Capítulo 01.2
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— Principalmente no caso das provas cronometradas, é quase uma verdade estabelecida que o resultado corresponde ao volume de treino. Eles acreditam que treinar um dia a mais permite melhorar o tempo em 0,001 segundo, então, se forem expostos a feromônios, o treino daquele dia já era. E para recuperar totalmente as condições, leva pelo menos dois dias. Por isso, é preciso considerar que atletas de provas cronometradas tomam o remédio continuamente, esteja em temporada ou fora dela.
E não era só nas provas cronometradas. Atletas de ligas com salários altos, como beisebol, basquete e futebol, também precisavam assinar, ao fechar contrato com o clube, uma cláusula estabelecendo que “no caso de atletas com o traço alfa, o atleta cooperará ativamente com a gestão do clube para que não ocorram incidentes decorrentes da exposição a feromônios”. Independentemente da modalidade, entre os chamados atletas de primeiro escalão havia muitos alfas, e se todos eles fossem expostos a feromônios de uma vez no dia de uma partida, seria literalmente uma catástrofe. Por isso, a menos que se casassem cedo e tomassem providências para reagir apenas aos feromônios do cônjuge, quase todos acabavam tomando remédios ou injeções para reduzir a sensibilidade aos feromônios.
Só que, logo no início da comercialização desse medicamento injetável, circularam boatos absurdos do tipo “quem toma essa injeção nunca mais produz hormônio masculino na vida” ou “um dos efeitos colaterais é não conseguir ter ereção”, e por isso até hoje, nas comunidades esportivas, aparecem de vez em quando posts como [Virar um jogador da MLB com salário bilionário vs virar impotente]. É claro que os comentários também eram só do tipo [como se já não fosse praticamente um impotente…] ou [ter e não poder usar já é a realidade de hoje, então pelo menos que venha o dinheiro].
— Alfas e ômegas, todos sofrem, hein.
O homem soltou um suspiro e se recostou no sofá. Na TV passavam as cenas de destaque da novela em que Cha Seonghyeon havia atuado no início daquele ano. O homem, que assistia àquilo quieto, de repente disse, como se tivesse acabado de lembrar:
— Ah, mas tem uma coisa que eu também não entend. Sobre aquela história de que todo mundo gosta de homem alto, com corpo malhado e rosto bonito. Mas tem um monte de cara que só procura homem baixinho e franzino. Fazem questão de deixar bem claro que só estão com um homem porque não têm uma mulher, senão por que diabos estariam se metendo com outro cara.
— É mesmo…?
Fazia cerca de cem anos que se descobrira nos seres humanos a diferença de traços, o chamado segundo gênero. E o desequilíbrio na proporção populacional entre os sexos havia começado a se aprofundar ao extremo bem antes disso, lá pelo início e meados do século XIX. Já fazia tempo que a taxa de casamentos entre pessoas do mesmo sexo havia superado a de casamentos heterossexuais, e ainda existiam sujeitos que mantinham esse tipo de mentalidade. Jiheon não conseguia acreditar.
— Esses caras provavelmente não vão conseguir ficar com ninguém, nem mulher nem homem.
— Óbvio.
O homem falou, batendo com força em uma almofada. Pelo visto, ele já tinha sido dispensado algumas vezes por ser alto e ter um corpo bonito.
— Que estranho. Assim que te vi, achei seu corpo muito bonito.
— O quê? Eu?
— É.
Diante da resposta de Jiheon, o homem bateu na almofada de novo e disse: “Ah, para com isso, não precisa me consolar”. Ao contrário das palavras, o rosto estava tomado por um sorriso.
— Não, é sério.
Era sincero. Aos olhos de Jiheon, o corpo do homem, mesmo não sendo exatamente franzino, era bastante esbelto e bonito. Pelo contrário, por não ser magro demais e ter músculos finos bem distribuídos, ficava até melhor de se ver, mas parecia haver muitos homens que também não gostavam disso.
— Quanto você tem de altura?
— 1,78m. Mais precisamente, 1,783m.
— É bem na medida. Nem alto nem baixo demais.
Se ele ainda é rejeitado por ser alto, um cara como eu deve causar repulsa só de chegar perto. Enquanto Jiheon ria com o cigarro na boca, o homem disse:
— Não vai me dizer que o seu tipo é justamente alguém como eu?
Depois de pensar um pouco, Jiheon soltou a fumaça e disse:
— Hmm, não. Eu não tenho um tipo.
— Sério?
— Sério.
Mulher ou homem, pessoa alta ou baixa, tanto fazia. O que importava era o fato de o outro querê-lo, então, quando alguém falava em namorar, ele em geral aceitava. Se era assim até nos namoros, com parceiros de uma noite nem se fala. Como não era para se envolver a fundo, apenas dormir uma noite e pronto, ele não queria ficar analisando isso e aquilo à toa. Alguém podia ter outras qualidades que só apareciam quando tirava a roupa e, ao contrário, mesmo alguém que parecia ótimo por fora, só dava para saber depois de despir.
E mesmo que, depois de despir, se revelasse péssimo, era só uma decepção passageira e fim. Achava que, afinal, era alguém que ele nunca mais veria depois de um dia, então tanto fazia, e também não queria demonstrar desagrado à toa e estragar o clima. Pelo contrário, ele até era mais carinhoso, com medo de que o outro se sentisse constrangido. E, mesmo fora isso, na hora do sexo ele costumava se adaptar ao máximo ao parceiro. Fazia a posição que o outro quisesse e, desde que a camisinha fosse usada direito, conseguia acompanhar razoavelmente a maioria das práticas, a menos que fosse algo muito extremo, tipo SM pesado.
Por sorte, felizmente, nunca tinha encontrado alguém realmente estranho. Com aquele porte físico, os sujeitos de má índole que escolhem a vítima para fazer maldade pareciam nem cogitar se aproximar dele, e, para começar, esse período em que ele se divertia sem critério tinha sido só um breve intervalo no fim da faculdade.
— O que isso, é a tranquilidade de quem tem tudo?
O homem falou emburrado, abraçando a almofada. Parecia um pouco diferente disso, mas era cansativo demais explicar, então ele deixou que o outro pensasse o que quisesse. Quando terminar esse cigarro, vou tomar banho. Estava fumando em silêncio, movido apenas por esse pensamento, quando o homem de repente se deitou ao longo do sofá e esticou as pernas, pressionando com força a coxa de Jiheon, que estava sentado ao lado, e disse:
— Não ter um tipo também quer dizer que todo mundo é o seu tipo, não é?
E daí? Quando Jiheon perguntou só com o olhar, o homem disse, com uma expressão levemente envergonhada:
— Então, e eu?
Jiheon fingiu pensar um instante, por educação, e disse:
— Se for para nos encontrarmos de vez em quando e dormirmos juntos, tudo bem. Se for para namorar, não vai dar.
— Por quê? Você tem namorado?
Diante da fala do homem, Jiheon ficou sem graça e riu:
— Não, imagina. Eu tenho cara de quem faz esse tipo de coisa tendo namorado?
— Vai saber. Tem um monte de gente que faz isso tendo mulher e filhos.Mas eu perguntei porque você não parece ser desse tipo, viu.
O homem acrescentou tardiamente.
— Eu não tenho namorado.
Jiheon falou com firmeza.
— E também não pretendo arranjar. Foi por isso que dormi com você ontem, mesmo tendo te conhecido na hora.
— Hm, tem algum motivo para não arranjar namorado?
— Sei lá, acho que não combina comigo.
Jiheon disse, soltando a fumaça do cigarro.
— Namorei algumas vezes na época de estudante e senti que esse tipo de coisa não combina muito comigo.
Não tinha obrigação nenhuma de recitar toda a sua história amorosa para alguém que conhecera na noite anterior e, além do mais, achou ridículo dar explicações detalhadas depois de já ter recusado, então respondeu de forma vaga. Mas parecia que isso, pelo contrário, despertou a desconfiança do outro.
— Não é só porque você não gostou de mim?
O homem dava a entender que achava que Jiheon estava inventando desculpas para rejeitá-lo.
— Eu nem te conheço o suficiente para falar em gostar ou não gostar.
Jiheon riu, batendo a cinza do cigarro.
— Tudo o que eu sei agora é a sua profissão e a sua aparência.
E justamente quando ia dizer que essa parte, aliás, era do agrado dele, o homem falou:
— E que eu sou beta, também.
— …E o que isso tem a ver?
Jiheon disse aquilo já pensando “não me diga”. E, como não podia deixar de ser:
— É que os alfas geralmente querem ômegas.
Diante da atitude do homem, que falava aquilo como se fosse óbvio, Jiheon riu com o cigarro na boca e soltou um “ora essa”.
— Eu pareço um alfa?
— Ahn…? Não é?
O homem devolveu a pergunta arregalando os olhos e, pressionando de novo a coxa de Jiheon com o pé, disse:
— Ah, para de brincadeira. Você é, sim.
— E o que te fez pensar isso?
— Sei lá, o porte físico. E o jeito também.
Em vez de responder, Jiheon amassou o cigarro no cinzeiro. E então perguntou de novo ao homem:
— Então qual você acha que é o meu tipo sanguíneo?
— Sei lá? Tipo O?
O homem falou sem pensar muito.
— Tipo O, homem alfa, hein…
Jiheon murmurou, rindo. Que entre os homens alfa houvesse muitos do tipo O e do tipo B era mais um daqueles conceitos antigos. Somando-se a isso, o signo era leão ou sagitário. Jiheon também não sabia por quê. Apenas supunha que devia ser a combinação de imagem mais masculina e selvagem no imaginário popular.
É claro que também deviam existir homens que reunissem os três elementos. Devia haver bastantes. Só por probabilidade, deveriam existir dezenas de milhares deles neste país. Mas Jiheon só havia visto na vida real um único homem alfa que reunia os três. E o protagonista disso estava, naquele momento, cortando a água na televisão em uma postura bonita como uma pintura.
— É isso, né? Eu acertei, né?
O homem perguntou com uma expressão cheia de expectativa.
Jiheon pegou o copo vazio e, levantando-se do lugar, disse:
— Errou tudo.
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Jiheon chegou à empresa exatamente às dez para as nove, como sempre. Assim que se sentou e pousou a bolsa do notebook, o assistente-gerente Nam Seungmyeong, da mesa ao lado, disse:
— Gerente Jeong, ouviu aquela história? Sobre o Kwon Jaekyoung.
Depois de ver Kwon Jaekyoung até em sonho, ver Kwon Jaekyoung no programa matinal e ainda ter falado sobre Kwon Jaekyoung com o parceiro de uma noite, ouvir aquele nome também na empresa dava a sensação de estar preso em algum tipo de mundo Kwon Jaekyoung.
Se um jogo desses existisse mesmo, faria o maior sucesso. Pensando nessa bobagem meio aleatória, Jiheon ligou o notebook.
— O rumor de romance? Parece que eles próprios estão dizendo que não é verdade.
Ele falou fazendo bastante questão de demonstrar que não tinha muito interesse nesse tipo de assunto. Mas, para sua surpresa, o assistente-gerente Nam bateu na mesa e disse: “Não, não é isso”.
— Agora estourou uma guerra entre as agências para levar o Kwon Jaekyoung. Parece que a nossa empresa também vai entrar nessa. O presidente disse que gostaria de tentar um contato, e aí o diretor Ko saiu se gabando aos quatro ventos que conhece alguém do lado deles e que ele mesmo vai marcar um encontro.
Havia um motivo para o assistente-gerente Nam estar empolgado a ponto de bater na mesa. Se aquilo fosse verdade, era uma notícia (para os funcionários daquela empresa) tão grandiosa que nem se comparava ao escândalo.
— O Kwon Jaekyoung não tinha fechado contrato com a Kava?
— Parece que ainda não assinou. Se não assinou, não fechou contrato.
E, dizendo isso, o assistente-gerente Nam baixou a voz:
— Pelo visto a Kava começou dizendo que atenderia incondicionalmente a tudo o que ele pedisse e, na hora de redigir o contrato, veio com a história de querer ajustar algumas condições. Você conhece a manha deles.
E como conhecia. Era a especialidade da Kava. Encantar o atleta com um valor de contrato de outra ordem de grandeza em relação às demais agências e com todo tipo de opção, e então mudar o discurso pouco antes de assinar o contrato. Os atletas, mesmo sabendo que era safadeza de agência gigante, ficavam em dúvida por não conseguirem esquecer a doçura dos truques que a Kava exibia durante alguns dias — o cuidado extremamente atencioso de uma gestão como nunca haviam experimentado na vida, o efeito do marketing viral e coisas assim. E aí acabavam se rendendo aos argumentos da Kava — “este é o melhor tratamento do setor, nenhuma outra empresa vai conseguir fazer por você o que fazemos, não existe hoje nenhuma empresa que chegue com condições contratuais como estas, tem um motivo para todos os atletas fecharem conosco” — e assinavam. Mesmo havendo montes de casos em que, se procurassem, encontrariam empresas que só não pagavam tanto de luva quanto a Kava, mas que ofereciam ao atleta um percentual bem maior de repasse, sendo muito mais vantajosas a longo prazo.
Mas, por mais que fosse a Kava, ela não teria a audácia de fazer isso com Kwon Jaekyoung. No máximo, baixaria um pouco o valor da luva ou mudaria a localização da acomodação oferecida como opção, de Gangnam para Songpa.
— De qualquer forma, o Kwon Jaekyoung também vai fechar com a Kava. Quem já entrou em conversa de contrato com a Kava sempre acaba fechando com ela.
— Hmm… será?
— Com certeza.
Jiheon falou com firmeza. Coisas do tipo “mesmo que ele não feche com a Kava, não vai ser com a nossa empresa; tratando-se de Kwon Jaekyoung, deve haver uma fila de empresas dispostas até a pegar empréstimo para juntar a luva, e nós nem temos condição para isso; o nosso presidente vai propor condições realmente dentro do padrão comum” — essas coisas ele deixou de propósito de dizer. Porque acreditava que, mesmo sem dizer, o assistente-gerente Nam sabia disso melhor do que ele.
— É, mesmo que não feche com a Kava, não tem por que fechar com uma novata como a gente.
E, como era de se esperar, o assistente-gerente Nam falou estalando a língua. Jiheon esperou o programa de segurança do desktop iniciar e, antes de tudo, acessou a internet. Enquanto verificava o e-mail de trabalho, disse com indiferença:
— Bom, para entrar na disputa não existe nenhum requisito específico, então tentar não custa nada. Mas fico pensando se é realmente necessário que o presidente se envolva pessoalmente.
Não, antes disso, a dúvida era se conseguiriam sequer se encontrar com o pessoal de Kwon Jaekyoung.
A guerra silenciosa das agências para contratar Kwon Jaekyoung vinha de três anos atrás. Logo depois que ele ganhou o ouro olímpico, com a enxurrada de propostas publicitárias, grandes agências nacionais e internacionais entraram na fila para ficar com aquela galinha dos ovos de ouro. Mas nenhuma delas conseguiu estabelecer contato com Kwon Jaekyoung.
Diziam os boatos que Kwon Jaekyoung havia cortado tudo, dizendo que não precisava dessas coisas. Por isso, o pessoal da Federação Coreana de Natação que o apoiava teria passado por bastante aperto. Prometendo arranjar um encontro com Kwon Jaekyoung, receberam isso e aquilo das agências e, como o próprio atleta não deixava nem que tocassem no assunto, acabaram se enrolando no meio do caminho.
Graças a isso, entre os profissionais das agências que ficaram a ver navios circularam todo tipo de comentário: que o moleque não tinha educação, que depois de ganhar o ouro olímpico não enxergava mais nada. Mas Kwon Jaekyoung não se importou nem um pouco.
Pelo que se sabia, houve muita pressão à sua volta — “não pode perder essa oportunidade”, “se não for para fechar com uma agência, faça pelo menos publicidade, aí você fica com todo o cachê sem ter que repassar nada para agência nenhuma” —, mas ele ignorou tudo e voltou direto para a Austrália, concentrando-se apenas nos treinos. Fora as coletivas oficiais da delegação e as entrevistas relâmpago feitas na área logo após as provas, ele não se relacionava com ninguém que chegasse com uma câmera. Em resumo, era um atleta que não tinha interesse em absolutamente nada além do esporte.
E era esse Kwon Jaekyoung que, três anos depois das Olimpíadas, teria finalmente decidido fechar um contrato de agenciamento.
Segundo a matéria que noticiou o fato pela primeira vez, Kwon Jaekyoung havia voltado para o país bem cedo para participar do Campeonato Pan-Pacífico de Natação, que se realizaria em Incheon no início de setembro. Normalmente, os atletas ajustam o cronograma para chegar à sede da competição cerca de uma semana antes. Kwon Jaekyoung também tinha feito assim até então, mas dessa vez, por algum motivo, entrou no país dois meses antes. Como era uma competição realizada no próprio país, todos supuseram que ele tinha se antecipado um pouco, ou que pretendia passar um tempo tranquilo com a família — mas, segundo a alegação do jornalista, na verdade não era isso: ele havia chegado mais cedo por causa de um contrato com uma famosa agência nacional.
Logo em seguida, saiu a notícia de que essa famosa agência não era outra senão a Kava. Como a Kava era o lugar que mais se empenhava em contratar Kwon Jaekyoung desde três anos antes, ninguém se surpreendeu. Pelo contrário, o inesperado foi que, uns dois dias depois, a Kava divulgou uma nota no tom de “ainda não é um assunto definido; é fato que estivemos em contato com o lado de Kwon Jaekyoung, mas falar em contrato é prematuro”.
Com a divulgação da posição da Kava, todo o setor voltou a ferver. De qualquer forma, o fato concreto era que ainda não haviam assinado o contrato, e o que importava naquele momento era que aquele Kwon Jaekyoung finalmente tivera vontade de fechar com uma agência. Por toda parte parecia ter virado um alvoroço — “então vamos tentar um contato também”, “mesmo que a gente tenha que se endividar até o pescoço, vamos tentar pegar o Kwon Jaekyoung” —, mas, aos olhos de Jiheon, aquilo soava tão fantasioso quanto ganhar na loteria. Porque, por mais que outra empresa chegasse com qualquer contrato, era óbvio que Kwon Jaekyoung acabaria fechando com a Kava.
Como Kwon Jaekyoung havia começado a atuar como atleta da seleção nacional muito jovem, todas as questões relacionadas a contratos eram conduzidas por sua mãe. Sem nenhum interesse nesse tipo de assunto, Kwon Jaekyoung continuou delegando essas tarefas à mãe mesmo depois de atingir a maioridade e, pelo que Jiheon sabia (e também segundo os boatos difundidos no setor), essa mãe era extremamente racional, resoluta e habilidosa nas relações. Em resumo, era alguém que sabia bem fazer as contas.
Dada a personalidade daquela mãe, que detestava desperdício inútil de tempo, ela certamente nem cogitaria receber contratos de todo lado para analisar; era evidente que, desde o início, escolhera um único lugar capaz de oferecer as melhores condições e começara a negociar com ele. E, se esse único lugar fosse a Kava, na prática as outras empresas não tinham chance. A menos que chegassem com condições contratuais melhores que as da Kava, nem seriam recebidas — e isso era realisticamente impossível.
Ao contrário do nome, que começava com algo do tipo K-Associates, a Kava era mais próxima da filial coreana de uma famosa empresa global, e a matriz dessa empresa global era uma agência esportiva gigantesca sediada nos Estados Unidos.
É claro que o mercado esportivo americano e o mercado esportivo nacional têm diferenças em muitos aspectos e, como no país o próprio conceito de agenciamento ainda não estava bem estabelecido, eles também devem ter passado por muita tentativa e erro no início. Mas, no fim, o que atrai o atleta é o alto valor da luva e a oferta de diversas comodidades, e nesse quesito não havia quem vencesse a Kava, com seu imenso poder financeiro. A mãe de Kwon Jaekyoung, ciente disso, parecia estar negociando as condições desde cedo tendo como pressuposto o contrato com a Kava, portanto era evidente que, por mais que outra agência insistisse, ela nem os receberia, alegando estar ocupada.
E, ainda por cima, tratando-se da Spoin. Deixando de lado o fato de ser uma novata com menos de cinco anos de existência e tudo mais, o mais desesperador era que a pessoa que se propusera a tentar o contato era o diretor Ko.
Que tipo de pessoa era o diretor Ko? Um velho que, alegando ter sido um dia executivo de uma grande empresa, se instalou na empresa do sobrinho já em idade de aposentadoria e não fazia nada além de se dar ares de importante. Sabia apenas se gabar dizendo que dominava o sistema de funcionamento de uma empresa, que era preciso alguém como ele para estabelecer critérios e organizar as coisas, mas não tinha noção alguma sobre agenciamento esportivo e, muito menos interesse em aprender.
Pelo visto, depois de alguns anos vadiando e vivendo do dinheiro do sobrinho, o velho começou a se sentir constrangido. Dessa vez parecia ter se prontificado a “fazer um grande feito” sem nem se aprofundar direito o assunto, então não havia a menor chance de dar certo.
Dizer que ia arranjar um encontro por meio de um conhecido. Que conhecido ele teria daquele lado para falar uma coisa dessas? E, mesmo que tivesse alguém conhecido, era evidente que se tratava de uma relação mínima, do nível de “a cunhada do tio-avô do primo em oitavo grau do sogro da mãe de Kwon Jaekyoung”. Conseguir um contato ainda vá lá, mas usar isso para marcar um encontro já era demais. A menos que tirasse uma foto de Kwon Jaekyoung mijando na rua bêbado para chantageá-lo, seria difícil conseguir mais de um minuto de telefonema. É claro que Kwon Jaekyoung ignoraria uma chantagem dessas e não estaria nem aí se vazassem ou não. Não, antes disso, ele nem mijaria na rua, mas enfim.
— Faça de conta que não ouviu e esqueça. Para começar, não faz sentido que o próprio diretor Ko vá arranjar um encontro com aquele lado. Provavelmente o presidente também não está criando muita expectativa.
— É, deve ser isso mesmo, né?
O assistente-gerente Nam estalou a língua mais uma vez. No exato momento em que ele girava a cadeira, desanimado, o telefone sobre a mesa de Jiheon tocou. Pela luz vermelha piscando, era uma ligação do ramal interno.
— Sim, aqui é o gerente Jeong Jiheon, da equipe de relações públicas.
Assim que Jiheon atendeu, do outro lado da linha o diretor Ko falou às pressas, quase gritando:
[Ah, gerente Jeong. Aqui é da sala da diretoria, venha até aqui agora mesmo. Assim que desligar, venha imediatamente, rápido.]
O diretor despejou o que tinha para dizer e desligou sem nem ouvir a resposta de Jiheon.
— …
Jiheon ficou um bom tempo imóvel, com o telefone na mão. Nunca uma ligação direta da diretoria — a primeira que recebia desde que entrara na empresa — havia soado tão sinistra. A ponto de ele não querer largar o fone que segurava na mão.
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⊹ ࣪ ⋆。𖦹⋆.Continua…﹏⊹ ࣪ ˖
◆ Tradução&Raws: Belladonna, Revisão: Nat ◆