↫─☫ Capítulo 02.5
𓂃 ࣪˖ ִֶָ Blue Shangri-2 · Parte 5 ִֶָ་༘࿐
— Ei. Você sabe o que está acontecendo, certo? Por que ele está agindo assim?
— O quê? A-Agindo como?
— Não vê como os ombros dele estão estufados? Ele parece tão orgulhoso de si mesmo, andando por aí de cabeça erguida.
— E-E-Eu não sei do que você está falando.
— Parece que sabe.
— Não, não sei.
— Sim, sabe.
— Ugh… isso não é justo, Sunbae. Se você pensar bem, nem é minha culpa!
— Eu serei o juiz disso. Então, qual é a história?
— Bem, é o seguinte… Você se lembra da última vez que nos deixou juntos para ir à sua reunião na universidade? Ele mencionou que você o chamava de “saekki” o tempo todo, e pesquisou em um tradutor on-line, e apareceu “bebê”. Ele me perguntou se estava certo, e então eu…
— Então o quê? Você realmente disse que era verdade?
— Bem, como eu ia dizer que na verdade significa “bastardo” quando ele perguntou tão animado? Foi só uma mentirinha. Além disso, foi o que o tradutor disse, e tecnicamente “saekki” pode significar “bebê”, então, na verdade, eu não menti.
Yoon Jongwoo continuou dando desculpas com uma expressão lastimável, à beira das lágrimas. Kwon Taekjoo estava tão atônito que se recostou, lutando para conter a frustração. Yoon olhou ansioso para ele e continuou a se defender.
— De qualquer forma, o Sr. Yevgeny ficou superfeliz com essa explicação, e eu não achei que ele descobriria a verdade a menos que você contasse. Além disso, você não quer dizer isso de forma negativa quando o chama assim, não é? Não acha que vai ficar tudo bem?
— Sim, sim, você foi ótimo. Nem é grande coisa. Tudo o que tenho que fazer agora é aturar a atitude insuportável desse bastardo toda vez que o chamo assim.
— Taekjoo, o que você está sussurrando aí? — perguntou Zhenya, a voz carregada de irritação. Nesse ritmo, ele ia descontar a frustração no pobre e inocente Yoon Jongwoo, então Kwon Taekjoo deu uma resposta vaga e tentou mudar de assunto.
— Eu disse a ele para não ser tão exigente com os acompanhamentos e comer o que lhe é dado. Você também deveria comer.
Enquanto isso, Kwon Taekjoo colocou um pedaço de carne bem passada sobre o arroz de Zhenya. Só então Zhenya finalmente levou uma colherada de arroz com carne à boca. Sentindo-se mimado por Kwon Taekjoo, lançou outro olhar ameaçador a Yoon Jongwoo.
Só de relembrar toda a experiência, as bochechas de Kwon Taekjoo ardiam de vergonha. Ele costumava repreender Zhenya para que aprendesse um pouco de coreano, se quisesse ficar no país. Ironicamente, quanto mais coreano Zhenya aprendia, mais problemas causava a Kwon Taekjoo, sobretudo porque tinha talento para interpretar as palavras como bem entendesse.
De volta ao presente, Kwon Taekjoo tentou, relutante, retirar a mão do rosto de Zhenya, mas Zhenya a segurou, puxou-a em sua direção e se virou para depositar um beijo em sua palma.
— Se você acha esse rosto tão bonito, olhe para ele e toque nele o quanto quiser. Taekjoo, só vou permitir que você faça isso.
Kwon Taekjoo teve certeza de que ninguém jamais havia tocado Zhenya da maneira como ele o tocava agora. Não era só o rosto… Zhenya só deixava Kwon Taekjoo alcançar seus pontos vulneráveis, como o pescoço e o pênis. Para um homem com inúmeros inimigos, que não hesitavam em punir quem os contrariava, Zhenya ficava totalmente indefeso quando se tratava de Kwon Taekjoo. O pensamento lhe causou um formigamento impotente. O centro de sua palma pulsava, quente.
— Droga, seu lindo bastardo — murmurou Kwon Taekjoo, irritado, puxando Zhenya para mais perto. Zhenya obedeceu de bom grado enquanto Kwon Taekjoo cobria seu rosto de beijos, soltando gemidos suaves e satisfeitos entre uma respiração e outra. Passaram um longo tempo acariciando o cabelo e as orelhas um do outro, trocando beijos ternos antes de se afastarem ligeiramente.
O sol já havia descido no céu, lançando um brilho alaranjado sobre as bochechas pálidas de Zhenya e os olhos escuros de Kwon Taekjoo. Eles se olharam por um momento antes de se inclinarem para outro beijo profundo.
O que antes era um céu claro agora se iluminava com listras vermelhas e azuis enquanto os últimos raios de sol brilhavam. Os ombros largos e as costas de Zhenya foram banhados pelo brilho do pôr do sol, assumindo um tom rosado e quente. Os dois se entrelaçaram, rolando juntos. As respirações quentes roçando os lábios de Kwon Taekjoo pareciam incrivelmente amorosas, e até o ar salgado parecia gentil ao tocar sua pele.
Era tudo como um sonho doce, muito doce.
Aquele descanso pacífico se estendeu por algum tempo. Kwon Taekjoo dormia a noite toda até acordar naturalmente, depois se levantava para comer e aproveitar um tempo na praia para ajudar na digestão. Depois de um banho refrescante, sentia sono e cochilava onde estivesse, acordando mais tarde para ler livros ou assistir a filmes. À noite, bebia com Zhenya e se perdia em conversas profundas que muitas vezes levavam facilmente ao sexo. Só conseguia se recompor no fim da tarde.
Perguntava-se se era realmente certo passar os dias tão em paz, sobretudo em uma ilha que não era Ajinoki e pertencia a outra pessoa. Pensamentos ansiosos e preocupações às vezes tomavam conta de sua mente, mas, com o tempo, diminuíram, em grande parte porque Zhenya nunca saía de seu lado, nem por um momento. Kwon Taekjoo sentia uma estranha calma ao saber que, com Zhenya ao seu lado, poderiam superar qualquer desafio, embora as coisas fossem sem dúvida mais caóticas com ele por perto. Não, não era só que poderiam superar qualquer coisa… eles definitivamente superariam.
Sempre que se dava conta do que sentia por Zhenya, aquilo o surpreendia. Sempre rejeitara a ideia de ter um companheiro porque gostava de viajar sozinho, e isso não havia mudado. Mas o que o levara a confiar tanto em Zhenya? Ultimamente, parecia muito mais estranho quando Zhenya não estava ao seu lado.
Kwon Taekjoo estava perdido em pensamentos, olhando para a nuca de Zhenya, quando Zhenya de repente se virou. Os olhares se encontraram de forma tão inesperada que Kwon Taekjoo teve um sobressalto. Zhenya inclinou a cabeça diante da reação incomum.
— Taekjoo? Em que você está pensando tanto?
— Ah, nada. Pronto para voltar para a água?
Kwon Taekjoo se levantou depressa e caminhou em direção ao mar. As ondas estavam perfeitas, e eles surfavam juntos desde a manhã. Pegou a prancha que havia deixado jogada na areia e mergulhou de volta na água. Zhenya o encarou por um momento, confuso, antes de segui-lo.
Kwon Taekjoo se deitou na prancha e remou para a frente com braçadas fortes. A água morna fluía suavemente ao redor dele.
Quanto tempo havia se passado?
De repente, notou uma silhueta escura deslizando sob a prancha. Ao segui-la com o olhar, distinguiu a forma inconfundível de uma arraia, com quase dois metros de comprimento. Kwon Taekjoo já vira inúmeras tartarugas-marinhas e arraias durante a estadia na ilha, então não se surpreendeu muito. As arraias não tentavam atacar nem se aproximar dos humanos.
A arraia, nadando com graça, subiu devagar até perto da superfície. Sem aviso, bateu a cauda, lançando um poderoso jato de água direto no rosto de Kwon Taekjoo. Ele virou a cabeça para se desviar, mas já era tarde demais.
— Agh.
Kwon Taekjoo mal conseguiu se manter firme na prancha, que balançava violentamente, ameaçando virar a qualquer momento. Nem teve tempo de arrumar o cabelo, que agora cobria todo o seu rosto. Quando recuperou a compostura, a arraia já havia nadado para longe. O rosto sorridente de Zhenya logo apareceu em seu campo de visão trêmulo.
— Taekjoo, de todas as criaturas, uma arraia quase te afogou? O seu cabelo parece aquela sopa de algas que a mulherzinha faz.
A diversão genuína no rosto de Zhenya era óbvia. Kwon Taekjoo não podia acreditar que havia aceitado um homem desses como amante. Era quase cômico pensar que já se sentira confortado por ele ou confiara nele. Claramente, deixara-se levar por ilusões românticas, porque, aos seus olhos, Zhenya ainda não passava de uma grande criança.
— Pare de sorrir e se prepare.
— O quê, você quer fazer outra aposta?
— Você realmente não se sente motivado a fazer nada se não houver uma recompensa? Estamos aqui só para nos divertir, idiota. A onda está vindo! — gritou Kwon Taekjoo, antes de se levantar depressa na prancha.
Zhenya o seguiu de perto. Logo, uma onda formada ao longe os ergueu. A forte flutuabilidade os mantinha firmes, e eles mantinham o equilíbrio nas pranchas sem esforço enquanto alcançavam a crista. O vento soprava agradavelmente em suas costas, empurrando-os para a frente.
Ambos surfaram a onda com graça natural, alternando-se na liderança. Quando estavam prestes a colidir, desviavam, trocando olhares e sorrisos. Kwon Taekjoo ouvira uma vez que um relacionamento duradouro exigia hobbies e interesses em comum, e ele e Zhenya certamente cumpriam esse requisito. Na verdade, perguntava-se se alguém além de Zhenya conseguiria acompanhar o seu ritmo.
À medida que se aproximavam da costa, as ondas começaram a enfraquecer. Kwon Taekjoo pulou casualmente da prancha e mergulhou de volta na água. Repetiram o mesmo percurso várias vezes, até o sol começar a se pôr.
Sentira-se leve como uma pluma enquanto surfava, mas, ao sair da água, sentiu-se pesado e letárgico. Jogou a prancha de lado e foi até uma rede, enrolando-se numa toalha de praia e esticando os membros. Zhenya logo se juntou a ele, acomodando-se na rede e até puxando a borda da toalha de Kwon Taekjoo para secar o rosto.
Naquele momento, o telefone de Zhenya começou a tocar sobre a espreguiçadeira. Zhenya simplesmente entregou a Kwon Taekjoo uma garrafa de cerveja, como se não tivesse ouvido.
Kwon Taekjoo pegou a garrafa e disse:
— Parece que alguém está te ligando.
— Não precisa atender.
— Como pode ter tanta certeza sem nem ver quem é? Pode ser algo importante.
— É porque você está aqui, Taekjoo.
— … O quê?
Kwon Taekjoo franziu a testa, confuso. Zhenya estaria insinuando que Kwon Taekjoo era a única coisa que ele considerava importante? Ou sugerindo que Kwon Taekjoo era a principal fonte de todas as suas preocupações? Dada a natureza arrogante de Zhenya, a segunda opção parecia mais provável.
No entanto, depois de passar tanto tempo juntos naquela ilha, o jeito como Zhenya olhava para ele e falava parecia inesperadamente romântico. Kwon Taekjoo estava convencido de que o cérebro havia virado mingau por ficar tempo demais na água.
— Mas nunca se sabe. E se houver algo errado com a sua família?
— Um problema? Que tipo de problema? Se o velho finalmente bateu as botas, isso contaria?
Zhenya respondeu na mesma hora à própria pergunta.
— Não. Isso não seria um problema, seria uma solução, Taekjoo.
Kwon Taekjoo ficou sem palavras por um momento. Como Zhenya podia não considerar a morte do pai um problema? Será que não tinha mesmo nenhum laço emocional com a família?
Por outro lado, não era difícil de acreditar. Afinal, a família Bogdanov já havia chegado ao ponto de tentar sacrificar uma criança de seis anos para preservar a própria dignidade. A obsessão em aumentar a influência os levava a impor casamentos arranjados aos filhos, até hoje. Se Zhenya sempre fora visto como nada além de uma ferramenta para as ambições deles, fazia sentido que não sentisse afeto pela própria família.
Pesava no coração de Kwon Taekjoo que Zhenya tivesse fincado as primeiras raízes numa terra tão dura e desumana, crescendo sem a menor proteção ou afeto. Kwon Taekjoo costumava criticar Zhenya por não ter qualidades humanas básicas, mas, pensando bem, Zhenya fora criado em um ambiente onde nem um vislumbre de educação normal era possível.
Fora praticamente abandonado pela família, mas eles ainda o procuravam sempre que precisavam de algo. Como o próprio sangue dele podia tratá-lo assim? Aquele comportamento era desprezível.
Isso fazia Zhenya parecer quase digno de pena de novo. Enquanto Kwon Taekjoo bagunçava em silêncio o cabelo de Zhenya, Zhenya lhe lançou um olhar confuso e perguntou:
— Taekjoo?
Kwon Taekjoo continuou passando os dedos suavemente pelo cabelo desgrenhado de Zhenya. A garganta de Zhenya parecia tremer de leve enquanto ele aceitava o carinho com calma. O olhar, fixo em Kwon Taekjoo, se acendeu com uma intensidade flamejante.
— Ei. Ouvi dizer que você se tranca na Ilha Ajinoki toda vez que chega o aniversário da morte da sua mãe.
— Quem disse isso?
— Isso importa?
— Uh, não sei, nunca pensei dessa forma. Acho que pode parecer assim para alguém que procura confirmar as próprias ideias equivocadas.
— Você não precisa ficar tão envergonhado. Talvez não tenha percebido, mas pode ser levado instintivamente a se isolar. Não importa que tipo de pessoa sua mãe fosse, é natural pensar nela e sentir saudade simplesmente porque era sua mãe. Como você acha que surgiu o conceito de piedade filial?
— Envergonhado? Sentir saudade de alguém? Eu?
Zhenya repetiu as palavras de Kwon Taekjoo como se tivesse ouvido algo estranho. Será que nunca havia experimentado tais emoções? Toda vez que olhava para ele, Kwon Taekjoo se perguntava quantos sentimentos humanos básicos poderiam estar ausentes em uma pessoa.
Talvez Zhenya tivesse dificuldade em definir ou dar sentido às emoções, como os outros conseguiam, mesmo que as sentisse da mesma forma. Não havia outra maneira de explicar a devoção ingênua e inocente que ele tinha por Kwon Taekjoo. Kwon Taekjoo sentiu uma pontada de amargura ao pensar que Zhenya estava se aproximando dos trinta anos e ainda lutando com emoções que a maioria das pessoas aprendia a nomear e entender à medida que crescia.
Kwon Taekjoo traçou delicadamente um dedo ao longo dos cílios de Zhenya, cobertos de sal, e disse:
— De qualquer forma, da próxima vez, me leve com você.
— Você está sugerindo, a sério, que vamos juntos à minha ilha? Isso é novo. Mas, Taekjoo, considerando o que você faz, tem certeza de que pode prometer isso?
— Vou fazer tudo o que puder para que aconteça.
— Uh… certo, se você diz. Então espero que os aniversários de morte dos meus parentes aconteçam com mais frequência.
— Você se ouve, idiota?
Ouvindo os comentários infantis de Zhenya, Kwon Taekjoo beliscou sua bochecha. Não podia acreditar que aquele era o homem por quem sentia pena e preocupação. Estava convencido de que era a única pessoa no mundo que se importaria com Zhenya. Era muito mole quando se tratava dele.
𑣲⋆ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws:
Rubyy&Belladonna
☰ ⌀ ⌀ ⌀ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais. ⌀ ⌀ ⌀ ☰
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