Capítulo 02
𓆝 ⋆。𖦹°‧ Capítulo 2.1
Jiheon fez o exame de traço pela primeira vez no quarto ano do ensino fundamental. Era um exame coletivo, realizado obrigatoriamente uma vez por ano pela escola, voltado para os alunos das séries mais avançadas.
O exame feito coletivamente na escola era, digamos, uma versão simplificada. Se fossem detectados feromônios nas secreções — incluindo suor, saliva e urina —, era ômega; se fosse detectado no sangue o fator de resposta a feromônios (pheromone response element; PRE), era alfa; se nenhum dos dois fosse detectado, era beta.
Só que, por se tratar de um exame simplificado, no laudo constava apenas , ou . Os alunos cujo resultado indicava possibilidade de serem ômega ou alfa levavam então esse laudo ao hospital para refazer um exame mais preciso. Já a indicação de possibilidade de ser beta significava que nem feromônios nem PRE haviam sido detectados, de modo que não era necessário fazer o exame detalhado.
Mas, muito de vez em quando, realmente em casos raros, acontecia o seguinte: alguém que durante vários anos só recebia o resultado de possibilidade de ser beta, de repente, lá pelo terceiro ano do ensino fundamental II ou pelo primeiro ano do ensino médio, passava a receber a indicação de possibilidade de ser alfa ou ômega. Isso costumava ocorrer principalmente com crianças de desenvolvimento mais lento ou tardio. Por isso, até a maioridade, a escola era obrigada a realizar o exame uma vez por ano, sem exceção.
Desde o primeiro exame, no quarto ano do fundamental, Jiheon sempre recebeu o diagnóstico de possibilidade de ser beta. Depois de se formar no fundamental e entrar no ensino fundamental II foi a mesma coisa. Durante três anos seguidos, o laudo de Jiheon vinha com o círculo marcado em .
Com isso, normalmente as pessoas concluiriam “ah, nosso filho é beta”, mas os pais de Jiheon, independentemente dos exames da escola, levavam o filho todo ano a uma clínica particular para fazer exames à parte. E faziam isso mesmo que Jiheon não fosse de desenvolvimento lento — pelo contrário, estava entre os maiores da turma.
É claro que havia um motivo para os pais agirem assim. O pai de Jiheon era um caso de alguém que só recebeu laudos com possibilidade de ser beta e que, apenas aos vinte anos, recebeu o diagnóstico confirmado de ômega. E Jiheon era um filho que puxara exatamente ao pai. E olha que a personalidade era o oposto; apenas a aparência era idêntica.
O pai de Jiheon era militar de carreira. Quando a imprensa falava sobre as mudanças posteriores à lei antidiscriminação, o exemplo sempre citado era o fato de que, após a adoção do alistamento voluntário, a proporção de militares ômega nas Forças Armadas na verdade aumentou — e o pai de Jiheon era exatamente esse caso. Ele havia se alistado voluntariamente, servido como suboficial e, através do sistema de oficiais de carreira, sido promovido a oficial.
Sempre que as pessoas que descobriam isso diziam “que incrível, não foi difícil?”, o pai de Jiheon é que ria como se aquilo fosse um absurdo. “Ora, se você não produz feromônio, não há absolutamente nada que diferencie um alfa de um beta, então o que haveria de difícil? E o que haveria de incrível?” Essa era a frase de sempre do seu pai.
Na época em que o pai de Jiheon se alistou voluntariamente, os chips ainda não haviam sido comercializados. Mas, como o mercado estava repleto de remédios eficazes e com poucos efeitos colaterais, dizia ele, contanto que ninguém falasse primeiro, nem os colegas do mesmo alojamento tinham como saber quem era alfa, ômega ou beta. Além disso, como ele era muito alto e tinha um bom porte físico, tanto os colegas quanto os superiores pareciam simplesmente supor que ele era alfa.
Segundo as pessoas ao redor, Jiheon era praticamente uma “cópia cuspida” desse pai. Além da grande altura e do porte físico, até o rosto era idêntico. Mas a personalidade era completamente diferente: ao contrário do pai, que ao receber o diagnóstico de ômega aos vinte anos teria dito à então namorada, hoje sua esposa, “oh, então um dos filhos eu posso ter?”, Jiheon ficou um bom tempo sem conseguir dizer nada, olhando para o laudo. Nem por isso negou a realidade dizendo que não podia acreditar. Pelo contrário, acho que pensou 《 “eu sabia que ia acabar assim”.
