Capítulo 02.2
𓆝 ⋆。𖦹°‧ Capítulo 2.2
— Acho que pode parar aqui.
Diante da fala de Jiheon, o taxista virou o volante e conduziu o carro até a entrada principal do ginásio. O motorista provavelmente fez isso para a comodidade do passageiro, mas, para Jiheon, que queria adiar ao menos um pouco o momento do encontro, aquela consideração foi realmente indesejável.
《“Está bem, no meio desse calor infernal, já é alguma coisa não precisar caminhar nem que sejam alguns passos.” 》 Jiheon decidiu ser grato. Ao pagar e descer, ainda agradeceu: “obrigado, cheguei bem graças ao senhor.”
Mas, na hora de entrar no prédio do ginásio, bem ali à sua frente, os passos inevitavelmente ficaram lentos e um suspiro escapou. Ainda assim, tendo chegado até ali, não podia voltar. Se voltasse agora, da próxima vez seria ainda mais difícil reunir coragem. Embora fosse questionável se haveria uma próxima oportunidade.
Foi por isso que, mais cedo, a primeira coisa que ele fez ao sair da clínica foi ligar para a senhora Sim e perguntar onde Jaekyoung estava. Porque, se ficasse hesitando e enrolando, acabaria adiando para depois. Quanto mais difícil a tarefa, mais a resposta certa é resolvê-la no instante em que se toma a decisão.
Felizmente, a senhora Sim não fez perguntas e informou de bom grado onde estava o filho. Era o ginásio municipal localizado em Gwacheon. Ela disse que Jaekyoung pretendia treinar individualmente ali até a competição.
Jaekyoung já estava havia cinco anos vestindo a bandeira nacional e participando de competições internacionais, mas nunca havia participado dos treinos coletivos da seleção. Não, houve uma única vez. No terceiro ano do fundamental II, quando foi convocado pela primeira vez para a seleção nacional e participou dos Jogos Asiáticos, ele fez os treinos coletivos e participou da concentração. Mas, depois disso, não participou de nenhum treino coletivo. Nas Olimpíadas foi igual, no Mundial também.
Fosse qual fosse o motivo, era natural que não se falasse bem de um atleta da seleção nacional que não comparecia aos treinos coletivos da equipe e treinava fora do centro. Quando ele decidiu não participar da concentração antes das primeiras Olimpíadas, correu o boato de que o técnico ficou furioso, xingando até com palavrões. Mas, no fim, a federação e a associação de nadadores intermediaram e Jaekyoung conseguiu ficar de fora dos treinos coletivos da seleção, e nas Olimpíadas conquistou cinco medalhas, como quem prova um ponto. Depois disso, não houve mais quem fizesse comentários sobre ele faltar aos treinos da seleção. Como sempre, Jaekyoung treinava individualmente na Austrália com um técnico ex-atleta da seleção australiana e chegava ao local exatamente uma semana antes da competição, juntando-se então à delegação.
Ainda assim, ele achava que, já que dessa vez havia chegado dois meses antes, talvez participasse dos treinos coletivos — mas, também dessa vez, pelo visto ele pretendia treinar individualmente. O técnico australiano, que estava com Jaekyoung havia sete anos, não o acompanhou desta vez. Pelo que ele viu nas matérias, parecia que alguém da família dele passaria por uma cirurgia grande e seria difícil ficar longe de casa por um período prolongado.
Pensando bem, com o Jaekyoung de hoje a ausência do técnico não deve fazer tanta falta. Afinal, era um atleta que treinou continuamente, sem interrupção e com dedicação, durante os últimos dez anos. Era evidente que ele sabia melhor do que ninguém qual método de treino combinava melhor consigo e como elevar o próprio desempenho.
Por isso, agora, faltando um mês e meio para a competição, pelo visto ele havia decidido reduzir o tempo dentro da água e se concentrar em fortalecer a musculatura. Segundo a mãe dele, nas manhãs dos dias úteis ele fazia treino em solo, incluindo musculação, na academia do terceiro andar daquele ginásio, e nadava apenas umas duas horas à tarde. À noite, recebia massagem ou fisioterapia para aliviar a fadiga acumulada nos músculos.
《“Mas então porque ontem ele estava fazendo fisioterapia naquele horário?”
Diante da dúvida que lhe ocorreu tardiamente, Jiheon inclinou a cabeça. 《 “Dizer que era por causa da reunião com a nossa empresa… ele não parecia nem interessado no conteúdo do contrato. E, vendo que hoje ele veio treinar conforme o programado, também não parece ser problema de condicionamento. Será que ele simplesmente enrolou? Por mais que seja Kwon Jaekyoung, sem o técnico por perto ele também relaxa?”
Enquanto pensava nisso, chegou ao segundo andar, onde ficava a piscina. Ao ver o saguão completamente vazio, Jiheon ficou momentaneamente sem jeito. Sabia que, sendo pleno dia útil, não haveria muita gente, mas não imaginava que até a recepção estaria vazia.
Por menos gente que houvesse, não deveria ter alguém na recepção? Enquanto olhava ao redor, preocupado, Jiheon viu o aviso colado no balcão e soltou um “ah”. Estava escrito que, das quinze às dezoito horas, a piscina não era aberta ao público.
Mesmo sendo municipal, pelo visto era administrado de forma totalmente independente das escolas próximas. Foi por isso que dava para alugar o espaço naquele horário em dia útil.
Hoje em dia, quase toda piscina municipal era usada como local de aula das escolas primárias das redondezas, então ele pensou que Jaekyoung tinha tido sorte de encontrar um lugar assim.
Jiheon se acomodou em uma mesa no canto do saguão e, assim que se sentou, conferiu as horas. Passava agora das cinco da tarde. A autorização de uso da piscina concedida a Jaekyoung pelo ginásio ia das três às seis nos dias úteis, mas, se o que a mãe dele dissera estava certo, Jaekyoung com certeza sairia antes das cinco e meia.
Pensar que logo encontraria Jaekyoung o deixava estranhamente tenso. Ter que se desculpar pelo dia anterior era uma coisa, mas, sinceramente, o que mais o incomodava era outra. Tinha medo de que Jaekyoung dissesse de novo que sentia cheiro nele. A doutora Lim disse que ela havia trocado o chip e ainda aumentado a dose do remédio, então não tinha motivo algum para se preocupar — mas, para Jiheon, isso não era tão fácil quanto parecia. Acima de tudo, o conteúdo do livro que a doutora Lim lhe mostrara, aquela palavra marcada com marca-texto, não saía de sua cabeça e o deixava inquieto.
Depois de muito remoer, Jiheon acabou se levantando. Vou fumar pelo menos um cigarro, pensou; daquele jeito parecia que não conseguiria se acalmar.
No fim, Jiheon acabou subindo até o terraço do prédio em busca de um espaço onde fosse permitido fumar. Ao chegar lá em cima, pensou que teria sido mais rápido descer até o térreo — mas tanto fazia. Fumando encostado no parapeito, achou que a vista até que era boa, e chegou a pensar que fizera bem em subir. Definitivamente, quando entra nicotina, a pessoa fica otimista. Embora talvez fosse só porque a cabeça fica anestesiada e dá preguiça de pensar a fundo.
De todo modo, depois de fumar dois cigarros, ele se acalmou bastante. Com o cheiro de cigarro impregnado no corpo inteiro, Jiheon desceu de novo ao segundo andar.
Enquanto esperava sentado no saguão de novo, pouco depois alguém abriu a porta que dava para o vestiário e saiu. Como havia uma toalha cobrindo a cabeça, o rosto não aparecia, mas só pela altura e pelo tamanho já dava para saber. Era Jaekyoung.
Jaekyoung também pareceu reconhecer imediatamente Jiheon, que estava à mesa. Mas foi só. Vendo as costas de Jaekyoung seguindo o próprio caminho sem cumprimentar e sem dar sinal de reconhecimento, Jiheon pensou: 《 “esse aí, nessa parte, continua exatamente igual a dez anos atrás.”
— Jaekyoung.
No fim, Jiheon se levantou e o chamou.
— Vamos conversar um pouco.
Ele achou que seria ignorado, mas, por sorte, Jaekyoung parou onde estava e, virando-se, disse:
— Conversar sobre o quê?
A voz era tão seca que ele chegou a se arrepender de ter tomado coragem e corrido até ali. Mas ele mesmo havia provocado tudo aquilo. Pensando nisso, aquela reação de Jaekyoung era natural.
— É que eu tenho uma coisa para te dizer sobre ontem.
Jiheon reuniu coragem mais uma vez, com o sentimento de que seria a última.
— Se você não estiver ocupado, pode me dar só um minuto?
Jaekyoung ficou observando Jiheon em silêncio e logo começou a caminhar em direção a ele. Largou como quem joga a enorme bolsa esportiva que carregava no ombro em uma cadeira qualquer e se atirou na cadeira em frente a Jiheon.
— Antes de tudo, quero me desculpar.
Assim que Jaekyoung se acomodou, Jiheon se apressou em dizer isso. Porque sabia que, se hesitasse, seria ainda mais difícil abrir a boca.
— Desculpe por ontem. Você provavelmente foi até lá me dizer aquilo porque estava preocupado comigo, e eu recebi daquele jeito. Vai parecer desculpa, mas era a primeira vez que eu passava por uma situação dessas, então fiquei meio sem cabeça.
《“Ah, agora que falei, isso não parece um pedido de desculpa, isso é uma desculpa mesmo.” 》 Jiheon riu, sem graça.
Jaekyoung não deu resposta alguma. Ele nem sequer estava olhando para Jiheon. Estava sentado de braços cruzados e pernas cruzadas, olhando apenas para a bolsa que havia jogado. Por causa da toalha na cabeça, o rosto estava coberto e nem dava para saber sua expressão.
Aquilo de “quando alguém fala, pelo menos finja que está escutando” ou “olhe para a pessoa” — não era hora de nutrir esse tipo de queixa. Com aquela personalidade, já era muito ele estar ali sentado; pensando assim, aquilo já era motivo de gratidão.
《“Afinal, nós não fomos do tipo que trocavam conversas afetuosas, não é mesmo? Está bem, então vamos apenas dizer com clareza o que precisa ser dito e ir embora.”》 Pensando assim, Jiheon forçou a boca, que se recusava a abrir.
— …Você tinha razão. Fui ao hospital hoje por precaução, e disseram que houve um pequeno problema com o chip e que, nesses últimos dias, ele parece não ter funcionado direito. Como não havia nenhum alfa por perto, também parece que ninguém notou, e eu, claro, não sinto meu próprio cheiro, então não fazia ideia… Se não fosse por você, provavelmente eu continuaria sem saber. Quase deu um problema sério, mas graças a você eu descobri relativamente rápido, ainda bem. Obrigado — Jiheon falou entrelaçando as duas mãos pousadas sobre a mesa.
— E por não ter acreditado no que você disse ontem e ter ficado bravo… quero pedir desculpas de novo.
Ao se lembrar do que dissera a Jaekyoung no dia anterior, sua cabeça baixou inevitavelmente.
— Você deve ter falado por estar mesmo preocupado, e eu me equivoquei sozinho e fiquei bravo; me desculpe de verdade. Sei que dizer isso não vai fazer você se sentir melhor, mas eu realmente acho que errei, então…Eu gostaria que você ao menos soubesse disso.
Quando ergueu a cabeça para dizer essas palavras, Jiheon se assustou e acabou fechando a boca. Jaekyoung, que ele achava estar olhando para outro lugar, estava de braços cruzados e o encarava fixamente.
— …Bom, eu gostaria que você não ficasse muito chateado.
Sem jeito, Jiheon falou desviando discretamente o olhar. Ainda há pouco ficara ressentido por ele nem olhar enquanto falava, mas, agora que estava sendo encarado bem de frente, isso também dava uma sensação estranha.
— Foi para dizer isso que eu vim.
Jiheon falou isso e assentiu. Depois de expressar com o corpo inteiro que “meu assunto termina aqui”, ficou olhando para as mãos entrelaçadas, esperando serenamente a resposta de Jaekyoung.
Mas, por mais que esperasse, Jaekyoung não respondia, e quanto mais o silêncio se prolongava, mais Jiheon sentia que sufocava.
De qualquer forma, ele não esperava ouvir que estava perdoado, ou que era bom o mal-entendido ter sido esclarecido, ou coisas assim. Bastaria que ele dissesse apenas “entendi”. E, se não quisesse nem dizer isso, que pelo menos se levantasse e fosse embora primeiro. Só assim ele também poderia ir.
《…Até quando exatamente eu vou ter que ficar assim? Ele não pretende ficar sentado ali a noite toda, não é?”》 Foi no instante em que Jiheon engoliu em seco silenciosamente:
— Hyung…
Jaekyoung abriu a boca de repente e Jiheon se assustou bastante. Ao mesmo tempo, ficou ansioso. Jiheon tinha mais medo justamente quando Jaekyoung dizia “hyung…”. Porque era impossível saber o que viria em seguida.
— Você trocou o chip por causa disso?
Como esperado, dessa vez também veio uma pergunta que ele não previra de forma alguma. Sem jeito, Jiheon ergueu a cabeça sem querer e disse “ahn?”.
— Estou perguntando se você trocou o chip.
— Ah, troquei. Coloquei um totalmente novo.
— Então agora não tem mais como eu ser afetado, certo?
《“…Então era isso que preocupava ele?”
Jiheon ficou meio atordoado. Achou que, num momento desses, a primeira coisa a sair dele seria naturalmente uma cobrança do tipo “então você é ômega mesmo, hyung? Por que mentiu, por que fingiu ser beta?”. E, em vez disso, essa história do chip vinda do nada.
Mas a estranheza durou pouco; logo Jiheon compreendeu.
《“Bem, ele sempre foi um moleque sem interesse na vida alheia. Nessa situação, por que ele se importaria com o motivo pelo qual eu escondi isso? Afinal, isso também não passa de uma história de outra pessoa. O que importa é se os feromônios do ômega à sua frente estão ou não afetando ele agora, só isso.”
— Isso, bom… enquanto não houver problema com o chip, deve ser assim, né? Não, antes disso, é só você cheirar que já sabe, não é? Está saindo cheiro de mim agora?
Jiheon perguntou um pouco tenso. Ele havia trocado o chip direitinho, aumentado a dose do remédio e, por precaução, ainda fumado dois cigarros — e mesmo assim estava inquieto.
— Não sinto nada.
Diante da resposta de Jaekyoung, Jiheon finalmente se tranquilizou.
— Deve ser isso mesmo. Se o chip funciona direito, normalmente não há problema.
— Então está resolvido.
— Sim.
— Vou fechar contrato com a empresa de vocês.
— Ahn…?
Como é? Antes que Jiheon perguntasse de novo, Jaekyoung puxou a toalha que cobria a cabeça e disse:
— Estou dizendo que vou fechar contrato com a Spoin.
— …
Jiheon ficou observando Jaekyoung por um instante e então desfez as mãos entrelaçadas, dizendo:
— Hmm, então, atleta Kwon Jaekyoung?
— O que é isso, de repente?
Jaekyoung franziu o cenho, como quem pergunta o que era aquele tom de voz.
— Não, é que, por ora, é assunto de trabalho. Quer dizer, é assunto de trabalho… senhor.
Jiheon bateu na mesa com a ponta dos dedos e prosseguiu com um “de qualquer forma”.
— Do ponto de vista da nossa empresa, não há motivo para recusar, mas… sendo franco, como dizer, é muito repentino; de qualquer modo, é difícil de acreditar. Posso perguntar qual foi o motivo que o levou a decidir fechar contrato conosco?
— Porque, vendo como o presidente trata os funcionários, ele não parece um cafajeste.
Hmm, isso é verdade. Jiheon concordou internamente. Aquilo, ao menos, era inegável. Era o único ponto forte que a Spoin podia apresentar e, de certo modo, uma espécie de identidade.
— Mas, pelo que sei, as conversas de contrato com a Kava estavam em andamento.
— Decidi não assinar.
— Posso perguntar o motivo…
— Porque ficam mudando de discurso.
Jaekyoung respondeu sem nem ouvir Jiheon terminar.
— Eu disse claramente que não vou às Olimpíadas no ano que vem; no começo disseram que tudo bem, mas, quando chegou a hora de redigir o contrato, disseram que não dava. Queriam que eu assinasse um termo dizendo que competiria incondicionalmente, a menos que fosse por lesão. Por que eu faria isso?
Jiheon murmurou um “ah” sem querer. Lembrou-se do teor da ligação que ouvira no saguão do hotel no dia anterior. Ele havia imaginado que, dada a personalidade de Jaekyoung, não seria fácil convencê-lo, mas jamais imaginou que o próprio contrato desandaria.
— Por que você não quer ir às Olimpíadas?
— Porque não quero ir.
Jaekyoung respondeu de imediato.
Jiheon ficou sem saber o que responder. E não era verdade? O atleta simplesmente não queria competir, ponto final. O que mais havia para dizer sobre isso? “Está bem, entendi, você não quer ir” — não restava outra alternativa.
— Isso era uma condição desde o início. E a Kava disse claramente que tinha entendido. Mas, se mudam de discurso desse jeito, como é que eu vou confiar neles para trabalhar daqui em diante?
Jaekyoung falou passando a mão pelo cabelo. Ele havia apenas secado a umidade por cima, e das pontas ainda molhadas saltaram pequenas gotas.
— Com a Kava não dá. Se agem assim antes mesmo de fechar contrato, depois de fechar vão fazer o que bem entenderem. Por outro lado, fechar agora com outra empresa levaria uma eternidade, com aquele vai e vem de contatos, reuniões, discutir cláusulas contratuais e ajustar tudo, então é por isso que eu quero fechar logo com a Spoin.
Em resumo, era como dizer: tenho preguiça de procurar outra empresa, então vou fazer com vocês, que eu já conheço de vista.
《 “Isso só poderia ser chamado de uma decisão bem típica de Kwon Jaekyoung.”
Jiheon riu, achando aquilo um tanto absurdo. Soltando uma risada enquanto olhava para a mesa, ele ergueu a cabeça de novo e perguntou a Jaekyoung:
— Será que sua mãe vai aceitar o contrato com a nossa empresa?
Diante da fala de Jiheon, Jaekyoung, por sua vez, fez uma expressão de quem não estava entendendo.
— É o meu contrato, o que a minha mãe tem a ver com isso?
O quê…? Não, se ele é tão independente assim, por que até agora deixava tudo com a mãe?
Enquanto engolia aquilo sem conseguir dizer em voz alta, Jaekyoung tirou a toalha que estava pendurada no pescoço, jogou-a sobre a própria bolsa e disse:
— Em compensação, vou fazer alguns ajustes nas condições do contrato.
— Que tipo de ajuste…
— Você tem que entrar na minha equipe de gestão exclusiva.
Jaekyoung falou cortando Jiheon. Jiheon ficou de boca fechada, encarando Jaekyoung, e então perguntou de novo:
— Desculpe, posso perguntar o motivo?
— Porque naquela empresa o único ex-nadador é você.
Jaekyoung fez uma expressão de “você sabe o que isso significa, não é?”. É claro que sabia. Na Austrália e no Ocidente em geral, ao montar uma agência ou uma equipe de gestão, as figuras consideradas indispensáveis eram um advogado e alguém do meio que fosse ex-atleta da modalidade em questão. O advogado, evidentemente, para cuidar de toda a parte jurídica; e o ex-atleta, porque acumulava uma vasta rede de contatos naquele meio e, dependendo de sua influência, podia até participar de coisas como a revisão de regras.
Mas, se o motivo era esse, Jiheon ficava ainda menos disposto. Para começar, a sua carreira como atleta durara tão pouco que ele não tinha contatos dignos de nota — a mãe de Jaekyoung certamente tinha um trânsito muito maior —, e sua influência era ínfima demais para se envolver em revisões de regras. Não, falando abertamente, era evidente que ele não seria de ajuda nenhuma.
— Tenho uma pergunta: caso a nossa empresa contrate agora um agente que seja ex-nadador, você consideraria trocar o meu nome pelo dele? Alguém que possa ser de ajuda mais concreta do que eu…
— Não.
Dessa vez também Jaekyoung respondeu sem ouvir Jiheon terminar.
— …Ou seja, o atleta Kwon Jaekyoung quer que seja eu, incondicionalmente.
— Sim.
— Posso perguntar o motivo?
Jaekyoung, que vinha dando respostas cortantes, ficou calado pela primeira vez. Diante daquilo, Jiheon voltou a ficar inquieto.
O que é isso? Se ele nem tem motivo, por que insiste em mim? Não me diga que é mesmo para me ferrar? Ele ainda guarda rancor pelo que houve no passado? Ou, se for por causa de ter sido tratado como assediador ontem…
— Eu sou muito tímido com gente nova.
Depois de um bom tempo, Jaekyoung soltou de repente.
— Agora, trabalhando com a Spoin, todo o pessoal da federação que até ontem me ajudava vai sair e vai ficar só um monte de funcionário da Spoin em volta; então é mais confortável para mim ter pelo menos um rosto conhecido.
Portanto, o hyung precisa obrigatoriamente estar na equipe de gestão — era isso que Jaekyoung parecia querer dizer.
Se o motivo fosse realmente esse, as palavras de Jaekyoung até tinham certa lógica. Ele estava longe de ter uma personalidade sociável e, quanto a habilidades sociais, era do nível “o que é isso?”. Mesmo que não fosse por Jaekyoung, mas pelos próprios funcionários da Spoin, parecia mesmo necessário haver alguém no meio para fazer a mediação. E, quando ambos os lados se acostumassem razoavelmente um com o outro, bastaria avaliar o momento e sair de cena.
《 “…Mas, ainda assim, ele não está sendo tímido comigo também? Não, para começar, ‘tímido com gente nova’ é a expressão correta? Ele trata todo mundo como se fosse invisível, seja conhecido ou desconhecido. Nesse caso, seria mais correto dizer: eu ignoro todo mundo, sem distinção, desde que seja gente.”
— O valor da luva pode ser o padrão do mercado.
Jiheon, que estava pensando em como descrever as habilidades sociais em frangalhos de Jaekyoung, soltou sem querer um grito — “o quê?” — diante do que aquele homem sem nenhuma habilidade social disse.
— Ei, você está falando sério?
— Por que você mudou o tratamento?
— Ah, me desculpe. Então, o senhor está falando sério?
Jiheon logo mudou o tom.
— Sim. E, por favor, daqui em diante não me faça repetir duas, três vezes. De qualquer forma você entendeu tudo.
Realmente um cara com as habilidades sociais em frangalhos.
Mas naquele momento o problema não eram as habilidades sociais de Jaekyoung.
《 “Dizer que o valor da luva pode ser o padrão do mercado, quer dizer que ele está de acordo com aquelas condições que apresentamos no início? Que ele vai fechar contrato por esse valor? Sério?”
O coração de Jiheon começou a bater rápido. O contrato, que até então parecia distante como coisa de outra pessoa mesmo tendo sido Jaekyoung quem tocou no assunto, finalmente se aproximava como realidade diante dos olhos.
Se o peso do valor da luva desaparecesse, aquilo era, de qualquer ângulo, um negócio vantajoso para a Spoin. E não era uma vantagem qualquer. Era literalmente ganhar na loteria.
Para começar, se a Kava insistiu tanto nessa história de Olimpíadas, não foi justamente porque o valor da luva de Jaekyoung era descomunal? Deviam ter combinado no mínimo alguns bilhões de wones, e para cobrir isso teriam que vender todos os títulos vendáveis, fosse o Grand Slam, fossem as Olimpíadas, e rodar publicidade. E ainda assim seria preciso rodar sem parar por uns bons anos para mal recuperar o investimento.
Mas, se o valor da luva se resolvesse no padrão do mercado, não havia por que se apegar desesperadamente às Olimpíadas. Assim que ele conquistasse o Grand Slam, era evidente que o valor de mercado de Jaekyoung na publicidade subiria ainda mais do que agora e, mantendo esse valor, dava para recuperar a luva em um ano tranquilamente. Que um ano que nada. Com a luva que a Spoin havia proposto inicialmente, bastariam algumas contratos publicitários para lucrar de sobra.
— Ei, espera aí. Mas você vai fazer publicidade, né? Quer dizer, o senhor vai fazer, certo?
Jiheon, que na pressa havia começado a fazer as contas sem parar, se deu conta tardiamente e perguntou.
— Escolha um tratamento só. Assim me distrai.
— Está bem. Você vai fazer publicidade?
Jiheon acabou abandonando o tratamento formal, que não fazia diferença nenhuma, e perguntou de forma informal. Jaekyoung olhou para Jiheon com uma expressão de “que absurdo” e voltou a cruzar os braços, dizendo:
— Vou ter que fazer. É por causa disso que estou fechando com uma agência.
Ele dizia isso, mas, pela expressão, parecia ter uma imensa má vontade em relação a isso. E não era à toa. Dada a personalidade de Jaekyoung, não havia como ele fazer esse tipo de coisa por gostar. Certamente a mãe havia insistido dizendo que era o sonho da vida dela e ele, sem escolha, concordara em fazer algumas campanhas; e, se era assim…
— Quantas publicidades você pretende fazer?
— Não vou fazer muitas.
— Está bem, sem fazer muitas, quantas?
— Umas três.
《 “Era o que eu imaginava.”
Diante da resposta que não fugiu do previsto, Jiheon acabou rindo sem querer. Jaekyoung olhou para ele com uma expressão de “por que está rindo?”.
— Jaekyoung, veja bem.
Jiheon falou batendo na mesa com a ponta dos dedos, em um tom mais carinhoso do que o necessário.
— Mesmo que seja uma luva de padrão de mercado, com o seu desempenho atual, é no mínimo um bilhão de wones. Abaixo disso não pode. Dizem que varia conforme a modalidade, mas, de qualquer forma, não podemos simplesmente rebaixar o valor de um atleta que é o topo de uma área e o número 1 do ranking mundial. Se fizermos isso, o mercado inteiro fica em polvoroso. Outros atletas saem prejudicados. Vão dizer: “o Kwon Jaekyoung recebeu tanto e você acha que essa sua luva faz sentido?”, esse tipo de coisa. Você entendeu o que eu quis dizer, né?
Jiheon explicou da forma mais gentil possível, como se lidasse com uma criança pequena. É claro que não surtiu efeito. Longe de responder, Jaekyoung apenas o encarou fixamente com uma expressão de “e por que eu deveria me importar com isso?”.
Jiheon fingiu não perceber e continuou a explicação.
— Então, digamos que a gente te dê um bilhão de wones de luva. A partir do momento em que o contrato for firmado, os custos para cumprir a sua agenda e os custos de treino ficam por nossa conta. E você, a título do que se chama taxa de gestão, ou nos reembolsa esses custos depois, ou divide conosco os prêmios das competições segundo uma proporção acordada previamente. Só que, na natação, mesmo nas competições principais, os prêmios não são grande coisa. Como você bem sabe. E, além disso, você não participa de competições nacionais, a menos que sirvam de seletiva para a seleção, certo? Pior ainda: se você encerrar a carreira depois desse Campeonato Pan-Pacífico, para nós isso significa que não podemos mais esperar receita alguma vinda de prêmios de competições. Então, com o que nós vamos recuperar a luva que te pagamos?
Jaekyoung continuou sem responder. Como isso era o esperado, Jiheon respondeu ele mesmo.
— Com comissão de publicidade. Cada vez que você fizer uma campanha publicitária, calcula-se uma certa porcentagem sobre aquele cachê e retira-se a comissão. Não é só a gente que faz isso: todas as agências fazem. No caso de atletas de ligas, elas intermediam o contrato com o clube e retiram a comissão sobre aquele valor, mas você não é atleta de liga, então…
— Entendi. Vou fazer mais publicidade.
Jaekyoung soltou aquilo, interrompendo Jiheon.
— …Sério?
Jiheon perguntou de volta com uma expressão de incredulidade. É que ele havia explicado longamente, mas não com a expectativa de que Jaekyoung compreendesse. Era só para que ele conhecesse a posição deles. Sinceramente, ele achava que até isso já era ambição demais. Porque Kwon Jaekyoung não se importava com a posição dos outros. Ele imaginava que aquilo entraria por um ouvido e sairia pelo outro.
Mas dizer que faria mais publicidade. E não era qualquer pessoa: era Jaekyoung, o Kwon Jaekyoung, dizendo que compreendia a situação deles e que cederia na própria vontade — na verdade ele não chegou a dizer isso com essas palavras.
— O quê… quantas a mais você pretende fazer?
《 ”Ele não vai dizer algo como ‘faço mais três, aí já dobra’, vai?” Jiheon prendeu a respiração e olhou para Jaekyoung, sentado à sua frente.
E então:
— Faço quantas vocês mandarem.
Mais uma vez, uma resposta inacreditável saiu da boca de Jaekyoung.
— Quantas nós mandarmos?
— Sim.
— Mesmo que a gente mande fazer dez, vinte? Você faria todas mesmo assim?
— Foi o que eu disse.
Jaekyoung soltou aquilo como quem está com preguiça e, tardiamente, passou a mão pelo cabelo e perguntou:
— Mas será que vai aparecer publicidade nessa quantidade toda?
Diante daquela pergunta absurda, Jiheon acabou rindo, soltando um “pff” como um ar escapando. Ele não faz a menor ideia do tamanho da própria popularidade.
Ele ria achando aquilo bem típico de Kwon Jaekyoung, mas, ao pensar que a partir de agora teria que trabalhar com aquele atleta descomunal, já sentia as forças se esvaindo.
— Eu garanto: só com essa pose que você acabou de fazer agora dá para gravar umas doze publicidades.
— Que pose?
— Passar a mão pelo cabelo. Você acabou de fazer.
Jaekyoung fez uma expressão de “eu fiz isso?” e logo se levantou, dizendo “então está resolvido”.
— O resto, se for igual às condições dos outros atletas, está bom, então me mande até amanhã o contrato de prestação de serviços de agenciamento.
— Ei, você acha que um contrato se redige assim tão rápido? Pelo menos três dias, não, no mínimo dois, você tem que dar.
— Está bem. Então dentro de 48 horas. Se atrasar, vou entender que não há intenção de contratar e vou procurar outro lugar.
Nem “até a meia-noite de depois de amanhã”, mas 48 horas. Ele sabia que era um sujeito que não tinha a menor consideração pela situação dos outros, mas só conseguiu pensar que aquilo era realmente cruel.
— É melhor assinar e anunciar logo, senão a Kava vai continuar me enchendo.
Jaekyoung falou, como se tivesse percebido o que Jiheon pensava. Bem, ele havia suspirado abertamente, então perceber era natural — mas, ainda assim, ele não imaginava que Jaekyoung fizesse questão de explicar o motivo daquele jeito.
《 “Esse moleque tem um lado assim também.”
Jiheon olhou para Jaekyoung com uma expressão meio de admiração. Pensou que naquele dia realmente havia se surpreendido várias vezes por causa de Kwon Jaekyoung.
Bem, dez anos atrás eles se cruzavam com tanta frequência e nem trocavam um cumprimento direito. A conversa daquele único dia foi muito mais profunda, mais extensa e mais rica do que todas as palavras que trocaram com Jaekyoung ao longo de um ano. Era natural que houvesse muitas coisas novas a descobrir.
— Está bem, entendi perfeitamente que você está com pressa. Nós também vamos nos preparar o mais rápido possível.
Por isso, não era hora de ficar ali sentado. Jiheon também se levantou depressa.
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Para melhor entendimento durante a leitura:
《Pensamento》
[Telefone]
「Fala da tv ou narrador」
*Escrita*
⊹ ࣪ ⋆。𖦹⋆.Continua…﹏⊹ ࣪ ˖
◆ Tradução e Raws: Belladonna, Revisão: Nat ◆