↫─☫ Capítulo 04.1
𓂃 ࣪˖ ִֶָ Um ou Outro-4 · Parte 1 ִֶָ་༘࿐
— Ah, meu Deus, se eu soubesse que o embaixador viria hoje, teria preparado uma refeição em casa — disse a mãe de Kwon Taekjoo, visivelmente arrependida.
— Você devia ter me avisado que ele vinha — acrescentou, repreendendo o filho.
Kwon Taekjoo se perguntou por quanto tempo a mãe continuaria tratando Zhenya como realeza.
— Ora, é bom comer fora de vez em quando. A comida daqui parece boa — respondeu ele.
— Por acaso é igual a uma refeição caseira, feita com carinho e dedicação? Além disso, o embaixador é muito exigente com comida.
— Hoje em dia ele come quase qualquer coisa.
Kwon Taekjoo continuou tranquilizando a mãe enquanto dava um chute discreto em Zhenya por baixo da mesa. Forçando um sorriso, perguntou:
— Não é mesmo, Sr. Embaixador?
Apesar dos pedidos de socorro sutis, Zhenya apenas lhe lançou um olhar confuso.
— Sorria, seu bastardo.
— O quê? Do nada?
— E balance a cabeça enquanto faz isso — murmurou Kwon Taekjoo.
Zhenya ergueu as sobrancelhas, claramente desorientado, mas então olhou para a mãe de Kwon Taekjoo. Sorriu e assentiu devagar, exatamente como instruído. Aquele simples sorriso bastou para aliviar as preocupações dela.
— Graças a Deus. Agora, coma, Sr. Embaixador.
Zhenya assentiu de novo. Mesmo sem entender direito o coreano, parecia captar o sentido geral das palavras dela. Sempre fora rápido para aprender e, depois de passar tanto tempo com a mãe de Kwon Taekjoo, aquilo já não surpreendia ninguém.
Por hábito, Kwon Taekjoo começou a arrumar na frente de Zhenya os acompanhamentos que sabia que ele conseguia comer.
— Vamos, coma — insistiu.
Zhenya levantou a colher e provou a sopa de frango com ginseng, depois pegou com cuidado um pedaço de frango com o garfo e deu uma mordida pequena. Kwon Taekjoo o observou comer até não aguentar mais e começou a mexer na panela de pedra de Zhenya com os pauzinhos.
— Ugh, que porra é essa? Você está só beliscando a comida.
Com destreza, Kwon Taekjoo separou as coxas de frango, colocou-as em outra tigela e desfiou a carne em pedaços médios. Só então Zhenya espetou a carne branca com o garfo e a levou à boca. Fechou os olhos com elegância, saboreando. Não parecia nem um pouco incomodado por ser servido por outra pessoa.
Irritado com a cena, Kwon Taekjoo murmurou:
— Príncipe mimado.
Como sempre, Zhenya tomou aquilo como elogio e ergueu a cabeça com um sorriso satisfeito. Kwon Taekjoo estalou a língua e já ia mergulhar na própria refeição quando percebeu o olhar da mãe. Por algum motivo, ela lhe sorria com ar de quem entendeu tudo.
— Por que você não está comendo, mãe?
— Sabe, teria sido tão bom se você tivesse feito isso por ele desde o começo.
— Feito o quê?
— Ele pode ser mais novo, mas é seu chefe. Devia tratá-lo bem, como acabou de fazer. Em quem mais o embaixador pode confiar num país estrangeiro? Eu temia que você fosse imprudente com ele, mas é tão bom ver vocês dois se dando tão bem.
— Se dando bem? Ele deveria ser meu superior, mas não consegue nem cuidar de si mesmo. Não tive escolha senão ajudar.
— Ah, Taekjoo. Por que está sendo tão tímido com isso?
— Não estou. Agora coma rápido; a comida está esfriando.
— Tudo bem, vamos comer.
A mãe separou com cuidado uma coxa de frango da própria panela de pedra, colocou-a em um prato e o entregou a Zhenya.
— Sr. Embaixador, o verão está chegando ao fim. Na Coreia, recuperamos as forças comendo pratos nutritivos como este. Sei que você tem tendência a ter insolação, então coma um pouco para recobrar a energia.
Zhenya aceitou o prato com obediência e um sorriso, e a mãe de Kwon Taekjoo retribuiu. Por mais vezes que presenciasse aquele tipo de troca, Kwon Taekjoo sempre se surpreendia.
— Taekjoo, você também quer um pouco…?
— Não, estou bem. Já tenho o bastante.
A mãe tentou lhe oferecer a última coxa de frango, mas Kwon Taekjoo recusou com firmeza. Ela reclamou que, por causa da idade, não conseguia comer muito, e insistiu em colocar a coxa na tigela dele. Em resposta, Kwon Taekjoo puxou uma coxa da própria panela e a pôs no prato dela.
Zhenya os observou discutir, divertido, e comentou com uma risadinha:
— Os coreanos são engraçados.
A mãe de Kwon Taekjoo se virou para Zhenya e perguntou se ele estava gostando da refeição. Os olhos de Zhenya se curvaram num sorriso. Para um homem como ele, o jeito de corresponder era quase charmoso demais.
— O aniversário do embaixador está chegando, não está?
— Sim.
— Você disse a ele que eu quero preparar uma refeição de aniversário?
— Mãe, qualquer refeição já seria mais que suficiente. Por que se dar ao trabalho de fazer uma refeição especial de aniversário?
— Bem, só se faz aniversário uma vez por ano. Podíamos convidar algumas pessoas para comemorar com ele. Podíamos chamar o Jongwoo e, quem sabe, a Olga, se ela estiver livre. Para ser sincera, não me importaria de convidar todos os seus colegas da embaixada. Adoraria conhecê-los e pedir que cuidassem bem do meu filho.
— Isso seria estranho, ele nem é seu filho. Além disso, se eu convidasse todo mundo, começariam a espalhar boatos de que estou usando a minha mãe para puxar o saco do meu chefe.
— Sério? Você acha?
— Sim. Então vamos manter a coisa simples. Já é trabalho demais para você, mãe. O embaixador devia ficar grato só de ganhar uma sopa de algas.
O olhar de Zhenya foi de Kwon Taekjoo para a mãe dele, aparentemente se perguntando do que falavam, enquanto os dois lhe lançavam olhares sutis. Kwon Taekjoo olhou para ele e disse:
— Não é mesmo?
Puxou-o de volta para a conversa como reforço.
— Não tenho ideia do que você acabou de dizer.
— Eu já te disse: é só me acompanhar quando estivermos com a minha mãe.
— Talvez eu acompanhasse se as suas traduções não fossem um desastre completo.
— E como você saberia se são um desastre ou não?
— Infelizmente para você, não sou tão burro quanto pensa.
— Já ouviu falar de mentira branca, seu bastardo?
— Mentira branca? Essa é boa, vindo de você.
— Olha só quem fala.
— Olhe-se no espelho.
Zhenya se recusava terminantemente a deixar Kwon Taekjoo ter a última palavra. Kwon Taekjoo voltou o olhar para a mãe.
— Enfim, acho que a minha mãe vai ficar de coração partido quando você voltar para a Rússia.
— Taekjoo, enquanto você estiver aqui, isso não vai acontecer.
— Como você sabe? O seu país disse que vai deixar você ficar aqui para sempre?
— É mais seguro para eles se eu ficar aqui e, além disso, é o que eu quero.
— Você me disse que não estava ficando aqui porque gostava da Coreia.
— Nunca disse que você estava nessa categoria.
— Sério?
— Se ainda estou aqui, mesmo sem ter me encantado com o lugar, isso não diz tudo? — murmurou Zhenya, desviando os olhos para a mãe de Kwon Taekjoo, sentada à sua frente.
Como se estivesse esperando por isso, a mãe de Kwon Taekjoo começou a bombardear Zhenya de perguntas: se tinha acontecido algo na Rússia durante a ausência dele, se a Olga estava bem, como estavam os pais dele, se pretendia ficar no país por um tempo e se retomaria em breve suas funções na embaixada. Embora Zhenya não entendesse uma palavra, ouvia com atenção, retribuindo com um sorriso gentil.
Em momentos como aquele, Kwon Taekjoo sentia um curioso orgulho de Zhenya. Era como se ele estivesse tentando de verdade trazer Kwon Taekjoo e as pessoas ao redor para o seu pequeno e restrito mundo.
Kwon Taekjoo apertou com firmeza a coxa de Zhenya por baixo da mesa. O olhar de Zhenya foi do próprio colo para o lado do rosto de Kwon Taekjoo. Ele fingiu ouvir as palavras da mãe enquanto sussurrava, baixo o bastante para só Zhenya ouvir:
— Vamos tomar uma bebida depois disso. Tenho algo para te dizer.
Os lábios de Zhenya se curvaram num sorriso suave.
— Claro, eu já ia propor o mesmo.
Depois do jantar, Kwon Taekjoo levou a mãe para casa, planejando deixar o carro lá durante a noite. Zhenya o seguiu obedientemente, mas dirigiu tão colado ao carro de Kwon Taekjoo, do restaurante até o estacionamento subterrâneo do prédio, que Kwon Taekjoo ficou tenso o trajeto inteiro. Estacionou depressa, ajudou a mãe a sair do carro e lançou um olhar furioso para a Bugatti de Zhenya.
Zhenya, totalmente imperturbável, saiu do carro e indicou com a cabeça o elevador, para onde a mãe de Kwon Taekjoo se dirigia. Ela parou para se despedir dele.
— Faça uma boa viagem de volta, Sr. Embaixador. Fique à vontade para nos visitar sempre que estiver livre.
Zhenya não respondeu, mas exibiu um sorriso que chegou a enrugar os cantos dos olhos. A mãe de Kwon Taekjoo ficou sem fôlego por um instante ao vê-lo. A cena lembrou a Kwon Taekjoo uma celebridade experiente encantando sem esforço uma fã ingênua e deslumbrada.
Sabia que ela continuaria olhando para Zhenya com admiração se deixasse, então a virou com delicadeza pelo ombro e a levou até o elevador, chegando a apertar o botão para ela.
— Pode subir agora. Vou tomar uns drinques com ele.
— Tudo bem.
— Mm… Talvez eu não volte para casa esta noite; podemos acabar bebendo até tarde.
— Entendo, não se preocupe comigo, vá se divertir. Só não beba tanto a ponto de passar mal amanhã.
Por algum motivo estranho, a mãe era excepcionalmente tolerante quando se tratava de ele passar tempo com Zhenya. Não se importava que ele passasse a noite “bebendo” com Zhenya ou fizesse “viagens de negócios” com ele por vários dias. Mesmo quando não conseguia falar com o filho enquanto ele estava fora, já não se preocupava tanto quanto antes. Na verdade, se ele ligasse para ela durante o trabalho, ela o repreendia e mandava desligar na hora, dizendo que o embaixador podia estar esperando. Será que confiava tanto em Zhenya? Zhenya não era alguém digno de tamanha confiança cega.
— Vá logo. O embaixador está esperando.
Estava claro que aquela noite não seria exceção. Quando o elevador chegou, a mãe entrou e acenou para ele. Kwon Taekjoo assentiu, mas esperou as portas se fecharem por completo antes de se virar.
Zhenya aguardava, encostado com naturalidade na porta do passageiro da Bugatti. Quando Kwon Taekjoo se aproximou, indicou com a cabeça o banco do motorista.
— Você dirige.
Zhenya deslizou para o banco do passageiro, deixando Kwon Taekjoo fazer o que lhe fora mandado. Havia dirigido bem até então, mas parecia que o príncipe mimado tinha voltado ao normal. Kwon Taekjoo estalou a língua e entrou, relutante, no banco do motorista.
Enquanto afivelava o cinto de segurança e soltava o freio, uma mão pálida de repente alcançou seu rosto. Assustado, Kwon Taekjoo estremeceu, o corpo tenso. Zhenya sorriu, satisfeito com a reação, e os dedos roçaram a curva fria da orelha de Kwon Taekjoo, aquecendo-a. Arrepios percorreram sua pele, e os pelinhos da bochecha se eriçaram. Ele se encolheu, o ombro se erguendo por instinto por causa das cócegas. Mas Zhenya insistiu, inclinando-se sobre o console para passar a língua pela bochecha e pela orelha dele, chegando a mordiscar a borda externa da orelha com os lábios secos.
Kwon Taekjoo ficou completamente atônito.
— É por isso que você mandou eu dirigir?
— Qual é o problema? Prefere que eu dirija? — perguntou Zhenya, depositando beijos na bochecha e no pescoço dele.
Kwon Taekjoo sabia muito bem que, se Zhenya estivesse dirigindo, provavelmente bateriam em alguma coisa antes mesmo de sair do estacionamento. Suspirou enquanto Zhenya se aninhava em seu pescoço, inalando o cheiro dele com entusiasmo.
— Idiota, me dê só dez minutos para chegar ao seu apartamento.
— Devia se orgulhar de eu ter sido tão paciente até agora.
— Ugh… Você pode parar, por favor? Não consigo ver nada porque esse seu corpanzil está bloqueando minha visão.
— Por que tanta reclamação? Você já dirigiu muito bem até com os olhos cobertos — provocou Zhenya, o tom divertido com a lembrança.
A mente de Kwon Taekjoo voltou à época em que fora enviado à Síria em uma missão internacional. Como a Coreia do Norte era aliada de longa data da Síria na colaboração nuclear, o NIS mantinha alerta máximo para qualquer manobra diplomática de um dos dois países. Com o tempo, descobriram que uma empresa comercial norte-coreana, a Cheongang, havia fornecido uma quantidade significativa de tubos de alumínio à Síria. Esses tubos eram um componente-chave das centrífugas usadas para enriquecer urânio, o que levantava a suspeita de que a Coreia do Norte ajudava a Síria a desenvolver armas nucleares. Era crucial confirmar isso e, naturalmente, a missão ficou com Kwon Taekjoo.
Como de costume, Zhenya também apareceu na missão, aparentemente visitando as instalações nucleares como convidado credenciado. De qualquer modo, Kwon Taekjoo conseguiu concluir a missão com sucesso, fosse graças à interferência de Zhenya, à ajuda dele ou a uma mistura das duas coisas. Porém, quando estava prestes a terminar e fugir, os guardas da instalação o flagraram, desencadeando uma grande briga antes que ele conseguisse escapar no último jipe disponível.
O único problema era que, durante a escaramuça, a munição explodiu, cegando temporariamente Kwon Taekjoo. Com tiros chovendo sobre eles, ele não teve escolha senão sentar ao volante e confiar inteiramente em Zhenya para guiá-lo. Zhenya o guiou pelo caos, gritando os obstáculos e dando instruções. Quando finalmente escaparam, os quatro pneus estavam destruídos, os para-choques dianteiro e traseiro mal se sustentavam, e os retrovisores laterais tinham sido arrancados havia muito tempo. Não era exatamente uma lembrança engraçada, mas Kwon Taekjoo não conseguiu evitar um risinho ao recordar a situação absurda.
— Eu arriscava a vida naquela época porque era o meu trabalho. Não preciso fazer isso agora.
— Por que não? Você adorava a adrenalina na época e ainda adora. Não fica ainda mais excitado quando é mais perigoso? — Zhenya riu.
‘Está falando de si mesmo?’, pensou Kwon Taekjoo.
Por mais que quisesse, não encontrava resposta, porque Zhenya não estava totalmente errado. Mas um sentimento amargo surgiu nele ao perceber que a maioria das lembranças com Zhenya estava ligada a momentos de perigo e risco.
Kwon Taekjoo estendeu a mão para mexer no cabelo claro de Zhenya. O gesto inesperado de ternura calou as provocações dele.
𑣲⋆ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws:
Rubyy&Belladonna
☰ ⌀ ⌀ ⌀ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais. ⌀ ⌀ ⌀ ☰
𖹭ּ ֶָ֢. Gostou do capítulo? Apoie a autora na plataforma oficial para demonstrar o seu carinho!