↫─☫ Capítulo 03.5
𓂃 ࣪˖ ִֶָ Um presságio: Para o bem ou para o mal · Parte 5 ִֶָ་༘࿐
— É sobre a sua tia do Canadá.
A tia do Canadá era a irmã mais velha da mãe dele, dez anos mais velha. Havia se mudado para o Canadá logo depois de casar, por isso Kwon Taekjoo quase não a vira. Mesmo assim, as duas eram muito próximas e conversavam quase todos os dias. Quando o pai e o irmão dele morreram em serviço, a tia atravessou milhares de quilômetros para passar meses ao lado da mãe.
— Sim. Como ela está? Faz tempo que não a vejo.
— Lembra que ela operou um tumor no cérebro há algum tempo? Disseram que removeram tudo, mas ultimamente ela anda com problemas de visão e dificuldade para se mover. Foi ao hospital, e disseram que voltou… Vai precisar de outra cirurgia, mas o local não é bom, então está muito preocupada. Mesmo que a cirurgia corra bem, o prognóstico dessa vez pode não ser favorável.
— Ah…
— Mas não há muito que eu possa fazer daqui. Só posso rezar para que a cirurgia corra bem e ela se recupere sem complicações.
Era natural ficar perturbada ao saber que uma pessoa querida, sempre confiável e solidária, estava prestes a enfrentar uma situação de vida ou morte em um país estrangeiro. A mãe sempre se preocupara com o bem-estar dos outros, e Kwon Taekjoo tivera grande participação nisso. Vivendo sempre à beira do perigo, ele a enganara com a desculpa de que fazia aquilo por ela, o que fora um grande desserviço.
— Eu te levo.
— Ah, não precisa. Posso ir rapidinho sozinha.
— Você se cansa dirigindo de um lado para o outro. Não tenho nada para fazer hoje, então vamos juntos.
— Mas você não gosta de ir ao templo.
— Também quero tomar um ar fresco.
A mãe olhou para Kwon Taekjoo com expressão surpresa. Ele a encarou com calma e disse:
— Vamos hoje, comigo.
Vendo o filho insistir de modo incomum, ela sorriu e respondeu:
— Então tudo bem…
— Mas não tem problema você faltar tanto ao trabalho?
A mãe parecia preocupada. Parecia inquieta porque o filho, que ela raramente via, estava em casa havia vários dias.
— Por quê? Você costumava reclamar que eu estava sempre trabalhando. Agora já está cansada de me ver?
— Não, só pensei que talvez você tivesse sido demitido da embaixada.
— Demitido? Não. É só que o embaixador ainda não voltou.
— Sério? Você não tem nada para fazer se ele não está aqui?
— Bem, mais ou menos. Meu trabalho principal é ajudar o embaixador.
— Então, quando o embaixador voltar para o país dele, o que você vai fazer? Vai ter que procurar outro emprego?
— Bem, pode ser que sim.
A resposta casual aprofundou a preocupação da mãe. Não era raro ela perguntar de vez em quando por quanto tempo Zhenya ainda ficaria na Coreia. Já temia que o mandato dele terminasse um dia. Também se preocupava com a possibilidade de o filho ficar desempregado.
— Não se preocupe. Não é como se não houvesse outro lugar para eu trabalhar.
— Só tenho medo de você acabar em um lugar perigoso de novo, como antes. Agora vejo você mais estável e mais feliz, Taekjoo. É por isso que desejo que o embaixador fique na Coreia.
A mãe acreditava que Kwon Taekjoo havia deixado aquele tipo de trabalho, mas ele nunca saíra de verdade. Ainda assim, ela o via mais em paz agora. A única diferença real era que Zhenya estava sempre ao lado dele. Zhenya não apenas preenchia o vazio em Kwon Taekjoo, como também participava das operações, facilitando muito o trabalho.
Antes, mesmo depois de concluir uma missão com sucesso, nunca se sentia totalmente à vontade. Não conseguia relaxar de verdade, nem em casa. Precisava agir como se estivesse tudo bem na frente da mãe. Se se machucava, escondia e sofria em silêncio.
A culpa e o pesado fardo da responsabilidade haviam diminuído aos poucos. Agora, quando termina o trabalho, só pensa em chegar em casa o mais rápido possível. Nos braços de Zhenya, sente uma calma que nunca conhecera antes, o corpo e a mente totalmente à vontade. Kwon Taekjoo se acostumou a tê-lo ao seu lado.
— …Eu também.
Kwon Taekjoo murmurou, perdido em pensamentos profundos. Na verdade, nem percebia o que estava dizendo. Sabia que não podia esperar que Zhenya ficasse para sempre na Coreia, mas ainda assim desejava isso. Mesmo sem poder fazer muito por Zhenya como parceiro e colocando-o constantemente em perigo, continuava egoísta.
— Filho, há algo te incomodando?
A pergunta da mãe o tirou dos pensamentos. Olhou para o retrovisor e viu o próprio rosto sério refletido. Rapidamente mudou a expressão.
— Eu? Não, por quê?
— Você parece ter muitas coisas na cabeça. Sua expressão parece tão sombria.
— Acho que é porque não dormi bem. Talvez eu tenha jogado demais?
Tentou aliviar a preocupação da mãe com uma desculpa leve. Como sempre, ela o repreendeu.
— O quê? Na sua idade, você ainda fica acordado a noite toda jogando? Que bem isso faz?
— Ah, faz tempo que não tenho folga. Estou só jogando um pouco para aliviar o estresse, então deixa eu aproveitar.
— O quê? Como jogar videogame poderia aliviar o estresse? Dizem que na verdade piora. A exposição constante à violência pode deixar suas ondas cerebrais instáveis.
— Não é tão grave. Ah, chegamos.
Chegaram na hora certa. Por ser dia de semana e o templo não ser famoso, o estacionamento estava vazio. Ele estacionou o mais perto possível da entrada, já que precisavam subir uma ladeira para chegar até lá.
A sombra das árvores grossas tornava o calor do verão mais suportável, e, de vez em quando, uma brisa com cheiro de pinho passava, refrescando-o. Embora o lugar fosse tranquilo e agradável, ele raramente o visitava, sempre alegando estar ocupado demais. Na verdade, evitava ir porque era difícil ver a mãe tão triste toda vez. Sabia muito bem como seria a vida dela se ele seguisse os passos do pai ou do irmão.
— Você vai até o topo também?
— Sim. Já que estamos aqui, vamos.
A mãe olhou para ele, surpresa, antes de dizer:
— Vamos.
E começou a andar na frente. Ele a seguiu devagar, alguns passos atrás.
Respirando o ar fresco e limpo, saboreou a tranquilidade do lugar. De repente, o rugido alto de um motor rompeu a paz. Virou-se bruscamente, achando que algum maníaco estava perturbando a calma do templo. A testa franzida se desfez quando viu uma Bugatti de cor familiar. A mãe também exclamou, surpresa:
— Não é o carro do embaixador?
— Parece que sim.
— Como ele soube que estávamos aqui? Você contou a ele, Taekjoo?
— Não.
— Sério? Bem, vá logo.
— Sim. Mãe, vá na frente.
— Tudo bem.
Kwon Taekjoo desceu a ladeira depressa. A Bugatti, que entrara direto no estacionamento, parou sem se preocupar em estacionar direito. Por fim, a porta do motorista se abriu, e Zhenya saiu. Embora a aparência não tivesse mudado nada, havia algo quase irreal nele.
Zhenya não pareceu surpreso ao ver Kwon Taekjoo se aproximando. Era como se soubesse exatamente onde ele estava e o que fazia. Lançou-lhe um olhar ligeiramente irritado enquanto ele chegava, mas, quando notou a irritação no rosto de Kwon Taekjoo, sorriu.
— Eu avisei, Taekjoo. “Em breve” é em breve.
— Quando você chegou?
— Agora mesmo.
Teria vindo direto do aeroporto? O telefone ficara em silêncio durante a viagem toda, então Kwon Taekjoo não esperava que Zhenya já estivesse de volta à Coreia. Se ia aparecer, podia ao menos ter avisado. Zhenya sempre o pegava desprevenido. Quando ele começaria a agir como uma pessoa normal?
— Como você sabia que eu estava aqui?
— Isso importa?
— Claro que importa, seu bastardo! Você colocou um rastreador no meu telefone? Instalou algum aplicativo espião?
— Taekjoo, isso é culpa sua. Você sempre se mete em situações perigosas, e nunca se sabe onde você vai estar.
Zhenya continuava culpando os outros pelo próprio comportamento imprudente e exagerado. Será que não conhecia a palavra “autorreflexão”? E, ainda assim, Kwon Taekjoo havia escolhido ficar com ele.
Kwon Taekjoo examinou Zhenya, irritado, avaliando o rosto radiante e o corpo. Ele não parecia ter sofrido nenhum ferimento.
— Você terminou seus negócios?
— É raro você perguntar sobre o meu trabalho, Taekjoo.
— Bem, foi por minha causa que você teve que negociar com aquele tal de Matías, ou como ele se chama.
— Verdade. Custou bem caro. Você sabe quanto são as taxas de manutenção?
Zhenya assentiu e murmurou, zombeteiro. Continuava sorrindo como se algo o divertisse muito. Kwon Taekjoo estudou os olhos dele com cuidado, um de cada vez, e perguntou com cautela:
— …Você só foi cuidar disso?
— O que mais?
— Sei lá, talvez tenham te chamado de volta para casa de novo.
Por um momento, Zhenya pareceu surpreso, mas depois voltou a sorrir. O peito se inflou levemente. Claramente havia interpretado as palavras de Kwon Taekjoo de forma errada, e com entusiasmo.
— Taekjoo, você ainda está preocupado que eu fique noivo de outra pessoa? Quer me ter só para você?
O tom era tão leve que parecia que ele estava cantando.
— Não é isso…!
Kwon Taekjoo cerrou os punhos de frustração, mas depois os relaxou. Não valia a pena discutir. Coçou a nuca, irritado.
— Ah! Você realmente me dá dor de cabeça.
— Sua cabeça dói porque você pensa demais em mim? Que fofo.
O sorriso arrogante o deixava ainda mais irritante. Zhenya não parecia ter sofrido nenhum dano emocional. Kwon Taekjoo pensou que poderia verificar mais tarde se havia algum ferimento oculto. Já não estava claro quem se preocupava mais com quem. Estalando a língua, balançou a cabeça.
Naquele momento, Zhenya começou a olhar ao redor, como se procurasse alguém.
— A propósito, o que aconteceu com a mulherzinha?
— Eu disse a ela para ir na frente. Mas como você sabia que eu estava aqui com a minha mãe?
— Já estive aqui algumas vezes.
— Aqui? Por quê?
— É um lugar que a mulherzinha visita com frequência.
Zhenya respondeu com indiferença. A mãe de Kwon Taekjoo de fato o levara ao templo várias vezes, como se os dois fossem quase amigos. Ele pensou que a mãe se sentiria muito solitária quando Zhenya voltasse para o país dele. Enquanto estava perdido nesses pensamentos, Zhenya deu um passo mais perto, quase se encostando nele.
— O que foi? Por que está chegando tão perto?
— Depois de ficar tão ansioso, não vai me dar um beijo de reencontro?
Zhenya fingiu estar magoado, com uma expressão descarada. Inclinou devagar o rosto em direção a Kwon Taekjoo, deixando o cheiro dele ainda mais forte. Seria porque fazia tempo que não o via? Ou será que realmente sentira tanta falta dele naqueles poucos dias? Os dedos de Kwon Taekjoo tremeram, e a garganta se contraiu de leve.
— Idiota. Não na frente de um templo sagrado. Dá azar.
Segurou o rosto de Zhenya, impedindo-o de se aproximar mais. Zhenya não recuou. Em vez disso, pressionou os lábios contra a palma de Kwon Taekjoo enquanto respondia:
— Eu não sabia que você acreditava em deuses, Taekjoo.
— Justamente por isso. Até uma pequena ofensa pode despertar a ira deles. Além disso, a minha mãe pode nos ver de qualquer lugar, e ela sabe que você está aqui.
— Vamos — disse Kwon Taekjoo, indicando com a cabeça a entrada mais acima. Tentou retirar a mão do rosto de Zhenya, mas Zhenya agarrou de repente o pulso dele. Antes que Kwon Taekjoo pudesse reagir, Zhenya lambeu sua palma. Enquanto a linha da mão se umedecia, os ombros dele se contraíram involuntariamente.
— Ei, o que você está fazendo?
— Estou com fome. Preciso de um gostinho antes de causar problemas. Já que não posso morder os seus lábios, vou ter que me contentar com isso.
Zhenya mordeu com firmeza a base da palma de Kwon Taekjoo antes de soltar o braço dele. Vendo as marcas de dentes bem visíveis, Kwon Taekjoo sentiu uma onda de repulsa.
— Você acha mesmo que é um cachorro?
— Devia se orgulhar de eu ter me contido com uma única mordida.
— Orgulhar de quê? Só não faça besteira na frente da minha mãe.
— Você se preocupa demais. Não é a primeira vez que vejo a mulherzinha. Além disso, ela gosta de mim.
— Bem, não sei se a minha mãe gostaria tanto de você se soubesse que você está colado no filho dela dia e noite.
Discutindo, foram em direção ao templo. A mãe já havia entrado no santuário e sumira de vista. Kwon Taekjoo não tinha intenção de rezar com ela, então observou em silêncio o homem sereno ao seu lado.
— Por que a mulherzinha continua vindo aqui?
Zhenya, que o seguia em silêncio, perguntou com ar entediado. Mesmo acompanhando a mãe dele de vez em quando, não sabia a finalidade daquelas visitas? Kwon Taekjoo deu de ombros e respondeu de um jeito que Zhenya pudesse entender.
— É como uma igreja ou uma catedral. Às vezes as pessoas homenageiam as almas dos que partiram, e às vezes rezam a Deus para ter paz de espírito.
— Não entendo.
— Por que não? Se tivesse acreditado em Deus desde o início, não teria vivido do jeito que viveu. Como vai limpar esse “carma”?
— Carma?
— Quando você morrer e encontrar Deus ou coisa parecida, peça para fazerem de você um “anjo da morte”. Você não vai mais poder reencarnar como humano, e isso combina perfeitamente com você.
— Taekjoo, você vai continuar dizendo coisas que eu não entendo?
— Eu te disse para aprender coreano, idiota.
Zhenya estreitou os olhos, desconfiado. Com certeza levaria muito tempo para um estrangeiro dominar palavras como “carma” ou “reencarnação”.
— E você?
— O que tem eu?
— Você acredita em Deus?
— Não, eu também não acredito… Mas algumas pessoas só conseguem continuar vivendo se acreditarem.
O sorriso de Kwon Taekjoo se apagou devagar. O olhar se fixou no santuário onde a mãe rezava.
— Elas acreditam que, se lembrarem e homenagearem com sinceridade os que partiram, a alma do falecido encontrará paz onde quer que esteja. Essa crença parece confortar também os vivos. Mas eu, quando morrer, gostaria que as pessoas que me conheceram me esquecessem o mais rápido possível.
Talvez fosse porque vivia mais perto da morte do que da vida. Embora respirasse, projetava seus sentimentos mais nos mortos do que nos vivos. Dizia com frequência a Zhenya, quase por hábito:
— O que você vai fazer sem mim?
Kwon Taekjoo sempre tinha em mente a própria ausência.
— …
O olhar de Zhenya o perfurou. Naquele momento, o vento fez os galhos das árvores balançarem em uníssono. O cabelo de Kwon Taekjoo também começou a se mover suavemente.
No instante seguinte, Zhenya estendeu a mão de repente e agarrou Kwon Taekjoo, que desviava o olhar. Com expressão perplexa, ele perguntou por quê. Como não fora um gesto deliberado, Zhenya apenas balançou a cabeça.
Kwon Taekjoo sorriu e o repreendeu:
— Bastardo arrogante.
Então retirou a mão de Zhenya do braço e a segurou com suavidade na sua. Fingindo indiferença, desviou o olhar. Zhenya apertou a mão de Kwon Taekjoo, como se temesse que ele desaparecesse se não a segurasse com força.
𑣲⋆ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws:
Rubyy&Belladonna
☰ ⌀ ⌀ ⌀ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais. ⌀ ⌀ ⌀ ☰
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