↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 30
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Extra. Normal Days 30
A natureza de Yoon Jong-woo, que buscava segurança, faria com que ele se adaptasse. Mas Zhenya era imprevisível. Ele pediu a Zhenya que protegesse Yoon Jong-woo, dizendo que ele estava em perigo. Depois de convencê-lo de que só assim ele poderia trabalhar tranquilo, ele aceitou. Lembrando-se do rosto do desgraçado, sentiu um aperto na consciência. Precisava voltar o mais rápido possível.
O encontro era num bar tradicional perto da faculdade. Parece que alugaram o local inteiro. Não havia música, só o som de conversas animadas. Ao entrar, alguns colegas olharam para ele.
— Ah, quem é esse? Kwon Taekjoo? Nossa, ele veio mesmo. Faz tempo. Vários cumprimentos. Alguns vieram apertar sua mão. O ar estava cheio de álcool. Ele sorriu e perguntou como estavam. Em vez de apertar as mãos, ele deu tapinhas.
Cerca de trinta pessoas estavam presentes. Yoo Nahyun estava no fundo, conversando. Seus olhares se encontraram. Ela sorriu. Ele acenou levemente com a cabeça.
Ele foi levado a um lugar vazio. Assim que sentou, recebeu uma bebida. Bebeu de um gole e colocou o copo na mesa. O copo foi cheio novamente.
— Por que você sumiu? Achamos que você tinha morrido. Sério. Depois que você foi para as forças especiais, não tivemos mais notícias. Como ninguém sabia que seu número mudou?
As perguntas se acumulavam. Ele sorriu. Mudou de número várias vezes ao entrar no NIS. Mesmo os colegas diziam que era exagero, mas ele preferia ser meticuloso. Num mundo onde informações pessoais vazam, descuido pode revelar sua identidade.
Mais algumas bebidas e o clima esquentou. Todos queriam saber como ele estava. Eles já tinham conversado bastante.
— O que você faz?
— Um pouco de tudo.
— Trabalha em algum lugar? Ou tem negócio próprio?
— Kwon Taekjoo, você nem se formou, ouvi? Fiquei chocado. Achava que você estaria numa grande empresa.
— É, acabou assim.
— Você devia ter o diploma. Nesta era de currículos.
— Meu trabalho não exige currículo. Talvez militar? Depois do serviço, você ficou?
— Esse cara, olha o corpo. Deve fazer trabalho físico. — Eles tocavam suas coxas e braços. Esses eram os momentos mais difíceis. Sempre perguntavam o que ele fazia. Ele dava respostas vagas, e eles pediam cartões de visita. Talvez por isso suas relações se tornaram escassas.
— Você é trabalhador autônomo? Por que não responde? — Sem resposta, eles concluíram que ele fazia algo embaraçoso. Quem comparece a reuniões de ex-alunos geralmente tem um trabalho socialmente reconhecido. Ou gosta de confraternizar. Ele não era desse tipo. Só Yoo Nahyun o faria ir.
— É mais ou menos. Arrisco a vida todos os dias — ele riu, para não estragar o clima. Eles acharam que era piada e riram.
— Casou?
— Não.
— O que fez até agora sem família? Eu já tenho dois filhos.
— É. Trabalhando muito, a idade chegou.
— Você vive para trabalhar?
— Parece que sim — ele riu de novo. Os outros eram casados ou estavam prestes a se casar. Mostravam fotos de família e da noiva. Era a idade. Ao ver vidas normais, ele se lembrava de como a sua era especial. Parecia que ele estava seguindo uma trajetória diferente. Imaginar o fim não o deixava feliz.
— Mas você deve estar vendo alguém, não? As mulheres não devem deixar.
— Pelo jeito que anda, dá para ver que tem namorada.
— …Tenho.
— Se tem, tem. Por que essa enrolação? Há quanto tempo?
— Um ano, talvez.
— Já está na hora de casar. O que ela faz?
— Funcionária pública.
— Ah, sim. Idade?
— Quatro anos mais nova.
— Uau, a diferença de idade que dizem ser perfeita! É bonita?
— Bem… objetivamente.
— Nossa, ele está enfeitiçado! Pessoal! A namorada do Kwon Taekjoo não é apenas bonita, é “objetivamente bonita”! — alguém gritou. Gritos e aplausos.
— Ei, quero ver como ela é. Tem foto?
— É! A gente vê e diz se é objetivamente bonita. — Todos pediam para ver. Ele jogou um ppeongtwigi (petisco) neles.
— Não tenho, seus idiotas. — Alguns tentaram pegar seu telefone, mas ele os impediu. Mesmo com a pressão, ele não cedeu. Sem sucesso, eles desistiram.
Depois, a conversa mudou para a faculdade, ex-alunos, professores e atualidades. No meio das risadas, seus olhares se encontravam. Queria cumprimentá-la, mas era difícil se levantar.
Todos estavam atentos ao reencontro. Se ele fizesse algo, iriam provocá-lo. Yoo Nahyun ia se casar, e ele tinha namorada, mas isso não importava.
As notícias de Yoo Nahyun vieram dos outros.
— Yoo Nahyun foi estudar no exterior depois de se formar, fez mestrado em Massachusetts. Você conhece a empresa M, Taekjoo? Ela é pesquisadora sênior lá.
— Conheceu o marido na empresa. É estrangeiro.
— Ela é muito boa. Depois de casar, vai fazer doutorado. Estou curioso para ver até onde ela vai.
— Que bom.
— Mas vocês dois não se falam? Na faculdade, viviam juntos. — A pergunta fez o silêncio. Yoo Nahyun também olhou para ele.
— Já disse. Tive que cuidar da minha vida. — Ele cortou a conversa e mudou de assunto. Yoo Nahyun também voltou a conversar. Sem mais o que dizer, eles apenas observaram.
Algumas horas depois, lugares vagos apareceram. Os que ficaram estavam bêbados. O ar estava pesado. Ele saiu para tomar ar. Seus pulmões se encheram de oxigênio.
Pensou em fumar. Olhou para a loja de conveniência. A porta do bar se abriu, e alguém saiu. Yoo Nahyun. Ele a observou, e ela se aproximou. Ofereceu-lhe um cigarro. Ele pegou um.
— Faz tempo. Uns dez anos?
— Sim, mais ou menos. — Fumaram um cigarro em silêncio. A conversa começou depois.
— Como você está?
— Corrido.
— Sua mãe está bem?
— Sim.
— Ainda solteiro? Ela não fala nada? Ela deve querer que você case.
— Só de olhar, já fala em casamento.
— Então por que não casa? Ouvi dizer que está vendo alguém. Objetivamente bonita.
— Você também vai me zoar? — Ele se irritou, e ela riu. O riso parecia o mesmo.
— Não, pensei que, se você a apresentasse, sua mãe pararia de encher. Sua namorada se incomoda? — Todos achavam que a namorada era mulher. Ele também achava, até um ano atrás.
— Não é isso. Eles já se conhecem. Quase melhores amigos. Ela vê minha mãe mais do que eu.
— Então é mais estranho. Sua namorada não está pronta para um pedido? Kwon Taekjoo, você está sendo insensível?
— O que eu fiz?
— É surpreendente que você não saiba.
— Estamos bem assim. Ela também não parece pensar em casamento.
— Você perguntou?
— Preciso perguntar?
— Mesmo que pareça óbvio, às vezes não é. Você é um pouco indiferente? — Era um conselho de amor ou uma reclamação antiga? Era absurdo.
— Casar não prova o amor. Cada um ama de um jeito. Por que casamento é a única resposta? Se gosta, é só ficar junto.
— …… — Yoo Nahyun ficou em silêncio. A cinza do cigarro voou.
— Que reação é essa?
— Nossa. Kwon Taekjoo, falando sobre amor… Estou vendo coisas.
— Não, quem falou em amor? É só uma opinião geral.
— Se não ama sua namorada, por que suas orelhas estão vermelhas?
— O que tem minhas orelhas?
Ele agarrou as orelhas. Estavam quentes. Por causa da bebida?
Ele pegou o maço de Yoo Nahyun. Acendeu outro. Ela riu.
— Muda de assunto.
— Por quê, é divertido.
— Vou entrar?
— Tá bom, tá bom. — Yoo Nahyun o segurou. Então, falou sobre si mesma.
— Vim para organizar minha vida na Coreia.
— Você vai morar fora?
— Sim. Meu futuro marido é americano.
— E sua família?
— Depois que me formei e fui estudar, me afastei. Voltei duas vezes. No aniversário da minha mãe e na formatura do meu irmão. Agora, penso neles como parentes distantes. Assim ninguém se magoa. minha mãe e meu irmão parecem mais confortáveis. Ela disse que viria ao casamento e ajudaria no pós-parto, mas não sei. — Ele apenas acenou. Já estava decidido. Ele sempre ouvia em silêncio, sem se intrometer. Yoo Nahyun se sentia à vontade para desabafar.
Yoo Nahyun se virou para ele. Examinou-o da cabeça aos pés. Sorriu.
— Por quê.
— Você ficou mais bonito, Kwon Taekjoo. Parece mais homem. Sempre tive curiosidade. Queria te ver antes de ir para os EUA, mas também tinha medo. Se meu primeiro amor tivesse virado um tiozão barrigudo?
— Devia ter virado. — Ele brincou sem humor. Yoo Nahyun o bateu nas costas. Disse para deixar uma boa lembrança na Coreia.
O vento soprou. Eles ficaram em silêncio. Sorrisos suaves. Quem compartilhou um momento pode se lembrar.
— Você já contou sobre mim ao seu futuro marido? Que fui rejeitado onze vezes? — Ele ficou curioso. Quer que você vá ao casamento.
— Que travessura. Brincadeiras de infância.
— Parecia brincadeira? Eu sempre fui séria.
— O que é isso?
— Não é brincadeira. Fingi que era para não ficar estranho depois de tantas rejeições. — Ela estalou a língua. Não sabia se ela realmente pediu onze vezes. Mas ele nunca levou a sério. Ela era amiga, rival, alguém com uma dor semelhante. Nunca a viu de outra forma.
Mas não era como se ela não tivesse atrativo. Comparada às outras mulheres, ela era assim. Por que ele não a viu?
— A última vez foi no funeral do seu irmão? — Foi quando ele se alistou. Uma ligação tarde da noite. Seu coração gelou. Lembrou-se da última chamada com seu irmão. O mau pressentimento se confirmou.
Sua mãe estava fora de si. Só murmurava. Pedia um milagre.
Não funcionou. Seu irmão voltou como um cadáver gelado. Nem seu corpo estava intacto. Sua mãe desmaiou. Ele não podia fazer nada.
Colegas foram ao velório. Yoo Nahyun estava lá. Ela ficou depois de todos. Não se aproximou. Ele a viu ao amanhecer.
Yoo Nahyun lembrou:
— Eu só queria ficar ao seu lado. Sabe o que você disse?
— …… — Ele não lembrava. Foi há muito tempo. Ele tentou esquecer.
— Disse que só restava eu para sua mãe, então não podia. Queria que eu encontrasse alguém que me priorizasse. Que não podia ser você. Entendi.
— ……
— A pessoa que você está vendo agora, como ela é? Foi amada? Ela não depende de você? Você não precisa estar sempre ao lado dela? — Ele não pôde responder. Não se aplicava a Zhenya. Sua situação não mudou. Por que Zhenya sim e Yoo Nahyun não?
— Se for assim, parabéns. Se não for, parabéns também — ela riu.
— É alguém que derrubou o teimoso Kwon Taekjoo. Será? — Zhenya era tão carente quanto Yoo Nahyun, talvez mais. Por isso, ele sempre queria estar perto, seguindo-o para onde quer que fosse. Ninguém mais faria isso. Com tantos segredos, viagens e pouco descanso, quem entenderia?
Ele até deixou tudo para trás e veio para a Coreia. Onde não tinha interesse, sem saber o idioma. Só para ficar ao lado de Kwon Taekjoo. Seria mais fácil prendê-lo. Mas ele não faz isso. Com medo de ser odiado. A persistência, tão inadequada, era comovente.
Seu coração se agitou. Sentiu que tinha feito algo horrível a Zhenya. De repente, sentiu saudades.
— Ei, Kwon Taekjoo! Ei… acorda. Não sei onde você mora. — Ele sacudiu Kwon Taekjoo, que estava dormindo de bruços. Não houve resposta. Garrafas vazias de soju rolavam pela mesa. A maioria ele tinha bebido. Ele só ia beber um pouco, mas Kwon Taekjoo começou a exagerar. Bebia em silêncio. Devia estar preocupado.
Sobravam seis pessoas, incluindo eles. Já passava das 3 da manhã. Estavam bêbados, mas conseguiam ir para casa.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna