↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 28
- Início
- Todos Os Mangas
- Codename Anastasia (Novel)
- ↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 28
Extra. Normal Days 28
— Ah… estou morto. — Até sua voz de lamento estava rouca. Era vergonhoso. Ele não deveria ter provocado o desgraçado. Ele se arrependeu do que tinha dito enquanto era atormentado a noite toda. Tentou retirar, mas o desgraçado não ouvia. Como quando fez fisioterapia naquela outra ocasião, seu corpo foi dobrado de várias maneiras.
Ainda era sábado ou já era domingo? Que horas seriam? Será que o NIS tinha contatado? Curioso, ele não tinha coragem de se levantar. Esfregando a cabeça no travesseiro, ele se enrolou. Por hábito, tocou o lugar ao lado e ainda havia calor. Parecia ouvir o som da água. Depois de gastar tanta energia, ele ainda tinha forças para se mover.
— Aquele cara não é humano. Resmungando, ele ia dormir mais um pouco, quando o telefone tocou. Não era do quarto. Será que devia ignorar? Pensando por um momento, ele se levantou com dificuldade. Se fosse uma chamada da sede, as consequências seriam só suas.
A cada passo, a sensação dentro das nádegas era estranha. Suas coxas doíam, e seu interior, tão mexido, era indescritível.
O telefone estava na mesa da cozinha. Zhenya devia tê-lo colocado ali. Ele o pegou e verificou o remetente. Era um número não cadastrado. Assim como há alguns dias, seria telemarketing? Enquanto hesitava, a vibração diminuía.
Ele verificou as chamadas perdidas. Felizmente, não havia contato da sede. Apenas uma mensagem de Kang Chan-woo, com o local e horário do encontro de colegas, e um pedido insistente para comparecer. Depois que Zhenya voltou, ele se concentrara tanto nele que tinha esquecido.
Voltando ao topo, ele observou o número que ligara há pouco. O final do número parecia familiar. Quem era? Enquanto tentava lembrar, a tela mudou e a chamada chegou. Era o mesmo número.
Desta vez, ele atendeu sem hesitar.
— Alô. Alô? Kwon Taekjoo?
Só de ouvir isso, ele soube quem era. Já havia mais de dez anos. A voz de uma pessoa também ganha profundidade e ressonância com o tempo.
Mesmo assim, ele reconheceu.
Sou eu. Yoo Nahyun.
Como eles ficaram tão próximos?
Yoo Nahyun dizia que gostava da indiferença de Kwon Taekjoo. Kwon Taekjoo não negava os boatos de que namoravam. Ele também não se distanciava de Yoo Nahyun. Era mais porque ele não se importava com os boatos. E porque ninguém saía perdendo com eles.
Naquela época, ele não tinha ninguém especial, nem se importava com ninguém. Por isso não via necessidade de se explicar. Quando as pessoas o viam como namorado de Yoo Nahyun, as fofocas sobre ela diminuíam. Mesmo que ela recusasse avanços indesejados, ninguém a criticava abertamente. Se ela não comparecesse a encontros ou eventos, não havia problemas. Todos achavam que era por causa do namoro. De vez em quando, reclamavam que ele monopolizava a namorada. Isso devia ser confortável para ela.
Para Kwon Taekjoo também era a mesma coisa. Andar com Yoo Nahyun reduziu os incômodos. Às vezes, era mais confortável do que estar com os amigos. Yoo Nahyun nunca fazia perguntas pessoais ou se intrometia. Nunca pedia favores excessivos. Pelo contrário, guardava lugar na sala de aula ou na biblioteca, pegava livros e artigos para os trabalhos e, quando conseguia provas antigas, compartilhava, ajudando-o muito. Ela dizia que era para uma competição amigável, mas talvez fosse a maneira dela de agradecer.
Mas não havia nenhum clima de namoro entre eles. Pelo menos, era o que Kwon Taekjoo pensava. Ele nunca viu Yoo Nahyun como mulher. No dicionário de Yoo Nahyun, namoro não parecia ter lugar. Talvez a ambição de sucesso. Pelo que ele se lembrava, ela sempre estava olhando para frente. Ele descobriu o motivo mais tarde.
— Na verdade, fui criada num orfanato.
Foi quando Yoo Nahyun se inscreveu para um programa de intercâmbio. Se não houvesse imprevistos, a seleção dela era certa.
Naquela época, Kwon Taekjoo estava prestes a se alistar. Talvez por isso, ela quisesse desabafar. Era a primeira vez que ouvia isso, e como ele via fotos de família na carteira dela, ficou surpreso.
— Eu vi uma foto de família sua antes.
— Sim. Fui adotada.
Yoo Nahyun respondeu com indiferença, balançando o copo de soju vazio. Embora surpreso, ele não demonstrou. Apenas encheu o copo dela em silêncio.
— Meu pai adotivo era bombeiro.
— Por que passado?
— Ele morreu em serviço. Quando eu estava no ensino médio.
Ele acenou com a cabeça. A situação de Kwon Taekjoo na época não era muito diferente. Yoo Nahyun também sabia disso.
— Quando soube que seu pai também morreu em serviço, senti uma afinidade enorme. Sei muito bem o que acontece com uma família quando se perde o chefe de repente.
Talvez Yoo Nahyun tivesse se aproximado por isso. Não porque o visse como rival, nem porque ele fosse indiferente a ela, mas porque ele era alguém de um ambiente semelhante que alcançou os mesmos resultados.
— Aparentemente, fui filha de uma mãe solteira. Fui entregue a um orfanato ao nascer e vivi lá até os sete anos. Meu pai adotivo vinha regularmente fazer trabalho voluntário. Ele era muito quieto, mas muito carinhoso. Gostava muito de mim. Não sei, talvez tenha sido impressão minha. Às vezes vinha com os colegas do corpo de bombeiros, outras vezes com minha mãe adotiva.
Yoo Nahyun, lembrando do passado, sorriu. Era o rosto de alguém sonhando. Era a primeira vez que ele a via sorrir daquele jeito.
— Gostei da minha mãe adotiva desde o início. Quando via TV, queria ter uma mãe, e ela era exatamente como eu imaginava. Gentil, carinhosa, comunicativa, atenciosa. Quando soube que eles seriam meus pais, chorei tanto de alegria. Chorei tanto que eles se preocuparam se eu estava com medo. Assim, nos tornamos uma família, e quando eu estava no ensino fundamental, minha mãe engravidou do meu irmão. Foi uma criança preciosa, depois de 10 anos de casamento. Todos diziam que eu era uma bênção. Depois que fui adotada, houve muitas coisas boas na família. Eu também era muito feliz. Nunca tinha sido uma existência bem-vinda antes. Parecia que eu tinha me tornado uma pessoa completamente diferente. Ansiosa para ter outra família, não conseguia dormir. Queria fazer muitas coisas pelo meu irmão.
De repente, veio à mente a história clichê de ‘criança adotada que perde espaço quando o filho biológico nasce’. Yoo Nahyun balançou a cabeça.
— Depois que meu irmão nasceu, meus pais continuaram a me apoiar e a me amar. Meu irmão também era muito fofo e gostava de mim. Uma família ideal, que só existia na minha imaginação, se tornou realidade. Eu era tão feliz a cada dia…
Yoo Nahyun, que falava com êxtase, suspirou fundo de repente. Havia um arrependimento naquele suspiro.
— Então meu pai morreu. Houve um grande incêndio num prédio comercial. Ele foi resgatar pessoas presas e não conseguiu sair. Foi como se metade do meu mundo tivesse desabado. Tristeza, desespero. Mas a infelicidade não terminou ali.
O que teria acontecido? Ele estava curioso, mas não se intrometeu, esperando a continuação.
— Fiquei de luto o tempo todo. Queria fazer aquilo. Havia muitos velórios, parentes, colegas do meu pai, amigos, vizinhos… Na véspera do enterro, um ex-colega apareceu. Perguntou se eu era a filha mais velha, e eu, sem saber, disse que sim. Ele contou uma história estranha.
Ele inclinou a cabeça. Não conseguia imaginar o que viria.
Yoo Nahyun riu, como se ainda achasse absurdo. Seu rosto mostrava várias emoções.
— Na verdade, eu era filha biológica do meu pai falecido. Ele tinha uma amante, que me teve, e como não podia me criar, me entregou ao orfanato. Meu pai, ao saber, continuou fazendo trabalho voluntário para me ver. minha mãe adotiva, sem saber, sugeriu a adoção.
— …O quê?
— Como ele estava bêbado, não havia credibilidade. Não sabia o quão próximo ele era do meu pai. Mas não podia simplesmente ignorar.
O que teria acontecido? Se o ex-colega estivesse certo, o marido falecido, tendo uma esposa infértil, teve um filho de um caso e, escondendo-a, a adotou. Uma bomba caiu na homenagem à vida altruísta e dedicada do falecido. Verdade ou não, era impossível imaginar como a mãe adotiva e Yoo Nahyun se sentiram. Ele não sabia o que dizer.
— Não fiz teste de paternidade. minha mãe disse que não era necessário, que não faria. Disse para não desonrar o falecido, que ele não era assim, que devíamos acreditar. Talvez devesse ter feito. Depois de ouvir aquilo, as coisas não puderam ser como antes. Sentia que minha mãe ficava desconfortável comigo, e eu me sentia culpada com ela e meu irmão.
Yoo Nahyun bebeu o copo de uma vez. Respirou fundo. Quando falou de novo, sua voz estava mais animada.
— A partir daí, decidi que precisava ser independente. minha mãe já teria dificuldades criando meu irmão sozinha. Eu, pelo menos, não queria ser um fardo.
Só então ele entendeu por que Yoo Nahyun sempre trabalhava tanto. E por que se esforçava para manter notas altas.
— Às vezes penso se teria sido diferente se meu pai não tivesse morrido. É inútil. Mas quanto mais penso, mais quero criar máquinas que possam ser enviadas a locais perigosos para resgatar pessoas. Para que não haja mais sacrifícios como o do meu pai.
De uma forma ou de outra, ele foi quem lhe deu uma família. Yoo Nahyun parecia sentir falta da época em que ele estava vivo. Talvez para sempre.
— Contei à minha mãe que provavelmente iria como intercambista.
— O que ela disse?
— Ela me elogiou, disse que estava orgulhosa. Mas o coração humano é assim. Queria que ela pedisse para eu não ir, que sentisse minha falta.
Yoo Nahyun riu sem graça. Seu olhar permaneceu no copo vazio.
— Acho melhor ser feliz o suficiente. Se fosse, não sentiria isso. Aquele tempo, que nunca mais voltará, era tão bom que nada pode preencher. Sempre me sinto perdida e vazia. Como se estivesse sozinha no mundo.
Yoo Nahyun, que resmungava, ergueu a cabeça e disse “Então”. Seus olhares se encontraram. Seus olhos castanhos pareciam transparentes. Por causa das lágrimas.
— Kwon Taekjoo, fica do meu lado.
— …Taekjoo?
Ele foi chamado e voltou a si. Zhenya, que tinha acabado de tomar banho, estava atrás dele. Totalmente nu.
— Seu louco, veste alguma coisa.
— Já não é novidade.
Ele deu de ombros e foi em direção à geladeira. Seu pênis, balançando, estava mais vermelho do que o normal, talvez por causa do banho ou do atrito da noite. As marcas de ter colocado e tirado a camisinha várias vezes também estavam escuras, como anéis, o que era bastante erótico. Sem falar nas marcas de unhas em suas costas largas e braços. Ele olhou para as próprias unhas. Mesmo curtas, estavam assim.
Zhenya pegou uma garrafa de água na geladeira e bebeu. Enquanto isso, seu olhar permanecia fixo em Kwon Taekjoo.
— Mas, quem era?
Ele fez uma expressão de quem não sabia, e o desgraçado apontou com o queixo para o telefone. Ele deve ter ouvido a chamada. Podia dizer que era a mãe ou algo do trabalho. Para evitar problemas, seria melhor. Mesmo assim, ele respondeu. Não havia o que esconder.
— Um colega da faculdade.
— Um colega da faculdade? Já faz mais de dez anos que você se formou.
— Sim.
— O que ele quer agora, depois de todo esse tempo?
— …Bem, não está errado, mas por que você faz tudo parecer estranho?
— Porque você ouve com malícia. Ou porque está com a consciência pesada.
Ele o provocou e perguntou quem era. Não havia nada que Zhenya pudesse imaginar, e não havia razão para esconder, mas ele não podia dizer o nome de ninguém. A vida normal do colega seria arruinada.
Ele mudou de assunto, dizendo que estava com fome. Zhenya, com um olhar de desaprovação, colocou água para ferver por hábito. Provavelmente ia fazer macarrão. Normalmente ele reclamaria, mas naquele dia ele pediu jjajangmyeon picante para distraí-lo. O desgraçado, como sempre, disse que aquilo não era comida. Ele riu, pensando em fazê-lo provar.
À pergunta de Yoo Nahyun se ele iria ao encontro, ele disse que provavelmente sim. Não era por segundas intenções ou nostalgia. Ele só achava que devia vê-la uma última vez.
↫────☫────↬
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna