↫─☫ Capítulo 10
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Extra. Dias Normais (Normal Days)
Dizem que a noite de Las Vegas é mais bonita que o dia. Com o pôr do sol, a cidade que estava adormecida começava a despertar. Os hotéis de luxo alinhados na Main Street exibiam sua presença com luzes ofuscantes e letreiros de néon. Postes, pontes, guarda-corpos, placas, palmeiras, telões
— Onde quer que os olhos alcançassem, havia um festival de luzes multicores. Os carros nas ruas emitiam faróis ofuscantes, e multidões transbordavam pelas calçadas. Música em todo lugar, lasers de todas as cores e jatos d’água de fontes gigantes tingiam o céu negro como breu. Pessoas bem-vestidas desfrutavam do espetáculo em restaurantes e bares elegantes, faziam compras, faziam fila para assistir a shows. Parecia que nem mesmo um caleidoscópio poderia ser mais suntuoso.
Havia um lugar que coroava aquele mundo irreal. Um espaço onde dezenas, centenas de milhares de dólares evaporaram como um milagre em uma única noite. Os cassinos, com suas bocas douradas e resplandecentes, engoliam os clientes que chegavam em massa. Alguns vinham por mero interesse, outros sonhando com o jackpot da vida, e chegavam sem fim.
As luzes deslumbrantes e as melodias caóticas de centenas de caça-níqueis, a fumaça acre do cigarro, o cheiro de álcool preso no ar, a vigilância rigorosa dos seguranças, as línguas de todo o mundo se misturando em cada mesa e, mais agudo do que qualquer ruído, o som das fichas. Como uma enchente, os estímulos logo entorpeciam os cinco sentidos e turvavam a razão. Era fácil perder o controle e se concentrar apenas no jogo.
O cassino usava a psicologia humana de forma meticulosa. Removiam relógios e janelas para embotar a noção da realidade, e prestavam muita atenção à disposição das mesas. Mesas com apostas mais altas ficavam mais para o interior.
Nas mesas de alto valor, crupiês experientes conduziam os jogos, e a maioria dos jogadores era clientes habituais, não aventureiros. Ofereciam serviços personalizados para mantê-los por perto. A cada visita, o gerente da casa, o *pit boss*, vinha cumprimentá-los e preparava bebidas de acordo com o gosto de cada cliente. Como muito dinheiro estava em jogo, a vigilância era ainda mais apertada. Era mais difícil de penetrar do que qualquer zona de operação.
Kwon Taekjoo estava embaralhando cartas em uma mesa. Usava um crachá no peito com o nome de ‘Philip’, um crupiê sino-americano, veterano de dez anos. Devido a uma caracterização especial, sua aparência externa também era idêntica à dele. Tudo para se aproximar naturalmente de um alvo particularmente desconfiado.
Na mesa que ele comandava, o jogo de ‘Blackjack’ estava a todo vapor. ‘Blackjack’ é um jogo de cartas que é simples, se for simples, e infinitamente complexo, se for complexo. O crupiê e os jogadores recebem cartas aleatoriamente, e vence quem tiver a soma mais próxima de 21.
Mas se a soma das cartas ultrapassar 21, causando um ‘estouro’, a pessoa perde automaticamente, independentemente da mão do oponente.
Dos quatro clientes sentados, nenhum tinha ‘estourado’. A soma das cartas variava de 13 a 19. Agora era a vez de Kwon Taekjoo, o crupiê, abrir sua mão. A carta já revelada era um ‘3’. Como o número era baixo, a probabilidade de ‘estourar’ era alta. Isso porque o crupiê deve continuar a receber cartas adicionais até que a soma total de suas cartas ultrapasse 17. Os jogadores, com olhares um tanto ansiosos, focavam na carta oculta.
—Abrirei a carta oculta.—Virou a carta restante. Quando apareceu um ‘7’, um suspiro peculiar escapou dos jogadores. Se a próxima carta fosse um ‘A’, o blackjack seria completado e o crupiê levaria todo o dinheiro. Mesmo que saísse um ’10’ ou uma carta de figura como ‘J’, ‘Q’, ‘K’, a soma seria 20, vitória do crupiê. No ‘Blackjack’, normalmente é um jogo 1 contra 1 entre o crupiê e cada jogador, mas todos na mesa, de coração unido, esperavam que saísse um ‘6’ ou menos.
De acordo com as regras, ele pegou mais uma carta. A carta foi imediatamente aberta e colocada ao lado das outras. Era um ‘5’. A soma total ainda era 16 ou menos, então ele teve que receber mais uma. Os jogadores, agora cerrando os punhos ou murmurando por um estouro como se estivessem rezando, apenas fitavam as mãos de Kwon Taekjoo.
Ele pegou mais uma carta. Até virá-la, a tensão na mesa atingiu o auge. Destruindo a expectativa de um jogador que pedia ‘por favor’, a carta ‘6’ se revelou. Em sequência: 3, 7, 5, 6. Como por milagre, o 21 se completou.
—Blackjack.
Declarando mais uma vitória, ele recolheu todas as fichas sobre a mesa. Os jogadores, desanimados, recuaram os corpos.
—De qualquer forma, esses orientais são tão mesquinhos.
Fumando, eles expressavam sua insatisfação abertamente. Diziam que não tinham sociabilidade e que se matavam para ganhar. Era a reclamação que ele ouvia o dia inteiro, três dias seguidos, a ponto de criar calos nos ouvidos. Há um equívoco comum entre os frequentadores de cassinos. Acham que se criarem amizade com o crupiê, ele dará uma folga, ou que se vencerem a batalha psicológica, o jogo se inclinará a seu favor. Lamentavelmente, todos os jogos seguem apenas a probabilidade. Quanto mais vezes se joga, menor a chance de vitórias consecutivas. Nada mudava, mesmo que se tornassem amigos do crupiê.
Depois de perderem dinheiro mais algumas vezes, os jogadores foram saindo um a um. O último a deixar a mesa, um senhor de idade, jogou suas fichas restantes em sua direção.
Diziam que ele era o dono de uma grande empresa de navegação, e as gorjetas eram sempre generosas.
—Philip. Pode parecer vantajoso liderar o jogo agora, mas você também precisa perder de vez em quando para durar. Se você só ganhar, quem vai se sentar na sua mesa?
Bem, não é como se eu pudesse controlar isso.
Ele queria contestar, mas conteve-se e apenas inclinou a cabeça.
—Levarei isso em consideração. Quando se lembrar, apareça novamente.
O homem riu alto, dizendo que ele estava levando todo o dinheiro e ainda pedia para voltar. Mas provavelmente, ele voltaria à mesa de Kwon Taekjoo no dia seguinte. Pessoas com um desejo de vitória incomum só ficam satisfeitas quando finalmente ganham. Depois que ele também saiu do cassino, a mesa ficou vazia por um momento.
Já estava na hora de aparecer.
—De novo sozinho? Hoje você ganhou todas de novo?
Enquanto arrumava a mesa por um instante, a voz que esperava soou. Ao levantar a cabeça, viu uma senhora de meia-idade sorrindo. Ela disse que também iria brincar e sentou-se no lugar do meio.
O nome dela era Chiara Zhang. Dizia que fazia negócios de comércio relacionados à moda na Itália. Embora tivesse nascido na China, praticamente vivia na Itália. Durante os jogos, ela costumava fazer comentários pessoais: que se casou com um marido local há dez anos, que não tiveram filhos e que, talvez por isso, a relação entre eles fosse distante.
Tudo era mentira. A nacionalidade de Chiara Zhang não era chinesa, mas norte-coreana. Seu nome real era Choi Yeonhwa. Ela havia ficado na Itália por quase vinte anos, atuando como a principal responsável pelos fundos europeus da Coreia do Norte. Dizia-se que o valor dos fundos secretos que ela administrava chegava a trilhões de wons, o que seria impossível sem a confiança da liderança do partido.
No entanto, como outros membros da elite norte-coreana, ela parecia ter passado por uma mudança ideológica gradual. Com uma longa vida no exterior, ampliando seus horizontes e expandindo seu pensamento, ela passou a sentir um grande ceticismo em relação ao regime norte-coreano, que permanecia estagnado há décadas. Em meio a isso, ocorreram grandes expurgos devido à sucessão hereditária do líder, e até mesmo seus parentes e colegas que obedeciam ao partido foram executados. Ela finalmente decidiu desertar.
A Itália, que discutia e cooperava com a Coreia do Sul e os Estados Unidos sobre o assunto, não forneceu nenhuma informação sobre Choi Yeonhwa imediatamente após sua deserção. Foi para garantir sua segurança. Isso já fazia vários anos.
O Serviço de Inteligência Nacional (NIS) começou a rastrear Choi Yeonhwa relativamente tarde. Isso aconteceu porque receberam informações de que uma organização social intimamente ligada a forças políticas domésticas havia criado um fundo secreto de grandes proporções e o enviado para a Coreia do Norte. Segundo a informação, o dinheiro teria sido lavado em vários países europeus antes de ser entregue à Coreia do Norte; Choi Yeonhwa certamente saberia disso. Se fosse apenas o financiamento de grupos pró-Coreia do Norte, tudo bem, mas se o dinheiro tivesse sido pago em troca de algum benefício no cenário político, era necessário entender claramente quem estava envolvido e quais eram seus objetivos.
A Coreia do Norte também estava obcecada em capturar Choi Yeonhwa. Não era apenas por causa dos centenas de bilhões de wons em fundos secretos que ela havia desviado ao desaparecer. No momento em que ela abrisse a boca, tudo seria exposto: desde as contas secretas escondidas por toda a Europa até os métodos de obtenção de fundos, suas origens e as técnicas de lavagem de dinheiro. Se as contas secretas fossem congeladas como parte das sanções contra a Coreia do Norte, o governo norte-coreano não teria como obter dólares.
Talvez prevendo isso, Choi Yeonhwa passou por uma cirurgia plástica completa logo após a deserção. Com a ajuda ativa do governo italiano, sua identidade também se transformou perfeitamente em ‘Chiara Zhang’. A história de ter um marido local também não era falsa. Apenas não se sabia se esse casamento era apenas documental ou real.
Depois de um longo período de reclusão na Itália, Choi Yeonhwa recentemente começou a frequentar os cassinos de Las Vegas com mais frequência. Talvez estivesse tentando interpretar fielmente o papel de ‘Chiara Zhang’, uma empresária de sucesso que, no entanto, estava cansada da vida conjugal. Ou talvez quisesse se perder no vício do jogo e, assim, libertar seu verdadeiro eu.
O ponto crucial que não se podia esquecer nesta operação era que nenhum confronto físico poderia ocorrer. Choi Yeonhwa era agora italiana, e qualquer atrito diplomático desnecessário poderia ser gerado. Além disso, se se soubesse que ela havia contatado a Coreia do Sul de alguma forma, a Coreia do Norte ficaria ainda mais obcecada em eliminá-la. Não se podia causar problemas a uma fonte de informação tão importante.
Buscaram uma maneira de se aproximar o mais naturalmente possível. O problema era que se esperava que Choi Yeonhwa fosse extremamente desconfiada de estranhos. Os seguranças à paisana que ela havia contratado também se escondiam por toda parte, fingindo ser clientes. O trabalho precisava ser feito da forma mais silenciosa e limpa possível.
Foi por isso que ele simplesmente se disfarçou de crupiê. Para dissipar as suspeitas de Choi
Yeonhwa, parecia melhor fazer com que ela viesse até ele, em vez de se aproximar primeiro. Por isso, desde quatro dias antes, ele esperava por ela, disfarçado de crupiê ‘Philip’. A vigilância era rigorosa devido à natureza do estabelecimento, e ele não podia baixar a guarda por um instante. Mesmo quando ela não aparecia, ele tinha que enfrentar outros clientes.
Choi Yeonhwa descia para jogar todas as manhãs por volta das duas da madrugada. Ele não se esforçava para ser agradável nem puxava conversa precipitadamente. Com isso, foi ela quem começou a demonstrar interesse.
—Hoje você vai perder um pouco pra mim?
—Que a sorte esteja com a senhora.
Ela fez um biquinho com sua resposta eminentemente profissional. Ignorando-a, ele disse que iria embaralhar e começou a misturar as cartas.
Nas mesas de alto valor, o embaralhamento manual era a regra. Era para evitar suspeitas de manipulação do jogo por máquinas. Por isso, ele passou várias noites praticando o manuseio, imitando os hábitos de ‘Philip’.
Em breve, a garçonete responsável pela mesa se aproximou.
—Posso preparar algo para a senhora beber?
—Não, pra mim não.
Choi Yeonhwa recusava todos os serviços oferecidos pelo cassino. Parecia que o autocontrole estava em seu sangue. Talvez para que isso não parecesse estranho, ela soltava um comentário.
—Isso também é um truque de marketing do cassino? Fazer as pessoas apostarem mais sob o efeito do álcool?
—Claro que não. É apenas um serviço oferecido aos nossos ilustres convidados. Se não quiser álcool, temos água ou outras bebidas.
—Agradeço a preocupação, mas eu prefiro beber água.
—Como preferir, disse ele, enquanto colocava as cartas alternadamente. Choi Yeonhwa estreitou os ombros e fez uma expressão maliciosa. Seus dedos, mexendo nas fichas, pareciam de alguma forma ambíguos.
—Agora, se for para tomar um drinque com Philip, é outra história.
—O consumo de álcool é proibido durante o expediente.
—Não disse que tinha que ser agora.
Ela insinuou. Aproveitando o momento, seus olhares se encontraram, e ela semicerrou os olhos. Estaria ela tentando seduzi-lo? Foi um tanto inesperado, pois não havia havido nenhum sinal especial até então.
—O quê, não gosta?
—É a primeira vez que recebo um pedido de encontro de uma cliente.
—Mentiroso.
—Não haverá mais apostas, certo? Vou abrir a carta oculta.
—Que homem de pedra.
Ela resmungou abertamente. Observando-a por vários dias, Kwon Taekjoo notou que Choi Yeonhwa nunca estava acompanhada. Nem mesmo visitantes em seu quarto. Ela sempre jantava sozinha. Embora pudesse facilmente encontrar um homem para passar o tempo, ela não o fazia.
Então por que, de repente, ela insinuava isso? Claro, desde que soube que ‘Philip’ era sino-americano, ela vinha demonstrando familiaridade. Ele pensou que isso também era parte de seu jogo de atuação.
Se Choi Yeonhwa fosse sincera, ele não tinha motivos para recusar. Afinal, a necessidade de uma abordagem complicada desaparecia. Ele também não tinha grande aversão a esse tipo de coisa. Poderia seguir o clima e, se não fosse favorável, usar um soro de verdade para extrair a informação necessária. Mas ainda não tinha certeza. Decidiu observar mais um pouco.
A soma das cartas de Choi Yeonhwa era 17. As cartas na frente de Kwon Taekjoo eram um ‘9’. Ele virou a carta oculta ao lado. Quando um ‘A’ apareceu, os ombros de Choi Yeonhwa caíram.
—Ah, perdi. A sedução não funcionou, hein?
—Blackjack não é um jogo de psicologia.
—Você não é gay, é?
—Pareço?
Ele riu baixinho e recolheu as fichas. Choi Yeonhwa, com um “hmm”, inclinou o corpo abruptamente para a frente. E começou a examinar o rosto de Kwon Taekjoo em detalhes. Não havia como sua caracterização de alto nível ser descoberta, mas aquele olhar fixo o deixava tenso.
—Não sei se é gay, mas parece ser bem comportado. Meu gosto é por homens gentis que ouvem bem.
—Entendo.
—Não dá pra saber só pela aparência.
Naquele momento, alguém se intrometeu de repente na conversa dos dois. Choi Yeonhwa virou a cabeça, intrigada. Kwon Taekjoo também franziu a testa. A voz era tão familiar. O aroma característico de Zhenya, que ele não havia notado por estar focado em Choi Yeonhwa, também se espalhava intensamente. Pensando “não pode ser”, ele ergueu os olhos e viu Zhenya se aproximando lentamente da mesa.
Por que esse desgraçado está aqui?
Surpreso, seu rosto se endureceu involuntariamente.
—O que tem de comportado nisso? Se o colocassem no show dos Chippendales, seria perfeito.
Ele examinou Kwon Taekjoo de cima a baixo e acrescentou mais uma. Choi Yeonhwa, achando que era uma brincadeira de mau gosto, riu alto. Com sua altura que beirava dois metros e sua aparência excessivamente vistosa, ele já chamava a atenção, e ainda estava vestido de forma exagerada para um cassino. Com uma aparência de pavão branco, as pessoas ao redor não paravam de olhar para ele. Por causa disso, olhares indesejados se concentraram na mesa.
O desgraçado, sem cerimônia, puxou a cadeira ao lado de Choi Yeonhwa e sentou-se.
—Posso me juntar?
—Bem, não sou eu que aluguei o lugar.
Choi Yeonhwa acenou com a cabeça sem hesitação. Ela olhou para Kwon Taekjoo e riu de um jeito estranho. Parecia pensar que a rigidez dele era puramente por ter ficado de mau humor.
E com razão, pois o ‘Show dos Chippendales’ é uma das principais atrações de Las Vegas, um show onde strippers masculinos musculosos fazem várias performances para o público
feminino. Mas ‘Philip’ tinha um corpo extremamente comum. Para uma mulher comum, dizer que ele se daria bem num show de strip era mais assédio do que elogio. Para um homem, não seria diferente.
—É melhor tomar cuidado. Ele não perde fácil.
Com a dica de Choi Yeonhwa, Zhenya riu e olhou para Kwon Taekjoo. Seus olhos se encontraram novamente. Ele queria exigir uma explicação sobre por que aquele desgraçado, que deveria estar quieto na Coreia, havia aparecido, mas precisava recuperar a compostura.
—Ganhar muito fácil também não tem graça. Estou curioso para ver o quão agressivo você pode ser.
Ele provocou, zombando. Sentindo a pele sintética em seu rosto esticar, ele manteve o rosto de pôquer.
—Bem-vindo.
—Philip? Nome que não combina.
Ele continuava a implicar, como se estivesse determinado a estragar tudo. Ignorando-o, ele embaralhou as cartas.
—Chinês? Japonês? Ou… coreano?
Ele o sondou, arrastando o final da frase. Kwon Taekjoo parou as mãos e olhou para Zhenya novamente. O desgraçado apenas sorria com cara de pau. Com a estranha disputa de olhares, Choi Yeonhwa olhou de um para o outro. Então, encolhendo os ombros, acrescentou:
—Hmm. Parece que aos olhos dos ocidentais todos parecem iguais? Para um oriental, dá para ver que ele é chinês.
—É? Por alguma razão, achei que parecia com um coreano que conheço.
Esse filho da puta, vou ter que te dar uma lição.
A mandíbula de Kwon Taekjoo se tensionou. Zhenya apenas levantou as sobrancelhas, como se perguntasse o que havia feito de errado. Quando o normalmente impassível ‘Philip’ mostrou agitação pela primeira vez em muito tempo, Choi Yeonhwa riu gostosamente.
—Às vezes tem gente que confunde.
Ela acrescentou um conselho, como se defendesse Kwon Taekjoo.
—Mas é falta de educação sair dizendo que é chinês, japonês ou coreano. Por causa da longa e complicada história, muitas pessoas se ofendem.
—Devo ter isso em mente. Ele realmente ficou de mau humor.
Ele continuou a zombar até o fim. Se pudesse, Kwon Taekjoo queria agarrar Zhenya pelo colarinho e sacudi-lo.
Depois que ele se estabeleceu na Coreia, o desgraçado aparecia repetidamente nos locais de operação de Kwon Taekjoo. Como a identidade do desgraçado era o que era, ele dizia para não seguir, pois poderia causar atritos diplomáticos, mas não adiantava. O desgraçado sempre aparecia desafiadoramente para atrapalhar Kwon Taekjoo. Bem, olhando apenas para o resultado, não se podia dizer exatamente isso, pois ele colocava os alvos de Kwon Taekjoo na linha. Mas também era difícil dizer que ele estava ajudando. Ele sempre causava problemas, como agora.
Com sua aparência e físico únicos, ele andava por aí como se não tivesse noção de que chamaria atenção em qualquer lugar. Não havia como esconder sua identidade como Kwon Taekjoo fazia. Era como se estivesse anunciando quem ele era. Na verdade, desde que ele apareceu, os sentidos de Choi Yeonhwa estavam alertas para ele.
Kwon Taekjoo sabia que Zhenya sempre o espionava. Mesmo que o avisasse para não fazer isso, ou criasse uma conta separada para o trabalho, não adiantava. Como se tivesse um dispositivo de escuta plantado em algum lugar do corpo, o desgraçado aparecia como um fantasma onde quer que a operação ocorresse. Era tão frequente que, agora, se ele não aparecesse, era mais estranho e preocupante. Porque não se sabia o que ele estava tramando em algum lugar.
Claro, até agora não houve grandes problemas. Mesmo assim, ele não conseguia deixar de se preocupar. Porque sempre que o desgraçado se envolvia, a força era usada. Uma ansiedade que não existia antes começou a se ampliar dentro dele.
De repente, o som de alguém batendo na mesa o trouxe de volta à realidade. Choi Yeonhwa e Zhenya estavam olhando fixamente para ele.
—As cartas, vai dar ou não?
—Ah, desculpe.
Ele terminou de embaralhar as cartas às pressas. Enquanto movia as mãos por hábito, ele pensava em como superar aquela dificuldade. Sua cabeça doía.
—Carta para o jogador.
Ele colocou uma carta na frente de Choi Yeonhwa e Zhenya. Apareceram um ‘8’ e um ‘Q’, respectivamente. Colocou uma também na sua frente.
—Carta para o banqueiro.
A primeira carta era um ‘A’. Choi Yeonhwa suspirou, dizendo “Viu só?”.
—Seguro?
Quando a carta aberta do crupiê é um ‘A’, isso o favorece, então ele perguntava se o jogador queria fazer um seguro. Se estivesse segurado, mesmo que perdesse, só precisava pagar metade do valor da aposta. Em vez disso, se o jogador ganhasse, recebia 1,5 vezes o valor.
Ambos balançaram a cabeça. Ele deu mais uma carta a cada um. A carta de Choi Yeonhwa era um ‘9’, e a de Zhenya era um ‘A’. O blackjack se completou instantaneamente.
—Uau? Isso funciona assim?
Choi Yeonhwa não pôde conter a surpresa. Se Kwon Taekjoo também fizesse um blackjack, eles empatariam e ele não poderia receber o dinheiro. Para essas ocasiões, ele podia primeiro receber de volta 1 vez o valor da aposta.
—Dinheiro Par?
Zhenya ainda balançou a cabeça. Como era de seu feitio habitual, ele era imprudente até no jogo. Ele virou a carta oculta imediatamente. Saiu um ‘6’. Vitória de Zhenya.
—Vencedor, vencedor, jantar de frango!
Declarando a vitória de Zhenya, ele pegou fichas do banco e as entregou. O canto da boca de Zhenya se ergueu ligeiramente. Há horas de ganhar e horas de perder, mas ele se sentiu irritado sem motivo.
Ele embaralhou as cartas e começou um novo jogo. As duas cartas de Zhenya eram ambas ‘9’. A carta aberta de Kwon Taekjoo era um ‘Q’. Nesse caso, o crupiê deveria verificar a carta restante com um leitor e informar aos jogadores se havia ou não um blackjack.
—Sem blackjack.
Zhenya bateu na mesa com o indicador e o médio, sinalizando para ‘dividir’. Talvez por causa de seus dedos longos, o gesto parecia particularmente elegante. A ponto de ele ficar olhando
fixamente, sem querer. Ele só recobrou o juízo quando Choi Yeonhwa anunciou que desistia do jogo.
Dividiu o ‘9’ de Zhenya em dois e deu mais uma carta para cada. Com um ‘A’ e um ‘3’, as somas foram 20 e 12. Zhenya pediu mais uma carta para a combinação de 12. Com um ‘7’ adicionado, a soma total chegou a 19.
Choi Yeonhwa, que estava observando, exclamou “Nossa!”. Aproveitando, seus olhares se encontraram. O desgraçado semicerrava os olhos, observando a expressão de Kwon Taekjoo. Não era seu dinheiro; não importava quanto perdesse. Certamente, e ainda assim, uma raiva inútil o dominava.
—Vai apostar mais?
—O jogo está muito chato. Para ficar interessante, tenho que apostar alto, não?
Ele disse com ar de esperteza e empurrou um monte de fichas para cada mão. Parecia ser pelo menos 100 mil dólares por mão. Choi Yeonhwa observava a provocação dele com interesse.
Ele virou a carta oculta. Saiu um ‘6’. Como a soma das cartas era apenas 16, ele pegou mais uma. Com um ‘8’, a soma das três cartas ultrapassou 21.
—Estourou.
—Ah, é mesmo?
Zhenya riu sarcasticamente. Será que aquilo parecia uma zombaria por pura insegurança?
—Ganhar sempre fica entediante.
Ele se irritou, mas não demonstrou. Espremeu toda a paciência que tinha dentro de si. Zhenya, percebendo o estado de Kwon Taekjoo, apenas sorria.
Depois disso, mais algumas rodadas foram jogadas. Zhenya não dava o menor sinal de querer sair. Cada vez mais fichas se acumulavam na frente dele. Em seis ou sete das dez rodadas, o desgraçado levou o dinheiro. Com o jogo tão unilateral, o *pit boss* se aproximou e monitorou a mesa. Isso porque, às vezes, há tentativas de roubar o cassino por meio de trapaças ou conluio entre os jogadores, ou entre o jogador e o crupiê. Com isso, o fardo de Kwon Taekjoo só aumentava.
Era um jogo que dependia apenas da probabilidade, mas ele continuava sendo prejudicado. Como era possível ganhar tanto sem usar nenhum truque? Seria ele abençoado com uma sorte
incrível?
A série de vitórias de Zhenya novamente atraiu a atenção das pessoas ao redor. Até Choi Yeonhwa, meio que abandonando seu próprio jogo, concentrou-se nele. Sempre que seus olhares se encontravam, ele fazia um sinal feroz com os olhos, como se dissesse “já chega, sai daqui”. O desgraçado fingia que não via. Quando ele acenava levemente com a cabeça, o outro erguia as sobrancelhas e fazia uma careta de cara de pau.
—Nossa, Philip, você está com os dentes cerrados. Encontrou um adversário à altura.
—Não é nada. Acabei ficando tenso sem querer.
Ele forçou um sorriso para relaxar o rosto tenso. Zhenya riu, como se zombasse.
—Não se pode demonstrar antipatia abertamente assim, especialmente com um cliente.
—Tem razão. Só um pouco cansado.
Sua boca, puxada com esforço para um sorriso, parecia prestes a ter um espasmo. Zhenya, manejando elegantemente uma ficha entre seus dedos longos, murmurou:
—Se está cansado, por que não descansa? Por acaso, reservei um quarto.
Ele imediatamente ergueu os olhos e encarou Kwon Taekjoo. Por alguma razão, não parecia uma piada. No entanto, Choi Yeonhwa, achando que era outra brincadeira maliciosa, riu dizendo: “O quê, estava tentando conquistar alguém?”. Parecia que ele estava sendo forjado a cada instante.
Mais uma vez, as cartas foram embaralhadas. As duas cartas de Zhenya somavam 14. Era uma mão um tanto ambígua para permanecer assim ou para pedir mais uma carta. Em contraste, a carta de Kwon Taekjoo era um ‘A’. O desgraçado não fez seguro e pediu mais uma carta corajosamente. Ele lhe deu mais uma carta. Com um ‘6’ adicional, completou 20. Imediatamente, o desgraçado apostou todas as fichas que tinha na sua frente. O all-in repentino agitou até os espectadores ao redor.
Ele quase gritou “Maluco!”. Será que ele sabia quanto era aquilo? Ele nunca se preocupou com a situação financeira de Zhenya, mas não sabia que ele jogava dinheiro fora assim. Até Choi Yeonhwa expressou preocupação.
—Tem certeza?
—Não tenho paciência para ficar comendo migalhas.
Todos estavam ansiosos como se o dinheiro fosse deles, mas o desgraçado sozinho permanecia calmo. Ele lançou um olhar significativo para Kwon Taekjoo. Suspirando baixinho, ele continuou o jogo.
—Vou verificar a carta oculta.
Ele virou a carta que estava virada para baixo. Por um instante, pareceu que o barulho ao redor cessara. Todos, contendo a respiração, olhavam apenas para as mãos de Kwon Taekjoo.
Apareceu um ‘8’. Mais uma vez, vitória de Zhenya. Era um resultado inacreditável, mesmo ele sendo o crupiê. Gritos de entusiasmo e aplausos irromperam ao redor.
—Muito bem! Eu só perco. Você tem algum segredo?
Choi Yeonhwa também se animou como se tivesse vencido. Zhenya, que observava fixamente o rosto de Kwon Taekjoo, momentarily atordoado, recostou-se profundamente na cadeira. Então, naturalmente, seus olhares se encontraram com os de Choi Yeonhwa.
—Quer que eu te ensine?
Seu tom de voz estava extremamente suave. Por um instante, a mão de Kwon Taekjoo, que estava pegando as fichas, hesitou. Choi Yeonhwa mostrou grande interesse.
—Você realmente tem algum método?
—Pode ser que sim, pode ser que não.
—O que é isso?
—Que tal descobrir pessoalmente agora? Eu não posso simplesmente te ensinar assim.
Ele deixou a frase em aberto, arrastando o final. Também semicerrava os olhos, como se estivesse flertando.
O que você está dizendo, seu maluco?
Talvez por causa da luz, os longos cílios do desgraçado pareciam brilhar particularmente. Choi Yeonhwa apenas o olhava com uma expressão confusa diante da proposta inesperada. Em seguida, seu sorriso se aprofundou.
—Então, que tal tomarmos um drinque juntos? Estava sem companhia mesmo. Vamos. Zhenya acenou com a cabeça prontamente. Choi Yeonhwa imediatamente pegou sua bolsa e se levantou. Ao fazer isso, seus olhares se encontraram com os de Kwon Taekjoo, e ela se despediu sem remorso.
—Philip, então até a próxima. Enquanto ele tentava pensar em como lidar com a reviravolta inesperada, Zhenya jogou uma ficha em sua direção como gorjeta. Ele a pegou distraidamente e viu que era uma ficha de 500 mil dólares. O desgraçado, que sorriu para Kwon Taekjoo, que estava sem palavras, escoltou Choi Yeonhwa para fora do cassino.
Incrédulo, ele apenas observou os dois se afastarem. Quanto tempo teria se passado? Alguém bateu na mesa. Outros clientes já haviam ocupado as cadeiras vazias.
—Não vai dar as cartas? Ah, sim. Distraidamente, ele embaralhou as cartas mecanicamente. O *pit boss*, que estava de guarda atrás dele, massageou com força o ombro de Kwon Taekjoo e se afastou.
Ele balançou a cabeça para se recompor. Por enquanto, precisava se concentrar no trabalho de ‘Philip’. Mas sua mente estava tomada apenas por pensamentos sobre Zhenya e Choi Yeonhwa. Ele não conseguia entender quais eram as intenções de Zhenya. Apenas sentia uma vaga e imensa ansiedade. Droga, ainda faltava uma hora para o fim do seu turno.
—
Finalmente chegou a hora da troca de turno. Ele se apressou para o vestiário e trocou de roupa. Os colegas próximos de ‘Philip’ tentaram puxar conversa, mas ele não tinha tempo para se dar ao luxo de socializar como de costume. Recusou o convite para um drinque, dizendo que precisava ir para casa. E então, sem nem conseguir abotoar a camisa direito, saiu do vestiário às pressas.
Nesse momento, Annie, a funcionária da recepção, o procurou. Ela estendeu um envelope para Kwon Taekjoo, dizendo que era um item que um cliente havia deixado para ‘Philip’. Dentro do envelope estava a chave de um quarto de um hotel famoso nas proximidades. Certamente foi enviado por Zhenya.
Deixando para trás os colegas que brincavam perguntando se ele ia encontrar um amante, ele se dirigiu ao estacionamento dos funcionários. Pegou seu velho Cadillac e foi para um local seguro. Em seguida, foi ao banheiro próximo e removeu todos os seus disfarces. Quando
entrou, era inconfundivelmente ‘Philip’, mas quando saiu, estava perfeitamente transformado de volta em Kwon Taekjoo.
No local onde estacionou o Cadillac de ‘Philip’, estava um sedã BMW de última geração. De fora do carro, ele ligou o motor e sentou-se no banco do motorista. Seu destino era o hotel de luxo impresso na chave do quarto.
O hotel estava localizado na melhor localização da Las Vegas Strip. De sua janela, a vista panorâmica de Las Vegas se estendia. Por isso mesmo, era imponente, e carros e pessoas entravam e saíam sem parar. Misturando-se na longa fila, ele deixou o carro com o manobrista e entrou.
Ao chegar ao elevador privativo dos quartos, um funcionário pediu a chave do quarto. Ele entregou a chave sem hesitação. O funcionário pediu que ele esperasse um momento e então chamou outro funcionário. O funcionário dedicado que apareceu logo o conduziu com extrema cortesia. O local onde chegaram era em frente a um elevador separado. Aquele lado era particularmente silencioso e tranquilo, parecendo ser privativo para suítes.
Ele já achava aquilo estranho, e quando reconheceu a chave do quarto dentro do elevador, a luz do último andar se acendeu. Ao descer naquele andar, havia poucas portas no corredor. O quarto para o qual o funcionário o levou parecia ter uns bons 150 metros quadrados. Parecia ser a suíte presidencial, que custava cerca de 30 a 40 milhões de wons por noite. Tinha três quartos, quatro banheiros, uma ampla sala de estar, um bar privativo, um terraço espaçoso com um confortável sofá-cama e até uma piscina privativa. A decoração persa antiga deixava a vista confusa. O tamanho e o esplendor o intimidavam à primeira vista.
O funcionário dedicado disse para chamá-lo se precisasse de algo e se retirou silenciosamente. Depois de olhar ao redor com desconfiança, Kwon Taekjoo nem sequer explorou o quarto e foi direto. Pegou o uísque e o copo que estavam ali e foi sentar-se no sofá da sala. A almofada cedeu suavemente, apoiando confortavelmente seu corpo cansado.
Assim que encheu o copo, ele o esvaziou de um só gole, como se matasse a sede. Sentiu como se a tensão que oprimia seu peito fosse sendo lavada. Mas foi apenas um alívio temporário; sua mente logo se complicou novamente. Ele continuou a servir e a beber, mas seu olhar permanecia fixo na porta.
Não havia um dia em que ele não se preocupasse por causa de Zhenya. Mesmo que implorasse para que ele nunca interferisse em assuntos oficiais, ele simplesmente não ouvia. Se fosse aparecer, que ao menos desse um aviso prévio. Ele sempre assustava as pessoas. Não se sabia se ele estava tentando ajudar ou atrapalhar.
Era um diplomata de nome, mas não tinha cautela alguma. Com um rosto que não se esquecia depois de visto uma vez, ele não fazia nenhum esforço para se disfarçar. Parecia que a
possibilidade de causar um problema internacional por sua causa nem passava pela cabeça do desgraçado. Será que a Rússia sabia que ele andava por aí tão descaradamente? Por que ele é que tinha que ficar mais ansioso?
Se fosse para listar as maldades do desgraçado, dez dedos não seriam suficientes. Foi quando ele foi em viagem de negócios para Dubai, talvez. Ele tentava ficar em casa durante os feriados e aniversários da mãe, mas não havia o que fazer quando uma emergência surgia. Aproveitando a ocasião, o desgraçado visitou a casa de Kwon Taekjoo e trouxe o *tteokguk* (sopa de bolinho de arroz) feito pela mãe dele até Dubai. Ele disse que ouvira que os coreanos devem comer *tteokguk* no primeiro dia do ano. Como é que eles se comunicavam, cada um falando sua própria língua? Devido ao longo voo, não havia mais caldo no *tteokguk*. Ele recusou, dizendo que não precisava comer aquilo, mas foi inútil. O desgraçado o ameaçou, dizendo que se ele desprezasse a sua boa vontade, a boa vontade que Kwon Taekjoo havia depositado no alvo também seria em vão. Parece que a segurança do alvo, que havia sumido de repente, estava nas mãos do desgraçado. Sem escolha, ele teve que engolir o *tteokguk*, que já tinha murchado no meio do deserto.
Não foi só isso. Houve também uma vez em que ele teve dificuldades porque o alvo, coincidentemente, conhecia o desgraçado. Foi quando ele foi em uma operação para o Irã, um aliado tradicional da Coreia do Norte. Os dois países, sob o pretexto de ‘cooperação científica e acadêmica’, trocavam armas ilegalmente e apoiavam o desenvolvimento de programas nucleares desde cedo. A inteligência americana afirmou que o intercâmbio entre os dois países havia diminuído gradualmente a partir de 2013.
No entanto, informações obtidas de um país membro da ONU contradiziam diretamente esse conteúdo. Diziam que os dois países ainda apoiavam o desenvolvimento de mísseis e negociavam armas ativamente até recentemente. Também afirmavam que a ‘Cheongun’, uma empresa comercial norte-coreana em Teerã, intermediava isso. Foram encontradas evidências de que peças relacionadas a mísseis balísticos foram transportadas pelas companhias aéreas de bandeira dos dois países, a Koryo Air e a Iran Air.
Para obter informações mais detalhadas, ele tentou se aproximar do comandante militar do Irã. Mas, como sempre, Zhenya apareceu. Como o alvo o reconheceu primeiro, Kwon Taekjoo acabou tendo que cumprimentá-lo também. Zhenya apresentou Kwon Taekjoo como seu amante. Quando tanto o alvo quanto Kwon Taekjoo ficaram chocados, ele corrigiu a identidade de Kwon Taekjoo para subordinado, dizendo que era brincadeira. Superficialmente, Kwon Taekjoo era afiliado à embaixada russa, então pôde dissipar as suspeitas do alvo. Essa operação perigosa pôde ser concluída facilmente graças ao fato de a Rússia e o Irã terem os ‘Estados Unidos’ como inimigo comum e à longa cooperação entre os dois países nas áreas de segurança e economia. Claro, o esforço físico foi menor, mas o desgaste mental foi várias vezes maior do que o normal.
O desgraçado sempre se intrometia desse jeito, atrapalhava todos os planos e depois se
gabava, dizendo que a conclusão da operação era inteiramente mérito seu. Como recompensa, ele o arrastava para a Ilha Ajinokki para uma “folga forçada” várias vezes. Depois de concluir uma missão, ele sempre parava na Rússia antes de voltar, e o chefe Kwak chegou a questionar isso. O chefe Kwak, que havia sido destacado para a Rússia e havia brigado com o desgraçado, não se convenceu facilmente com a explicação de Kwon Taekjoo, dizendo que “o ódio se transforma em amor”. Se ele próprio estivesse no lugar, teria pensado o mesmo.
O fato de Zhenya frequentar a casa de sua mãe também o preocupava muito. Isso por causa da natureza do desgraçado, que não fazia distinção entre o que devia e o que não devia dizer. Uma vez, sua mãe, que sentia dificuldade de se comunicar com o desgraçado, perguntou se existia um ‘tradutor’ e como se usava, e ele ficou suando frio. Disse que não havia muitos tradutores de russo e que, mesmo se houvesse, a tradução seria terrível, e ela acreditou nas palavras do filho. Mas não sabia quando a mentira seria descoberta. Se sua mãe colocasse as palavras do desgraçado no tradutor… Só de imaginar, já era demais. Parecia que estava andando na corda bamba a cada dia.
Ao relembrar o passado, um suspiro escapou naturalmente. Como foi que ele acabou com um fardo tão grande? Foi ele mesmo quem decidiu domar o desgraçado, em vez de continuar fugindo dele. Mas ele não era tão fácil quanto o esperado. Mesmo depois de um ano juntos, ele não tinha ideia de onde o desgraçado iria saltar a seguir. Mesmo observando-o o dia todo, era impossível saber o que ele estava pensando.
—…Falando nisso, o que esse desgraçado está fazendo?—Ele olhou novamente para a porta silenciosa com um olhar de insatisfação. Já era quase hora de ele voltar. Já fazia duas horas desde que ele e Choi Yeonhwa haviam saído do cassino, e não havia notícias dele. Será que algo que ele temia havia acontecido? Como não sabia o que o desgraçado pretendia, era difícil adivinhar o que ele estava fazendo naquele momento. Ele saiu dizendo que iam beber juntos, mas não parecia que estivessem fazendo isso.
Será que ele estava na cama? Mesmo que estivesse, não seria surpreendente. O desgraçado sempre foi de saias, sem distinção de idade, nacionalidade ou estilo. Pelo contrário, preocupava-se se a vida de Choi Yeonhwa não estaria em perigo. Como ele era do tipo que partia para a agressão se algo o contrariasse, não se podia relaxar. A estranha ansiedade e impaciência eram puramente por causa disso.
Ele ficava batendo no relógio de pulso. O ponteiro dos segundos, que se movia rapidamente, o deixava cada vez mais ansioso. Finalmente, Kwon Taekjoo estalou a língua baixinho e se levantou de um salto. Sem nem saber onde os dois estavam, ele se dirigiu à porta com passos largos. Não estava disfarçado. Não tinha nenhum plano específico em mente. Em sua mente, havia apenas a única convicção de que precisava encontrar Zhenya rapidamente.
Foi quando ele, com a pressa aumentando, ia agarrar a maçaneta da porta. De repente, a
fechadura se destravou e a porta se abriu do lado de fora. Diante do hesitante Kwon Taekjoo, Zhenya apareceu. Ele, com o rosto bastante sério, examinou lentamente Kwon Taekjoo, que estava na porta, da cabeça aos pés.
—Aonde você vai?
—Você é quem devia explicar o que fez e por que só aparece agora?
—Você viu. Eu saindo com aquela mulher. O que mais você acha que dois adultos fariam juntos até agora?
Ele disse com um ar significativo e sorriu. Era desagradável. Como o desgraçado pretendia, o humor de Kwon Taekjoo piorou. Zhenya, que o encarava com descontentamento, passou calmamente por ele e foi até o sofá. Então, serviu o uísque que Kwon Taekjoo havia bebido quase pela metade. O líquido âmbar, balançando, foi girado lentamente dentro do copo, sem ser bebido imediatamente.
—Você não fez nada com Choi Yeonhwa, fez?
—O quê, com medo de que eu a tivesse matado?
Ele sondou, semicerrarndo os olhos. Kwon Taekjoo hesitou involuntariamente e então riu.
—Não sou tão inflexível a esse ponto.
—Então o que foi?
—Taekjoo, o que você pretendia fazer com aquela mulher, afinal? Em último caso, pensava em usar a sedução?
—E quem usou a sedução, hein?
Ele ficou atônito. Não havia nada mais absurdo do que o cara que lhe roubou o alvo, em que ele vinha trabalhando com tanto esforço por dias, agora virar o jogo contra ele. O desgraçado, que ouvia em silêncio, sorriu de repente. Parecia que a resposta de Kwon Taekjoo o agradara, por algum motivo.
—Ah, então você estava prestes a vir atrás de mim? Com medo de que eu e aquela mulher estivéssemos transando loucamente?
—Não. É que você poderia ter machucado aquela mulher. Se você mexer com ela, as coisas vão ficar complicadas.
—Já te disse, não ataco a menos que me ataquem primeiro.
Ele soltou uma risada seca. Dizem que quando as coisas são absurdas demais, a gente fica sem palavras; era exatamente isso.
Zhenya, sem se importar, apontou com o queixo para o lugar ao lado dele. Ele cruzou os braços e se manteve firme. De repente, o desgraçado disse: “Parece que você não precisa disso, não é?”. Em sua mão, estava um pequeno microchip.
—O que é isso?
—Informações sobre as contas nominais europeias da Coreia do Norte e a origem dos fundos depositados em cada conta…
Algo que se obtém com grande dificuldade, ele o conseguiu facilmente. Era sempre assim. E por isso, ele sempre se sentia em desvantagem.
Ele encarou o desgraçado com uma expressão de desagrado e, finalmente, aproximou-se. Quando estendeu a mão para pegar o microchip, o desgraçado o puxou para trás de repente.
—Você perdeu todo esse tempo só para conseguir isso?
—Ao contrário de você, não posso ficar mostrando a cara por aí. Não tenho ninguém para me apoiar.
Enquanto ele zombava, rangendo os dentes, o desgraçado riu e abriu os ombros casualmente. Sua expressão também parecia extremamente arrogante. Não havia dúvida de que aquele desgraçado não tinha capacidade de aprender.
—Isso não foi um elogio, seu idiota. Já não está na hora de aprender?
—Você ainda é muito tímido, Taekjoo.
—Não é timidez, é vergonha alheia por sua causa.
—Não sabia que você se importava tanto com a minha reputação.
Sua cabeça latejava. Isso acontecia com frequência quando ele conversava com o desgraçado. Era mais fácil ceder do que continuar discutindo. Ele suspirou fundo e estendeu a mão.
—Pra que perder tempo falando com você? Me dá logo isso.
Mas Zhenya não entregou o microchip tão facilmente. Ele apenas o girava entre os dedos, como para exibi-lo.
—Nunca disse que ia te dar isso, Taekjoo.
—O quê? Não é como se você precisasse disso, afinal.
—Pode ser, mas agora que está em minhas mãos, faço o que quiser.
Ele disse que pagou um preço bastante alto por isso. Um suspiro profundo escapou.
—Você tem o que, um pinto dourado? Depois de se divertir à vontade, ainda age como se tivesse feito um grande sacrifício.
—Ah, é por isso que você está emburrado?
—Quem está…!
—Que ingênuo. Ela é uma mulher que desviou 400 bilhões de wons do fundo secreto de um ditador. Se for pega, está morta, e ainda assim teve a audácia de fazer algo assim. Você acha que uma mulher dessas baixaria a guarda para um crupiê que conheceu há alguns dias? Se eu não tivesse intervindo, você estaria sendo dissecado na cama dela agora mesmo. Ela perguntaria quem te enviou, qual era o seu objetivo, e extrairia a verdade do seu corpo. Uma mulher cuja única riqueza é o dinheiro não cairia numa sedução barata dessas.
Ele realmente suspeitara quando Choi Yeonhwa tentou seduzir ‘Philip’ do nada. Cada um tem seus gostos, mas ‘Philip’ não era um homem sexualmente atraente. Choi Yeonhwa disse que gostava de homens comportados, mas não se sabia se era verdade. Antes disso, ela não havia demonstrado nenhum sinal.
No final, ela também estava desconfiada de ‘Philip’ o tempo todo. Talvez estivesse tentando marcar um encontro privado para verificar sua identidade.
Zhenya, no entanto, abriu uma exceção.
—Comigo, a história seria diferente.
—O que quer dizer?
—Parece que agora é uma boa hora para você usar sua sedução.
Seu hábito era sorrir e não dizer as coisas diretamente. Com um mau pressentimento, ele franziu a testa. Zhenya, como se gostasse dessa reação, bebeu um gole de uísque e riu baixinho.
—Tente usar. Quem sabe funciona.
Em seguida, ele pegou algo em uma gaveta próxima e jogou para Kwon Taekjoo. Era uma pequena sacola de compras. Parte do conteúdo se projetava para fora da sacola virada. À primeira vista, parecia uma gravata borboleta.
—…O que é isso?
Ele olhou para Zhenya com olhos desconfiados. O canto da boca do desgraçado se curvou num longo arco.
—Vista.
Parecia que nem o demônio sorriria daquele jeito.
—
—Ha, que filho da puta maluco…
Ele suspirou enquanto vestia a roupa que recebeu de Zhenya. Bem, era um exagero chamar aquilo de ‘roupa’. As calças pretas, justas na parte inferior do corpo, tinham um zíper longo ao longo da virilha, e a parte de cima consistia apenas de uma gravata borboleta e punhos. Parecia que ele era um dançarino do show dos Chippendales. A essa altura, seria menos constrangedor simplesmente tirar tudo.
Ele verificou sua aparência no espelho e suspirou fundo. A sensação do tecido da calça roçando na pele nua era estranha. A parte de cima, que mal cobria o peito, parecia desesperada para exibi-lo. Que tipo de gosto era esse? Enquanto ele olhava para si mesmo no espelho com desaprovação, Zhenya o apressou de fora, dizendo que já era tarde. Ele passou a mão pelo espelho como se fosse arranhá-lo e saiu.
Se demonstrasse um pouco de vergonha, isso só faria aquele desgraçado feliz. Antes de sair do quarto, ele se preparou mentalmente e foi para a sala. O desgraçado, que estava estirado no sofá, o viu e sorriu.
—Olha só. Não disse que ficaria bem?
Ele inclinou o corpo para a frente. O roupão que usava frouxamente se abriu. Ele parecia ter tomado banho; sua pele estava mais lisa e seus cabelos cor de marfim ainda estavam úmidos. Seus olhos cor de vinho, mais claros do que o normal, rolaram lentamente enquanto o examinavam. Ele o perscrutava com insistência, como se fosse lamber cada centímetro do seu corpo, até as partes invisíveis. Ele já sabia disso, mas aquele rosto bonito escondia um
pervertido dos grandes.
—Venha aqui.
Depois de uma inspeção geral, ele acenou com a mão. Sua atitude arrogante era bastante irritante, mas não havia escolha. Quem está em pior situação tem que ceder.
Ele foi até a frente de Zhenya e parou. O desgraçado estendeu a mão e apertou a parte de trás da coxa de Kwon Taekjoo. Seus dedos longos pressionavam firmemente a carne densa. A calça foi puxada junto, apertando sutilmente o pênis por dentro. Ele tensionou o abdômen involuntariamente. Zhenya, como se tivesse percebido até a menor mudança, ergueu o canto da boca.
Irritado com o desgraçado, ele tomou a iniciativa. Colocou o joelho entre as pernas abertas de Zhenya. Então, com uma mão, segurou o encosto do sofá onde o desgraçado estava recostado. Com a distância subitamente reduzida, o desgraçado olhou para ele com uma expressão satisfeita. Enquanto o encarava em silêncio, ele acariciou lentamente a orelha do desgraçado. Amassou o lóbulo frio até que ele se aquecesse e massageou toda a orelha. Um suspiro sonolento escapou do desgraçado. Seus longos cílios também tremeluziam sutilmente. Quando ele via o desgraçado se derretendo daquele jeito, sentia uma estranha sensação de realização. Como se tivesse domado a fera selvagem.
Ele ergueu o queixo de Zhenya, que estava olhando apenas para ele, e o beijou. O canto da boca do desgraçado pareceu tremer. Quando ele passou a língua sobre o lábio superior, o desgraçado apertou as nádegas de Kwon Taekjoo, que estavam firmemente empinadas. Ele mordiscou o lábio superior do desgraçado silenciosamente, soltando-o. Então, de repente, virou a cabeça e enfiou a língua. O desgraçado, como se estivesse esperando, puxou Kwon Taekjoo e mordeu sua língua. As línguas vermelhas se misturavam viscosamente, com sons de estalo. As mãos que amassavam suas nádegas subiram para suas costas. Cada toque dos dedos gerava uma leve eletricidade estática, fazendo sua cintura tremer. O sorriso de Zhenya se aprofundava.
Os dedos que percorriam sua coluna vertebral faziam sua virilha formigar rapidamente. Ele segurou a mão que fazia cócegas em suas costas. Com isso, os lábios que estavam unidos se separaram.
Imediatamente, Zhenya esticou o pescoço e o beijou novamente. Mordeu o lábio inferior carnudo de Kwon Taekjoo e, enquanto o puxava, amassou repetidamente suas línguas. Mesmo que ele tentasse empurrá-lo pelos ombros, era inútil. Finalmente, depois de ceder por mais algum tempo, ele afastou a cabeça novamente. Então, o desgraçado lambeu os próprios lábios brilhantes, como se saboreasse.
—Um show de strip digno de ser visto.
—Que cara estranho. Quem além de você iria querer ver uma coisa dessas?
—Surpreendentemente, sua autoestima é baixa. Ou está fingindo?
Ele riu e puxou Kwon Taekjoo para mais perto de si. Então, enquanto acariciava sua omoplata, esfregou suavemente a ponta do nariz em seu mamilo liso. A sensação ambígua fez Kwon Taekjoo franzir ligeiramente a testa. A carne que estava pressionada sem estímulo era arrastada e amassada sem controle pelos movimentos do desgraçado. As sensações que ele havia esquecido por um tempo ressurgiram, estimulando sua virilha mais rapidamente.
—…Nhã.
—Olha só. Porque não chupo regularmente, ficou achatado de novo. Você não se masturbou? Ou deu atenção só ao seu pinto de novo? Dá pra gozar só com isso, mas você anda negligenciando.
Esfregando a ponta do nariz e os lábios como se fosse mordê-lo a qualquer momento, o desgraçado de repente enfiou a cabeça no pescoço de Kwon Taekjoo. Ele mordeu seu pescoço e sugou a pele fina. Com as duas mãos, ele continuou a amassar as nádegas firmes de Kwon Taekjoo. O corpo de Kwon Taekjoo, que se mantinha rígido, começou a ceder lentamente sob a enxurrada de estímulos.
Ele finalmente conseguiu separar Zhenya, que estava roendo seu pescoço. O desgraçado parecia insatisfeito com as constantes interrupções. Como se estivesse de mau humor, ele mordeu o queixo de Kwon Taekjoo uma vez.
—Nhã, Choi Yeonhwa… você tem certeza de que ela está bem?
—Você trocou olhares com ela enquanto eu não estava? Por que você se importa tanto com a vida ou a morte daquela mulher?
—Responda. Tenho certeza de que a deixou viva?
—Se eu disser que sim.
Ele disse que não tocou nela nem com um dedo e avançou novamente. Desta vez, ele mordiscou seu lóbulo e depois enfiou a língua no canal auditivo. Seu dedo médio traçava o sulco das nádegas, penetrando para dentro. Kwon Taekjoo, que soltou um gemido abafado, estendeu o braço para trás e segurou seu pulso. Também agarrou a nuca de Zhenya para afastá-lo. Interrompido novamente, um longo suspiro escapou de Zhenya.
—Taekjoo. Você está tentando me torturar sexualmente, e não fazer um lobby com seu corpo?
—Mesmo na hora H, tenho que verificar a qualidade da mercadoria. Como conseguiu essas informações sem tocar em Choi Yeonhwa nem com um dedo?
—Eles já sabiam quem eu sou de lá.
—Não é surpresa, já que você fica mostrando a cara por aí pedindo para ser reconhecido.
Ele zombou, e o desgraçado riu.
—Como não seria bom para nenhum de nós criar um alvoroço, propus um acordo. Sei o que aquela mulher mais precisa agora. Se eu garantir isso, o resto fica fácil.
—Você tatuou o brasão da sua família nela?
—Algo parecido.
—Você, fazendo uma negociação pacífica dessas?
—Taekjoo, não sei até onde você me subestima, mas sempre resolvi meus negócios sem deixar rastros.
Claro, o desgraçado sempre se gabava de ser um ‘comerciante habilidoso’. Quando procuravam a ‘Anastasia’, ele conversava com desenvoltura com os convidados importantes nas festas e com Sergei. O fato de ele ir e vir sozinho da casa da mãe de Kwon Taekjoo também mostrava que ele tinha um bom tato. Ainda assim, por causa de sua natureza imprevisível, não se podia confiar plenamente nele.
Kwon Taekjoo fez uma expressão de pouca confiança. Então, o desgraçado suspirou fundo e disse que não havia confiança. Ele até abaixou as sobrancelhas como se estivesse profundamente magoado. Era irritante.
Ele agarrou o pênis do desgraçado, que havia se erguido enquanto ele erguia a barra do roupão.
—É difícil confiar em alguém cuja boca é mais leve que a língua.
—Parece que você não sabia? Já estou meio aleijado há muito tempo.
Dizendo que estava aleijado, mas com o pênis duro só por causa de alguns beijos. O pênis do desgraçado pulsava, pressionando a mão de Kwon Taekjoo. Ele chegou a esfregar suavemente a massa enorme na parte interna da coxa de Kwon Taekjoo. Parecia que ia furar a calça a qualquer momento.
A presença ainda não familiarizada fazia Kwon Taekjoo franzir a testa. Uma vez começado, não haveria tempo para conversar direito. Ele precisava esclarecer algumas coisas antes.
—Como você descobriu que o crupiê era eu? Já não basta hacking e escuta, você desenvolveu uma máquina de ler mentes?
—É impossível não reconhecer.
—Então me diga como. Eu estava disfarçado. Os colegas de ‘Philip’ não perceberam nada.
—Eu reconheci você, Taekjoo, não ele.
Daquele jeito, de repente, com uma verdade direta, ele ainda não se acostumava. O rosto de Kwon Taekjoo se contraiu com desaprovação. Zhenya ergueu a cabeça e bateu os lábios nos dele. Os lábios se pressionaram como um carimbo e depois se separaram suavemente. Os olhos do desgraçado, que ele viu naquele momento, estavam mais suaves do que o normal.
—Pra mim, é moleza.
De qualquer forma, aquele filho da puta, como ele era habilidoso em manipular as pessoas. Kwon Taekjoo, que observava Zhenya em silêncio, de repente segurou seu rosto com as mãos. O desgraçado, com o rosto relaxado, apenas o encarava em silêncio. Um anseio puro e improvável. Uma paixão profunda voltada apenas para o reflexo em seus olhos. Será que ele estava enlouquecendo por conseguir ler essas coisas no desgraçado agora?
Como se tivesse desistido, ele suspirou e abaixou a cabeça para juntar os lábios. Zhenya, com uma expressão satisfeita, envolveu firmemente as costas e a cintura de Kwon Taekjoo, respondendo ao beijo que ele liderava. Os lábios se enredavam, roçavam e, a cada vez que se separavam, o canto da boca do desgraçado se erguia ligeiramente. Se ele tivesse um rabo, certamente estaria abanando furiosamente.
Ele chupou os lábios suavemente e, quando a língua naturalmente se projetou, roçou a sua contra ela. As carnes úmidas e macias se esfregavam e se amassavam, produzindo um sabor agridoce. Logo, uma saliva viscosa se acumulou em sua boca. Ele chupou a língua que estava apenas lambendo, prendendo-a entre os lábios, e então virou a cabeça para enfiá-la na boca de Zhenya. O desgraçado inclinou a cabeça adequadamente e aceitou a língua de Kwon Taekjoo sem hesitar. E ainda, como se estivesse com pressa, sua pomo de Adão se contraía repetidamente.
Como ele não havia passado nada depois do banho, a eletricidade estática continuava. O desgraçado, como se aproveitasse a sensação formigante, percorria constantemente as costas secas de Kwon Taekjoo. As costas de Kwon Taekjoo, que estava concentrado apenas no beijo, ondulavam lenta mas distintamente. Mesmo durante o beijo, ele soltava gemidos doces e abafados. Cada vez que via algo diferente naquele homem de aço, sentia um prazer estranho.
Logo, com um som de estalo, os lábios se separaram. Os olhos de Kwon Taekjoo e de Zhenya estavam vermelhos de calor. Hálitos mornos e ofegantes se misturavam no rosto um do outro. Zhenya semicerra os olhos e, de repente, estende a língua para lamber todo o lábio brilhante de Kwon Taekjoo. Kwon Taekjoo, com uma expressão de repulsa, resmungou: “Você é um cachorro?”.
—Você que me fez assim. Dizendo que ia me domar, que eu devia esperar quieto…
—Mesmo um cachorro se treina. Pelo menos obedece.
—Isso é quando o dono cuida com responsabilidade. Do seu jeito, aparecendo de vez em quando, é o mesmo que abandono.
Ele não perdia a chance de dar uma resposta. Em seguida, ouviu-se o som de um zíper sendo aberto. O zíper da virilha foi puxado, expondo o sulco das nádegas. A cintura de Kwon Taekjoo tremeu involuntariamente com o ar frio que tocou sua pele.
Zhenya deixou o zíper meio aberto. Com isso, seu pênis, que começava a ficar ereto, ficou preso de forma desconfortável dentro da calça.
—Parece que você se tocou no banho? Está bem macio.
Ele tateou ao redor do orifício com as duas mãos, como se verificasse, e olhou para Kwon Taekjoo.
—Seria bom se o pinto de alguém fosse mais humano. Se não fizer nada, acabo vendo sangue.
Ele riu e baixou a cabeça para morder o peito de Kwon Taekjoo. Aproveitando, a ponta do queixo pressionou suavemente seu mamilo. De repente, todo o peito, que estava macio, se tensionou. Fingindo que não, ele continuou mordendo a carne ao redor, deixando marcas. Então, de repente, esfregou suavemente o mamilo oposto com o polegar. Com o estímulo inesperado, a parte superior do corpo de Kwon Taekjoo se inclinou para a frente. A protuberância macia se pressionou contra o nariz afiado. Um cheiro forte de carne se espalhou. Zhenya abriu a boca com prazer e mordeu o pequeno caroço que o atormentava. O hálito quente, a saliva escorregadia, a sensação da mucosa macia – tudo se acumulou de uma vez. Quando Zhenya começou a sugar levemente o mamilo, sua testa se franziu inevitavelmente.
—Haa….
Zhenya conteve a mão de Kwon Taekjoo, que tentava empurrar seu ombro, e sugou o pequeno caroço com mais insistência. Tão forte era a sucção que a pele ao redor do mamilo ficou vermelha. O mamilo, que era arrastado sem resistência, fosse lambido ou puxado, tornava-se cada vez mais duro. Ficava mais sensível ao estímulo, e até mesmo um sopro de ar quente fazia uma sensação estranha se espalhar.
A respiração de Kwon Taekjoo ficou visivelmente mais áspera. Zhenya, prendendo-o com mais força enquanto ele tentava escapar, mastigava a carne escorregadia coberta por sua saliva.
—Isso, hã, chega….
—Por quê? Você gosta. Sua cintura já está se movendo.
Ele murmurou, segurando a carne sensível que formigava com o menor toque. Seu corpo estava esquentando a ponto de não poder negar. Seu pênis, preso na calça, estava tão apertado que já doía. Ele queria tocá-lo com a própria mão, mas Zhenya o envolvia com os braços e o corpo, impedindo qualquer movimento.
O desgraçado o segurou assim, abriu bem a boca e engoliu seu peito inteiro. Então, sugou toda a carne que havia entrado. Ao mesmo tempo, ele movia a língua dentro da boca para provocar o mamilo. Nem um bebê faminto por dias seria tão voraz.
Não foi apenas desta vez. As preliminares de Zhenya tendiam a se concentrar em seus seios. Dizia que era porque Kwon Taekjoo sentia prazer ali também, mas às vezes parecia uma manifestação de uma carência não resolvida da infância.
Enquanto ele se distraía por um momento, Zhenya afastou a boca. O mamilo, vermelho e excitado, brilhava como se coberto de calda. O desgraçado, esfregando a carne escorregadia com o polegar, virou a cabeça e engoliu o outro seio.
—Espe… harf.
A mão de Kwon Taekjoo, que estava sendo segurada, se esticou e depois se fechou em um punho forte. Cada vez que o desgraçado sugava com força seu mamilo, parecia que algo estava sendo sugado para fora de seu corpo. A parte superior do corpo se curvava para a frente, e o calor que vinha do peito se acumulava em sua virilha. Ele se debatia, mal conseguindo suportar o prazer avassalador. Suas coxas roçavam nas coxas duras do desgraçado, e, contra sua vontade, continuavam estimulando o pênis dele.
Como se pretendesse deixar marcas de mordida, ele mordia seu peito como bem entendia. Seria sorte se não saísse sangue.
Enquanto Kwon Taekjoo se debatia preso, o desgraçado abriu um gel e enfiou a ponta em seu orifício. Antes que ele pudesse sentir a estranheza, o gel foi esguichado para dentro. Assustado, ele recuou os ombros. O desgraçado, aproveitando a abertura, roeu seu peito esquerdo enquanto espremia todo o gel. O gel, que era novo, acabou rapidamente. O tubo de gel, jogado no chão, estava tão amassado que mal se reconhecia.
Ele tateou o orifício encharcado e enfiou o dedo com força. A sensação nítida de penetração fez a coluna de Kwon Taekjoo se enrijecer. Ele esfregou amplamente as paredes internas viscosas, como se as arredondasse, abrindo o caminho. A parte superior do corpo de Kwon Taekjoo se inclinou ainda mais para trás, tremendo. Seus dois joelhos, que sustentavam seu corpo, também balançavam perigosamente.
Zhenya beijava a clavícula e o pescoço de Kwon Taekjoo enquanto enfiava mais um dedo para relaxá-lo. Ele abria bem os dois dedos e os girava lentamente, pressionando a mucosa morna de vez em quando. Cada vez que fazia isso, os músculos abdominais de Kwon Taekjoo se contraíam violentamente.
—Haa, harf….
—Já sabia que você tinha um corpo que reagia bem, mas aqui também não é diferente.
—Que conversa é essa do nada… nhã, harf.
—Você finge que nem foi fodido depois de um ou dois dias. Se eu não te foder dia sim, dia não, você sempre se fecha de novo. Eu até achei que tinha me esforçado bastante, mas seu interior ainda está apertado.
—Cala, a boca. Ah.
—É de propósito? Cada vez que você se contrai, meus dedos são sugados mais fundo.
Ele falou com um tom sinistro enquanto esticava os dedos. Embora não se comparasse ao pênis do desgraçado, com três dedos já era bastante difícil. Logo, seu ânus também ficou dormente. Cada vez que o desgraçado esfregava e cutucava o interior, o gel que preenchia seu interior era expulso. A glande do desgraçado, como se aquele gel morno fosse mel, ofegava, dilatando a uretra como uma narina. Seu pênis inteiro, incapaz de conter a excitação, ficava vermelho e pulsava.
Mesmo assim, Zhenya pacientemente preparava e tateava o local onde iria entrar. Como seus dedos eram longos, a penetração era profunda, aumentando a ansiedade. A sensação era tão desconfortável que parecia que o desgraçado ia enfiar o pulso inteiro. A sensação de plenitude no abdômen fazia sua respiração falhar. Ele agarrou o cabelo de Zhenya, dizendo “Chega” novamente. Mas os fios macios cor de marfim simplesmente escorregavam entre seus dedos.
Agora, o desgraçado sugava seu mamilo com sons de estalo. Com a forte sucção, a carne sensível era puxada para cima repetidamente e depois solta como se fosse estalar. Embora a mordida fosse no peito, o prazer intenso continuava a se concentrar em sua virilha, inchando-a. Seu pênis pressionado estava tão dormente que parecia que ia explodir.
Ele se apressou para abaixar o zíper, mas Zhenya agarrou seu pulso novamente.
—Ha, solta, seu idiota.
—Não seja tão apressado. Estava tão acumulado assim?
—Você é quem devia parar de enrolar.
—Taekjoo, eu sei que você prefere um jogo mais bruto, mas…
De repente, ele agarrou a cintura de Kwon Taekjoo e o ergueu para cima. Foi tão inesperado que seu corpo foi levantado com facilidade. O rosto de Kwon Taekjoo, momentaneamente atordoado, logo se contorceu. Era porque o pênis de Zhenya estava pressionando firmemente seu orifício molhado.
—Você devia pensar um pouco em mim também, que sempre ouve essas reclamações.
—Ah….
Só de ser colocado para baixo, sua testa já se franzia. Sua boca se fechava automaticamente e sua respiração parava. Suas mãos, agarradas aos ombros de Zhenya, estavam cheias de força.
Em contraste, Zhenya, que havia engolido cerca de metade da glande, estava completamente imerso no prazer doce. Ele exalava um hálito cheio de calor e pressionava os lábios repetidamente no pescoço de Kwon Taekjoo, que estava coberto de arrepios.
—Foi você quem me provocou.
Ele murmurou contra o pescoço de Kwon Taekjoo. Kwon Taekjoo, que rangia os dentes e aguentava, disse com uma voz quase morta: “Vai logo”. Ele agarrou o roupão de Zhenya como se fosse rasgá-lo, fingindo ser durão até o fim.
Zhenya, como se achasse graça, riu e, sem hesitar, ergueu a parte inferior do corpo com força. O orifício, que mal segurava a ponta do pênis, se abriu convulsivamente e engoliu a massa enorme com dificuldade. As nádegas de Kwon Taekjoo estavam duras como pedra de tensão.
—Ah, nhã… filho da puta….
—Viu só?
Ele repreendeu Kwon Taekjoo, que xingava sem hesitar, enquanto beijava repetidamente sua orelha. Ele mordia e soltava o lóbulo quente com seus lábios macios. Kwon Taekjoo puxava o roupão de Zhenya com toda a força, prendendo a respiração. Seu rosto estava tão vermelho que, se continuasse assim, ele sufocaria ou os vasos sanguíneos de sua cabeça explodiriam. “Relaxe”, ele disse, enquanto golpeava seu interior novamente. O pênis, que estava preso com dificuldade, raspou a parede interna e escorregou para mais da metade. Imediatamente, seu abdome inferior inchou e seu interior ficou pesado.
—Harf….
Por que a penetração em si nunca se tornava familiar? Gemendo inconscientemente, ele enterrou a cabeça no pescoço de Zhenya. O odor forte do desgraçado o deixou tonto. Parece que seu corpo se lembrava primeiro das sensações que ele havia gravado durante o sexo com o desgraçado. Mesmo sem ter começado direito, o ponto que sempre era estimulado já estava quente. A sensação o deixava inquieto, e ele juntou os joelhos involuntariamente. O orifício que segurava o pênis de Zhenya também se contraiu. Uma veia grossa se ergueu na testa lisa de Zhenya. Por outro lado, o canto de sua boca se ergueu ligeiramente.
—Ha… Taekjoo, você quer me matar?
—Haa, então, harf, não fica, enrolando.
Ele rangeu os dentes e incitou Zhenya. Por um instante, pareceu que seu corpo flutuava, e então caiu verticalmente. Com isso, o pênis de Zhenya, que estava apenas encaixado superficialmente, foi empurrado até a base de uma só vez. O peso do corpo de Kwon Taekjoo se somou, pressionando a bolsa escrotal de Zhenya. Ouviu-se um forte som de atrito. Imediatamente depois, com a sensação de penetração que subiu pela coluna até o cérebro, a cabeça de Kwon Taekjoo caiu para trás sem forças.
—Ha…
Ele rangeu os dentes e engoliu o gemido que ameaçava escapar. Seus dedos, agarrados ao ombro de Zhenya, também estavam cheios de força. Se fosse um homem comum, sua clavícula já teria se quebrado. A parede interna, totalmente preenchida, se contraía convulsivamente, apertando o pênis. Com aquela pressão apertada, até o rosto calmo de Zhenya se franziu ligeiramente. Seu pênis também pulsava, agitando seu interior. A sensação, a textura e até a temperatura corporal. Já deveria estar acostumado, mas ainda era difícil aceitá-lo.
Zhenya, como se acariciasse o orifício de Kwon Taekjoo, que se contraía convulsivame enterrou a cabeça em seu peito nu. Sua pele morena e lisa rapidamente ficou manchada com as marcas de seus dentes. Kwon Taekjoo esperava ansiosamente pela tempestade que viria, tremendo levemente. Ele também apertava o pênis de Zhenya, como se o incitasse, um pouco impaciente.
Zhenya riu baixinho.
—Já entendi.
Murmurando, ele começou a golpear sua parte inferior. Ele tentou resistir, mas com a força brutal, todo o seu corpo balançava junto. Seu corpo saltava no ar e caía na mesma profundidade, engolindo o pênis de Zhenya com ímpeto. No início, apenas a parte superior do pênis entrava, mas em algum momento, com os movimentos irregulares, a massa inteira começou a ser empurrada para dentro. O pênis, que expandiu a parede estreita de uma só vez, raspou a mucosa com veias e tendões salientes enquanto era puxado para fora. Então, arranhando a mucosa já estimulada, foi golpeado fundo em seu abdômen.
Com a sensação de penetração avassaladora, ele tentou instintivamente fugir. Zhenya segurou firmemente a cintura de Kwon Taekjoo, que cambaleava e tentava escapar, e esfregou rapidamente seu interior. Com os movimentos vigorosos da cintura, suas coxas grossas e nádegas firmes se esfregavam, gerando calor. Com a penetração profunda, gemidos semelhantes a gritos escapavam repetidamente. Se continuasse assim, parecia que seu umbigo seria perfurado.
O orifício que segurava o pênis do desgraçado estava latejando insuportavelmente. A parede interna, que foi golpeada repetidamente pela glande dura do desgraçado, também doía.
Kwon Taekjoo, que havia se encolhido e suportado com firmeza, enrolou o roupão de Zhenya com urgência. Ele também ergueu os joelhos e agarrou as coxas de Zhenya para impedir seus movimentos.
—Espe, espera.
Zhenya franziu a testa abertamente. Seus olhos azuis, que o continham, estavam afiados como uma lâmina. Era como uma fera que acabara de sentir o cheiro de sangue e estava prestes a se concentrar na caça. Vendo seus olhos dominados pela luxúria, parecia um milagre que ele tivesse parado.
—Pense nisso como uma extensão da sua missão, Taekjoo. O que você quer está em minhas mãos, não está?
—Ah,…
Zhenya esfregou os dois mamilos de Kwon Taekjoo e os puxou para cima. O prazer fez sua pélvis formigar. Incapaz de suportar, ele esfregou sua virilha contra o corpo de Zhenya. Aproveitando a brecha, Zhenya ergueu a parte inferior do corpo que estava parada. Com a penetração reiniciada, Kwon Taekjoo gemeu e caiu. Ele beijava aleatoriamente seu queixo e pescoço enquanto acelerava as estocadas. Cada vez que o pênis, que se movia superficialmente, golpeava seu interior, uma vontade intensa de urinar se concentrava em seu pênis.
Kwon Taekjoo, incapaz de suportar mais, estendeu a mão para sua virilha. Ele tentou abrir o zíper que bloqueava o caminho, mas cada vez que Zhenya golpeava seu interior, ele errava repetidamente. Zhenya parecia fazer isso de propósito, constantemente o atrapalhando. Quando Kwon Taekjoo resmungava de frustração, Zhenya impôs uma condição: “Me beija”. Kwon Taekjoo, irritado, agarrou seu cabelo e enfiou sua língua quente entre os lábios naturalmente abertos do desgraçado. Enquanto as duas línguas se misturavam docemente, sua boca rapidamente ficou úmida.
Só então o zíper foi completamente aberto pelas mãos de Zhenya. O pênis de Kwon Taekjoo, que havia inchado ao máximo, saltou para fora. Zhenya puxou seu pênis com os dedos e o pressionou contra seu próprio abdômen. Então, cada vez que Zhenya esfregava seu interior, o corpo de Kwon Taekjoo balançava e seu pênis roçava profundamente nos músculos abdominais de Zhenya. Ao se esfregar nas protuberâncias, um prazer intenso surgiu, fazendo seus cabelos se arrepiarem. Instantaneamente, os olhos, as orelhas, a nuca e até os ombros de Kwon Taekjoo ficaram vermelhos. Os músculos abdominais de Zhenya estavam brilhantes, cobertos por um fluido pré-ejaculatório claro.
Por um tempo, apenas a respiração ofegante dos dois e o som das estocadas ecoavam na sala.
—Ha, ha, Taekjoo….
Kwon Taekjoo, que balançava sem forças, esfregava seu interior. Como o estímulo não estava sendo suficiente no local desejado, ele sutilmente movia a cintura. Zhenya passou os dois braços de Kwon Taekjoo por trás de seus ombros. Então, abraçando-o firmemente para que seus ombros e seu peito se tocassem, ele o repreendeu.
—Afinal, quem está fazendo lobby aqui?
A repreensão, misturada com um sorriso, parecia bastante doce. Zhenya, com um “hum”, baixou os lábios sobre o ombro de Kwon Taekjoo. Kwon Taekjoo, como se pressentisse o sofrimento que viria, inclinou a cabeça. Seus braços, envolvendo o pescoço de Zhenya, também se tensaram.
No instante seguinte, Zhenya arredondou uma vez seu interior e golpeou um ponto da mucosa com força. Instantaneamente, Kwon Taekjoo tremeu como se fosse se despedaçar.
—Ah,…!
Só de a glande tocar aquele ponto específico, todo o seu corpo tremeu como uma folha de álamo. Algo subiu em sua garganta, e seus olhos pareciam ter se umedecido. A parede interna estimulada mordia o pênis com tanta violência que até o corpo de Zhenya se tensionou. Seus pulmões estavam tão comprimidos que era difícil respirar.
—Aqui? Gosta?
Kwon Taekjoo não respondeu. Ele apenas se agarrou a Zhenya com mais desespero. Sem hesitar, ele esfregou rudemente o pênis que estava firmemente preso. Quando o mesmo local foi golpeado repetidamente, Kwon Taekjoo se debateu e desabou.
—Hut! Ah, ah, ah, harf, ah, ha!
Ele amarrava Kwon Taekjoo, que não sabia o que fazer com os estímulos violentos, com mais força, enquanto moldava seu interior sem parar. Seus lábios finos eram mordidos pelos dentes repetidamente, alternando com longos arcos. A luxúria, que só aumentava, era quase dolorosa. Não havia tempo para as rugas em sua testa se desfazerem. O calor vindo da parte inferior do corpo parecia que ia derreter seu cérebro a qualquer momento. Mesmo assim, ele queria devorar mais profundamente, mais insistentemente.
De repente, ele agarrou firmemente as coxas de Kwon Taekjoo. Então, ergueu seu corpo de repente. Com a gravidade, seu corpo escorregou, e Kwon Taekjoo se agarrou a ele por um instante. Mesmo assim, devido ao corpo esticado, a penetração se tornou ainda mais profunda.
—Ah, ah, ah…
Kwon Taekjoo gemeu desesperadamente. Parecia que o pênis havia subido até seu peito. A respiração não saía nem entrava, ficando presa em sua garganta. Ele arranhou as costas de Zhenya, pedindo para descer. Mas o desgraçado, sem se importar, o beijava nas orelhas e no rosto enquanto caminhava para algum lugar. A cada passo, o pênis era empurrado mais fundo, era de morrer.
Ele empurrou Kwon Taekjoo contra uma parede. Estar pressionado entre a parede dura e Zhenya era mais estável. O rosto de Kwon Taekjoo, que olhou para ele por um momento, estava distorcido entre o sofrimento e o prazer. Seus olhos franzidos o encaravam com ressentimento. Zhenya riu e, estendendo a língua, lambeu longamente sua bochecha coberta de suor.
—Não se segure, goze à vontade.
Ele sussurrou com doçura, como se o acalmasse. Mas para Kwon Taekjoo, aquilo soou como uma declaração de guerra. Com um mau pressentimento, sua visão escureceu.
Droga. Assim que pensou, Zhenya moveu a parte inferior do corpo que estava parada. Ele inclinou a cintura para trás e, de repente, golpeou seu interior, penetrando fundo. Parecia que seus órgãos internos estavam sendo remexidos. Sem tempo para gemer, sua boca se fechou com força. O som áspero de atrito enchia seus ouvidos. A parte interna de suas coxas, que colidia com as coxas do desgraçado, doía como se tivesse sido espancada. O gel que manchava a área de união, devido ao atrito constante, ficou esbranquiçado. Cada fio se estendia como uma teia de aranha, seguindo a carne que se separava.
O pênis, que entrava e saía como uma explosão, parecia que ia fazer um buraco em seu estômago. Kwon Taekjoo, agarrado a Zhenya para não cair, balançava a cabeça. No entanto, quando Zhenya enterrou profundamente sua glande, pressionando a mucosa perto da próstata até que ela se afundasse, ele não conseguiu suportar e se debateu.
—Ha, ah,…!
—Eu disse para não se segurar.
A espuma branca que se formara ao redor do orifício estourava com a penetração seguinte e se formava novamente. Cada vez que era golpeado, seu corpo tentava desabar, tornando a penetração ainda mais profunda. Para escapar daquele prazer terrível, ele não tinha escolha a não ser abraçar Zhenya e aguentar. Pressionado entre a parede e Zhenya, não havia para onde fugir.
Zhenya cutucava o mesmo local repetidamente e o esfregava com insistência. A sensação da área sensível sendo estimulada e esmagada fazia suas pontas dos dedos se arrepiarem. Seus dedos dos pés também se tensionavam.
Não demorou muito para que um gemido irritado escapasse de Kwon Taekjoo.
Imediatamente, seu corpo tremeu. Seu pênis, que vinha roçando repetidamente nos músculos abdominais de Zhenya, explodiu em branco. O esperma grosso jorrou, espirrando no peito largo de Zhenya e até em seu queixo. E ainda, como se não bastasse, gotejou o resto.
Como se tivesse segurado a urina por muito tempo, seu pênis e toda a sua pélvis estavam dormentes. Um gemido de dor escapou involuntariamente.
—Ah, ah… porra….
Ele tremia patheticamente, abraçado a Zhenya, imóvel. Zhenya enterrou o rosto no cabelo preto de Kwon Taekjoo. Então, ele o abraçou novamente e se moveu para o quarto próximo.
O pênis estava tão firmemente preso dentro dele que, mesmo ao andar, não saía facilmente. Pelo contrário, a mucosa já desgastada era estimulada pelo menor movimento do desgraçado, fazendo seu interior se contorcer. Apesar de ter gozado, a sensação de alívio não durou muito.
No quarto, havia uma cama grande o suficiente para quatro adultos rolarem. Ele deitou Kwon Taekjoo em cima dela, sem uma ruga, e imediatamente subiu sobre ele. Seu corpo de mais de dois metros exercia uma pressão imensa sobre todo o seu corpo. Nem mesmo uma rocha o pressionaria tão sufocantemente.
—Ah,….
Os dois joelhos, levantados por Zhenya, quase tocavam seu peito. Com isso, seus pulmões foram comprimidos novamente, tornando sua respiração instável. Imediatamente, todo o seu rosto ficou vermelho. Ele disse “Estou sufocando” como um suspiro, mas Zhenya fingiu que não ouvia. Ele apenas beijava os lábios de Kwon Taekjoo repetidamente. Quando ele tentou resmungar uma reclamação, Zhenya virou a cabeça e enfiou a língua entre seus lábios abertos. Sua língua, amolecida pelo calor, fluiu para dentro, pressionando a de Kwon Taekjoo. Ele engoliu até o hálito que escapava abafado.
Enquanto isso, o pênis de Zhenya, que estava quieto, começou a cutucar seu interior novamente. Ele penetrava lenta e profundamente, girando amplamente. Um longo suspiro escapou de Kwon Taekjoo, que fechou os olhos com força.
—Quanto mais vou ter que fazer para você se acostumar?
—Já devia estar tomando forma depois disso tudo.
Ele murmurou devagar, sílaba por sílaba, enquanto levantava seu interior. Parecia que ele queria fazer um molde do formato de seu pênis dentro da barriga de outro homem.
O desgraçado, com os olhos brilhando de forma anormal, olhava fixamente para o rosto suado de Kwon Taekjoo. Enquanto isso, sua parte inferior penetrava fundo e mexia seu interior. Parecia que ele ia sufocar e morrer se continuasse assim.
—Haa, pare de enrolar e goza logo!
Ele rangeu os dentes e rosnou. Com raiva, ele agarrou o roupão do desgraçado como se fosse pegá-lo pelo colarinho. O desgraçado riu e o insultou.
—Sem saber da sua situação, você ainda tem energia para pedir.
Ele pressionou seu peito contra o de Kwon Taekjoo, quase o esmagando. Sua respiração foi cortada de repente. Ele tentou se mover para ter espaço para respirar, mas, todo amassado, não conseguia se mexer. Com Kwon Taekjoo imobilizado assim, o desgraçado, atendendo ao seu pedido, parou o movimento lento da parte inferior e o balançou profundamente. As coxas do desgraçado se chocavam dolorosamente com as suas, fazendo um som surdo. Do orifício, aberto sem defesa, vinha uma sensação de ardência.
Da boca aberta de Kwon Taekjoo, xingamentos e gemidos se misturavam. Mas o desgraçado, sem se importar, esfregava seu interior com mais violência. A sensação de formigamento se concentrava onde seu pênis era golpeado e, em seguida, explodia e se espalhava por todo o corpo. Sua visão piscava. Parecia que seu cérebro estava fervendo. Seu pênis, que havia diminuído após a ejaculação, também se reerguia, sem noção. Ele queria se tocar para aliviar o calor acumulado, mas, pressionado por Zhenya, não conseguia nem isso.
Com a frustração crescente, ele mordeu o pescoço de Zhenya com força. O desgraçado se contraiu e, de repente, parou. O orifício quente se contraía lentamente, apertando o pênis do desgraçado. Seus membros, que tremiam com a sensação de ardência, também se moviam, incapazes de esquecer a profunda ressonância.
No instante seguinte, seu corpo foi virado de repente. Por um breve momento, ele viu o rosto de Zhenya, que parecia ter perdido a cor. Não era raiva; parecia que o fio tênue da razão finalmente se rompera. Ele tentou dizer “Espera”, mas o desgraçado agarrou sua nuca. Seus braços que resistiam também foram imobilizados acima de sua cabeça. Então, ele golpeou seu interior com o pênis que estava parcialmente encaixado. A penetração era tão intensa que suas nádegas foram empurradas para cima. Com a penetração profunda e impiedosa, parecia que seu corpo ia se partir ao meio.
—Ah, ah! ha, ah! Isso, ha!
Ele balançava a cabeça e se contorcia, mas não conseguia escapar. Zhenya, sem poupá-lo, era implacável. A mucosa escorregadia parecia ter ficado pegajosa de tanto ser moída. O pênis do desgraçado, que remexia e saía, era seguido pela mucosa que se esticava, saindo do orifício. Como se isso não bastasse, o desgraçado abriu suas nádegas e devorou sua carne.
Com as estocadas brutais, sua visão balançava loucamente. A saliva viscosa escorria pelo queixo, molhando o travesseiro.
Ele encostou a testa suada no braço de Zhenya que segurava seu pulso. Ao chamá-lo com um tom de súplica, o pênis de Zhenya parou, golpeando com força. Ao mesmo tempo, a dor e o prazer que caíam como uma tempestade se acalmaram por um momento. Com o corpo que não parava de balançar finalmente quieto, uma leve tontura surgiu. Enquanto ele tentava recuperar o fôlego, o pênis do desgraçado, enterrado fundo em seu abdômen, pulsou e explodiu. O esperma viscoso jorrou sobre a parede interna quente. O abdômen de Kwon Taekjoo tremeu junto.
O desgraçado acariciou lentamente a barriga de Kwon Taekjoo e colou seu corpo atrás do dele. Então, esfregou o rosto em seu cabelo preto.
—Taekjoo.
Ele o chamou com um tom apegado e doloroso. Era o mesmo homem que, até momentos antes, o havia atacado como se fosse matá-lo. Mas, depois de experimentar o clímax dentro dele, seu jeito manhoso fez as barreiras de Kwon Taekjoo caírem sem sentido. Suspirando, ele acariciou sem forças o cabelo do desgraçado.
Então, Zhenya, recebendo aquele toque, baixou os lábios sobre a nuca de Kwon Taekjoo. Ele também respirou fundo, como se saboreasse seu odor. De tirano, ele se transformava naquele cachorrão manhoso, e Kwon Taekjoo não conseguia evitar que seu coração amolecesse. Não havia adversário mais fraco. Se continuasse cedendo ao desgraçado, ele não viveria para ver o fim dos seus dias. A morte por excesso de sexo não parecia ser apenas uma história para os outros.
—
Quando ele abriu os olhos, estava em outro quarto. Não sabia quando ou como tinha sido movido. Depois de molhar os lençóis a noite toda, seria difícil dormir ali. Que horas seriam? Com as cortinas blackout, ele não sabia se era noite ou dia.
Ele forçou as pálpebras pesadas. Seu corpo estava comparativamente leve, e Zhenya não estava à vista. Normalmente, ele acordava com o desgraçado completamente aninhado em si ou sendo esmagado por ele. Estaria ele tomando banho primeiro? Às vezes, ele temia a resistência do desgraçado. Kwon Taekjoo também tinha uma resistência acima da média, sempre recebendo excelentes avaliações. Mesmo assim, não se comparava ao desgraçado. Não era algo que se pudesse justificar dizendo que Zhenya era ‘mais jovem’; ele mesmo nunca fora assim na idade do desgraçado.
Ele ficou mais um tempo deitado e, com esforço, ergueu o corpo. Sua cabeça, que havia sido penetrada e balançada a noite toda, estava apenas dormente. Todo o seu corpo parecia inchado e sem sensibilidade.
Ele olhou para seu próprio corpo. Onde quer que os olhos alcançassem, havia marcas de mãos e dentes. Com o menor movimento, todos os seus membros gritavam. Parecia que ele tinha sido espancado. Seus músculos, que não se surpreendiam com a maioria dos exercícios, sempre se contraíam depois de rolar com o desgraçado.
—Ah… Que bicho.
O interior de suas nádegas ainda estava dormente. Enquanto ele dormia profundamente, o desgraçado certamente se divertiu sozinho. Pensando bem, ele raramente ficava acordado até o fim durante o sexo com o desgraçado. Ele sempre viveu uma vida alheia a suplementos e revitalizantes. Em exames de saúde e testes de aptidão física, seu estado físico sempre esteve acima da média. No entanto, ele não era páreo para o desgraçado. Será que é assim que se sente com um amante mais jovem? Bem, de qualquer forma, o desgraçado é que era anormal.
Segurando a cintura dolorida, ele foi para a sala. A cada passo, a sensação de suas coxas se esfregando era estranha, fazendo-o mancar. Ele precisava de um banho, mas suas pernas estavam tão trêmulas que mal conseguiam sustentá-lo. Ele mal conseguiu pegar uma garrafa de água e foi para a varanda.
Assim que abriu a porta, uma brisa fresca entrou. O barulho que estava contido pela porta também irrompeu. Lá fora, era noite novamente. Quanto tempo ele passou transando e depois desmaiado? Um suspiro sem graça escapou.
As luzes e letreiros deslumbrantes típicos de Las Vegas ofuscavam seus olhos. Ele observava a paisagem, que para alguns seria um êxtase, com indiferença, enquanto bebia água. Só então sua cabeça, que estava dormente, pareceu clarear.
Quanto tempo teria passado? Ele sentiu uma presença familiar atrás de si, e Zhenya apareceu. Cheirava bem. Parecia que ele tinha acabado de tomar banho. Ele virou a cabeça apenas para olhar de soslaio para o desgraçado, que parecia revigorado. O desgraçado levantou as sobrancelhas, como se não entendesse.
—O que você tem?
—Você é humano?
—Não entendo o que quer dizer com isso do nada.
—Nesse estado, se eu for ao hospital, vou ficar de molho por duas ou três semanas, seu idiota.
Ele rangeu os dentes e resmungou. O desgraçado, calmamente de braços cruzados, examinou o corpo de Kwon Taekjoo. Ao ver seu peito cheio de hematomas, ele riu.
—Existe algum hospital especializado em seios masculinos?
Sem um pingo de remorso, ele fez uma piada de mau gosto. Kwon Taekjoo pegou uma almofada que estava por perto e a jogou nele. O desgraçado a desviou com facilidade e deu de ombros.
—Foi você quem causou isso.
—Fui eu quem pediu para você me atacar? Eu disse para parar mais de dez vezes, seu idiota.
—Deixar seu amante no auge da idade sem atenção por mais de dez dias… Isso não é assumir as consequências?
Como sempre, ele agia com descaramento, culpando os outros. O problema era que era tudo verdade: eles viviam como amantes, e ele ficara fora por mais de dez dias por causa do trabalho. Ele não tinha o que contestar.
Mesmo depois que Zhenya veio para a Coreia, sua rotina não mudou muito. Assim que terminava uma tarefa, outra era atribuída. Embora o governo tivesse mudado e a política em relação à Coreia do Norte também, a relação com o país não havia se alterado. Enquanto a Coreia do Norte não abandonasse as armas nucleares, o estado atual de tensão continuaria.
Mesmo assim, não era assim. Se ele não tinha ninguém para brincar, não deveria se dedicar ao seu próprio trabalho? Não era algo para reclamar, vindo até o local da operação. Um diplomata russo, que nem sequer aparecia na embaixada. Se estivesse tão entediado, poderia ir sozinho à Ilha Ajinokki, mas ele nunca fazia isso.
—Você não sabia que eu vivo assim? Então por que você se apegou a essa ideia estranha…
Ele coçou a nuca, sem graça. Ele só fazia seu trabalho, como sempre, mas o desgraçado o fazia sentir uma culpa estranha. Como ele sempre resmungava pelas mesmas razões, ele também se sentia um pouco sufocado.
—Eu sei. Sei que você está obcecado em se desgastar. Dizendo que só se sente vivo quando corre e se esforça assim. Por isso estou te acompanhando.
“Você também tem que fazer algumas concessões”, disse ele. Parecia que ele não apenas não se arrependia, mas que continuaria fazendo isso no futuro. A sensação de que a morte por excesso de sexo estava cada vez mais próxima.
Ele balançou a cabeça, como se dissesse para não continuar. Então, levantou-se e passou cambaleando por Zhenya.
—Vou tomar banho.
—Não vai verificar isso agora?
Ele ergueu o microchip que recebeu de Choi Yeonhwa. Ele ainda não havia verificado quais dados estavam nele. Se tivesse recebido informações erradas, a missão não teria terminado.
Kwon Taekjoo, que hesitava, engoliu o orgulho e voltou para Zhenya. Então, pegou o chip e o conectou ao seu telefone. Enquanto os dados apareciam na tela, Zhenya esfregava o rosto no cabelo preto de Kwon Taekjoo. Com as duas mãos, ele amassava seu peito e barriga, sendo irritante. Parecia que ele havia aprendido bem que, se desse a Kwon Taekjoo o que ele queria, o outro ficava mais manso por um tempo.
Em breve, vários arquivos apareceram na tela. Ele abriu um aleatoriamente. Vários nomes de bancos, contas, senhas e depósitos estavam listados. Como todos os titulares eram diferentes, pareciam ser contas nominais usadas para movimentar fundos secretos.
Em seguida, ele verificou outro arquivo. Era uma pasta com vários livros contábeis. Pareciam faturas de compra e venda. Os documentos especificavam quando, de quem e quanto dinheiro foi recebido, como foi lavado e até o propósito do financiamento.
Ele pesquisou a organização social sul-coreana mencionada na inteligência. Imediatamente, os documentos relevantes foram filtrados. O financiamento não havia ocorrido apenas uma vez. O valor também era considerável. O objetivo deles parecia ser interferir nas eleições gerais da Coreia do Sul com a Coreia do Norte. Ele pensou que ainda estariam fazendo isso? Mesmo com a mudança de época, as manobras políticas no cenário político não mudavam.
Era o material que ele próprio havia se esforçado tanto para obter. Zhenya o conseguiu em poucas horas. Ele deveria agradecer? Ele não estava competindo com o desgraçado, mas se sentia desconfortável. Sentia-se vazio, impotente. A ajuda do desgraçado não era totalmente bem-vinda.
—O quê? Tem algo errado?
—…Não. É só que, para você, tudo parece tão fácil.
—Todos apenas tornam as coisas fáceis em difíceis.
Talvez sua maneira de pensar fosse tão egocêntrica. Será que ele achava que todos tinham tanto dinheiro, poder e um físico sobre-humano como ele?
—Como você quiser.
—Você devia se orgulhar de ter um amante tão especial.
Dizendo que ele estava estranhamente emburrado, Zhenya o virou para si. Então, ergueu seu queixo e tentou beijá-lo. Ele observou fixamente o rosto do desgraçado que se aproximava lentamente. Talvez por estar úmido, seus cílios claros pareciam particularmente nítidos hoje.
O desgraçado também parecia saber que seu próprio rosto era seu maior ponto forte e a fraqueza de Kwon Taekjoo. Ele sempre exibia seu rosto bonito. Quando o desgraçado chegou perto o suficiente para seus hálitos se tocarem, ele beliscou sua bochecha de repente. Os olhos do desgraçado, que estavam semicerrados, se arregalaram.
—…Taekjoo?
—Você quer ouvir um obrigado? Então devia ter deixado algo para eu fazer. Eu também não faço isso por dinheiro, sabe?
—Não preciso de obrigado. Apenas me orgulhe da minha paciência, que ainda não explodiu o NIS.
Não parecia um absurdo. Com um ar de resignação, ele disse “Tudo bem” e puxou a bochecha do desgraçado. O lábio inferior de Zhenya, que se deixou levar, foi mordido de uma vez. Quando o desgraçado tentou sugar seu lábio superior, Kwon Taekjoo desviou a cabeça. Zhenya, sem cerimônia, juntou os lábios novamente. Ele pensou que receberia o beijo mansamente, mas o desgraçado mordeu seu lábio superior de repente. Quando ele estendeu a língua para guiar o beijo, o desgraçado mordeu até sua língua com teimosia. Ele não sabia se estava tentando beijá-lo ou mordê-lo. Uma risada incrédula escapou de Zhenya.
—Vai me comer?
—Sim. Um certo idiota me fez malhar a noite toda e agora estou com fome.
—Já está na hora.
Ele ia perguntar “O quê?”, mas o desgraçado enfiou o dedo em sua boca. Então, pressionando sua língua, ele mexeu dentro de sua boca. Logo, a saliva se acumulou. Sua língua, que estava sendo atormentada, também se cansou e começou a envolver o dedo do desgraçado. Finalmente, o desgraçado tirou o dedo, deslizou-o sobre sua bochecha e juntou os lábios aos de Kwon Taekjoo, que ofegava. Sua língua, que se contraiu reflexivamente, foi sugada para a boca do desgraçado com um som de estalo.
Naquela hora, a campainha tocou. Parece que alguém havia chegado. Mas Zhenya, imerso no beijo, não parecia ter intenção de atender. Kwon Taekjoo tentou sinalizar para parar, afastando-se, mas o desgraçado o abraçou com mais força. Seus pulmões foram comprimidos. Ele gemeu por um tempo, com a língua sendo sugada, e finalmente empurrou o desgraçado, dizendo “Ei”.
—…Ha, você não sabe parar quando começa. Vai atender. Não disse que já estava na hora?
Recuperando a respiração ofegante, ele acenou com a cabeça para dentro. Zhenya, com uma expressão de desagrado, foi relutantemente abrir a porta. Ouviu-se uma voz de fora anunciando o serviço de quarto.
Aproveitando a brecha, ele foi ao banheiro próximo e tomou um banho. Ao abrir a torneira sem pensar, ele se assustou com o jato de água. Assim que a água tocou seu corpo, todo ele formigou. Parecia que sua sensibilidade estava no limite. E com razão, era difícil encontrar um lugar que não tivesse sido mordido ou sugado por Zhenya. Sua pele estava cheia de hematomas e manchas. Na parte interna dos braços, peito, virilha, flancos e nádegas, ainda havia marcas de dentes nítidas. Seus pulsos e tornozelos também mostravam marcas de dedos. Se alguém visse, pensaria que ele tinha passado o dia inteiro treinando boxe, não fazendo sexo.
Após o banho, ele sacudiu a cabeça molhada e suspirou baixinho. Sentiu uma familiar sensação de formigamento. Ele ergueu a barra do roupão e verificou seu peito. O estado daquela área era pior do que em qualquer outra parte do corpo. Especialmente os mamilos, que eram uma sorte não terem sangrado, estavam com a cor da pele alterada. Além disso, estavam eretos, então, se ele vestisse uma camisa, certamente marcaria. Quando ele os tocou com cuidado, sentiu até uma dor aguda. Nesse estado, parecia que o desgraçado havia roído seu peito. Estalando a língua, ele pegou um curativo e o colocou em ambos os lados. Então, antes de sair, ele ajustou bem a frente do roupão e apertou o cinto. Era para que o desgraçado não visse e piorasse a situação.
Quando ele foi para a sala, as travessas cobertas enchiam a mesa. À primeira vista, parecia haver cerca de dez pratos. Zhenya, sem nem olhar para eles, bebia chá elegantemente. Sentado com as pernas cruzadas, inclinando uma xícara de chá ornamentada, ele parecia uma pintura, e isso era irritante.
—…Esse desgraçado aristocrata.
Quando ele murmurou para si mesmo, o desgraçado inclinou a cabeça.
—Hã? O que você disse, Taekjoo?
—Que parece gostoso.
Ele respondeu vagamente e foi até a mesa. Então, foi abrindo as tampas uma a uma para ver o cardápio. Ele não esperava, mas não havia comida coreana. Apenas bife, massa, frutos do mar cozidos no vapor, legumes assados, salada, pão e sopa. A única comida oriental era rolinho japonês e macarrão chinês. Só de olhar, seu estômago já se sentia pesado.
—Faz dez dias que não como uma refeição decente.
Ele resmungou, enquanto mastigava brócolis assado. Sua mandíbula apenas fazia o movimento mecânico de mastigar. Dizem que cada raça e país tem seu odor característico. Para que Choi Yeonhwa não sentisse o odor coreano nele, ele evitou comida coreana por um tempo. Ele também andava com perfume forte. No final, foi em vão.
Ele cortou o bife em pedaços grandes e os colocou no garfo junto com a salada. Então, enfiou tudo na boca. Suas bochechas incharam, como se estivesse comendo um grande *ssam*. Ele mastigava sem muito entusiasmo.
Logo, a campainha tocou novamente. Mais alguém ia vir? Ele olhou para Zhenya de soslaio. Mas o desgraçado, sem dar nenhuma explicação, levantou-se. Kwon Taekjoo enfiou mais um pedaço de bife e salada na boca e observou o desgraçado indo em direção à porta. Logo a porta se abriu, e ele ouviu o desgraçado conversando com um funcionário. Pelos pedaços de conversa que ouviu, parecia que ele havia encomendado algo.
Mas, de repente, um cheiro familiar estimulou seu olfato. A mandíbula de Kwon Taekjoo, que se movia mecanicamente, parou por um instante. Seus olhos também se arregalaram em direção à porta. Não pode ser. Em seguida, a mão de Zhenya, que entrou, segurava uma bandeja. Sobre ela, uma tigela branca e pequenos pratos de acompanhamento. Não havia como negar: era o sabor picante coreano.
—…Isso, onde você conseguiu?
—Falei com o restaurante. Parece que muitos coreanos frequentam, conseguiram rapidinho.
Não, você é VVIP, eles devem ter feito algo que nem estava no menu. Empurrando a razão que zombava por dentro, seus instintos gritavam. Como se estivesse hipnotizado, ele estendeu as duas mãos para Zhenya. Se alguém visse de forma maliciosa, parecia que ele estava pedindo um abraço. Zhenya riu e entregou a bandeja a Kwon Taekjoo. Ele também afastou o prato de bife que estava na frente dele.
Cuidadoso para não derramar uma gota de caldo, Kwon Taekjoo colocou a bandeja no chão como se fosse um bebê. Então, ao ver o estado do macarrão instantâneo, resmungou com desaprovação.
—Droga, está todo mole. Nem viram o modo de preparo.
O cozimento não estava dos melhores, mas ele bebeu o caldo primeiro. Parecia que a gordura que preenchia seus vasos sanguíneos estava sendo lavada. Embora o macarrão instantâneo também fosse frito, era a sensação que ele tinha. Ele bebeu mais caldo, saboreando a leveza, e então começou a sorver o macarrão que já estava amolecendo. Zhenya, que observava com o queixo apoiado na mão, disse: “Seu gosto não muda”.
O desgraçado tinha uma grande ilusão: que Kwon Taekjoo gostava de macarrão instantâneo. Mas ele não gostava particularmente de macarrão instantâneo. Também não o desprezava, mas era uma das comidas que ele não comia com frequência quando estava na Coreia. No entanto, quanto mais tempo ele ficava no exterior, mais ele sentia falta da comida coreana, como uma espécie de síndrome de abstinência. Claro, como ele sempre se animava com macarrão instantâneo na frente do desgraçado, não era de admirar que ele pensasse assim.
Ele deslizou o bife sem dono na direção do desgraçado.
—Come.
Ele murmurou com a boca cheia. O desgraçado, que parecia que nunca comeria algo que outra pessoa tivesse tocado, pegou o garfo e a faca. Então, cortou o bife em um pedaço do tamanho de uma mordida. Colocou a carne cortada na boca e mastigou calmamente. Suas bochechas não incharam, seus lábios não se abriram nem se moveram muito. Ele não fez nenhum som até engolir aquele pequeno pedaço. Seus movimentos eram tão fluidos que parecia uma cena de filme. Estranhamente, a iluminação ao redor do desgraçado parecia mais especial. Será que havia um holofote ali? Ele olhou para o teto, sem saber por quê.
Quando ele olhou para Zhenya novamente, o desgraçado, percebendo seu olhar, encontrou seus olhos. Ele perguntou com o olhar se ele tinha algo a dizer. Kwon Taekjoo pegou um fio de macarrão do prato e o estendeu para o desgraçado. O desgraçado fez uma expressão de dúvida. Ele acenou com os pauzinhos, como se oferecesse. O desgraçado não se mexeu. Kwon Taekjoo também não recuou e acenou com o macarrão novamente.
Zhenya suspirou baixinho e inclinou a cabeça. Então, abriu a boca e aceitou o macarrão que Kwon Taekjoo lhe oferecia. “Como está?”, ele perguntou, mas não houve resposta. O desgraçado apenas mastigava calmamente, de braços cruzados. Enquanto sugava o resto do macarrão, ele observava a reação do desgraçado. A mandíbula do desgraçado parou de se mover e, em seguida, seu pomo de Adão ondulou lentamente. E foi só isso. Parece que ele havia desenvolvido imunidade àquele nível de picância, pois o desgraçado continuou cortando o bife.
Então, de repente, ele pegou um copo d’água e enxaguou a boca. Não era um movimento apressado, mas tranquilo. No entanto, suas orelhas e olhos estavam sutilmente vermelhos. Quando ele bebeu a água e terminou o copo, seus lábios estavam inchados. Talvez a arma definitiva para derrotar Koshchei fosse a pimenta em pó coreana.
Divertido com o pensamento, ele riu baixinho. Zhenya o olhou com uma expressão de ressentimento.
—É engraçado, Taekjoo?
—Estou só curioso. Dizem que até a maioria dos mercenários se acostuma com kimchi depois de um ano na Coreia. Como você pode ser tão consistente?
—Picante não é sabor, é dor. Não há necessidade de se acostumar com a dor.
—Não é você quem devia dizer isso, seu desgraçado.
Ele o tinha forçado a se acostumar com a dor, e agora ele dizia isso?
—Isso também é bom para você, Taekjoo. Agora, só de eu colocar, você já goza.
Ele era mais que descarado, parecia não ter senso de vergonha. Não importava a hora ou o lugar, até na frente da mãe dele, ele falava obscenidades. E ainda assim, só por causa do picante, ele engolia a saliva. Em seus olhos azuis perturbados, parecia até haver um leve brilho de lágrimas.
De qualquer forma, que criança. Ele passou o leite, que estava para o café com leite, para ele. O movimento do desgraçado ao pegar o copo era estranho, como se tivesse um atraso. Ele ficou um tempo com os lábios no copo, apagando o fogo na boca. Com seu tamanho imponente, agindo daquela forma, parecia ao mesmo tempo insignificante e um pouco fofo.
—Até quando você vai viver com essa língua de bebê? Se não conseguir comer comida picante na Coreia, um terço das opções desaparece.
—A menos que eu vá morar lá para sempre…
Por um instante, a mão de Kwon Taekjoo, que estava prestes a retomar a refeição, hesitou. Era uma frase sem importância, mas aconteceu sem querer.
—…Bem, é verdade.
Ele acenou com a cabeça e passou por cima, como se não fosse grande coisa.
Certamente, ele não havia pensado em um futuro tão distante. Ele apenas tinha estabelecido um fim vago: até que o intenso interesse de Zhenya por ele se esgotasse, até que o desgraçado caísse por si só. Não era uma relação que tinha começado porque estavam perdidamente apaixonados um pelo outro. Havia apenas um ano, e, devido ao trabalho, o tempo que passaram juntos não chegava a cem dias. A vida é imprevisível, e o coração das pessoas muda de um dia para o outro. Mesmo assim, havia necessidade de fazer grandes planos para um futuro distante? Ele não havia decidido cuidar do desgraçado para sempre.
Sua cabeça entendia perfeitamente, mas por que seu coração se sentia vazio? Seus movimentos com os pauzinhos ficaram mais lentos. Ele praticamente enfiava a salada na boca como se fosse um triturador. Enquanto mastigava algo sem nem saber o que era, Zhenya se levantou de repente. O olhar de Kwon Taekjoo o seguiu.
—Termine de comer.
Ele pensou que talvez o desgraçado fosse ao banheiro, mas ele foi para um dos quartos próximos. E não saiu por um bom tempo. No início, ele não se importou, mas, com a longa ausência, começou a olhar de soslaio para a porta. Até parou de comer.
Quando Zhenya reapareceu, estava completamente vestido. Kwon Taekjoo olhou para ele com surpresa, e o desgraçado verificou o relógio e disse:
—Está na hora de ir. Ele tinha algum compromisso?
—Aonde?
—Rússia.
Respondendo de forma sucinta, o desgraçado pegou seu telefone na mesa. Ele parecia prestes a partir a qualquer momento. Mas Kwon Taekjoo ainda estava de roupão. Seu cabelo lavado estava apenas meio seco, muito crespo. Ele ia sair do país assim?
Bem, deixando esse problema de lado, ele já havia perdido muito tempo nesta operação. Ele precisava entregar os materiais obtidos ao quartel-general imediatamente e se preparar para qualquer possível mobilização. Não tinha tempo para ir à Rússia ficar de papo para o ar.
—Ei, desta vez é realmente impossível. O caso é maior do que eu pensava, tenho que reportar ao alto comando imediatamente.
—Não se preocupe. Vou sozinho.
Ele quase perguntou “O quê?” sem querer. Isso porque, quando Zhenya aparecia durante uma operação, depois de resolver as coisas, eles sempre iam para a Ilha Ajinokki. Era o tempo que o desgraçado abria para eles passarem juntos. Independentemente da vontade de Kwon Taekjoo, era sempre assim.
Desta vez, era diferente, o que era surpreendente, mas também um alívio. Certamente, mas seu rosto atordoado não se descontraía.
—Provavelmente vai levar alguns dias.
Será que algo tinha acontecido com a família Bogdanov? Bem, naquela família, a falta de problemas é que é estranha. Não havia nenhuma tendência incomum ou questão nacional recente na Rússia. Mesmo que houvesse, não haveria motivo para chamar Zhenya, que agora era embaixador na Coreia. Será que ele deveria perguntar qual era o motivo? Mas isso pareceria intromissão. Se fosse um problema que ele mesmo não pudesse resolver, não adiantava perguntar.
Finalmente, ele disse “Faça o que quiser”. Então, serviu-se de vinho e bebeu. Zhenya, que o observava em silêncio, aproximou-se de repente e ergueu o queixo de Kwon Taekjoo. E, antes que ele engolisse o vinho, uniu seus lábios. Quando o desgraçado inspirou levemente, o vinho que estava em sua boca foi sugado. Kwon Taekjoo franziu a testa, dizendo “Nhã”. O desgraçado, sem se importar, lambeu todo o seu lábio e só então se afastou. Com seu sorriso de olhos semicerrados, ele parecia o desgraçado de sempre. Não havia necessidade de se preocupar.
—Volto logo.
—Então sai logo. Deixa eu descansar.
Ele o empurrou como se o expulsasse. Zhenya, dizendo “Que falta de graça”, riu e saiu do quarto. A porta que ele abriu ao sair se fechou novamente. Com a presença do desgraçado bloqueada, o quarto ficou subitamente silencioso.
Kwon Taekjoo pegou o vinho e o copo e foi para a piscina privativa. Sem o desgraçado irritante, ele finalmente poderia descansar. Ele mergulhou a ponta dos pés na água parada. Estava morna. Ele se recostou em uma espreguiçadeira próxima e apreciou a brisa. Através da parede de vidro, a deslumbrante vista noturna de Las Vegas se estendia. Uma cidade que não conhece a noite, um festival de luzes ofuscante como se joias tivessem sido espalhadas, o quarto no último andar com tudo isso a seus pés, e um vinho perfumado. Ele já havia experimentado tanto luxo?
—Que luxo desnecessário.
Ele riu sarcasticamente e bebeu o vinho. Girando o vinho restante no copo, ele massageou a nuca dolorida. Seu corpo relaxava lentamente. Parecia que ele podia até dormir ali.
Ele ficou sentado assim por um bom tempo, tranquilamente. O trabalho tinha sido concluído com facilidade graças a Zhenya, e ele poderia desfrutar de um tempo sozinho até chegar à Coreia, o que era ótimo. Mas havia algo estranho. Estar sozinho num espaço tão luxuoso o deixava com uma sensação estranha. Ele não sabia por quê.
—
—…….
Será que ele deveria ter perguntado o que estava acontecendo, afinal? Ele pensou, olhando para o teto do quarto sem motivo.
Já fazia duas semanas desde que ele perdeu contato com Zhenya. Depois de se separar do desgraçado em Las Vegas, ele pegou um voo pela manhã seguinte de volta para a Coreia. Assim que chegou ao aeroporto, ele pegou o telefone, mas não havia mensagens do desgraçado. Ele já deveria ter chegado a Moscou, mas não havia notícias. E até agora, nenhuma palavra dele.
Claro, preocupar-se com o bem-estar do desgraçado era inútil, especialmente para ele. Mas ele nunca havia ficado tanto tempo fora, e isso o preocupava. Talvez o longo período de folga depois de concluir a missão o deixasse entediado, fazendo-o pensar demais.
Yoon Jong-woo, que era chamado a cada dois dias, apresentou-lhe um jogo que estava fazendo sucesso. Ele perdeu o interesse depois de dominá-lo em menos de uma semana. Yoon Jong-woo sugeriu que ele jogasse o jogo de que ele gostava. Mas ele não gostava de formar grupos, nem na vida real nem nos jogos. Por alguma razão, nesta folga, ele não tinha vontade de ver filmes, vídeos ou ler livros.
Ele pegou o telefone novamente. E encarou seu histórico de chamadas unilaterais.
Será que ele estava doente? Ou sofreu um acidente, ou precisou de uma cirurgia de emergência? Talvez por alguma razão inevitável, ele não pudesse entrar em contato nem voltar.
Ele imaginou várias situações. Mas logo balançou a cabeça. Era difícil imaginar que tais coisas acontecessem com Zhenya.
Claro, o desgraçado não era invencível. Uma vez, embora apenas uma vez, durante o tempo que passaram juntos, ele adoeceu e ficou de cama. Ele sofria particularmente com o calor extremo da Coreia. Embora Moscou também registrasse ondas de calor ocasionais de quase
30 graus por causa do aquecimento global, parecia não ter nada a ver com ele. Se estivesse calor, ele ficava na Ilha Ajinokki, então não era surpresa.
O desgraçado, que tomava vários banhos frios por dia, acabou despejando gelo na banheira. Encheu-a com água fria e se sentou lá dentro. Só de se aproximar, sentia-se uma energia fria.
—O que você está fazendo?
—Não está vendo?
—Você vai ter hipotermia. Pode até morrer de parada cardíaca.
—Estou num inferno de calor, isso é bobagem. O país inteiro é uma fornalha.
—Exagero por tão pouco.
Era inútil dizer para ele sair, que ia pegar um resfriado. Era irritante ficar insistindo, e se ele ficasse por perto, acabaria sendo arrastado também, então ele o deixou. O desgraçado só saiu do banheiro depois de um bom tempo. Seu rosto, que já era pálido, não tinha nenhuma cor.
—Parece um fantasma. Os lábios estão roxos.
Estalando a língua, ele pegou uma toalha e secou o cabelo do desgraçado. O desgraçado, que se deixava cuidar mansamente, de repente esfregou seu corpo gelado contra o dele. Estava tão frio que parecia que não era um corpo humano. Só de tocar o desgraçado, ele já se arrepiou todo. Embora tivesse ligado o aquecedor mais cedo, ele não sentia nenhum calor.
—Eu sabia que ia dar nisso, ele suspirou e abraçou o desgraçado que se agarrava a ele teimosamente. Naquele dia, o desgraçado não o soltou até que seu corpo esquentasse de novo. Depois de ficar tão gelado e suar tanto, e então se refrescar de novo, não poderia ser bom, mas o desgraçado não soube parar o sexo. E no dia seguinte, ele ficou de cama. O desgraçado, que quase sempre acordava primeiro, naquele dia ficou deitado sem vontade de se levantar. Quando ele tocou sua testa, sentiu uma leve febre.
—Ah, seu idiota. Não te disse? Não exagera. Dava para aguentar só com o ar condicionado, mas você, que não é boneco de neve, teimou e acabou assim.
—Taekjoo, você é quem está fazendo um escarcéu por causa de uma febrezinha.
O desgraçado agia como se não fosse nada, mas não soltava a cintura de Kwon Taekjoo. Com o desgraçado grudado nele, era difícil se mexer.
—Então me solta. Tenho que ir trabalhar.
—Que duro, Taekjoo.
—Você não é uma criança, nem está tão doente assim. Se continuar mal, vai ao hospital. Ou fica em casa. Eu ligo para a minha mãe…
O desgraçado ouvia os conselhos de Kwon Taekjoo com um ouvido e deixava sair pelo outro, com os olhos já se fechando. Logo, suas pálpebras se fecharam completamente, e sua respiração pesada podia ser ouvida. Talvez por causa do resfriado, sua respiração estivesse mais ofegante. O braço que envolvia sua cintura também se soltou.
Ele verificou a temperatura novamente. Não estava tão quente a ponto de precisar de cuidados ao lado. Além disso, ele tinha que ir trabalhar e entregar o relatório. Olhando para o relógio de vez em quando e enrolando, ele saiu de casa tarde.
Naquele dia, durante o almoço, ele tossiu de repente. Yoon Jong-woo, sentado à sua frente, arregalou os olhos.
—Uau, o veterano pegou um resfriado? E no meio do verão?
—Resfriado o quê. Foi só um espirro.
—Ah, mas você está com arrepios nos braços. Seus lábios também estão meio roxos.
—Eles estão com o ar condicionado forte demais aqui.
—Isso é forte? Se não ligarem assim, fica abafado e quente, não dá nem para respirar.
Não era à toa; mesmo comendo uma sopa quente, ele sentia calafrios. Todos os outros estavam suando, mas só Kwon Taekjoo estava com o queixo tremendo. Tudo por causa de Zhenya. E mesmo assim, ele se perguntava se o desgraçado tinha pelo menos comido direito.
—Não vai dar. Você come e volta.
—O quê?
—Eu tenho que passar num lugar.
No final, ele deixou o almoço pela metade e foi ver Zhenya. O desgraçado, que parecia ter dormido a manhã inteira, continuava grudado na cama. Ele tocou sua testa e a febre ainda estava lá. Depois de observar seu rosto dormindo por um tempo, ele ia tirar a mão. A cabeça do desgraçado seguiu sua mão lentamente. Então, ele esfregou a testa quente na mão de Kwon Taekjoo. Murmurou “Taekjoo” como se estivesse sonhando.
—…Esse desgraçado, se vai ser um monstro, que seja até o fim. Me faz sentir uma culpa estranha.
O fato de Zhenya viver numa terra estrangeira tão distante era inteiramente por causa de Kwon Taekjoo. Na Coreia, sem amigos, a única pessoa em quem ele podia confiar era Kwon Taekjoo. Até a mãe dele, que se gabava de uma amizade duvidosa com o desgraçado, não passava de uma estranha se não fosse por ele. Claro, ele nunca havia pedido isso, nem induzido, o que era frustrante.
—Que pecado eu cometi na minha vida passada?
Talvez algum ancestral tenha matado um *Imugi* prestes a se tornar um dragão. Se não fosse isso, não haveria razão para carregar uma bomba nuclear como o desgraçado.
Com uma expressão de desagrado, ele mexeu no cabelo cor de marfim do desgraçado. O rosto do desgraçado, enquanto dormia, parecia mais tranquilo. Aparentemente, ele gostava das mãos relativamente frias. Não havia nada mais do que um embrulho de dois metros. Um embrulho que, de vez em quando, quando ele estava prestes a esquecer, lhe trazia uma estranha sensação de culpa.
Naquele dia, pela primeira vez desde que entrou na agência, ele saiu mais cedo.
Lembrando do passado, Kwon Taekjoo franziu a testa. Ele coçou a nuca com força.
—Com esse tamanho todo, só causa preocupação desnecessária.
Ele resmungou com insatisfação. Dizem que notícia nenhuma é boa notícia, mas com o desgraçado era uma exceção. Quando ele ficava quieto, ele se preocupava com o que ele estaria tramando em algum lugar. E, também, embora muito pouco, ele se preocupava com o desgraçado. Porque, apesar de tudo, ele estava numa posição bastante perigosa. A família Bogdanov já tinha muitos inimigos, e Zhenya também era do tipo que criava inimigos onde não havia. Não faz muito tempo, ele foi ‘sequestrado’ por causa daquela ‘Anastasia’. Só de lembrar, ele estava incrédulo e estalava a língua.
Foi quando ele estava em uma longa viagem de negócios à China por mais de um mês. Por alguma razão, Zhenya não apareceu. Ele pensou que o desgraçado finalmente tinha ouvido seus pedidos para não atrapalhar seu trabalho. Mas, quando estava prestes a concluir a operação, recebeu uma ligação. Uns sujeitos misteriosos disseram que estavam com Zhenya. Disseram para trazer ‘Anastasia’ quieto se quisesse vê-lo são e salvo.
A ligação começou unilateralmente e logo terminou. Ele ficou olhando para o telefone mudo e caiu na gargalhada. Nenhuma comédia seria tão engraçada. Ele nunca tinha ouvido algo tão
absurdo em toda a sua vida. O fato de terem sequestrado Zhenya, e o fato de que a troca por ‘Anastasia’ seria o ‘retorno seguro de Zhenya’. Desde o início, ele não conseguia acreditar que tal coisa tivesse acontecido com o desgraçado. Mesmo que fosse verdade, quem precisaria se preocupar com a segurança da vida não era Zhenya, mas eles. Então ele levou na brincadeira. Era mais importante concluir seu trabalho.
Depois de terminar a missão, ele ligou para Zhenya. Não havia sinal. Mensagens também não adiantavam. Uma vaga sensação de “será?” começou a crescer. Mas a imagem de Zhenya sendo sequestrado simplesmente não se formava em sua mente. Negando repetidamente que não podia ser, ele voltou para casa. Por que as duas horas de voo pareciam tão longas?
Quando chegou em casa, até a mãe se preocupou, dizendo que não via Zhenya há muito tempo. Ele ainda acreditava que não era verdade, mas só por precaução, pediu a Yoon Jong-woo que rastreasse o paradeiro do desgraçado. Não havia registro de saída do país. Com um mau pressentimento, ele foi até a casa do desgraçado. A casa estava vazia. Seu Bugatti também estava estacionado na garagem. Ele revirou tudo ao redor e encontrou uma garrafa de soju debaixo do carro. Naquela época, sempre que o desgraçado ia às compras, ele comprava soju junto com macarrão instantâneo.
Será que ele realmente foi levado? O desgraçado?
Enquanto ele sofria uma grave dissonância cognitiva, os sujeitos que diziam ter sequestrado Zhenya enviaram uma foto dele. Ele estava amarrado a uma cadeira, dormindo. Ou talvez desmaiado. Sua boca estava amordaçada e seu corpo amarrado com correntes. Além disso, seu pescoço, pulsos e tornozelos estavam presos com grossas algemas, todas conectadas umas às outras. Quando a imagem, que ele mal conseguia imaginar, se tornou visível, de repente sua nuca doeu.
Por mais que fosse Zhenya, se tivesse sido atacado de surpresa ou drogado, seria difícil resistir. Não era impossível que tivesse sido dominado por um grande número de pessoas de uma vez. Enquanto fazia essas suposições vagas, ele não descansou e saiu para encontrar o desgraçado.
Ele foi até Yogyakarta, na Indonésia, para encontrar Zhenya. Antes disso, passou pela Ilha Ajinokki para pegar o objeto que Zhenya chamava de ‘Anastasia’. Viajando por um longo tempo, ele se perguntou como conseguiram levar o desgraçado para um lugar tão distante.
O covil dos sujeitos estava disfarçado de fábrica de peças de uma empresa internacional. A segurança na Indonésia é rigorosa em todo lugar, mas ali era especialmente apertada. Desde a entrada principal, havia câmeras de vigilância em cada portão, e ele encontrava guardas fortemente armados em todo lugar. Todos pareciam ser agentes de elite. Atrair e dominar silenciosamente cada um deles consumiu mais energia do que o normal.
Ele encontrou uma saída secreta para o subsolo do edifício num local com muitos guardas. Como o resto do local era uma fábrica funcional, se Zhenya estava preso, era provável que fosse ali. Mas, por alguma razão, o corredor estava vazio. Exceto por uma sala com o sistema de acesso ativo, não havia sinais de vida em nenhum outro lugar. Podia ser uma armadilha.
Com um mau pressentimento, ele entrou na ventilação do teto. Então, rastejando cuidadosamente pelo duto empoeirado, ele entrou na sala com acesso restrito. Tentando não fazer barulho, todo o seu corpo se tensionou. Gotas de suor se formaram, misturando-se com a poeira.
À medida que se aproximava, ouvia-se vozes esparsas. Quase gritos ou gemidos. Olhando através da grade da ventilação, ele suspirou desanimado. Zhenya, percebendo seu movimento, olhou para cima. Ele saltou para a frente do desgraçado.
—Tarde.
Essa foi a primeira palavra do desgraçado. Ele parecia ileso, nem um fio de cabelo fora do lugar. Os sujeitos que o haviam sequestrado estavam caídos por toda parte com a cabeça rachada ou o corpo retorcido de forma estranha. Foi um momento em que toda a preocupação que ele sentiu pelo desgraçado se tornou vã.
—O quê? Tarde?
—Em casos de sequestro, há uma hora de ouro. Quase fui submetido a coisas terríveis.
—Parece que as coisas terríveis estão sendo sofridas pelo sujeito em suas mãos.
—Hmm? Isso… não é claramente autodefesa?
O desgraçado respondeu com descaramento enquanto quebrava o pescoço do último sequestrador. O homem, que tremia, caiu com um gemido final.
Depois de terminar, o desgraçado examinou Kwon Taekjoo de cima a baixo e riu de repente. Era uma zombaria precisa.
—De onde você veio, fazendo o quê, para estar tão coberto de poeira? Andou por alguma ventilação?
Ele sentiu sua temperatura corporal cair. Ele tinha vindo daquele lugar distante sem descanso para se preocupar com aquele desgraçado. Uma profunda sensação de desilusão tomou conta dele.
—Ha, fui um idiota por acreditar nisso. É divertido?
—Divertido? Não fui sequestrado porque queria, sabia?
—Sequestrado? Você? Você não foi por vontade própria? É possível sequestrar alguém como você?
—Por que está assim? Com medo de que eu não fosse resgatado?
O desgraçado continuou irritante. Se ele o assustasse duas vezes, parecia que um batalhão seria aniquilado.
—Claro. Me diz. A ligação de ameaça para trazer Anastasia por sua causa, você mesmo mandou fazer?
—Mandar fazer? Você está falando como se eu tivesse tramado meu próprio sequestro.
—Então por que a ligação veio para mim? Que poder eu tenho, um simples funcionário da embaixada?
—Seja resgate ou recompensa, é natural pedir ao responsável, não é? Eles estavam enganados sobre o alvo, então apenas os corrigi.
—Falar em responsável para um adulto. Então, você está bem?
Ele examinou o desgraçado com desconfiança. O desgraçado pareceu surpreso, como se tivesse recebido uma pergunta estranha.
—Ferido?
—Sim, como se tivesse sido drogado à força ou torturado…
—Você está se preocupando comigo agora?
Bem, seus únicos pontos fortes são aquele rosto bonito e o corpo.
Sentindo-se culpado sem motivo, ele pigarreou. Então, bateu levemente em um ponto do próprio pescoço.
—Aquele arranhão no seu pescoço, como aconteceu?
—Por quê, se você souber quem foi, vai dar uma bronca por mim? Se soubesse que isso ia acontecer, devia tê-lo mantido vivo, né?
O desgraçado olhou ao redor com pesar. Havia um mar de corpos, quase sem vida. Mais valia não dizer nada.
—De qualquer forma, esse moleque, ser imaturo tem limite. Testar uma pessoa ocupada assim?
—Testar? Eu achei que você não viria.
O desgraçado deu de ombros, como se não esperasse muito.
—Pensei que você já tivesse desistido, já que não havia notícias por dias.
—Ei, você foi sequestrado por um grupo razoável. Enquanto você se divertia aqui dentro, você sabe o trabalho que eu tive lá fora?
—Mesmo que você não tivesse se esforçado tanto, eu não teria morrido. Teria escapado sozinho, são e salvo. Na verdade, já estava ficando entediado, ia dar um jeito nesses caras e ir embora.
Com a atitude tranquila do desgraçado, ele zombou: “Que seja”. Então, sacudiu a camisa emporcalhada com irritação. Foi em vão. A poeira grudada só se espalhava mais quando ele a tirava com a mão. Além disso, o desgraçado a arrancou dele. O desgraçado, sem conseguir domar seus hábitos, usou a camisa de outra pessoa como lenço para limpar o sangue e os fluidos de suas mãos. Vendo aquilo, ele ficou tonto.
—…Ha. É por sua causa que eu envelheço, envelheço.
Não era à toa; o cansaço acumulado parecia vir de uma só vez. Ele passou a mão no rosto e suspirou fundo.
—Mas você tem certeza de que está bem?
Mesmo assim, ele não conseguia entender por que se preocupava com o desgraçado. Sabendo que era a coisa mais inútil do mundo, ele continuava olhando para o desgraçado. Afinal, ele também era humano, e poderia ter sofrido um trauma psicológico. Quando exposto a um forte choque, os ferimentos internos são mais perigosos do que os externos.
Não é de admirar que Zhenya tenha feito uma expressão confusa.
—O quê?
—Pessoas normais têm traumas, sabe? Mesmo agentes treinados, quando capturados, presos ou torturados, inevitavelmente se encolhem. Isso pode continuar a atormentá-los.
Ouvindo com atenção, Zhenya riu com desdém. Então, acrescentou sem cerimônia:
—Você é surpreendentemente superprotetor.
—Não se preocupe. Estou bastante acostumado com esse tipo de coisa.
—Acostumado?
Por um instante, ele pensou ter ouvido errado. Não processou imediatamente o que significava estar ‘acostumado a ser sequestrado’.
Zhenya mencionou sua infância com indiferença.
—Foi quando eu tinha uns seis anos? Talvez antes ou depois. Estava voltando para casa depois de uma aula de equitação. O motorista foi morto por uma bala perdida. O carro perdeu o controle e caiu no rio. Consegui nadar até a superfície, mas alguns homens estavam esperando e me vendaram. Quando recuperei a consciência, estava trancado num depósito com cheiro de mofo. Não sei o que eles exigiram da família. Podia ser dinheiro, algum direito, interesses ou poder que não podem ser medidos em valor… Quanto mais se tem, mais inimigos se tem, não é? Seja por causa das maldades acumuladas ao acumular essas coisas, ou pela simples cobiça de outros. Eu devia ser o alvo mais fácil para eles. Porque eu era pequeno. Eles devem ter presumido que, por mais notória que fosse a família, a linhagem seria puxada. Foi um equívoco. A família Bogdanov valoriza o orgulho e a honra mais do que meros laços de sangue.
O desgraçado, que sempre gostava de rodeios e expressões abstratas, mas ele não conseguia entender. Não era uma questão de credibilidade ou incompreensibilidade. Era puramente uma dúvida humana, de “não pode ser”.
—…O que você está dizendo, isso?
—É apenas uma história comum. Fui sequestrado por necessidade dos adultos, abandonado pelos cálculos deles. Como as coisas não saíam como planejado, eles começaram a ficar impacientes. Me passaram fome, gritaram comigo, não me deixaram dormir. Eles me estendiam um telefone, pedindo para eu chorar e implorar por minha vida. Eu aguentei. Não queria fazer o que eles queriam, nem implorar pela minha vida, curvando-me à minha família.
—…….
—A família viu as ações deles como um desafio a si próprios e, além disso, ao Kremlin. Eles pensaram que precisavam dar um exemplo. Então, começaram a eliminá-los com força bruta descomunal. Esqueceram até que eu estava nas mãos deles, atacando sem piedade. Dezenas, centenas de balas e bombas atravessaram as paredes e o teto. As cabeças dos homens que me ameaçavam voavam, membros eram arrancados e rolavam por toda parte. Era um espetáculo.
A atitude de Zhenya ao recordar o incidente era de cinismo do início ao fim. Como ele pôde? Ele estava confuso. Apenas seis anos. Como podiam fazer isso com uma criança de seis anos.
—Os poucos que sobreviveram não se renderam. Mas eu brincava com granadas desde pequeno. Talvez tenha sido a primeira vez. Tirar a vida de alguém com estas duas mãos.
—Ei….
Era uma história cruel demais.
Naquela época, Kwon Taekjoo tinha cerca de dez anos. Era uma época em que ele ia à escola sem preocupações, jogava bola com os amigos. Como consolar alguém que viveu num mundo tão diferente do seu? Ele não esperava que o desgraçado tivesse crescido num ambiente normal, mas não imaginava que fosse a esse ponto.
—Não precisa ter pena de mim, Taekjoo. Cada família tem suas tradições, e todos se adaptam ou se resignam a elas. Pode parecer um pouco desumano e severo, mas quem sabe. Talvez seja por isso que a família Bogdanov existe hoje. Homens geram homens, feras geram feras. Monstros geram monstros. Para não ser subestimado entre monstros, decidi que precisava ser mais forte que ninguém. Foi assim que me tornei quem sou. Primeiro, meus pares, depois os adultos, depois as pessoas da família, e finalmente, até o mundo inteiro parou de me subestimar. Graças à Anastasia.
Certamente, ninguém ousava mexer com um *psikh* reconhecido pelo estado. Nem sua família o tratava levianamente. Era exatamente o que ele queria. Será que era bom? De repente, ele se lembrou das palavras de Olga: “Até quando você vai ficar isolado?”. Até Kwon Taekjoo achava que o desgraçado parecia não apenas solitário, mas exausto.
—Você não pensa que a Anastasia te deixou mais cansado? Por que não a dá para quem a quer, como a Olga disse? Pelo menos você não teria esses problemas chatos. Esses caras também te sequestraram por causa dela. Eu já não preciso mais dela, então pode devolvê-la ou destruí-la. Na verdade, eu só ia entregá-la a eles para ter certeza de que você estava bem…
—Ah, é. Taekjoo, eu te dei uma. Você já a explodiu antes. Escondi uma na casa principal e outra em Ajinokki. Agora que penso, acho que também dei uma para aquela mulherzinha.
Ele deu ‘Anastasia’ para a mãe? Ele franziu a testa imediatamente.
—O que você está dizendo? Você só fala enigmas o tempo todo.
—Eu já te disse, Taekjoo. Anastasia pode existir ou não. Só eu posso provar isso. Se eu disser que a coisa que te dei é Anastasia, as pessoas vão pensar que é Anastasia. E se eu disser que o revólver caído ali é Anastasia, ele se tornará Anastasia. No final, Anastasia existe na mente de quem acredita, e cabe a mim fazê-la existir ou não. E você é o único que conhece esse segredo.
—O quê, então? O que você disse sobre ser sua linha de vida, tudo isso era conversa fiada? Eu pensei que algo terrível ia acontecer com você se ela desaparecesse.
Sentindo-se enganado, ele se irritou, e Zhenya deu um passo à frente. Seus olhos azuis estavam cheios do rosto de Kwon Taekjoo.
—Certo. Minha respiração, minha fraqueza, e minha arma secreta que me torna o mais forte do mundo. Agora, essa Anastasia está bem diante dos meus olhos.
Os pelos do seu pescoço e bochechas se arrepiaram. O desgraçado era capaz de dizer essas coisas constrangedoras na cara de uma pessoa. Nesses momentos, seus olhos, que normalmente eram frios como os de um réptil, também se enchiam de um calor sem precedentes e se suavizavam.
—Taekjoo.
—Por quê, por que está se aproximando?
—Se você veio resgatar a princesa aprisionada no castelo, o final tem que ser aquele, não é?
—Quem é princesa? Não me faça rir.
Naquele lugar com cheiro de sangue, ele não queria ficar esfregando os lábios daquele jeito. Mas o desgraçado de repente fez um olhar comovente.
—Na verdade, esperei o tempo todo. Testei minha paciência a cada hora, minuto, segundo.
Ele tentou não se deixar levar, mas o desgraçado sempre conseguia derrubar suas barreiras com uma facilidade incrível. Estranhamente, quando ele via aquele rosto fingindo inocência, ele não conseguia ser duro. Por mais que repetisse que era uma máscara, que ele estava tentando enganá-lo com astúcia como uma raposa, era inútil.
—…Droga. Vem cá, Yevgeny.
—Taekjoo, minha *zayinka*.
Então, aquele rosto é tão…
—Ahhhhh!
Assim que se lembrou de ter beijado aquele desgraçado num lugar cheio de corpos, ele se levantou de um salto. Ele arrancou o próprio cabelo com raiva. Será que, além de seu coração, seu cérebro também tinha amolecido? Talvez os genes malucos do desgraçado tivessem sido transmitidos.
Não podia dizer que sua vida era tranquila, mas depois que se envolveu com Zhenya, realmente não havia dia de paz. Ele já sabia que tipo de desgraçado ele era, e foi culpa sua por ter abraçado aquela bomba.
—…….
Ele pegou o telefone que estava jogado longe. Ao ligá-lo, o histórico de chamadas recebidas apareceu. Mas não havia chamadas ou mensagens de Zhenya. Com a esperança de que talvez, ele examinou cada contato com cuidado. Não havia nenhum número desconhecido. Pelo menos não parecia que ele tinha sido sequestrado como da outra vez.
Tamborilando o telefone enquanto pensava em algo, ele ligou para algum lugar. O sinal de chamada tocou duas vezes e logo foi interrompido. Em seguida, a voz do outro lado foi ouvida.
— Alô?
O dono da voz um tanto hesitante não era outro senão Yoon Jong-woo.
—Yoon Jong-woo, o que está fazendo?
– O que eu faria? Trabalhando diligentemente, é claro.
—Está ocupado?
– Vou ficar muito ocupado a partir de agora.
Prevenindo-se contra mais problemas, ele se encolheu. Quando entrou como seu subordinado, ele era obediente, mas agora que tinha mais experiência, ele respondia com mais ousadia.
Mas isso não mudaria nada.
—Não seja assim, me faz um favor.
– Não sei o que é, mas faça você mesmo, veterano. Você está de folga, tem todo o tempo do mundo.
—Se eu pudesse fazer, já teria feito. Acha que eu pediria esse favor a você?
Zombando, não houve resposta. Apenas o som de resmungos ao longe.
—Yoon Jong-woo? Ele o chamou de volta. Pigarreando, ele respondeu.
– Primeiro, me diga o que é.
—Yevgeny Vissarionovich Bogdanov, conhece?
– Por, por que essa pessoa de novo?
—Por que você está gaguejando? Ele é um fantasma?
– É brincadeira? Não é muito diferente, na minha opinião.
—Deixa isso. Descobre onde ele está agora.
– …O quê? O senhor está me pedindo para investigar um civil? Sabe quão sensível é isso, veterano?
Ele pulou, apavorado. O grito foi tão alto que quase furou o tímpano. Apesar de ser tão assustadiço e sem cuidado, ele sobrevivia no NIS. Seria porque ele era muito competente? Um suspiro sem graça escapou.
—Para você, aquele desgraçado parece um civil?
– Bem, isso… não… ainda assim, ele é um diplomata. Se eu mexer e der errado, pode virar um problema diplomático….
—Não vai dar errado, e mesmo que dê, eu assumo a responsabilidade. Só me diz onde ele está. Não estou pedindo para você prendê-lo.
Yoon Jong-woo, como sempre, afastou o telefone e resmungou.
—Eu ouço tudo., disse ele, e ele se assustou e negou. Depois, relutantemente, traçou uma linha com um tom lamuriento.
– É realmente a última vez.
—Tá bom. Verifica e me liga.
Ele desligou. Era só para confirmar se Zhenya tinha realmente entrado na Rússia e, se sim, se ainda estava lá.
Ele sempre tentou manter a vida profissional e pessoal estritamente separadas. Mas, desde que começou a conviver com Zhenya, essa fronteira começou a desmoronar. Como o desgraçado era implacável quando causava problemas, ele nunca conseguia relaxar. Ele mesmo havia decidido domar o desgraçado, e assim ele se estabeleceu na Coreia. Portanto, se o desgraçado aprontasse, já não era mais problema só dele.
Não demorou muito para o telefone tocar. Ele o pegou reflexivamente e verificou o remetente. Mais uma vez, não era Zhenya. Ele atendeu com um “Ah”. O relatório de Yoon Jong-woo continuou.
– Veterano. O registro de entrada de Yevgeny Vissarionovich Bogdanov na Rússia está confirmado. Há duas semanas.
—E agora? Há algum registro de saída da Rússia ou movimento para um terceiro país?
– Não. Está limpo.
Então ele está na Rússia há duas semanas. Era uma resposta que ele meio que esperava, mas se sentiu sem forças. Ele estava prestes a desligar, dizendo “Tá bem”. Yoon Jong-woo o chamou com urgência.
– Veterano. Não se esqueça do que disse antes.
—Antes? O quê?
– Disse que assumiria a responsabilidade se desse errado. Eu sou apenas um pobre subordinado que se curvou à pressão do trabalho.
—Tá bom, seu idiota. Vai trabalhar.
Ele riu. Yoon Jong-woo insistiu até o fim:
—Por favor, diga isso também àquele homem, Bogdanov. De qualquer forma, os funcionários do NIS só tinham medo.
A ligação terminou e o silêncio voltou. Ele olhou para o telefone e tentou ligar para Zhenya. Ele ainda não atendia.
—Ah, que se dane. Esse desgraçado não é criança.
Ele jogou o telefone de lado e bagunçou o cabelo com irritação.
—
O chão tremeu. Trovão, trovão, trovão, trovão. A cada amplitude diferente, era impossível ficar em pé. Tudo ao redor era escuro, e o cheiro de terra úmida vinha de todos os lados. Logo, um estrondo violento e o chão tremeram fortemente. Gritos e berros de várias pessoas se misturavam. As pessoas existiam apenas como silhuetas borradas, não como formas definidas. A língua que falavam parecia coreano, inglês e russo.
Suspeitando que fosse um sonho, ele foi um pouco mais adiante. Como não via nada, só podia avançar até encontrar uma parede.
Então, a parede e o teto tremeram novamente. Com a onda, uma poeira cinzenta de pedra desabou. Ele instintivamente encolheu o corpo, mas os pequenos detritos inevitavelmente entraram em seus olhos, nariz e ouvidos. Ele sentiu como se fosse sufocar. Ele balançou a cabeça violentamente para sacudir as impurezas. Agitou as mãos para dissipar o ar turvo.
Quando ia dar mais um passo, algo mole foi pisado. Ele quase caiu, mas conseguiu recuperar o equilíbrio. Erguendo a cabeça reflexivamente, viu uma figura inesperada. Era um menino de cerca de seis ou sete anos. Deixado sozinho num lugar como uma masmorra, sem um raio de luz, o menino tinha cabelos loiros platinados e olhos azuis. Era a mesma imagem que ele encontrava em sonhos passados.
Por que aquele garoto tinha que aparecer agora, daquele jeito? Ele franziu a testa com desaprovação. Claro, não havia garantia de quem era aquele menino. Embora se parecesse muito com alguém que ele conhecia bem, ele não podia ter certeza. Isso porque Kwon Taekjoo ainda não tinha visto a infância dele. Mesmo assim, sem provas, ele continuava a pensar que era Zhenya.
Quando o menino aparecia, os sonhos eram turbulentos. Não era como se ele fizesse mal a Kwon Taekjoo, mas depois que acordava, sempre ficava com uma sensação estranha e uma culpa esquisita. Ele estava aliviado por não tê-lo visto por um tempo, mas ele apareceu novamente.
O menino, ao encontrar Kwon Taekjoo, recuou, desconfiado. Em sua mão pequena e branca, segurava algo. Parecia uma granada.
Falando nisso, o que ele tinha pisado há pouco? Ele lentamente virou para trás. Onde seus olhos alcançaram, pedaços de carne sem forma humana estavam espalhados. As silhuetas que pareciam intactas apenas gemia sob pilares desabados.
Um mau pressentimento o dominou. Ele olhou ao redor com pressa. Mas nada entrava em seus olhos. Apenas o quadro azul quadrado que se via pela janela. Lá fora, a sombra de um avião de combate passou rapidamente. Embora invisíveis, ouvia-se o som de botas militares em marcha. Raios lasers vermelhos de várias armas cobriram o ar e o chão num instante. De longe, o alerta final para se render ecoava.
De repente, ele se lembrou da história da infância que Zhenya lhe contara. Ele disse que estava acostumado a ser sequestrado. Parecia que aquele resquício do passado se manifestara em sonho através do subconsciente. O problema era que, mesmo sabendo que era um sonho, ele não conseguia acordar. A situação era tensa e confusa, era de enlouquecer.
Ele olhou ao redor em busca de uma saída. Naquela hora, um impacto mais forte do que qualquer outro explodiu em todo o edifício. O chão tremeu violentamente. O teto, que mal se sustentava, desabou, expondo a estrutura. Se ficasse ali, seria soterrado sem defesa.
Tudo era tão vívido que, no meio do sonho, a percepção de que era um sonho se desvaneceu. Em sua mente, só havia a ideia de escapar rapidamente. Ele virou a cabeça para onde estava o menino de cabelos loiros platinados. O menino ainda o encarava, todo arrepiado. Ele fez um gesto para que ele viesse rapidamente. Mas o menino não se mexeu. Sua desconfiança também não diminuía.
Ele tentou gritar “Zhenya!”, mas sua garganta travou. Ele abriu bem a boca, tensionou o abdômen, mas a vibração do ar não se propagava como som. Enquanto isso, os ataques impiedosos continuavam. O edifício começou a desabar rapidamente.
Ele correu em direção ao menino, para arrastá-lo à força. Mas isso também não era fácil. Era como se houvesse uma barreira invisível à sua frente; ele não conseguia dar mais um passo. Por mais que corresse, com os pulmões ardendo, ele não se aproximava do menino.
Ele continuava a chamar Zhenya, mexendo a boca. O menino apenas observava, como se visse uma cena estranha.
Droga, foge!
Ele se debateu até os membros formigarem. O grito desesperado ficou preso em sua garganta, ecoando apenas dentro de si. Era sufocante.
Como se zombasse de Kwon Taekjoo, algo pesado voou atrás dele, cortando o ar. O interior do edifício ficou num vácuo temporário. E imediatamente depois, o ar concentrado explodiu, rasgando o menino sem dar tempo para reagir. Todo o seu corpo ardeu.
—
—…Huff!
Ele se levantou de repente. A visão se abriu instantaneamente, causando uma tontura vertiginosa. Seus olhos se arregalaram, incapazes de piscar. Suas pálpebras tremiam convulsivamente.
—Ha, ha….
A respiração que ele havia segurado finalmente escapou. Seus pulmões doíam. Seu coração, ofegante, parecia que ia sair pelo peito. Sua garganta estava tão seca como se tivesse gritado a noite toda.
Só quando percebeu novamente que tudo era um sonho é que se sentiu aliviado. Ele passou a mão pelo rosto lentamente. Sua palma, que tremia levemente, ficou úmida. Em retrospectiva, não era um pesadelo tão horrível a ponto de tremer daquele jeito. Ele já havia vivido realidades mais brutais. Mesmo assim, a sensação de inquietação e desconforto não desaparecia facilmente.
De qualquer forma, o que o original está fazendo, aparecendo daquele jeito para confundir a cabeça das pessoas. Será que algo realmente aconteceu com Zhenya? Embora negasse que não podia ser, a preocupação persistia.
Com irritação, ele coçou a nuca e pegou o telefone. Ainda não havia notícias de Zhenya. Ele ligou imediatamente, mas agora nem o sinal de chamada era ouvido. Parecia que o telefone estava desligado.
—Esse desgraçado, se for a algum lugar, devia pelo menos avisar.
Se vai se atrasar, se aconteceu algo inesperado, não é tão difícil avisar. A menos que esteja numa situação em que não possa fazer isso.
Na verdade, eles não se comunicavam com frequência. Isso porque, a qualquer hora, em qualquer lugar, Zhenya aparecia como um fantasma e o encontrava. Também era raro marcarem encontros. Chamadas e mensagens constantes também eram raras.
Além disso, Kwon Taekjoo nunca contava a Zhenya para onde ia, o que ia fazer ou quando voltaria. Em parte por causa das regras do NIS, mas também porque não sentia necessidade. O ditado diz: “Quando eu faço, é romance; quando os outros fazem, é adultério”. Ele era o exemplo perfeito.
—Quem é quem… sem vergonha.
A repentina auto-reflexão o deixou sem graça. Ele coçou a nuca e verificou as horas. Já passava das 7 da manhã. Sentia-se uma presença ocasional do lado de fora. Sua mãe estava preparando o café da manhã.
Ele se levantou e saiu. Sua mãe, com um rosto surpreso, disse que ele tinha acordado cedo.
—Você não disse que ia voltar ao trabalho na segunda-feira que vem?
—Sim. Mas fiquei com medo de que, depois de tanto tempo de folga, fosse difícil me readaptar. Vou sair um pouco para ver como está o andamento do trabalho.
—Tudo bem, então. Vou preparar o café, come antes de sair.
—Ah, não precisa, não vou comer.
—Não pode ficar pulando refeições. Se ficar de estômago e cabeça vazios, como vai fazer o trabalho direito?
—Quando eu chegar, logo vai ser hora do almoço.
—Ai, ai. Você acha que vai ser jovem para sempre? Dizem que as dívidas que contraímos quando jovens voltam várias vezes quando envelhecemos. Você também não é mais tão jovem, devia cuidar da saúde. Hoje em dia, doenças graves não escolhem idade; faça check-ups regularmente…
—Sim. Com certeza. É sopa de tofu com kimchi envelhecido? O cheiro está de matar.
Percebendo que um discurso estava prestes a começar, ele mudou de assunto rapidamente. Então, disse que ia se lavar e fugiu para o banheiro. Até ele fechar a porta, sua mãe, começando com a história do filho de uma amiga que teve um derrame, recitou todo o histórico médico da família paterna e materna. Mesmo sem ouvir tudo, ele podia adivinhar o resto. Quais alimentos são bons para quais órgãos, quais superalimentos estão em alta, o quão prejudiciais são o álcool e o fumo. As preocupações e interesses de sua mãe eram os mesmos de quando ele era criança. O repertório de sermões também era o mesmo.
Ele terminou o banho rapidamente e sentou-se à mesa. Desde cedo, havia tantos acompanhamentos que mal cabiam na mesa. Ele disse “Vou comer bem” e pegou a colher. Não sei como, mas, com exceção do kimchi, não havia nenhum acompanhamento velho. Pensando no carinho dela, ele foi comendo um pouco de cada e logo terminou um prato de arroz. Sua mãe, dizendo “Viu só?”, serviu-lhe mais arroz. Era o momento em que ela parecia mais feliz durante o dia.
—Ultimamente, a embaixada está com muito trabalho?
—Se estivesse, não me dariam essa folga.
—É? O embaixador está sumido, achei que estivesse muito ocupado.
Os pauzinhos de Kwon Taekjoo pararam. Foi porque Zhenya foi mencionado inesperadamente.
Por pouco ele não engasgou com a comida. Ele mal engoliu o que estava na boca e bebeu água para limpar. Sua mãe, sem saber, disse “Come devagar”. A preocupação com Zhenya continuou.
—Ele não atende o telefone, fiquei preocupada que algo tivesse acontecido. Ele está sozinho num país onde não falam a mesma língua. Se tiver uma emergência, pode ser difícil pedir ajuda.
—Mãe também. Ele não é criança. Ele também está de férias, descansando no país dele. Não precisa se preocupar.
Ele respondeu com indiferença, e depois se deu conta. Sua mãe, como sempre, ficou chocada.
—Você, você! Por mais jovem que seja, ele é seu chefe! Pare de tratá-lo como igual! Mesmo que ele não esteja aqui. Esse negócio de —esse aí’ e —aquele ali’, que jeito de falar é esse?
Ele abriu a boca para se explicar e depois a fechou. Não adiantaria dar desculpas.
—…Não é isso, é que estamos entre nós, então falei mais informalmente.
—Se você se acostumar a falar assim, vai acabar cometendo erros em situações importantes. Com essa idade, você ainda não sabe? Que sem-noção.
Ela estalou a língua com desaprovação. Enquanto colocava cavala no arroz dele, ela o olhou de soslaio. Parece que, desde que conheceu Zhenya, a frequência com que sua mãe o repreendia aumentou. Não era exatamente culpa do desgraçado, mas também não era completamente culpa dele, o que o deixava frustrado.
Se sua mãe soubesse o que o desgraçado havia feito ao seu único filho, ela não o defenderia tanto. Ele se sentia injustiçado, mas não podia contar tudo o que aconteceu. Ele se arrependeu superficialmente e apenas comeu.
Depois de se preparar para sair, sua mãe lhe entregou algo. Uma marmita.
—Leve isso também.
—O que é isso?
—Quando vi que você ia voltar ao trabalho, pensei que o embaixador também voltaria em breve. Ele é uma pessoa que come pouco, então vai sofrer de novo com as refeições. Preparei algumas coisas que ele gosta.
—Por que fazer isso? Não precisava.
—Não pode ser assim. Um jovem, fazendo um trabalho importante, sozinho, longe da família, a gente tem que ajudar no que pode.
Ela se tornara a melhor amiga do desgraçado, mas não o conhecia de verdade. Talvez a fraqueza pela aparência vistosa do desgraçado seja influência materna. Há pouco tempo, ela viu o desgraçado cochilando e disse que ele parecia um anjo, e ele quase cuspiu o café. Toda vez que via o olhar ingênuo e puro de sua mãe em relação ao desgraçado, ele não sabia como reagir.
—Calado, faz o que a mãe manda. Você também viaja muito, sabe bem como é. Ficar muito tempo fora de casa te deixa solitário, deprimido e desanimado. Além disso, ele não fala coreano, não se comunica, não tem amigos e está longe da família. Deve ser muito frustrante. Você devia ir vê-lo e cuidar dele com frequência. Em vez de ficar tratando ele como —esse aí’ e —aquele ali’ o tempo todo, pense nele como seu irmão mais novo.
Sua mãe também percebera que o desgraçado não tinha amigos, o que era estranhamente engraçado. Ele também se perguntava como ela tinha se afeiçoado tanto a ele. Ela não era tão devota nem mesmo quando rezava dia e noite por seu pai e seu irmão. Como seria se sua mãe soubesse da relação dele com o desgraçado? Só de imaginar, já era demais. Uma vaga culpa pesava em seu peito.
—Vou indo.
Ele pegou a marmita obedientemente e saiu de casa às pressas.
—
Antes de ir trabalhar, ele passou na casa de Zhenya. Era uma visita sem grandes expectativas. Era apenas para entregar a marmita que sua mãe havia lhe dado.
Mas, ao ver a casa vazia, sentiu-se desolado. Não havia nenhum sinal de que alguém tivesse estado ali recentemente. Os lençóis da cama e a posição dos objetos estavam exatamente como quando ele viera há alguns dias. A casa estava silenciosa, até mesmo vazia.
Ele foi até a cozinha e abriu a geladeira. Não havia nada comestível. Ele colocou a marmita que sua mãe havia preparado no vazio. Não deixou nenhum bilhete. Pensou que, quando Zhenya voltasse, ele veria.
Ele examinou a casa lentamente mais uma vez. Mesmo sendo um lugar onde alguém viveu por um ano, como podia ter tão pouca vida? Além de itens de banheiro, bebidas, roupas de cama e roupas com etiquetas, não havia nada que pudesse ser chamado de pertencente a Zhenya. Não havia nem uma máquina de lavar. Será que ele mandava toda a roupa para a lavanderia
ou, como tinha dinheiro de sobra, jogava fora as roupas depois de usá-las uma vez? Não se sabia.
Ele abriu o armário, mas só havia poeira. Então, ao abrir uma gaveta grande embaixo, encontrou vários tipos de macarrão instantâneo arrumados. O desgraçado sempre cozinhava macarrão instantâneo, tanto que ele parou de comer em outros lugares. Mesmo dizendo que estava enjoado, não adiantava.
—…Não gosto de macarrão instantâneo.
Resmungando, ele fechou a gaveta. Não havia comida para o próprio Zhenya em lugar nenhum. Mesmo quando não ficava tanto tempo fora de casa, ele comprava apenas queijo, pão e frutas. Ele não gostava de comida coreana também. Como ele se virava quando Kwon Taekjoo não estava? Assim, não é de admirar que sua mãe se preocupasse.
Ele entrou no quarto por um momento. Lembrou-se de quando viu a cama pela primeira vez e ficou chocado. Como o desgraçado era grande, um colchão comum não daria conta. A cama feita sob medida ocupava a maior parte do quarto espaçoso. Embora se diga que os casais preferem camas super king size, aquela cama, ainda maior e mais larga, parecia representar a forte vontade do desgraçado de ‘fazer’ ali. E ele realmente se revirou nela sem arrependimentos. Não havia posição que não tivessem tentado. Depois de um ano daquela loucura, não havia nenhum sinal de desgaste, então a qualidade era inegável.
Ele sentou-se na cama por um momento. O colchão sustentava firmemente seu corpo. De repente, ele pensou que muita coisa tinha acontecido no último ano. Parece que todas as memórias se resumem a sexo, mas não era exagero. Na casa do desgraçado, eles sempre estavam com alguma parte do corpo em contato.
Dizem que Deus tem um propósito ao criar os humanos. Para Zhenya, ele deu um pênis enorme, uma libido avassaladora e um corpo superior, como se lhe tivesse confiado a missão de procriar a espécie. Se não fosse por isso, não seria tão cheio de luxúria. Mesmo considerando que ele está no auge da idade, era demais. Só de trocar olhares, ele já queria transar. Por mais que Kwon Taekjoo tivesse resistência e um bom físico, era difícil aguentar. Era mais fácil contar os dias em que ele não desmaiou depois do sexo. Quem sabe, se os dois fossem um casal de recém-casados, teriam tido trigêmeos. Verdadeiramente, dias de paixão carnal.
E assim, já fazia um ano. Ele achava que no máximo isso. O prazo que ele havia estabelecido arbitrariamente para o coração do desgraçado já havia passado. Como o desgraçado era tão consistente, ele nem viu o tempo passar. Durante esse tempo, a preocupação de sua mãe com o desgraçado, o tempo que passavam conversando sem se entender, o fato de passarem o tempo juntos depois do trabalho e nos dias de folga, e o desgraçado aparecendo de repente em todos os lugares que ele ia, tudo se tornou familiar. Simplesmente se tornou uma rotina natural.
Então, ele não considerou que isso pudesse acabar um dia, que o desgraçado pudesse voltar para onde pertencia. Assim como o começo foi abrupto, o fim também poderia ser assim.
Zhenya tinha vindo para a Coreia por causa de Kwon Taekjoo. Isso significava que, se não fosse por ele, ele poderia deixar este lugar a qualquer momento.
—A menos que eu vá morar lá para sempre…
Aquela frase que o desgraçado soltara continuava a incomodá-lo como um espinho na garganta.
—
Durante a hora do almoço, ele pulou a refeição e foi à residência da embaixada. Como Zhenya era embaixador, a residência oficial era ali. Na verdade, ele raramente ficava ali. Ele só ia para assuntos oficiais, como eventos de convite, banquetes e jantares, quando não podia evitar.
A residência da embaixada era um edifício com mais de cem anos. Por isso, o interior também era decorado com móveis antigos. Normalmente, depois de nomeado, o embaixador redecorava ao seu gosto. Mas Zhenya não mexeu em nada. Ele nem parecia considerar aquele lugar como sua casa.
Kwon Taekjoo também tinha ido ali apenas algumas vezes. Como estava lotado na embaixada russa para enganar sua mãe, ele tinha uma grande relutância psicológica. Não queria passar tempo pessoal num local onde realizava tarefas oficiais. Não era a primeira vez que ele quebrava essa regra por causa de Zhenya, no entanto.
Quando foi nomeado embaixador russo na Coreia, o desgraçado o arrastou para lá de repente. Ele pensou que queria mostrar a residência, mas não foi nada disso. Examinando o interior com tédio, o desgraçado não demonstrou nenhum afeto ou entusiasmo.
—Por que você me trouxe aqui de repente?
—Hoje tive um jantar aqui com políticos coreanos. Amanhã, dizem que vêm jornalistas do Ministério das Relações Exteriores.
—E o que isso tem a ver?
—É um trabalho muito irritante e entediante.
Resmungando calmamente, o desgraçado se aproximou dele. Ele recuou involuntariamente.
Foi uma fuga instintiva. Porque os olhos do desgraçado brilhavam de forma anormal.
Recuando aos poucos, a mesa de recepção tocou a parte de trás de suas coxas. Um mau pressentimento o dominou. O desgraçado apoiou-se na mesa, prendendo-o em seus braços. Então, ele olhou profundamente nos olhos de Kwon Taekjoo, que estava com uma expressão de desagrado.
—Mas quem sabe. Talvez seja melhor se eu fizer uma memória divertida.
—Que besteira. Me solta.
—Você já ia transar quando chegasse em casa, não ia? É só uma mudança de lugar.
—Seu louco. Esse é um lugar de trabalho.
—Qual é o problema? Esta é a casa da família do embaixador. Todo mundo vive aqui, faz a vida de casal e cria os filhos.
Não era mentira. A residência também era o espaço onde a família do embaixador vivia durante seu mandato. Mas, como Kwon Taekjoo também era funcionário público, ele relutava em fazer essas coisas num local onde se realizava trabalho oficial com tanta frequência.
Mas os olhos de Zhenya já estavam excitados. Suas pupilas estavam contraídas pela excitação, e seu odor corporal estava mais forte. Era um sinal de que seu corpo estava esquentando. O desgraçado, beijando o pescoço de Kwon Taekjoo repetidamente, o persuadiu com absurdos.
—Sendo funcionário público, você devia obedecer às ordens do seu superior.
—Você é meu superior?
—Você já esqueceu qual é a sua função aqui? Se eu facilitei as coisas para você, Taekjoo, você também tem que cooperar com o serviço público. É justo, não é?
—Loco. Não…!
Ele desviou a cabeça de Zhenya, que tentava beijá-lo. Mas o desgraçado, sem se importar, agarrou seu rosto. Com as bochechas pressionadas, sua boca se abriu naturalmente. O desgraçado enfiou a língua naquela brecha e uniu os lábios completamente. Ao pressionar sua língua contra a de Kwon Taekjoo e sugar todo o seu ar, ele foi varrido sem defesa.
Quando recuperou a consciência, seu corpo estava totalmente deitado sobre a mesa. Sua camisa estava meio aberta e rasgada. O desgraçado, agarrando o peito direito nu de Kwon Taekjoo, puxou suas calças e cuecas de uma só vez. Sua parte inferior ficou exposta com uma rapidez inacreditável. Ele tentou juntar os joelhos, mas Zhenya, parado entre suas pernas, o impedia.
O dedo médio do desgraçado cutucava o orifício, tocando e moldando seu interior. Ao mesmo tempo, com o polegar, ele acariciava suavemente o períneo e mordiscava a parte interna da coxa. O cabelo do desgraçado roçava sua virilha, fazendo cócegas. Seu pênis, incapaz de suportar os estímulos insistentes, começou a tremer e a se erguer. Em pouco tempo, ficou tão dolorido que parecia que ia explodir.
Seu pênis ereto roçava constantemente a testa do desgraçado. O desgraçado ergueu a cabeça e observou o pênis balançando. Então, com a ponta do nariz afilado, ele percorreu toda a superfície do pênis, até a glande. Como se quisesse sentir o cheiro da carne, ele inspirava fundo repetidamente, fazendo suas pernas tremerem.
Chegando ao auge, o desgraçado sugou levemente a glande vermelha e a soltou. O rosto de Kwon Taekjoo se franziu inevitavelmente, e sua parte inferior se contraiu. Zhenya, olhando para ele de baixo para cima, estendeu a língua. Parecia que a língua do desgraçado ia tocar sua glande a qualquer momento. Ele observava o desgraçado com ansiedade. Seu abdômen ondulava lentamente com a antecipação. Ele sentia a respiração ficar mais difícil.
O desgraçado, que ia baixar a cabeça, de repente abriu a boca e, lentamente, engoliu todo o pênis de Kwon Taekjoo. A língua macia do desgraçado envolveu sua glande e passou por todo o eixo. A glande sensível foi sugada e roçada contra a parede macia do fundo. Parecia que ele havia engolido até o fundo da garganta. Um suspiro escapou, tamanha a profundidade e a densidade do prazer.
—Huff, hã….
Zhenya, acariciando sua região pubiana como se fizesse cócegas, movia a cabeça para cima e para baixo. O pênis coberto de saliva era lentamente liberado pelos lábios e depois engolido até a base. As pontas dos dedos de Kwon Taekjoo, que segurava a mesa, ficaram brancas. Quando o desgraçado ergueu a cabeça novamente, deixando apenas a glande dentro da boca, ele apertou firmemente a circunferência com os lábios e a chupou com força. Kwon Taekjoo, que desfrutava do prazer lento, se contorceu sem defesa.
—Ah, nhã, nhã, ha, hã…!
Com uma sucção tão insistente, parecia que algo estava sendo sugado de dentro de sua uretra. Zhenya, persistente em proporcionar aquele prazer intenso, de repente abriu a boca e enfiou novamente o pênis até a base. Talvez fosse impressão, mas quando a glande passou, o pescoço do desgraçado pareceu inchar. Ele não aguentava mais.
Erguendo meio corpo, ele agarrou o cabelo de Zhenya. Então, golpeou sua parte inferior na boca macia do desgraçado. Apesar do ato um tanto brusco, o desgraçado, sem reclamar, segurou e sugou o pênis que era enfiado. Mesmo quando o pênis cutucava sua garganta e a úvula, ele não sentia ânsia. Enquanto isso, ele ainda tinha espaço para alargar o orifício.
Vendo o rosto manso do desgraçado sobre sua virilha, ele ficou tonto. O fluxo sanguíneo acelerou, e sua visão piscava sem parar. Foi só quando a sensação de ejaculação se aproximou que ele afastou o rosto do desgraçado. Bem, ele tentou. Zhenya segurou firmemente suas coxas e não deixou que ele afastasse a cabeça. Com a ejaculação iminente, os músculos das coxas de Kwon Taekjoo se contraíam.
—Mal, uco… nhã, cospe. Cospe, ah, ha, nhã…! Ah, hã…!
No final, ele não conseguiu afastar Zhenya e ejaculou. Seu pênis, levado ao extremo, jorrou uma grande quantidade de esperma. Com a sensação de vergonha, ele rangeu os dentes. O desgraçado engoliu o esperma de Kwon Taekjoo que se espalhara em sua garganta. Como se fizesse de propósito, seu pomo de Adão ondulou lenta e distintamente. Ele até sugou o que estava na glande, sem deixar uma gota, e sorriu para Kwon Taekjoo, que estava enojado.
—Taekjoo, quando você gosta tanto assim.
—Nhã… eu disse para parar, seu louco….
—Depois de me deixar de barriga para cima, agora você fala isso? Já que se divertiu tanto, agora você tem que dar atenção a este aqui também.
Com o som do zíper descendo, o pênis do desgraçado caiu com um baque. O carneiro, sentindo o cheiro do esperma, esfregava a cabeça no orifício repetidamente. Ele fechou os olhos com resignação.
Zhenya, com familiaridade, pressionou Kwon Taekjoo, abriu seu corpo e devorou seu interior. Ele geralmente preferia posições semelhantes, como o papai e mamãe ou a variação, mas o problema era o local. Suas costas nuas, roçando na mesa, começaram a doer. Ele gemia sem parar com a pressão implacável e finalmente empurrou o desgraçado.
—Nhã, ha, hã…! Espe, ra. Minha cintura dói. Melhor fazer em outro lugar….
—Você tem que seguir a etiqueta à mesa.
Por alguma razão, o desgraçado insistiu até o fim. Então, repetiu a penetração e a ejaculação várias vezes sem camisinha. A mistura de esperma e gel que preenchia seu interior fazia um som pegajoso cada vez que a carne se unia. Cada vez que o pênis do desgraçado era enfiado, uma substância esbranquiçada e viscosa era expelida, até que finalmente, lambendo a superfície da mesa, caía gota a gota no chão. Uma pequena poça se formou.
Ele adormeceu de exaustão e, de repente, lembrou-se de que havia uma entrevista pela manhã. Imediatamente abriu os olhos e abriu todas as janelas para ventilar. Ligou todos os exaustores da residência, do banheiro à cozinha, para tentar eliminar o cheiro.
O problema eram as manchas no carpete. Por mais que as limpasse, elas não pareciam desaparecer. Quando ele pensava que tinham sumido, logo secavam e ficavam brancas novamente. Zhenya, em vez de ajudar, só ficava beijando a nuca de Kwon Taekjoo, que se esforçava para apagar os vestígios do sexo.
—…….
Olhando para a ampla mesa da sala, ele se lembrou daquele dia. A temperatura da mesa tocando sua pele nua, o ar que esquentava rapidamente como num passe de mágica, a umidade e o cheiro que subiam junto… tudo parecia reviver. Ele estalou a língua e se virou.
Ele tinha ido à residência na esperança de descobrir por que a estadia de Zhenya na Rússia estava se prolongando. A correspondência oficial endereçada a ele geralmente era enviada ao escritório da embaixada. Como o desgraçado nunca aparecia, seu assessor transferia tudo para a residência. Mesmo sendo um vagabundo, ele ocasionalmente ia ali para verificar essas cartas e sua agenda. Era o esforço mínimo para manter sua posição de embaixador.
Ele foi ao escritório no segundo andar e verificou a correspondência acumulada. Talvez houvesse banquetes ou eventos importantes na Rússia. Mas, por mais que procurasse, não havia nada de particularmente notável. Em seguida, ligou o laptop de trabalho. Digitou a senha sem hesitar e abriu a agenda atualizada em tempo real. Como esperado, estava vazia desde duas semanas antes.
No entanto, alguns eventos estavam marcados para o Chuseok, daqui a dez dias. Isso significava que, pelo menos, o desgraçado voltaria por volta dessa data. Ou será que sim? Os mandatos dos embaixadores não são fixos. Diz-se que geralmente duram de um a dois anos. Não era incomum que fossem destituídos no meio do mandato ou chamados de volta de repente para assumir outros cargos importantes.
Como ele tinha se tornado embaixador russo na Coreia contra a vontade, o desgraçado poderia desistir a qualquer momento, quando lhe apetecesse. Um homem que só segue seus interesses. Se algo mais o atraísse, ele não olharia para trás.
—…Não gosto disso.
Ele resmungou com insatisfação e desligou o laptop. Ao sair, viu um velho livro de conversação em coreano na estante. Talvez fosse algo deixado pelos embaixadores anteriores para seus sucessores, mas não parecia ser de Zhenya.
Falando nisso, durante o último ano, o desgraçado nunca aprendeu uma palavra de coreano. Ele nem usava as saudações mais comuns. Mesmo quando precisava se comunicar com a mãe de Kwon Taekjoo e outros coreanos, ele teimosamente falava apenas russo. E mesmo isso, ele dizia poucas palavras. O que era surpreendente era que, mesmo assim, as pessoas se entendiam. Elas naturalmente traziam o que o desgraçado precisava.
Com sua mãe era a mesma coisa. Quando se encontravam, cada um continuava a falar o que queria. Quando Kwon Taekjoo se juntava a eles, pedia para traduzir o que o outro havia dito. Uma vez, isso o irritou tanto que ele reclamou com Zhenya.
—Se você vai continuar morando aqui, devia aprender coreano ou algo assim.
—Por que eu?
—Assim você também ficaria mais confortável. E eu também.
—Coreano é complicado e difícil, como os coreanos. Dizem que a mesma palavra pode ter significados diferentes. Não é a primeira vez que me ferro com um tradutor. Aprender uma língua dessas é ineficiente.
—Você, que é tão esperto, não gosta de estudar. Então vai viver assim, analfabeto, para sempre?
O desgraçado, com uma expressão de não compreensão, deu de ombros.
—Eu não estou aqui porque gosto deste país, Taekjoo.
Naquela época, por que ele se sentiu um pouco magoado?
Zhenya não escolheu a Coreia. Ele apenas queria que Kwon Taekjoo estivesse na Coreia, então ele se estabeleceu ali também. Se o entusiasmo do desgraçado por ele se esvaecesse, não haveria mais razão para ele ficar ali.
Passando a mão pelo cabelo com irritação, ele saiu da residência. Havia mais um lugar para visitar.
—
O assessor, Oleg Menshikov, semicerra os olhos e examina Kwon Taekjoo. Depois de um bom tempo, ele finalmente fala.
—Então, o senhor é aquele —Kwon Taekjoo’?
—Sim, eu sou Kwon Taekjoo.
Não sei por que colocam um artigo demonstrativo na frente do meu nome, mas ele acenou com a cabeça obedientemente. Já que tinha ido até a residência, aproveitou para passar na embaixada. Pensou que, mais do que qualquer outro lugar, ali teriam informações sobre os assuntos não oficiais da Rússia. Como a embaixada é uma instituição diplomática especializada, é sensível às questões internacionais. Isso inclui a situação política, econômica e social do país de origem.
A família Bogdanov exerce uma influência considerável nos círculos políticos e empresariais da Rússia. Se algo tivesse acontecido com eles, a embaixada certamente saberia. Além disso, embora fosse apenas um título, ele era um embaixador, então reagiriam rapidamente a qualquer problema relacionado à segurança do desgraçado. Se ele estivesse pensando em renunciar ao cargo, certamente seria a primeira a saber.
—Entendo. O que traz o senhor, que parece ser mais ocupado que o embaixador, aqui sem aviso prévio?
Oleg Menshikov zombou abertamente, demonstrando desconfiança.
Quando ele foi perseguido por uma acusação falsa há um ano, não se sabia onde ou como sua identidade poderia ter sido exposta. A preocupação de sua mãe não era pequena. Por isso, ele se registrou como funcionário da embaixada russa. Zhenya foi quem sugeriu primeiro, e o alto comando também permitiu. Claro, era apenas nominal, e era a primeira vez que ele visitava a embaixada. Zhenya disse que cuidaria de tudo, mas a atitude do assessor não parecia boa.
Dentro da embaixada, o cargo de Kwon Taekjoo era de secretário pessoal e assistente do embaixador. Para não levantar suspeitas desnecessárias, ele decidiu se ater a esse papel.
—O embaixador me pediu para entregar alguns documentos urgentes. Tentei contatá-lo, mas ele não atende.
—O embaixador voltou à Rússia por um assunto de família. Nem sequer o assistente sabia disso?
Cada palavra era pontiaguda. Ele forçou um sorriso.
—Não, ele disse que voltaria em cerca de dez dias, mas já se passaram duas semanas.
—Hmm… De fato, está demorando mais do que o previsto.
Oleg Menshikov acenou com a cabeça. Então, acrescentou algo enigmático.
—Bem, não é um problema que possa ser resolvido assim tão facilmente. Talvez ele esteja sendo cauteloso porque isso pode se tornar um grande evento para a Rússia.
Era uma frase tão vaga que ele não conseguiu entender o que significava. Mas ele parecia saber o propósito da visita de Zhenya à Rússia. Não podendo perguntar diretamente o que era, ele confirmou apenas uma coisa.
—É só por causa disso que ele está se atrasando?
—Por que mais seria? É um documento tão importante? Se for, posso guardá-lo e entregá-lo em seu lugar.
Oleg Menshikov estendeu a mão de repente. Ele achou melhor recuar.
—Não. Ele disse para eu entregar pessoalmente, então farei isso.
—Então você terá que voltar mais tarde.
—Sim. Então, por hoje, é só.
Ele fez uma reverência e saiu da embaixada. Assim que se virou, sentiu olhares penetrantes nas suas costas. Não era só de uma ou duas pessoas.
Ignorando-os, ele andou e, de repente, olhou para trás. As cabeças das pessoas que olhavam para ele pelas janelas desapareceram de uma só vez. Alguns, sem ter para onde olhar, mexiam em vasos ou desviavam o olhar sem graça.
Por mais que a embaixada fosse composta majoritariamente por russos, seria tão surpreendente ver um coreano ali? Nem mesmo os coreanos que viram um estrangeiro pela primeira vez olharam com tanta descaramento.
Ele inclinou a cabeça e continuou a andar. Os funcionários da embaixada, um a um, espreitavam pelas janelas para ver aquele ‘Kwon Taekjoo’ se afastando.
—
Uma tarde entediante se arrastava lentamente. Os agentes de campo do NIS raramente iam à sede. Não havia nada para fazer lá. No máximo, processar as despesas relacionadas às operações e escrever relatórios. De vez em quando, redigir relatórios de ocorrência. Kwon Taekjoo já tinha até aprovado tudo antes das férias. Era um hábito que ele adquiriu naturalmente, já que uma nova missão poderia surgir a qualquer momento.
Ele folheou o calendário de mesa sem motivo. Não se lembrava da última vez que tinha tirado férias tão longas. Era normal ser chamado quando mal tinha descansado, ou ser chamado sem nem ter descansado. Mas, com a intromissão de Zhenya, sua vida apertada ganhou algum fôlego. Embora ele sempre reclamasse do desgraçado, era verdade.
Não se sabia quando ele seria chamado de novo, usando essas férias como desculpa. Para não se sentir injustiçado na época, ele devia aproveitar bem, mas não tinha nada para fazer. Ele também não dormia bem, e os dias eram apenas entediantes. O que ele fazia antes? Normalmente, ele mal tinha tempo para descansar, e ultimamente, passava o tempo com Zhenya, sem tempo para ficar entediado.
Será que não tinha nada para fazer? Procurando por algo, ele ligou o mensageiro interno. Então, chamou o sempre acessível Yoon Jong-woo.
[O que está fazendo?]
Yoon Jong-woo só leu a mensagem depois de um bom tempo. A resposta demorou ainda mais.
[Trabalhando, claro.]
[Vamos beber depois do expediente.]
[Não posso.]
[Hoje à noite tenho que caçar o chefe.]
[Que chefe 2D é esse?]
[É 3D.]
[Você não vai comer?]
[Não. Vou passar fome, se for preciso.]
[Já que você não vai ajudar, não fica me chamando.]
[Hoje eu tenho que sair no horário, é sério.]
[É? Vou ajudar, sim.]
[Sério?]
[Sério.]
Assim que respondeu, ele ligou o laptop. Quando o horário de almoço estava terminando, ele pegou emprestado o laptop de Yoon Jong-woo. Na área de trabalho, estava instalado o jogo que ele se gabava de jogar. Ele inseriu o ID e a senha de Yoon Jong-woo e clicou em entrar. Mas uma mensagem pedindo para confirmar a senha apareceu. Ele tentou novamente, mas foi a mesma coisa.
Ele abriu o mensageiro novamente.
[Você mudou a senha?]
Yoon Jong-woo leu a mensagem e ficou em silêncio por um tempo. Parecia que ele estava tentando entender o que estava acontecendo, e o som de sua confusão podia ser ouvido além da tela.
Logo, suas mensagens começaram a chegar.
[Veterano, o que o senhor está fazendo?]
[Disse que ia ajudar.]
[Sim. Ajudar a subir de nível.]
[Ah, não faça isso!]
[Qual é a senha?]
[Acha que vou contar?]
Yoon Jong-woo, pela primeira vez, se mostrou firme. “Então não conta.” Ele, sem se importar, tentou várias combinações da senha antiga. Conseguiu entrar na terceira tentativa. Ele até agiu com arrogância, mas a senha era a mesma, só trocando o ponto de exclamação pelo arroba. Como alguém tão descuidado trabalhava no departamento de inteligência do NIS?
Parece que o aplicativo móvel conectado à conta também enviou uma notificação de login. A janela do mensageiro, que estava quieta, começou a piscar sem parar.
[Veterano.]
[Veterano?]
[Veterano?]
[Veterano, por favor, respondeㅠㅠ]
[O quê? Não disse que estava ocupado?]
[Sua personagem melhorou bastante, hein?]
[Tem um monte de itens que eu nunca vi.]
[Por favor, nãoㅠㅠㅠㅠㅠ Não mexe no meu filho.]
[Disse que ia subir de nível.]
Com essa última mensagem, ele não respondeu mais. Ignorou a janela do mensageiro que continuava piscando. Enquanto examinava a interface atualizada, o telefone tocou de repente. O remetente era, como sempre, Yoon Jong-woo. Quando ele apertou o botão de atender, ouviu uma respiração ofegante.
—O quê, seu idiota. Não disse que estava ocupado?
—É só para comer junto, certo? Eu tenho que ir embora até às 11, sem falta.
Ele riu. Imediatamente, saiu do jogo e repreendeu Yoon Jong-woo.
—O veterano vai pagar um jantar depois de tanto tempo, e você me faz passar por isso? Me faz parecer uma pessoa ruim.
—Por que o senhor tinha que pagar justo hoje?
—Porque eu quero beber hoje.
Foi uma afirmação bastante egocêntrica. A respiração de Yoon Jong-woo ficou ainda mais ofegante. Embora não pudesse ver, ele devia estar arrancando o cabelo e tremendo de raiva.
—Vai trabalhar, ele disse e desligou o telefone unilateralmente. Aproveitando, ele olhou para o telefone, mas não havia novas mensagens.
—
Depois do expediente, eles se sentaram num restaurante de churrasco nas proximidades. Yoon Jong-woo resmungou, dizendo que ele só ia pagar carne de porco, mas devorava cada pedaço de barriga de porco que era grelhado. Seus olhos, no entanto, não paravam de olhar para o laptop ao lado dele. O jogo estava em andamento automaticamente. O que havia de divertido em ver o personagem lutar e ganhar experiência sozinho? Kwon Taekjoo simplesmente não conseguia entender.
—Ei, a carne vai esfriar.
—Estou comendo.
Ele ignorava a carne que estava quase queimando e colocava na boca pedaços que mal haviam perdido a cor crua. Ele nem parecia estar olhando para a chapa. Será que era assim que se sentia ao comer com um filho adolescente desobediente?
Ele olhou com desaprovação e preparou um *ssam*. Então, estendeu-o a Yoon Jong-woo, dizendo “Ah”. Yoon Jong-woo, sem suspeitar, abriu a boca. Ele estava tão concentrado na tela do jogo que parecia ter esquecido quem estava ao seu lado. Suas bochechas incharam enquanto ele mastigava vigorosamente. Mas logo, o movimento de sua mandíbula desacelerou drasticamente. Seu rosto, que estava calmo, ficou vermelho como se fosse explodir. Era por causa do *ssam*, que não tinha nem um pedaço de carne, apenas pimenta cheongyang e alho cru.
—Ugh! Uh!
Ele tapou a boca, que ardia, e correu de um lado para o outro. Procurando água desesperadamente, ele agarrou o copo de Kwon Taekjoo. Mas a soju não apagaria o fogo em sua boca. Yoon Jong-woo, gritando silenciosamente, recebeu um prato vazio de Kwon Taekjoo, que disse para ele cuspir. Mas ele balançou a cabeça firmemente e engoliu o que estava na boca. Dizia que, pensando nos pais que trabalhavam na agricultura, não podia jogar fora nem um grão de arroz. Por causa dessa penitência, seus olhos estavam cheios de lágrimas. Sua ponta do nariz também estava vermelha.
—Viu só? Não disse para não se distrair enquanto come?
—Ha, ha. O senhor fez isso de propósito!
—Se eu tivesse feito sem querer, seria?
Ele respondeu com descaramento. Ignorando o olhar de reprovação, ele continuou a dar sermões.
—Se estivesse numa operação, você teria morrido envenenado. Ainda aceitaria a água e seria executado.
—Eu não vou a campo mesmo.
—Você acha que decide isso?
—O que há de impossível? No fundo, se não fosse o veterano…
Yoon Jong-woo, que estava prestes a se irritar, fez uma expressão de quem tinha cometido um erro. Kwon Taekjoo, rindo, disse:
—Então, quem mais eu tenho em quem confiar, além de você? Estou morrendo sozinho, sem parceiro. Se der merda, você vai ter que me dar apoio e cobertura. Não é para isso que serve um subordinado?
—Ah, sério! Então eu peço demissão no mesmo dia.
Ele achava graça da preocupação séria do outro e continuava a provocá-lo. Então, de repente, perguntou se ele queria *naengmyeon*. Era uma tentativa de acalmá-lo.
—…*Mul-naengmyeon*.
Yoon Jong-woo, que estava resmungando, também se acalmou rapidamente. Com medo de ser enganado de novo, ele fechou o laptop obedientemente.
Na verdade, ele não se lembrava da última vez que tinham se sentado assim, exceto na hora do almoço. Com as viagens de Kwon Taekjoo, era difícil se verem a menos que marcassem um horário. Mesmo assim, no passado, ele costumava chamá-lo como agora, mas ultimamente, não conseguia fazer isso. E a culpa era inteiramente de Zhenya. Em algum momento, tornou-se natural passar o tempo fora do trabalho com o desgraçado.
—Veterano, o senhor está se sentindo solitário ultimamente?
Yoon Jong-woo perguntou de repente. Seus olhos já estavam estreitados.
—O que é isso, do nada.
—É que o senhor está estranho, insistindo assim. Quer que eu marque um encontro para você?
—Que mulher você conhece?
—Se não der, posso apresentar minha irmã…
—Você quer me apresentar sua família para não ter que beber com seu chefe?
Que idiota, ele disse e bebeu mais. Yoon Jong-woo rapidamente encheu o copo vazio.
—Nunca se sabe, não é? O destino é coisa séria. Se minha irmã não der, tenho uma prima, e se ela não quiser, posso apresentar uma amiga dela…
—Quer romper com sua família?
—Não, por quê! O que há de errado com o veterano! Tem estabilidade no emprego, ganha bem para um funcionário público, é alto, tem um pau grande, corpo bom e ainda é bonito. O fato de ser um pouco rígido e ter mau gênio… bem, isso, ele não vai tentar competir com a namorada, vai?
—O seu talento para elogiar e ao mesmo tempo criticar é notável.
Como se tivesse sido pego, ele desviou o olhar. Então, bebeu o resto da soju. Kwon Taekjoo olhou para ele com desaprovação e pegou a garrafa de soju. Yoon Jong-woo estendeu o copo com mais cortesia do que nunca.
—E você? Não namora? Está na idade.
—Eu sou um defensor do celibato, apesar da aparência.
—O que isso tem a ver com namoro?
—Se eu namorar, posso querer casar.
—Isso não é necessariamente…
—Uau, que homem mau. Diz que namoro e casamento são coisas separadas?
—Claro que são separados. Eu não sei se a outra pessoa quer casar comigo também.
—Se você realmente ama, não tem tempo para pensar nessas coisas, não é? Dizem que se você não quer mandar a pessoa para casa e quer ficar junto para sempre, você casa.
—Se não quer mandar para casa e quer ficar junto, é só ficar junto. Não é case a esmo. Casamento não é chamado de realidade à toa. Funcionário público? O que é isso? Vivo na corda bamba, pensando em quando vou largar tudo, ganho mais em salário de risco do que em salário-base, não posso dizer onde ando ou o que faço, passo mais tempo fora do que em casa. Se tiver um filho, vou ter que criá-lo sozinho, e se eu morrer, o governo não vai nem recolher meu corpo, que dirá me tratar como herói. Que mulher ia querer?
—…….
Os lábios de Yoon Jong-woo se contraíram. Como tudo era verdade, ele não podia contestar. Kwon Taekjoo despejou o resto da soju em seu copo.
—Pessoas como nós, se contarmos a verdade, violamos as regras do trabalho; se escondermos, é um casamento fraudulento.
—Não está errado, mas é meio injusto. Não estamos ali por dinheiro, estamos nos desgastando e consumindo nossa saúde mental pelo país.
—Ainda não é tarde. Fuja.
—Eu sou um defensor do celibato, de qualquer forma. E não sou um agente de campo como o veterano.
Yoon Jong-woo, que resmungava, fez uma pergunta bastante séria.
—Até quando o senhor pretende trabalhar?
—Não sei.
—Sua mãe não te pressiona para casar? Você é o único filho dela.
—Claro que sim. Ela diz que se um homem casa tarde, a criança pode não nascer saudável. Na cabeça dela, ela já me casou e está segurando os netos.
—Você também é um defensor do celibato?
—Não? Nunca pensei nisso, na verdade.
—Hmm. E se você procurasse um emprego mais estável do que o atual? Aí não teria motivo para evitar o casamento.
—Isso é mais fácil falar do que fazer.
—O senhor fala fácil comigo.
—Porque você disse que não se adapta.
—É só o senhor não me chamar para o campo!
—Só tenho você em quem confiar…
—Ah, pare com isso também.
Não era para tanto.
Logo, o *naengmyeon* que ele havia pedido chegou. Yoon Jong-woo, com uma expressão aborrecida, colocou rapidamente vinagre e mostarda, e cortou o macarrão em pedaços fáceis de comer. Então, por educação, perguntou se ele queria provar. Assim que Kwon Taekjoo negou com a cabeça, ele pegou uma porção generosa de macarrão e a sorveu. Num piscar de olhos, uma tigela de *naengmyeon* havia sumido.
—Ah, devia ter pedido o comum. A porção é pequena.
—Isso não é *naengmyeon* de sobremesa.
—Mentira.
Olhando para Yoon Jong-woo, que negava, ele estalou a língua e pediu mais uma tigela de *naengmyeon*, duas porções de carne e duas garrafas de soju. O rosto de Yoon Jong-woo parecia o mais feliz do mundo. Se ele paga, ele come bem assim, então por que estava fazendo tanto auê antes?
Yoon Jong-woo abriu a soju que chegou primeiro e encheu o copo de Kwon Taekjoo.
—Sinceramente, o veterano poderia passar de primeira em qualquer empresa de segurança, não é? Até a Casa Azul ia querer te contratar.
—Esse tipo de trabalho tem protocolo complicado, não posso fazer o que quero. E, na verdade, é só para manter as aparências, não tem muito trabalho físico.
—Não entendo como alguém procura sofrer assim. Se quer tanto usar o corpo, vá para o exterior. Lá tem trabalho que paga muito e é perigoso.
—Do outro lado, ou é por dinheiro ou por causa. Pelo menos se eu pensar que estou sendo patriota, me sinto menos culpado na hora do acerto de contas. Se for só por dinheiro, não consigo, fico desiludido.
—Então abra uma academia e malhe até morrer.
—Isso não tem a emoção do campo.
—Uau, o senhor é mesmo estranho.
Ele o repreendeu, ficando chocado.
—É por isso que sua mãe fica preocupada, veterano. Ela não quer uma nora ou neto, ela só quer que você se estabeleça, não é?
—Se eu casar, vou me estabelecer automaticamente?
—Pelo menos você não vai pensar em trabalhar pelo prazer de usar o corpo. Mesmo que seja seu corpo, ele não será inteiramente seu. Com uma família como coelhos, eles não vão ficar na sua frente?
Bem, ele nunca tinha pensado nisso. Como nunca tinha experimentado, era difícil imaginar. Se ele tivesse uma família, e mais pessoas para proteger, será que ele realmente mudaria? Será que a vida focada apenas na segurança não o sufocaria? Será que um senso de dever tão privado e familiar, como o de marido e pai, poderia satisfazer sua sede interior?
Enquanto fazia essas perguntas a si mesmo, ele riu de repente. Foi porque Zhenya veio à mente. A existência do desgraçado estava tão enraizada em sua mente que bloqueava qualquer pensamento profano.
É, o que ele iria fazer com uma família de coelhos? Melhor se resignar do que ser devorado pelo desgraçado por fazer bobagens.
Yoon Jong-woo perguntou o que foi. Ele balançou a cabeça como se não fosse nada.
—A propósito, como está sua mãe? Faz tempo que não a vejo. Antes, eu costumava ir com o veterano e comer lá.
—Ela estava falando de você outro dia. Disse para eu te levar quando tiver tempo.
—O quê? Mas por que não me disse?
—Ah… é que minha mãe arranjou uma melhor amiga ultimamente.
—E daí?
—Você ia odiar se fosse. Você também não ia achar graça.
—Por que a melhor amiga da sua mãe iria me odiar? E o que quer dizer com eu não ia achar graça…
—Coisas assim.
Ele se esquivou. Na mesma hora, o *naengmyeon* e a carne chegaram. Ele rapidamente passou o *naengmyeon* para Yoon Jong-woo, desviando sua atenção. Também colocou a carne na chapa, grelhando e cortando freneticamente. Yoon Jong-woo, concentrado em comer, não insistiu mais.
Quando a carne estava toda grelhada, ele largou as pinças. Yoon Jong-woo, que já tinha terminado o *naengmyeon*, encheu os copos com discrição.
—Posso fazer uma pergunta?
—O quê.
—Sempre tive curiosidade. O que você é daquele russo?
A pergunta inesperada o fez hesitar. Mas logo ele inclinou o copo como se nada tivesse acontecido. Bebeu a soju de um gole e colocou o copo vazio sobre a mesa.
—O que eu sou? Apenas nos encontramos por acaso, quase nos matamos, acabamos nos ajudando de vez em quando… e aí aquele desgraçado veio como embaixador, então a gente se vê de vez em quando. É mais ou menos isso.
—Uau, o ódio realmente é uma coisa assustadora. Como você pode ser amigo de um assassino daqueles…
A voz de Yoon Jong-woo, que tagarelava sem pensar, foi diminuindo. Ele estava prestes a perguntar por que ele estava tão cauteloso, mas então ouviu seu resmungo.
—…Bem. O veterano não é muito diferente.
—Ei, isso é falta de respeito. Você está me comparando com aquele desgraçado?
—Ele também é humano, mas… enfim.
Com o passar dos anos, sua língua só se afiava, respondendo na mesma moeda.
Se até o desatento Yoon Jong-woo tinha dúvidas, a relação com Zhenya devia ser realmente estranha. Certamente, à primeira vista, era difícil adivinhar que tipo de relação eles tinham, e, se soubessem os detalhes, entenderiam ainda menos. Não era a primeira vez que ele quase morria pelas mãos de Zhenya. E agora, ele estava transando com aquele desgraçado só de trocar olhares; a vida é mesmo imprevisível.
Depois disso, a conversa mudou para a família de Yoon Jong-woo, as notícias do chefe Im, e as reclamações sobre o trabalho. Enquanto conversavam, beberam uma ou duas garrafas de soju, e logo as duas garrafas acabaram. Quando Yoon Jong-woo perguntou se queria mais, ele negou com a cabeça.
—Não. Você vai pra casa agora.
Yoon Jong-woo, surpreso, arregalou os olhos. Ele imediatamente verificou as horas no telefone. Não satisfeito, ele olhou para o relógio na parede.
—Ainda não são nem 10 horas.
—Você tem que ir pra casa, leva tempo. E tudo bem jogar, mas é melhor tomar banho e fazer as tarefas domésticas antes.
Ao ouvir o conselho, ele exagerou na reação.
—Veterano, o senhor está me vigiando? Instalou câmeras na minha casa?
—Não preciso fazer isso, é óbvio.
Ele jogou uma folha de perilla rasgada e disse “Vai”. Yoon Jong-woo, que estava pensando lentamente, levantou-se sem hesitar. Então, com uma postura elegante, fez uma reverência profunda.
—Então vou indo. Obrigado pela comida de hoje. Amo você, veterano.
Ele fez um coração com as mãos e saiu correndo. Com medo de ser pego de novo, ele nem olhou para trás. Observando Yoon Jong-woo fugir, ele riu.
Já eram quase 10 da noite. Quando ele ia se levantar, sentiu uma pontada de arrependimento. Chamou o funcionário que estava arrumando a mesa ao lado.
—Pode apagar a luz aqui, por favor. E me traz mais uma garrafa de soju.
Ele bebeu sozinho. Fazia muito tempo que ele não passava um tempo sozinho, fora de uma viagem de negócios. Como ele tinha vivido até então? Depois que entrou no NIS, sua vida perdeu o sossego. Terminava um trabalho, e outro já o esperava. Não era raro ele ir direto de um local de trabalho para outro. Até nos dias de folga, ele mal tinha tempo para se recuperar.
Mas, no início de sua carreira, ele encontrava amigos, colegas da faculdade e veteranos das forças especiais, mesmo que tivesse que arranjar tempo. Naquela época, ele tinha tempo para isso, e era cheio de entusiasmo por amizades e lealdade. O problema era que, em qualquer encontro, todos queriam saber como ele estava. Uma ou duas vezes, ele podia inventar desculpas, mas mentir constantemente só o deixava desconfortável.
Depois que perdeu o status de novato, a carga de trabalho aumentou e ele nunca podia descansar quando os outros descansavam. Com isso, ele quase não comparecia a eventos importantes como casamentos, funerais, encontros de ex-alunos e festas de primeiro aniversário. As vezes que passou o feriado em casa também se contam nos dedos.
Por um tempo, ele andou com um “desculpe” na ponta da língua. Todos diziam que estava tudo bem, mas como uma relação baseada em pedidos de desculpas poderia se manter saudável? As comunicações se tornaram esporádicas, e ele raramente respondia às mensagens, o que o afastou das pessoas. Ele perdeu o telefone várias vezes durante as operações, então quase não tinha contatos. Embora zombasse de Zhenya por não ter amigos, o próprio Kwon Taekjoo não era muito diferente. Se ele morresse em serviço, as pessoas só saberiam depois, e diriam: “Ouvi dizer que ele morreu”. Ele não se preocupava com a possibilidade de seu funeral ser vazio. Na verdade, ele já seria sortudo se seu corpo fosse recolhido.
Ele riu com amargura e bebeu um gole. Ficar sozinho trazia muitos pensamentos. Até recentemente, ele não tinha tempo para ter esses pensamentos. A carga de trabalho continuava pesada, e Zhenya se intrometia nessa rotina apertada.
—…Quando eu reclamava, ele estava aqui.
Ele reclamava que o desgraçado o seguia para todo lado, mas agora que ele havia sumido, não havia notícias. Quão grande evento estaria por vir?
De repente, a soju perdeu o sabor. Ele pensou em fumar e saiu da loja. Numa loja de conveniência próxima, comprou o maço de cigarros que costumava fumar. Acendeu um, deu uma tragada funda e olhou para o maço. Parecia sem graça, como se não fosse o mesmo sabor. Ele já estava acostumado com os charutos artesanais.
Apenas um ano. O quanto ele tinha sido influenciado por aquele desgraçado, Zhenya? Quando ele estava por perto, ele não percebia, mas depois que ele desapareceu, ele sentiu isso de uma forma inacreditavelmente clara.
Ele terminou um cigarro rapidamente e ia pegar outro. Foi quando o telefone, que estava mudo, tocou. Ele pensou que o desgraçado ia aprontar de novo.
Mas a tela mostrava um número desconhecido. Normalmente, ele pensaria que era telemarketing e não atenderia. Na Coreia, não haveria um grupo com coragem suficiente para sequestrar Zhenya. Talvez alguém tivesse discado o número errado.
Então, ele pensou: será que telemarketing liga depois da meia-noite? A menos que fosse alguém muito próximo ou uma emergência, ninguém se atreveria a ligar tão tarde.
Decidiu atender e, se fosse o caso, desligar.
—Alô.
— Kwon Taekjoo?
A voz que perguntou diretamente era bastante familiar. Mas não era um número salvo, então ele não baixou a guarda.
—Sou eu. Quem é?
— Uau, é você mesmo? Sou eu, Chan-woo.
Chan-woo. Kang Chan-woo? Ele pensou no nome familiar. Certamente havia um sujeito assim na faculdade. Sociável e extrovertido, foi representante da turma desde o primeiro ano. Ele se lembrava de ter ouvido falar que ele tinha se casado há alguns anos.
Não eram exatamente amigos próximos, então ele se perguntou o que ele queria.
—Ah, é. Faz tempo.
— Quase 10 anos, uma eternidade. Mas você está vivo, hein? Ninguém que mantém contato com você, só se ouvia falar que você estava sumido há anos, pensei que algo tinha acontecido. Dizem que notícia nenhuma é boa notícia. Tá bem?
Ele ainda era tagarela. Não precisava imaginar o que estava sendo dito nas costas dele. Durante a faculdade, ele sempre foi alvo de fofocas. E ainda por cima, abandonou a faculdade. Vários boatos devem ter circulado. Talvez ele tenha se tornado o protagonista de uma velha lenda que começa com “Aquele veterano antigamente”.
Nesse meio tempo, ele estava mais curioso para saber como Kang Chan-woo conseguiu seu número de telefone do que sobre o motivo da ligação. Seu vício profissional estava em estágio terminal.
—Contrariando as expectativas, estou vivo e bem. Foi só por isso que ligou?
— Seu idiota, desconfiado. Não é expectativa, é preocupação. Você largou a faculdade sem motivo e ficou sumido. Como você está? Já casou?
—Não. Ocupado tentando sobreviver.
— Fazendo o quê?
—Tenho meu trabalho. Você não precisa saber.
— Ha, seu personagem não mudou. A gente precisa se ver, os caras estão curiosos sobre você.
—Todo mundo vive do mesmo jeito, o que há de tão curioso?
— Você está perguntando na moral? Querem ver se aquele Kwon Taekjoo também virou um tiozão normal. Na verdade, combinamos de nos ver antes do Chuseok. Foi difícil alinhar as agendas.
—E daí?
— O que tem? Você também vem, seu idiota. Seja o que for que você faça, você deve ter tempo antes e depois do feriado.
Ele estava prestes a recusar, mas Kang Chan-woo acrescentou rapidamente.
— Em outras ocasiões, tudo bem, mas neste encontro você tem que vir.
O que isso quer dizer? Kwon Taekjoo estudou engenharia mecânica. A maioria dos colegas era homem, e eles não se interessavam pela vida uns dos outros. Ele também não estava particularmente curioso. Mesmo assim, qual seria a razão para insistir?
Quando a dúvida estava no auge, Kang Chan-woo continuou.
— Ouvi dizer que Nahyun vai aparecer. Ela vai se casar em breve. Quer dar uma olhada antes disso.
Outra pessoa, que ele havia esquecido, veio à mente.
—
—Kwon Taekjoo.
Ele levantou a cabeça ao ser chamado. Os colegas com quem estava comendo também se voltaram para quem falara. O barulho ao redor diminuiu como num passe de mágica.
Quem apareceu na frente do grupo foi Yoo Nahyun. Ela era uma das únicas três mulheres entre os 150 alunos do primeiro ano do Departamento de Engenharia Mecânica e de Informação da Universidade Coreana. Como a chamada —bela da engenharia’, recebeu atenção de veteranos, colegas e calouros antes mesmo de entrar, e continuou até a formatura. E naquele dia, naquele lugar, falar sobre ela era um assunto recorrente. Os que a usavam como foco de conversa calaram a boca e observaram a interação dos dois.
—Sou Yoo Nahyun.
A apresentação repentina o fez inclinar a cabeça. Afinal, já estávamos no segundo semestre. Todo mundo falava sobre ela, então Kwon Taekjoo também a conhecia. Ele só não tinha interesse, como a maioria.
—E daí?
—Posso sentar aqui?
—Fique à vontade.
Ele aceitou com indiferença. Afinal, cada um comia sua própria comida; não importava quem se sentasse ao lado. Yoo Nahyun colocou a bandeja na frente dele. Só então os outros caras do grupo começaram a puxar conversa. Perguntavam sobre as disciplinas eletivas, se os trabalhos das matérias principais estavam prontos, onde estava a amiga com quem andava… todas perguntas banais.
Yoo Nahyun respondia superficialmente enquanto olhava fixamente para Kwon Taekjoo. Ele, concentrado apenas na comida, não se juntava à conversa. Mesmo com alguém sentado à sua frente, olhando-o com insistência, ele era extremamente indiferente.
—Quero fazer o trabalho em dupla com você.
A declaração inesperada fez o silêncio voltar. Os outros caras do grupo, rolando os olhos, observavam a situação. Alguns riam maliciosamente, outros já se decepcionavam.
Finalmente, Kwon Taekjoo encarou Yoo Nahyun.
—Comigo? Por quê?
—Você tem as melhores notas. Queria ver como o primeiro colocado faz os trabalhos.
O tom de Yoo Nahyun era um tanto desafiador. Não era um pedido para fazer o trabalho juntos, parecia mais um desafio. Ele sabia que ela tinha ficado em segundo lugar no primeiro semestre. Mesmo sem prestar atenção, os outros falavam tanto que era impossível não saber. Mas ele não a encarava como rival. Para ele, as notas eram uma questão de classificação, não de posição.
Por isso, recusou a oferta de Yoo Nahyun.
—Desculpa, melhor você procurar outra pessoa.
—Por quê?
—Porque não posso fazer do meu jeito. Não consigo me adaptar aos outros.
Com a resposta definitiva, Yoo Nahyun ficou atônita. A maioria das pessoas evitava trabalhos em grupo com pessoas passivas, pois a chance de acabar fazendo tudo sozinho aumentava. Kwon Taekjoo era diferente. Ele preferia membros de equipe que se adaptassem a ele, em vez de membros dominadores. Isso aumentava sua carga de trabalho, mas garantia que o resultado não seria insatisfatório.
—Vou indo, ele disse, levantando-se com a bandeja vazia. Atrás dele, outros caras disputavam para fazer o trabalho com ela. O olhar de Yoo Nahyun o seguia teimosamente. Mas, como ele não estava a fim, não havia o que fazer.
A partir daquele dia, Yoo Nahyun aparecia de repente onde quer que ele estivesse, pedindo para fazer o trabalho juntos. Como muitos viram isso, os boatos de que eles estavam se pegando ou namorando se espalharam. A maioria era de má qualidade.
As alunas na faculdade de engenharia sempre recebiam atenção excessiva. Eram tratadas como princesas, mas os caras competiam entre si para se aproximar. Quando eram rejeitados, as depreciavam com palavras sujas. Havia um interesse especial em suas vidas amorosas. Viviam especulando se tinham namorado, há quanto tempo, quando terminariam. Se andassem com um homem desconhecido ou se atrasassem, trocavam piadas de mau gosto.
Era difícil para as alunas se concentrarem nos estudos. Alguém como Yoo Nahyun, que tirava boas notas, acumulava ainda mais rótulos. Se se desse bem com todos, diziam que ela bajulava os veteranos para conseguir provas. Se mantivesse distância, era chamada de fria.
Kwon Taekjoo era quase o único na faculdade que não demonstrava interesse pelas alunas. Não importava o quanto falassem sobre elas, ele nunca dava sua opinião. No primeiro ano, como a maioria, ele se dava bem com todos, e por causa da sua situação familiar, era respeitoso com os veteranos, o que o tornava popular. Mas, quando o assunto surgia, ele se mantinha totalmente alheio. Não achava graça alguma naquelas fofocas. Talvez isso parecesse especial para as alunas.
Foi por isso, talvez. Yoo Nahyun persistiu em segui-lo. Na hora do almoço, na biblioteca, nas aulas, até na quadra de basquete. Ela o observava jogar sob o sol forte e, depois que ele suava, pedia para fazer o trabalho juntos.
Yoo Nahyun tinha entrado como a primeira colocada, então era inteligente. Bonita, corajosa e sociável. Não era de admirar que alguém assim chamasse a atenção. O problema é que, quanto mais se falava, mais a história se distorcia. Havia tantos boatos ruins quanto elogios. Os boatos sobre ela seguindo Kwon Taekjoo também deviam ser inúmeros. Sabendo disso, ele não podia recusar sempre.
A partir daquele trabalho em dupla, eles começaram a andar juntos com frequência. Parece que se sentiam confortáveis, cada um priorizando seus próprios assuntos e sendo indiferente ao resto. Os boatos de que namoravam se espalhavam, mas não importava. Yoo Nahyun parecia preferir lidar com um único alvo. Na verdade, com o boato de que namoravam, o assédio a ela diminuiu bastante.
Se a vida universitária fosse uma maratona, os dois eram bons parceiros de treino. Alternavam entre primeiro e segundo lugar e frequentemente faziam trabalhos juntos. Contrariando as expectativas de Kwon Taekjoo, as opiniões deles se alinhavam bem. Durante os exames, quem chegasse primeiro à biblioteca guardava lugar para o outro. A maioria das refeições era no restaurante universitário, mas quando ficava muito tarde, comiam nos restaurantes próximos.
Mas, fora da universidade, cada um seguia seu caminho. Nunca se encontraram fora da faculdade. Yoo Nahyun tinha aulas particulares quase todos os dias. Parece que pagava não só a mensalidade, mas também as despesas. Kwon Taekjoo fazia bicos de vez em quando e, no tempo livre, fazia exercícios. De vez em quando, ia a lan houses ou sinucas com os amigos. Eles se pareciam em muitos aspectos, mas também eram diferentes.
No início do segundo ano, mais da metade dos colegas havia sumido. Por causa do serviço militar. Embora seja melhor ir o mais cedo possível, ele queria ser cauteloso. Já que ia, queria que fosse significativo.
A pergunta mais frequente naquela época era
—Quando você vai servir?. Yoo Nahyun não era exceção.
—Você não vai servir?
—Todo mundo está preocupado. Vou. Claro que vou.
—Quando?
—Hmm… depois do segundo ano?
—Que bom.
—O que foi?
—Coisas assim. Vou indo pra casa. E você?
—Vamos.
Depois de estudar até tarde, eles se levantaram. A longa escadaria da biblioteca central até o portão principal estava iluminada por postes de luz. Já não havia pessoas, o silêncio era total, e o som de grilos vinha de longe. Normalmente, eles conversavam sobre isso e aquilo, mas naquele dia Yoo Nahyun estava quieta. Seu rosto também não estava muito brilhante, como se algo estivesse errado. Nesses momentos, Kwon Taekjoo não era do tipo que puxava conversa. Ele apenas ficava em silêncio, fingindo que não via.
Quando chegaram ao patamar intermediário, Yoo Nahyun, que ia na frente, virou-se.
—Quer namorar comigo?
—É um novo golpe? Tentar me deixar confuso pedindo para namorar, para ficar com o primeiro lugar?
Ele ficou atônito. Yoo Nahyun riu, como se tivesse sido pega. Com aquela reação leve, ele achou que era brincadeira.
Ele passou por ela e desceu a escada primeiro. Por alguma razão, Yoo Nahyun não o seguiu imediatamente. Então, de repente, ela correu e se aproximou, batendo nas costas de Kwon Taekjoo com o punho. Ele virou e perguntou o que foi, e ela estava sorrindo.
—Namora comigo, Kwon Taekjoo.
Estava tão escuro que ele não conseguia ver o rosto de Yoo Nahyun. Mesmo assim, parecia que suas bochechas estavam coradas.
—
—Isso é namorar?
Resmungando, ele se jogou no sofá. Jogou o telefone, que estava olhando por hábito. Mesmo inspirando e expirando fundo, a sensação de sufocamento no peito não passava. Sua cabeça também estava tonta. Ele se jogou para trás. Seus olhos semicerrados se fechavam e abriam lentamente. O teto alto parecia girar devagar.
Depois de falar com o colega Kang Chan-woo, ele bebeu mais duas garrafas sozinho. Relembrando que ele também teve uma época normal.
Como era tarde, ele não foi para casa da mãe, mas direto para a de Zhenya. Seus pés o levaram naturalmente até lá. Embora não tivesse feito nada o dia todo, estava muito cansado.
Tudo por causa daquele maldito Zhenya. Ele disse que ia à Rússia por um tempo, mas não disse por quê, e já fazia mais de duas semanas que ele não pensava em voltar. Se fosse se atrasar, que pelo menos avisasse. Preocupa as pessoas. Nem mesmo um animal de estimação seria tão irresponsável.
Se estivessem namorando, ele teria todo o direito de ficar com raiva. Claro, nem Zhenya nem ele tinham pedido para namorar. Mas passavam a maior parte do tempo juntos, voluntária ou involuntariamente, não ficavam com outras pessoas, e só de trocar olhares já transavam. Não era namoro? Acima de tudo, o próprio Zhenya vivia dizendo coisas constrangedoras como *zayinka* e amante. Isso significava que o desgraçado também via a relação dessa forma. Será que isso é coisa de amante?
Houve um tempo em que ele pensou que Zhenya se intrometia demais, às vezes a ponto de atrapalhar seu trabalho, e desejava que ele também estivesse ocupado ou sumisse por um tempo. De certa forma, seu desejo se tornou realidade. E agora ele estava aqui, resmungando de novo. Assim, ele reclama de tudo. O ser humano é realmente engraçado.
—…Dizia ser sua linha de vida. Seu filho da puta, só fala. Porra.
Ele resmungou com irritação e bagunçou o cabelo. Ele devia se levantar e tomar banho, mas não queria se mexer. O sofá era muito confortável.
Depois de um ano indo e vindo, ele se acostumou tanto com a casa que se sentia tão confortável quanto no seu próprio quarto. Ele sabia onde ficava tudo, mesmo de olhos fechados.
Nos dias de folga, ele passava quase todo o tempo ali. Assim que entrava, ou mesmo antes, começavam os beijos, que naturalmente levavam ao sexo. Não só no quarto, mas na sala, no banheiro, na cozinha, até na garagem e na varanda. Se preocupando com as persianas ligeiramente abertas a cada movimento.
No dia seguinte, ele ficava no sofá. Como quando ia à Ilha Ajinokki, parecia que ele havia se acostumado a ficar deitado perto do fogão. Pedia comida delivery, sentava-se usando Zhenya como almofada, e esperava a comida chegar enquanto assistia TV ou lia um livro. À primeira vista, parecia duro, mas nesses momentos o desgraçado também relaxava, então era bem macio. Os músculos relaxados eram surpreendentemente fofos.
Nesses momentos, o desgraçado envolvia a cintura de Kwon Taekjoo com os braços e esfregava a cabeça em sua nuca, orelhas e nuca. Como se quisesse confirmar seu cheiro. Claro, nunca terminava só nisso. A mão do desgraçado, que sutilmente percorria sua cintura, logo chegava ao abdômen e depois agarrava e amassava seus seios. O que começava como um roçar de nariz na pele, logo se tornava mordidas no pescoço e nas orelhas.
—Ei. Você não acha que tem um apego mal desenvolvido? Aquele desvio na sua cabeça e essa obsessão por peitos…
—É assim que se fica com apego insuficiente? Então, a partir de agora, vou ter que desenvolver esse apego direito.
—Não é isso que eu quero dizer, seu idiota. Você já está atrasado. Para de amassar, está doendo.
—Você diz que não gosta, mas gosta quando eu toco.
Ah, será que você prefere que eu chupe?
Murmurando com um tom lascivo, o desgraçado não teve dificuldade em deitar Kwon Taekjoo no sofá. Então, levantou sua camiseta e enfiou a cabeça. O mamilo, que já se eriçava só de roçar no tecido, foi sugado com força. Ele se debateu, mas não conseguiu escapar. A tortura do desgraçado só terminava quando o pênis de Kwon Taekjoo ficava duro. O pênis do desgraçado já estava ereto há muito tempo.
—Seu louco. Pare de ficar duro toda hora.
—Não é algo que eu controle. É um reflexo condicionado.
Enquanto ele se defendia com descaramento, seu rosto mudou subitamente.
—Taekjoo, ele chamou com um tom lânguido, criando o clima. Quando ele recuperava o juízo, já estava gemendo, esmagado pelo desgraçado. O interfone tocou, mas eles não podiam se importar. A comida delivery foi esquecida e deixada na porta.
Será que é assim que se sente quando um demônio suga sua energia vital? É vago, mas ele podia entender um pouco.
—……!
Naquela hora, o telefone tocou de repente. Ele se assustou, imerso em lembranças. Achou que era engano, mas sentiu uma vibração clara do telefone jogado longe.
Ele pegou o telefone imediatamente. Mas logo perdeu as forças. A chamada era da mãe. Ele havia dito que ia beber com Yoon Jong-woo, e ela provavelmente queria saber quando ele voltaria.
Suspirando baixinho, ele passou a mão no rosto. O cansaço que ele havia esquecido o dominou. Ele pigarreou uma vez e atendeu.
—Alô, mãe. Eu disse para a senhora ir dormir primeiro, por quê?
Como esperado, sua mãe perguntou onde ele estava e se ainda estava bebendo. Embora fosse sábado e ele não tivesse que se preocupar com o trabalho, ela parecia preocupada com a hora tardia.
—Sim. Acabei demorando. Vou dormir na casa do Jong-woo hoje e volto amanhã. Não se preocupe, vá dormir.
Ele desligou a chamada rapidamente e jogou o telefone de lado. Passou as mãos pelo rosto lentamente. Um suspiro escapou.
Então, balançou a cabeça e se levantou. Foi para o quarto e mergulhou na cama larga. A cama o recebeu sem hesitar.
—Maldita cama grande.
Ele enterrou a cabeça no travesseiro macio e resmungou. Parecia sentir o cheiro de Zhenya nos lençóis. Como o desgraçado trocava os lençóis quando se sujavam, podia ser impressão.
O sono o dominou. Suas pálpebras se fecharam. Antes, quando ele acordava aqui, via o rosto de Zhenya. Ele costumava ir tomar banho primeiro, ou cozinhar macarrão na cozinha sem ser pedido, mas em algum momento ele começou a ficar ao lado até Kwon Taekjoo acordar. Ele observava seu rosto dormindo e, quando ele abria os olhos, o atacava com contato físico.
Às vezes, Kwon Taekjoo acordava primeiro. Essas eram as oportunidades para observar o rosto manso do desgraçado. Seu rosto dormindo parecia inofensivo e até puro. Cada uma de suas feições era vistosa, e ainda assim ele parecia assim.
Ele ficava imóvel, com medo de acordá-lo, observando seu rosto. Às vezes, segurava o telefone e tirava fotos escondidas.
Quando será que o desgraçado percebeu? Ele frequentemente fingia estar dormindo, mesmo já acordado. Suas pálpebras não se mexiam, seus cílios também não, mas ele logo percebia que o desgraçado estava acordado. Por causa da respiração que tremia com o olhar fixo de Kwon Taekjoo.
—O que você está fazendo?
Quando ele o repreendia, o desgraçado erguia as pálpebras com uma rapidez descarada. Então, ria e pedia com arrogância.
—Depois de tanto olhar escondido. Quando você vai me beijar?
—Acho que tem uma fórmula estranha na sua cabeça. Por que você acha que deve beijar alguém que está dormindo ou foi sequestrado? Você está vendo muitos contos de fadas?
—Que falta de clima, Taekjoo. As mulheres iam odiar.
—Não é melhor para você?
Ele baixou a cabeça de repente e beijou os lábios do desgraçado, que estava reclamando. Foi tão inesperado que até o desgraçado hesitou. Ele mordeu o lábio inferior do desgraçado, que raramente ficava imóvel, e pressionou sua língua contra a dele, que normalmente se projetava. Os olhos do desgraçado, que estava sendo dominado passivamente, se curvaram suavemente. Ele naturalmente segurou o rosto de Kwon Taekjoo para mudar de posição. Mas Kwon Taekjoo segurou até sua mão e continuou liderando o beijo. Quando finalmente separou os lábios com um estalo, os olhos cor de vinho do desgraçado estavam satisfeitos.
—Eu também não me importo.
Olhando para ele de cima, ele acrescentou com indiferença. E naquele dia, ele foi beijado até seus lábios doerem. Lembrava-se de ter sofrido por um bom tempo, pois só de abrir a boca já ardia.
Nem tudo foram flores. Eles também brigavam feio. As faíscas quase sempre eram acesas por Zhenya, e o baixo ponto de ignição de Kwon Taekjoo fazia com que até coisas pequenas explodissem. Claro, Zhenya não entendia por que Kwon Taekjoo ficava tão irritado. Ou melhor, ele nem parecia querer entender. O circuito mental do desgraçado, como o de uma criança de cinco anos, girava inteiramente em torno de si mesmo. Ele não se importava com o que estava ao redor. Mesmo quando a culpa era claramente sua, ele não sabia se desculpar. Parecia que não havia base em sua mente para saber o que ou por que ele deveria se desculpar.
Em raras ocasiões, Kwon Taekjoo era o causador. Uma das brigas mais sérias aconteceu em um desses dias.
Foi há pouco tempo. Era o segundo aniversário de Zhenya desde que estavam juntos. Para o desgraçado, que sofria com o calor coreano, eles prometeram passar as férias na Ilha Ajinokki.
O problema era que, naquela época, as relações entre as Coreias estavam tensas. O NIS estava em alerta. Kwon Taekjoo também recebeu uma missão. Ele não teve escolha a não ser adiar um pouco os planos. Como era um período politicamente sensível, ele pediu insistentemente a Zhenya que não se envolvesse. E, em troca, ele o acalmou dizendo que, quando a missão terminasse, faria tudo o que ele quisesse.
Mas a inteligência que ele conseguiu estava contaminada. O alvo, que ele havia perseguido por dias e quase capturado, desapareceu de repente. Ele procurou com afinco, mas o peixe que escapou não voltou. O tempo passou enquanto ele se debatia. A ida para Ajinokki continuou a ser adiada.
Quando recebeu a ordem de retornar, ele teve que se virar com um sentimento de frustração. Foi a primeira vez que ele não conseguiu concluir uma missão.
Zhenya, que havia voltado após algumas semanas, apenas observava Kwon Taekjoo em silêncio, sem dizer uma palavra. Ele tentou não demonstrar. Queria se livrar do arrependimento. Não foi fácil. Seu humor sombrio não mostrava sinais de melhora.
Ele dormiu como se tivesse desmaiado por um dia inteiro. Quando abriu os olhos novamente, Zhenya ainda estava ali, sentado, observando-o. Ele não tentou puxar conversa nem ficar em cima como de costume. Sem dizer uma palavra, Kwon Taekjoo foi ao banheiro. Encheu a banheira de água e ficou submerso.
Ele devia se desculpar com Zhenya, explicar a situação e pedir compreensão, mas não tinha energia mental para isso. Só queria ficar sem pensar em nada, sem se esforçar por nada, por um tempo.
Ele saiu depois de um bom tempo. Zhenya estava sentado no sofá da sala. Seus olhares se encontraram. Por alguma razão, o rosto do desgraçado estava tenso e insatisfeito. Falando nisso, ele vinha ouvindo um zumbido constante de algum lugar. Seguindo o som, seus olhos caíram na mão de Zhenya. O desgraçado estava segurando o telefone de trabalho de Kwon Taekjoo.
Parecia que o quartel-general o havia chamado. Disseram que entrariam em contato se o alvo perdido reaparecesse. Ele só pensou na chance de se redimir. Não havia tempo para pensar no cansaço acumulado ou em Zhenya.
—Me dá.
Ele estendeu a mão sem cerimônia. O rosto de Zhenya esfriou.
—Me devolve.
Ele insistiu com uma voz baixa. Então, o desgraçado, como para exibir, quebrou o telefone de Kwon Taekjoo. O telefone partido em dois foi jogado a seus pés.
Algo em sua mente, que já estava no limite, se rompeu. Foi como se tivesse levado um balde de água fria.
—O que você está fazendo?
—Já acabou, não foi?
—…Perdi o alvo. Por isso a operação foi encerrada temporariamente.
—Então, você vai sair?
Zhenya mostrou seu desagrado abertamente. Kwon Taekjoo se sentiu sufocado. Um suspiro que era quase um lamento escapou.
—É trabalho.
—Isso é tão importante? Esse trabalho?
—Você está falando sério?
A frustração explodiu. Aquele tipo de pergunta, e ele ter que responder a isso. Parecia que o desgraçado estava fazendo um escândalo sem sentido.
—Você não consegue distinguir o que é prioridade? Não é criança, pare de choramingar.
Palavras bastante agressivas escaparam. Por um instante, ele viu o queixo e a testa de Zhenya se contraírem. Seus olhos também se estreitaram perigosamente.
—Será que é preciso explodir toda a península coreana para fazer seu maldito trabalho acabar? Hein?
Ele soltou uma risada seca. Não tinha mais vontade de discutir com Zhenya.
Ignorando-o, ele começou a se vestir. Antes mesmo de abotoar a camisa direito, ele ia sair, mas o desgraçado o chamou.
—Taekjoo, sua voz estava cansada. Ao se virar, o desgraçado estava com a cabeça baixa, segurando a testa com as duas mãos. Seu rosto estava coberto por uma sombra densa.
—Estou lutando contra o desejo de te prender de novo.
Não era uma ameaça vazia. Ele sempre foi assim. Ele apenas havia esquecido. Por um tempo, o desgraçado se comportou bem, e ele pensou que ele também estava se adaptando. Que estava sendo bem domado. Foi um erro de cálculo egoísta e tacanho. O desgraçado apenas estava sendo paciente. Para ele, que não considerava a paz da península coreana ou mesmo a segurança de seu próprio país, isso era provavelmente inútil.
Se Kwon Taekjoo tivesse mantido a cabeça fria, a situação poderia ter sido diferente. Mas naquela época, ele só queria se redimir de seu único fracasso.
—Desculpa.
Ele pediu desculpas sem realmente pedir e se virou. Zhenya não aguentou mais. Levantando-se, ele se aproximou e virou Kwon Taekjoo bruscamente. Seu braço, agarrado pelo desgraçado, doía. A sensação de intimidação que ele sentia antes fez todo o seu corpo se tensionar.
—Não vá.
Seu rosto frio contrastava com seu tom de súplica. Era uma espécie de ameaça. Talvez um aviso para parar, porque ele ia ficar com raiva. Mesmo assim, ele soltou a mão do desgraçado.
—Eu tenho que ir.
Assim que se virou, foi agarrado pelo colarinho. Quando ele o empurrou em desafio, o desgraçado o agarrou pelo pescoço e o jogou contra o espelho da entrada. Com o impacto, sua cabeça zumbiu. A superfície fria do espelho se pressionava contra seu couro cabeludo. Foi uma sorte que não tenha quebrado.
Kwon Taekjoo também não aguentou mais.
—Me solta.
Ele rangeu os dentes e rosnou. Agarrou a mão do desgraçado que segurava seu pescoço. Suas unhas cravaram-se na mão do desgraçado.
—Taekjoo. Pare de testar minha paciência.
—Droga. Se é tão difícil suportar, vai transar com qualquer um! É o seu forte, seu idiota.
Ele disse isso no calor do momento e depois se arrependeu. Na pressa, ele falou sem pensar. Mas o que foi dito não podia ser desdito.
O rosto de Zhenya perdeu toda a cor. A sombra do desgraçado o envolveu completamente. Sua respiração parou. Quando a mão do desgraçado se aproximou, ele encolheu os ombros involuntariamente. O desgraçado hesitou por um instante e então estendeu a mão para agarrar firmemente os dois braços de Kwon Taekjoo. Ele rangeu os dentes. Parecia que seus braços iam quebrar.
—Eu sou tão ridículo assim para você?
Sua voz era vazia de emoção. Como se pedisse uma resposta, a força em suas mãos aumentou.
Enquanto eles se encaravam, o tempo passava. Por causa do desgraçado, ele não conseguia contatar o quartel-general, e sua ansiedade só aumentava.
—Droga, me solta!
Ele gritou e empurrou o desgraçado. O desgraçado, como uma rocha, não se mexeu. Enquanto ele se debatia, atingiu o ombro e o rosto do desgraçado. A mandíbula do desgraçado se tensionou. O clima não era bom.
—Eu estou choramingando? Não, você. Até onde eu tenho que me adaptar a você? Você só me diz o que não fazer. Eu tenho que ficar sentado que nem um cachorro, esperando você me dar comida? Agradecendo por sua misericórdia?
A voz do desgraçado se distorceu. Ele parecia ter perdido a paciência. Quando ele realmente fica com raiva, seus olhos cor de vinho ficam transparentes como cristais. Parecia que tudo o que ele havia contido até então havia explodido. Se continuassem, certamente viraria uma briga grande. Kwon Taekjoo precisava recuperar a razão. Relaxando o corpo, ele pediu uma trégua.
—Quando eu voltar, a gente conversa.
—Não. Não vai ser assim.
—Por favor…!
—Eu também tenho o direito de recusar, não tenho? Eu digo não, Taekjoo.
—Porra, não tenho tempo para ficar de papo com você!
Ele finalmente perdeu a paciência e explodiu de raiva. A mão do desgraçado foi empurrada violentamente. No instante seguinte, com um som de rasgo, sua camisa foi rasgada. Incrédulo, ele ficou sem palavras. Ele olhou alternadamente para a camisa rasgada e para Zhenya.
O desgraçado não demonstrou surpresa. Jogando fora o pedaço de camisa que estava em sua mão, ele falou com indiferença.
—Não fique com raiva. É só um cachorro imaturo fazendo travessuras.
—O quê, seu idiota?
Ele ficou chocado. O desgraçado, sem se importar, percorreu o pescoço nu de Kwon Taekjoo. Seu polegar acariciou lentamente seu pomo de Adão saliente. Era como se ele pudesse esmagar sua garganta a qualquer momento. Naquela atmosfera tensa e perigosa, ele estava completamente à mercê. Onde quer que a mão do desgraçado tocasse, arrepios se formavam.
O desgraçado, com os olhos semicerrados, seguia a própria mão. Então, sem aviso, ele abaixou a cabeça. Com a sensação de ser devorado, ele fechou os olhos com força. Como esperado, o desgraçado abriu a boca e mordeu seu pescoço.
—…Nhã.
—É só uma mordida por causa de coceira.
Murmurando com naturalidade, ele mordeu o pescoço de outro homem a seu bel-prazer. A pele sensível ardia como se estivesse sendo cortada. Quando ele cravou os dentes, suas pernas chegaram a tremer.
—Nhã, não, por… ra, não faz!
Um som surdo foi ouvido. Ao ver o rosto de Zhenya virado para o lado, ele hesitou. Ele só queria afastá-lo, mas acabou desferindo um soco. Por um instante, o tempo pareceu parar. Sua mão, sem direção, tremia.
Lentamente, o rosto do desgraçado se voltou para ele, seus olhos estavam vermelhos. O ar ficou ainda mais tenso. Ele estava sufocando.
Naquele momento, o interfone tocou de repente. Alguém havia chegado. Assustado, ele olhou para a porta e depois para Zhenya. As pupilas do desgraçado estavam completamente contraídas. Isso significava que mais conversa era impossível.
Não, ele pensou, e o desgraçado já estava beijando seus lábios. Com isso, sua nuca bateu novamente no espelho. A sensação perigosa de que poderia quebrar e feri-lo a qualquer momento, e o frio peculiar, fizeram todas as suas células se contraírem. O desgraçado agarrou seu peito como se fosse explodi-lo e tentou abaixar seu zíper. Quando Kwon Taekjoo se contorceu para resistir, ele simplesmente arrancou o zíper. Ele tentou segurar o pulso do desgraçado, mas não conseguiu superar sua força monstruosa. O desgraçado amassava seu pênis com um pouco de brutalidade, pressionando os lábios em seu pescoço, queixo e bochechas. Se ele o empurrava, ele voltava; se conseguia se soltar, ele se esfregava com mais violência.
O interfone tocou novamente.
—É a entrega!
Quando sentiu movimento lá dentro, o entregador levantou a voz. Ele também bateu na porta. Se ele não tivesse se enganado de casa, Zhenya devia ter encomendado algo enquanto ele tomava banho. Mesmo sem saber uma palavra de coreano, ele aprendeu a usar o aplicativo de delivery olhando por cima do ombro.
Para recuperar o juízo, ele bateu no ombro de Zhenya e o empurrou com força. Mas assim que se soltou, foi agarrado de novo e empurrado contra a porta da frente. Com um baque, toda a porta tremeu.
—Olá…?
A voz do entregador ficou cautelosa. Em sua mente, ele devia estar imaginando uma cena violenta.
Não estava totalmente errado. Seu peito aberto e seu rosto estavam pressionados contra a porta fria. Zhenya, segurando sua nuca por trás e colando seu corpo, impedia qualquer movimento. Ele tentou falar baixo para ele parar, mas parecia que suas palavras não chegavam ao desgraçado.
Sem hesitar, o desgraçado puxou seu pênis para fora. Em seguida, puxou as calças e cuecas de Kwon Taekjoo de uma só vez, esfregando seu pênis no sulco exposto de suas nádegas.
—…Seu louco.
Um xingamento escapou. Todo o seu corpo estava tenso, com os músculos formigando. Se ele relaxasse um pouco, parecia que o pênis do desgraçado ia rasgar seu orifício e entrar.
O desgraçado, esfregando seu pênis duro no orifício, mordia a nuca de Kwon Taekjoo. Com a tensão, seu pênis, que estava demorando mais do que o normal para ficar ereto, foi estimulado por uma massagem suave. Mesmo naquela situação sem saída, seu corpo se aquecia. Era de enlouquecer.
Enquanto a luta corporal continuava, a voz do entregador, perguntando se estava tudo bem, tremia. Ele não conseguia se afastar da porta facilmente.
—Olá, o que está acontecendo? Se, se precisar, posso chamar a polícia?
Foi quando ele desistiu de lutar. Encostando a testa suada na porta, ele recuperou o fôlego. Quando Kwon Taekjoo relaxou, Zhenya também parou de ser tão intransigente.
—…Manda embora esse cara que está aí.
Ele murmurou com um tom cansado. O desgraçado ficou em silêncio por um momento e, de repente, trancou a porta com o cadeado secundário. Então, sem dar tempo para ele se preparar, ele girou a maçaneta. A porta se abriu sem resistência, e o corpo de Kwon Taekjoo, que estava pressionado contra ela, foi empurrado para a frente. Ele estava com a cabeça virada para o lado da dobradiça, então por pouco não encarou o entregador.
O cadeado secundário se esticou, abrindo uma fresta de cerca de 10 centímetros. Os olhares do entregador e de Zhenya se cruzaram por aquela fresta. A voz do entregador, surpresa, ecoou vazia em seus ouvidos. O entregador, vendo o estrangeiro gigante que apareceu de repente, congelou. Então, gradualmente, ele percebeu a situação íntima em que os dois estavam e o calor que emanava deles.
—Larga isso e vai embora.
Zhenya disse com um tom gélido. Embora fosse russo, seu tom era suficiente para transmitir a mensagem. O entregador, pedindo desculpas, largou o que trouxe e fugiu. O desgraçado, deixando o pacote lá, fechou a porta novamente.
Com a breve ventilação, o desgraçado parecia ter se acalmado um pouco. Ele mordiscava a orelha quente de Kwon Taekjoo como se fizesse cócegas, chamando seu nome de forma suave.
—Taekjoo.
—Termina logo.
Ele ergueu o cotovelo para afastar o desgraçado. O desgraçado hesitou por um momento e não recusou. Ele apenas agarrou o ombro de Kwon Taekjoo, tentando virá-lo para si. Mas Kwon Taekjoo resistiu teimosamente, então o desgraçado o puxou e o empurrou de volta contra o espelho. Então, com o pênis que só havia esfregado ansiosamente, ele o pressionou para dentro do orifício. Os dedos de Kwon Taekjoo, que seguravam o espelho, ficaram brancos.
Durante todo o tempo em que seu interior era cutucado, ele manteve a cabeça baixa. Porque o espelho refletia seu rosto ruborizado. No meio, o desgraçado tentou erguer seu queixo, mas ele desviou a cabeça com irritação. Ele apenas esperou o desgraçado gozar.
Assim que Zhenya deu um passo para trás, ele o afastou.
—Não apareça na minha frente por um tempo. Vou te matar.
Ele torceu o nariz e o avisou. Então, sem esperar a resposta do desgraçado, saiu de casa. A comida de entrega na porta chamou sua atenção. Pelo nome do estabelecimento, parecia ser jjambbong ou maratang. Ele tinha pedido algo que ele mesmo não comeria. Sua cabeça estava tão confusa que até isso o irritava.
Naquele dia, na sede, ele também foi duramente repreendido. Por causa da demora em responder ao chamado e pelo contato perdido. Sua raiva e frustração estavam no auge.
O desgraçado, talvez magoado, não apareceu no local da operação. Eles também não se comunicaram. Enquanto trabalhava, ele tentava não pensar em outras coisas. Não era diferente naquela época.
No final, ele conseguiu encontrar o alvo escondido e obteve a informação necessária. Mas seu humor não melhorou em nada. Ele se sentia inquieto e frustrado, como se tivesse esquecido algo importante. Os pensamentos que ele havia reprimido ressurgiam rapidamente, bagunçando sua mente.
Em retrospectiva, foi ele quem causou o problema. Por pura arrogância de que conseguiria terminar o trabalho a tempo, ele fez promessas vãs a Zhenya. Quando o cronograma atrasou, ele exigiu compreensão unilateralmente, tentando acalmar o desgraçado. Quando finalmente falhou, só pensou em si mesmo. Era natural que o desgraçado ficasse com raiva. Claro, a resposta violenta também tinha seus problemas.
Sua mente estava dividida. Uma culpa pesada e um orgulho mesquinho de que Zhenya também estava errado coexistiam. Ele não sabia com que cara encarar o desgraçado. Não estava acostumado a se desculpar.
Ele adiantou a agenda e pegou um voo noturno. Chegou à Coreia de madrugada. Até então, não havia notícias de Zhenya. Trabalhando intensamente, ele não dormia há dias. Vários pensamentos o impediam de fechar os olhos no avião. Seu corpo estava exausto. O que ele mais queria era se deitar em algum lugar onde ninguém pudesse vê-lo.
Se encontrasse Zhenya, poderia haver outra briga emocional. Talvez até uma luta física. Só de pensar, já era desesperador, mas ele foi à casa de Zhenya. Tocou a campainha. Não houve resposta. Com seu temperamento sensível, mesmo que estivesse dormindo, ele teria acordado com o barulho. Ele esperou um bom tempo, mas Zhenya não saiu. Finalmente, ele abriu a fechadura eletrônica e entrou.
Zhenya estava sentado, recostado na cabeceira da cama. Não se sabia se ele tinha acabado de acordar ou se estava assim o tempo todo. Ele não se mexeu nem quando sentiu a presença de Kwon Taekjoo. Mesmo quando seus olhares se encontraram, ele não disse uma palavra. Kwon Taekjoo também não encontrou o que dizer.
—…….
—…….
Eles apenas se encararam, como se duelassem com os olhos. Então, Kwon Taekjoo se enfiou na cama do desgraçado. O desgraçado apenas observou o outro se enfiar ao seu lado. Ele puxou a coberta até o pescoço e dormiu profundamente. Durante todo esse tempo, o desgraçado não o tocou nem falou com ele.
Ele dormiu tranquilamente por um dia inteiro. Quando abriu os olhos novamente, Zhenya ainda estava sentado ao seu lado. Ele não segurava um tablet, telefone ou livro. Ele se perguntou o que o desgraçado teria feito sozinho enquanto ele dormia.
Mesmo depois de abrir os olhos, ele não se moveu, apenas observou Zhenya. Ele devia pedir desculpas, mas as palavras não saíam. Ele precisava resolver as coisas através do diálogo e pedir para não repetir os erros. Sua cabeça já havia decidido, mas ele não conseguia encontrar as palavras. Inquieto, ele apenas mordia o lábio inferior.
Depois de mais algum tempo, Zhenya falou primeiro.
—Já dormiu o suficiente?
Ele acenou com a cabeça em silêncio. Por alguma razão, sentiu que era o que devia fazer. Então, o corpo do desgraçado se inclinou lentamente. A sombra dele cobriu seu rosto, e seu odor penetrou em seu nariz. Seus lábios se uniram suavemente, enquanto um hálito morno molhava sua boca. Agarrando a gola do desgraçado, ele deu um beijo cheio de uma tristeza sem precedentes.
Zhenya também o abraçou com mais suavidade do que nunca. Eles continuaram o sexo inacabado. Dizem que brigar e se resolver com o corpo não é bom, mas para eles não havia maneira mais rápida e eficaz. Afinal, o desgraçado não sabia se arrepender e era um mestre em se justificar. Com alguém assim, a ‘resolução de problemas pelo diálogo’ parecia eternamente impossível.
Saindo da longa reflexão, ele coçou a orelha. Mesmo que não fosse Zhenya, se ele namorasse ou casasse com alguém, eles sempre brigariam pelas mesmas coisas. Enquanto não largasse o NIS, o problema não seria resolvido. Quando se ama, é natural querer estar junto. Quem aguentaria alguém que sempre prioriza o trabalho?
Namoro é extremamente desgastante. Pelo menos para Kwon Taekjoo. Então por que ele começou essa coisa irritante? Será que foi porque o desgraçado era tão monstruoso que ele pensou que seria diferente de uma pessoa normal? Não é como se o desgraçado não sentisse solidão.
Ele não teve tempo para pensar com cuidado. Quando decidiu aceitar Zhenya, ele não imaginava que as coisas chegariam a esse ponto. Era uma relação que ele havia limitado a ‘até o desgraçado se cansar e desistir’. Mas, será que ainda era assim?
—…Maldito.
Xingando do nada, ele bateu no travesseiro. Então, puxou o travesseiro comprido e esfregou a cabeça nele. Será que tinha bebido demais? Logo, o sono o dominou. Encolhendo-se, ele adormeceu.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna