↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 33
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Extra. Normal Days 33
— Não estou dizendo que vou junto. Não tenho tempo para brincar com você.
— Está fingindo estar ocupado? Ouvi dizer que ontem você encontrou os amigos e bebeu. E agora está aqui, à toa, desse jeito.
— Ontem e hoje é fim de semana.
— Pois é. Não vá me dizer que teme que eu roube até seu horário de trabalho? Dizem que os funcionários públicos coreanos saem às seis da tarde. E que, com o horário flexível como o do Taekjoo, dá para ajustar o tempo com flexibilidade.
Quem teria lhe ensinado uma coisa dessas? Pelo menos, não parecia ter sido Zhenya. Porque ele, o tempo todo, estava de braços cruzados, encarando a própria irmã com desagrado.
— Na verdade, eu não tinha grandes expectativas ao vir, sabia? A Coreia é um país tão pequeno. Mesmo no mapa parece um grão de feijão, e ainda por cima está partido ao meio. Mas é bem desenvolvida, hein? As condições de higiene e o serviço são bons, e as pessoas são refinadas. As ruas parecem congestionar mais que em Moscou.
— Vive dizendo grão de feijão, grão de feijão. Quem visse acharia que vocês são gigantes. É o povo de vocês que é arrogante por natureza, ou é a personalidade de vocês que é dessa laia?
— O que é pequeno é pequeno; como se deve chamar? Enfim, achei curioso não parecer um país em guerra.
— Ora, é praticamente o fim da guerra. Agora estamos num estado de tensão militar por hábito.
— Hum. Que complicado. Bastava um dos lados varrer o outro; não sei por que arrastam tanto isso.
Olga deu de ombros como se fosse algo sem importância. Mesmo parecendo normal em comparação a Zhenya, de vez em quando ela lembrava, assim, que era uma pessoa da família Bogdanov.
— Ah, as comidas também são realmente deliciosas. Assim que cheguei, comi churrasco coreano à vontade. Sempre quis visitar o palácio antigo de outro país pelo menos uma vez, e como estava em abertura noturna, fui logo ontem.
Achou que ela tinha aproveitado bem o pouco tempo. Por outro lado, ficou em dúvida sobre quem a teria acompanhado. Zhenya não poderia ter feito uma gentileza dessas. Ele ainda continuava seu protesto silencioso contra Olga.
— Aliás, tirei fotos também. Quer ver?
Olga, igualmente indiferente ao olhar de Zhenya, estendeu o celular. Só as fotos tiradas no palácio pareciam somar umas centenas. Aos olhos de Kwon Taekjoo, cenário, enquadramento e pessoa pareciam todos a mesma coisa. Claramente não eram selfies; teria ela contratado até um fotógrafo? A não ser que fosse trabalho, ele duvidava que alguém tirasse fotos dos outros com tanto empenho.
Enquanto ouvia as várias impressões de Olga, o interfone tocou. Olga disse “chegou” e se levantou num salto. Parecia ter chegado o almoço que ela dissera ter encomendado. Ele a seguiu sem desconfiar.
A porta de entrada se abriu, e quem entrou não foi outro senão Yoon Jongwoo. Ele, que cumprimentava com um sorriso bobo e frouxo, estremeceu assim que deu de cara com Kwon Taekjoo.
— S-sunbae. O senhor estava aqui?
— O que você está fazendo aqui?
— Ah, é que…
Ele revirava os olhos, procurando uma desculpa. Bem nessa hora, Olga se adiantou.
— Bem-vindo. E aquilo que pedi ontem?
— Ah, aqui. Como não sabia do que você gostaria, comprei todos os famosos por enquanto.
— Uau, que gentileza. Entre.
Ela fez Yoon Jongwoo entrar de bom grado. Ele olhava a residência com estranheza enquanto seguia Olga até a mesa. Logo, ao encontrar Zhenya sentado ali, estremeceu de antemão.
— Haha, o senhor Egveni também estava aqui…
Ele se esforçava para sorrir, mas a voz sumia.
O que Yoon Jongwoo trouxera era gimbap. Pareciam ter sido raspados todos os gimbaps famosos: os recheados com um único ingrediente, como pepino ou ovo; os grelhados com cobertura de ovo batido; os que se comem mergulhados em molho de mostarda.
— Yoon Jongwoo.
— …Sim?
— Explique. Como vocês dois se conhecem?
— A gente virou amigo. Ontem, é que… ela disse que era a primeira vez na Coreia. Então eu a acompanhei um pouco.
Só então todas as peças do quebra-cabeça se encaixaram. Que Olga tivesse comido churrasco coreano assim que chegou, que tivesse ido ver o palácio à noite, e até as centenas de fotos — tudo fez sentido. Ele se preocupara com o que aconteceria entre os dois ao deixar Zhenya aos cuidados de Yoon Jongwoo, mas parece que era preocupação à toa. Ao ver Yoon Jongwoo sorrindo sem parar para Olga, até o sentimento de culpa em relação a ele desapareceu por completo.
— Eu mandei virar amigo desse desgraçado, não da irmã dele.
Ao ouvir a provocação, ele engoliu os lábios, sem ter o que dizer. Mas, de repente, Zhenya, que estava ao lado, ergueu discretamente o queixo. Estufou o peito e, do nada, ficou orgulhoso. Não dava para entender a razão.
Ao ver aquela cena, Yoon Jongwoo ficou inquieto e observou a reação de Kwon Taekjoo. Parecia saber de alguma coisa.
— Ei.
— Sim?
— Por que você não consegue me encarar?
— E-eu, quando?
— A-agora, é o que está fazendo.
— Ah, pare de me zoar!
— Você sabe por que esse desgraçado está assim, não sabe?
— N-não sei!
— Sabe, sim.
— Não sei, eu disse!
— Você sabe.
— …Ai, francamente. O senhor Egveni está tão contente; deixe assim, por favor.
— Preciso saber o que é para deixar assim. Fica incômod…
— Uau! Isso aqui é realmente delicioso. Vocês dois também provem.
Enquanto ele insistia demoradamente, Olga o fez comer gimbap sem aviso. Era generosa também na mão; não dava para saber quantos pedaços ela enfiava de uma vez. Mastigando a duras penas a comida na boca, ele encarava Yoon Jongwoo fixamente. Yoon Jongwoo apenas baixava os olhos e mexia as bochechas. Mesmo intimidado sob aquele olhar cortante, ele assentia com empenho para Olga, que perguntava se estava gostoso. O rosto, mais do que sorrir bobamente, tinha os próprios músculos completamente relaxados. Enfim.
Quanto tempo teria passado? O celular, até então silencioso, tocou. Era uma ligação da mãe. Ele tocou o botão de atender imediatamente.
— Sim, mãe. Estou indo agora. Precisa comprar alguma coisa?
Ela disse que ia começar a preparar o jantar e perguntou se havia algo que ele quisesse comer. Como a ressaca ainda não passara, ele desejava um caldo refrescante. Enquanto pensava num prato apropriado, Yoon Jongwoo se intrometeu de repente.
— Mãe, como vai? Sou eu, o Jongwoo.
— Ah, é o Jongwoo? Você está com o Jongwoo?
— …Estou, mais ou menos.
Ele empurrou Yoon Jongwoo, que grudava no celular. Só nessas horas ele era sociável e incomodava. Sua mãe ficou muitíssimo contente ao ouvir a voz dele depois de tanto tempo.
— Não seja assim, traga o Jongwoo junto. Faz tempo que não lhe faço uma refeição.
— Ah, é fim de semana. Ele também vai querer descansar; quem ia querer ir à casa do chefe?
— Não é nada disso, mãe! Hoje estou livre!
Ele levantava a voz, sem saber a hora de sair de cena. Nem arregalar os olhos em advertência silenciosa adiantava. Até sua mãe tomou o partido de Yoon Jongwoo.
— Ele mesmo disse. Traga sem falta, viu? Vou fazer o galbijjim de que o Jongwoo gosta.
— Muito obrigado, mãe. Nos vemos daqui a pouco!
— Isso, até logo. Ah, se der tempo, traga o senhor embaixador também. Falei com ele por telefone hoje de tarde, mas não sei se ele entendeu direito.
Ah. Um suspiro escapou do fundo de seu peito. Quando ela teria falado com Zhenya de novo? Teria sido quando ele estava desmaiado na cama dele? E ele não teria dito alguma obscenidade impronunciável? Ele olhou fixamente para Zhenya. Ele fez uma expressão inocente, como se perguntasse por que estava sendo olhado assim. Não conseguia entender por que os dois se empenhavam tanto em ligações nas quais nem se entendiam.
Suspirando, ele disse que estava bem.
— Quem era ao telefone?
Assim que ele terminou a ligação, Olga lembrou-o de sua existência. “Quem é, para sua voz mudar tanto assim?”, demonstrando uma curiosidade vigorosa.
Ah, ela também estava aqui. E o que fazer com ela?
Ele encarou Zhenya de novo. Ele parecia não ter pensamento algum. Aquele que largara a própria irmã numa residência oficial onde nem ele mesmo estivera muitas vezes não parecia disposto a cuidar dela hoje. Se dependesse só de sua vontade, gostaria de largar todos e ir sozinho. Mas já dissera que a levaria, e sua mãe prepararia a comida conforme o número de pessoas, então não podia. Também não era o caso de deixar sozinha, por mero incômodo, uma pessoa vinda de longe — ainda por cima com uma doença crônica.
Ficou subitamente exausto. Suspirou fundo, a ponto de o chão afundar.
De repente, uma sacola de compras voou em sua direção. Ele a agarrou sem pensar. Se não tivesse, ela teria batido em seu corpo. Já nem sabia quantas eram. Cansado a ponto de estar enjoado, ele tentou dissuadir Olga.
— Ei, vamos logo.
— Ora essa, fui convidada; como posso ir de mãos abanando? Uma pessoa tem que ter decência.
— Você não foi convidada; está se enfiando por acaso.
— Aquele é bonito. Mostre-me aquele também.
Quando ele acertou o ponto central, ela o ignorou abertamente e se concentrou só nas compras. Ele entendeu por que Zhenya disse que, se era para levar “aquilo”, ele iria na frente.
Só para decidir a roupa e os acessórios levou duas horas. Por causa do cabelo e da maquiagem, esperou mais uma hora e meia no salão. Ela agia como se fosse a uma festa, e não comer uma refeição de graça.
Quantas lojas de luxo teriam percorrido? Yoon Jongwoo, que se oferecera como carregador, entregou seus dez dedos logo cedo. Como, se deixado por conta, ela seria capaz de carregar até com a boca, ele foi pegando um por um, mas suas mãos também não tinham mais folga.
— Pare de comprar e vamos, por favor. Não tem nem onde colocar tudo isso.
— Hmm. Faltam tantas marcas. E o estoque todo já foi embora.
Sem escutar o que os outros dizem, ela só solta lamentos absurdos. Malditos aristocratas. Tomado de irritação, ele resmungou sozinho. Yoon Jongwoo, ao lado, riu e disse que soava como elogio e xingamento ao mesmo tempo. Esse desgraçado não tem amor-próprio.
— Hum, como não sei qual é o tom de pele dela, me dê este, este e aquele também.
Por fim, Olga quis comprar todos os lenços, que diferiam apenas na cor. Não podendo mais assistir àquilo, ele arrancou o cartão que ela estendia.
— Não. Esse não. Obrigado por nos mostrar os produtos.
— Não, por quê… A gente ainda nem viu os sapatos.
Olga olhou para trás, com pesar, para os lenços que não conseguira comprar. Se ela pretendia comprar até sapatos, quase não jantariam. Ele rejeitou o pedido de ao menos deixá-la presentear um vinho e seguiu para casa.
Ao chegar ao estacionamento subterrâneo, viu o Bugatti de Zhenya, que chegara antes. Hoje também, sem falta, ocupava três vagas. Olga, que reconheceu o carro do irmão, estalou a língua ferozmente.
— Estacionou de forma nojenta. Precisam instalar umas serras elétricas nas faixas do estacionamento. Para cortar na hora o que passar da linha. Só assim ele não estacionaria desse jeito.
E assim ela provava, mais uma vez, ser uma pessoa da família Bogdanov. Foi bom que Yoon Jongwoo não soubesse russo.
Com tanta bagagem, mal couberam no elevador. Ele destravou a fechadura com o dedo mínimo e, com esforço, abriu a porta de entrada. Olga soltou uma exclamação.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna