↫─☫ Capítulo 03.2
𓂃 ࣪˖ ִֶָ Um presságio: Para o bem ou para o mal · Parte 2 ִֶָ་༘࿐
Daquela vez foi diferente? Não, não foi. Ainda assim, Kwon Taekjoo demonstrou uma compaixão desnecessária. Claro, o objetivo da operação era recuperar os dados vazados com segurança. Embora um encontro com os hackers fosse inevitável no processo, não era preciso eliminá-los. Na verdade, os irmãos que ele salvou de uma morte certa não eram terroristas perigosos e não ofereceram resistência feroz. Mantê-los vivos não representava uma ameaça significativa à segurança nacional. Então por que ainda se sentia desconfortável? Kwon Taekjoo se questionou repetidas vezes, tentando entender a fonte daquela inquietação.
— Nos dados que você recuperou desta vez, encontramos algumas informações bastante interessantes.
O Diretor Kwak mudou de assunto.
— Parece que o “Martelo Elétrico” tem sido mais ativo do que pensávamos. Não apenas em nosso país, mas também na Tailândia, na Rússia, na China, na Coreia do Norte e no Japão. Quando descriptografamos os dados protegidos coletados em campo, encontramos informações de alto nível, até segredos de Estado. Detectamos até movimentos incomuns na Coreia do Norte que nem o Serviço Nacional de Inteligência havia identificado.
Kwon Taekjoo olhou para o tablet que o Diretor Kwak lhe mostrava. A tela estava ocupada pela foto de um homem de meia-idade. Seria coreano? Ou alguém do lado norte-coreano? Voltou o olhar para o Diretor Kwak, em busca de uma explicação.
— Park Jung-ho, um biólogo norte-coreano. Passou a vida inteira pesquisando a ecologia e os microrganismos do Monte Baekdu. Diz-se que viajará para Vladivostok no fim deste mês como pesquisador visitante.
— Isso é só fachada. Qual é o verdadeiro propósito?
— Bem, ainda não temos certeza absoluta. Só podemos especular. Parece que, quando Park Jung-ho chegar a Vladivostok, terá reuniões secretas com a Rostec, a maior empresa de defesa da Rússia, e com a Pharmzashita, uma farmacêutica estatal. A Rostec se dedica à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologia militar, e a Pharmzashita opera sob a Agência Russa de Biologia Médica. Isso não parece suspeito? Segundo as informações, agentes do Ministério da Segurança do Estado da Coreia do Norte acompanharão Park Jung-ho o tempo todo, em especial este homem.
O Diretor Kwak deslizou a tela do tablet. Surgiu a foto de um homem em uniforme militar norte-coreano. Pelas insígnias no quepe e pelas medalhas que cobriam o peito, parecia ser um oficial de alta patente.
— Quem é ele?
— Shim Young-il. Chefe de Operações do Estado-Maior Geral da Coreia do Norte. Então, o que acha? Começando a ver o quadro geral?
Um biólogo norte-coreano se encontrando em segredo com uma farmacêutica estatal russa. A empresa em questão, a Pharmzashita, havia chamado a atenção internacional recentemente por comprar grandes quantidades de iodeto de potássio, que ajuda a reduzir a absorção de radiação pelo corpo. Isso sugeria possíveis testes nucleares russos. Como a maioria das estatais, a Pharmzashita seguia ordens do governo, então a reunião com o biólogo norte-coreano podia ser vista como um movimento do Kremlin. Além disso, a Rostec, que desenvolve tecnologia militar russa, e um oficial de alta patente do exército norte-coreano também estariam presentes. Dado que os dois países eram aliados militares havia muito tempo, não era um bom sinal.
Parecia que aquela era a razão pela qual o Diretor Kwak havia convocado Kwon Taekjoo. Ele foi direto ao ponto para confirmar as suspeitas.
— Então o senhor quer que eu vá a Vladivostok e descubra o que eles estão discutindo?
O Diretor Kwak sorriu sem responder. Era um sorriso de quem entendeu.
