↫─☫ Capítulo 02.6
𓂃 ࣪˖ ִֶָ Blue Shangri-2 · Parte 6 ִֶָ་༘࿐
Ao soltar a bochecha de Zhenya, notou que estava vermelha-viva… talvez tivesse beliscado forte demais. A culpa o dominou enquanto esfregava suavemente a bochecha dele. Apesar disso, Zhenya continuava a olhar para Kwon Taekjoo com um contentamento silencioso. Em momentos como aquele, quando mantinha a boca fechada e ficava parado, Zhenya era um anjo, como a mãe de Kwon Taekjoo sempre o chamava. Kwon Taekjoo se inclinou e depositou um beijo terno na testa dele.
Estava prestes a se levantar da rede quando a mão de Zhenya disparou e agarrou seu braço. O rosto dele estava cheio de suspeita.
— Taekjoo. O que está acontecendo?
— O quê?
— Você está sendo estranhamente carinhoso de novo. Não me diga que te designaram outra missão mais cedo.
— Quem você pensa que eu sou? Eu só estava tentando ser um bom amante — resmungou Kwon Taekjoo, repreendendo o cético Zhenya enquanto puxava o braço. Era a sua maneira de sinalizar que Zhenya também deveria se levantar. — Estou suado de brincar o dia inteiro. Vamos mergulhar em água quente.
Zhenya riu e seguiu Kwon Taekjoo de volta ao quarto. No caminho, o telefone de Zhenya tocou sem parar, mas ele o ignorou. Kwon Taekjoo não pôde deixar de se sentir preocupado. Afinal, chamadas insistentes geralmente indicavam algo mais urgente.
Kwon Taekjoo acordou ao som de um barulho fraco. Mesmo assim, manteve os olhos fechados, porque sentia o olhar de Zhenya fixo nele, ao lado. Permaneceu perfeitamente imóvel, mantendo a calma. Por fim, Zhenya lhe deu um beijo suave na testa antes de sair da cama. Kwon Taekjoo esperou alguns instantes depois que Zhenya fechou a porta do quarto antes de abrir os olhos. Sentou-se e esfregou o ponto da testa onde os lábios de Zhenya haviam tocado. Depois de pegar o roupão que havia jogado no chão sem cuidado, foi até a porta. Não suspeitava exatamente de Zhenya, mas queria saber o que ele estava fazendo àquela hora da noite. O silêncio ao redor lhe permitiu captar fragmentos da voz de Zhenya através da porta.
Kwon Taekjoo conteve a respiração e se concentrou intensamente na voz de Zhenya. Era claro que ele falava com alguém, e o tom, geralmente calmo e até frio, estava carregado de tensão.
— Por que você está tão curioso sobre onde estou? Desde quando você tem tanto interesse em mim?
Quem poderia estar tão insistente quanto ao paradeiro de Zhenya? Falavam em russo, o que sugeria que podia ser alguém da embaixada. Mas não fazia sentido ligarem àquela hora, já que na Coreia ainda eram apenas cinco da manhã.
Além disso, o jeito como Zhenya havia perguntado “Desde quando você tem tanto interesse em mim?” soava quase como uma reclamação. Era uma réplica familiar, que ele costumava usar com Kwon Taekjoo quando estava sendo sarcástico. De qualquer modo, era óbvio pelo tom de Zhenya que ele falava com alguém curioso sobre suas atividades recentes, e isso certamente restringia o círculo a um grupo seleto de pessoas que o conheciam pessoalmente. Seria Olga?
— Não importa, Bazim.
Mas um nome inesperado saiu da boca de Zhenya. Bazim era seu segundo irmão mais velho, Bazim Vissarionovich Bogdanov. Era um dos conselheiros mais próximos do presidente Lomonosov e um velho amigo dele. Teria sido ele quem bombardeara o telefone de Zhenya com chamadas durante a estadia na ilha? Não havia como o interesse dele ser mera preocupação com o irmão mais novo.
Bazim era um político de cabo a rabo. Provavelmente colocava os interesses da nação acima de tudo. Mais precisamente, serviria ao presidente para garantir sua posição e sua autoridade. E, para isso, precisava eliminar quaisquer ameaças ao governo atual, como fatores que pudessem abalar as relações diplomáticas da Rússia com outros países.
Sabendo de tudo isso, Kwon Taekjoo podia discernir com facilidade o verdadeiro motivo das chamadas insistentes de Bazim. Parecia que ele havia descoberto o que acontecera em Cuba.
Cuba era, havia muito tempo, aliada da Rússia. O recente ataque terrorista havia destruído a principal fonte de financiamento do governo cubano, e um russo havia intervindo para ajudar um dos principais suspeitos a escapar. Para Bazim, administrar aquele desastre já teria sido um desafio por si só, mas o fato de o russo em questão ser o próprio irmão só piorava as coisas. Kwon Taekjoo só podia imaginar o quanto a situação de Bazim devia ser embaraçosa.
Não era a primeira vez que algo assim acontecia. O próprio Kwon Taekjoo era agente do NIS coreano, e a Rússia estava longe de ser aliada da Coreia. As coisas que Zhenya havia feito por Kwon Taekjoo causaram todo tipo de problema ao seu próprio país. Por isso Kwon Taekjoo sempre insistira que Zhenya se mantivesse afastado de assuntos governamentais. Mesmo que fosse verdade que o país e a família o haviam abandonado fazia muito tempo, o histórico de Zhenya era tudo menos simples. Ele recebia uma ligação de casa como aquela toda vez que agia contra os interesses da Rússia. Não havia dúvida de que vinha sendo monitorado e interrogado desde que fora morar na Coreia.
Por ora, a Rússia podia ter considerado mais seguro manter Zhenya fora do país, mas não havia como saber quando exigiriam o retorno dele, se continuasse com suas travessuras. E, mesmo que Zhenya escolhesse ignorar a convocação, sempre poderiam forçá-lo a voltar acusando-o de vários crimes.
Kwon Taekjoo estava plenamente ciente desses riscos, embora tivesse tentado minimizá-los como meras tentativas de controlar Zhenya. Apesar da aparente indiferença de Zhenya quanto à própria situação, Kwon Taekjoo não podia mais ignorar os pensamentos perturbadores que pesavam sobre ele.
Não suportava ver Zhenya continuar a se isolar ainda mais.
— Lá vem — murmurou Zhenya, o olhar perdido no céu.
Tomavam um café da manhã tardio quando Kwon Taekjoo seguiu o olhar de Zhenya e viu um helicóptero se aproximando ao longe. Era diferente do helicóptero de abastecimento de sempre. A frente amarelo-brilhante, lembrando o rosto de um alienígena, era impossível de não notar. Só podia ser o helicóptero pessoal de Matías Pérez. Até o anterior, que ele pegara na última saída da ilha, era de um roxo profundo, parecido com um besouro. Era claro que Matías tinha mais dinheiro do que bom gosto.
— Eca, lá se vai o meu apetite.
Enquanto Kwon Taekjoo fazia uma careta de nojo, Zhenya sorriu, inesperadamente.
— Ele realmente não é o seu tipo, hein?
— Isso é pergunta que se faça, seu bastardo? Nunca me interessei por ninguém com pau, entendeu?
— Mas agora?
— Não, continuo assim. Tente ir a uma escola só de meninos, a uma faculdade de engenharia, ao exército e trabalhar numa área dominada por homens. Você vai ficar enjoado de ver o rosto de outros homens o tempo todo.
Kwon Taekjoo estremeceu de nojo. Zhenya apoiou o queixo nas mãos, aparentemente divertido. O jeito como os olhos dele se curvaram de satisfação era estranhamente atraente.
— Olá, amigos! Quanto tempo! Descansaram bem?
A risada característica de Matías Pérez cortou o rugido das pás do helicóptero, ecoando no ar. A entrada grandiosa havia perturbado por completo a mesa onde comiam. As rajadas de vento fizeram o café de Kwon Taekjoo respingar em sua mão. Tanto Zhenya quanto Kwon Taekjoo olharam para Matías Pérez com desdém enquanto ele se dirigia ao heliponto, prometendo vê-los mais tarde.
— Aquele bastardo… Podemos derrubar o helicóptero dele?
— É só pedir.
Os olhos de Zhenya acompanharam o helicóptero com um olhar gelado, pronto para derrubar Matías assim que Kwon Taekjoo desse o sinal. Kwon Taekjoo se perguntou como os dois haviam se conhecido, se Zhenya claramente desprezava aquele homem.
— Sério, como vocês dois se conhecem?
— Por quê? Isso te incomoda?
A expressão tensa de Zhenya se suavizou na mesma hora, quando seu olhar se voltou para Kwon Taekjoo. Então ele balançou a cabeça, descartando a própria pergunta ridícula.
— Juro, você é obcecado por mim.
— Não foi isso que eu quis dizer!
— E você é muito mais tímido do que parece. Taekjoo, você não precisa esconder o seu ciúme. Vou considerar isso um gesto adorável.
Zhenya deu de ombros, mantendo a cabeça erguida. Kwon Taekjoo cerrou os punhos diante da postura orgulhosa.
— Ah… É inútil tentar conversar com você.
Kwon Taekjoo desistiu de discutir com Zhenya e bebeu de um gole só o café americano, agora frio, limpando a mão com descuido no guardanapo sobre o colo.
Àquela altura, Matías Pérez já havia desembarcado do helicóptero e se dirigia ao convés. Aparentemente imperturbável diante da falta de reação de Zhenya e de Kwon Taekjoo, começou a soltar, alegre, uma série de cumprimentos.
— Amigos! Vocês devem ter tido uma noite bem selvagem, hein? Não estão com uma cara muito boa. Como está a ressaca?
Zhenya olhou para Matías com uma expressão indiferente enquanto falava com Kwon Taekjoo.
— Ele é só mais um dos meus clientes leais. Cobiça as minhas armas há muito tempo. Sem querer me gabar, mas as minhas armas são incomparáveis, tanto em poder destrutivo quanto em precisão. Se eu quisesse, poderia até personalizá-las ou modificá-las para ultrapassar limites físicos. Claro, seriam mais difíceis de manusear, mas isso faz parte do charme. Aquele bastardo visitou a Rússia várias vezes só para me ver.
— Que completo maluco.
— Quanto mais perigoso é algo, mais sedutor se torna. Afinal, se é difícil de dominar, só alimenta o desejo de conquistá-lo.
Em algum momento, o olhar de Zhenya havia voltado para Kwon Taekjoo. Quando os olhos se encontraram, os lábios de Zhenya se curvaram em um sorriso.
Kwon Taekjoo apontou o garfo para o rosto bonito de Zhenya e resmungou:
— É, e é por isso que digo que tanto você quanto ele são malucos.
Gabar-se do poder destrutivo de uma arma, chamá-la de sedutora e dizer que ela alimenta o desejo de conquistar… Como uma pessoa comum, Kwon Taekjoo não conseguia entender essa lógica. Será que a riqueza imensa levava as pessoas a buscar emoções mais intensas até perderem a cabeça?
Kwon Taekjoo se sentia desconfortável vendo alguém como Matías Pérez fingir se aproximar deles com boa vontade. Claro, aquela não era a única razão pela qual desaprovava o homem. Matías ergueu as sobrancelhas diante dos olhares espinhosos dirigidos a ele.
— Qual é, nem uma resposta? Eu fiz algo para irritá-los, amigos?
— Para quem você insiste em chamar de “amigos”, você nos trancou aqui e só voltou quando bem entendeu.
— Trancou vocês? Como pode dizer isso? Eu só estava protegendo vocês.
— Ah, é assim que você protege as pessoas no México? Espionando a vida privada delas?
— Você quer dizer as câmeras de segurança? Fomos atacados tantas vezes que é uma precaução necessária. Veja, tivemos muitos convidados com más intenções. Como vocês dois são fugitivos, só queria vigiá-los de perto… para protegê-los melhor, é claro.
— Então você decidiu nos espionar no quarto?
— Qual é o problema? Na hora, vocês não pareciam se importar. Na verdade, eu diria que até gostaram, não gostaram?
Matías Pérez os havia observado em momentos íntimos e não demonstrava nenhum sinal de vergonha. Em vez disso, excitação e diversão dançavam em seus olhos diante da ideia de ter descoberto um lado de Kwon Taekjoo que nunca imaginara. Ver aqueles olhos brilhantes e quase intoxicados fez Kwon Taekjoo perder o apetite. Matías havia se estabelecido firmemente na categoria de pessoas que Kwon Taekjoo não suportava. Nada de bom viria de continuar se associando a ele.
— Precisamos voltar para casa agora.
— O quê, tão cedo? Por que não ficam mais um pouco?
— Prefiro não ser brinquedo de um anfitrião pervertido, e não estou exatamente com disposição para mais bobagens.
— Juro, é tudo um mal-entendido, Taekjoo.
Naquele momento, Kwon Taekjoo e Zhenya fixaram os olhos em Matías ao mesmo tempo. Matías percebeu depressa e acenou com a cabeça em direção a Kwon Taekjoo.
— Esse não é o seu nome? Ouvi o Bogdanov te chamando assim várias vezes na noite passada.
— Devemos matá-lo? — perguntou Zhenya, friamente, deixando a raiva transparecer.
— Mas então ficaríamos presos aqui para sempre.
— Poderíamos escapar usando o helicóptero dele.
— E depois? O mais importante é voltar para a Coreia. Ainda não precisamos matá-lo.
Os dois trocaram uma conversa inquietante, com poucas palavras. Os olhos permaneceram fixos em Matías o tempo todo. Sem saber do diálogo, Matías comentou, malicioso:
— Estão me deixando de fora de novo?
Kwon Taekjoo lançou um olhar a Zhenya, instando-o em silêncio a lidar com a situação. Zhenya obedeceu e começou a pressionar Matías.
— … Cumpra a sua promessa, Pérez. Você não quer que o nosso acordo se transforme em um desastre, quer?
As palavras eram diretas, mas, vindas de Zhenya, tinham o peso de uma ameaça. E Matías certamente as interpretou assim.
— Hmm… Suponho que então não tenho escolha. Faz tempo que não recebo convidados. É uma pena mandá-los embora sem nem dividir uma bebida.
Matías Pérez ergueu o copo à sua frente, depois o bateu contra o de Zhenya e o de Kwon Taekjoo, deixando o assunto de lado por enquanto.
— Vou visitar a Rússia um dia desses. Espero que até lá você me mostre aquela famosa “Anastasia”, meu amigo. Estou morrendo de vontade de saber se ela é tão “bela” quanto dizem.
Zhenya exibiu um sorriso de entendimento, fixando os olhos em Kwon Taekjoo enquanto respondia:
— Se é isso que você procura, já está bem na sua frente.
Embora Matías não entendesse russo, Zhenya parecia perfeitamente à vontade para dizer algo tão embaraçoso na frente dele. Kwon Taekjoo balançou a cabeça e se levantou. Zhenya o seguiu logo em seguida.
Tudo o que Matías Pérez pôde fazer foi observar os dois o deixando para trás mais uma vez, enquanto lhes lembrava, repetidamente, da promessa.
𑣲⋆ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws:
Rubyy&Belladonna
☰ ⌀ ⌀ ⌀ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais. ⌀ ⌀ ⌀ ☰
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