Capítulo 02.7
𓆝 ⋆。𖦹°‧ Capítulo 2.7
— É a Sportsin, certo?
Talvez porque ele tivesse avisado antes, o zelador do prédio perguntou assim que Jiheon abriu a janela do motorista. E, antes que Jiheon pudesse corrigir dizendo “Spoin”, indicou o estacionamento de visitantes.
— Você não vai entrar mesmo?
Estacionando o carro e descendo, Jiheon perguntou a Jaekyoung mais uma vez.
— Não vou.
Jaekyoung falou sem nem olhar para Jiheon. Com o boné enfiado na cabeça e os braços cruzados, aquela postura era de quem pretendia tirar um cochilo enquanto esperava.
— Está bem. Eu também vou só cumprimentar e volto logo. Se acontecer alguma coisa, me ligue.
Após a recomendação, Jiheon fechou a porta do motorista.
Ao entrar na casa acompanhado por uma funcionária, o presidente Cho, que devia estar esperando, o recebeu com alegria. Assim que viu o cartão de visita que Jiheon lhe estendeu, ele demonstrou reconhecer, dizendo: “Ah, sim, a Spoin!”.
— Como é o nome do presidente de vocês? Isso, Kang Taejin! Eu vi esse Kang na época em que era atleta. Não sei se jogava bem vôlei, mas me lembro que era bonito.
O presidente Cho falava e ria alto das próprias palavras. Presidente de uma famosa construtora nacional, ele mantinha um porte imponente e uma voz retumbante mesmo perto dos setenta anos.
— Vejo que o nosso gerente Jeong Jiheon também é ex-nadador. Ouvi dizer que foi medalhista em Mundial; que o destino tenha se cruzado de novo assim, e agora você vai ajudar o trabalho de um nadador mais novo.
Diante da fala do presidente Cho, Jiheon assentiu com um “sim” e baixou a cabeça.
— Como sou abençoado com boas pessoas, tenho agora a chance de ajudar o nosso atleta Kwon Jaekyoung.
— Isso, faça um bom trabalho. O Kwon Jaekyoung é bom, é sim, mas na mesma medida é difícil de lidar. Você vai sofrer um pouco.
O presidente Cho riu com gosto. Diante daquela fala carregada de segundas intenções, Jiheon, com a consciência pesada, pigarreou baixinho e disse:
— Teria sido bom se o atleta Kwon Jaekyoung pudesse ter vindo cumprimentá-lo junto, mas faltam apenas um mês e meio para a competição.
Quando ele disse que era época de se concentrar no treino e ele não parecia ter folga, o presidente Cho fez que não com as mãos, dizendo “deixa, deixa”.
— Não é para receber o cumprimento daquele moleque que eu presido a associação de apoio. Em vez de vir aqui cumprimentar, que ele dê mais uma volta na piscina e melhore o tempo. Isso é a melhor retribuição. Cumprimento, ora; basta eu dar cem mil wones de dinheiro de ano-novo para cada um dos meus netos que eu recebo cumprimentos o dia inteiro.
O presidente Cho falou como se não se importasse. No começo Jiheon achou que aquele senhor estava sendo irônico por não superar o rancor de ter levado um belo fora de Jaekyoung, mas, pelo tom e pela expressão, não parecia ser bem isso. Parecia sinceramente não se importar.
Só com aquela breve conversa, Jiheon já achava que entendia mais ou menos a personalidade do presidente Cho. Em uma palavra, era fogoso. Um senhor fogoso e franco. E foi por isso que ele decidiu patrocinar Jaekyoung antes mesmo de ele ganhar medalha em competição internacional, só ao saber que ele havia estabelecido um recorde nacional na seletiva interna.
Além de Jaekyoung, o presidente Cho patrocinava um ginasta e um atirador esportivo. Era alguém que escolhia patrocinar apenas promessas de modalidades pouco populares, um dos maiores investidores daquele meio. E também um empresário entre os empresários.
— Como estamos entre nós, eu digo: o esporte também é tudo negócio. Não é diferente por eu estar na posição de patrocinador. Ah, por isso eu só patrocino atletas com potencial. Quando esses atletas competem vestindo roupas com o logo da nossa empresa e ganham, isso é publicidade e divulgação.
O que o presidente Cho queria dizer era evidente.
—E também dinheiro de patrocínio não dá em árvore, então tratem de convencer o Jaekyoung a competir nas Olimpíadas do ano que vem. Façam ele ir às Olimpíadas de qualquer jeito. Ele tem que receber a medalha da Ordem do Dragão Azul, não é? A pontuação daquele moleque já ultrapassou faz tempo, mas o pessoal da federação empacou e por isso ele ainda não recebeu. No começo enrolaram dizendo que ele era muito novo e nem indicaram como candidato; depois, que só dava para indicar com dignidade se ele conquistasse o Grand Slam, e não sei o quê. Loucos! E agora, de novo, que o critério de pontuação mudou e ele precisa ser bicampeão olímpico, e não sei o quê. Ah, e por que não indicaram antes, então? De qualquer forma, não fazem nada direito e só pensam em sugar a medula dos atletas.
Depois de xingar a federação com gosto, a conclusão a que o presidente Cho chegou foi: “então, de qualquer forma, façam o Jaekyoung ir às Olimpíadas”. Era exatamente como Jaekyoung dissera. Fosse o que fosse, era Olimpíadas incondicionalmente. Pelo visto, ele havia deixado bem claro em todo lugar que se aposentaria assim que conquistasse o Grand Slam, então provavelmente, por um tempo, aonde quer que fosse, todos falariam apenas de Olimpíadas.
Quando Jiheon voltou ao estacionamento, Jaekyoung estava no banco do carona conversando ao telefone com alguém. Talvez por estar com o boné bem enfiado, ele pareceu não perceber que Jiheon havia voltado. Graças a isso, assim que abriu a porta do motorista, Jiheon pôde testemunhar uma cena bastante surpreendente.
— Não é tão bom quanto você imagina. Você nem imagina como eu me sinto todos os dias, hyung.
Jaekyoung falava, excepcionalmente, com um sorriso tênue nos cantos da boca. Embora a voz fosse ríspida e o jeito de falar, aos arrancos, não fosse diferente do habitual, os lábios levemente visíveis sob a aba do boné desenhavam nitidamente uma curva suave.
Aquilo era menos um riso de puro prazer e mais um sorriso autodepreciativo, mas, combinado com a fala meio manhosa de Jaekyoung, que raramente demonstrava fraqueza, acabava soando apenas como a manha de um homem cheio de segurança.
Aquilo foi um choque considerável para Jiheon. Porque, até então, para ele Jaekyoung tinha a imagem de uma criança grande que só havia crescido de corpo. E, provavelmente, isso se devia em grande parte à expressão obstinadamente inexpressiva e ao jeito ríspido de falar. E, no entanto, ele era capaz de exibir um lado tão adulto assim, de dar um sorriso tão masculino.
Mas, assim que Jiheon abriu a porta do motorista, aquele sorriso desapareceu e Jaekyoung, com o rosto inexpressivo de sempre como se nada tivesse acontecido, disse ao interlocutor:
— Vou desligar. Me ligue de novo depois.
Jaekyoung guardou o celular no bolso da calça e disse a Jiheon:
— Você voltou rápido.
— Eu disse que ia só cumprimentar e voltar.
Jiheon falou enquanto sentava no banco do motorista.
— O presidente Cho é bem intenso mesmo.
Quando ele falou isso colocando o cinto, Jaekyoung disse, de forma bastante carregada de segundas intenções:
— É digno de um presidente de conglomerado.
— Então, para onde em Itaewon eu vou?
— O local do encontro mudou. Meu amigo disse que entra em contato, então, por enquanto, vá para onde você precisa ir.
— É mesmo? Então vou direto para o escritório da federação?
Em vez de responder, Jaekyoung assentiu com a cabeça, tirou o boné e o pousou sobre o painel. E, ao passar a mão pelo cabelo por hábito, aquela imagem, naquele dia especialmente, pareceu extremamente estranha. Como dizer, tinha um ar particularmente adulto. O perfil esculpido e o gesto indiferente eram como sempre, mas era estranhamente másculo.
Provavelmente era o efeito daquela expressão desconhecida que ele acabara de ver.
Ao evocar a imagem de Jaekyoung sorrindo quase imperceptivelmente com o celular na mão, Jiheon sentiu de novo uma sensação curiosa.
《 “Então é isso. Esse moleque também faz esse tipo de expressão, dependendo de com quem está.”
Talvez por ser um lado que ele jamais imaginara, não lhe ocorreu pensar que ele tratava as pessoas de forma diferente; achou apenas curioso. Aproveitando o embalo, Jiheon perguntou a Jaekyoung:
— Aliás, com quem você estava falando ao telefone agora há pouco?
Jaekyoung olhou para ele com uma expressão de “por que você quer saber?”.
— Não, é que você parecia estar se divertindo muito. Fiquei curioso sobre quem seria.
— Alguém que você não conhece.
Jaekyoung falou brevemente e pegou o boné que jogara sobre o painel. Enfiou-o de novo na cabeça e, assim que se recostou no banco do carona, cruzou os braços. Queria dizer: é chato, então não fale mais comigo.
《“Está bem, se não quer falar, deixa para lá.”
Jiheon também decidiu não insistir. 《 “Para começar, quem errou fui eu, que perguntei uma coisa dessas.” 》 Refletindo com afinco, ele decidiu se concentrar apenas na direção.
A distância de Banpo a Yongsan, contando só o tempo de percurso, era quase igual à distância de Jamsil a Banpo. Mas, na sensação, pareceu muito mais curta do que a distância de Jamsil a Banpo.
É claro que Jiheon sabia o motivo. Era porque o lugar para onde iam agora era nada menos que o escritório da federação.
Jiheon sempre se sentiu desconfortável com o pessoal da federação de natação. Como dissera o presidente Cho, eram sujeitos que não faziam nada, mas se metiam até morrer. As disputas de facções eram especialmente severas: exigiam que os atletas contratassem obrigatoriamente técnicos formados pela Universidade Nacional de Esportes e, ao menor sinal de recusa, além de esbravejarem, ainda ameaçavam abertamente dizendo que poderia haver prejuízos. E, quando o atleta amedrontado acabava aceitando a opinião da federação, só então diziam “muito bem”, “fizemos tudo isso pensando em você”, “só nós nos preocupamos com os atletas” e por aí vai, tirando todo o mérito para si.
E a agência que essa mesma federação empurrava para Jaekyoung, dizendo que recomendava ativamente, era justamente a Kava. Como havia recebido algo deles, pelo visto se esforçaram ao máximo para concretizar o contrato, e a Spoin veio no meio e arrebatou tudo; como não nos odiariam? É claro que, antes disso, o contrato com a Kava já havia desandado, mas isso não era da conta da federação. A essa altura, aquelas pessoas já deviam estar plenamente preparadas para criticar a Spoin, que, sem ter a capacidade da Kava, sem conhecer o próprio lugar, havia fisgado Kwon Jaekyoung. Ou seja, aquilo era ir cumprimentar só no nome; falando abertamente, era o mesmo que ir levar bronca.
— …
Com medo de que Jaekyoung percebesse aquela inquietação, Jiheon engoliu à força o suspiro que escapava. Quando ele já havia engolido uns catorze suspiros, o carro finalmente chegou ao destino.
Ao estacionar, Jiheon olhou no retrovisor e conferiu as roupas. Enquanto ajeitava mais uma vez o cabelo para não dar margem a críticas e se preparava para descer, de repente Jaekyoung soltou o cinto e desceu primeiro do carro.
— O quê? Você também vai?
Quando Jiheon, surpreso, perguntou ao descer tardiamente do carro, Jaekyoung falou brevemente:
— Já que estou aqui.
E então começou a caminhar à frente com aquelas pernas longas, a passos largos.
《 “O que é isso? Ele nem quis encontrar o presidente. Será que tem alguém próximo na federação?”
Achando aquilo estranho, Jiheon ainda assim seguiu Jaekyoung e entrou no prédio.
O escritório da federação ficava no segundo andar. Ao encontrar o lugar com a placa da Federação Coreana de Natação, bateram e entraram, e o funcionário administrativo que estava sentado à mesa se levantou com uma expressão de susto.
— Somos da Spoin. Temos um compromisso marcado com o vice-presidente às três.
— Ah, sim. Por aqui, por favor.
O funcionário os conduziu à sala da diretoria mais ao fundo, onde estava o vice-presidente, mas não conseguia tirar os olhos de Jaekyoung. Dos lábios entreabertos parecia que iam escapar a qualquer instante frases como “uau, é o Kwon Jaekyoung”, “caramba, ele é bonito mesmo”.
— Vice-presidente, o pessoal da Spoin já está aqui.
Quando o funcionário bateu à porta da sala, ouviu-se de dentro: “ah, mande entrar”. Depois de agradecer ao funcionário, Jiheon mesmo abriu a porta.
— Ah, chegaram?
O vice-presidente falou sentado no sofá de visitas. À sua frente estava sentado um homem que aparentava ter entre trinta e cinco e quarenta anos.
— O que foi, não vai entrar?
— Não, é que achei que os senhores estavam conversando.
— Tudo bem. Entre.
O vice-presidente fez sinal com a mão. Ele, já no telefonema da manhã, assim que soube que Jiheon era aquele Jeong Jiheon, disparara informalmente: *”Ah, sim. Ouvi dizer que você trabalha aí. Tudo bem com você?”*. Dez anos antes eram um dirigente da federação e um jovem atleta e, indo mais fundo, havia uma relação de veterano e calouro remotíssima, então o tratamento informal era natural — mas agora eram, rigorosamente falando, pessoas que se encontravam a trabalho. E ainda por cima em uma reunião entre um agente que representava os direitos de um atleta de nível mundial e um dirigente da federação, para planejar o futuro; aquela atitude estava completamente fora do bom senso.
Não era que o vice-presidente agisse assim por ignorância. Ele também devia saber perfeitamente o quanto a própria atitude era ridícula. Insistir em uma atitude tão desprovida de bom senso mesmo sabendo disso significava, no fim, uma coisa só. Era para tomar a dianteira psicológica nem que fosse daquele jeito.
Ele sabia, mas eram pessoas realmente sem o que fazer. Quando Jiheon, engolindo um suspiro, ia entrar na sala, Jaekyoung, que estava atrás da porta, de repente segurou seu ombro e entrou primeiro.
— O quê, o Jaekyoung veio também?
O vice-presidente exclamou surpreso ao ver Jaekyoung, que apareceu de repente. O homem à sua frente também se levantou desajeitadamente, com o rosto desconcertado.
— Ora, ora, que honra receber uma figura ilustre.
O vice-presidente, no mesmo momento, abriu bem os dois braços para receber Jaekyoung. É claro que Jaekyoung o ignorou. Sem uma única palavra de cumprimento, ele apenas fez um leve gesto com a cabeça e se atirou no assento à frente do vice-presidente. O homem que originalmente estava sentado ali, ainda com o rosto desconcertado, se deslocou discretamente para o lado do vice-presidente.
O vice-presidente baixou discretamente os braços que mantinha bem abertos e, do nada, descarregou em Jiheon:
— Ei, Jiheon, se você vinha com o Jaekyoung, devia ter avisado antes.
Antes que Jiheon pudesse abrir a boca, Jaekyoung falou primeiro, tirando o boné:
— Por quê? Era uma reunião em que eu não podia vir?
— Ai, imagina.
O vice-presidente falou rapidamente e se sentou.
— É que, se eu soubesse que você viria, Jaekyoung, poderíamos conversar durante uma refeição juntos, o que seria bom…
— Não, de qualquer forma eu não tenho tempo para isso.
Jaekyoung cortou a fala do vice-presidente passando a mão pelo cabelo. O rosto do vice-presidente endureceu de imediato. Como aquilo estava prestes a virar gritaria, Jiheon se apressou em se sentar ao lado de Jaekyoung e disse:
— Da próxima vez nós arranjamos uma ocasião. Precisamos fazer uma refeição junto com o pessoal da federação.
Sorrindo, Jiheon pousou discretamente a mão na coxa de Jaekyoung. Felizmente, talvez por ter captado o sinal de que era para não dizer nada, Jaekyoung não abriu mais a boca.
Como o clima já estava uma bagunça, Jiheon, pensando em dizer logo o necessário e sair, inclinou a cabeça sentado no sofá:
— Então, a partir de agora a Spoin vai trabalhar junto com o atleta Kwon Jaekyoung. Achamos que devíamos ao menos vir cumprimentar o pessoal da federação, que se esforçou por ele todo esse tempo, e por isso viemos.
— Sim, bom… daqui em diante vocês vão ter bastante trabalho. Vocês devem saber bem disso.
O vice-presidente murmurou a contragosto. E, ainda com uma expressão de desagrado, olhou para Jiheon e Jaekyoung e, de repente, estalou a língua e disse:
— Mas, vendo o jeito de vocês, eu já estou meio inquieto. Ei? Jiheon — O vice-presidente falou em tom de ameaça.
— A competição está aí na porta e você traz até aqui um atleta que deveria estar treinando a todo vapor? Como se cumprimentar a gente fosse importante a ponto de faltar treino…
— Estamos voltando do treino.
Jaekyoung se intrometeu, cortando de novo a fala do vice-presidente.
— Estamos vindo direto de Gwacheon. O hyung ia me deixar no hotel e vir para cá, e eu é que disse para irmos juntos.
— Ah, era isso.
O vice-presidente murmurou que não sabia disso. E, com um rosto sem graça, olhou para o homem sentado ao lado e riu à toa. O homem também riu desajeitadamente e, como se algo lhe ocorresse de repente, disse a Jaekyoung:
— Mas quanto ao tratamento… o atleta Kwon Jaekyoung chama o gerente Jeong Jiheon de hyung?
— Sim.
Para melhor entendimento durante a leitura:
《Pensamento》
[Telefone]
「Fala da tv ou narrador」
*Escrita*
⊹ ࣪ ⋆。𖦹⋆.Continua…﹏⊹ ࣪ ˖
◆ Tradução e Raws: Belladonna, Revisão: Nat ◆