Capítulo 02.9
𓆝 ⋆。𖦹°‧ Capítulo 2.9
Ao chegar ao escritório, havia uma pilha enorme de documentos sobre a mesa. Eram todos materiais de trabalho derivados do contrato de Jaekyoung.
Jiheon reuniu todos os documentos e foi para a área de fumantes. Tirando o cigarro que havia fumado logo ao acordar, naquela manhã, não sentira vontade de fumar nem uma única vez ao longo do dia.
Ao chegar à área de fumantes, acendeu um cigarro, deixou os documentos de lado e pegou o celular primeiro. Pesquisou o nome de Kwon Jaekyoung, conferiu as notícias e depois deu uma olhada também nas redes sociais. Felizmente, ainda não havia aparecido nenhum relato de avistamento nem fotos dos dois juntos.
Aliviado, Jiheon guardou o celular. Instantes depois, porém, tornou a pegá-lo e, dessa vez, pesquisou por Cha Seonghyeon. Ao abrir a aba de imagens, encontrou uma infinidade de fotos. Enquanto fumava e as observava uma a uma, ouviu alguém comentar atrás dele:
— Oh, Cha Seonghyeon.
Quando se virou, viu o assistente-gerente Nam sorrindo, com um maço de cigarros na mão.
— Ele é bonito.
— Muito.
Diante da resposta de Jiheon, o assistente-gerente Nam riu enquanto colocava o cigarro na boca. Depois de acendê-lo, sentou-se em frente a Jiheon e disse:
— Eu acho que ele é o mais bonito entre os jovens atores de hoje. Ele provavelmente vai crescer ainda mais. Veio da carreira de modelo e a atuação dele não é ruim. E, além disso, tem só vinte e cinco anos.
— Ele parece ter boa personalidade também.
Jiheon assentiu. E, soltando a fumaça do cigarro, acrescentou:
— Só pelas fotos ele parece um pouco introvertido e quieto, mas, conversando, ele é surpreendentemente desenvolto; fiquei surpreso.
— Você conversou com o Cha Seonghyeon?
O assistente-gerente Nam perguntou arregalando os olhos. Só então ele pensou “ops”, mas já era tarde demais. Inventar uma história ali não funcionaria, e o assistente-gerente Nam também não era do tipo que espalha as coisas, então Jiheon simplesmente falou a verdade:
— Agora há pouco. É que o Kwon Jaekyoung tinha combinado de encontrá-lo em Gangnam, então eu o levei até lá e voltei para o escritório.
— Nossa, sério?
O assistente-gerente Nam falou trocando o cigarro de mão.
— Então, será que eles estão namorando mesmo?
— Não. Não é isso.
Jiheon se apressou em dizer.
— Não parecia ser uma relação de namoro nem nada assim.
Não era mentira. De qualquer forma, Jaekyoung tinha dito claramente que não estavam namorando.
— Ah, é? Então são amigos mesmo.
— Hmm… provavelmente.
《 “Afinal, amigos com benefícios também são amigos, de certa forma.”
Racionalizando com afinco, Jiheon se deu conta com atraso e soltou um sopro que parecia um suspiro.
《 “O que eu estou fazendo, sério? Nem está confirmado que a relação deles é essa.”
Devaneio também tem limite. Ele se pegou preocupado achando que, do jeito que ia, acabaria cometendo um deslize verbal na frente do Jaekyoung.
《 ”Não, nem era preciso chegar ao ponto de cometer ou não um deslize diante dele. Pensando bem, aquilo já não era um raciocínio normal.”
E não era mesmo. Fosse qual fosse a relação dos dois, o que aquilo tinha a ver com ele para se importar tanto? Para começar, esse tipo de coisa não era assunto para terceiros, a menos que fosse adultério. Não, o Jiheon de sempre teria dado de ombros com um “ah, entendi” mesmo se fosse adultério. Fosse o que fosse, no fim das contas era problema dos outros. Não seria diferente só por se tratar de um atleta da própria empresa — se fosse flagrado em algum vacilo e virasse notícia, aí sim; mas, fora isso, o melhor era fingir que não ouviu e não viu.
Até então, ele sempre soubera fazer isso muito bem; não entendia por que, dessa vez, aquilo o incomodava tanto. Ainda mais que os dois não eram nada um do outro, nem adultério nem nada. Então bastava dar de ombros como sempre com um “ah, é”. Bastava agir como se não tivesse ouvido nem visto nada, mas nem ele mesmo conseguia entender por que se importava tanto a ponto de tentar encaixar cada peça.
《 “Será que é aquilo? Faz tanto tempo que eu não namoro que agora quero me meter até na vida amorosa dos outros?”
Se fosse isso, era realmente perigoso. No exato instante em que Jiheon colocava o cigarro na boca, esboçando um sorriso vazio:
— Ah, é verdade. Eu já tinha pensado nisso antes, mas o Cha Seonghyeon é meio parecido com você, gerente Jeong.
O assistente-gerente Nam falou olhando para o próprio celular. Diante daquele absurdo, Jiheon quase engoliu a fumaça do cigarro.
— Não, que absurdo é esse que o senhor está falando?
Quando falou, conseguindo a muito custo soltar a fumaça, o assistente-gerente Nam disse “não, é sério” e empurrou o celular na direção de Jiheon.
— Olhe. Assim, o formato dos olhos e o nariz não são meio parecidos?
O que o assistente-gerente Nam mostrara era um ensaio fotográfico de Cha Seonghyeon. Devia ser uma foto publicada em alguma revista: Cha Seonghyeon, usando uma blusa de tricô, estava com o cotovelo apoiado na mesa — quase deitado sobre ela —, olhando para o lado. Talvez por causa do olhar levemente voltado para baixo, os olhos afilados e o nariz reto de Cha Seonghyeon se destacavam de forma especial, enquanto a parte inferior do rosto, incluindo o contorno do queixo, ficava quase toda oculta na sombra do braço. Talvez por isso, Jiheon achara que, de certo modo, ele até lembrava um pouco a si mesmo.
— Acho que é só nesta foto que parece. É quase de perfil e a parte de baixo do rosto está toda coberta.
— Ah, que isso, não é só impressão. É verdade que nesta foto ficou bem parecido, mas, se você olhar outros registros dele, há uma áurea bem parecida.
— Não será só porque nós dois temos pálpebra dupla interna?
— Ah, que papo é esse? Se for assim, todo mundo no país que tem pálpebra dupla interna seria parecido entre si?
Talvez sentindo que sua finíssima capacidade de observação estava sendo desafiada, o assistente-gerente Nam retrucou exaltado:
— Além do rosto ser parecido, a atmosfera também é meio semelhante. Os dois são do estilo bonito e frio, ao mesmo tempo elegante e puro. Embora o gerente Jeong tenha um rosto sorridente e por isso pareça mais afável.
— Bonito e frio, elegante e puro…
Quando Jiheon repetiu aquilo rindo, o assistente-gerente Nam expressou uma raiva crescente:
— É sério. Ah, o gerente Jeong sabe muito bem que é bonito. Você sabe que se fizer muita cerimônia isso irrita, né? Seu impostor! De qualquer forma é bom, não é? E não é qualquer pessoa, é um ator bonito desses que dizem que você parece.
— Tenho medo de alguém ouvir e rir de mim.
— Não vão rir, já disse. O Cha Seonghyeon é de um estilo mais espalhafatoso, mas isso é natural, ele é ator. Olhando só os traços do rosto, o gerente Jeong é mais bem proporcionado e bonito.
— Acho que só o senhor diria isso mesmo.
Diante da resposta de Jiheon, o assistente-gerente Nam revirou os olhos e soltou um “será?”. Em seguida, puxou de volta o celular que estendera para Jiheon e murmurou:
— Bem, pode ser. Eu, com certeza, prefiro um rosto bonito no sentido de marcante a um visual muito delicado. O Cha Seonghyeon é bonito, é sim, mas às vezes ele fica com uma carinha tão delicada que chega a me incomodar um pouco. Eu sei que não deveria usar esse termo e nem gosto muito, mas… tem aquela beleza com uma áurea bem típica de ômega.
Ouvindo aquilo, Jiheon parou com o cigarro no meio do caminho até a boca e perguntou:
— O Cha Seonghyeon é ômega?
— Não circulou um boato na internet dizendo isso?
— Eu só tinha ouvido o boato de que ele era beta.
— Ah, é? Eu vi um post dizendo que o boato de que ele era beta era mentira, e que na verdade ele era ômega. Bem, vai saber — o assistente-gerente Nam acrescentou logo depois. — De qualquer forma, são só boatos da internet. Vai ver ele até é alfa.
— É, bem capaz.
Jiheon assentiu.
— E que impressão ele te passou ao vivo?
— Sei lá. Eu não entendo muito dessas coisas.
Quando ele disse que só pela aparência não dava para saber, o assistente-gerente Nam riu e disse
— Ah, eu também. Alfa, ômega, eu não sei nada. Nem vendo bem de perto eu sei, e mesmo depois de ficar rindo e conversando um tempão eu continuo sem saber.
《 “…Sim, com certeza, para mim parece ser assim mesmo.”
Jiheon concordou, ainda que apenas mentalmente.
— Dizem que alfas e ômegas se reconhecem, mas por que eu não enxergo nada? Será que alfa é uma espécie extinta nesta terra?
O assistente-gerente Nam estalou a língua, dizendo que era lamentável.
— É que antigamente o efeito dos supressores de feromônio não era tão forte — comentou Jiheon, soltando a fumaça do cigarro. — O alfa percebia pelos feromônios do ômega, e o ômega percebia vendo a reação do outro.
— Antigamente devia ser assim, mas hoje em dia todo mundo usa chip, não é? E, mesmo assim, ainda tem casos em que eles percebem, o que é bem curioso. Dizem que isso acontece quando a compatibilidade ou a sintonia entre os dois é muito forte. Parece que é por isso que dizem que casais assim dão super certo.
O assistente-gerente Nam, que costumava ser realista a ponto de soar cínico sobre quase tudo, soltou de repente algo bastante romântico. Jiheon adoraria concordar, se possível, mas naquele assunto em particular era difícil.
— É que existem alfas com uma sensibilidade a feromônios excepcionalmente alta. Mesmo usando o chip, uma quantidade mínima de feromônio acaba escapando, então o que normalmente passa despercebido pode ser captado por alguém extremamente sensível; é só isso.
— Ah, bem, se for para explicar por um viés científico, essa é de fato a possibilidade mais provável. — O assistente-gerente Nam murmurou aquilo, tragando o próprio cigarro, antes de continuar:
— Mas, se fosse apenas uma questão de sensibilidade a feromônios, essa pessoa deveria conseguir sentir o cheiro de todos os ômegas do mundo, não é? Quando falam em alma gêmea ou pessoa destinada, o normal não seria o caso de alguém que não reage a nenhum outro ômega e só reage a um indivíduo específico?
— É só pensar nisso como se fosse uma alergia. — Jiheon respondeu rindo, enquanto batia a cinza no cinzeiro. — Dizem que quem tem alergia a pelo de pêssego sente coceira só de passar perto de uma barraca de feira no verão, né? Como a composição dos feromônios varia de pessoa para pessoa, se aquele alfa é sensível apenas a uma substância específica, é natural que ele reaja unicamente a quem emite feromônios com esse componente exato.
— Gerente Jeong, você é de exatas por acaso?
O assistente-gerente Nam perguntou com uma expressão totalmente séria.
— O senhor sabe muito bem que não.
— Eu sei. Sei, mas perguntei só de brincadeira. Porque a sua visão sobre esse assunto é árida demais. Ah, será que isso seria uma sensibilidade seletiva, ou melhor, “alergia seletiva”?
Diante do trocadilho sem graça do assistente-gerente Nam, Jiheon riu e deu a última tragada no cigarro. Em seguida, apagando o cigarro no cinzeiro, concluiu:
— Numa época como a de hoje, ser prático é bem melhor do que ser sentimental demais.
𓆝 𓆟 𓆞 𓆝 𓆟
Para melhor entendimento durante a leitura:
《Pensamento》
[Telefone]
「Fala da tv ou narrador」
*Escrita*
⊹ ࣪ ⋆。𖦹⋆.Continua…﹏⊹ ࣪ ˖
◆ Tradução e Raws: Belladonna, Revisão: Nat ◆