↫─☫ Capítulo 02.1
𓂃 ࣪˖ ִֶָ Blue Shangri-2 · Parte 1 ִֶָ་༘࿐
— Taekjoo, acorde.
Kwon Taekjoo abriu os olhos lentamente ao som da voz de Zhenya, que o chamava. A luz do sol, ofuscante, ameaçava perfurar-lhe a visão, forçando-o a apertar os olhos e levantar a mão para bloqueá-la. Antes que pudesse fazê-lo, Zhenya interveio, poupando-lhe o esforço.
— Chegamos.
— Chegamos? Onde?
Zhenya acenou com a cabeça em direção à janela, como se o instigasse a dar uma olhada por si mesmo. Resmungando, Kwon Taekjoo se levantou. Apesar de ter dormido bem, partes do corpo doíam em protesto. Seu tato parecia embotado, como se o corpo inteiro estivesse inchado.
Enquanto Kwon Taekjoo lutava para se sentar, Zhenya lhe entregou uma garrafa de água, com uma gentileza incomum em seu comportamento. Kwon Taekjoo deu um tapinha leve na bochecha dele antes de saciar a sede. Estivera com sede a noite toda, então esvaziou a garrafa com facilidade. Depois, amassou-a, como sempre fazia, e foi até a janela.
De acordo com Zhenya, o iate estava agora atracado em um porto. Curiosamente, nenhum outro iate estava à vista; só se viam alguns botes a motor e jet skis.
A atenção de Kwon Taekjoo foi imediatamente atraída pelo mar tranquilo, de cor esmeralda. Não havia arranha-céus nem casas residenciais… talvez tivessem chegado a uma ilha remota. A costa bem preservada sugeria alguma forma de manutenção humana, mas a ausência de pessoas o fazia sentir-se notavelmente deslocado.
Naquele momento, Zhenya se aproximou por trás, pressionando o corpo contra o dele e envolvendo-lhe os ombros com os braços. Como de costume, enterrou o rosto no cabelo de Kwon Taekjoo. Kwon Taekjoo se inclinou ligeiramente para trás, apoiando-se nele, e abriu a boca para falar.
— Onde estamos?
— Não sei.
— O Jongwoo disse que estávamos no México. É verdade?
— Acho que sim.
— Ou ele está certo ou não está. O que você está querendo dizer?
— Estou apenas dizendo que não importa onde estamos. Aqui é pacífico, e ninguém vai nos incomodar. Não é tudo de que precisamos?
Considerando que estavam sendo caçados pelas autoridades, Zhenya não estava totalmente errado. Mas Kwon Taekjoo precisava saber a localização exata para estar preparado para o que viesse a seguir. Zhenya já era uma fonte constante de imprevisibilidade; ele não precisava de mais incertezas na lista.
— Ninguém vai nos incomodar? Você está me dizendo que existe outro lugar maldito como este?
Kwon Taekjoo respondeu incrédulo, mas foi interrompido pelo ronco do próprio estômago. Percebeu que não se lembrava da última vez que havia comido direito, nem de há quanto tempo perdera a consciência. Zhenya deslizou os dedos sobre o estômago plano e barulhento dele.
— Por que não comemos primeiro?
Embora o tom de Zhenya fosse claramente zombeteiro, Kwon Taekjoo estava muito mais animado com a perspectiva de finalmente poder comer. Mas Zhenya continuou a acariciá-lo, depositando beijos em seu pescoço. A mão, que a princípio acariciava o estômago de Kwon Taekjoo, desceu e se instalou teimosamente na virilha. Zhenya massageou suavemente a protuberância macia de carne e arrastou a língua ao longo da orelha dele. Kwon Taekjoo percebeu que poderiam acabar tendo outra rodada de sexo se não o parasse, então deu um tapa na mão de Zhenya.
— Você disse que deveríamos comer. Por que está tocando no meu pau?
— Mmm… Eu só queria ver como ele estava. Ele não parou de vazar a noite toda. Não consegui dormir por causa disso.
— Seu bastardo, você fez isso de novo enquanto eu dormia?
— Relaxa. Você também gosta, não gosta? Você precisa que eu te foda de vez em quando para poder dormir bem à noite.
‘Dormir bem? Mais como desmaiar de exaustão’, pensou ele.
Mesmo muito antes de conhecer Zhenya, Kwon Taekjoo costumava descansar por dias depois de voltar de missões, para recuperar as forças e deixar o corpo ferido se curar. Mas, desde que se envolvera com Zhenya, passavam esse tempo juntos daquela forma, com Zhenya aparecendo em seus pontos de missão e o levando como se o sequestrasse.
Zhenya sempre o observava de perto enquanto dormia, mimando-o e paparicando-o em excesso, apenas para se entregar ao sexo sempre que queria. Às vezes Kwon Taekjoo acordava no meio disso, mas o olhar inabalável de Zhenya, a temperatura corporal elevada, o jeito como repetia seu nome sem parar e até o ato em si eram tão ternos e doces que ele muitas vezes fingia não notar.
Não que gostasse particularmente daquilo. Simplesmente permitia que Zhenya fizesse o que quisesse. Era uma situação em que todos ganhavam: Kwon Taekjoo conseguia o descanso de que precisava desesperadamente, e Zhenya satisfazia seu apetite sexual avassalador. No fundo, Kwon Taekjoo se perguntava se havia começado a acreditar na insinuação de Zhenya de que ele também gostava. Dizem que pessoas que passam muito tempo juntas acabam adquirindo os hábitos umas das outras. Da mesma forma, as estranhas tendências e fetiches de Zhenya pareciam ter contagiado Kwon Taekjoo também.
Com uma careta de desaprovação, Kwon Taekjoo empurrou para longe Zhenya, que sorria. Embora não tivesse certeza de onde estavam, decidiu sair e explorar agora que finalmente haviam chegado à terra firme. Primeiro, precisava se arrumar, mas o uniforme militar que usava antes estava em farrapos no chão. Começou a procurar roupas decentes.
Vasculhou primeiro o armário. Dentro, encontrou vários roupões de banho de diferentes tecidos, além das roupas de Zhenya, penduradas em ordem, uma após a outra. Zhenya havia levado uma grande variedade de peças, como se estivesse se preparando para férias. Kwon Taekjoo verificou se ele havia trazido alguma roupa dele, por precaução, mas, como esperado, não havia nada. Se Zhenya foi buscá-lo, não podia ao menos ter trazido algumas roupas para ele? Zhenya não tinha nem a previdência mais básica.
Kwon Taekjoo abriu um pacote de cuecas novas, vestiu uma e se cobriu com um roupão. Não se preocupou muito com a escolha. Afinal, o tempo estava quente, ele só ia sair para comer e o cenário lá fora parecia o de férias típicas. Estava prestes a fechar o armário quando uma pilha de bolsas cuidadosamente arrumadas no fundo chamou sua atenção. Já antecipando o que havia dentro, verificou o conteúdo. Como imaginara, havia uma grande variedade de armas de fogo. Pegou uma pistola e testou o encaixe na mão. Não se ajustava tão bem quanto a sua própria arma, mas era aceitável. Kwon Taekjoo estava decidindo onde guardá-la quando Zhenya riu atrás dele e se aproximou.
— Você não vai precisar disso.
— Tem certeza?
— Você foi enganado a vida toda? — retrucou Zhenya, passando por Kwon Taekjoo e saindo do quarto na frente dele. — Por aqui.
Um sentimento de inquietação ainda pairava sobre Kwon Taekjoo, mas ele decidiu seguir Zhenya por enquanto. Assim que desembarcou do iate, foi recebido por um grupo de tripulantes e atendentes de uniforme branco, formando uma pequena comitiva. Deram as boas-vindas calorosamente a Zhenya e a Kwon Taekjoo, como se esperassem a chegada deles.
— Bem-vindos, senhores.
O corpo de Kwon Taekjoo se retesou diante da recepção grandiosa, a pele arrepiada. Talvez o tivessem confundido com um VIP, e não com um fugitivo procurado.
— Fomos informados de que os senhores não comeram no iate, então preparamos uma refeição. Por favor, permitam-nos acompanhá-los.
Um homem que parecia ser o gerente deu um passo à frente e os guiou ao longo do cais. Eles o seguiram pela plataforma de madeira, onde a água rasa e cristalina lambia suavemente os dois lados do caminho. A água era tão transparente que a areia branca, os corais, os ouriços-do-mar, as estrelas-do-mar e os pequenos peixes do fundo eram claramente visíveis. À medida que se aproximavam de águas mais profundas, uma tartaruga marinha deslizou pacificamente sob o cais, compondo uma cena tão vívida e surreal que parecia saída de uma animação em computação gráfica.
Embora quisesse relaxar e desfrutar da paisagem, Kwon Taekjoo mantinha os olhos alertas, examinando os arredores. Por entre as árvores densas, surgiu um edifício branco. Pelo tamanho e pela aparência dos funcionários, parecia ser algum tipo de hospedagem turística.
— O que é este lugar, um resort?
— Ouvi dizer que era uma villa — respondeu Zhenya, com indiferença.
Kwon Taekjoo riu, incrédulo. Uma villa com quase cem quartos em um terreno tão enorme? O que havia de errado com Zhenya e com as pessoas com quem ele se associava? Tinham o hábito de construir villas semelhantes a palácios em ilhas remotas? Como uma pessoa comum, Kwon Taekjoo lutava para entender a lógica por trás de um lugar como aquele.
— Ricos mimados — murmurou, balançando a cabeça.
Logo chegaram ao fim do cais, onde um grande pergolado fazia sombra contra o sol. Era aberto em todos os lados, com longos tecidos esvoaçantes tremulando sem parar na brisa do mar. Sob ele, uma grande mesa estava coberta por uma variedade extravagante de pratos. Para um simples café da manhã, a quantidade de comida era excessiva, tanto em volume quanto em variedade.
— Sente-se.
— Uma simples torrada e café teriam sido suficientes para o café da manhã. Que porra é toda essa comida? Meu estômago já está cheio só de olhar.
Era claro que não conseguiriam terminar aquilo tudo e que a maior parte provavelmente seria desperdiçada. Kwon Taekjoo lançou um olhar de desaprovação enquanto puxava uma cadeira qualquer, que por acaso oferecia uma vista perfeita do mar. Cada vez que as cortinas brancas do pergolado se abriam, uma enxurrada de tons de azul preenchia sua visão. As águas distantes eram de um índigo profundo, mas as próximas à costa brilhavam com reflexos de jade claro. Kwon Taekjoo contemplou a vista de tirar o fôlego, estalando a língua.
— Não sei de quem é este lugar, mas… seja quem for, tem tudo só para si. Não gosto disso.
— O que há de errado, Taekjoo? Você quer?
— Por que você continua perguntando se eu quero as coisas? Tanto este lugar quanto a sua preciosa Ilha Ajinoki são isolados e desertos. Eu me sentiria sufocado vivendo em qualquer uma das duas e provavelmente enlouqueceria se ficasse preso, mesmo que por apenas um ano — respondeu Kwon Taekjoo.
O olhar de Zhenya se desviou na mesma hora diante da resposta. A expressão permaneceu inalterada, mas o jeito como ele bebia a água em silêncio parecia um pouco abatido. Era como se Kwon Taekjoo tivesse tocado num ponto sensível ao criticar a ilha que Zhenya havia decorado pessoalmente e considerava seu paraíso.
— Ei, a manga é muito doce. Experimenta.
Kwon Taekjoo deslizou o prato de fatias de manga em direção a Zhenya, que apenas olhou de canto, recusando-se a mexer as mãos. Claro que não queria. Para um homem do seu tamanho, tinha a maturidade emocional de uma criança. Se pretendia convencer Zhenya a voltar para a Coreia, Kwon Taekjoo teria de persuadi-lo com jeito, mas agora Zhenya estava sendo difícil.
— Prometo, é muito doce.
Kwon Taekjoo deu uma mordida em um pedaço e o ofereceu a Zhenya. Zhenya lhe lançou um olhar crítico, mas acabou cedendo e deu uma mordida.
— E então? É bom, não é?
— Mh.
Zhenya assentiu com uma expressão desanimada e se serviu, com elegância, de um pouco de chá preto. Deu um gole, saboreando por um momento, antes de franzir a testa e pôr a xícara de lado, limpando a boca. Talvez o chá não correspondesse aos seus padrões.
‘Mimado. Coma e beba o que te derem.’
Kwon Taekjoo lhe lançou um olhar de reprovação antes de enfiar um pedaço inteiro de pão na boca. Naquele momento, sentiu a presença de alguém atrás de si. Ao se virar, viu um homem caminhando pelo convés em direção a eles, cercado por um círculo agitado de seguranças. Seria aquele o dono da ilha luxuosa?
— … Que conveniente — murmurou Zhenya, claramente irritado com o aparecimento repentino do homem.
Kwon Taekjoo manteve os olhos na figura que se aproximava e perguntou:
— Quem é ele?
— Já te disse, Taekjoo, você não precisa saber quem ele é.
— Bem, parece que vamos conhecê-lo de qualquer maneira. Qual é o sentido de manter segredo?
O homem percebeu os olhares curiosos e respondeu com um sorriso largo, os lábios se curvando antes que os olhos o acompanhassem. Na experiência de Kwon Taekjoo, nove em cada dez pessoas que sorriam daquele jeito eram desonestas. O modo como o homem ergueu os dois braços, num gesto de alegria, o fazia parecer simpático por um lado e, por outro, um vigarista.
Kwon Taekjoo o estudou de perto. Os cabelos, a pele, os olhos e os cílios eram escuros, típicos de hispânicos, e ele parecia ter pouco mais de trinta anos. O cabelo, na altura do pescoço, estava naturalmente penteado para um lado. Usava uma camisa aberta sobre uma polo sem mangas, combinada com calças brancas e tênis. Embora a aparência fosse casual à primeira vista, ele estava longe de ser comum.
— Amigos, vejo que chegaram antes de mim.
O homem se aproximou sem hesitar, apoiando as mãos na mesa enquanto um forte cheiro de colônia preenchia o ar. Zhenya permaneceu indiferente, continuando a refeição como de costume. Sem se intimidar com a falta de interesse dele, o homem concentrou a atenção em Kwon Taekjoo. A expressão bajuladora já era irritante, mas, de repente, ele piscou para Kwon Taekjoo. Kwon Taekjoo franziu a testa.
— Quem diabos é esse cara?
Apertou o punho em volta da faca que tinha na mão. O homem soltou uma gargalhada diante da reação súbita e brusca.
— Amigo, não vamos sacar armas no nosso primeiro encontro. O lema da minha família é evitar brigas pela manhã; veja, só torna o dia desnecessariamente longo — disse ele, estendendo a mão em cumprimento.
Kwon Taekjoo encarou a mão estendida com desagrado. Inabalável, o homem apertou a própria mão com entusiasmo, como se tentasse quebrar a guarda dele.
𑣲⋆ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws:
Rubyy&Belladonna
☰ ⌀ ⌀ ⌀ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais. ⌀ ⌀ ⌀ ☰
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