↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 38
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Extra. Normal Days 38
Devia ser exatamente isso, mas suas orelhas ardiam sem motivo. Como se ele mesmo estivesse lá com ele, procurou um lugar para se esconder.
Sem saber de nada disso, ele andara intimamente amuado. Como Zhenya trouxera o assunto do noivado com tanta indiferença e, por causa daquilo, chegara tarde sem avisar, ele achou que fosse apenas isso.
— Onde eu estou, quem eu encontro, o que estou fazendo. Se quiser se apegar obsessivamente e me prender, faça isso.
— Seja um noivado sem sentimento, seja um casamento. Se não gostar, arme um escândalo às claras. Vou achar bonitinho.
Lembrou-se do rosto dele, sutilmente contente. Sentiu-se sem graça e envergonhado à toa.
— Taekjoo, já que viemos até aqui, tire só uma foto minha.
Nesse momento, Olga lhe estendeu o celular. Ela já havia até aberto uma sombrinha de renda.
— Você quer tirar fotos diante de um túmulo?
— Eu estou doente, ora. Não sei nem o que será de mim amanhã; tenho que registrar e guardar cada instante como lembrança.
Ela lhe impôs uma culpa estranha. Sem alternativa, ele apertou o obturador duas vezes e jogou o celular de volta. Não tremeu, e o rosto saiu inteiro e perfeito. Mesmo assim, Olga fez um escândalo, mandando-o tirar de novo com esmero.
No fim, teve de tirar dezenas de fotos no mesmo lugar. Depois de tanto ajudar, ela disse que não havia nada aproveitável. Se ela não fosse mulher, ele teria querido lhe dar um cascudo.
— Bem, mesmo assim você se esforçou, então vou te dar isto.
Como recompensa, ela tirou algo da bolsa e lhe entregou. Era a foto de um menino. Ele olhou sem pensar e soltou uma exclamação baixa.
— Ah? Este garoto…
O menino da foto era idêntico àquela criança que aparecia com frequência em seus sonhos. Ele vagamente presumira que fosse Zhenya, mas, como nunca vira uma foto da infância dele, não tinha certeza.
— Este é o Zhenya, aquele sujeito?
— Sim. Por acaso já o viu?
— …Não.
— Bonito, né?
— Bem…
— Nunca vi na vida uma criança tão bonita. Por isso ando com ela; não há nenhum outro sentido.
Ela traçou uma linha, dizendo para que ele não pensasse coisas estranhas. E então enfiou a foto no bolso do paletó de Kwon Taekjoo por conta própria.
— Para mim também é preciosa, é a única cópia, mas fique com ela.
— Não precisa.
— Ora, pegue quando lhe dão. É para você olhar isto e acalmar o coração quando aquele sujeito o irritar. Por incrível que pareça, é bem eficaz.
Ela levantou o polegar, garantindo o efeito. Ele achou tão absurdo que deu uma risadinha.
Olga logo se virou para as lápides enfileiradas densamente.
— Não é que eu tenha vivido mais que Taekjoo, mas, por sempre ter um pé na morte, eu entendo. As pessoas sempre querem ser felizes e desejam que só aconteçam coisas boas, mas, na verdade, que graça teria a vida se fosse só isso? Às vezes é preciso experimentar a tristeza, a depressão, a dor e o sofrimento para saber quão preciosas são a sorte e a felicidade comuns que vêm depois.
Nesse sentido, é digno de pena, disse ela, continuando.
— Aquele sujeito é uma pessoa desprovida de emoções. Para ele, no mundo só existe o que é interessante e o que é insípido; não existe o alegre, o feliz, o triste, o doloroso. Na verdade, é a primeira vez que ele dedica atenção a um mesmo objeto por tanto tempo. Eu achava que ele viveria assim a vida toda e morreria, mas pensei que talvez ele pudesse mudar.
— Por que essa grandiloquência toda?
— Porque é uma reviravolta e tanto. O herói que foi resgatar a bela acabou capturado por Koschei. Mas eu gosto deste final. Sei que é um pedido excessivo, mas cuide bem dele. Peço que pelo menos Taekjoo tenha compaixão daquele monstro.
Terminado o pedido, Olga seguiu a mãe até o túmulo do irmão. Sozinho, ele tirou a foto de dentro do paletó e olhou. O Zhenya da infância não tinha expressão alguma. Era idêntico à figura que vira em sonhos. Ele deu um toquezinho naquela bochecha de aparência teimosa.
Mesmo sem que lhe pedissem, ele já sentia, de forma absurda e transbordante, uma ternura melancólica. Havia outros objetos para se preocupar e lamentar; nem ele mesmo conseguia entender a si próprio.
De repente, pensou em Zhenya. Ele tirou o celular, pensando em ligar para ele. Bem nessa hora, a vibração tocou. Era Zhenya.
O sol começou a se pôr. O vento também ficou bastante gelado. Ele mandou a mãe e Olga de volta primeiro e ficou sozinho esperando Zhenya. Ele havia acabado de avisar aquele homem, que ligara assim que terminou o trabalho, para vir até ali.
Não demorou e ouviu-se, atrás do estacionamento, o característico ruído de motor. Ao virar a cabeça, viu Zhenya caminhando, com as longas abas da roupa esvoaçando. Tirando o rosto, estava todo preto, do pescoço à ponta dos pés. Quando ele riu de leve, ele, que já chegara diante de seu nariz, fez uma expressão de estranheza.
— Por que está rindo?
— Porque parece um “jeoseung saja”.
— O que é isso?
— Uma coisa parecida com você.
Ele continuou com a mesma cara de quem não sabe. Ele não se deu ao trabalho de explicar. Apenas apontou com o queixo os dois lírios que ele segurava e disse: “o que é isso”.
— Você disse que é um lugar para homenagear os mortos. Onde estão enterrados os de seu sangue.
— Ah. Mas o que fazer? Agora é tarde e não dá para entrar.
Zhenya deu de ombros como se não fosse nada. Inclinou os lírios que segurava e os entregou a Kwon Taekjoo.
— Não há remédio. Taekjoo, eu os dou a você.
— Que romântico de arrepiar. A primeira flor que recebo é uma oferenda fúnebre.
Resmungando, ele enterrou o nariz nos lírios. Um cheiro perfumado exalou intensamente. Nunca recebera flores de presente, exceto nas cerimônias de matrícula ou formatura. Mesmo que lhe tivessem sido empurradas por acaso, seu humor não estava nada mau.
Enquanto manuseava as flores, que nem sequer estavam embrulhadas, ele começou a falar.
— Ali estão dormindo meu pai e meu irmão. Ambos me confiaram nossa mãe. Como se soubessem que eles próprios não poderiam fazê-lo. Agora minha mãe só tem a mim.
— Para que dizer o que eu já sei?
— Porque acho que estou sendo muito mesquinho. Você não pode ser sempre a minha primeira prioridade. Eu não consigo, como você, abandonar tudo e olhar só para você. Minha mãe talvez seja uma desculpa. Porque, mesmo me preocupando com ela, não largo o trabalho que ela detesta. Eu não consigo desistir nem do trabalho, nem da minha mãe, nem de você. Eu sou assim, um sujeito estragado.
Ele estendeu a mão e segurou a manga de Zhenya. Ele demonstrou, raramente, um ar de surpresa. Como não estava olhando para seu rosto, não podia ter certeza.
— Ao meu lado, sua escassa paciência vai continuar sendo posta à prova. Mesmo assim, quero que você, você, ao menos você, não se canse e continue esperando. Eu não quero ser abandonado nem por você. É egoísta, mas é assim.
Ele ergueu a cabeça e olhou para Zhenya. Ele estava com o rosto bastante perturbado diante da situação inesperada.
— …Taekjoo?
— Estou fazendo manha, agora. Você mandou. Disse que eu podia.
O rosto de Zhenya, um tanto atordoado, suavizou-se de uma vez. Um monstro irremediável, e ainda por cima bonito. Ele o beijou com ímpeto, como se fosse se atirar sobre ele. Não teve constrangimento algum, mesmo num estacionamento a céu aberto, totalmente exposto. Os dois lábios foram pressionados com força e se separaram lentamente. Uma expiração parecida com um suspiro escapou.
No instante seguinte, seus dois braços foram bruscamente agarrados. E, antes que pudesse recuar, foi puxado de volta por Zhenya. Seguiu-se um beijo pungente, como o de amantes que se reencontram após muito tempo. Depois de roubarem completamente o fôlego um do outro, separaram-se, ainda assim com pesar.
— Taekjoo. Faça como você quiser. Eu também farei assim. Eu vim até aqui para te capturar, e agora, todos os dias e a cada instante, continuo te perseguindo. Continuarei fazendo isso daqui para frente. Às vezes fico irritado, mas uma coisa é certa. Nunca tive, em toda a vida, diversão maior que esta.
Ele encarou tranquilamente as pupilas cor de vinho dele. Dentro delas, apenas o próprio Kwon Taekjoo estava refletido, inteiro. A situação de suas próprias pupilas não deveria ser diferente.
Era o instante em que, brincando com o queixo de Zhenya, ia beijá-lo novamente. O celular, que estivera silencioso o tempo todo, tocou. Teve um mau pressentimento. Conferiu de relance o remetente da chamada. Sem falta. Soltando um suspiro pesado, ele tocou o botão de atender.
— Sim, é o Kwon Taekjoo.
Ele ouviu calado o que o interlocutor dizia. A ligação terminou logo. Porque era uma convocação do quartel-general, mandando-o correr para lá imediatamente. Ele bem que estranhara aquele silêncio todo.
Constrangido, coçou a parte de trás da orelha.
— Ei, escuta…
— A mulher pequena vai se preocupar de novo.
Ele murmurou como quem fala sozinho e puxou sua mão. E então, fingindo beijar o dorso da mão, mordeu seus dedos. Doeu bastante, e ele franziu o cenho. Só depois de deixar uma nítida marca de dentes sobre a articulação, ele soltou a mão que segurava.
— Não é meu passatempo, mas vou dar um jeito de inventar alguma desculpa.
Por algum motivo, ele se ofereceu para ajudar e fez um gesto com a cabeça, mandando-o ir tranquilamente. Desconfiado, ele recuou lentamente.
— Volto logo?
— Até já.
Deixando para trás Zhenya, que sorria maroto, ele entrou no carro. Mas, mesmo depois de ligar o motor e virar a frente do carro, não partiu de imediato. Só depois de piscar as luzes traseiras duas vezes, como quem se despede de novo, ele saiu em disparada. Era a fofa despedida de um homem taciturno. De Zhenya, que observava, irrompeu um riso denso.
Mais um dia comum, e ainda assim, jamais comum, estava passando.
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Fim do Volume Extra Normal Days
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna