↫─☫ Capítulo 04.4
𓂃 ࣪˖ ִֶָ Um ou Outro-4 · Parte 4 ִֶָ་༘࿐
Zhenya agarrou Kwon Taekjoo pelo ombro e o virou, pressionando os lábios nos dele num beijo. O forte gosto de fumaça de charuto invadiu a boca de Kwon Taekjoo, piorando a garganta já dolorida. Por instinto, ele empurrou o braço de Zhenya, em reprovação, mas Zhenya apenas riu e deu outra tragada no charuto. No passado, o mero cheiro da fumaça o teria irritado e lhe dado dor de cabeça. Agora, o aroma familiar parecia acalmá-lo, talvez por causa da ligação com Zhenya.
Kwon Taekjoo observou Zhenya intensamente por cima da borda do copo de uísque, tomando um gole lento. A pele de Zhenya parecia brilhar mais que o normal, provavelmente por ele ter acabado de sair do banho. Não mostrava sinais de exaustão, mas havia uma calma incomum em seu comportamento.
Dos dois, Kwon Taekjoo era sem dúvida o mais ativo na cama. Mas, nos últimos tempos, a diferença de resistência entre eles estava ficando cada vez mais evidente. Não era só porque Zhenya era mais novo, afinal Kwon Taekjoo não era dez anos mais velho, mas porque Zhenya parecia ter sido abençoado com uma resistência maior.
— No que você está pensando, Taekjoo?
— O que quer dizer?
— Está me olhando como se quisesse abrir um buraco no meu crânio. Sou tão bonito assim?
Zhenya inclinou a cabeça com um sorriso malicioso. O cabelo loiro pálido escorregou pela testa lisa, ainda úmido de gotas de água. Kwon Taekjoo estalou a língua, em reprovação, enquanto o observava.
— Você sempre diz isso. Não tem vergonha?
— Parece que muita coisa te constrange, mesmo depois de nos conhecermos por dentro e por fora.
A mão de Zhenya acariciou a bochecha quente e corada dele. Kwon Taekjoo estremeceu com o frescor inesperado do toque. Talvez Zhenya tivesse tomado um banho frio. A mão deslizou devagar até o pescoço de Kwon Taekjoo, arrancando-lhe um gemido baixo. Os pelos das costas e do pescoço se eriçaram.
— Mesmo que você não diga, eu já sei o que você gosta e o que quer que eu faça — murmurou Zhenya, a mão seguindo para baixo.
Os dedos passaram pela clavícula de Kwon Taekjoo, traçando a curva do peito. Então, sem aviso, Zhenya apertou um dos lados, enterrando firmemente os dedos. Ao mesmo tempo, os lábios dele tocaram com suavidade a testa de Kwon Taekjoo num beijo terno, em total desacordo com a aspereza que acontecia mais abaixo. Era como se os dois movimentos fossem totalmente desconectados: o rosto suave e afetuoso, enquanto o resto dele continuava implacável e poderoso. Até a aparência de Zhenya refletia esse contraste, pois um rosto tão delicado não combinava com o corpo duro e musculoso por baixo.
Por um breve momento, Kwon Taekjoo decidiu deixar Zhenya fazer o que quisesse com ele. Os dedos de Zhenya encontraram o mamilo inchado de Kwon Taekjoo e começaram a esfregá-lo. Os ombros de Kwon Taekjoo se tensionaram com a sensação. Era difícil dizer se sentia dor ou prazer. O olhar de Zhenya se fixou nas marcas de mordida que ele deixara na pele de Kwon Taekjoo. A língua passou, inconsciente, pelo lábio inferior, enquanto a garganta tremia. Sentindo a mudança de humor de Zhenya, Kwon Taekjoo logo empurrou a mão dele antes que a situação piorasse.
— Pare de me apalpar. Dói, seu bastardo.
— O quê? Seus peitos doem só porque eu toquei um pouco?
— Peitos…? O quê?
Aquela boca suja de Zhenya combinava mais com a metade inferior do corpo do que com o rosto bonito. Kwon Taekjoo beliscou de leve a bochecha dele, como numa repreensão.
— Você seria tão mais bonito para mim se limpasse essa sua boca.
— O que você disse?
— Ainda não entende o que eu digo em coreano? Se está tão curioso, aprenda essa língua maldita — provocou Kwon Taekjoo, exibindo um sorriso.
Então estendeu a mão diante do rosto de Zhenya. Zhenya entendeu a deixa na hora e lhe entregou o charuto que estava fumando. Kwon Taekjoo o pegou sem hesitar, tragando fundo. A fumaça espessa desceu pela garganta e se instalou pesada nos pulmões.
No passado, Kwon Taekjoo teria dado só algumas tragadas antes de largá-lo. Agora, saboreava com calma o uísque com o charuto entre os dedos. Zhenya lhe lançou um sorriso doce enquanto acendia outro.
— Você transformou isso em hábito, não é?
— Estava na minha cabeça havia algum tempo, já que fazia muito que não fumava.
Kwon Taekjoo girou o charuto entre os dedos, examinando-o de perto antes de levá-lo de volta aos lábios.
— Embora, é claro, o charuto não seja a única coisa na minha cabeça.
Enquanto falava, os olhos escuros de Kwon Taekjoo se fixaram em Zhenya através da fumaça nebulosa do charuto. Zhenya saboreou as palavras com cuidado antes de um sorriso curvar os lábios. Segurando o próprio charuto entre os dentes, subiu na cama, abriu as pernas de Kwon Taekjoo e se posicionou entre elas.
— Está ficando todo mole de novo. O que houve? Recebeu algum elogio no trabalho por ter completado a missão?
— Bem, algo assim.
— Isso é bom.
— Bom para mim. Mas não tenho certeza se é para você.
Zhenya inclinou a cabeça diante do comentário enigmático. Kwon Taekjoo o encarou e engoliu o resto do uísque. Brincou com o copo vazio por um momento antes de falar.
— Ei…
Kwon Taekjoo fez uma pausa; um raro momento de insegurança cruzou seu rosto, algo incomum nele.
Os olhos azuis de Zhenya percorreram o rosto de Kwon Taekjoo, observando-o de perto com expressão séria. Depois de um tempo, as feições se suavizaram num sorriso curioso.
— O que há de errado desta vez?
— Desta vez?
— Você sempre me olha assim quando está prestes a dar más notícias. E vem insinuando que tem algo a dizer. Te designaram outra missão?
— Não, não é isso.
— Ah, não? Então o que é?
A confusão de Zhenya era evidente no olhar. Até o sorriso brincalhão desapareceu enquanto ele analisava o rosto de Kwon Taekjoo. Os olhos pairaram sobre os lábios dele, ansiosos para descobrir a fonte daquela ansiedade. Kwon Taekjoo abriu e fechou a boca algumas vezes antes de soltar um suspiro.
— Preciso que isso pare.
O rosto de Zhenya se contraiu de choque, claramente surpreso com uma resposta tão inesperada.
— O que você quer dizer, Taekjoo?
— Preciso que você pare de interferir no meu trabalho.
A expressão tensa de Zhenya relaxou um pouco enquanto ele processava a explicação de Kwon Taekjoo. Então soltou um suspiro suave, tingido do que parecia alívio.
— Quando foi que eu interferi no seu trabalho?
— Não finja inocência, seu idiota.
Zhenya se afastou devagar de Kwon Taekjoo, ainda perplexo, como se fosse difícil entender.
— Quer você ache que estou interferindo ou ajudando, por que é tão contra a minha participação? Tudo o que faço é facilitar as coisas para você. Nada disso poderia te prejudicar.
— Isso é verdade se pensarmos só em mim. Mas esse não é o problema todo.
— Não é o problema todo?
Será que ele realmente não sabia? Desde que se mudara para a Coreia, Zhenya interferira nas missões de Kwon Taekjoo inúmeras vezes. Às vezes chegava ao local antes dele, interceptando documentos-chave ou informações cruciais de que Kwon Taekjoo precisava… tudo para poder passar mais tempo com ele. Com a ajuda de Zhenya, as missões de Kwon Taekjoo viraram brincadeira de criança, permitindo-lhe uma pausa na vida antes tão frenética.
Mas tudo aquilo era uma violação flagrante dos regulamentos do NIS. Além disso, como diplomata estrangeiro, Zhenya era ainda mais vulnerável a escrutínio e a controvérsias externas. Por isso Kwon Taekjoo sempre se incomodara com a interferência dele, independentemente do sucesso das missões.
Em várias ocasiões, Kwon Taekjoo ficara furioso com Zhenya por tratar suas missões como piada. Depois de muitas discussões, Zhenya optara por ajudá-lo de forma mais indireta, como fizera em Cuba. Agora parecia irritado com a insistência de Kwon Taekjoo em negar-lhe até esse apoio discreto.
— Então você está dizendo que quer que eu fique de braços cruzados enquanto meu amante está em perigo?
— Eu assumi este trabalho plenamente ciente dos riscos. Além disso, antes de nos conhecermos, eu me virava muito bem sozinho.
Zhenya soltou uma risada incrédula. Parecia irritado, como se Kwon Taekjoo tivesse decidido por conta própria que ele não podia mais participar de um jogo ao qual já se comprometera e mandado que saísse.
— Então você está dizendo que estou atrapalhando?
— Não distorça minhas palavras. O que estou dizendo é que você não deveria se colocar em perigo por minha causa.
— Me colocar em perigo? Eu?
Zhenya olhou mais uma vez para Kwon Taekjoo, como se ele tivesse dito algo completamente ilógico. Parecia convencido de que nada daquilo poderia acontecer com ele.
Com um longo suspiro, Kwon Taekjoo fixou o olhar em Zhenya, cuja expressão continuava fria e inflexível. O olhar gelado e os lábios apertados lembraram uma criança fazendo beicinho. Ele não pôde deixar de se perguntar por quanto tempo teria de consolar aquele homem de trinta anos como se fosse uma criancinha. Começou a explicar de novo, soltando mais um suspiro.
— Acha que eu não sei como é a sua relação com a sua família? Olha, não vou te dizer como lidar com eles nem te pressionar a fazer as pazes. Isso é problema seu, não meu. Mas não posso continuar vendo você criar mais conflitos com eles por minha causa.
— Taekjoo, você está entendendo errado. Mesmo que você não estivesse na jogada, a minha relação com eles está além de qualquer conserto. Eles são gente insignificante, que não ousaria interferir na minha vida.
— Mesmo assim, suas raízes estão com eles — disse Kwon Taekjoo, calmo, deixando Zhenya sem palavras por um instante.
Os lábios de Zhenya se entreabriram, quase como se ele fosse sorrir, mas só um canto da boca se contraiu. Parecia furioso com o fato inegável de que pertencia à Rússia e à família Bogdanov.
Temendo que Zhenya o entendesse mal, Kwon Taekjoo acrescentou depressa:
— E eu escolhi te aceitar como você é, plenamente ciente de tudo isso.
— O que você está tentando dizer? Por que está criando um problema com algo que eu nem posso mudar?
— Não estou criando um problema, seu idiota. Só queria abordar isso porque vai pesar na minha cabeça enquanto eu continuar trabalhando para o NIS. A raiz do problema nunca vai desaparecer, mas não posso ficar de braços cruzados sem fazer nada a respeito. Assim como a minha mãe, quero que você fique ao meu lado por mais tempo, sem ter de se preocupar com nada.
Kwon Taekjoo sentiu que acabara de confessar algo embaraçoso, mas o rosto de Zhenya permaneceu frio. Ele apenas franziu a testa, concentrado em entender o verdadeiro significado por trás das palavras dele.
— O que você está escondendo de mim, Taekjoo?
— Não estou escondendo nada.
— Não, algo definitivamente aconteceu, não aconteceu?
— Estou te dizendo, não aconteceu nada. Estou pensando nisso há algum tempo, mas nunca toquei no assunto. Estive confortável demais por tempo demais, mas acho que agora finalmente estou caindo em mim.
— Ha… Taekjoo. Acha mesmo que eu não notaria se você estivesse escondendo algo…?
— Não comece a procurar desculpas para vir atrás de mim. Não tente descobrir o que estou fazendo quando não estou por perto. É assim que tem de ser.
Zhenya franziu a testa de novo. Compreensivelmente, parecia confuso com a distância repentina que Kwon Taekjoo estava impondo, ainda mais depois de terem acabado de fazer amor com tanta paixão. Kwon Taekjoo estendeu a mão e bagunçou a franja de Zhenya, num pequeno gesto para aliviar a tensão.
— Tudo o que preciso de você é que seja um parceiro amoroso, seu bastardo.
De repente, Zhenya agarrou os braços de Kwon Taekjoo, os olhos azuis intensos fixos nele, sem piscar. Parecia ansioso com o tom sério e determinado das palavras. Para Zhenya, era difícil aceitar o que Kwon Taekjoo dizia sem entender o porquê.
— Não me diga que está mesmo preocupado com os meus irmãos miseráveis. Você está sendo egocêntrico demais, Taekjoo. Mesmo que não estivesse por perto, nada entre eles e mim teria mudado. O que exatamente você acha que fez para piorar as coisas?
— Eu não vou morrer — declarou Kwon Taekjoo de repente a Zhenya, que ainda parecia relutante em aceitar a determinação dele com facilidade. Apesar do rubor que lhe subira às bochechas, permaneceu firme, continuando a tranquilizá-lo.
— Só confie em mim, tá? Não vou me jogar no perigo de forma imprudente de novo. Se você esperar por mim, eu volto para você, certo? — insistiu, exigindo uma resposta de Zhenya.
Zhenya lhe lançou um olhar de reprovação, claramente magoado. Era como se lutasse para decidir como reagir, irritado demais para concordar, mas incapaz de descontar a fúria em Kwon Taekjoo.
— Não estou dizendo que temos de ficar assim para sempre, então se acalme, idiota. Vou continuar pensando numa solução. No pior dos casos, aceito menos missões.
— Menos missões? Como se você fosse fazer isso.
— Ugh, seu bastardo, você desconfia de tudo. Eu sempre cumpro minhas promessas, custe o que custar.
Apesar dos repetidos esforços de Kwon Taekjoo para apaziguá-lo, Zhenya balançou a cabeça, em desafio. Kwon Taekjoo respondeu com um sorriso maroto, tentando aliviar o clima.
— O quê? Você ainda acha que eu não sou confiável?
A expressão endurecida de Zhenya se suavizou, e um sorriso se espalhou pelos lábios, aliviando a tensão entre os dois.
— Sempre soube que você era cínico, mas isso já é demais.
Kwon Taekjoo estendeu a mão, segurou com delicadeza o queixo de Zhenya e se inclinou para depositar um beijo suave e terno nos lábios dele. As bocas se encontraram sem força, num beijo calmo e doce que trouxe um calor agradável à pele. Zhenya o olhou, confuso, como se surpreso com a reviravolta inesperada.
— Considere isso um sinal por enquanto — brincou Kwon Taekjoo, com um sorriso.
No instante seguinte, Zhenya se lançou sobre ele. Rolaram juntos, os membros se entrelaçando num ataque ardente. O copo na mão de Kwon Taekjoo escorregou, e a garrafa de uísque e o cinzeiro sobre a mesa tremeram com a força dos movimentos. O líquido âmbar respingou nos corpos, encharcando os lençóis e a pele, mas nenhum dos dois pareceu se importar. Tudo o que importava era o desejo avassalador de tocar e dominar um ao outro. As preocupações e os conflitos foram completamente esquecidos no calor intenso do momento.
Kwon Taekjoo flutuava entre a consciência e a inconsciência, vez após vez. Ao longo do confronto intenso, o corpo oscilava entre a umidade e breves momentos de clareza, só para voltar a ficar pegajoso. Toda vez que abria os olhos, sentia a respiração pesada e os movimentos desesperados de um homem faminto por ele. Cada nervo do corpo se contorcia sob as sensações intensas que o dominavam. Respirações rápidas, misturadas a gemidos incontroláveis, escapavam da boca aberta. Ele tentava manter a compostura, mas o prazer avassalador o levava além dos limites, fazendo-o desmoronar por completo. Parecia que o cérebro ia ferver e derreter numa poça se ele não desmaiasse logo.
𑣲⋆ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws:
Rubyy&Belladonna
☰ ⌀ ⌀ ⌀ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais. ⌀ ⌀ ⌀ ☰
𖹭ּ ֶָ֢. Gostou do capítulo? Apoie a autora na plataforma oficial para demonstrar o seu carinho!