E o segundo pensamento foi 《”até que foi melhor assim”》. Pensar que agora poderia usar aquilo como desculpa para largar a natação, e o pequeno sorriso que deu ao pensar isso, permanecem claramente em sua memória até hoje.
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— Senhor Jeong Jiheon.
Ao ouvir seu nome, Jiheon se levantou da cadeira da sala de espera. A enfermeira apontou para a porta do consultório e disse:
— Pode entrar agora.
Jiheon inclinou a cabeça em agradecimento à enfermeira e se dirigiu ao consultório. Assim que abriu a porta e entrou, a doutora Lim o recebeu com alegria.
— Oh, Jiheon. Quanto tempo.
Os cabelos brancos da doutora Lim haviam aumentado bastante nesse meio-tempo. Ela era a diretora de uma clínica de medicina de família que há quase trinta anos mantinha suas portas abertas ali em Ilsan. Desde a época em que estava no fundamental, sempre que pegava um resfriado ou tinha dor de barriga, Jiheon vinha sem falta a essa clínica e era atendido pela doutora Lim. Como também era ela quem realizava o exame de traço de Jiheon uma vez por ano, a doutora Lim sabia de tudo, desde a manifestação tardia dele até o histórico de toda a família.
Por isso, mesmo depois de se mudar sozinho para Seul na época da faculdade, Jiheon vinha a essa clínica sempre que possível quando precisava trocar o chip ou fazer alguma consulta relacionada. Em outros hospitais era preciso explicar tudo longamente, começando por como haviam sido os resultados dos exames no fundamental, e isso era chatíssimo. Pior ainda: mesmo depois de toda a explicação, os médicos não ouviam direito e prescreviam a dosagem padrão do medicamento sem ajustar, fazendo com que ele sofresse por vários dias. Como a própria quantidade de feromônios produzida no corpo de Jiheon era pequena, usar a mesma dose de supressor que as outras pessoas resultava, sem exceção, em efeitos colaterais. Pensando nos dias de sofrimento por causa disso, era melhor tirar meio dia de folga e vir até ali.
— Tudo bem com você? Veio trocar o chip, não é?
A doutora Lim falou enquanto olhava o monitor sobre a mesa.
— Sim. E também tenho uma coisa para perguntar.
Jiheon explicou muito, muito brevemente o que acontecera no dia anterior.
— Então fiquei pensando se não teria havido algum problema com o chip, e a supressão dos feromônios não estivesse funcionando direito.
— É mesmo? Vamos dar uma olhada primeiro. A última troca de chip foi… exatamente três anos atrás. Foi em julho de três anos atrás.
— Sim. Como eu estava entrando na empresa, troquei por um novo antes, por precaução.
O chip era, digamos, um supressor de feromônios de implante. Funcionava com um dispositivo implantado sob a pele que liberava um medicamento inibidor da produção de feromônios; por conveniência era chamado de chip, mas, mais precisamente, era um aplicador ultracompacto com um microchip embutido. Na época em que começou a ser comercializado, só existiam produtos que reuniam supressão de feromônios e função contraceptiva, mas hoje em dia havia também os que apenas bloqueavam a produção de feromônios, e ainda os chamados chips de par, usados em conjunto por casais ou namorados. Costumava ser implantado na parte interna do antebraço e, quanto mais novo o modelo, menor o tamanho e mais variadas as funções; recentemente, ao que parece, bastava instalar um aplicativo no smartphone para que ele se sincronizasse com o chip implantado e informasse não só a data de troca, mas até o dia da ovulação e o período fértil.
— Quarta-feira da semana passada fez exatamente três anos. Mas me disseram que ainda dava para usar por mais uns seis meses, então achei que bastava trocar dentro deste mês.
O fato de recomendarem a troca a cada três anos não significava que o efeito do medicamento se interrompesse bruscamente assim que os três anos se completassem. Segundo o manual, a eficácia do supressor contido no aplicador durava quarenta meses. Ou seja, dava para usar por três anos e mais uns seis meses. Dependendo da pessoa, havia até casos em que o efeito persistia mesmo depois de quatro anos.
— Uma semana a mais não tem problema. E você, Jiheon, sempre produziu pouquíssimo feromônio mesmo.
Justamente nesse momento saiu o resultado da análise do kit que Jiheon havia entregue enquanto esperava. Kit é modo de dizer: eram apenas dois cotonetes. Bastava esfregá-los atrás da orelha e na dobra interna do braço e entregar; a partir daí analisavam os componentes e verificavam a quantidade de feromônio detectada no suor.
— Hmm, saiu um pouquinho, sim.
A diretora Lim falou enquanto examinava o laudo.
— …É sério?
Jiheon perguntou de volta, com o rosto endurecido.
— Mas é uma quantidade mínima. Nesse nível, não é algo que alguém ao seu lado fosse perceber.
A diretora Lim inclinou a cabeça, achando aquilo estranho, e falou sem tirar os olhos do monitor:
— A pessoa que te contou é alfa, certo?
— Sim. Mas ele disse que, por ser atleta, toma continuamente remédio para reduzir a sensibilidade aos feromônios. Segundo ele mesmo, o nível de sensibilidade dele está no mínimo.
A diretora Lim soltou um “hmm” e franziu o cenho. Parecia estar se perguntando como aquilo era possível.
Jiheon estava igualmente intrigado. Como diabos aquilo tinha acontecido? Ainda pensando com o rosto duro, ele se lembrou tardiamente de um detalhe e disse “ah, é verdade”.
— Não sei se é verdade, mas ele disse que antigamente também sentia esse cheiro em mim.
— É mesmo?
Só então a diretora Lim tirou os olhos do monitor e encarou Jiheon.
— Antigamente quando?
— Faz uns dez anos.Mais precisamente entre dez e nove anos atrás — Explicou Jiheon, delimitando o período com bastante clareza.
— Eu recebi o diagnóstico confirmado de ômega no verão do segundo ano do ensino médio, e comecei a treinar no mesmo centro que ele no ano anterior a isso. E, durante os dois meses entre o diagnóstico e a hora em que larguei a natação de vez, a gente continuou se cruzando.
— Os dois meses após a confirmação não têm relação. Você colocou o chip na hora mesmo, logo depois do diagnóstico.
A diretora Lim falou apoiando o queixo no dorso da mão. Batendo na mesa com a ponta dos dedos da outra mão, ela pareceu refletir por um instante e então perguntou de novo a Jiheon:
— Nove anos atrás, quantos anos esse rapaz tinha?
— Doze.
— Naquela época ele já tinha sido diagnosticado como alfa?
— Hmm, ele recebeu o diagnóstico aos doze, mas um pouco depois de mim. Foi quase um mês depois do meu diagnóstico.
— Isso significa apenas que ele fez o exame naquele momento e o diagnóstico saiu naquele momento. Nesse ponto, já se deve considerar que ele estava manifestado.
Dizendo isso, a diretora Lim se levantou. Enquanto se aproximava da grande estante atrás da mesa, ela disse:
— Você não sabe qual era o nível de sensibilidade a feromônios dele antes de começar a tomar o remédio, certo?
— Não, isso eu já não…
A diretora Lim assentiu e logo tirou da estante um livro extremamente grosso. Pelo título, parecia um livro de medicina, e, de tanto ser consultado, a encadernação estava toda desgastada. Havia também muitas páginas dobradas por toda parte, então a diretora Lim teve bastante trabalho até encontrar o conteúdo que queria.
— Ah, está aqui.
Como se finalmente tivesse encontrado a parte que procurava, ela voltou à mesa com o livro.
— Na minha opinião, provavelmente é isto aqui.
A diretora Lim estendeu o livro a Jiheon. No meio da página aberta havia uma palavra que ela marcara com caneta marca-texto. Jiheon estreitou os olhos e leu aquela palavra.
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Para melhor entendimento durante a leitura:
《Pensamento》
[Telefone]
「Fala da tv ou narrador」
*Escrita*
⊹ ࣪ ⋆。𖦹⋆.Continua…﹏⊹ ࣪ ˖
◆ Tradução e Raws: Belladonna, Revisão: Nat ◆