↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 29
- Início
- Todos Os Mangas
- Codename Anastasia (Novel)
- ↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 29
Extra. Normal Days 29
— Ah, é aqui. — Kwon Taekjoo levantou a mão. Os passos de Yoon Jong-woo, que vinha correndo animado, desaceleraram. Porque, à frente de Kwon Taekjoo, estava sentado um estrangeiro alto, de costas para a entrada. Ele pensou que podia ser, e o mau pressentimento se confirmou. O louco russo, Zhenya, era quem o olhava.
— Ve, veterano…? — Com dificuldade, ele moveu os olhos e olhou para Kwon Taekjoo. Ele tinha vindo correndo depois do trabalho, porque Kwon Taekjoo ia pagar um churrasco. Ele não foi avisado de que haveria outra pessoa. Se fosse um humano normal, não se importaria.
Mas Zhenya era diferente. Se soubesse que ia comer com ele, Yoon Jong-woo nunca teria vindo.
— Senta. Estou com fome. — Kwon Taekjoo, sem dar muitas explicações, bateu no lugar ao lado. Yoon Jong-woo, segurando a alça da bolsa, só olhava para Zhenya. E se ele fugisse agora? Seria agarrado? O desgraçado ficaria ofendido e quebraria seu pescoço? Imaginando cenários violentos, ele se sentou hesitante. Zhenya o encarava. Encarar aqueles olhos cor de vinho o intimidava. As pupilas das pessoas são tão visíveis assim?
— O que você vai comer?
— Não posso só ir embora?
— Por quê? Você estava tão feliz por eu pagar o churrasco.
— Perdi o apetite. Não estou com fome. Acho que estou com indigestão!
— Se está com indigestão, tem que comer para passar. Filé?
— Não, com a companhia, é melhor eu ir. — Involuntariamente, ele implorou. Kwon Taekjoo, fingindo que não ouvia, chamou o garçom e pediu um monte de coisas.
Logo, a mesa estava cheia de acompanhamentos. Durante todo esse tempo, Zhenya não tirou os olhos de Yoon Jong-woo. Por mais que tentasse desviar, era impossível ignorar aquele olhar. Será que é assim que se sente diante de um tigre? Ou preso num tanque com um tubarão. Suas pernas tremiam.
— Em vez de ficar se encarando, se cumprimentem. São amigos.
— …Que?
— Vocês têm a mesma idade — Kwon Taekjoo acrescentou com indiferença. Yoon Jong-woo sabia que Zhenya tinha a mesma idade que ele. Sempre pedia para investigar. Mas ‘amigos’… Era a coisa mais absurda que já ouvira. Isso nunca poderia acontecer. Um aviso instintivo.
— Veterano, por que está fazendo isso comigo? — Ele agarrou o braço de Kwon Taekjoo e o sacudiu. Era um gesto desesperado para que o deixasse ir. Então, Zhenya o encarou com mais intensidade. Algo o irritou. Yoon Jong-woo, assustado, fechou a boca. Até os lábios se contraíram. Suas mãos ficaram quietas sobre os joelhos.
— Então é você? O colega mais novo que bebeu com o Taekjoo?
Ele pensou que o louco russo tinha aquela voz. O tom era diferente de tudo que já ouvira. Parecia um pouco mais fino, mas era único. A entonação lenta e distorcida era uma característica do russo? Como não falava russo, não sabia. Não fazia ideia do que Zhenya dissera. Só sorriu, imitando Kwon Taekjoo.
Kwon Taekjoo, com um sorriso forçado, o avisou.
— Ei, não olhe assim. Ele está assustado.
— O que eu fiz?
— Com alguém que você acabou de conhecer, tenha o mínimo de educação. Sorria, seu idiota.
— Não gosto dessa cara de bobo.
Ele só conseguia rolar os olhos. Zhenya continuava a olhá-lo com desconfiança. Dizem que um sorriso não ofende, mas na Rússia não funciona. Seu olhar frio transmitia todas as negativas. Ele estava numa cama de agulhas.
Kwon Taekjoo, dizendo algo a Zhenya, colocou os pratos de milho com queijo, salada de frutas e jeon de batata no lado oposto. Não eram os acompanhamentos favoritos de Kwon Taekjoo, mas ele não era do tipo que se dava ao trabalho de mover as coisas. Será que o louco, mesmo sendo estrangeiro, não podia comer comida picante?
Observando com curiosidade, Kwon Taekjoo de repente envolveu seu pescoço.
— Jong-woo, me faz um favor.
— Não faça.
— Ei, não é para isso que serve um colega mais novo? Me ajuda só desta vez.
— Sabe quantas vezes já ouvi esse “só desta vez”? Tenha um pouco de consciência. — Enquanto discutiam, ele olhou para Zhenya. Era impossível ignorar o olhar intenso.
— Vocês dois parecem muito próximos, hein?
Mesmo sem entender, ele sabia que Zhenya o detestava. Seus olhos azuis eram afiados como uma lâmina.
— Veterano, pede para ele parar de me olhar assim. Parece que não gosta de mim.
— Não seja assim, vocês dois se deem bem.
— Não. Quando eu sair daqui, vou esquecer que ele existe. Vou viver sem saber.
— Só por hoje.
— Não quero.
— Não vai dar — Kwon Taekjoo murmurou, como se estivesse em apuros. Um mau pressentimento.
— O que quer dizer com “não vai dar”?
— Você tem que fazer companhia a ele hoje. — O rosto de Yoon Jong-woo perdeu toda a expressão. Ele balançou a cabeça, achando que tinha ouvido errado. Kwon Taekjoo acenou com a cabeça. Ele riu alto. Então, franziu a testa e sussurrou.
— Que besteira é essa?
— Ei, me ajuda. Só meio dia. Ok?
— Não, ele não é criança. Por que eu tenho que cuidar dele? — Ele apontou para Zhenya, que franziu a testa. Só aquela reação já o fez recuar. Meio dia com aquele homem? Era impossível.
Kwon Taekjoo continuou a persuadir.
— Se aquele desgraçado me seguir, vai dar problema.
— Onde o veterano vai?
— Eu? Vou ver uns colegas da faculdade.
— Então leva ele. Mostra como é o louco russo. Diz que ele é o embaixador russo. Ele vai ser o centro das atenções.
— Ah, não brinca.
— O veterano é que está brincando.
— Só hoje, por favor. Ok? Eu compro qualquer item de jogo que você quiser.
— Deixa disso. Sabe quanto custa?
— Cinco bilhões, no máximo.
— Cinco bilhões? Ha, veterano. Itens de jogo não são dinheiro virtual, são dinheiro de verdade.
— Eu sei.
— E quando o senhor disse que gastar 5 mil wons era desperdício?
— É, mas eu tenho um dinheiro que não me custou nada. Aquele desgraçado me deu de gorjeta. Dinheiro sujo é melhor gastar assim, menos culpa. — Que história era essa? Será que ele estava falando sério? De repente, veio à mente um item raro que valia o salário dele. Um item que custava o preço de um carro. Kwon Taekjoo ia comprar? Ele não acreditava, mas, vindo de Zhenya, parecia confiável.
Passar meio dia com um louco russo em troca de itens especiais. Seu nível subiria, e sua posição no jogo mudaria.
Mas valia a pena arriscar a vida? Pensando, ele balançou a cabeça.
— Ah, não sei. O veterano vai fazer o que tem que fazer, por que eu tenho que me sacrificar?
— Só tenho você em quem confiar…
— Pare de confiar em mim! Por favor, não confie! Não quero! — ele gritou. Sem mais argumentos, Kwon Taekjoo desistiu.
— Ha, não tem jeito. — Ele deixou os ombros caírem e suspirou. Colocando a carne na chapa, parecia cansado. Yoon Jong-woo não se importou. Já estava acostumado a ser manipulado por Kwon Taekjoo. Hoje, ele só queria comer o churrasco.
O problema era a atmosfera hostil criada por Zhenya. Seu olhar não se desviava de Yoon Jong-woo. Se seu olhar fosse uma faca, ele estaria sendo dissecado.
Com medo de dar motivo, ele não pegava nenhum acompanhamento, apenas chupava os pauzinhos vazios.
— O que foi? Come, está pronto. — Kwon Taekjoo cortou a carne e ofereceu. Lembrando-se, pediu um garfo ao garçom. Colocou-o na frente de Zhenya. O garfo, que parecia de criança, contrastava com o tamanho do desgraçado. Claro, até aquele garfo poderia acabar com sua vida.
Ignorando os pensamentos, ele comeu a carne. Ela derreteu na boca. O sabor era excelente.
— Come bastante. — Kwon Taekjoo empilhou carne na frente de Yoon Jong-woo. Ele mesmo mal comeu. Yoon
Jong-woo se ofereceu para grelhar, mas ele recusou. Ele fez um ssam para ele, mas, com o olhar de Zhenya, colocou-o na própria boca. Seu comportamento era como o de um animal com ciúmes do dono.
Depois de grelhar por um tempo, Kwon Taekjoo se levantou. Yoon Jong-woo agarrou sua roupa.
— Onde vai?
— Ao banheiro e fumar um cigarro.
— Então vou também.
— Não precisa me seguir ao banheiro. Come. — Kwon Taekjoo o dispensou. Antes de sair, disse algo a Zhenya em russo. Zhenya acenou com a cabeça, relutante. Então, examinou Yoon Jong-woo com desprezo. Pareceu até estalar a língua.
Logo, só os dois ficaram na mesa. Sem conversa. A carne queimava, mas ele não ousava tocar. Só olhava para o banheiro, esperando Kwon Taekjoo voltar.
Mas o tempo passava e ele não aparecia. Ele mandou uma mensagem.
[Veterano?]
[Por que está demorando tanto?]
[Estou sufocando.]
[Desculpa, Jong-woo. Me faz um favor.]
[O quê?]
[Veterano?]
[Não, certo?]
[Vou voltar logo, fica de olho nele.]
[Ah, se ele sumir de repente, me liga.]
[Pense que é prevenção de terrorismo, proteção civil.]
Com essa última mensagem, ele parou de ler. Tentou ligar, mas ele não atendeu.
— Não acredito!
Ele se levantou e gritou. Todos olharam. Zhenya também o olhou estranhamente. Receber um olhar de “Você está louco?” de um louco era uma sensação estranha. Com o que ele teria convencido Zhenya para ficar?
Com os olhares, ele se sentou. Suava em bicas. A carne queimava como seu coração. O garçom perguntou se podia desligar o fogo. Ele queria pedir para o desligarem também.
O garçom foi embora, e um silêncio mortal se instalou. Zhenya, de braços cruzados, o observava. Ele olhava para a janela. Não via nada.
— A propósito, tenho uma pergunta.
Zhenya falou de repente. Ele se assustou. Ele usava um inglês fluente, com sotaque americano. Mas, com a pronúncia e entonação russas, parecia outra língua. Talvez a impressão de elegância viesse de sua aparência vistosa.
— Sim? Para mim? O que… fale.
Mesmo sendo da mesma idade, era impossível ser à vontade. Sua voz tremia. Zhenya perguntou com uma expressão de desconfiança.
— Quando o Taekjoo me chama, ele sempre usa a palavra coreana “saekki”. O que significa?
A pergunta inesperada o deixou sem reação. Como responder com segurança? Ele engoliu em seco.
Lembrando do comportamento de Kwon Taekjoo, a resposta era óbvia. Quando entrou, ele era um chefe difícil. Raramente se viam, e quando acontecia, não havia conversas inúteis. Ele pensava que era calado. Engano. Quando se tornaram próximos, ele brincava e cuidava dos outros. Só no trabalho ele era diferente. Usar “saekki” era um sinal de intimidade.
Mas com Zhenya, era mais xingamento do que intimidade. Eles começaram com uma má relação. Por mais que o odiassem, ele não o acharia fofo.
A resposta estava clara. O problema era que não podia dizer a verdade. O louco não se importava com o que os outros pensavam, mas não ia gostar de ser xingado.
Ele bebeu água para ganhar tempo. Como responder?
— Procurei no tradutor e diz que significa “baby”. Não é isso?
Ele quase cuspiu a água. Com a explicação, tossiu por um tempo. Zhenya franziu a testa.
Melhor assim? Pelo menos não era um xingamento. Sem saber o que fazer, ele arriscou.
— Sim, é quase isso. É um apelido carinhoso entre pessoas muito próximas.
Kwon Taekjoo poderia ter problemas, mas ele precisava sobreviver. Afinal, foi ele quem o colocou nessa situação.
— Hmm… baby.
Zhenya murmurou e recostou-se. Seus lábios sorriam, como se estivesse pensando em algo.
Ele andou rapidamente. Embora tivesse deixado Zhenya com Yoon Jong-woo, não estava tranquilo. “Não tinha jeito”, ele se justificou. Se dissesse que ia ao encontro, Zhenya não ficaria quieto. Ele o impediria de ir ou atrapalharia de um jeito inesperado. Ele o seguia até zonas de operação; não havia garantia de que não apareceria no encontro.
↫────☫────↬
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna