Capítulo 02.5
𓆝 ⋆。𖦹°‧ Capítulo 2.5
Três dias depois de Jaekyoung assinar o contrato, na manhã de segunda-feira, o contrato de agenciamento de Kwon Jaekyoung foi noticiado simultaneamente por diversos veículos. Assim que a notícia saiu, todas as linhas da Spoin ficaram praticamente paralisadas. Com os contatos da imprensa pedindo confirmação e as diversas solicitações de participação, não só os telefones como também o fax e a caixa de e-mail oficial da empresa estavam a ponto de explodir.
Naquele momento em que quase todos os funcionários do escritório estavam ocupadíssimos atendendo telefonemas, Jiheon estava ocupadíssimo esvaziando a mesa que usava. Ele até dizia que organizava as coisas sempre que sobrava um tempo, mas, depois de três anos de uso, não paravam de aparecer objetos inúteis.
— Gerente Jeong, você vai mesmo? Sério? Sério mesmo?
O assistente-gerente Nam perguntou isso várias vezes e, por fim, pegou uma caixa de grampos — nem o grampeador em si, os grampos, os grampos — que saíra da gaveta de Jiheon, escondeu-a no peito e encenou um sequestro nada convincente, gritando: “Não pode, eu não deixo você ir!”.
— Eu também não quero ir.
Jiheon falou com sinceridade. Desde que entrara naquela empresa, era a primeira vez que falava algo com tanta intensidade, sem um único grão de mentira, com cem por cento de pura sinceridade.
— Que mentira. Pensando bem, é uma promoção, não tem como não gostar. Além disso, agora você vai andar com o Kwon Jaekyoung todo dia; por que não gostaria, por quê?
《 “E é justamente por isso que não gosto” 》 — mas ele não teve como dizer isso.
— Pode ficar com isso, assistente Nam. É um presente de despedida.
Diante da fala de Jiheon, o assistente-gerente Nam logo devolveu a caixa de grampos ao lugar, dizendo: “Ai, deixa pra lá. Não preciso disso, não”.
— Não precisa me dar nada, só não vááá.
Ao ver o assistente-gerente Nam se agarrando abertamente a ele, ficou ainda mais difícil para Jiheon dar o primeiro passo. O assistente-gerente Nam foi o primeiro amigo de trabalho que Jiheon fez ao entrar naquela empresa. Ele havia entrado uns seis meses antes, mas, por terem a mesma idade e o mesmo ano de faculdade, sempre se trataram formalmente. Ainda assim, a formalidade era só na fala; quando conversavam, não havia assunto proibido. Reclamavam do trabalho e falavam mal dos superiores à vontade. Em geral era o assistente-gerente Nam quem falava e Jiheon quem escutava, mas, como muitas vezes só de ouvir o outro xingar já lhe dava alívio, Jiheon gostava das sessões de conversa com o assistente-gerente Nam. O fato de ser o único na empresa a fumar o mesmo cigarro que ele também era reconfortante.
— Vamos nos ver sempre. De qualquer forma continuamos no mesmo terceiro andar.
A equipe de relações públicas e a equipe de gestão estavam ambas sob o escritório de apoio estratégico. Como a equipe de relações públicas pertencia ao departamento de marketing e a equipe de gestão ao departamento de planejamento, os escritórios eram separados, mas, ainda assim, ficavam no mesmo andar, a uma distância de dois passos. Quando disse que provavelmente se veriam na sala de fumantes ou na sala de descanso, o assistente-gerente Nam resmungou:
— Gerente Jeong, agora que você vai para a equipe de gestão, vai ser quase tudo trabalho externo. Você vai aparecer na empresa?
— Provavelmente não muito.
E era por isso que ele não queria. Se pudesse, gostaria de ir trabalhar todos os dias. Não, gostaria de implorar que o deixassem ir ao escritório. Desde que entrara naquela empresa, era também a primeira vez que ir trabalhar no escritório lhe parecia tão desejável.
Mas, do ponto de vista de quem não conhecia a situação, aquilo só soaria como reclamação de barriga cheia. Sabendo disso, Jiheon poupou ao máximo as palavras e se concentrou apenas em empacotar as coisas.
— Então eu vou indo. Muito obrigado por tudo até aqui.
Quando terminou de organizar a mesa, Jiheon inclinou a cabeça em cumprimento ao pessoal do departamento de marketing e deixou o escritório.
Enquanto se deslocava para o escritório do departamento de planejamento carregando a caixa com suas coisas, ele mal conseguia se dar conta da realidade. Fora exatamente na segunda-feira da semana anterior que ele dera uma risadinha de escárnio dizendo que era absurdo, diante da fala do assistente-gerente Nam: “Parece que a nossa empresa vai entrar na disputa pelo Kwon Jaekyoung. Dizem que o diretor Ko disse que vai arranjar um encontro”. E hoje, exatamente uma semana depois, ele se transferia para a equipe de gestão como responsável exclusivo daquele Kwon Jaekyoung. Por mais que se diga que ninguém sabe o dia de amanhã, como aquilo não era assunto de outra pessoa, e sim dele, ele também não conseguia simplesmente rir e achar curioso.
— Oh, gerente Jeong. Deve ter dado trabalho essa mudança.
Assim que entrou no escritório da equipe de gestão, a líder Lee Yujeong o recebeu com alegria. Até pouco tempo antes, talvez por serem de departamentos diferentes, ela era bem reservada; mas, assim que se tornaram da mesma equipe, o tom ficou bem mais próximo.
— Vamos ver. Onde seria bom colocar o gerente Jeong?
A líder Lee falou enquanto olhava ao redor do escritório. Como a equipe de gestão trabalhava quase toda em campo, o número de mesas era grande em relação ao tamanho do escritório. Mesmo sendo responsáveis por campo, era preciso ao menos ter um lugar no escritório, então o esquema era encaixar mesas bem juntas até nos cantos mais escondidos, só para criar lugares.
— Aqui está bom? Por enquanto os dois lados estão vagos, então vai ser prático para empilhar as suas coisas.
A líder Lee procurou, dentre aqueles cantos escondidos, o lugar que ao menos parecia mais agradável e o ofereceu a Jiheon.
— Por mim, ótimo. Vou organizar as coisas já.
— Sem pressa. Você vai ficar sem tempo por agora. Já hoje à tarde vocês precisam ir cumprimentar o presidente da associação de apoio, não é?
— Sim. E acho que também precisamos passar na federação.
— Se você for a todos esses lugares, vai ficar tarde. Depois da federação, vá direto para casa. Não volte para a empresa.
— Para isso tem trabalho demais.
Quando Jiheon falou soltando uma risada parecida com um suspiro, a líder Lee sorriu e disse “tudo bem”.
— Até a equipe exclusiva ser montada, toda a equipe de gestão vai te dar suporte. Então não tente fazer tudo sozinho. Você não dá conta disso sozinho, gerente Jeong.
— Muito obrigado.
Jiheon inclinou a cabeça em agradecimento. O alívio devia estar todo estampado no rosto, pois a líder Lee cruzou os braços e riu alto.
— Deve ser a sua primeira vez em gestão, e logo você fica com um atleta difícil desses. Vai sofrer um pouco.
《”‘Atleta difícil’ queria dizer peso-pesado, ou queria dizer complicado de lidar?”
Provavelmente as duas coisas. No momento em que Jiheon baixou a cabeça com um sorriso amargo, o celular guardado no bolso da calça tocou. Falando no diabo, ele aparece: era justamente a mãe daquele atleta difícil.
— Vi a matéria. Foi a Spoin que escreveu aquilo, não foi?
A senhora Sim falou assim que abriu a porta.
— Sim. Fomos nós que distribuímos o comunicado à imprensa.
— Entendi. De qualquer forma, é ótimo saber que daqui em diante eu não preciso mais me preocupar com isso. Lidar com jornalistas era cansativo demais. Hoje mesmo, assim que a matéria saiu, os jornalistas que têm o meu contato começaram a ligar, e eu mandei perguntarem à Spoin e desliguei.
— A senhora fez muito bem. Daqui em diante nós cuidamos disso.
A senhora Sim assentiu com uma expressão satisfeita e conduziu Jiheon até a sala.
— Você deve ter se surpreendido com o convite repentino para almoçar, não é? Agora somos praticamente da mesma família. Achei que eu deveria oferecer ao menos uma refeição.
Como ela dizia, a mesa já estava posta. Pela apresentação, não era comida comprada, e sim feita à mão. Para Jiheon, que naturalmente esperava comer no restaurante do hotel, foi impossível não se surpreender.
— A senhora que fez?
— Ora, claro que sim. É para receber uma visita. Eu costumo cozinhar de vez em quando.
A senhora Sim falou sorrindo.
— Foi por isso que aluguei uma suíte residencial. Mas, hoje em dia, as suítes residenciais quase sempre têm cooktop, e é meio ruim para cozinhar. Eu prefiro fogão a gás.
Jiheon se sentou no lugar do meio da mesa, conforme a senhora Sim indicou. De perto, mesmo que os tipos de prato não fossem muitos, o cardápio era bastante imponente. Costela cozida, abalone grelhado, sopa de frutos do mar e por aí vai: um cardápio feito só de proteína pura para fortalecer o corpo, digno da mão de uma mãe de atleta.
— O Jaekyoung não tem frescura com comida, mas, morando no exterior, às vezes bate vontade de comer comida coreana, não é? Lá não há tantos restaurantes coreanos e, em vez de pegar o carro e fazer todo aquele caminho, é melhor eu mesma cozinhar.
— Acho que nem em restaurante sairia assim tão caprichado.
Como ainda não havia provado, ele elogiou com afinco ao menos a aparência. De fato, tanto a apresentação quanto o resto passavam a impressão de bastante cuidado.
— É porque são todas comidas que eu costumava fazer para o Jaekyoung. Pensar que, quando ele se aposentar, esse trabalho de bastidores também acaba me dá até uma sensação de alívio.
— Depois que ele se aposentar, a senhora não vai mais preparar as refeições dele?
Diante da brincadeira de Jiheon, a senhora Sim rebateu com outra brincadeira: “Claro que não. Depois que ele se aposentar, o que eu tenho a ver com onde e o que ele come?”.
— Um dos objetivos finais de uma agência é garantir uma vida sem dificuldades ao atleta mesmo depois da aposentadoria. Acho que vamos ter que matriculá-lo em uma escola de culinária já.
— Ai, tanto faz. Que ele ganhe muito dinheiro e compre comida pronta, ou não.Não quero mais saber — disse a senhora Sim fazendo que não com as mãos. No exato instante em que Jiheon caiu na gargalhada diante daquela expressão de repulsa, a porta do quarto interno se abriu e Jaekyoung saiu.
— O atleta Kwon Jaekyoung estava aqui.
Jiheon, que naturalmente achava que ele estaria treinando, se assustou e se levantou, dizendo isso.
— O que é isso, esse jeito de falar?
Jaekyoung, que caminhava em direção à sala, franziu o cenho.
— Isso mesmo. Fale à vontade. Estamos só nós.
A senhora Sim falou rindo e bateu no assento ao seu lado, dizendo para Jaekyoung vir logo se sentar.
— Até o telefonema de manhã ele não tinha dito nada, e há pouco apareceu do nada dizendo que estava cansado e voltou mais cedo. Eu tinha preparado exatamente a quantidade para o gerente Jeong e eu comermos tranquilamente. Por causa disso ainda tive que fazer a sopa de frutos do mar às pressas. Bem, na panela de pressão fica pronto rapidinho.
— Entendo.
Mesmo com ela falando dele bem ao seu lado, Jaekyoung tinha uma expressão de desinteresse. Jiheon perguntou a Jaekyoung, que estava sentado em posição desconfortável, com o corpo enorme curvado por causa da mesa baixa:
— E aí, você não está passando mal nem nada, está?
— Eu me viro, então não se preocupe.
— Jaekyoung.
A senhora Sim repreendeu o filho.
— Quantas vezes eu já disse para você não falar desse jeito?
E, em seguida, ela se virou para Jiheon, do outro lado, e falou com um sorriso constrangido:
— Quando ele diz para não se preocupar, não é em outro sentido; é que ele detesta que se preocupem com ele.
Era comovente o amor materno tentando embrulhar de alguma forma agradável o jeito rude do filho de falar. Jiheon não disse mais nada e apenas assentiu em silêncio.
— Sim, eu sei.
Ao ver Jiheon sorrindo, a senhora Sim soltou um suspiro profundo.
— É que, por dentro, esse menino não é assim, mas ele não tem jeito nenhum com as palavras. Como se diz isso…
— Sinceridade.
Jaekyoung falou enquanto servia no próprio prato o frango da sopa de frutos do mar.
— Você acha que isso é coisa que se diga?
A senhora Sim gritou, como quem não aguenta mais.
— Você chama isso de sinceridade? Do lado de fora as pessoas veem isso como falta de educação. Bastaria falar de um jeito melhor, mais indireto, mas você só fica satisfeito se despejar o que vier à boca, né?
Ao ver a senhora Sim disparando aquilo tudo, Jiheon não conseguiu esconder a expressão de surpresa. Não era à toa: Jiheon acreditava que as habilidades sociais de Jaekyoung eram daquele jeito devido em grande parte ao ambiente familiar. Achava que era certo que, por ser tratado em casa com todo mimo como “o filho brilhante”, ele tinha se tornado assim.
Mas, vendo o clima daquele momento, pelo visto não era bem assim. Pelo tom da senhora Sim, parecia que ela já o havia repreendido e advertido várias vezes por essa questão — e, se mesmo assim ele era daquele jeito, então aquilo era, no fim, um temperamento de nascença. Queria dizer que ele era um sujeito que deixou todas as virtudes necessárias à vida em sociedade dentro da barriga da mãe.
— Ele não era assim antes.
A senhora Sim falou em tom de justificativa.
— Quando pequeno o jeito de falar dele também não era afetuoso, mas ele não era um menino que falava com tanta grosseria assim. Mas ele mudou muito com a natação. Mais precisamente, a partir de quando nos mudamos para Ilsan. Como ele era muito jovem e recebia muita atenção, é natural que as pessoas ao redor demonstrassem muito interesse por ele, não é? Mas, como o gerente Jeong também sabe, aquele meio é… assim, não é?
A senhora Sim olhou para Jiheon com um sorriso amargo. Para pedir concordância, a expressão “meio assim” era excessivamente vaga e abstrata, mas Jiheon parecia entender muito bem o que ela queria dizer. Porque aquilo era, literalmente, um meio “meio assim”.
— A natação a gente faz dentro da água, mas a guerra de verdade era fora da água. Todos observando com os olhos em brasa e, mal alguém se destacava um pouco, todos querem devorá-lo. E, mesmo que por fora tinham que fingir que sorriam, que incentivavam, que torciam; imagine o quanto todos deviam estar entalados por dentro. Depois de despejar um monte de coisas que não sentiam, o que acabavam dizendo era: “cede um pouquinho desta vez”, “fale com o técnico e treine junto com fulano”. E, se você dizia que não dava, xingavam sem mais nem menos. Que ambição, que adianta ser bom sozinho, esse tipo de coisa.
A senhora Sim estremeceu, como se aquilo lhe causasse repulsa. Jiheon compreendia profundamente. Porque ele mesmo, ao se lembrar da atenção distorcida e dos olhares invejosos das pessoas ao seu redor naquela época, ainda ficava com o estômago embrulhado. Quanto mais Jaekyoung, nem era preciso dizer.
— Eu até tinha jeito para lidar com gente, mas ele, que nunca teve habilidade social nenhuma, imagine só.
A senhora Sim falou apontando para o filho sentado ao seu lado. É claro que Jaekyoung tinha uma expressão de que nem se interessava pela conversa da mãe. Desde antes ele se concentrava apenas em desmontar o frango que estava no próprio prato. Inesperadamente, ele parecia preferir a asa à coxa.
— Pouco depois de mudarmos de piscina ele até se comportava com certa educação, mas, quando não aguentou e começou a agir conforme o próprio temperamento, logo começou aquele alvoroço de todo lado dizendo que ele era arrogante e por aí vai. Eu, no fundo, até quis mandar tudo às favas, mas eram pessoas com quem ele teria que continuar cruzando enquanto frequentasse aquela piscina; como fazer isso? Então eu disse ao Jaekyoung que, se era para falar daquele jeito, era melhor simplesmente não responder nada, dissessem o que dissessem. E, a partir dali, ele realmente fechou a boca e não disse mais uma palavra.
《 “Ah, então era por isso.”
Jiheon achou que agora entendia o motivo pelo qual Jaekyoung tratava todo mundo na piscina como invisível.
O conselho da senhora Sim, de que, se não podia falar direito, era melhor não falar nada, podia ser considerado bastante oportuno. O problema é que quem o executou era Kwon Jaekyoung. Normalmente, ao ouvir algo assim, a pessoa refletiria e se esforçaria para agir com mais educação; mas Jaekyoung realmente fechou a boca e não disse mais nada. Pior ainda: mesmo quando o chamavam bem ao seu lado, ele fingia não ouvir e passava direto.
— O melhor de ter ido para a Austrália foi não haver gente daquele jeito, querendo devorar os outros. Lá, como a competição nacional entre eles próprios é acirradíssima, nem prestam atenção em estudantes estrangeiros como ele. E, para começar, a pressão dos pais não é tão forte como no nosso país.
— A natação no nosso país tem um pouco desse problema em especial.
Jiheon falou com um sorriso amargo.
— O problema é que aqui o esporte não funciona como lá. Naquele lugar, as crianças começam a nadar apenas por hobby e, com o tempo, acabam virando profissionais de forma natural. Por aqui, a criança já entra focada em se tornar um atleta desde o início, o que deixa os pais muito ansiosos. Como os competidores são crianças pequenas, o papel dos responsáveis é enorme, criando um ambiente em que os pais acabam sendo arrastados para a competição também. Bem, eu até entendo o pessoal ficar investigando e procurando informações por aí; se estivesse no lugar deles, eu faria o mesmo.
A senhora Sim deu a entender que não estava criticando essa parte. Ela mesma parecia saber que criticar isso seria o equivalente a cuspir no próprio rosto.
— Mas o que eu não consigo aceitar é a mania de inventar mentiras. Além disso, por que tanto interesse na vida de um membro da família que nem tem relação com a natação? Todo mundo sabia perfeitamente que o meu filho mais velho não nadava, mas bastava vê-lo para começarem a fazer perguntas sem fim, a ponto de o menino quase ficar traumatizado.
Era a primeira vez que a senhora Sim falava do filho mais velho. Já que o assunto veio à tona, Jiheon achou por bem perguntar como ele estava e disse “aliás”:
— O Jaejun está bem?
Só depois de falar é que ficou na dúvida: “espera, é Jaejun mesmo? Ou era Jaeyun?” — mas, felizmente, a senhora Sim disse rindo: “Claro. Está bem, sim”.
— Você não sabe o quanto eu fiquei grata por o atleta Jiheon ter cuidado tão bem do nosso Jaejun. Ele tinha acabado de se mudar e não tinha onde se apoiar, então estava passando por um momento difícil. Mas, depois que ficou próximo do atleta Jiheon, ele dizia que esperar na piscina era menos entediante do que antes, e isso me deixou um pouco mais tranquila.
《 “…Eu cuidei tão bem assim dele? Eu só conversei algumas vezes ao passar.”
Jiheon ficou um pouco sem jeito, mas achou que devia ser o alvoroço característico da senhora Sim e não deu importância.
— É que o Jaejun era muito bonzinho e sociável. Eu é que, graças a ele, ficava menos entediado nos intervalos do treino. Ele era esperto, então conversar com ele era divertido.
Afinal, olho por olho, dente por dente, alvoroço por alvoroço. Jiheon puxou todo elogio existente e inexistente para exaltar o filho mais velho da senhora Sim.
— Como ele tem a mesma idade da minha irmã, ele me parecia mesmo um irmão, e eu me afeiçoei.
Enquanto ele falava com toda a naturalidade sobre o filho de outra pessoa — cujo nome, até segundos antes, ele mal lembrava — dizendo que teria sido bom ter um irmão assim e não sei o quê, de repente Jaekyoung pousou os hashis com violência. Pousou os hashis fazendo um “tec” alto, quase como quem bate na mesa, e se levantou.
— O que foi? Já terminou de comer?
A senhora Sim perguntou com uma expressão de espanto, mas Jaekyoung não respondeu.
— Ai, francamente.
Só depois que Jaekyoung entrou no quarto e fechou a porta é que a senhora Sim soltou um suspiro profundo. “Esse menino ainda faz isso.” Murmurando como quem fala sozinha, ela logo se desculpou com Jiheon, com o rosto constrangido:
— Desculpe. O Jaekyoung é muito do contra.
— Imagina.
Enquanto Jiheon pensava em o que mais dizer numa situação daquelas, a senhora Sim falou primeiro:
— Você vai ver depois nos documentos relacionados, mas faz um tempo que eu me divorciei do pai deles.
— Ah, entendo.
— Sim. Faz uns cinco anos? Nos separamos pouco depois de o Jaekyoung começar a treinar na Austrália.
Era coisa comum naquele meio. Para ter sucesso como atleta, inevitavelmente um dos pais precisava abandonar o próprio sustento e acompanhar o filho. Especialmente nas modalidades pouco populares, com infraestrutura interna deficiente, o treino no exterior era inevitável, e nesse processo havia mais atletas do que se imagina que passavam pelo divórcio dos pais ou pela dissolução da família.
— O mais velho foi com o pai e a gente só se fala por telefone de vez em quando. O Jaekyoung… é vergonhoso dizer, mas ele nunca se deu bem com o irmão. Depois do divórcio, parece que quase não se falam mais.
— Entendo…
Ele falou como se não soubesse, mas na verdade não era tão surpreendente. Pelo comportamento dele na piscina naquela época, se dissessem que justamente Kwon Jaekyoung era próximo do irmão, isso sim seria mais curioso.
— Deve ter sido difícil para a senhora cuidar sozinha do atleta Jaekyoung todo esse tempo em terra estrangeira.
— Que nada. Se tivéssemos continuado na Coreia teria sido, mas na Austrália não houve nada de difícil. Tirando a barreira do idioma, era muito melhor do que na Coreia— disse a senhora Sim rindo.
— O que mais cansa os pais que sustentam um filho atleta é quando os resultados não vêm e quando o filho se machuca; e o Jaekyoung nunca me deu trabalho com esse tipo de problema. Na Coreia ele já ia bem, mas depois que foi para a Austrália os tempos foram encurtando sem nenhum retrocesso, e até para mim, que acompanhava, era animador. Quanto aos custos de treino… bem, apesar do divórcio, o pai assumiu a pensão com muita responsabilidade, então também não precisei me preocupar com isso.
Pelo que se ouvia dizer, a família paterna de Jaekyoung era bastante rica. A família materna era de educadores, e a senhora Sim também trabalhou brevemente como professora de ensino fundamental II antes de se casar. Se a família inteira era de educadores, deviam pertencer razoavelmente à classe média, mas a senhora Sim se apegava especialmente aos ganhos do filho. Ouvindo a conversa, parecia haver alguma influência de uma preocupação com a família do ex-marido.
— Sinceramente, quando o contrato com a Kava desandou, achei que estava tudo perdido; sei o quanto é bom termos fechado com a Spoin.
Assim que o contrato foi firmado sem problemas, a senhora Sim, sem mais aquele jogo de empurra, passou totalmente ao modo de cooperação com a Spoin.
— Além disso, o Jaekyoung disse que vai fazer as publicidades conforme forem aparecendo. Tudo isso graças ao atleta Jiheon, quer dizer, ao gerente Jeong.
— Imagina. O que foi que eu fiz?
— Ai, não diga isso. Se não fosse o gerente Jeong, o Jaekyoung jamais teria fechado com a Spoin.
Diante da fala da senhora Sim, Jiheon estremeceu por um instante. O que isso quer dizer? Será que a mãe de Jaekyoung sabe do conteúdo do termo que eu escrevi?
Sem coragem de perguntar, ficou apenas movendo os olhos, e a senhora Sim falou primeiro:
— Ora, não é? Se não fosse o gerente Jeong, o Jaekyoung sequer conheceria uma empresa chamada Spoin. Naquela vez também, quando eu disse que uma tal Spoin havia entrado em contato, ele nem fingiu escutar; foi só quando eu disse que o atleta Jeong Jiheon parecia trabalhar lá e que ele mesmo tinha ligado que ele finalmente disse que iria encontrá-lo.
— Ah…
Então era isso que ela queria dizer. Só então Jiheon respirou aliviado, o coração ainda batendo forte.
Mas, em certo sentido, aquilo era bem surpreendente.
— Entendo… Eu naturalmente achava que era resultado do empenho da senhora. Estava supondo comigo mesmo que a senhora deve ter passado por um trabalhão para convencer o atleta Jaekyoung.
— Se a reunião tivesse sido criada por mim, teríamos apenas almoçado e ponto. Naquela época eu não tinha a menor intenção de fechar com a Spoin. Eu sou do tipo que, se não vou fazer, prefiro nem tocar no assunto.
Era verdade. A senhora Sim havia dito quase exatamente isso e desligado o telefone naquela ocasião. Mas então, de repente, veio o contato dizendo que ela tentaria marcar um encontro, e ele ficou completamente perplexo com o que era aquilo…
《“Era isso. Foi o Jaekyoung quem disse primeiro que queria nos encontrar.”
Ele nunca havia considerado essa possibilidade nem uma única vez. Tanto que, mesmo agora, ouvindo a história, ainda era inacreditável.
Sem saber o que dizer, Jiheon olhava apenas para as próprias mãos entrelaçadas, e a mãe de Jaekyoung repetiu de novo aquela frase de sempre:
— Você não sabe o quanto o Jaekyoung gostava do gerente Jeong desde antigamente. Quando eu perguntava o que tinha acontecido na piscina, ele não dizia nada sobre o técnico, mas sempre falava coisas como “hoje eu vi o Jeong Jiheon hyung”, “não vi Jiheon hyung”, “aquele hyung ficou um tempão me olhando nadar”.
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Para melhor entendimento durante a leitura:
《Pensamento》
[Telefone]
「Fala da tv ou narrador」
*Escrita*
⊹ ࣪ ⋆。𖦹⋆.Continua…﹏⊹ ࣪ ˖
◆ Tradução e Raws: Belladonna, Revisão: Nat ◆