Capítulo 03.7
𓆝 ⋆。𖦹°‧ Capítulo 3.7
Só depois de alguns segundos conseguiu se recompor. Tentou pensar em alguma coisa para dizer, mas não sabia o que dizer, muito menos como. Por algum motivo, até encarar Jaekyoung de frente parecia difícil. Enquanto desviava o olhar, sem saber muito bem como agir, felizmente o assistente de direção se aproximou.
— Atleta Kwon Jaekyoung, está tudo pronto?
— Já estava pronto há muito tempo.
O assistente de direção pareceu levemente desconcertado com o tom ríspido de Jaekyoung e logo fez um gesto com a mão, indicando que ele deveria ir para lá. Jaekyoung o seguiu em silêncio, mas seu rosto já estava tomado pelo tédio.
Jiheon caminhava ao lado dele. Olhou discretamente ao redor e então se inclinou para sussurrar:
— De agora em diante, quando perguntarem se está tudo pronto, diga só “sim”.
Jaekyoung lançou um olhar de relance para Jiheon e respondeu, como quem soltava um resmungo:
— Deixa isso pra lá. Só não escorrega.
Um pouco depois das três da tarde, finalmente a gravação começou de fato.
Felizmente o roteiro era muito simples. Por ser a primeira publicidade de um atleta de quem não se podia esperar capacidade de atuação, abandonaram todo conceito ousado e decidiram gravar apenas cenas dele nadando.
Graças a isso Jaekyoung teve que ir e voltar na piscina fazendo borboleta por trinta minutos, mas, comparado ao volume de treino habitual, aquilo não chegava nem a um aquecimento, e por isso ele não demonstrou grande cansaço. Também repetiu o mergulho umas boas dez vezes a mais, até sair a imagem que o diretor queria, mas, talvez por considerar aquilo parte do treino, também não reclamou.
O que Jaekyoung teve mais dificuldade foi com a cena que seria usada como terceiro corte: tocar o azulejo com a mão ao chegar ao fim e, ofegando de forma um tanto intensa, puxar os óculos para baixo. Para atender à exigência de ‘ofegando de forma um tanto intensa’, por mais que tentasse, Jaekyoung não conseguia ficar sem fôlego. Nem mesmo depois de nadar 50 metros em velocidade máxima e tocar o azulejo.
Sem aguentar mais, o diretor disse:
— Jaekyoung, se você não fica sem fôlego, pelo menos finja que fica. Isso não é manha, é atuação, então não precisa ficar com vergonha. Pense que você está mostrando aos outros como fica quando está no limite do fôlego.
Então, ele realmente começou a ofegar com violência, chegando a sacudir os ombros, e o diretor levou a mão à testa.
O terceiro corte, que vinha dando tanto trabalho, só foi resolvido depois que Jiheon, o (relativo) especialista em Kwon Jaekyoung, entrou em cena.
— Pense que você acabou de terminar os 800 metros livre. Digamos que você nadou a todo vapor do começo ao fim, sem controlar a velocidade. Acho que esse nível seria o certo.
Jaekyoung pareceu refletir seriamente sobre como ficaria depois de nadar 800 metros a todo vapor e logo voltou para a água.
Pouco depois, ao ver a “ofegada logo após nadar 800 metros em velocidade máxima” que Jaekyoung apresentou, o diretor murmurou para si mesmo:
— Isso! Com esse aqui, é preciso dar uma boa direção.
Talvez por terem sofrido tanto com o terceiro corte, a última cena, com a qual ele estava mais preocupado — tirar a touca, deixar os óculos pendurados no pescoço e passar a mão pelo cabelo —, terminou com facilidade.
Nessa cena, inclusive durante a gravação, vez ou outra escapavam exclamações de admiração da equipe. Quando começaram a revisar o material, sem que ninguém precisasse tomar a iniciativa, todos se empolgaram e começaram a comentar:
— Que loucura isso. Não é brincadeira. Muito foda.
— Não, o Kwon Jaekyoung é uma loucura. Por que além de tudo ele ainda tem tanto cabelo?
— Uau, caralho. Ele tem tudo mesmo. Tudo.
O gerente Yoon, que assistia lá atrás junto com Jiheon, também cochichou com um sorriso de orelha a orelha:
— Isso vai estourar. Quando for ao ar vai dar o maior alvoroço.
Jiheon também achava. Sinceramente, quando assistia à gravação ele se perguntava se aquilo ficaria bom, mas, ao ver o resultado, achou que sua preocupação fora infundada. Como esperado, o último corte, em que o rosto aparecia bem, era o mais bonito, mas todas as outras cenas ficaram ótimas. Como ainda era antes da edição, mesmo apenas passando as cenas em câmera lenta, sem nenhum efeito, o impacto era enorme.
Na verdade, Jiheon achava que Jaekyoung era o tipo de pessoa que não rendia tão bem em imagem. Não que ficasse ruim na tela, mas porque, ao vivo, ele era absurdamente bonito. Ainda assim, Jiheon não imaginava que a diferença causada pela maquiagem e pela iluminação pudesse produzir um resultado tão descomunal.
O Jaekyoung na tela de revisão era mais do que simplesmente bonito. Era, como dizer… extremamente masculino. Não — virilidade ele sempre teve. Era algo um pouco mais rude e perigoso do que isso.
Isso. Uma sensação selvagem.
Cinco anos antes, quando Jaekyoung conquistou sua primeira medalha nos Jogos Asiáticos e começou a chamar a atenção, a imprensa às vezes o comparava a uma cria de animal selvagem. Provavelmente porque a imagem de um garoto do ensino fundamental, ofegando intensamente em meio a adultos, era muito marcante. Na verdade, naquela época, sua altura e seu porte já não eram muito diferentes dos de um adulto. Ainda assim, como seu rosto era muito jovem, toda vez que a câmera fechava nele, era natural que as pessoas diante da televisão sentissem aquele instinto de irmão mais velho, irmã, mãe ou pai.
Talvez porque a impressão daquela época tivesse sido tão forte, mesmo agora, já adulto, ainda houvesse quem o enxergasse como um garoto.
Jiheon era exatamente assim.
Pior ainda: ele o conhecia desde quando Jaekyoung estava no ensino fundamental. Por isso, por mais alto e maior que ele fosse, e por mais que soubesse que já era adulto, não conseguia deixar de vê-lo como um caçula muito mais novo.
Mas o Jaekyoung na tela diante dele naquele momento não tinha nada disso.
Não lhe ocorria pensar que ele era jovem, muito menos que parecia um irmão mais novo. Ele era simplesmente estranho.
Aquele era realmente um homem estranho.
Não.
Um macho estranho.
Isso. Aquele animal já não é mais uma cria.
Jiheon fitou Jaekyoung na tela com um olhar diferente. Passando a mão pelos cabelos molhados com um gesto tranquilo, ele já não era o garoto de cinco anos atrás.
No instante em que percebeu isso, Jiheon compreendeu o motivo pelo qual seu coração havia batido forte ao ver Jaekyoung momentos antes.
Provavelmente era por estranheza. O rosto maquiado era estranho; aquele homem diante dele parecia alguém que nunca tinha visto antes. E então, com aquele rosto desconhecido, ele dizia que não deixaria o hyung se machucar.
Sem precisar pensar muito, qualquer pessoa com olhos e ouvidos no lugar teria se abalado com aquilo. É claro que a natureza desse abalo variava conforme o sexo, a idade, os traços, a orientação sexual e por aí vai. Mas, no caso dele, havia claramente um componente sexual.
Jiheon também não tinha a menor intenção de negar esse fato. Afinal, apesar de tudo, ele ainda era um homem na casa dos vinte, cheio de vigor. Além disso, gostava mais de homens do que de mulheres. E, se fosse acrescentar mais um motivo… Era ômega. E Jaekyoung era um alfa.
Não. Usar o traço como desculpa justamente numa hora dessas não era meio covarde? Aquilo não tinha absolutamente nada a ver com feromônios.
Jiheon riu, ainda de braços cruzados. Achava engraçado como vivia dizendo que o traço não era grande coisa, que não tinha mais significado nenhum na era dos chips, mas, quando a situação apertava, tentava usá-lo como desculpa. Até a hipocrisia tinha limite.
O motivo pelo qual Jiheon queria racionalizar o próprio abalo recorrendo a todo tipo de desculpa era simples. Porque, do contrário, achava que não conseguiria se perdoar.
