↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 32
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Extra. Normal Days 32
Terminou o banho mais devagar que o habitual e saiu. A casa continuava fria e vazia. Pegou o celular com a intenção de ligar para Zhenya. Bem nessa hora, a vibração tocou. Mas não era uma ligação de Zhenya. Na tela apareceram as três sílabas: “Yoo Nahyun”. Se ela tivesse esbarrado em Zhenya de madrugada, teria levado um belo susto. Ele precisava verificar se não houvera nenhum dano. Tocou o botão de atender.
— Sim.
— Kwon Taekjoo, você está vivo?
— Se estivesse morto, eu responderia?
— Sua voz parece a de quem vai bater as botas. A resseca não é brincadeira, hein?
— Ligou só para conferir isso?
Nesse momento, sentiu movimento do lado de fora da porta. Esticou o pescoço e olhou para o corredor que levava à entrada. Não demorou e cruzou olhares com Zhenya, que estava entrando. Ele não disse nada em especial. Apenas encarou fixamente Kwon Taekjoo e seguiu pelo corredor em direção à cozinha. Um ar gelado, difícil de nomear, pairava no ambiente. Parecia ter ficado emburrado de novo.
— Não. É que vou sair do país de novo depois do feriado. Achei que seria difícil te ver antes disso. Vou mandar o convite, então traga sem falta aquele seu amor “objetivamente bonito”, combinado?
— Sei lá…
Ele olhou de relance para Zhenya. Enquanto guardava as compras que trouxera, ele encarava Kwon Taekjoo de volta. Havia um descontentamento evidente em seu rosto.
— Depende. Se o trabalho não estiver corrido nessa época.
— Diga que é o casamento do seu único amigo de infância e implore. Parece que você é muito querido pelo seu chefe; um pedido desses ele não atenderia?
— Que história é essa agora?
— Ora essa. Que chefe vai pessoalmente buscar um subordinado bêbado? E ainda fica ligando até tarde da noite. E num fim de semana.
— Não, isso tem toda uma explicação… Houve uma emergência na embaixada, porque eu esqueci de anexar um documento importante e não enviei…
Ele deu uma desculpa desajeitada. Nem ele mesmo sabia o que estava dizendo. Forçava a cabeça embotada a funcionar enquanto se atrapalhava. Como não lhe ocorria nenhuma saída afiada, chegou a se contorcer de agonia.
Zhenya, que observava aquele comportamento bizarro, franziu o cenho e cruzou os braços.
— Você não tem nada com esse chefe, tem?
— Ter o quê?! Ainda está bêbada?
— Não, é que, do meu ponto de vista, o olhar daquele homem não me pareceu nada normal. Se você não tem intenção, é bom tomar cuidado.
— Ei, se for para falar besteira, desligue logo.
— Que sujeito antiquado. Você pode não ter, mas não se sabe quanto ao seu chefe, então grave bem esse conselho enquanto te dou.
— Se for para falar bobagem, desligue. Boa viagem.
— Não se esqueça de vir ao meu casamento, hein?
Ela desligou depois de dizer só o que queria até o fim. O ambiente ficou silencioso num instante. Afastando o celular do ouvido, ele olhou para Zhenya. Ele já havia desviado o olhar e estava absorto em organizar as compras. Ele sempre pedia para parar de comprar lámen, mas ele trazia sem falta, toda vez.
Sentindo-se estranhamente constrangido, ficou rondando por perto. De qualquer forma, era fato que o enganara, então achava que devia dar alguma desculpa ou pedir desculpas.
— Ei, sobre ontem…
— Você me fez de idiota com que facilidade.
— Não, é que…
— Foi divertido? A ponto de me esquecer completamente?
— Eu ia só dar sinal de vida e voltar.
— Para isso, você estava caindo de bêbado. E nem atendia o telefone. Ah, ou não atendeu de propósito?
Todo enroscado, ele ironizava o quanto podia. Por causa de quem ele tinha bebido daquele jeito? Ficou bastante indignado, mas não tinha argumentos. Enganar Zhenya não fora um erro acidental.
— Eu já tinha dito que ia, não dava para voltar atrás. E fazia dez anos, eu também queria vê-los pelo menos uma vez.
— De quem você sentia tanta saudade? Daquela mulher com quem acabou de falar?
— Que imaginação é essa? Não é nada disso.
— Não é? Então por que mentiu?
— Ora, porque você ia entender mal, esquisito, como está fazendo ago…
Ele explicava ativamente, mas ele de repente balançou a cabeça. Parecia que não iria escutar. Também parecia que não havia necessidade de explicações detalhadas.
— Taekjoo. Não se engane. Você é livre puramente porque eu fiz assim. Fui eu quem te soltou, por enquanto.
Dizem que o ser humano não muda com facilidade, e ele ainda solta ameaças desse tipo. Ele fingia que era uma enorme consideração aquilo que, entre amantes, deveria ser evidente. Para ele, mesmo uma disposição tão óbvia exigia esforço, paciência e concessões que nunca existiram antes.
— Quero dizer que, mesmo que você não tente me enganar de forma ridícula, estou preparado para aceitar ao menos um pouco de manha.
A frase seguinte, de alguma forma, soou como se o estivessem persuadindo.
— Onde eu estou, quem eu encontro, o que estou fazendo. Se quiser se apegar obsessivamente e me prender, faça isso.
— …O quê?
— Seja um noivado sem sentimento, seja um casamento. Se não gostar, arme um escândalo às claras. Vou achar bonitinho.
— Que porra de besteira é essa, do nada?
— Você disse que era inconcebível. Não disse também que me mataria se eu sumisse ou desaparecesse por vontade própria?
— Eu… eu?
— Você me ameaçou de forma variada, em todo tipo de idioma.
As duas orelhas dele ficaram em brasa. O coração começou a bater rápido. Que tipo de vexame ele teria feito? Suas pupilas vagavam, perdidas. Num instante, o calor subiu até a nuca. Era um sinal de que estava raramente perturbado.
Zhenya, em tom arrastado, revelou ainda mais das atrocidades da noite anterior, perguntando se era só aquilo.
— Você passou a noite inteira chorando e se agarrando em mim, pedindo que eu olhasse para você.
— N-não me faça rir! Não pode ter sido assim.
— Não, foi você mesmo, Taekjoo.
Ele afirmou com certeza e deu um passo à frente. Ele não queria mostrar o rosto que certamente estava afogueado. O olhar de Zhenya, que descia nitidamente sobre ele, também era constrangedor demais. Quando desviou o olhar e o empurrou, ele, ao contrário, enlaçou sua cintura e o puxou. Segurou seu queixo e virou seu rosto de volta para a frente. Seus olhos se encontraram tão perto que suas barrigas quase se tocavam. Ele encarou as pupilas de Kwon Taekjoo, nas quais ele mesmo estava gravado, como se fosse lambê-las.
— Não se aflija. Eu não vou sumir. A única vez em que não estarei ao seu lado será quando você estiver morto.
Ele apertou as duas mãos que seguravam Kwon Taekjoo. “Dói”, disse ele, mas a restrição não afrouxava.
— Então, a não ser que você queira que eu te mate com as minhas próprias mãos, nem imagine uma coisa dessas.
Até uma confissão romântica ele precisava fazer de um jeito tão sombrio assim? Achou tão absurdo que acabou rindo. Talvez pensando que ele estivesse zombando, o rosto de Zhenya se tornou visivelmente descontente. Ele puxou as duas orelhas dele e lhe deu um beijo estalado. O rosto dele, antes cheio de insatisfação, se abriu de repente. Quando os lábios se chocaram repetidas vezes, até uma expressão de perplexidade encheu as pupilas cor de vinho. Sempre que era ele quem tomava a iniciativa do contato físico, ele mostrava uma reação assim, pura. Por isso, mesmo que todos o chamassem de monstro, para ele não podia ser senão uma criança celestial.
— Você…
Estava tudo bem assim? Não se sentia solitário ao lado dele? Não teria se cansado, por acaso?
No instante em que ia perguntar, um celular tocou. Não era o telefone do próprio Kwon Taekjoo. Ele apontou com o queixo para o celular de Zhenya, que não parava de tocar. Mas ele apenas sentou Kwon Taekjoo sobre a mesa e ficou esperando, quieto e fervoroso, a próxima ofensiva de afeto. Não parecia ter a menor intenção de atender. Sem alternativa, ele mesmo conferiu o celular dele. Na tela havia um número desconhecido. Não parecia ser uma ligação nacional. Enquanto hesitava em atender, a ligação caiu.
Embora a ligação fosse para ele, Zhenya não se importava nem um pouco. Apenas dizia “Taekjoo” e colava os lábios em seu pescoço. Ele inclinou levemente a cabeça e abraçou a cabeça dele. Com os dedos longos, acariciou os cabelos macios cor de marfim e afagou languidamente até o couro cabeludo. A respiração de Zhenya se aprofundou ainda mais. Ele, que esfregava o nariz afiado no pescoço e na orelha dele, deleitando-se com seu cheiro, de repente enrolou a língua em seu pomo de adão saliente. O ponto sensível ficou quente e úmido, e logo seu humor se animou. Amassando as orelhas de Zhenya como quem as esmaga, ele, em vez de acalmá-lo, acabou por incitá-lo.
Nesse instante, a vibração tocou de novo. Ao olhar de relance, era aquele mesmo número. Fosse quem fosse, parecia ter algum assunto urgente. Quando ia apertar o botão de atender, Zhenya de repente mordeu seus lábios e se pendurou. Parecia um protesto silencioso para que não atendesse. Ele riu e inclinou a cabeça de leve. Então, tapando a boca dele, que ia se atirar de novo, ele afinal atendeu a ligação.
— Alô?
— …Hm? Quem é?
Quem perguntava, sem rodeios, quem era, era uma jovem que falava russo. Um forte déjà-vu o invadiu. A outra pessoa parecia sentir o mesmo, pois perguntou de volta, surpresa.
— Taekjoo?
Aquela voz era, sem sombra de dúvida, de Olga.
— Taekjoo! Quanto tempo.
Olga abriu a porta com um largo sorriso. Zhenya passou por ela e entrou primeiro. Olga também não deu sequer um olhar ao próprio irmão.
— Quando você chegou?
— Ontem à noite. Aquele sujeito não disse nada?
— Nem uma palavra.
— Eu sabia. Ontem à noite ele me largou aqui e foi embora sozinho, dá para acreditar? E ignorou todas as minhas ligações.
Ela resmungou bastante. Ele não tinha o que dizer. Teve a convicção infundada de que Zhenya deixara Olga sozinha justamente para ir buscar o próprio Kwon Taekjoo. Além disso, desde aquela madrugada até o sol a pino, não houve momento algum para ouvir notícias de Olga, de tanto que transaram.
Pigarreando sem necessidade, ele mudou de assunto.
— Por que você veio de repente?
— Como assim, por quê? Ele é do meu sangue, afinal; vim ver como ele se vira sozinho, a milhares de léguas daqui.
— Ele é criança? Que falta de vergonha. Se mandaram ele para cá, não era com ele que deviam se preocupar, e sim com este país.
— É exatamente o que eu disse. Quê, soou diferente? Lá em casa estão preocupados que aquele ser humano apronte de novo e cause um atrito diplomático. Não aconteceu nada ainda, né?
Então mandaram sabendo. Era evidente que mandaram de propósito, sabendo. A essa altura, o descaramento parecia ser tradição de família.
— E, já que estou aqui, é bom também ver o Taekjoo e conhecer que tipo de lugar é esse país chamado Coreia.
De algum modo, o verdadeiro objetivo parecia estar na segunda parte.
Ele entrou na residência oficial com atraso. A primeira coisa que lhe chamou a atenção foram as malas de viagem escancaradas de qualquer jeito no chão da sala de estar. Eram três, do maior tamanho. Não dava para saber quantos dias ela pretendia ficar. Era como se mais um estorvo tivesse sido acrescentado.
— Ei, e o almoço?
— Estou esperando.
— Pediu o quê?
— Sim.
— Como?
— É só pedir, existe algum método especial?
Olga fez uma expressão de quem não entendia por que ele perguntava aquilo. Ela teria dominado em um dia aquilo que Zhenya só aprendeu a duras penas depois de um ano morando na Coreia? Ou seria, inesperadamente, fluente em coreano?
— Sente-se, por ora. Quer comer alguma fruta?
Ela farfalhou uma grande sacola de loja de conveniência e tirou frutas. Eram laranja, melão, abacaxi, uva, tudo em embalagens pequenas. Comprou demais para quem estava sozinha. Havia mais três ou quatro sacolas daquele tamanho. Uma loja de conveniência não se chama assim à toa, mas fazer compras como se fosse para vários dias era igual nos dois irmãos.
— Achei que, como a Coreia é um país quente, as frutas seriam mais gostosas, mas parece que não é bem assim?
— É porque você comprou em loja de conveniência. Diga-se o que se disser, fruta a gente tem que ver e comprar pessoalmente no mercado tradicional.
— É mesmo? Então vamos lá também.
“Também”, ela disse. A nuance era estranha. Antes que ela entendesse mal e se decepcionasse à toa, ele deixou sua posição bem clara.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna