como se esperasse por aquilo. E então tirou a calça de treino que usava por cima da sunga e saiu da sala de espera vestindo apenas a jaqueta. Jiheon também juntou a bolsa e os objetos num canto e seguiu Jaekyoung.
Do lado de fora da sala de espera, era literalmente um caos. Às margens da piscina, haviam instalado enormes rebatedores de luz, refletores e várias câmeras. No meio de tudo aquilo, os membros da equipe corriam de um lado para o outro, descalços e gritando instruções sem parar. Era um verdadeiro pandemônio.
《Vai levar um tempão para arrumar tudo depois que a gravação terminar. Será que conseguem desmontar até às seis? 》
Enquanto Jiheon refletia seriamente sobre isso, do outro lado o gerente Yoon Gyuwon, que conversava com a responsável pela marca, de repente chamou:
— Gerente Jeong!
— Você pode vir aqui um instante dar uma olhada nisso?
— Ah, sim.
Jiheon respondeu depressa e se dirigiu ao lugar onde estava o gerente Yoon Gyuwon. E então:
— Ei, venha devagar. Está escorregadio.
Assim que o gerente Yoon terminou de falar, pisou em uma poça e escorregou. Tudo aconteceu num instante. Ele nem teve tempo de gritar; apenas agitou os dois braços, tentando recuperar o equilíbrio. Mesmo assim, seu corpo teve o reflexo de se virar em direção à piscina, quando…
— …!
Alguém atrás dele agarrou seu pulso num movimento rápido e o puxou com força. Jiheon estava de olhos fechados, já se preparando para cair na piscina, mas, ao sentir um calor macio envolvendo suas costas em vez da água fria, abriu os olhos e olhou para trás.
— Você está bem?
Jaekyoung perguntou com um rosto ainda mais assustado que o dele. Mas aquele rosto estava perto demais. Quase encostando o nariz. Jiheon, mais assustado do que quando escorregou, se apressou em se levantar.
— A-ah, estou bem.
— Cuidado. Está escorregadio.
— Ah, desculpa. Obrigado.
Jiheon respondeu de forma meio atrapalhada, ainda atordoado.
— Uau… Que susto.
Quando ele finalmente conseguiu ficar de pé e respirou aliviado, o gerente Yoon se aproximou com um rosto assustado e disse:
—Gerente Jeong, você está bem?
— Ah, sim. Estou bem.
— Nossa, quase tive um treco. Tome cuidado.
Jiheon riu sem graça e pediu desculpas ao gerente Yoon, que também soltou um suspiro de alívio.
— O que eu preciso conferir?
— Ah, não é nada de mais, é que a responsável deles pediu para você checar isto.
Mesmo enquanto conversava com o gerente Yoon, Jaekyoung continuava segurando um dos braços de Jiheon. Ainda atordoado, Jiheon nem havia percebido. Só se deu conta quando, ao terminar de falar, o gerente Yoon riu e comentou:
— Cuidado mesmo. Até o atleta Kwon Jaekyoung levou um susto.
Sem entender o que ele queria dizer, Jiheon se virou e só então percebeu que Jaekyoung ainda segurava seu braço.
— Ei, Jaekyoung. Já pode soltar. — Jiheon riu sem graça, ainda meio desconcertado. — Eu não vou cair.
Só então Jaekyoung pareceu perceber que ainda estava segurando sua mão e a soltou imediatamente. Pelo visto, nem ele próprio havia notado que continuava segurando Jiheon.
— Cuidado. Estou falando sério. — Jaekyoung falou num tom irritado. — Se você sabe que o chão está escorregadio, por que faz uma coisa dessas?
Mais do que pelo tom de voz, a irritação estava estampada em seu rosto, que havia endurecido.
— Desculpa. Vou tomar mais cuidado.
Jiheon tentou explicar que tinha sido apenas um descuido momentâneo, mas a expressão de Jaekyoung não se suavizou. Pelo contrário. As duas linhas marcadas entre suas sobrancelhas deixavam claro que ele estava realmente furioso.
Jiheon sinceramente não entendia por que Jaekyoung estava tão bravo, mas, de qualquer forma, como era evidente que a culpa era do próprio descuido dele, ele se esforçou para melhorar o humor dele.
— Mas você não acha que, mesmo naquela situação, eu fui incrível por ter conseguido girar na direção da água para cair nela? Se eu tivesse batido direto no chão, com certeza teria quebrado alguma coisa.
Jiheon falou de propósito, num tom de quem estava se gabando. Jaekyoung, porém, fez uma expressão perplexa.
— Por que você pensa uma coisa dessas?
E então acrescentou:
— Eu não deixaria você cair, hyung.
Ele cruzou os braços e soltou um breve suspiro.
Inacreditavelmente, naquele instante, o coração de Jiheon disparou. Desconcertado com a própria reação, Jiheon não conseguiu nem rebater direito.
— Ah… está bem…
Para melhor entendimento durante a leitura:
《Pensamento》
[Telefone]
「Fala da tv ou narrador」
*Escrita*
⊹ ࣪ ⋆。𖦹⋆.Continua…﹏⊹ ࣪ ˖
◆ Tradução e Raws: Belladonna, Revisão: Nat ◆