↫─☫ Capítulo 04.5
𓂃 ࣪˖ ִֶָ Um ou Outro-4 · Parte 5 ִֶָ་༘࿐
Era impossível saber quanto tempo havia passado depois de tudo aquilo. Ele não conseguia nem dizer se era dia ou noite. Por algum motivo, parecia que tinham se passado dias, embora também parecessem apenas algumas horas. Na névoa que turvava a mente, Kwon Taekjoo captava de vez em quando fragmentos da voz de Zhenya, que parecia falar ao telefone com alguém.
— Se está perguntando do Taekjoo, não precisa se preocupar. Ele está dormindo como uma pedra. Mmh, ligo de volta depois.
Kwon Taekjoo podia ter ouvido mal, mas juraria que era a voz da mãe dele do outro lado da linha. Zhenya encerrou a chamada depressa e jogou o telefone de lado. A silhueta se moveu na luz fraca, pairando na borda da visão de Kwon Taekjoo. Com grande esforço, ele forçou os olhos a se abrirem.
Uma cena incompreensível o recebeu quando a visão clareou. Zhenya estava sentado entre as pernas dele, as mãos cobertas por luvas cirúrgicas de látex. O olhar estava descaradamente fixo no espaço entre as coxas de Kwon Taekjoo.
— O que você está fazendo?
— Ah, você acordou?
Os olhos de Zhenya encontraram os de Kwon Taekjoo com o mesmo ar casual de sempre. Kwon Taekjoo tentou se sentar, mas não conseguiu se mover. Os braços estavam amarrados atrás das costas, e um cinto de couro apertava a cintura. Ele se remexeu, tentando entender o que acontecia, mas até isso era difícil, pois os membros estavam completamente imobilizados. As algemas de couro que prendiam os pulsos ao cinto tornavam impossível qualquer outro movimento.
Kwon Taekjoo lançou um olhar confuso para Zhenya.
— Que porra é essa?
— Você disse que me daria um presente de aniversário. Pensei muito no que queria, algo que eu nunca esqueceria pelo resto da vida — respondeu Zhenya, com indiferença, abrindo ainda mais as pernas de Kwon Taekjoo. Acariciou com o polegar a parte interna da coxa dele.
— Você me disse para não interferir no seu trabalho de jeito nenhum. Nada de grampo no telefone, nada de rastreamento por GPS. Então, o que mais eu poderia fazer?
De repente, Zhenya puxou a pele que acariciava e ergueu o olhar para encontrar os olhos de Kwon Taekjoo.
— Minha única opção é deixar minha marca.
— Que porra você está…?
Atordoado, Kwon Taekjoo se esforçou para olhar as próprias coxas. Os braços amarrados atrás do corpo empurravam o peito para cima e dificultavam a visão, mas ele conseguia distinguir algo nas mãos de Zhenya. Havia um zumbido mecânico fraco, familiar. Seria uma máquina de tatuagem?
Kwon Taekjoo lançou a Zhenya um olhar penetrante e ansioso. Zhenya apenas sorriu, satisfeito, e deu um lembrete direto.
— Taekjoo, isso é algo que só você pode me dar, e que eu quero. Não acha o presente de aniversário perfeito?
— Não. De jeito nenhum. Se você me tatuar, isso pode dar problema depois.
— Você ainda está preocupado com o trabalho, mesmo agora?
— Não é só por causa do trabalho, seu idiota. Quer pôr algo permanente no meu corpo sem o meu consentimento? Sabe o que eu passei para remover a última?!
— Sei… não sobrou nenhum vestígio — respondeu Zhenya, baixando o olhar. Os lábios sorridentes se afinaram numa linha firme, como sempre faziam quando algo o aborrecia.
Ele não tinha direito de se irritar com o fato de Kwon Taekjoo ter removido a tatuagem anterior sem lhe contar, ainda mais porque fora o próprio Zhenya quem a impusera. E, ainda assim, ali estava, claramente ressentido.
— Pare de brincar e me desamarre.
— Quem está brincando?
Os lábios de Zhenya se curvaram num sorriso enquanto prendia com firmeza as pernas de Kwon Taekjoo com os joelhos.
— Isso não vai te causar problemas. Pode até servir como amuleto de proteção.
— Amuleto de proteção? Pare com as bobagens, seu bastardo.
— Você disse que não morreria.
— …O quê? Por que está trazendo isso à tona agora?
— Se quer que eu acredite na sua promessa frágil, não acha justo que eu tenha um símbolo, algo que reafirme o seu voto para mim?
A ideia de chamar uma simples tatuagem de “símbolo” ou “amuleto” não fazia muito sentido para Kwon Taekjoo. Mesmo assim, era difícil rejeitar por completo o pedido de Zhenya, que afirmava ser o desejo de aniversário dele, algo que só Kwon Taekjoo poderia dar. Além disso, Zhenya prometera não interferir mais nas missões se ele apenas fizesse uma tatuagem. Era uma regra não escrita para agentes do NIS evitar tatuagens visíveis, mas talvez algo pequeno fosse aceitável. Pensamentos conflitantes giravam na cabeça de Kwon Taekjoo.
Depois de uma longa pausa, ele finalmente falou.
— …Não reclame disso depois.
— Ah, Taekjoo, como se eu reclamasse tanto quanto você.
— Não faça em nenhum lugar visível.
Como se aquilo fosse ridículo, Zhenya ignorou a preocupação. Então ergueu as pernas de Kwon Taekjoo e, devagar, deliberadamente, traçou uma linha sobre o músculo da parte interna da coxa, num ponto bem próximo à virilha.
— Por que eu faria num lugar visível? Ninguém além de mim deveria poder ver. A menos que você esteja se exibindo por aí, Taekjoo.
— Me exibindo? Você tem moral para dizer isso?
— Quem tem mais moral do que eu? Estou no auge da juventude, namorando um parceiro que nem posso engravidar. Isso não me torna o amante mais leal, o mais fiel? Nunca fui tão paciente em toda a minha vida.
Kwon Taekjoo ficou sem palavras. Paciente? Zhenya era tudo menos paciente. Uma vez que decidia fazer algo, ia para cima de Kwon Taekjoo até deixá-lo praticamente morto. No entanto, pelo que Kwon Taekjoo sabia, Zhenya não havia olhado para mais ninguém desde que fora autorizado a entrar em sua vida. Para um homem acostumado a trocar de parceiros sexuais por capricho, Kwon Taekjoo tinha de admitir que Zhenya fora bastante fiel. Claro, não tinha como saber se Zhenya havia estado com outra pessoa quando ele não estava olhando, mas não conseguia se livrar da sensação de que Zhenya nunca o traíra, mesmo que fosse só confiança cega.
Enquanto se amaldiçoava por ser tão tolerante, Kwon Taekjoo acrescentou outra condição rigorosa:
— A tatuagem não pode ser nada que revele a minha identidade.
— Eu sei.
— E também não pode ser muito grande.
— Claro — respondeu Zhenya, sem muito entusiasmo, começando depressa os preparativos.
Ignorando a crescente excitação de Kwon Taekjoo, Zhenya passou desinfetante na pele dele com um cotonete. A sensação fria fez o corpo de Kwon Taekjoo se tensionar. As algemas de couro nos pulsos chacoalhavam à menor movimentação.
— Ei. Se você vai fazer isso, pelo menos me desamarre.
— É melhor ficar amarrado. Se você se mexer um pouco, minha mão pode escorregar. Aí eu teria que tatuar algo muito maior para cobrir o erro.
Zhenya lhe lançou um olhar de advertência, perguntando em silêncio se era isso que ele queria. Era uma ameaça absurda, mas Kwon Taekjoo não tinha argumento para recusar.
Kwon Taekjoo ergueu a cabeça com esforço e olhou para baixo. Só conseguia ver o rosto de Zhenya, incomumente concentrado pela primeira vez, e a mão que segurava a máquina de tatuagem.
— Afinal, o que você está tatuando em mim?
— Quem sabe? Só deite e espere.
Zhenya puxou as pernas de Kwon Taekjoo, deitando-o de costas na cama, e esticou a pele com os dedos. Kwon Taekjoo olhou, impotente, para o teto, preparando-se para a dor iminente.
Instantes depois, uma picada aguda se espalhou pela coxa. O pau se contraiu em resposta à dor ardente. Ele rangeu os dentes, tentando suportá-la, mas, apesar dos esforços, alguns gemidos baixos escaparam.
— Uugh… aah… droga, isso arde.
— Não acredito que você já esteja gemendo.
— Agh, pare de falar e termine logo! Uugh…
— Se apressar não adianta, Zainka. Você devia aprender a ser mais paciente — provocou Zhenya, a voz cheia de satisfação.
Que pervertido, sentir prazer em causar dor a alguém.
Kwon Taekjoo fechou os olhos com força. Já havia suportado torturas durante as missões, voltando com inúmeros ferimentos, grandes e pequenos. Comparada a isso, uma tatuagem não deveria passar de cócegas. Mas talvez por causa das circunstâncias, ou porque Zhenya estimulava uma parte dele que não fora treinada para lidar com a dor, o corpo continuava a se contrair por conta própria.
De vez em quando, Zhenya erguia o olhar para observar as reações dele enquanto desenhava a tatuagem com minúcia. Então soltava uma risadinha. Os olhos de Kwon Taekjoo se abriram ao ouvir o som. Não tinha ouvido mal: via claramente os ombros de Zhenya tremendo de riso.
— Por que está rindo assim, seu bastardo? Tatuou algo estranho em mim?
Uma onda de pânico percorreu Kwon Taekjoo, e ele tentou se levantar, mas, com os braços amarrados, só conseguiu erguer o peito até a metade. Contraiu o tronco para se manter erguido e olhou para a virilha. Pela visão turva e trêmula, vislumbrou a tatuagem que Zhenya gravara nele.
Desta vez não era uma imagem, mas texto. Como estava escrito à mão, em russo, e a visão de Kwon Taekjoo era limitada, era difícil distinguir a palavra com exatidão.
Como se isso não bastasse, uma dor aguda na virilha atrapalhava a concentração, e o pau estava ereto e se contraindo por causa das cutucadas e beliscões persistentes.
Zhenya olhou para a ereção dele e sorriu, com prazer.
— Taekjoo, não acha que gosta de dor demais?
— Gostar de dor? Eu só estou sensível demais ao menor toque, graças a alguém que me levou ao limite.
— Mmh? Que travesso.
— É, que seja, você não tem o direito de dizer isso, seu bastardo.
— Por que está tão irritado? É muito melhor para você agora que está sensível ao meu toque.
De repente, Zhenya acariciou a ereção dele, fazendo uma dor pulsante se acender no ponto de contato e se espalhar pela virilha. Uma gota de fluido pré-seminal se acumulou na glande antes de pingar na barriga.
— Ai… maldito bastardo…
— Lá vem você me insultar de novo. Admita, no fundo está ansiando por isso.
— Aaah, pare de falar e vamos acabar logo com isso.
— Espere mais um pouco. Estou quase terminando.
Depois de acalmar Kwon Taekjoo, a mão de Zhenya voltou à tarefa. Ele concentrou toda a atenção e o esforço em gravar com minúcia cada letra na pele de Kwon Taekjoo. Observar a dedicação intensa de Zhenya, o rosto transformado numa máscara de foco, despertou em Kwon Taekjoo uma sensibilidade incomum. Tinha certeza de que Zhenya nunca se concentrara tanto em nada, nem mesmo nos deveres como oficial. Para Zhenya, tudo no mundo era chato e cansativo. Mas, sempre que se tratava de algo relacionado a Kwon Taekjoo, ele dava o melhor de si. Kwon Taekjoo devia se sentir feliz com isso?
— Não é fascinante?
— Mnn… o quê?
— Estou te dando outra tatuagem, como antes. Mas, em vez de resistir ou implorar para eu te matar, você está abrindo as pernas para mim por vontade própria, bem obediente.
— Ha. Por vontade própria e obediente? De onde você tirou isso?
— Não é assim? É o que me parece.
Que lógica ridícula ele ia apresentar agora? Kwon Taekjoo lançou a Zhenya um olhar de desaprovação. Zhenya ergueu os olhos depois de acariciar a pele quente e encontrou o olhar dele. Os olhos azuis estavam em transe, cheios de euforia.
— Se eu te desamarrar, vai tentar me impedir de novo?
A voz de Zhenya estava cheia de diversão, mas não parecia que ele zombava de Kwon Taekjoo. Era mais como se estivesse completamente encantado. A visão de Kwon Taekjoo se turvou diante do sorriso extasiado de Zhenya, embora ele visse aquele rosto quase todos os dias. Nem ousou responder ao comentário presunçoso.
Zhenya exibiu outro sorriso convencido, como se a situação provasse seu ponto, e finalmente declarou:
— Está pronto.
O zumbido mecânico insuportável da máquina de tatuagem cessou por completo, embora a dor persistisse. A pele sensível onde ficava a nova tatuagem ainda ardia e latejava.
— Uugh… que fetiche estranho o seu. Agora desamarre meus braços também.
— Veremos.
— Que porra você está planejando fazer agora?
Kwon Taekjoo ficou inquieto, o corpo em alerta máximo. Deixar Zhenya se safar de uma coisa só o levaria a exigir inúmeras outras. Perguntou-se se o havia mimado demais nos últimos tempos.
— Não.
A recusa de Kwon Taekjoo foi imediata e firme, mesmo sem saber o que Zhenya poderia pedir.
— Não? — repetiu Zhenya, com um sorriso convencido.
Devagar, inclinou-se sobre a cama, as mãos de cada lado, o olhar percorrendo o corpo de Kwon Taekjoo até finalmente se fixar no rosto dele.
A glande avermelhada do pau trêmulo de Kwon Taekjoo roçou o abdômen de Zhenya. Zhenya sorriu, malicioso, quando o olhar finalmente se fixou na virilha. Os olhos percorreram de propósito cada centímetro do corpo de Kwon Taekjoo. Talvez pela excitação crescente, o peito já volumoso de Kwon Taekjoo subia e descia em respirações rápidas.
— Alguém me disse uma vez que o tempo, o lugar e as circunstâncias de uma memória compartilhada podem fazer alguém se sentir apegado a você.
De repente, Zhenya repetiu as palavras que Kwon Taekjoo lhe dissera havia muito tempo, sorrindo, satisfeito. Era a encarnação de um demônio com rosto de anjo. Kwon Taekjoo o observou, ansioso, enquanto Zhenya baixava a cabeça e esticava devagar a língua, a ponta afiada se aproximando, ameaçadora, do mamilo inchado. Os punhos de Kwon Taekjoo se cerraram contra a vontade, e ele mordeu o lábio inferior.
Parecia que Zhenya ia envolver o mamilo a qualquer momento, mas, em vez disso, pressionou os lábios contra a curva do peito. O leve roçar da boca bastou para fazer o mamilo de Kwon Taekjoo se contrair.
Zhenya soltou uma risadinha provocadora e começou a depositar beijos molhados e estalados ao redor do mamilo, enquanto a língua percorria o outro lado do peito. Cada carícia suave deixava o mamilo de Kwon Taekjoo latejando, impaciente.
Mais uma vez, porém, os lábios de Zhenya brincaram ao redor da área intocada que Kwon Taekjoo desejava, transformando a ansiedade em frustração.
𑣲⋆ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws:
Rubyy&Belladonna
☰ ⌀ ⌀ ⌀ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais. ⌀ ⌀ ⌀ ☰
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