E não era mesmo? Por mais que tivesse sido apenas um instante, ele tinha reagido daquele jeito justamente diante de Jaekyoung. Não importava qual fosse a aparência dele, nem a idade que tivesse de verdade. Fosse como fosse, para Jiheon, Jaekyoung sempre seria um caçula muito mais novo. Isso não mudaria nem quando Jaekyoung tivesse trinta ou quarenta anos. Pior ainda: agora eles eram atleta e responsável pela gestão desse atleta.
Justamente por isso, Jiheon não gostava nem um pouco daquela situação. Mais do que não gostar, ele detestava. Ilusão de um instante ou não, ele não queria jamais tornar a experimentar aquilo.
《 Será que eu estou realmente carente? — Jiheon riu baixando a cabeça, ainda de braços cruzados. — Será que é por eu estar há tempo demais sem sair com um homem? Será que eu deveria procurar alguém para me envolver de forma leve, ainda que brevemente?》
— Parece que vão desmontar já.
Jiheon, que estava gemendo interiormente diante de uma reflexão bastante imprópria em pleno expediente, só então soltou um “ah” ao ouvir a fala do gerente Yoon e olhou ao redor.
Talvez porque o tempo de aluguel da piscina estivesse chegando ao fim, assim que confirmaram que não havia mais nada a gravar, o clima naturalmente se tornou de encerramento.
— Para uma primeira gravação, terminou tudo tranquilamente.
O gerente Yoon falou com um suspiro de alívio.
— Eu preciso voltar direto para a empresa. E você, gerente Jeong?
— Ah, eu tenho que levar o atleta Kwon Jaekyoung ao hotel e depois voltar.
Os dois se despediram primeiro da responsável pela marca e, por último, procuraram o diretor para agradecer pelo trabalho. O diretor parecia bastante satisfeito com o resultado da revisão. Na hora de gravar o segundo corte ele estava com os lábios cerrados e as narinas dilatadas, com uma expressão de quem nunca mais gravaria com atleta, e agora, como se nada tivesse acontecido, falava com um sorriso satisfeito nos lábios:
— Esse Kwon Jaekyoung é um achado. Disseram que ele vai se aposentar depois desta competição, não é? Quando ele se aposentar, tragam ele para a gente de qualquer jeito. Com um rosto desses, que outro trabalho ele vai fazer? Seja como ator, seja como modelo, seja o que for, tragam ele para a nossa equipe. Atuação ele aprende com calma, isso não é nada.
E, com isso, ainda deu, de forma bastante gentil, conselhos totalmente inúteis, como dizer que determinado diretor iria gravar um filme no ano seguinte e estava procurando um novato absoluto para determinado papel; que deveriam mandá-lo para lá; que aquele diretor tinha uma direção de atores divina e que, contanto que a pessoa soubesse falar coreano, ele a levaria a Cannes de qualquer jeito.
— Deixa, deixa. Se o diretor Jang gostou tanto assim, é porque ficou realmente bom. O diretor Jang gosta de se gabar, então vai sair por aí falando à vontade que gravou uma publicidade com o Kwon Jaekyoung e não sei o quê. Hoje em dia, 90% do que faz uma publicidade dar certo é o modelo, então, por um tempo, os diretores de comerciais vão ficar disputando entre si quem consegue gravar com ele.
O gerente Yoon estava apenas satisfeito, mas Jiheon não conseguia estar. Depois que a palavra aposentadoria saiu da boca do diretor Jang, ele nem ouviu mais o que ele dizia. Só lhe vinha o pensamento: onde diabos o diretor Jang ouviu isso?
Por mais firme que fosse a decisão de Jaekyoung quanto à aposentadoria, aquilo ainda era confidencial. Até que houvesse um anúncio oficial pela imprensa, não se podia sequer dizer que era assunto decidido. Especialmente os envolvidos, incluindo a federação, estavam na posição de ter que impedir a aposentadoria de Jaekyoung de qualquer jeito, então, ao menor sinal da palavra aposentadoria, se horrorizavam e faziam sinal com as mãos dizendo que ainda não era nada certo e que não saíssem falando isso por aí. Essas pessoas viviam angustiadas com medo de que, se a informação vazasse e fosse mencionada em algum tabloide de terceira, Jaekyoung aproveitasse a deixa e anunciasse a aposentadoria na hora. Não havia como esses sujeitos terem espalhado o boato por conta própria.
Nesse caso, o lugar com maior probabilidade no momento era…
— Só pode ser a Kava, ora.
O presidente Kang falou como se fosse óbvio.
— Era o que eu imaginava. — Jiheon suspirou.
— O quê, você já não esperava que a Kava faria isso? A especialidade daqueles desgraçados sempre foi o jogo por fora. Usam todo tipo de artimanha para derrubar o valor de mercado de um atleta.
— Não, isso eu sei, mas…
Ainda assim, ele achava que fariam isso apenas com atletas que se recusassem a renovar contrato com eles ou com rivais dos atletas do próprio elenco.
— O Kwon Jaekyoung já saiu das mãos deles. Se era para armar alguma coisa, deveriam ter armado antes de ele fechar com a gente; fico pensando de que adianta agirem assim a esta altura.
Se houvesse outro nadador contratado pela Kava, ele até entenderia, mas a Kava não tinha nadadores. E chamar aquilo de disputa por publicidade também não cabia, já que as publicidades que chegavam a Jaekyoung agora eram, em sua maioria, planejadas desde o início pensando nele. Portanto, se Jaekyoung recusasse, a probabilidade de irem para outro atleta era pequena. Antes disso, entregariam a alguma celebridade ou ator famoso com nível de simpatia popular comparável ao dele.
— É só a inveja de quem não pode comer uma fatia desse bolo. Não é nada grandioso como retaliação; é simplesmente birra, é isso.
O problema é que aquela birra funcionava muito bem. Como o meio publicitário dá enorme importância à imagem do modelo, bastava surgir um boato estranho para que os anunciantes recuassem imediatamente. Era por isso que, na internet, proliferavam práticas sórdidas como marketing viral e contravirais.
No caso de Jaekyoung, enquanto os rumores sobre sua aposentadoria se espalhavam discretamente, pelo visto algumas consultas já haviam chegado à agência nos últimos dias. Principalmente de empresas que estavam prestes a fechar contratos publicitários e ligavam para confirmar: “Ouvimos dizer que o atleta Kwon Jaekyoung vai se aposentar depois desta competição. É verdade?” Por enquanto, a agência vinha desconversando, dizendo que nunca tinha ouvido falar de nada disso.
— Mas, desse jeito, não dá para saber quando sairá uma matéria.
O presidente Kang gemeu batendo com a ponta dos dedos no braço do sofá. E logo perguntou a Jiheon, sentado à sua frente:
— Mas de que jeito o Kwon Jaekyoung pretende se aposentar? Ele quer fazer uma coletiva de imprensa para anunciar?
— Imagina.
Jiheon deu uma risadinha sem se dar conta. Pela personalidade de Jaekyoung, era evidente que, se mandassem fazer isso, ele franziria a testa perguntando se estavam loucos.
— Ele provavelmente vai apenas dizer algo breve quando surgir uma oportunidade de entrevista em algum veículo qualquer.
Mas, de qualquer forma, isso seria depois do Campeonato Pan-Pacífico. Ele não faria por conta própria algo que pudesse afetar a competição. E a entrevista na zona mista também terminaria, como sempre, com algumas palavras protocolares.
— Ai… francamente. Mesmo que ele não vá às Olimpíadas, eu gostaria que ele ao menos adiasse o anúncio da aposentadoria.
O presidente Kang suspirou. Ele havia concordado com a aposentadoria e até assinado o contrato, mas, agora que a situação chegava àquele ponto, pelo visto ele lamentava de qualquer forma.
Jiheon também. Ele havia começado sabendo de tudo, mas ainda assim lamentava. Isso valia para a posição da empresa e para a questão publicitária, mas, acima de tudo, o que ele mais lamentava e achava mais triste era que Jaekyoung não fosse mais nadar.
— Por que ele não vai às Olimpíadas? Ora, se ele for, o bicampeonato é garantido; por que diabos ele não quer competir?
O presidente Kang tinha uma expressão de quem, por mais que tentasse, não entendia. Depois de repetir sem parar “francamente, francamente”, ele acabou dizendo discretamente a Jiheon:
— E se o gerente Jeong tentasse convencê-lo?
Jiheon balançou a cabeça.
— O quê, você acha que não tem abertura pra isso?
— Isso eu não sei. É que eu ainda não conversei com ele sobre a aposentadoria.
O presidente Kang arqueou as sobrancelhas como quem pergunta “mas por quê?”. Jiheon hesitou um instante e falou com sinceridade:
— Isto é uma questão de confiança. Se nós tentarmos convencer o atleta Kwon Jaekyoung, nesse instante perderemos a confiança dele. Falando abertamente, o atleta Kwon Jaekyoung largou a Kava e fechou conosco porque não quer ir às Olimpíadas; e agora, a esta altura, se nós tentamos convencê-lo a competir nas Olimpíadas…
《Em que isso difere da desonestidade da Kava》 — a frase subiu até a garganta, mas ele se conteve.
Mas aquilo já bastava.
— Isso. Se mudarmos de discurso a esta altura, nós igualamos à Kava.
O presidente Kang disse exatamente o que Jiheon não conseguira dizer. Ele assentia repetidamente, como se Jiheon tivesse razão.
— Isso. Não dá para mudar de discurso a esta altura. O certo é não falar de Olimpíadas.
O presidente Kang pareceu se conformar. Depois de suspirar com um rosto pesaroso, ele disse a Jiheon: “Em compensação,”.
— Peça ao Kwon Jaekyoung que ao menos considere não anunciar a aposentadoria agora. De qualquer forma, se ele não participar da seletiva do ano que vem, todos vão descobrir; que ele fique calado só até lá.
— Sim, eu vou conversar sobre isso com ele.
Jiheon assentiu.
Ele respondeu ao presidente Kang, mas puxar o assunto com Jaekyoung também não era nada fácil. Pela personalidade de Jaekyoung, se pedisse que ele adiasse o anúncio da aposentadoria, era evidente que ele recusaria dizendo: “Não quero. Só anunciando logo é que param de me encher mandando eu ir às Olimpíadas” — e, nesse caso, na prática não haveria o que responder.
Por mais que ele invocasse a questão dos contratos publicitários ou a posição da empresa, era evidente que a resposta seria apenas o argumento de princípio: isso é problema da empresa, eu deixei tudo claro, não havia no contrato nenhuma cláusula sobre a data do anúncio da aposentadoria. E Jaekyoung teria razão. Se a data do anúncio da aposentadoria era tão importante, deveriam ter negociado isso na hora de redigir o contrato. Vir com isso tardiamente era, sinceramente, incomodar o outro.
Por isso, ele hesitava em tocar no assunto. Deixando de lado se conseguiria ou não convencê-lo, não queria sequer falar sobre algo que Jaekyoung pudesse detestar. Depois da conversa franca que tiveram na piscina alguns dias antes, ele finalmente começara a se sentir um pouco mais à vontade com ele. Às vezes trocavam algumas piadas e, embora fosse raro, ele conseguia até ver Jaekyoung sorrir. Não queria arriscar voltar ao clima árido de antes por abordar o assunto de maneira precipitada.
Assim, foi adiando dia após dia. Quanto mais adiava, mais difícil ficava tomar coragem, até que, mais tarde, chegou a pensar que talvez pudessem simplesmente deixar Jaekyoung decidir sozinho se anunciaria a aposentadoria ou não.
É claro que, se ele anunciasse a aposentadoria, as ofertas publicitárias diminuiriam. Talvez até houvesse empresas com as quais já haviam fechado contratos que alegassem descumprimento e exigissem uma indenização. Ainda assim, provavelmente seriam mais numerosas as que prefeririam seguir em frente.
Afinal, Kwon Jaekyoung era, naquele momento, o astro esportivo mais popular do país, e sua aposentadoria não faria seus recordes desaparecerem. Se não fossem gananciosos demais, tanto a empresa quanto Jaekyoung ainda poderiam lucrar bastante durante uns dois anos e então encerrar tudo. Talvez fosse até mais simples assim.
Mas, mesmo racionalizando com afinco daquele jeito, ao ver Jaekyoung nadando ele voltava a achar um desperdício.
《Sendo tão bom assim, por que diabos ele quer parar? Pior ainda: tanto pelo estado físico quanto pelo desempenho, é evidente que o auge daquele moleque não é este ano, e sim o ano que vem. Ele deve saber disso; então por que quer parar depois deste ano? Não é que ele tenha se cansado da natação, ele ainda gosta tanto assim; então por quê, afinal?》
Como sempre, enquanto pensava nisso de pé na borda da piscina, Jaekyoung, que dava voltas em silêncio havia um bom tempo, em algum momento chegou aos seus pés e disse:
— Hoje você também não vai entrar?
— Não.
Jaekyoung tirou os óculos e ergueu os olhos com um olhar de “por quê?”.
— Para você se concentrar no treino.
— Eu rendo mais quando você está aqui, hyung.
— Não tem como isso ser possível
Quando Jiheon riu de braços cruzados, Jaekyoung disse:
— É sério.
— Está bem. Então amanhã eu entro.
— E compre uma sunga para você.
— O quê? Você acha tão ruim assim me emprestar uma?
Jiheon falou de propósito, em tom de brincadeira. Jaekyoung lançou-lhe um olhar rápido e voltou a desaparecer dentro da água.
Ao saírem do treino, havia um Porsche parado no estacionamento. Como era um modelo que ele nunca tinha visto desde que começara a frequentar aquele ginásio, Jiheon estranhou. De repente, o vidro do motorista desceu e um homem reluzente pôs a cabeça para fora, cumprimentando:
— Oi, meu bem.
Quando Jaekyoung suspirou, Cha Seonghyeon riu, divertido, e logo desceu do carro.
— Senhor empresário bonitão! A gente se encontra de novo.
— Sim. E até logo, de novo.
Jiheon, que o cumprimentava com uma leve inclinação da cabeça, acabou segurando, sem querer, a mão que Cha Seonghyeon estendeu de repente.
— Uau, senhor. Você é da minha altura.
Cha Seonghyeon falou arregalando os olhos e, de repente, gritou na direção do próprio carro: “Ei, ele tem exatamente a minha altura! Não é curioso?”. Só então, através do vidro escuro do carro, apareceu um rapaz sentado no banco do carona. Era mais ou menos da idade de Jaekyoung, com uma aparência recatada e óculos. Ao cruzar o olhar com Jiheon, ele riu meio desconcertado e baixou levemente a cabeça.
《Será que é o empresário do Cha Seonghyeon? Por que ele colocou o empresário no banco do carona? Como é o carro dele, será que ele mesmo dirige?》 Foi no instante em que, pensando em tudo isso, ele também baixava a cabeça:
— O que você está fazendo?
Jaekyoung falou segurando o braço de Cha Seonghyeon.
— Nada, é que achei curioso.
— Não há nada curioso, então entre logo.
Jaekyoung abriu a porta do motorista e praticamente empurrou Cha Seonghyeon para dentro. Em seguida abriu logo a porta do banco de trás e disse a Jiheon:
— Hyung, hoje eu volto por conta própria.
— Ah, está bem.
No mesmo instante em que Jiheon respondia, a porta do banco de trás se fechou. Pouco depois o Porsche saiu do estacionamento e, só depois de entrar no próprio carro, Jiheon percebeu que havia esquecido de dizer algo importante a Jaekyoung.
《 Eu devia ter dito para ele tomar cuidado para não ser fotografado.》
Jiheon estalou a língua e tirou o celular. E, enquanto digitava a mensagem para Jaekyoung, parou pouco antes de enviar. Foi porque se lembrou de que a reação de Jaekyoung havia sido bastante desagradável quando ele dissera a mesma coisa anteriormente.
— …
Depois de hesitar, Jiheon acabou apagando a mensagem que digitou. Desligou também a tela e jogou o celular no banco vazio do carona. Ligando o carro, ele murmurou baixinho:
— Sei lá, ele que se vire.
𓆝 𓆟 𓆞 𓆝 𓆟
Para melhor entendimento durante a leitura:
《Pensamento》
[Telefone]
「Fala da tv ou narrador」
*Escrita*
⊹ ࣪ ⋆。𖦹⋆.Continua…﹏⊹ ࣪ ˖
◆ Tradução e Raws: Belladonna, Revisão: Nat ◆