— Antes disso, há algo que precisamos esclarecer. O embaixador russo na Coreia do Sul, Yevgeny Vissarionovich Bogdanov.
O nome inesperado, vindo da boca do Diretor Kwak, fez Kwon Taekjoo se enrijecer, embora tentasse manter a compostura.
— Sim, continue.
— Como você sabe, a família Bogdanov é uma das mais influentes da Rússia. Não é exagero dizer que está envolvida em tudo o que a Rússia faz. O irmão do embaixador, Bazim Vissarionovich Bogdanov, que é um dos conselheiros mais próximos do presidente, também é conselheiro da Rostec. Além disso, o hotel onde os funcionários norte-coreanos ficarão hospedados durante a visita à Rússia é administrado pela família.
Kwon Taekjoo manteve a boca fechada. Não havia muito a discutir quando se tratava daquela família. Sua única preocupação era saber se Zhenya sabia algo sobre a reunião secreta ou se estava envolvido de alguma forma.
— Dizem que o embaixador russo também apareceu durante a operação em Cuba, não foi?
O Diretor Kwak perguntou de repente. Embora o tom fosse brando, era uma repreensão. O envolvimento de um diplomata estrangeiro em uma operação secreta conduzida pelo Serviço Nacional de Inteligência era sempre um problema em potencial. Na verdade, Zhenya já havia se envolvido mais de uma vez e parecia estar sob observação havia algum tempo.
— Não entendo por que ele continua ajudando você. Acho difícil aceitar a explicação que me deu antes, de que ele faz isso puramente por amizade pessoal ou boa vontade. Embora o envolvimento dele tenha estado alinhado com os nossos interesses até agora, honestamente não estou nada satisfeito. Se as coisas se agravarem, podem sair do controle, especialmente no campo diplomático. Além disso, este caso não pode ser descartado como mera coincidência. Ele é parte direta disso. Você entende?
Kwon Taekjoo nunca compartilhara informações do trabalho com Zhenya. Era sempre Zhenya quem descobria e se intrometia por conta própria.
Ainda assim, não era algo de que pudesse simplesmente se ressentir. Afinal, era verdade que se beneficiara da ajuda dele e, não fazia muito tempo, sentira alívio ao ver Zhenya vir em seu socorro. Já havia se acostumado com Zhenya aparecendo de repente durante as missões. Não, tinha se tornado dependente dele, mesmo que Zhenya não fosse seu parceiro de trabalho. Baixara a guarda e confiara nele, mesmo sabendo que, se fosse acusado de conspirar com um diplomata russo e vazar segredos nacionais, não haveria saída: não só para ele, mas também para Zhenya. Os dois estariam em perigo.
Kwon Taekjoo soltou um longo suspiro e cerrou os punhos.
— Entendo o que o senhor está dizendo. Vou garantir que ele não interfira em assuntos oficiais de novo. Não se preocupe.
— Posso confiar nisso?
— Sim.
— Tenho certeza de que você vai lidar bem com isso, mas certifique-se de agir sempre dentro dos limites que podemos gerenciar. A operação em Cuba foi bastante perigosa.
— Sim. Sinto muito.
— Tudo bem. Pode ir por hoje. Vou chamá-lo de novo quando tivermos mais detalhes sobre a operação.
— Certo, então.
Kwon Taekjoo se curvou e saiu. Manteve a expressão impassível o tempo todo, mas, assim que fechou a porta do gabinete, soltou um suspiro profundo. O peito parecia insuportavelmente apertado.
Estava bem ciente da família de Zhenya. Sabia exatamente como ela havia adquirido a riqueza e o poder atuais. Zhenya também havia contribuído para expandir a influência dos Bogdanov. Mesmo assim, Kwon Taekjoo o aceitara. Não acreditava que Zhenya tivesse mudado por completo.
Zhenya mantinha certa distância da família, e os erros dos Bogdanov não afetavam diretamente os interesses de Kwon Taekjoo, então ele havia decidido ignorá-los. Mais claramente, simplesmente não tinha tempo para se preocupar com aqueles assuntos. Em situações extremas, deixava-se levar pelas emoções, como se estivesse preso em uma tempestade. Era a primeira vez que tomava uma decisão baseada no coração, e não na cabeça. Teria sido imprudência?
Apesar das preocupações atuais, a reunião secreta entre a Coreia do Norte e a Rússia podia não dar em nada. Podia terminar em uma simples troca de novas informações entre os dois países. Se o acordo deles não ameaçasse a segurança da Coreia do Sul, Kwon Taekjoo não teria motivo para se sentir inquieto.
Mesmo assim, não conseguia se livrar daquele desconforto. Enquanto mantivesse Zhenya por perto, problemas semelhantes estavam fadados a se repetir. Enquanto Kwon Taekjoo continuasse a trabalhar para a Coreia do Sul e Zhenya permanecesse enraizado na Rússia, não havia como escapar daquele ciclo. Não era como se não tivesse previsto isso. Sabendo de tudo, aceitara a situação, mas por que ainda se sentia tão inquieto?
‘Yevgeny Vissarionovich Bogdanov, o embaixador russo na Coreia do Sul?’
Desde o início, Kwon Taekjoo nunca deveria ter deixado que a sede descobrisse a existência de Zhenya. Nem deveria ter permitido que soubessem que Zhenya o estava ajudando. Embora Zhenya sempre se intrometesse à sua maneira, aquela era uma operação secreta. Ninguém mais deveria ter sido exposto a ela.
Ainda assim, ele se envolvera com Zhenya de forma imprudente, desculpando-se com a ideia de que não conseguia detê-lo. Alimentado pela crença tênue de que Zhenya não o trairia, merecia mesmo a repreensão do Diretor Kwak.
Pensando em Zhenya, sabia que não deveria deixá-lo continuar agindo em seu nome. Quanto mais Zhenya se envolvesse em seus assuntos, mais delicada se tornaria a situação do próprio Zhenya. Ele precisava ter consciência disso.
‘Vamos, Kwon Taekjoo, se controle. Você não pode perder a cabeça por causa de um romance.’
Balançou a cabeça, irritado, tentando acalmar a frustração. Naquele momento, ouviu uma voz chamando por trás.
— Sunbae!
Kwon Taekjoo se virou e viu Yoon Jongwoo no fim do corredor, acenando com o braço. Virou-se por completo enquanto Yoon Jongwoo corria até ele.
— Em que você estava pensando tão fundo? Eu estava te chamando e você não ouviu.
— Sério? Desculpe.
— O diretor te chamou, certo? Você acabou de sair da sala dele?
— Sim.
— Ele pegou pesado com você?
— Você acha que eu vivo levando bronca?
— Então por que está com essa cara tão ruim? Você disse que só dormiu durante a folga. Ainda não se recuperou? Ninguém vence o tempo, nem mesmo você, Sunbae.
— O que quer dizer com “não vence o tempo”, idiota?
Kwon Taekjoo fez um movimento como se fosse chutar a bunda de Yoon Jongwoo. Jongwoo exagerou nos movimentos, desviando e entrando na brincadeira. Depois de se esquivar de um lado para o outro, acabou desistindo e foi pego em um mata-leão. Depois de brincar um pouco, Kwon Taekjoo esqueceu no que pensava com tanta seriedade.
— Ah, Sunbae. Por favor, tenha mais cuidado. Acho que você torceu meu pescoço.
— Olha só, um homem choramingando.
— Você, que quebra o pescoço de qualquer grandalhão com um golpe só, diz isso? Agora sim você voltou a ser você mesmo, sendo duro com os outros.
— Você fala demais agora que ganhou mais experiência. Sua língua está bem solta.
— Você sempre me trata mal quando se sente culpado. Depois de todo esse tempo, ia embora sem me ver?
— Por que eu deveria ver a sua cara o tempo todo?
— Nossa, essa doeu. Então dizer que eu sou o único em quem você confia foi só conversa fiada? Você só me procura quando precisa de alguma coisa.
— Por que está reclamando tanto hoje? O calor te afetou?
Diante das provocações constantes, Yoon Jongwoo demonstrou o descontentamento com uma expressão visivelmente magoada.
— Eu estava preocupado. Logo depois de ouvir a explosão, a comunicação foi cortada, e pensei que tivesse acontecido algo muito ruim.
— Eu não morro tão fácil assim.
— Mas você ficou sem contato por dois dias. Disseram que não havia asiáticos entre os mercenários capturados vivos no local. Como eu não ia me preocupar?
— Isso foi por um bom motivo…
Ele tentou explicar, mas se deteve. A explosão havia destruído o equipamento de comunicação, deixando-o sem meios de contatar a sede. O problema era que, em vez de procurar outra forma de se comunicar, passara aqueles dois dias com Zhenya. Claro, se Zhenya não tivesse aparecido, ele teria sido preso pela polícia cubana ou morto no local, e nunca teria conseguido contatar ninguém.
— …Deixa pra lá. É o meu carma, o meu destino.
— Não faça uma coisa tão imprudente de novo. Você não tem sete vidas. Tente ser mais cuidadoso.
Kwon Taekjoo assentiu vagamente e deu um tapinha no ombro de Yoon Jongwoo. Jongwoo, que o repreendera com fervor, logo se acalmou. Era engraçado e meio adorável como ele se inflamava e depois voltava ao normal em segundos.
— Você age como uma esposa.
Kwon Taekjoo riu e bagunçou o cabelo de Jongwoo sem delicadeza. Jongwoo, que suspirava abertamente, de repente parou e começou a olhar ao redor. Kwon Taekjoo também olhou em volta.
— O que foi? Está acontecendo alguma coisa?
— Não, só por precaução.
— Precaução contra o quê?
— Por mais louco que aquele russo seja, ele não estaria espionando o Serviço Nacional de Inteligência, estaria?
— Por que você falou dele de repente?
— Ele me olha como se quisesse me matar só porque eu toco em você. Com aqueles olhos afiados, parece que poderia cortar alguém em pedaços.
— Mas ele nunca te machucou, ou machucou? Não seja dramático.
— É porque ele é gentil com você, então você não sabe o quanto ele pode ser aterrorizante. Você não poderia dizer a ele para não entrar em contato comigo?
— Ele entra em contato com você? Parece que quer ser seu amigo.
— Não, não, eu não quero isso!
— Então diga isso a ele você mesmo.
— Você está querendo me matar?
— Se você não consegue, então seja amigo dele. Vocês dois parecem se dar bem.
Yoon Jongwoo rangeu os dentes e engoliu em seco, os punhos tremendo visivelmente. Kwon Taekjoo riu, imperturbável.
— Acha que esse cara me ouve?
— Se não fosse por você, Sunbae, eu…
— Eu não disse nada, certo?
— Agora eu leio mentes?
— Não minta.
Yoon Jongwoo lançou um olhar de desdém para Kwon Taekjoo, que ria.
— Tem certeza de que não há nada errado?
— Por que sempre tem que ter algo errado? Enfim, vamos beber alguma coisa. Faz tempo.
— Agora? Ainda estou em horário de serviço.
— Diga que está saindo em serviço. Se houver problema, eu te cubro.
— Me cobrir? Parece que vamos acabar escrevendo um relatório juntos.
— Não confia no seu sunbae? Eu consigo te proteger. Vamos.
Kwon Taekjoo passou o braço pelo pescoço de Yoon Jongwoo e saiu andando pelo corredor. Yoon Jongwoo se debateu por um momento, pedindo para ser solto, mas logo desistiu e perguntou o que ele ia pagar para ele. Afinal, eram colegas próximos e se davam bem.
𑣲⋆ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws:
Rubyy&Belladonna
☰ ⌀ ⌀ ⌀ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais. ⌀ ⌀ ⌀ ☰
𖹭ּ ֶָ֢. Gostou do capítulo? Apoie a autora na plataforma oficial para demonstrar o seu carinho!