Capítulo 03.5
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Jiheon puxou bem o ar e apalpou a barriga. Talvez fosse impressão, mas parecia que dava mesmo para sentir um relevo mínimo.
— Ei, olha só.
Jiheon, empolgado, segurou a mão de Jaekyoung e a colocou sobre a própria barriga, dizendo:
— Não dá para sentir alguns gominhos?
— Você chama isso de músculos?
Jaekyoung retirou a mão sem sequer apalpar direito e disse:
— Isso é só porque você é magro. Você não sabe distinguir entre ter músculo de verdade e só ser muito magro?
Por fim, ele suspirou como se aquilo fosse um absurdo e virou o rosto — e, por causa daquele tom seco, Jiheon nem percebeu que as orelhas de Jaekyoung haviam ficado levemente vermelhas.
— Uau, você é impiedoso mesmo.
Jiheon falou de propósito com uma expressão magoada.
— Impiedoso uma ova.
Jaekyoung murmurou ainda de forma seca e logo suspirou, dizendo:
— Pare de inventar desculpas para não se exercitar. Se você se manteve assim sem fazer nada por dez anos, então basta se exercitar um pouco que logo volta ao que era antes, não é?
— Não, isso é absolutamente impossível. — Jiheon se apressou em recuar. — Eu só nunca engordei, por isso ainda tenho a mesma aparência de antes. Mas músculos? Esses desapareceram faz tempo.
— Não ter engordado depois de largar o esporte já é impressionante.
Diante de Jaekyoung falando como quem não entende, Jiheon riu e disse:
— Não é que eu tenha me cuidado, é só genética. O meu pai é um comilão descomunal e bebe que nem um gambá, e ainda assim nunca engordou na vida. Minha tia dizia que tudo o que ele comia virava altura e osso, e eu sou exatamente como ele. Rosto e tipo físico, sou a cara do meu pai.
— O seu pai também é alto?
— Sim. Ele é mais alto que eu e tem um corpo mais musculoso.
Diante da fala de Jiheon, Jaekyoung assentiu com um “bem”.
— Porque ele é militar.
— Como você sabe?
Quando ele perguntou surpreso, Jaekyoung falou em tom de “não é óbvio?”:
— Todo mundo na piscina sabia disso.
Só então Jiheon soltou um “ah, claro”. Aquele lugar era um bairro onde não existia segredo. Jiheon deu uma risadinha enquanto tirava a touca.
— Isso. Ele era oficial, o que já era algo bem raro para um ômega. Embora tenha se aposentado como tenente-coronel sem realizar o sonho de se tornar o primeiro comandante de regimento ômega, ainda assim é uma conquista impressionante, não acha?
Jiheon falou passando a mão molhada pelo cabelo. Ele achou que ouviria um “sim” imediato, mas, inesperadamente, Jaekyoung apenas o encarou de olhos arregalados.
— Ah, pelo visto você não sabia.
Diante da fala de Jiheon, Jaekyoung falou tardiamente:
— Normalmente ninguém sabe… esse tipo de coisa. Eu achava que você era ômega pelo lado da sua mãe.
— A família da minha mãe, mesmo revirando até os parentes mais distantes, é toda beta.
Depois de dizer isso, Jiheon colocou a touca de novo. Como sempre fazia por hábito, segurou a borda da touca para que a parte do topo ficasse bem lisa e a puxou até logo acima das sobrancelhas, dizendo:
— De qualquer forma, eu cresci vendo um pai assim. Nunca me passou pela cabeça pensar que algo era impossível por eu ser ômega. Largar a natação também foi só porque percebi o meu limite, não teve grande relação com o meu traço. Eu já tinha decidido largar antes de sair o diagnóstico de que eu era ômega. Só empurrei com a barriga porque estava pensando em como contar isso a todo mundo.
Depois de ajeitar a touca, Jiheon colocou os óculos por cima dela. Enquanto fazia isso, resolveu contar aquilo a Jaekyoung.
— Teria sido melhor ter dito isso dez anos atrás, mas… naquela época, por algum motivo, era difícil falar sobre esse assunto.
Jaekyoung ficou observando-o em silêncio e perguntou, piscando devagar:
— Por quê?
— O quê?
— Por que era tão difícil falar disso, dez anos atrás?
— Sei lá…
Jiheon murmurou baixinho. Respondeu como se não soubesse, mas, no fundo, sabia a resposta desde aquela época.
— Acho que eu não queria que você me achasse patético.
Com um sorriso sem graça, Jiheon abaixou a cabeça.
— Eu queria causar uma boa impressão até o fim, pelo menos para um calouro. Pensando agora, parece uma ideia bem idiota, mas eu preferia que, quando você se lembrasse de mim, pensasse: “Aquele hyung teve que desistir porque não era alfa”, em vez de: “Aquele hyung desistiu porque não teve perseverança”. Eu queria que aquilo fosse visto menos como uma falha minha e mais como uma limitação causada pelo meu traço… era isso.
Jiheon queria que Jaekyoung o criticasse, ainda que agora. Queria que ele o repreendesse com qualquer palavra, dizendo que era covarde ou patético, e demonstrasse algum sinal de decepção. Só assim ele se sentiria um pouco mais aliviado.
Mas o moleque, que sempre falava sem meias palavras, por algum motivo não disse nada justamente naquele momento, e no fim Jiheon só teve como dizer ele mesmo:
— É idiota, né. Já que a partir do momento em que desisti sem tentar até o fim eu já mostrei todo o meu lado patético de qualquer jeito. E, mesmo largando a natação, eu ainda ficava pensando em como fazer para você se decepcionar menos comigo.
— Nunca achei que você fosse patético.
Jaekyoung falou imediatamente.
— É mesmo? Eu sempre achei que eu fosse patético.
— Mas eu não.
Também dessa vez Jaekyoung falou sem hesitar. A expressão era impassível, mas o tom, por algum motivo, tinha um ar irritado.
Nesse estado, ajeitando os óculos, ele disse:
— E, sobre você ter largado a natação, eu até já senti rancor de você, hyung, mas nunca decepção.
《 Hm…? Decepção eu entenderia, mas rancor, por quê?》
Antes que Jiheon perguntasse, Jaekyoung sumiu dentro da água e logo se afastou. Como se não quisesse mais falar sobre aquilo.
Jiheon observou as costas de Jaekyoung se afastando e, só depois que ele virou no ponto dos 50m, partiu também.
Como o corpo estava mais solto do que no início, ele acelerou um pouco mais e deu uma volta. Depois de ir e voltar na piscina de 50m completando 100m, Jaekyoung, que já havia chegado bem antes, tirou os óculos por completo e disse:
— Isso agora foi sprint? Bem rápido, hein. E com boa postura.
— Sei lá, agora eu estou sem fôlego.
Jiheon falou ofegante. E não era exagero: ele estava mesmo sem fôlego e sofrendo.
— Antigamente eu ia trinta metros de nado submerso, agora não consigo nem quinze.
— Por falta de fôlego?
— É.
Jaekyoung ficou observando-o um instante e então disse, do nada:
— Já decidi o que vou mandar você fazer na próxima publicidade.
— Já que é assim, você pode chamar de “desejo”, que soa melhor?
Jiheon pediu com calma mesmo naquela situação, mas Jaekyoung apenas fez uma expressão de “tanto faz” e não se deu ao trabalho de corrigir.
— O que é? Ah, não diga que é nadar. Hoje eu já nadei.
— Não é isso.
— Então?
Quando Jiheon, tendo finalmente regulado a respiração, perguntou enquanto tirava os óculos, Jaekyoung falou como se esperasse por aquilo:
— Hyung, pare de fumar.
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— Isso não é loucura?
Jiheon soltou a fumaça do cigarro com violência.
— Se eu conseguisse parar já teria parado faz tempo. Não é um desafio de rede social, para vir com esse tom de “experimente tomar mais água amanhã” ou “tente reduzir o uso de plástico”. Se parar de fumar fosse tão fácil assim, por que o governo estaria dando dinheiro implorando para as pessoas tentarem?
Jiheon não conseguia esconder a raiva. Como Jiheon, que raramente se exaltava, não parava com aquele desabafo indignado havia já alguns minutos, no fim o assistente-gerente Nam tratou de acalmá-lo.
— Ah, bom, será que ele estava mesmo mandando você parar? Acho que ele quis dizer para você diminuir, pensando na sua saúde, gerente Jeong. Que namorado atencioso.
Aquela última frase, dita para acalmá-lo, na verdade elevou o medidor de exaltação de Jiheon.
— Não, não é meu namorado. — Jiheon se apressou em dizer. — Se fosse namorado eu teria simplesmente rido e deixado para lá.
Quando ele disse que era justamente por não ser isso que estava assim, o assistente-gerente Nam, com o cigarro na boca, franziu o cenho com um “hm?”.
— Nem é namorado e você concordou em atender incondicionalmente a um pedido dele? Mas por quê, afinal?
— Não é incondicional. É que eu devia um favor a ele e, em vez de pagar de outra forma, concordei em atender a um pedido.
— Não, é justamente isso que é estranho. — O assistente-gerente Nam apontou imediatamente. — Se é uma compensação nesse sentido, ele deveria escolher algo que fosse mais vantajoso para ele; por que escolher algo que não lhe traz vantagem nenhuma? E logo parar de fumar? Ora, que diferença faz para mim se outra pessoa para de fumar ou não? Por acaso você fumava muito na frente dele?
— Nunca fumei uma única vez.
Jiheon falou com firmeza.《Como eu iria soltar fumaça de cigarro na frente de um atleta?》 Quando ele acrescentou isso apenas mentalmente, o assistente-gerente Nam falou como se agora entendesse menos ainda:
— Então não há absolutamente nenhum benefício para quem fez o pedido. Se você conseguir parar de fumar, quem sai ganhando é só você, gerente Jeong.
— …Ou será, ele acha divertido me ver sofrendo com a dor da abstinência?
Diante da fala de Jiheon, o assistente-gerente Nam levou o cigarro de volta à boca e soltou:
— Essa ideia em si já é coisa de namorado.
— Não é isso, de jeito nenhum.
Jiheon repetiu. Mas não havia como o assistente-gerente Nam recuar de bom grado.
— Você sabe que negação enfática é afirmação, né?
Ao vê-lo todo animado, provocando por ter encontrado um bom motivo, Jiheon foi tomado por uma onda de arrependimento. Se soubesse que seria assim, não teria contado ao assistente-gerente Nam.
Mas ele sentia que não aguentaria sem contar a alguém. E não era mesmo? Ele mandou dizer o desejo (na prática uma exigência) e o desejo foi parar de fumar. Que a partir da assinatura do próximo contrato publicitário ele nem pensasse em fumar. Onde já se viu tamanha imposição?
Naturalmente ele disse o mesmo a Jaekyoung.
“Você acha que isso é fácil? Acha que basta dizer ‘pare de fumar’ e imediatamente sai um ‘sim, começou a abstinência! Sucesso!’?”
É claro que não teve o menor efeito.
“Primeiro tente.”
“Eu já tentei. Se tivesse dado certo eu não estaria fumando agora. Teria parado antes de entrar na empresa.”
“Ao menos se esforce para reduzir. Você não tem um físico ruim; se só consegue nadar tão pouco submerso, é questão de capacidade pulmonar.”
Pelo tom, ele definitivamente não parecia disposto a voltar atrás. Achando melhor tentar convencê-lo, Jiheon tentou dessa vez falar como quem faz um agrado:
“Ei, Jaekyoung. Eu não sou nadador; qual é o problema de eu ter a capacidade pulmonar um pouco reduzida?”
Mas não adiantou.
“Eu não gosto.”
“Mas por que você?”
“Por que seja lá o que for, eu não gosto.”
Ele empurrava de forma arbitrária e, como não era uma exigência problemática nem moral nem legalmente, ele também não podia recusar invocando o conteúdo do termo.
— Ai…
Só de pensar, o suspiro voltava. Ao mesmo tempo o peito ficava apertado e a indignação subia. Jiheon fumava com força, quase como quem descarrega a raiva.
Ora, se ele impôs uma condição dessas, que ao menos a use bem. Havia tanta coisa para pedir, do tipo faça isso, faça aquilo. Até ficaria na fila por ele em algum restaurante badalado; e, no fim, o que ele pede é entrar na piscina junto e parar de fumar.
《 Parece manha de namorado, francamente.》
Sem poder gritar aquilo em lugar algum, ele apenas mordia o filtro inocente quando:
— E então, como está o Kwon Jaekyoung? Está indo bem?
Diante da fala do assistente-gerente Nam, Jiheon se assustou e perguntou:
— Ahn? O quê?.
— A preparação para a competição.
《 Ah, era nesse sentido.》
Jiheon só então respirou aliviado, com o coração ainda batendo forte.
《Bem, que outro sentido haveria?》
— Hmm, está bem tranquila.
O Campeonato Pan-Pacífico já estava a apenas três semanas de distância. A condição atual de Jaekyoung não era apenas boa: era excelente. Seus tempos também vinham surpreendentemente bons a cada medição. Naquele ritmo, parecia perfeitamente possível superar a meta de cinco títulos e ir ainda mais longe.
Somando-se a isso a divulgação estratégica da Spoin — “está em excelente forma”, “há grandes expectativas de que conquiste um recorde de medalhas”, “o próprio atleta demonstra confiança” e coisas do gênero —, o clima na televisão e no meio publicitário já era quase como se Jaekyoung tivesse conquistado o Grand Slam.
— O gerente Yoon está trabalhando duro.
Yoon Gyuwon, gerente e figura central da equipe de relações públicas, felizmente vinha dando todo o suporte à improvisada equipe exclusiva de Kwon Jaekyoung. Júnior do presidente Kang e ex-jogador de vôlei, o gerente Yoon tinha trânsito e influência em diversas áreas do setor. Além disso, desde a época em que Jiheon trabalhava na equipe de relações públicas, ele sempre fora um superior que cuidava bem dele. Por isso, para Jiheon, era alguém em quem podia confiar e se apoiar de várias maneiras.
— Ai, eu queria ter ido para lá.
O assistente-gerente Nam soltou uma fumaça parecida com um suspiro, como quem lamenta, e disse enquanto puxava o cinzeiro:
— De qualquer forma, então quantas publicidades o Kwon Jaekyoung já fechou contrato até agora?
— Contrato definitivamente fechado só tem um.
Jiheon falou isso e esticou o braço para apagar o cigarro no cinzeiro que estava diante do assistente-gerente Nam. E, com a mão direita agora livre, foi contando nos dedos enquanto dizia:
— Mas, contando os contratos que já recebemos e que devem ser todos assinados dentro desta semana… um, dois, três… no total seis.
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Para melhor entendimento durante a leitura:
《Pensamento》
[Telefone]
「Fala da tv ou narrador」
*Escrita*
⊹ ࣪ ⋆。𖦹⋆.Continua…﹏⊹ ࣪ ˖
◆ Tradução e Raws: Belladonna, Revisão: Nat ◆