Capítulo 02.8
𓆝 ⋆。𖦹°‧ Capítulo 2.8
Jaekyoung respondeu secamente.
— Entendo…
O homem continuou sorrindo desajeitadamente. Jaekyoung encarou aquele homem fixamente, recostou-se fundo no sofá e perguntou:
— Por quê? Não posso chamá-lo assim?
— Não, imagina que não. É só que os senhores são mais próximos do que eu imaginava.
O homem falou com o rosto desconcertado. Com medo de que outra fala afiada saísse da boca de Jaekyoung, Jiheon se apressou em dizer:
— É que antigamente, no centro de natação, ele me chamava assim. Como a esta altura seria estranho corrigir o tratamento, ficamos assim mesmo, de forma mais informal.
— Ah, sim. Vocês dois frequentaram por um tempo o mesmo centro de natação em Ilsan.
O vice-presidente assentiu, como se lembrasse.
— Mas vocês eram próximos naquela época também?
— Sim.
Também dessa vez foi Jaekyoung quem respondeu primeiro. Diante daquela resposta que passava do seco e chegava a soar irritada, o vice-presidente, sem conseguir dizer nada, apenas riu com um “he, he…”.
— Está bem. Então foi por isso que ele fechou contrato com a Spoin.
Depois de um bom tempo, o vice-presidente assentiu, olhou de relance para o homem sentado ao lado e então soltou um longo “hummm” pelo nariz. E, inclinando o corpo levemente para a frente, disse:
— Falando com sinceridade, nós esperávamos que o Jaekyoung fechasse contrato com uma empresa um pouco maior, entende? Afinal, se o porte da empresa é grande, o apoio também vai ser mais robusto; e, com muita experiência, a estrutura é mais consolidada, e a experiência de gerenciamento de atletas…
— Eu não vou trabalhar com a Kava.
Jaekyoung falou de supetão. Como ele provavelmente não imaginava que Jaekyoung mencionaria diretamente o nome da empresa, o vice-presidente gaguejou:
— Não, a Kava… a Kava, bom, é da Kava que eu estava falando, sim. Então, Jaekyoung, o que você quer dizer é que, mesmo que não fosse com a Spoin, de qualquer forma não seria com a Kava?
— Sim.
— Por quê…?
O vice-presidente perguntou com uma expressão de quem realmente não entendia.
— Porque são gananciosos demais.
— É mesmo…? A Kava?
O vice-presidente perguntou de volta com o rosto desconcertado e olhou de novo, sondando, para o homem sentado ao lado. Sem se importar com isso, Jaekyoung cruzou as pernas longas e continuou em tom indiferente.
— Eles vivem mudando de discurso também. No começo disseram que eu não precisava fazer isso nem aquilo, que era para eu fazer o que quisesse, que a empresa seguiria incondicionalmente o que eu dissesse; mas, na hora de redigir o contrato, disseram que eu tinha que fazer isso, aquilo e mais um pouco. Pior ainda: queriam que eu assinasse um termo por fora do contrato. Como é que se fecha negócio confiando em uma empresa dessas?
— Escute, atleta Kwon Jaekyoung, acho que há algum mal-entendido.
O homem sentado ao lado do vice-presidente se intrometeu apressadamente.
— Não é possível que a Kava trabalhe desse jeito. Aquele lugar é, ainda assim, o mais reconhecido deste setor. É antigo e, na mesma medida, tem muitos atletas com contrato de exclusividade. Se fosse mesmo uma empresa com problemas, todos aqueles atletas…
— O senhor é funcionário da Kava?
Jaekyoung perguntou, cortando a fala do homem.
— Não, funcionário da Kava não… sou apenas alguém que conhece um pouco sobre aquela empresa.
— Então conheça mais antes de falar.
— Como…?
O homem olhou para Jaekyoung com uma expressão perplexa.
— O senhor fala assim porque a conhece só superficialmente, então informe-se direito antes — falou Jaekyoung, sem alterar a voz —. Só aí o senhor vai entender por que estou agindo assim.
O homem, por um instante, pareceu ter perdido as palavras e não conseguiu dizer nada. Jaekyoung olhou para ele, deu uma risadinha e, colocando o boné que tinha na mão, murmurou como se falasse sozinho:
— Mal-entendido uma ova.
E, vendo Jaekyoung puxar a aba do boné para baixo com força, Jiheon pensou: era o fim.
— De qualquer forma, fechar com a Spoin foi uma escolha minha, e há motivos para eu ter escolhido —. Jaekyoung falou de novo ao vice-presidente. Com a aba do boné cobrindo quase todo o rosto, a expressão não era visível. Mas, mesmo sem ver, dava para saber. Era evidente que Jaekyoung estava naquele momento com a testa toda franzida e uma expressão de irritação insuportável —. Espero que a federação também confie e nos apoie.
Mesmo naquele tom formal impróprio dele, a irritação transparecia por inteiro. O vice-presidente ficou olhando para Jaekyoung com ar de quem não entende e logo disse, em tom bastante irônico:
— Está bem, Jaekyoung, como se você não fosse fazer tudo do seu jeito. Dê o seu melhor então—. Ele falou com uma expressão de desagrado e ainda disse a Jiheon algo que não se sabia se era incentivo ou maldição:
— Boa sorte. Você vai sofrer bastante daqui em diante.
— Sim, nos ajude bastante.
Mal Jiheon terminou de falar, baixando a cabeça, Jaekyoung se levantou de um salto.
— Eu tenho fisioterapia marcada para as cinco. Então vou indo.
E, sem sequer esperar a resposta das pessoas, saiu da sala da diretoria assim mesmo, sem mais.
Quando Jiheon chegou ao estacionamento, Jaekyoung estava encostado no carro olhando o celular.
— Ei, porque você tem mania de viver arrumando briga com a federação?
Jiheon falou soltando uma risada. Na verdade não era hora para rir, mas, ao se lembrar do vice-presidente — que ficou apenas abrindo e fechando a boca, com o rosto perplexo, vendo Jaekyoung sair sem mais nem menos —, não teve como se conter.
— Como é que você sai assim? Acha que nunca mais vai precisar deles?
Quando ele apertou o botão do meio da chave do carro, ouviu-se um “bip” e as portas se destravaram.
Jaekyoung respondeu com secura, abrindo a porta do carona:
— De qualquer forma, este ano é o último.
— Ainda assim, são pessoas que ajudaram no seu trabalho até agora.
Jiheon comentou enquanto entrava no banco do motorista. Jaekyoung colocou o cinto e soltou um riso de desdém:
— Ajudaram o quê? Só ficavam colados dizendo que ajudavam e embolsando dinheiro por baixo dos panos de todo lado.
Pelo visto, Jaekyoung também sabia de tudo. Bem, não havia como não saber. As trapaças da federação eram famosas desde antigamente. Por mais que Jaekyoung não tivesse interesse no que acontecia à sua volta, ele não seria tão indiferente a ponto de ignorar que usavam o próprio nome dele para arrancar dinheiro.
— Se ao menos fizessem o trabalho direito… A cada competição pedem para entregar isso, se inscrever naquilo, e nunca fazem nada no prazo. E, para piorar, ainda enchem o saco querendo que eu participe do revezamento.
— É mesmo? Eles mandavam você competir no revezamento? Sempre?
— Claro.
Jaekyoung respondeu tirando o boné e jogando-o sobre o painel.
— Então era por isso… — Jiheon murmurou baixinho.
O revezamento, explicando de forma simples, era um revezamento de nado livre composto por equipes de quatro. Quatro atletas dividem entre si distâncias determinadas para nadar 400m ou 800m. É claro que havia também a modalidade em que, como no medley, quatro atletas assumem cada um dos quatro estilos. Isso se chamava revezamento medley e, como os nadadores do país costumavam ter o nado livre como especialidade, participavam mais do revezamento livre do que do revezamento medley.
Jaekyoung também havia participado como nadador do revezamento livre em sua primeira competição internacional, os Jogos Asiáticos. Na época, ainda estudante do fundamental II, Jaekyoung já havia pendurado no peito o ouro dos 200m e dos 400m livre naquela competição. Sendo ele o último nadador, não foram poucos os que esperavam um bom desempenho da equipe, mas, como os tempos dos demais atletas além de Jaekyoung não foram lá muito bons, no fim eles nem chegaram à final.
E, depois daquela competição, Jaekyoung nunca mais participou como nadador de revezamento. No Mundial também, nas Olimpíadas também, participava apenas de provas individuais e não competia em revezamento livre nem medley.
Jiheon naturalmente achava que o técnico o havia excluído da lista para preservar as condições físicas de Jaekyoung. Afinal, Jaekyoung participava de uma quantidade enorme de provas. Pensando na resistência dele, era racional abrir mão do revezamento, que tinha poucas chances de medalha, e permitir que ele se concentrasse em suas principais provas. Por isso, internamente, ele considerava uma decisão sábia — mas não era bem assim: os superiores insistiam para que ele competisse, e era Jaekyoung quem se recusava categoricamente.
Bem, se ganhassem uma medalha no revezamento, sairiam quatro medalhistas de uma só vez, e a federação jamais abriria mão disso de bom grado. Deviam ter pressionado com o velho discurso de que, se apenas Jaekyoung se sacrificasse, três colegas seus garantiriam a medalha — questionando se ele não era capaz de fazer sequer isso. Quando a federação empurra desse jeito, o atleta normalmente não tem como resistir. Justamente por ser o Jaekyoung é que ele conseguia recusar e peitar a situação; se fosse qualquer outro atleta, haveria grandes chances de competir a contragosto, arruinar o próprio condicionamento e ainda colocar em risco a medalha de sua prova principal. De fato, a cada Olimpíada surgiam denúncias com o mesmo enredo, independentemente da modalidade.
— A federação é… assim mesmo. Dizem que é pelos atletas, mas no fim o objetivo é usar esses atletas para encher a própria barriga.
Jiheon murmurou e apertou o botão de partida do carro. Assim que o motor pegou, ele falou com uma voz propositalmente animada: ”
— Mas de qualquer forma, hoje eu estava preparado para ficar preso lá ouvindo de tudo, mas graças a você, Jaekyoung, eu escapei rapidinho. Obrigado.
Jiheon falou estendendo a mão sem pensar e afagando a nuca de Jaekyoung. No instante seguinte, os ombros de Jaekyoung se encolheram num sobressalto. Jiheon, sem jeito, retirou depressa a mão.
— Então, onde você combinou de encontrar o seu amigo?
Perguntou logo em seguida, segurando o volante. Jaekyoung tirou lentamente o celular do bolso da calça.
— Na estação Gangnam.
— Ah, sério?
O quê, disse Jiheon rindo com uma expressão de desânimo.
— Se era em Gangnam, teria sido mais rápido pegar um táxi lá em Banpo.
— Deixa. Já viemos até aqui.
Jaekyoung falou apoiando o cotovelo inclinadamente no batente da janela. Nessa posição, pousando o queixo no dorso da mão e lançando o olhar para além do vidro, ele acrescentou:
— Basta considerar que foi um passeio de carro.
Diante daquele absurdo, Jiheon riu ao sair do estacionamento. 《 “Passeio uma ova. Ir de Jamsil a Yongsan em plena tarde de dia útil, que passeio que nada. Ainda bem que hoje o trânsito estava tranquilo; se estivesse congestionado, seria um teste de paciência. E, ainda por cima, por passarem no escritório da federação, ele passou por uma situação desconfortável que nem precisava ter passa…”
— Jaekyoung.
Jiheon chamou Jaekyoung sem se dar conta. Em vez de responder, Jaekyoung virou a cabeça e olhou para ele.
— Será que você…
《 “Será que você veio até aqui de propósito? Com medo de que na federação me falassem algo desagradável? Para se meter no meio e impedir?”
Ele quase disse isso. Mas, felizmente, o pensamento parou pouco antes de virar som. Porque ele percebeu que era impossível.
Isso, era impossível. Não era qualquer pessoa: era Jaekyoung, aquele Kwon Jaekyoung, e não havia como ele fazer tanto por outra pessoa. Ainda mais se essa outra pessoa fosse ele…
— Será que eu o quê?
Jaekyoung perguntou de forma atravessada.
— Ah… não. Era para perguntar se é aquele amigo com quem você falou ao telefone agora há pouco que você vai encontrar.
Jiheon se apressou em disfarçar.
— É esse mesmo.
Jaekyoung falou, ainda com o braço apoiado no batente da janela.
— É mesmo? E que tipo de amigo é?
Só depois de perguntar é que pensou “ops”. Lembrou-se tardiamente de que já fizera uma pergunta parecida antes e ouvira de Jaekyoung: “Um amigo que você não conhece”.
Provavelmente ele vai dizer algo parecido. Enquanto se preparava de antemão para o vexame, sabe-se lá por que motivo, dessa vez Jaekyoung respondeu de bom grado:
— Ele se chama Cha Seonghyeon.
Mais do que o fato de Jaekyoung ter respondido com docilidade, o que surpreendeu Jiheon foi o conteúdo da resposta.
— Cha Seonghyeon? O ator?
— Você conhece?
— Como não conheceria? Você teve um escândalo com ele.
Diante da fala de Jiheon, só então Jaekyoung fez uma expressão de “ah, foi mesmo?”. Diante daquela reação insensível, como quem ouve falar de outra pessoa, Jiheon não conseguiu conter o desconcerto. Ele apenas achava impressionante que um sujeito daqueles também namorasse.
Não me diga que ele fica assim indiferente até quando está com o namorado. Jiheon o observou de relance com uma expressão séria, mas logo percebeu que aquilo era impossível.
《 “Você nem imagina como eu me sinto todos os dias, hyung.
Afinal, ele estava rindo com aquele rosto e falou como quem suspira, com uma expressão que ele nunca vira na vida.
Ele se perguntava com quem diabos ele estaria falando para que justamente Kwon Jaekyoung fizesse uma expressão daquelas. Ficara curioso sobre quem fazia ele exibir aquela expressão e dizer aquelas coisas — e, inesperadamente, a resposta era óbvia.
Então era isso. Era o namorado.
Naquele instante, sem que houvesse tempo para conter, o riso saiu.
— O que foi?
Jaekyoung perguntou franzindo o cenho. Queria dizer: por que está rindo?
— Nada, coisa minha.
Jiheon falou, ainda rindo.
Ele se sentia estranho de alguma forma. Jaekyoung namorando. Aquele moleque que só era comprido de altura, namorando.
É claro que ele sabia que agora ele era adulto, mas, talvez pela impressão da infância ser forte demais, era esquisito e irreal. Por isso ele se surpreendia toda vez que se deparava com notícias de escândalo e, quando saíam os desmentidos, sempre pensava 《 “eu sabia. Não tinha como ele já estar namorando”.
Mas, na verdade, ele estava namorando mesmo. E ainda por cima ardorosamente, a ponto de derramar açúcar por todo lado.
Pensando bem, ele tinha sido ingênuo demais. Justo ele, que trabalhava escrevendo matérias de entretenimento e acabava acreditando ao pé da letra no que saía na mídia. Jaekyoung podia até ser atleta, mas o outro era um artista. Só porque estavam namorando, não significava que iriam admitir isso publicamente. Quem responderia “sim, estamos namorando” tão facilmente? O mais natural era negar tudo de forma categórica.
《 “Isso… tinha que ser assim.”
Jiheon murmurou baixinho. Então, para não perder o sinal verde, acelerou o carro e disse:
— Seja como for, tome cuidado para não ser fotografado.
— E daí se me fotografarem? Eu não sou artista.
— Jaekyoung respondeu com rispidez.
— Você não é, mas o outro é. Se vocês não pretendem assumir o relacionamento publicamente, o mínimo é tomar o máximo de cuidado.
— Namoro público?
Jaekyoung arregalou os olhos e perguntou imediatamente:
— De quem? Eu e aquele hyung?
— Então de quem mais seria?
— Não, se a gente nem namora escondido, que namoro público é esse?
Diante do que Jaekyoung murmurou como se aquilo fosse um absurdo, Jiheon disse “ahn?” e olhou para ele.
— Vocês não têm esse tipo de relação?
Em vez de responder, Jaekyoung ficou observando Jiheon fixamente e devolveu a pergunta:
— Você está perguntando agora como meu agente?
— Hmm, bom, tecnicamente… é mais ou menos isso, né?
Jiheon respondeu em tom ambíguo. O motivo de não conseguir afirmar com clareza era que ele mesmo estava confuso. Aquilo era uma pergunta profissional ou pessoal? Mas, fosse qual fosse a verdade, dada a personalidade de Jaekyoung, parecia que só dizendo que era parte do trabalho ele abriria a boca. Foi por isso que ele falou assim mas…
— Então não vou falar.
Diante da reação exatamente oposta, Jiheon sem querer elevou a voz:
— O quê? Por quê?
— Está expressamente escrito no contrato que vocês não têm o direito de interferir na minha vida privada, a menos que seja algo capaz de prejudicar a minha carreira.
Era uma expressão de “foram vocês que redigiram e já esqueceram?”.
— Ah, bom, isso é verdade.
Jiheon murmurou com o rosto sem graça. Queria retrucar alguma coisa, mas não tinha o que dizer.
No fim, depois de refletir, Jiheon voltou a abrir a boca:
— E se for uma pergunta pessoal?
— E por que você perguntaria isso pessoalmente?
《 “…Esse desgraçado!”
— Ei, você só não quer falar, né? — Jiheon riu, achando aquilo absurdo —. Se não quer falar, não fale. Também não é assunto que você seja obrigado a falar.
Eu também não pergunto mais. Jiheon falou girando o volante.
Como se estivesse esperando exatamente por aquelas palavras, Jaekyoung fechou a boca. Ele ficou um bom tempo olhando apenas para fora da janela, em silêncio. E então, depois de um tempão, soltou:
— A gente não tem esse tipo de relação.
Diante daquilo do nada, Jiheon olhou para Jaekyoung com uma expressão de “ahn? O quê?”. E, percebendo tardiamente que era sobre a relação com Cha Seonghyeon, soltou um “ah”.
— Vocês não estão namorando?
— Não.
Jaekyoung respondeu brevemente. E ainda fez questão de acrescentar:
— De jeito nenhum, jamais.
Jiheon ficou um pouco surpreso. Porque era a primeira vez que via Jaekyoung negar algo com tanta veemência. O Jaekyoung que Jiheon conhecia era assim: pouco importava que mal-entendido os outros tivessem, era uma personalidade que preferia não dizer nada a fazer questão de se explicar.
E justo esse Jaekyoung negar com tanto empenho, chegando a usar a palavra “jamais”. Como negação enfática é afirmação, chegava a levantar a suspeita de que estivessem namorando de verdade.
Mas, dada a personalidade de Jaekyoung, parecia que ele não contaria uma mentira tão óbvia.
Será que eles nem chegam a ser namorados? Talvez tenham uma relação ambígua — mais do que amigos, mas menos do que um casal. Ou será que são apenas parceiros de cama…? Mas, se fosse só isso, por que Jaekyoung fez aquela expressão enquanto falava ao telefone? Então… será que a outra pessoa não sente o mesmo? Será que é só Jaekyoung quem gosta dele?
Sem poder perguntar, ficando apenas nas suposições, todo tipo de pensamentos lhe passavam pela cabeça. Enquanto Jiheon escrevia com afinco toda sorte de novela barata na cabeça, de repente Jaekyoung abriu a boca:
— Hyung…
Diante daquele chamado repentino, Jiheon, sem se dar conta, ficou totalmente tenso e esperou as próximas palavras de Jaekyoung.
— E você está saindo com alguém agora?
《 “Viu só.”
Jiheon acabou dando uma risadinha. Sempre que Jaekyoung o chamava com “hyung…”, vinha em seguida algo que ele jamais previa. E, ainda por cima, com um tema nada agradável do ponto de vista de Jiheon.
Ainda assim, aquilo era uma pergunta perfeitamente cabível naquela situação. E o próprio fluxo da conversa apontava nessa direção.
— Não estou.
Jiheon falou com sinceridade.
— Por quê?
— Como assim por quê? Não estou porque não estou.
Quando Jiheon falou rindo, Jaekyoung, ainda com o braço apoiado inclinadamente no batente da janela, disse:
— Você disse que antes tinha namorado.
— Isso, na época da faculdade eu tinha. Mas agora…
Jiheon balançou a cabeça.
— Não tem nem alguém de quem você goste?
— Não tenho.
— Que sem graça.
— Pois é.
Jiheon falou, ainda sorrindo.
A luz do semáforo mudou de amarelo para vermelho. Jiheon parou o carro bem em frente à faixa de pedestres. As pessoas começaram a atravessar todas de uma vez. Olhando para as inúmeras pessoas que se cruzavam à sua frente, Jiheon disse:
— Acho que nunca gostei de ninguém. Na época de estudante também, quando a outra pessoa dizia primeiro que gostava de mim e me pedia em namoro, eu dizia “está bem, vamos namorar” e namorava.
Talvez fosse por isso que nenhum de seus relacionamentos durava muito tempo. Mesmo quando começava a namorar sem ter sido ele quem se apaixonou primeiro, no início sempre sentia aquele frio na barriga. À sua maneira, fazia o possível para tratar bem a outra pessoa, mas era só até certo ponto.
Havia uma distância entre eles que, por mais que tentasse, nunca conseguia diminuir. Sentindo-se culpado por isso, esforçava-se ainda mais para ser um bom namorado, mas, no fim, acabava ouvindo o pedido de término.
Foi só depois de passar por isso repetidas vezes e perceber que todo aquele esforço era em vão que concluiu que simplesmente não era o tipo de pessoa feita para um relacionamento romântico.
— É uma vida sem graça.
Jiheon murmurou fitando a multidão do lado de fora.
Logo em seguida ouviu-se a voz de Jaekyoung ao lado:
— Sem graça é melhor.
Jiheon virou a cabeça e olhou para Jaekyoung. Jaekyoung olhava para a frente. Assim como Jiheon momentos antes, Jaekyoung também olhava para as pessoas do outro lado do vidro.
— É melhor ser sem graça do que sofrer e se torturar por gostar de alguém.
Era exatamente o tipo de coisa que Jaekyoung diria. Fazia muito mais sentido ouvi-lo dizer aquilo do que fazer um discurso exaltando o amor. Era uma frase tipicamente dele.
Mesmo assim, para Jiheon, que até poucos segundos antes estava escrevendo uma novel romântica cheia de clichês, foi impossível não se deixar levar pela imaginação.
《 “…Será que ele está mesmo sofrendo por um amor não correspondido?”
Assim que esse pensamento lhe ocorreu, a cena que havia presenciado mais cedo ganhou um significado completamente diferente.
Ele tinha dito que o outro não fazia ideia de como ele se sentia todos os dias. Será que, no fundo, queria dizer: “Você não faz ideia do quanto eu estou sofrendo”?
E aquele sorriso também…
Não parecia mais um sorriso de pura satisfação. Havia nele um toque de resignação e autodepreciação. Foi por isso que Jiheon o havia interpretado como a tranquilidade de um homem maduro e bem-sucedido. Mas, pensando agora, talvez não fosse pose alguma. Talvez aquele sentimento fosse genuíno.
— …
Teria sido bom se ele pudesse dizer alguma palavra de consolo, mas, não conhecendo direito a situação, era complicado abrir a boca precipitadamente. Por outro lado, mudar de assunto também não dava, pois o humor de Jaekyoung estava tão baixo que ele reagiria de forma afiada a qualquer coisa. Enquanto hesitava, perdeu o momento e, no fim, Jiheon não conseguiu dizer nada até chegarem a Gangnam.
Ainda assim, ao chegarem a Gangnam, no processo de procurar o local do encontro, deu para trocar algumas palavras naturalmente.
— Ele pediu para eu ir direto ao Index; você sabe onde é?
— Sei. É perto da loja de departamentos. Ali.
Quando disse que talvez chegassem um pouco atrasados por causa do trânsito, Jaekyoung falou como quem não se importa:
— Ele espera, não tem problema.
— Mesmo assim vou tentar chegar logo.
Ele disse aquilo, mas chegar lá não foi tão simples. Como já estava perto do fim do expediente, as ruas estavam tomadas por carros e pedestres. Por causa do trânsito, Jiheon só conseguiu chegar ao local combinado quase vinte minutos depois de entrar em Gangnam.
— Aliás, você não tinha sessão de fisioterapia hoje?
Jiheon, que estacionava o carro em frente ao prédio, se lembrou tardiamente e perguntou.
— Mandei mensagem mais cedo. Dizendo que hoje não vou conseguir.
Então não era um compromisso originalmente marcado, e sim um encontro combinado de repente.
— Não é que eu faça porque esteja com dor; é só porque dizem que é bom. Posso faltar.
Jaekyoung falou pegando o boné que havia pousado sobre o painel.
— Tudo bem… Você vai beber?
Ao ouvir a pergunta de Jiheon, Jaekyoung, que já estava colocando o boné, parou o movimento e olhou para ele como se tivesse ouvido um absurdo.
— Você vai se meter até nisso?
— Não é isso. Pode beber, só não exagere. Você já não estava muito bem hoje e acabou fazendo só musculação, não foi? Amanhã precisa treinar direito.
— Não foi por isso que eu faltei ao treino hoje.
— O quê?
Quando ele ia perguntar por que então tinha faltado, alguém bateu — toc, toc — no vidro do carona pelo lado de fora. Jiheon olhou instintivamente para o lado de onde vinha o som. Um homem bonito a ponto de os olhos saltarem estava colado ao vidro do carona, acenando com a mão. Era Cha Seonghyeon.
— Ah, francamente.
Jaekyoung estalou a língua e baixou o vidro.
— Por que você está aqui? Podia esperar lá dentro.
— É que eu queria te ver logo, então vim te buscar.
Cha Seonghyeon falou sorrindo. Ao contrário da aparência intelectual e serena, o jeito de falar transbordava dengo. Mas, sendo aquele rosto, nem se prestava atenção ao jeito de falar. Ele até usava uma espécie de chapéu absurdo, sabe-se lá se para disfarce, e nem isso incomodava. Só se via o rosto.
— Não venha com essa.
Jaekyoung falou irritado e desceu do carro. Só por aquela atitude, não parecia nem um pouco, nem um pouquinho, que ele estava diante de alguém por quem tinha um amor não correspondido. Pelo contrário, chegava a parecer mais mal-humorado do que de costume.
《 “Será que ele está agindo assim porque ficou sem graça com a minha presença? Será que, justamente por eu estar aqui, está fingindo ainda mais que não existe nada entre eles?”
Mal esse pensamento lhe passou pela cabeça, Cha Seonghyeon deu um tapinha no braço de Jaekyoung, que acabara de descer do carro, e comentou:
— Nossa, hoje você está especialmente frio. É porque o senhor empresário está aqui?
《 “Então era isso mesmo.”
— Acho melhor o senhor ir embora logo.
Jaekyoung falou em tom de brincadeira, como se estivesse tentando expulsar Jiheon dali. Cha Seonghyeon riu.
— Hã? Por quê? Eu gosto quando o Jaekyoung fica todo sem jeito.
— Já que o senhor veio até aqui, quer comer alguma coisa com a gente?
— Para com isso.
Antes mesmo que Cha Seonghyeon terminasse de falar, Jaekyoung o interrompeu. O tom de voz e a expressão eram tão ríspidos que Jiheon quase se sentiu ofendido.
《 “Mesmo que você não dissesse isso, eu não iria com vocês.”
Resmungando mentalmente, Jiheon ligou o carro novamente.
— Eu até gostaria, mas preciso voltar direto para o escritório.
— Ah, é? Que pena.
Cha Seonghyeon falou com um lamento sincero. Jaekyoung segurou o braço dele, como quem manda parar. Cha Seonghyeon olhou para Jaekyoung achando aquilo divertido e, em seguida, acenou para Jiheon e disse:
— Então, senhor, vá com cuidado e da próxima vez vamos comer juntos, sem falta.
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Para melhor entendimento durante a leitura:
《Pensamento》
[Telefone]
「Fala da tv ou narrador」
*Escrita*
⊹ ࣪ ⋆。𖦹⋆.Continua…﹏⊹ ࣪ ˖
◆ Tradução e Raws: Belladonna, Revisão: Nat ◆