↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 37
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Extra. Normal Days 37
Ele abriu a janela silenciosamente. Era para tirar o cheiro característico dos biscoitos. Não tinha propriamente uma mania de limpeza, mas as migalhas que, além de cair, voavam por toda parte, o incomodavam. Mesmo indicando discretamente, Olga não se importava. Dizendo que o cabelo dela voava, ela até fechou a janela de volta. Era o problema dos malditos aristocratas.
— E então, nada aconteceu durante este ano? Por via das dúvidas, eu verificava vez ou outra os tópicos internacionais.
Olga perguntou enquanto abria o último biscoito. Procurar notícias de um parente de sangue nos tópicos internacionais — não havia nada de comum naquela família.
— Sim. Desde que veio para a Coreia ele nunca feriu ninguém, e, embora às vezes aja como um lunático, ele obedece bastante bem.
— …Aquele ser humano deve estar perto de morrer.
Ela murmurou em tom despreocupado. Ao entregar à mãe o biscoito recém-aberto, exibiu um sorriso da mais absoluta pureza. Ele ficou bastante curioso para saber se aquilo também era característica do sangue Bogdanov.
— Se não for isso, ele deve ter encontrado um excelente domador, não é?
Olga sorriu maliciosamente, olhando pelo retrovisor.
— Uma criança dessas, o que sabe…
— Aquele sujeito que saiu ontem à noite sem avisar — onde ele esteve até o amanhecer? Isso eu sei, sabia? Estranhamente, tanto ele quanto o quarto dele tinham o mesmo perfume.
Ela esticou a cabeça de propósito para a frente e fungou. Logo se ouviu junto a seu ouvido o som de ar escapando. Um sorriso maldoso se espalhou também pelo rosto de Olga.
— Este cheiro de agora.
— …Nariz de cachorro também é tradição de família?
— Sou do tipo sensível a cheiros. Quando nos encontramos no Azhinoki, o cheiro daquele sujeito exalava de Taekjoo. Ou seja, eu já sabia havia tempos que vocês dois estavam se pegando.
— Se pega…
— Mas, se vocês vão exalar esse cheiro suspeito e não conseguem passar uma noite separados, por que não moram juntos logo?
Não havia nada que ela não fosse capaz de dizer diante da mãe. Não sabia se na Rússia não existia o conceito de educação e respeito, ou se eram os irmãos Bogdanov que eram assim.
Bem nessa hora chegaram ao estacionamento e ele parou o carro.
— Chegamos, desça.
— Ora essa. Você é inesperadamente vergonhoso.
Olga gargalhou abertamente. Sua mãe riu junto sem entender o motivo. Ele se sentiu sem nenhum aliado.
Terminado o estacionamento, ele pegou o cesto de flores e a bebida e seguiu para a área dos túmulos. Olga vinha atrás devagar, guardando nos olhos a paisagem ao redor.
— Aqui é um cemitério comum?
— Parecido. É onde são enterrados os que morreram em serviço.
— Ah, entendi. Dizem que o pai do Taekjoo era militar? E o irmão também. Deve ter sido uma morte honrosa.
— Não existe morte honrosa.
Ele cortou o assunto categoricamente. Seu rosto já havia endurecido. Olga inclinou a cabeça e disse “É mesmo?”.
— Eu achava que Taekjoo fazia esse trabalho para viver com honra e morrer com honra.
— Eu só faço. Aconteceu de virar assim, e agora eu nem saberia o que fazer se não fosse isso.
— Hum. Quer dizer que é uma vocação? Como um destino, e às vezes como um jugo do qual não se pode escapar.
Será? Mesmo que lhe perguntem por que justo um trabalho tão duro, ele não sabe responder. Porque nunca pensou especificamente na razão. Sempre foi algo que fez com naturalidade, e agora se tornara uma rotina, como comer e dormir. Assim como não se pode viver sem comer e sem dormir, se largasse o trabalho, parecia que não estaria vivendo.
Enquanto conversavam, chegaram ao túmulo do pai. Ele serviu uma taça de bebida diante da lápide e depositou o cesto de flores. Sua mãe esfregava e limpava incessantemente a lápide já limpa, conversando baixinho com o pai. Olga, que observava aquela cena por um bom tempo, abriu a boca.
— Mesmo assim, parece que seus pais se davam bem em vida?
— Sei lá, deve ser o normal?
— É normal sentir tanta saudade de alguém que já morreu e não existe mais? Eu achava que isso só existia em romances. Porque, lá em casa, é algo impensável.
Olga, que assentia repetidamente, trouxe à tona uma história inesperada.
— Recentemente aquele sujeito esteve na Rússia. Era o aniversário da morte da mãe dele.
— Foi… quê?
Era a primeira vez que ouvia aquilo. Zhenya dissera que ia à Rússia por causa de um assunto, mas não pronunciara uma única palavra sobre o aniversário de morte da própria mãe. Mesmo depois de voltar, apenas disse que surgira a conversa sobre o noivado.
— Você não sabia? Bem, aquele ser humano não é do tipo que fala de si mesmo.
— Quando sua mãe faleceu?
— Minha mãe?
Olga fez uma expressão perplexa, como se tivesse recebido uma pergunta estranha. Depois, remontando ao rumo da conversa, soltou uma exclamação de compreensão.
— Ah, o Taekjoo não sabe de nada, né? Eu e meus irmãos temos mães diferentes. A mãe deles morreu antes mesmo de eu nascer, e minha mãe se casou com meu pai depois disso. Por isso também há uma grande diferença de idade entre nós.
— Então a mãe dele morreu quando ele era criança?
— Isso.
— Então é por isso…
Ele imaginou se aquela carência teria criado o “psikh” que era Zhenya.
— O que é “por isso”?
— Se era criança, ele também devia ter um grande desejo de maternidade. E devia detestar ser separado dela.
— Hum… será? Nenhum dos meus irmãos chegou a sentir o toque de uma mãe. A mãe deles não era uma pessoa de forte instinto materno. Como Taekjoo sabe, nossa família faz casamentos arranjados há gerações. Com a mãe deles foi assim também. Ela era uma pessoa independente, e dizem que não tinha apego a um casamento sem amor, a uma família formada sem afeto. Por isso nunca estava em casa, e parece que preferia ficar sozinha a passar tempo com a família. Diziam que ela e meu pai fizeram um pacto de que, se ela desse à luz três filhos, cumpriria seu dever conjugal. E, de fato, ela morreu pouco depois de aquele sujeito nascer. No mar, durante uma viagem de iate. Como nem o corpo foi recuperado, dizem que não puderam sequer construir um túmulo. Logo depois disso, meu pai se casou com minha mãe. Falou-se muito ao redor. Diziam que meu pai teria matado a mãe deles para se casar com a minha. Porque ele conquistou, com mais um casamento arranjado, uma imensa fortuna e poder.
Ela deu de ombros, como se fosse natural que tais boatos circulassem. Tanto Zhenya quanto Olga falavam de assuntos que lhes diziam respeito com indiferença, como se fossem coisas alheias.
— Não é algo para se gabar por aí, mas meu pai também tem um histórico impressionante com mulheres. Mesmo assim, ele é rigoroso quanto à linhagem legítima, e a cada nascimento nosso fazia sem falta o teste de paternidade. Além das duas esposas oficiais, nunca teve filhos com outras mulheres. Graças a isso, não temos nenhum irmão bastardo.
Quanto mais ouvia, mais se surpreendia. Ele teria crescido assim e, por isso, não teria apego à família, teria uma vida sexual promíscua e passaria a gostar de ficar sozinho? Como nem todos os irmãos são assim, a personalidade certamente tinha, em algum grau, algo de inato. Mas, se tivesse crescido numa família minimamente normal, talvez ele nunca fosse chamado de “psikh”.
Lembrou-se, de repente, de que Zhenya o provocava chamando-o de filhinho da mamãe. Ele achava curiosos o senso de responsabilidade, o dever e a culpa que Kwon Taekjoo sentia em relação à mãe. Também estranhava que sua mãe vivesse só olhando para Kwon Taekjoo. Assim como a história familiar de Zhenya era inusitada para o próprio Kwon Taekjoo, para ele devia ser o mesmo.
— Eu não sabia; ele não falava nada.
— Bem, não é uma história boa. Meu pai não celebra o aniversário da morte dela. Não sei o que fazem os outros irmãos. Aquele sujeito, todo ano nessa época, larga até o que está fazendo e se enfia no Azhinoki. Não sei se, à sua maneira, ele está honrando a mãe morta, ou se é porque seu coração fica agitado.
Nem mesmo Kwon Taekjoo conseguia adivinhar os pensamentos de Zhenya. Mas a confusão que ele devia sofrer a cada aniversário de morte da mãe biológica estava vívida diante de seus olhos. Ele apenas sentia pena daquele homem que nem sabia o nome daquele sentimento.
— Parece que meu pai só nos considera como cavalos de corrida. Neste aniversário também, sabendo que aquele sujeito voltaria naturalmente, ele empurrou até um noivado. Ele não te contou isso também, por acaso?
— Ouvi mais ou menos.
Olga assentiu repetidamente e complementou.
— Como Taekjoo sabe, aquele sujeito tem uma péssima reputação, não é? Que família em sã consciência iria querer se aparentar? Por isso, durante um tempo não se falou nada de noivado ou casamento. Mas parece que desta vez encontraram um partido adequado. Só porque é entre nós, mas aquela família também não é fácil. E a pessoa mencionada como noiva também não tem uma personalidade dócil.
Não é fácil, disse. Que tipo de pessoa seria? Sendo noiva, obviamente seria mulher. A idade seria parecida com a de Zhenya?
Havia muitas coisas que ele queria saber, mas não perguntou. Não queria demonstrar que se importava. Não, ele não queria nem admitir isso para si mesmo. Era infantil, mas era assim.
— Não tem curiosidade de saber o que ela faz e como aquele sujeito reagiu?
— Bem…
— Hum. Aquele sujeito nunca leva a sério o que meu pai diz. E mesmo que meus irmãos queiram mandá-lo fazer algo, ele não se move de graça, jamais. Por isso, achei natural que ele fosse se rebelar, mas, inesperadamente, ele disse tranquilamente que aceitava. Achei estranho ele receber humildemente a vontade da família. Não era isso. Ele acabou aprontando.
— Aprontando? O quê…
— Prepararam o noivado às pressas, com medo de que aquele ser humano mudasse de ideia. Mas os próprios envolvidos não apareciam. Quando já pensávamos que tudo fora cancelado, ficou tumultuado lá fora. Ao sair, os dois haviam chegado, sim, mas com uma aparência de quem travara um combate corpo a corpo. Os carros estavam todos amassados, a ponto de nos perguntarmos como haviam rodado até ali, e eles apareceram acompanhados de uma fileira de policiais de trânsito, dá para acreditar? Depois verifiquei as câmeras da estrada, e eles praticamente brincaram de carrinho de bate-bate. Na verdade, os dois se conhecem desde a infância, porque as famílias têm contato frequente. As personalidades são completamente iguais, então a relação era péssima. A ponto de serem praticamente inimigos.
Ficou ainda mais curioso sobre a noiva. Uma Zhenya mulher. Só de imaginar, sua cabeça latejava.
— E não parou por aí. Aquele louco apareceu com dinamites, dizendo que num dia tão bom não deveria haver ao menos uma salva de tiros? A cara dos adultos foi um espetáculo. Que pena não poder lhe mostrar.
Era uma expressão de pesar genuíno. Ela chamava Zhenya de louco sem hesitar, mas parecia ter apreciado bastante a atitude dele.
— Ele avisou que, se da próxima vez tentassem usá-lo à vontade, aí ele começaria com fogos de artifício. Aquele sujeito é do tipo que faz o que diz, não é? E não seria impossível que já tivesse deixado um míssil pronto para lançamento em algum lugar. E assim tudo acabou em pizza, enfim.
Ele escutava calado e cobriu os olhos com a mão. Não havia fundamento para dizer que Zhenya fizera aquele escândalo por causa do próprio Kwon Taekjoo. Ele apenas detestava ser preso a algum lugar, então dera um corretivo à família que tentava impor um noivado ignorando sua vontade.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna