↫─☫ Capítulo 02.2
𓂃 ࣪˖ ִֶָ Blue Shangri-2 · Parte 2 ִֶָ་༘࿐
— Prazer em conhecê-lo. Meu nome é Matías. Matías Pérez.
— Matías Pérez?
Kwon Taekjoo inclinou a cabeça ao ouvir o nome. Por alguma razão, soava terrivelmente familiar, embora tivesse certeza de que nunca haviam se encontrado.
— Ah, vejo que a reputação do meu pai chegou até o seu pequeno país. Você é coreano, certo?
— Quem é o seu pai?
Kwon Taekjoo ignorou a pergunta e lhe lançou um olhar desconfiado. Matías Pérez notou o brilho aguçado nos olhos dele e sorriu.
— Antonio Pérez.
— Antonio Pérez… Matías…
Kwon Taekjoo murmurou os nomes em voz baixa, tentando lembrar onde os ouvira antes. De repente, saltou da cadeira e agarrou Zhenya pela gola. Zhenya olhou para ele, surpreso. Matías parecia igualmente surpreso.
— Seu bastardo! Você está usando drogas?
— Claro que não. Não tenho interesse em drogas. Isso é para tolos de mente fraca.
— Então por que diabos você conhece esse cara?
Zhenya ergueu uma sobrancelha diante do ataque repentino e olhou para Matías Pérez. Matías apenas deu de ombros, como se não fizesse ideia do que estava acontecendo. Zhenya levou um momento para recordar a conversa que tiveram, então sorriu, satisfeito.
— Porque eles querem as nossas armas. Para proteger o cartel de longa data, vão precisar das armas mais modernas e poderosas.
— … É só isso?
Zhenya lançou a Kwon Taekjoo um olhar deliberadamente decepcionado. Relutante, Kwon Taekjoo soltou a gola dele, ainda não totalmente convencido pela explicação. Continuava respirando pesadamente, incapaz de se acalmar, e olhou com ceticismo para Zhenya.
Em defesa de Kwon Taekjoo, “Antonio Pérez” era o maior traficante de drogas do México. O cartel havia acumulado uma riqueza imensa com a produção e a distribuição de drogas ao longo dos anos, deixando para trás um rastro de grupos influentes, propinas, sequestros e até assassinatos. Por isso, o governo mexicano havia feito inúmeros esforços para deter a ameaça crescente. Mas todas as tentativas foram inúteis, pois o cartel sempre ficava um passo à frente ao adquirir armas mais poderosas, graças ao seu enorme poder financeiro.
Kwon Taekjoo agora também entendia por que as autoridades cubanas e o governo mexicano haviam se abstido de atacar o iate de Matías. No momento em que abrissem fogo contra ele, desencadeariam uma guerra total. O governo mexicano já havia feito muitos sacrifícios na luta contra o cartel dos Pérez. Não havia como se arriscarem a outro conflito com o cartel por causa de outro país.
Aparentemente, Zhenya havia oferecido armas ao cartel dos Pérez em troca da segurança dele próprio e de Kwon Taekjoo. Era óbvio como e onde aquelas armas seriam usadas, e Kwon Taekjoo não conseguia ficar tranquilo sabendo disso.
— Droga, seu louco filho da puta! O que você fez desta vez?
— Por que está bravo comigo, Taekjoo? Eu só fiz um acordo, como sempre faço.
Kwon Taekjoo ficou sem palavras diante da resposta despreocupada. Sempre soubera que Zhenya era um traficante de armas e nunca esperara que ele mudasse de rumo só por causa do relacionamento próximo. Mas a ideia de Zhenya perpetuando a injustiça em seu nome era inaceitável, mesmo que, para Zhenya, fosse apenas negócio como de costume.
— Quem pediu para você fazer um acordo tão estúpido? Eu deixei claro que não queria a sua ajuda nem a sua interferência nos meus assuntos.
— Quem disse que tenho que ouvir cada palavra sua?
— O quê?
— Você já não sabe como eu opero? Fiz inúmeros acordos para conseguir o que quero. A única diferença desta vez é que eu queria você, Taekjoo.
A cabeça de Kwon Taekjoo latejava, e ele sentiu um peso opressor no peito. Partira para enfrentar uma ameaça ciberterrorista e acabara alimentando outro crime internacional. E pensar que ficara feliz em ver Zhenya, completamente alheio às negociações que ocorriam nos bastidores.
Bebeu o copo de água de um gole só, esperando acalmar as emoções, mas o peso no peito se recusava a ceder. Zhenya continuou a justificar suas ações para um Kwon Taekjoo cada vez mais furioso.
— Você também usa todos os meios necessários para garantir a segurança do seu país. Pense na sua última missão: falsidade ideológica, invasão de propriedade, violência, assassinato. Você cometeu inúmeros crimes.
A verdade era que o que um país considerava justiça podia ser visto como injustiça em outro. Por isso Kwon Taekjoo nunca poderia afirmar plenamente que seu trabalho era inteiramente justo ou correto.
Depois de fazer seu ponto, Zhenya acrescentou:
— Eu sou igual, Taekjoo. Tudo o que fiz foi usar o que estava ao meu alcance para garantir a sua segurança. E vou continuar fazendo isso.
— Ah…
Kwon Taekjoo ficou sem palavras. Deveria ficar grato por Zhenya se importar tanto com ele?
Não era que tivesse sido repentinamente atingido por um senso de justiça. Era apenas amargo saber que Zhenya havia decidido arrastar inúmeras outras pessoas para a injustiça em seu nome. Claro, Zhenya nunca foi do tipo que se preocupava com onde e como cada uma de suas armas seria usada. Mas Kwon Taekjoo não conseguia se livrar do peso no peito, perguntando-se se aquele acordo poderia ter sido evitado caso ele nunca tivesse se envolvido.
— As mercadorias que vendo são apenas pedaços de metal. Se serão usadas para proteger ou para ferir os outros… depende de quem as usa.
— Claro, como se algum dia fossem usadas para o bem comum.
— Mesmo que não sejam, não é problema nosso. Você condenaria todas as empresas militares privadas como más? E o exército do seu próprio país? As ideias de justiça deles são mais válidas?
As palavras de Zhenya não estavam erradas. Qualquer nação gostaria de investir no exército e adquirir novas armas para fortalecer a defesa nacional. Embora isso trouxesse prosperidade aos cidadãos, também representaria uma ameaça aos países vizinhos. Seria mesmo possível distinguir entre o certo e o errado quando se tratava de tais ações? Assim como a dinamite não foi inventada para matar, não havia boa razão para insistir que a produção e a distribuição de armas fossem inerentemente culpadas. Para começo de conversa, nem sequer existia um senso absoluto de justiça. O senso de justiça de uma pessoa podia mudar de um dia para o outro, conforme as circunstâncias e as crenças pessoais.
Mesmo assim, Kwon Taekjoo esperava que um dia a vida de Zhenya se movesse das trevas em direção à luz e que ele pudesse se aproximar da posição de Kwon Taekjoo. Seria ambição demais desejar tal coisa?
— Certo, certo, chega. Olha, não sei por que vocês dois estão discutindo de repente, mas será que podemos nos concentrar em aproveitar a comida na hora das refeições, por favor?
Com uma palmada, Matías tentou dissipar a tensão fria no ar. Então puxou a última cadeira vazia e começou a estudar Kwon Taekjoo de perto. Quando Kwon Taekjoo ignorou o olhar descarado, continuando a olhar para Zhenya, Matías bateu de leve no prato dele para chamar sua atenção.
— Olha aqui, amigo. Você ainda nem me disse o seu nome.
— Acredite, é melhor você não saber.
— E por quê?
— Sou obrigado a matar qualquer um que saiba a minha identidade.
— Hã?
Zhenya caiu na gargalhada diante da expressão de choque no rosto de Matías. Passando manteiga no pão com um movimento excessivamente casual e despreocupado, parecia muito satisfeito.
Matías finalmente assentiu, como quem diz que entendeu. Apesar da frieza de Kwon Taekjoo, não vacilou e continuou com os comentários alegres.
— Então, como devo chamá-lo?
— Não precisa me chamar de nada. Vou embora em breve de qualquer maneira.
— Ha! Acho que já entendi a sua personalidade, amigo. Mas o que podemos fazer? Vai ser um desafio sair deste lugar imediatamente.
— Se você nos atrapalhar, não terei escolha a não ser resolver as coisas do meu jeito.
O aperto de Kwon Taekjoo na faca se intensificou. Não era blefe… ele poderia facilmente derrubar um oponente com um simples garfo ou com pauzinhos. E, dependendo de como a situação se desenrolasse, estava totalmente preparado para isso. Seus olhos escuros brilhavam com um fulgor perigoso e aguçado.
Matías Pérez ergueu as duas mãos em sinal de rendição, como se dissesse que Kwon Taekjoo o havia entendido mal.
— Não foi isso que quis dizer, amigo. Acontece que o governo cubano pediu ajuda ao governo mexicano. Aparentemente, querem que entreguemos o “suspeito de terrorismo” que o nosso cartel Pérez acolheu. Esses ratos do governo estão esperando uma chance de nos atacar, e isso lhes dá uma boa desculpa. Por que agir e nos expor agora? Melhor ficar quietos e aproveitar nossos dias sem preocupações até que a oportunidade certa apareça.
— E eu aqui, pensando que tínhamos agarrado uma corda podre, mas era um detonador — murmurou Kwon Taekjoo para si mesmo. Cutucou o pé de Zhenya com o seu. — Ei, você tem certeza de que podemos confiar nesse cara?
— Não, ele não é confiável.
— O quê?
— Taekjoo, eu sou o único em quem você deve confiar. Só porque o nosso comprador não é confiável, não significa que você deva duvidar do valor das minhas armas.
— Estou apenas questionando a sinceridade dele. São sempre caras como ele que acabam nos apunhalando pelas costas.
Kwon Taekjoo olhou Matías Pérez da cabeça aos pés, com desconfiança. Matías não parecia entender a conversa em russo, pois respondeu apenas com um sorriso brilhante.
— Viu, é só olhar para ele. Esse jeito pretensioso me lembra aqueles bandidos que você encontra em algum beco.
— Bem, você não está totalmente errado — concordou Zhenya, com um sorriso zombeteiro.
Kwon Taekjoo suspirou diante da conversa inútil. Tinha conseguido invadir a base de uma gangue cibernética e escapar por pouco, apenas para acabar no território de um traficante. O absurdo de tudo aquilo o fez explodir em risadas.
— Bem, não sei por que vocês dois estão sendo perseguidos por esses cubanos, mas vou garantir que tenham uma passagem segura para casa. Enquanto isso, aproveitem a estadia na minha villa. Não há com que se preocupar. Este é o lugar mais seguro do mundo — disse Matías, com confiança, garantindo a segurança deles.
Kwon Taekjoo se viu entre um homem que empunhava a arma mais poderosa do mundo e outro que alegava ter o escudo mais forte. Aquela ilha seria agora uma espécie de fortaleza impenetrável? Estava completamente perplexo.
— Para o inferno com a segurança. Apenas garanta que possamos voltar para casa o mais rápido possível.
— Você não acha que está sendo um pouco imprudente? Talvez queira curar os ferimentos primeiro, certo?
Matías acenou com a cabeça em direção a Kwon Taekjoo, apontando para o corpo dele. Kwon Taekjoo seguiu o olhar até o próprio peito nu e o ombro enfaixado, que apareciam sob o roupão frouxo. Embora Matías não parecesse ter más intenções, Kwon Taekjoo ainda se sentia desconfortável com o fato de ele espiar por baixo de suas roupas. Sem dúvida pertencia ao tipo de gente de que Kwon Taekjoo não gostava. Apertando as bordas do roupão, recusou com firmeza.
— Isso não é da sua conta.
— Ah, não precisa ser tão cauteloso. Eu só me interesso por mulheres, sabe.
Matías parecia sempre pronto para rebater os olhares penetrantes de Kwon Taekjoo com um sorriso largo. Com um estalar de dedos, acrescentou:
— Por falar nisso, devo providenciar algumas garotas para se juntarem a nós? Assim não fica tão chato.
— Não é necessário.
Kwon Taekjoo olhou para Zhenya, perguntando em silêncio se ele sentia o mesmo. Os lábios de Zhenya se curvaram em um sorriso.
— Você está falando sério? Espera, por que não? Não seria entediante passar o dia inteiro só um com o outro? Eu não posso ficar por aqui para entreter vocês dois o tempo todo, sabem? — disse Matías.
— Na verdade, é um alívio ouvir isso.
— Não precisa fingir, amigo. É natural que um homem procure uma mulher. Não é mesmo, Bogdanov?
Matías se virou para Zhenya em busca de confirmação. Mas o olhar de Zhenya estava fixo apenas em Kwon Taekjoo. Os olhos de Matías se arregalaram de surpresa quando Zhenya caiu na gargalhada.
— Você ouviu. Ele já disse que não precisa.
A villa de Matías Pérez era composta por setenta quartos independentes, com todo tipo de comodidade luxuosa, incluindo um salão de banquetes, uma sala de reuniões, duas piscinas, quatro salões de jantar, um bar com grande variedade de bebidas, uma academia equipada com aparelhos modernos e uma sala de meditação com vistas magníficas do mar. Além disso, tinha uma quadra de tênis, um campo de tiro e um teatro. Pelo tamanho e pela opulência, era comparável a um resort de alto padrão.
Mas o que Kwon Taekjoo mais apreciava era a ausência de outros hóspedes além dele, de Zhenya e de Matías. Matías havia designado quartos individuais para os dois, mas isso não fazia muito sentido, já que passavam a maior parte do tempo no quarto de Kwon Taekjoo. Os quartos eram espaçosos e bem equipados com tudo o que era essencial, então não havia desconforto em dividir o espaço. Na verdade, Kwon Taekjoo se sentia cada vez mais inquieto e ansioso sempre que Zhenya não estava por perto.
Dentro do quarto, as janelas panorâmicas ofereciam vistas de tirar o fôlego do mar esmeralda. Quando Kwon Taekjoo abriu a porta de vidro que levava ao terraço, uma brisa quente e salgada o tocou suavemente. Apesar do sol escaldante, o ar-condicionado eficiente impedia que sentissem o calor intenso. O ar era perfeitamente equilibrado, nem úmido demais, nem seco demais. Como sempre havia comida e água em abundância, não parecia haver problemas de suprimento, apesar de estarem numa ilha. Era o paraíso perfeito, se ao menos Kwon Taekjoo conseguisse deixar de lado as preocupações pessoais.
No entanto, o lugar não era isento de falhas. A ilha era completamente isolada, por sua natureza fortificada, sem serviço de internet nem de telefonia móvel. A única forma de Kwon Taekjoo se comunicar com o mundo exterior era por meio de Zhenya, que não era particularmente limitado pelas restrições da ilha, pois usava a própria rede de satélite.
O único problema era que Zhenya não permitia que Kwon Taekjoo usasse seu laptop ou seu telefone. Apesar dos protestos de Kwon Taekjoo, que o acusava de ser irracional, Zhenya se mantinha firme, teimoso, insistindo que não podia comprometer seus rígidos protocolos de negócios. Toda vez que Kwon Taekjoo queria reportar à sede, tinha que ser carinhoso com Zhenya.
𑣲⋆ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws:
Rubyy&Belladonna
☰ ⌀ ⌀ ⌀ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais. ⌀ ⌀ ⌀ ☰
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