↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 25
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Extra. Normal Days 25
Ultimamente, sua mãe vivia mencionando casamento. Nos dias em que ele estava em casa, ela mostrava fotos de alguém e insistia em encontros às cegas. Quando ele se mantinha indiferente, ela perguntava se ele estava vendo alguém e insistia para conhecer. Ele não podia dizer que estava vendo alguém. Quando as amigas da mãe se gabavam de viver para ver os netos, ele não tinha o que dizer.
Kwon Taekjoo não tinha a ilusão romântica de que ficaria com Zhenya para sempre. Se algum dia se separassem, ele nunca mais se envolveria com outro homem. Mas, no momento, ele não conseguia imaginar o fim.
Ele respondeu com a desculpa que sempre usava quando o assunto era casamento.
— Mãe também. Estou ocupado com o trabalho, como vou casar? Que mulher ia gostar?
— Você vai trabalhar até morrer? Não vai morrer se viver com um pouco mais de calma. Com quem você aprendeu a só pensar em trabalho? Case e tenha um filho que se pareça com você. Você vai ganhar um tempo livre que não sabia que queria, amadurecer e ver o mundo de forma diferente.
— Isso é quando tudo dá certo. A senhora passou a vida cuidando dos filhos sozinha, quase fazendo o papel de pai. Como pode recomendar a alguém um trabalho tão difícil? Se amar, ainda menos. — A mãe o encarou novamente.
Não era mentira. Ele nunca havia imaginado uma vida de casado, nem tinha romantismo em relação a isso. Ele simplesmente pensava que continuaria trabalhando como agora. Nesse trabalho, a família poderia ser um obstáculo ou uma fraqueza. Assim como ele amava sua mãe, mas a preocupação dela o sobrecarregava. Para ele, a paixão pelo trabalho e o apego às pessoas queridas eram valores que não podiam coexistir. Cada um pendurado em lados opostos de uma balança, agitando sua mente constantemente. Já era difícil manter o equilíbrio, e ele não podia adicionar mais um peso a nenhum dos lados.
A mãe balançou a cabeça com desaprovação e depois olhou para Zhenya. Seu rosto exibia um sorriso gentil.
— Embaixador, o senhor não vai se casar? Um jovem com um bom emprego, talentoso, carinhoso e bonito. Deve fazer sucesso com as moças. Não está vendo ninguém?
— Por que está perguntando isso de novo? É falta de educação.
— Estou curiosa, só isso. Se não tiver namorada, posso apresentar uma moça legal. — Mesmo com a objeção, a mãe continuou a perguntar. Como ela parecia estar lhe perguntando algo, Zhenya olhou para Kwon Taekjoo com uma expressão confusa.
— O que ela está perguntando agora?
— Nada.
— Ela está tão animada, e você diz que não é nada?
— São bobagens. Só acena com a cabeça.
Ele não parecia convencido. De qualquer forma, que falta de confiança nas pessoas. Ignorando o olhar intenso do desgraçado, ele respondeu por ele.
— Ele está vendo alguém. Então para de perguntar.
— Nossa, sério? É russa também? Então essa moça está na Coreia? Por que nunca a vi? Ficar separados deve ser solitário.
— Eles se viram.
— Mas, você! Não fale assim. Eu já disse para não falar assim. — Ela o repreendeu, como sempre. Por mais que tentasse ser cuidadoso na frente da mãe, seu tom brusco característico não mudava. Ele apenas balançava a cabeça, dizendo “sim, sim”, e bebia a água com mel que já estava morna.
Como Zhenya não respondia, a mãe continuou a conversa unilateral.
— A família não diz nada? Quando há chance de ir para o exterior, as pessoas costumam adiantar o casamento.
— …Acho que não. — Se a família Bogdanov soubesse da sua existência, eles tentariam eliminá-lo, não casá-lo. Era surpreendente que nada tivesse acontecido até agora. Será que eles realmente não se importavam com Zhenya? Dizem que os ricos casam cedo, mas ele era uma exceção?
Sem se cansar, a mãe começou uma investigação intrusiva.
— Falando nisso, como é a família do embaixador? Ele é filho único?
— Por que isso de novo.
— Por quê? Eu não posso perguntar?
— …Ele tem dois irmãos mais velhos e uma irmã mais nova.
— Que família numerosa. — Ele respondia, mas acenava com a cabeça enquanto olhava para Zhenya.
— Os pais estão vivos? — Ele não respondeu à pergunta imediatamente. Ele sabia do pai de Zhenya, Vissarion, mas não sabia nada sobre a mãe. Para Zhenya, que só observava a conversa entre mãe e filho, ele transmitiu a pergunta.
— Ela quer saber se seus pais estão vivos.
— Meu pai está.
Ele ia continuar a traduzir, mas olhou para Zhenya novamente. Se o pai estava, então a mãe estava morta? Falando nisso, ele sabia toda a história da família do desgraçado, mas não os detalhes mais íntimos. Especialmente sobre a mãe de Zhenya. O desgraçado nunca tinha falado sobre isso.
— Ela morreu?
— Já faz muito tempo.
O desgraçado respondeu com indiferença. Quanto tempo? 5 anos? 10 anos? Ou quando ele era realmente jovem? Parece que ele sabia muito pouco sobre o desgraçado. Como foi sua infância, se ele estudou, e como foram seus anos de escola. Embora tivesse certeza de que ele não tinha amigos, ele nem sabia se era verdade, ou se ele já tinha namorado alguém. Ele nunca perguntou. Ele foi muito indiferente?
Como resultado, ele passou duas semanas mais frustrantes do que nunca. Quando Zhenya cortou o contato, ele não sabia onde nem como obter notícias dele. Se a situação fosse oposta, o desgraçado teria o encontrado de alguma forma. Quanto mais se sabe sobre alguém, mais fácil é prever seus movimentos. Embora não se possa dizer que o desgraçado é normal, a comparação inevitável o deixava desconfortável.
Com o olhar fixo, Zhenya questionou.
— Por que está olhando assim?
— …Nada.
Ele desviou o olhar. Uma sensação estranha de culpa o dominou, como se tivesse feito algo errado. O fato de ele ter considerado a presença de Zhenya ao seu lado como natural, sem se esforçar para conhecê-lo. O desgraçado sempre o esperava, mas ele mesmo não aguentou duas semanas de espera. Seria isso o ditado “Quando eu faço, é romance; quando os outros fazem, é adultério”?
Enquanto ele pensava, a mãe e Zhenya estavam olhando outras fotos. A única foto de família tirada antes da morte do pai. Já fazia quase 20 anos, a foto estava desbotada.
— Este é o irmão mais velho do Taekjoo. Aqui é o pai deles. Também não tenho irmãs na minha família, então queria muito ter uma filha quando me casasse. O destino foi cruel. Além de mim, só homens. A casa era tão seca. Quando crianças, por causa do pai severo, viviam em silêncio; na adolescência, parecia que estavam em retiro silencioso. Não sei se o senhor sabe, mas o pai e o irmão do Taekjoo eram militares. Nem todos os militares são assim, mas os dois eram iguais, calados e rígidos. Na verdade, o Taekjoo também era muito indiferente. Mas depois que o pai e o irmão se foram, ele ficou mais atencioso. Talvez para compensar a solidão da mãe. — A mãe, que tagarelava, começou a chorar de repente. Foi logo depois de ver a foto da cerimônia de formatura do irmão. As lágrimas escorriam pelo rosto, e ela apressadamente pegou um lenço de papel.
— Olha só a minha vergonha. Desculpe, embaixador. — Os olhos de Zhenya se arregalaram. Ele já havia contado sua história familiar ao desgraçado, então ele sabia mais ou menos. Mesmo assim, a reviravolta o surpreendeu. A mãe também parecia um pouco constrangida por ter chorado na frente de um convidado. Enxugando as lágrimas, ela dizia: “Estava tudo bem, por que estou assim?”. Ele a acalmou e fez um sinal para Zhenya ir em direção à porta.
— Ei, não dá. Melhor você ir.
— …Parece que sim.
Zhenya deu de ombros. Quando ele se levantou, Kwon Taekjoo também se levantou.
— Mãe, o embaixador vai indo. Vou só acompanha-lo até a frente.
— Tudo bem. Vai lá. Embaixador, desculpe. Vá com cuidado. — A mãe pediu licença a Zhenya e entrou apressadamente no banheiro. Em breve, o som da água da pia foi ouvido. Ele ficou parado por um momento e depois saiu com Zhenya.
Eles esperaram juntos o elevador chegar. Enquanto isso, sentia um olhar penetrante ao seu lado. Virando a cabeça, seus olhares se encontraram. O desgraçado, como se não se importasse com o que tinha acontecido, o examinava atentamente. Embora ele não tivesse feito nenhum gesto, Kwon Taekjoo tinha a impressão de que ele queria beijá-lo. Como estavam num local público, não podia permitir.
Ele virou a cabeça para o elevador e começou.
— O que você estava fazendo para só chegar agora? Ainda não respondeu.
— Só alguns assuntos aqui e ali.
— Que tipo de assuntos?
Ele insistiu, olhando para o desgraçado. O desgraçado ergueu as sobrancelhas, surpreso.
— Bem. Tem algo que eu não deva saber?
— Não é isso.
O desgraçado sorriu. Ele não sabia se era uma zombaria ou se ele estava feliz. Nesse meio tempo, o elevador chegou. Ele encarou o desgraçado com insatisfação e entrou. O desgraçado também o seguiu calmamente.
— Falaram sobre noivado.
Quando a porta se fechou completamente, o desgraçado falou. Ele ouviu, mas não assimilou.
— …Noivado? Quem?
— Bem, quem será?
Ele respondeu com indiferença. O desgraçado também tinha trinta anos. A razão pela qual as famílias ricas casam os filhos cedo é a união de riquezas. Isso não é exclusivo da Coreia. Se o alvo fosse a família Bogdanov, muitas famílias se ofereceriam para o casamento. Os únicos solteiros na família Bogdanov eram Zhenya e Olga, então o casamento deles devia ser um assunto espinhoso. Para aqueles que só querem expandir seu poder, o temperamento de Zhenya não importava.
Então, ele recusou? Como ele também é calculista, deve ter conhecido a pretendente. Talvez tenham até avançado no noivado. Para um casal normal, seria absurdo, mas o alvo era um desgraçado tão imprevisível. Ele pode pensar que casamento e namoro são coisas separadas.
O que teria acontecido na Rússia durante as duas semanas sem contato? Se perguntasse, ele responderia, mas, por alguma razão, ele hesitava. Ele estava curioso, mas também relutante em perguntar. Não queria se preocupar com seu orgulho vazio.
Era estranho. Ele queria que o desgraçado se cansasse e desistisse. Ele nunca esperou fidelidade ou amor puro do desgraçado. Mas, agora que essa situação surgiu, ele não se sentia bem.
— Já tenho idade para isso, é verdade.
Zhenya murmurou, observando o painel do elevador sem propósito. Sua atitude casual o irritava. Uma chama desconhecida parecia subir.
Sem demonstrar, ele riu.
— Estou curioso para saber quem vai se casar com alguém como você.
Havia um pouco de verdade nisso. Ele não conseguia imaginar uma esposa ou filhos para Zhenya. Enquanto fracassava repetidamente na imaginação, o desgraçado disse de repente:
— Não fique pensando.
— Não vai mudar nada.
— Que besteira. Não pretendo ficar com um homem casado. Já disse várias vezes. Meu objetivo é viver tranquilo e morrer em paz. Detesto dramas passionais.
Ele deixou claro sua posição. Ficava com raiva do desgraçado por mencionar o noivado, e se sentia triste, mas parecia que não tinha consciência. Afinal, ele não poderia substituir isso. Não era possível abandonar a mãe e seu trabalho de forma egoísta. Ele devia libertar o desgraçado, mas pensar nisso o deixava com o coração pesado. Ele não sabia o que queria.
O elevador chegou ao estacionamento. O Bugatti de Zhenya estava, como sempre, rodeado de vagas vazias. Antes, ele andava com adesivos de estacionamento irregular, mas agora nem isso se via. A mãe deve ter falado com a administração. O desgraçado vinha visitá-la mesmo sem ele, e ela se acostumara a recebê-lo. Assim, ele gradualmente, e de forma decisiva, se infiltrava em sua rotina. Será que seria possível voltar atrás?
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna