↫─☫ Capítulo 02.3
𓂃 ࣪˖ ִֶָ Blue Shangri-2 · Parte 3 ִֶָ་༘࿐
Como parte do protocolo de segurança, Zhenya restringia a linha telefônica a poucos números, então Kwon Taekjoo precisava se comunicar por meio de Yoon Jongwoo.
[— Cuba ainda é um problema, mas o México também tem mostrado atividade incomum ultimamente. Nos últimos dois dias, fecharam as fronteiras e intensificaram os procedimentos de investigação. O diretor aconselha que você fique fora do radar até a vigilância diminuir.]
Era exatamente o esperado. Talvez fosse um pequeno alívio ter encontrado um lugar para se esconder, apesar dos métodos usados.
Antes de deixar o país, dissera à mãe que ia para a Rússia a negócios oficiais do governo. Também ligava para ela todos os dias, deixando-a ouvir a voz de Zhenya, o que parecia tranquilizá-la. Mesmo que o retorno atrasasse alguns dias, ela provavelmente não se preocuparia tanto quanto antes. E assim Kwon Taekjoo seguia com seus dias na ilha, incapaz de dizer com clareza se aquilo eram férias ou uma forma de prisão.
Nos primeiros dias, ficou no quarto. Matías Pérez lhe prometera que a ilha era o lugar mais seguro do mundo, mas Kwon Taekjoo precisava verificar isso por conta própria.
Verificava com frequência se havia sinais de atividade na ilha ou ao redor dela. Mas, além do helicóptero que aparecia de vez em quando, não havia outros visitantes, e ninguém parecia deixar a ilha. Kwon Taekjoo havia perguntado a Matías Pérez sobre isso uma vez, durante uma refeição.
— Nenhum dos funcionários aqui parece sair da ilha. Eles não vão para casa depois do trabalho? São tipo funcionários residentes? Ou tiram longas pausas, como em um cruzeiro?
— Ah, os atendentes? Eles escolheram passar a vida inteira aqui.
— O quê?
— Eu sou a família deles, e este é o lar deles. Se precisarem de suprimentos, posso enviá-los de helicóptero. Imagino que você tenha notado algumas entregas durante a sua estadia.
Matías tinha uma expressão irritantemente orgulhosa. Até então, Kwon Taekjoo pensava que apenas chefes da máfia se gabavam de fazer parte da “Família”, mas parecia que as organizações de cartel não eram muito diferentes. Era difícil entender por que alguém abriria mão voluntariamente dos próprios direitos e da liberdade. De onde vinha tamanha lealdade? Mesmo com uma compensação financeira significativa, de pouco adiantaria o dinheiro se estivessem confinados a um único lugar. Kwon Taekjoo imaginou que o único incentivo mais valioso que dinheiro fossem as drogas. Talvez lhes tivessem prometido um suprimento infinito em troca de uma vida de servidão.
De qualquer modo, Kwon Taekjoo não queria fazer parte de nada daquilo. Por mais amigável ou encantador que o anfitrião parecesse, não podia confiar em alguém com um histórico criminal tão notório. Aliás, foi por isso que interceptou todas as comunicações dentro da villa de Matías Pérez.
Passava o dia inteiro dentro da residência, vigiando de perto Matías e sua equipe. Chegou a se esgueirar até o quarto de Matías quando este não estava. Não era muito diferente do seu, exceto por um cofre trancado escondido atrás de uma escrivaninha.
Kwon Taekjoo achou que seria boa ideia inspecionar o conteúdo do cofre enquanto tivesse a chance. A única questão era como abri-lo sem deixar rastros. Ao sair do quarto de Matías Pérez, perdido em pensamentos, sentiu de repente uma presença atrás de si. Sacou a arma na mesma hora e apontou para o vulto. A pessoa parada calmamente diante do cano, de braços cruzados, era ninguém menos que Zhenya.
— Droga! Você me assustou, seu idiota!
— Taekjoo. É assim que você se diverte quando está entediado? Ou é só obsessão pelo trabalho?
— Eu diria que você é quem está sendo descuidado demais. O que exatamente fez você confiar em alguém que acabou de conhecer e colocar o meu destino nas mãos dele?
— Eu já disse: você só precisa confiar em mim.
— Quem disse que eu não confio em você?
Zhenya ergueu uma sobrancelha sem dizer palavra, uma reprovação silenciosa que parecia dizer: “Olhe para si mesmo.”
Sentindo uma pontada de culpa, Kwon Taekjoo murmurou, contrariado:
— Sabe, temos um ditado coreano antigo que diz: “Até uma ponte de pedra deve ser testada com uma batidinha antes de atravessá-la.” Nunca é demais ser cauteloso.
— Então você ainda não confia em mim.
— Não é que eu não confie em você, é só que…
— Você está preocupado que eu possa colocá-lo em perigo.
— Eu já disse, você entendeu errado.
Não era em Zhenya que Kwon Taekjoo não confiava, era em Matías Pérez. Era a primeira vez que se encontravam, e ele era supostamente o chefe de uma das organizações criminosas mais infames do mundo. Não havia razão válida para ignorar esse fato e depositar confiança nele.
Por ora, enquanto estivesse com Zhenya, Kwon Taekjoo acreditava que poderia lidar com qualquer situação complicada, por mais inesperada que fosse. Mesmo assim, não conseguia relaxar por completo. Isso significava que não confiava em Zhenya?
— Eu nunca colocaria você em perigo — garantiu Zhenya, com firmeza, sem nenhum vestígio do tom brincalhão de sempre.
Para Zhenya, a preocupação constante de Kwon Taekjoo com a própria segurança parecia sinal de desconfiança. Desde que chegaram à villa de Matías Pérez, Kwon Taekjoo estava tenso, o que sem dúvida perturbava Zhenya também.
— … Eu disse que confio em você.
Com um suspiro pesado, Kwon Taekjoo abaixou a arma. Ao fazê-lo, a água cristalina do mar, além da parede de vidro, chamou sua atenção, brilhando intensamente. Folhas verde-escuras de palmeira balançavam suavemente na brisa agradável, e a luz do sol, filtrada por elas, lançava um brilho quente sobre o cabelo loiro de Zhenya.
Talvez Zhenya achasse que Kwon Taekjoo estava tentando mudar de assunto de maneira sutil. Estreitou os olhos e lhe lançou um olhar cínico.
— Qual é o problema agora, seu bastardo?
— Tudo bem. Vou fingir que não sei o que você está tramando e acompanhar.
— Do que você está falando? Vamos, me siga.
Kwon Taekjoo deu um leve empurrão no peito de Zhenya e o fez seguir em frente. Enquanto andavam, verificou discretamente a localização das câmeras de segurança em cada corredor. Zhenya o seguiu depois de um momento, balançando a cabeça.
Eles saíram pela porta dos fundos, em direção ao mar. Enquanto as águas perto da entrada principal, no cais do iate, lembravam as de uma praia privada em um resort de luxo, aquela área era mais uma praia tranquila e isolada, ao lado da villa.
Duas espreguiçadeiras jaziam sob um dossel branco em forma de vela. Entre duas palmeiras altas, pendia uma rede larga o bastante para os dois. Um pequeno bar, ligado à casa principal, chamou a atenção de Kwon Taekjoo. Oferecia bebidas e comida, e os hóspedes podiam se servir quando quisessem.
— Quer pegar uma bebida primeiro?
— Com este tempo? Como se uma bebida só fosse bastar. Vamos pegar aquilo ali antes que a gente fique bêbado.
Kwon Taekjoo acenou com a cabeça em direção à praia, onde alguns jet skis balançavam suavemente na água. Matías Pérez havia mencionado que dava festas de vez em quando, convidando amigos, e os jet skis pareciam servir a esse propósito. Cada um pegou uma chave no bar e subiu em seu jet ski.
Sempre que passavam tempo juntos, os dois costumavam praticar esportes radicais. Fosse pilotando aviões, saltando de paraquedas, voando de parapente, escalando montanhas, esquiando, praticando snowboard ou mergulho livre, os passeios eram mais parecidos com sessões de treinamento intenso do que com encontros normais. Mesmo assim, ambos gostavam da emoção, então não havia queixas.
Quando Kwon Taekjoo ligou o motor, uma vibração agradável percorreu seu corpo. Os ferimentos haviam cicatrizado rápido depois de vários dias de descanso, e desde então ele estava ansioso para sair e fazer alguma coisa.
— Quando foi a última vez que andamos em um desses? Foi na Itália?
— Não, foi em Hong Kong.
— Certo, aqueles bastardos. Eram realmente persistentes. Juro que achei que tinha acabado naquele dia.
Kwon Taekjoo manobrou o jet ski devagar enquanto recordava uma missão perigosa em que fora perseguido por uma tríade chinesa. Deslizou pela água em ritmo vagaroso, como se estivesse fazendo um teste, depois fez uma curva ampla e voltou. O jet ski acelerado parou de repente bem na frente de Zhenya, molhando-o com um grande jato de água. Zhenya soltou uma risada incrédula e lhe lançou um olhar, mas Kwon Taekjoo apenas sorriu de orelha a orelha.
— Seu hyung vai na frente primeiro, garoto.
Com a provocação brincalhona, Kwon Taekjoo disparou, deixando Zhenya para trás. A superfície lisa da água logo se transformou em espuma branca em sua esteira. O ar quente e pegajoso grudado na pele deu lugar a uma brisa refrescante que açoitava seus cabelos. As águas, com cerca de quinze metros de profundidade, eram tão claras que ele conseguia enxergar abaixo da superfície enquanto o jet ski traçava um caminho longo e fluido. A sensação era revigorante, como se um peso tivesse sido tirado dele de imediato.
Pouco depois, o rugido de um motor trovejou atrás dele. Kwon Taekjoo olhou para trás e viu Zhenya bem na sua cola. Estavam tão próximos que, se hesitasse por um segundo, poderiam facilmente colidir. A expressão antes relaxada no rosto de Zhenya agora estava iluminada pela emoção da perseguição, muito parecida com a de quando ele caçava renas.
Vendo aquela expressão, Kwon Taekjoo respondeu com sarcasmo:
— Ah, estou tremendo de medo. Você está me perseguindo como se quisesse me matar.
— Bem, não é um coelho atrevido se exibindo na frente de um urso?
— Com licença, quem está se exibindo? Por que não me pega primeiro e depois a gente conversa?
Os lábios de Kwon Taekjoo se curvaram em um sorriso enquanto aumentava a velocidade, inclinando-se para a frente para cortar o vento. O jet ski rugiu e disparou como um verdadeiro projétil. Ele puxou o guidão rígido com força, ziguezagueando em arcos largos. Zhenya o seguiu com facilidade, e os dois desviaram um do outro, evitando por pouco a colisão.
Por mais que acelerassem, o mar se estendia infinitamente à frente, sem outras ilhas ou rochas à vista. Enquanto Kwon Taekjoo fazia uma curva ampla ao redor do perímetro, Zhenya ficava logo atrás. Onde ou como quer que Kwon Taekjoo tentasse escapar, Zhenya o perseguia sem trégua. Os movimentos eram tão sincronizados que parecia que tinham coreografado tudo de antemão.
Kwon Taekjoo, de olho na posição de Zhenya, abriu um sorriso largo. O rosto de Zhenya também se iluminou com um sorriso de pura euforia.
Ziguezaguearam pela água sem parar. Kwon Taekjoo sentiu uma onda de excitação enquanto Zhenya o acompanhava, apesar de seus esforços para despistá-lo. Era como reviver os dias de infância. Deslizavam pela água livremente, sem ser prejudicados pelo tempo nem pelas circunstâncias. O cabelo de Kwon Taekjoo chicoteava seu rosto contra as rajadas de vento, que o empurravam com a mesma força com que ele acelerava. A excitação disparava enquanto explosões de riso escapavam dele.
— Zhenya! Quando você vai me pegar? Nesse ritmo, vai me perseguir o dia inteiro.
— Você tem muita coragem de me provocar. Como planeja lidar com as consequências?
— Eh, não sei se haverá consequências para mim.
As provocações de Kwon Taekjoo pareceram estimular Zhenya, porque, quando Kwon Taekjoo fez uma curva, Zhenya disparou à frente dele, acelerando para longe antes de voltar de repente em sua direção. A distância entre os dois diminuiu depressa enquanto o jet ski de Zhenya avançava, indo direto para Kwon Taekjoo. Pensando que Zhenya estava apenas testando seus nervos, Kwon Taekjoo esticou a cabeça por cima do para-brisa. Mas, em vez de desviar, Zhenya continuou acelerando de forma imprudente, inclinado para a frente, sem a menor intenção de se afastar. Parecia que iam colidir a qualquer momento.
— … Ahh, seu psicopata!
Kwon Taekjoo puxou os controles com força, desviando do jet ski de Zhenya no último segundo. A esteira poderosa de Zhenya caiu sobre ele como uma cachoeira, encharcando-o da cabeça aos pés e deixando-o incapaz de abrir os olhos. O rugido da água entupiu seus ouvidos, abafando tudo.
Zhenya manobrou o jet ski para mais perto do de Kwon Taekjoo. As ondas empurraram os dois veículos um contra o outro, fazendo-os roçar de leve. Kwon Taekjoo esfregou os olhos irritados enquanto repreendia Zhenya.
— Que porra, cara! E se um de nós se machucasse?
— É por isso que eu disse para você pensar nas consequências.
— Você sabe brincar? Droga, por um segundo achei que estaríamos planejando nossos funerais.
— Você é tão dramático. Achou mesmo que eu ia te machucar?
— Bem, parecia que você estava prestes a fazer isso.
— Taekjoo, você não acha que deveria ter um pouco mais de fé no seu parceiro?
— Você nasceu sem remorso? Ugh, droga. Isso arde pra caramba.
— Vem cá. Eu vou lamber.
De repente, Zhenya agarrou o pulso de Kwon Taekjoo. Kwon Taekjoo obedeceu e subiu no jet ski de Zhenya. O veículo balançou com força sob o peso extra, embora não fosse um problema. Kwon Taekjoo se jogou sobre as coxas de Zhenya, afastando com descuido o cabelo molhado da testa. Zhenya segurou o rosto dele e, devagar mas com firmeza, passou a língua dos olhos de Kwon Taekjoo até a região sob as orelhas. Depois, com delicadeza, lambeu a pele sob os olhos dele e acalmou as pálpebras avermelhadas.
Os movimentos de Zhenya eram cuidadosos e afetuosos, mas Kwon Taekjoo não conseguiu evitar uma explosão de risadas por causa das cócegas. Quando Zhenya o olhou, confuso, Kwon Taekjoo acariciou de leve sua bochecha e lhe deu um beijo rápido nos lábios salgados.
— Já estou bem. Depois de tanta diversão, estou morrendo de sede. Vamos pegar uma bebida.
Kwon Taekjoo agarrou o ombro de Zhenya e passou para trás dele, dando-lhe um tapinha leve nas costas como sinal para partir. Zhenya obedeceu, guiando-os de volta à praia. Kwon Taekjoo segurou firme a cintura de Zhenya, tentando não cair do jet ski.
𑣲⋆ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws:
Rubyy&Belladonna
☰ ⌀ ⌀ ⌀ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais. ⌀ ⌀ ⌀ ☰
𖹭ּ ֶָ֢. Gostou do capítulo? Apoie a autora na plataforma oficial para demonstrar o seu carinho!