↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 34
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Extra. Normal Days 34
— Esta é a casa do Taekjoo? Eu até imaginava que seria assim, mas é realmente aconchegante.
Aquela casa “aconchegante” tinha nada menos que 158 metros quadrados.
— Deve ser a casa de vocês que é desnecessariamente grande.
Enquanto ele resmungava, sua mãe abriu a porta interna e veio ver. Ela devia estar cozinhando, pois usava um avental com rendas. Parecia novo. O vestido de casa que usava por baixo também era algo que ele nunca vira. Se ele tivesse trazido apenas Yoon Jongwoo, ela não teria se arrumado tanto.
Olga se adiantou com tato e entregou à mãe o buquê de flores que comprara primeiro. Era tão gigantesco que ela quase desaparecia enterrada nas flores.
— Como vai? É um prazer conhecê-la. Obrigada pelo convite.
— Seja bem-vinda. Ai, só de ter vindo eu já agradeço; para que isso tudo? Taekjoo, esta é a irmã do senhor embaixador, não é? É bela como uma fada.
Sua mãe se alegrou com os olhos brilhando. A Zhenya ela chamou de anjo, e a Olga, de fada. Será que pensaria assim mesmo sabendo em que família aqueles dois nasceram e cresceram?
Yoon Jongwoo, quase esmagado pela bagagem, enfiou a cabeça de leve.
— Mãe, eu também cheguei.
— Ai, meu Jongwoo, entre também. Quanto tempo, hein? Por que ficou tão difícil ver seu rosto? Se quiser comer, venha quando quiser. Seu rosto está pela metade.
— Eu sempre quis vir. Se um certo alguém não me olhasse feio…
Ele murmurou as últimas palavras tão baixinho que quase não se ouviam. Nem isso ele conseguiu terminar, sob o olhar fixo de Kwon Taekjoo.
— Entrem. O senhor embaixador esperou um bom tempo.
Ele foi até a sala seguindo a mãe, que parecia animada. Zhenya, como de costume, estava sentado à mesa saboreando os quitutes. Ela devia estar ocupada com a comida, mas mesmo assim descascara pera com esmero para alimentá-lo. Às vezes parecia que ela o considerava mais precioso que o próprio filho. Nem com um genro adorável ela seria assim.
— Chegou bem cedo, hein.
Zhenya reclamou enquanto mastigava a pera doce. Ao ver aquela cara impassível, ele rangeu os dentes sem querer.
— Se você sabia que ela era assim, devia tê-la impedido na hora, desgraçado.
— Eu impedi.
— Devia ter impedido com mais empenho, desesperadamente.
— Você está zangado de forma estranha de novo.
Perplexo, ele espetou a pera. Ele segurou a mão dele e roubou a pera, comendo-a de uma vez. Como estava cortada exatamente no tamanho de uma mordida, era fácil de mastigar. A polpa se esfarelava crocante e umedecia sua boca refrescantemente. A energia perdida na longa espera e nas compras parecia jorrar de novo. Quando ele disse “está gostoso”, ele calmamente espetou a pera restante e a serviu diante de sua boca. Mais do que uma demonstração de afeto, parecia estar apreciando uma brincadeira interessante e curiosa. Que importava? Bastava ser fofo.
Enquanto desfrutava daquela atmosfera macia como havia tempos não fazia, recebendo o que ele lhe dava, sua mãe, ao passar, bateu em suas costas.
— Esse menino, vive roubando a comida do senhor embaixador.
— Não, ele está me dando…
— Em vez de ficar aí em pé, ajude pelo menos a pôr a mesa.
— …Eu ia fazer isso.
Ele se sentiu injustiçado, mas era fato que roubara a comida. Ele pretendia pôr a mesa logo, mas, tendo levado a bronca antes, era apenas uma desculpa esfarrapada.
Junto com Yoon Jongwoo, ele pôs os talheres, serviu o arroz e carregou diligentemente os pratos que a mãe separava. Ele repetira várias vezes que comeriam algo simples, mas a mesa logo ficou cheia.
Nesse meio-tempo, Olga passeou pela casa por conta própria. Quando encontrou um Kwon Taekjoo criança dentro dos porta-retratos que a mãe expunha, ela gargalhou abertamente. Nem hesitou em apontar o dedo. Mesmo vendo aquilo, sua mãe só a elogiou, dizendo que ela parecia ter uma personalidade alegre.
Servida toda a comida preparada, sentaram-se de frente uns para os outros à mesa de seis lugares. Na indução portátil fervia o yeonpotang. Sempre que comia com Zhenya, sua mãe punha à mesa um caldo claro com peixe ou frutos do mar. Era porque Zhenya gostava de “ukha”, uma sopa de peixe russa.
— Vamos, não preparei grande coisa, mas comam bastante.
— Uau. Quando foi que preparou tudo isso, mãe? Achei que hoje fosse Chuseok.
Yoon Jongwoo fez graça. Olga estava ocupada, de olhos arregalados, admirando os pratos multicoloridos. E não era à toa: não havia nada feito às pressas. Os jeon estavam decorados com pimenta e coroa-de-rei, e o prato de peixe tinha fatias de omelete coloridas por cima. Até as castanhas, o nabo e a cenoura do galbijjim tinham sido moldados em formatos redondinhos. Por mais que olhasse, achou que trouxera aqueles três estorvos à toa.
Ele disse “bom apetite” e ia dar a primeira colherada. De repente, sua mãe se levantou. Parecia ter esquecido algo. Ao voltar logo em seguida, colocou um garfo diante de Zhenya. Em casa só havia garfos de fruta. Além de não apreciarem comida ocidental, Kwon Taekjoo e o irmão usavam hashi desde pequenos. O garfo parecia totalmente novo. Ela devia tê-lo comprado especialmente pensando em Zhenya. Zhenya sorriu sem fazer barulho. Sua mãe também riu, satisfeita.
Yoon Jongwoo e Olga observaram a cena com estranheza. Se nem o próprio Kwon Taekjoo se acostumava com aquele espetáculo, imagine os dois.
Sua mãe, que ia oferecer galbijjim a Olga, soltou um “ah, é mesmo”.
— Onde eu estava com a cabeça. A irmã dele também deve ser desajeitada com os hashi, e eu não pensei nisso. O que faço?
Ela se atrapalhava como se tivesse cometido um grande erro. Olga percebeu a situação com tato e afastou a preocupação da mãe.
— Ah, dá para fazer assim também.
Como quem exibe, ela espetou um pedaço de costela com os dois hashi. Mas não conseguiu levá-lo até seu prato. A carne gordurosa escorregava pelos hashi e caía de volta no prato, ou caía sobre a mesa e rolava para qualquer lado. Cada vez que isso acontecia, Yoon Jongwoo e a mãe soltavam um “eita” e lamentavam. Zhenya, em contrapartida, apenas ria do desafio acirrado e do fracasso da própria irmã. Ele deu um tapinha no braço dele.
— Ei, dê esse garfo a ela.
— Por que eu?
— Assim ela vai conseguir comer direito?
— Isso também não é da minha conta.
— Se deixarmos assim, minha mãe vai sair para comprar um garfo agora mesmo. Não vamos criar incômodo para ninguém.
Dizendo “está bem”, ele pegou um dongeurangttaeng e o colocou sobre o arroz de Zhenya. Disse também: “para você, basta eu dar assim”. Fez aquilo sem pensar muito, mas um silêncio curioso se instalou. Ao levantar a cabeça, todos já estavam encarando o próprio Kwon Taekjoo. Zhenya também apenas olhava fixamente o dongeurangttaeng sobre seu arroz, como se tivesse sofrido algo estranho.
— …O que foi? Que é?
— Nada. Então eu uso este.
Olga deixou escapar um sorriso curioso e pegou o garfo depressa. Sua mãe também disse, com o rosto satisfeito, para começarem a comer.
Nos intervalos da refeição, ele escolhia e colocava apenas os acompanhamentos que Zhenya podia comer. Ele, que sempre falava disso e daquilo, estava estranhamente quieto. Até o refogado de anchovas com gochujang, que ele lhe deu pensando que aquilo talvez estivesse bom, ele levou à boca em silêncio. Seu rosto ficou vermelho num instante e ele bebeu água, mas não implicou, como de costume, perguntando se ele fizera aquilo de propósito.
Olga comia bem, aos pouquinhos, as comidas exóticas. Ao contrário de Zhenya, ela também sabia apreciar o picante. Yoon Jongwoo explicava, nos intervalos, os ingredientes principais, o sabor geral e os componentes nutricionais dos pratos. Sobre a mesa, coreano, russo e inglês se misturavam naturalmente.
— Eh!
Olga, que descobriu algo durante a refeição, apontou o dedo abertamente para aquilo. Era kimchi. Aos outros, que ficaram curiosos sobre a razão, ela contou que, ao ver kimchi pela primeira vez, achou que estivesse estragado e quis jogar fora. As risadas irromperam e a reunião ficou ainda mais rica. As línguas que os conectavam eram diferentes, mas não havia dificuldade em compartilhar aquele momento.
Sua mãe, sem parar de dividir e oferecer comida, observava as quatro pessoas com satisfação.
— Não sei há quanto tempo não havia essa animação por aqui.
— Se a senhora me chamar, eu venho todo dia, mãe.
Yoon Jongwoo se insinuava enquanto se servia de mais arroz. Sua mãe se alegrou, dizendo que ele podia vir à vontade, e serviu novamente sua sopa.
— Então eu venho mesmo, sem cerimônia, hein?
Yoon Jongwoo, que respondia de bom humor, de repente estremeceu. Deixando de lado Kwon Taekjoo, que o encarava continuamente com censura, até Zhenya o fitava friamente. Teria ele cometido alguma gafe? E, mesmo que sim, não havia como Zhenya, que não sabia coreano, ter entendido.
Depois de colocar a tigela de sopa diante de Yoon Jongwoo, a mãe perguntou a Zhenya se queria mais. O olhar afiado dele se desfez como por mentira. Yoon Jongwoo ficou estupefato.
— Não é da boca para fora, então venha sempre. Também é solitário comer sozinho, e você é bem-vindo a qualquer hora. Pode vir sem o Taekjoo saber, também. Certo?
— Sim, mãe.
— O senhor embaixador também. De agora em diante, e mesmo depois que seu mandato terminar, apareça de vez em quando.
Sua mãe expressou uma saudade precoce e pediu repetidamente. A mão de Kwon Taekjoo, concentrado na refeição, hesitou.
Em geral, o mandato de um embaixador é de cerca de dois anos. Pelo padrão, restava um pouco menos de um ano. Mas ele nunca havia pensado no que aconteceria depois. Depois que passasse mais um ano a partir de agora, Zhenya continuaria aqui, ao lado do próprio Kwon Taekjoo, como agora? Ele também não iria querer, às vezes, voltar ao lugar de onde originalmente veio?
— Não se aflija. Eu não vou sumir. A única vez em que não estarei ao seu lado será quando você estiver morto.
Não havia como dar uma certeza maior que aquela, e mesmo assim, estranhamente, ele não se tranquilizava. Sem necessidade, seus pensamentos se multiplicaram de novo.
Os hóspedes indesejados só se levantaram depois de tomarem até o chá do pós-jantar. A essa altura, o relógio se aproximava da meia-noite. Sua mãe, que normalmente já teria ido dormir cedo, saiu até o lado de fora da porta para despedir-se de todos.
— Vão com cuidado e voltem sempre. Jongwoo, cuidado ao dirigir à noite.
— Sim, mãe. Comi bem e me diverti muito.
Já haviam dito lá dentro “fique bem” e “vá bem”, e ainda assim trocaram mais uma vez cumprimentos ruidosos. Olga segurou as mãos da mãe e soltou o comentário inquietante de que se veriam de novo em breve. Ele afastou a moça de sua mãe e a empurrou para dentro do elevador. Sua mãe insinuou, empurrando-o pelas costas, que os acompanhasse até o estacionamento. Não eram crianças; ele achou aquilo extremamente incômodo, mas, sem alternativa, embarcou no elevador.
Olga e Yoon Jongwoo estavam ocupados conversando entre si. Na maior parte, Yoon Jongwoo explicava o que Olga tinha curiosidade em saber. Pelo que ouviu de relance, falavam sobre o painel eletrônico instalado no elevador.
Ele fixou os dois olhos no painel. Sentia um olhar fixo às suas costas, mas era constrangedor reagir de qualquer forma. Diante de Yoon Jongwoo, obviamente, e mesmo diante de Olga, que sabia de tudo, ele hesitava em demonstrar sua relação com Zhenya. A distância entre eles não chegava a um palmo. Aquela situação, em que seus corpos quase se tocavam, o deixava consciente e, por isso, sem jeito. O tempo até chegarem ao estacionamento pareceu longo como nunca.
Ao descer do elevador, viu primeiro o carro de Yoon Jongwoo. Yoon Jongwoo, o individualista número um do mundo, que fugia primeiro mesmo quando comparecia por acaso a alguma confraternização, não ia embora e ficava se enrolando.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna