↫─☫ Capítulo 02.4
𓂃 ࣪˖ ִֶָ Blue Shangri-2 · Parte 4 ִֶָ་༘࿐
Como de costume, Zhenya olhou para os braços de Kwon Taekjoo agarrados a ele. Sempre se fixava naquilo em momentos como esse. Kwon Taekjoo se perguntava por que Zhenya era tão fascinado por aquele gesto, se já eram amantes. Para um homem com tão poucas qualidades humanas redentoras, era ao mesmo tempo adorável e um pouco patético ver Zhenya agir, às vezes, como um garoto cativado pelo primeiro amor. Kwon Taekjoo apoiou a cabeça no ombro largo de Zhenya e olhou para trás, para o próprio jet ski, cada vez menor ao longe.
— O que vamos fazer com o jet ski?
— As ondas vão trazê-lo de volta à costa, mais cedo ou mais tarde.
— Você está sendo um pouco descuidado só porque não é seu?
— Importaria muito se fosse meu?
Zhenya deu de ombros, como se aquilo não lhe dissesse respeito. Kwon Taekjoo ficou sem palavras. Como esperado… bastardos ricos como Zhenya não sabiam valorizar o que os cercava.
— Então, a sua pequena “exploração” te satisfez?
— Exploração? Do que você está falando?
— Você fingiu que veio aqui para relaxar, mas na verdade queria explorar a ilha.
Pego desprevenido, Kwon Taekjoo ficou sem resposta. Não conseguia nem inventar uma desculpa, porque Zhenya tinha acertado em cheio. Diante do seu silêncio, Zhenya lhe lançou um olhar de entendimento e bufou.
— Então, o que você acha? Nadar para fora da ilha seria impossível, certo? E com um jet ski tão pequeno, você não iria muito longe.
— …
— Parapente também parece estar fora de questão, já que a ilha não tem uma encosta íngreme o bastante para saltar, e os ventos aqui são muito calmos. Estou certo?
A lista de métodos de fuga de Zhenya começou a soar dolorosamente familiar para Kwon Taekjoo, e ele percebeu de repente que Zhenya recitava todas as maneiras pelas quais ele já tentara escapar dele no passado.
Finalmente entendeu por que Zhenya sorria tão alegremente.
— Quem você pensa que está zombando?
Deu um tapa nas costas de Zhenya, frustrado. Zhenya continuou sorrindo, completamente imperturbável.
— Taekjoo. Você pensa demais.
— E você não pensa o suficiente, idiota.
— Só os fracos precisam pensar demais em tudo, porque cada momento parece um risco.
— Uau, deve ser bom para você — retrucou Kwon Taekjoo, sarcástico, desistindo rápido de tentar argumentar com Zhenya. Sabia que seria preciso mais do que uma viagem de ida e volta ao inferno para Zhenya aprender um pouco de decência básica.
Por fim, o jet ski de Zhenya chegou à praia. Zhenya desmontou primeiro e levantou Kwon Taekjoo sem esforço, colocando-o no chão. Depois consolou o amante, que, nas palavras dele, “pensava demais”.
— Não se preocupe. Você não precisa pensar tanto nisso. Quando chegar a hora, vou colocá-lo exatamente onde você pertence.
Poderia mesmo confiar naquelas palavras? Uma semente de dúvida brotou em seu coração, como sempre acontecia, mas ele também sentiu o impulso de simplesmente entregar tudo a Zhenya.
Kwon Taekjoo olhou para Zhenya e sorriu.
— Uau, estou impressionado de verdade por você dizer isso, seu bastardo.
— Bem, acontece que o meu amante é um homem de poucos desejos. Eu só queria que ele quisesse mais.
— Ah, então você finalmente decidiu me ouvir? Fantástico. Nesse caso, por que não vai buscar uma bebida para nós enquanto isso?
— Hã? Taekjoo, você realmente acha que pode simplesmente me dar ordens pa—?
— Sim, sim, sou a primeira pessoa a te tratar assim. Entendi. Agora vai. Depressa.
Kwon Taekjoo o dispensou com um gesto e se acomodou na espreguiçadeira mais próxima. Enquanto se esticava sob o dossel, completamente encharcado, a brisa lhe parecia fresca e agradável na pele. Ao mesmo tempo, a areia, aquecida pelo sol, começou a esquentar suas costas e seus quadris. Uma cerveja gelada para lavar o gosto salgado da boca teria sido o toque perfeito para completar o clima.
Zhenya não demorou a voltar, acomodando-se na espreguiçadeira vazia ao lado. Uma única garrafa de cerveja pendia de sua mão.
— E onde está a minha?
— Você disse para trazer algo para beber, não disse que era para você.
— Aah… Você é um idiota rude. Eu realmente precisava soletrar…?
Zhenya deu um gole na garrafa, aparentemente indiferente, mesmo enquanto Kwon Taekjoo reclamava. O som de cada gole ecoava nos ouvidos de Kwon Taekjoo enquanto ele observava a garganta de Zhenya subir e descer. Engoliu em seco, hipnotizado pela visão.
Quando a sede foi saciada, Zhenya soltou um suspiro satisfeito, o cheiro de álcool pairando no ar. A paciência de Kwon Taekjoo finalmente se esgotou. Ele estendeu a mão para a garrafa pela metade na mão de Zhenya, mas Zhenya desviou sem esforço, dando outro gole só para provocá-lo. A garganta de Kwon Taekjoo se contraiu. Restava menos de um terço da cerveja.
Kwon Taekjoo mordeu o lábio seco, gesticulando para que Zhenya entregasse o resto. Mas Zhenya apenas o olhou com ar distraído e levou o último gole direto aos lábios.
Incapaz de esperar mais, Kwon Taekjoo agarrou Zhenya pelos ombros e o puxou para baixo. Pressionou os lábios com urgência contra os dele, saboreando a bebida gaseificada que borbulhava em sua língua e enchia sua boca com o sabor rico da cerveja de malte. A língua de Kwon Taekjoo, sedenta e ansiosa, se enredou na língua escorregadia de Zhenya, apenas aumentando o desejo. Ele segurou o rosto de Zhenya e sugou sua língua com uma sequência de sons molhados.
Os cantos dos lábios de Zhenya se curvaram em um sorriso enquanto sua mão deslizava para dentro do short de Kwon Taekjoo, acariciando-lhe as coxas e o traseiro com intenção insaciável.
Quanto tempo havia se passado?
Kwon Taekjoo ficou paralisado ao sentir alguém por perto. Ao levantar os olhos, viu um atendente parado bem na frente deles. O atendente se curvou antes de colocar uma cerveja e batatas fritas na mesa ao lado das espreguiçadeiras. Kwon Taekjoo permaneceu imóvel enquanto o funcionário terminava e se retirava discretamente. O rosto dele era completamente neutro, sem nenhum indício de ter visto algo incomum. Claro, isso não significava que não tivesse testemunhado Kwon Taekjoo e Zhenya num abraço íntimo.
As pontas das orelhas de Kwon Taekjoo queimaram. Ele notou Zhenya sorrindo ao seu lado e o agarrou pela gola.
— Você fez isso de propósito, não fez?
— Não tenho ideia do que você está falando. Foi você quem me atacou, Taekjoo.
A raiva de Kwon Taekjoo fervia logo abaixo da superfície, mas ele sabia que Zhenya tinha razão, então remoeu a irritação em silêncio.
— Some daqui — murmurou, antes de se soltar do aperto de Zhenya e afastar a mão que massageava sua bunda, como se fosse uma mosca incômoda. Saciou a sede com a cerveja que estava na mesa, bebendo tão depressa que a cabeça girou por um momento.
Voltou para a espreguiçadeira com uma segunda garrafa na mão.
Kwon Taekjoo olhou para as ondas que rolavam incessantemente até seus pés e depois recuavam para o mar. Quando fora a última vez que desfrutara de tal luxo? Depois de dias em um lugar desconhecido, sem nada digno de nota acontecendo, seu senso de realidade parecia estar escapando. Se alguém lhe dissesse que tudo aquilo era um sonho, não teria dificuldade em acreditar.
Estava deitado havia muito tempo, atordoado, quando Zhenya de repente se moveu em sua direção e agarrou sua perna exposta com as duas mãos. Kwon Taekjoo olhou brevemente para as mãos em sua perna antes de voltar a fitar o horizonte distante. Não reagiu nem deu muita importância quando Zhenya levantou seu tornozelo e começou a massagear sua coxa.
— Você ainda está com cãibra nos músculos.
— Sim, graças a uma certa pessoa.
— Então a culpa é minha de novo?
— Claro. Qual é o sentido de você me massagear o dia inteiro se eu vou ficar com cãibra de novo à noite por causa da sua luxúria?
— Ah? Então você estava ansioso por isso esta noite?
Se torcer palavras fosse uma arte, Zhenya seria um mestre.
— Haa — suspirou Kwon Taekjoo, levantando ligeiramente o pé.
A mão de Zhenya perdeu o contato com seu pé por um instante antes de agarrar Kwon Taekjoo outra vez, subindo da panturrilha ao joelho, depois mais alto pela coxa, até deslizar para baixo do short. Com a outra mão, Zhenya agarrou a borda da espreguiçadeira e montou sobre Kwon Taekjoo.
A luz forte nos olhos de Kwon Taekjoo indicava que o sol começava a se pôr. Os raios baixavam no céu, lançando uma luz ofuscante nas costas de Zhenya. Os leves reflexos alaranjados na superfície do oceano criavam o cenário perfeito para ele, como se a cena tivesse sido feita só para ele. A luz fazia os cabelos cor de marfim e a pele pálida brilharem mais intensamente que antes. Até os olhos azuis, agora contemplando o reflexo de Kwon Taekjoo, adquiriam uma qualidade translúcida.
Kwon Taekjoo estendeu a mão e passou os dedos pelo cabelo fino de Zhenya. Zhenya inclinou a cabeça para aninhar-se na mão estendida.
— … Maldito bastardo. Vou admitir, você realmente tem um rosto bonito — murmurou Kwon Taekjoo, em voz baixa. Foi um pensamento inconsciente que escapou. Sentiu-se aliviado por ter falado em coreano, porque isso significava que Zhenya não tinha como entender o que ele acabara de dizer. Ou pelo menos era o que pensava. Por alguma razão, Zhenya, que o observava intensamente, abriu um sorriso largo.
— Taekjoo. Você realmente acha que sou tão bonito?
— Do que você está falando?
— Ah, fingindo ignorância, hein? Infelizmente para você, eu me lembro daquela mulherzinha sempre me chamando com essa palavra coreana. No começo, pensei que ela estivesse pronunciando meu nome errado, mas logo percebi que não era isso.
Zhenya tinha um sorriso irritante no rosto. Era óbvio que havia descoberto o significado da palavra fazia muito tempo. Agora que parava para pensar, Kwon Taekjoo se lembrava de uma situação semelhante com a palavra “saekki”. Zhenya tinha feito uma anotação mental para pesquisá-la depois, e então acontecera a situação infeliz em que, devido às limitações dos tradutores on-line, passou a acreditar que “saekki” significava “bebê”. Desde então, sempre que Kwon Taekjoo o chamava de “saekki”, Zhenya não conseguia deixar de fazer uma expressão presunçosa.
Kwon Taekjoo só havia percebido o mal-entendido recentemente. Certa noite, enquanto bebia com Yoon Jongwoo depois do trabalho, Zhenya apareceu inesperadamente diante deles. Sem alternativa, Kwon Taekjoo teve de deixá-lo se juntar a eles e fez Yoon Jongwoo pensar que ele mesmo havia convidado Zhenya.
A mãe de Kwon Taekjoo ligou, lembrando-o de não ficar fora até tarde e de beber com moderação. Yoon Jongwoo insistiu em cumprimentá-la, então Kwon Taekjoo colocou a chamada no viva-voz pelo resto da conversa.
— Mãe! É o Jongwoo. Como a senhora está?
[— Ah, Jongwoo. Faz tempo que não vejo você. Está ocupado ultimamente?]
— Não, não exatamente…
[— Sério? Então você deveria me visitar um dia desses. Pode vir com o Taekjoo, ou vir sozinho quando estiver livre. Vou fazer os seus pratos favoritos. Que tal?]
— Ficaria feliz em visitá-la sempre que me convidar, mãe.
[— Ah, querido Jongwoo, você é tão doce. Não é uma promessa vazia, então você tem que vir, certo?]
— Sim, mãe. Vou dar um pulo em breve. Não se preocupe conosco, a senhora deveria ir dormir, está ficando tarde. Vou garantir que o Sunbae chegue em casa antes de escurecer.
Yoon Jongwoo conversou educadamente com a mãe de Kwon Taekjoo, como sempre fazia, antes de encerrar a chamada e pegar um wrap de alface. Quando estava prestes a dar uma mordida, hesitou, os olhos se movendo nervosamente sob o peso de um olhar penetrante do outro lado da mesa. Ao levantar os olhos e encontrar os de Zhenya, congelou. Zhenya o encarava com desaprovação, de braços cruzados. O olhar era tão intenso que parecia capaz de matar Yoon Jongwoo ali mesmo. Kwon Taekjoo deu uma cotovelada em Zhenya.
— Qual é o seu problema agora?
— Por que aquele idiota fica chamando a mulherzinha de “mãe”?
— Ah, então agora você sabe o que “mãe” significa em coreano? Quando aprendeu isso?
— Seria mais difícil não aprender, Taekjoo, já que é a palavra que você diz com mais gentileza.
— Ah, bem… Não se preocupe com isso. É só uma forma comum de se dirigir a alguém. Na Coreia, a mãe de um amigo é considerada a sua mãe, o pai dele é o seu pai, e assim por diante.
— Como isso faz sentido?
— No passado, tratávamos até os vizinhos como primos.
— Que ridículo.
— Se isso te incomoda tanto, você também pode chamá-la assim. Sério, você sempre arruma briga por causa das coisas mais insignificantes.
Kwon Taekjoo disse ao ainda paralisado Yoon Jongwoo:
— Ignore-o e continue comendo.
Yoon Jongwoo enfiou o wrap de alface na boca, mastigando devagar enquanto lançava olhares rápidos e nervosos para Zhenya.
— Pare de encará-lo e termine de comer. A carne está queimando.
— Mm.
Zhenya pegou um pouco de arroz com a colher, com ar de desdém, mas foi só isso. Não tocou na carne nem levou a colher à boca. Em vez disso, continuou observando Kwon Taekjoo. Quando Kwon Taekjoo franziu a testa e perguntou o que havia de errado, Zhenya inclinou ligeiramente a cabeça em direção à colher, claramente esperando que ele colocasse alguns acompanhamentos sobre o arroz. A situação toda era embaraçosa, com Yoon Jongwoo assistindo.
— Droga, você está agindo como criança de novo. Não tem mãos próprias? Eu até te dei um garfo, então use, seu bastardo.
— Taekjoo, o seu colega está aqui. Mostre um pouco de decência.
— Que porra isso quer dizer?
Kwon Taekjoo franziu a testa e olhou para o outro lado da mesa. Yoon Jongwoo olhava fixamente para dentro da tigela de macarrão. O jeito como mexia devagar o macarrão deixava óbvio que ele se sentia culpado. Kwon Taekjoo cruzou os braços e o encarou. Os olhos de Yoon se levantaram por um segundo, mas logo se desviaram quando os olhares se encontraram. Ele agia de maneira tão suspeita que Kwon Taekjoo decidiu pressioná-lo por uma explicação.
𑣲⋆ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws:
Rubyy&Belladonna
☰ ⌀ ⌀ ⌀ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais. ⌀ ⌀ ⌀ ☰
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