↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 24
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Extra. Normal Days 24
— Nossa, parece que gostou. Ainda bem. Coma bastante. — O desgraçado, vendo a mãe feliz, fez uma expressão triunfante. Era uma respiração que enlouqueceria.
— Aqui, você bebe água com mel. Quanto você bebeu? Seu rosto está um caco. — A mãe estalou a língua e colocou uma caneca. Ela o repreendeu por sua aparência, cabelos desgrenhados e roupas amassadas. Ele ouvia distraidamente enquanto bebia a água com mel. Com o doce extremo, seu rosto se contraiu. Nem um remédio amargo seria tão horrível.
— Não deixe nada, beba tudo. Até o que está no fundo. Faz bem. — Sob a vigilância da mãe, ele bebeu a água com mel concentrada. Por mais que tentasse, seu rosto se contraía. Ele engoliu com dificuldade, até prendendo a respiração, quando ouviu um clique inesperado. Olhando para trás, chocado, viu Zhenya, com um rosto divertido, mexendo no telefone. “Não faz isso”, ele disse com o copo na boca, mas o desgraçado não se importou. Ele sorria e tirava mais fotos. Mostrou as fotos para a mãe, que riu alto.
— Hahaha, nesses momentos, ele só cresceu em tamanho, ainda é uma criança, não é? Ah, falando nisso, quando estava arrumando a despensa outro dia, encontrei um álbum antigo. Quer ver? — Enquanto perguntava, ela já estava quase de pé.
— Ah, por que isso. Deixa lá.
— Ele? O embaixador adora ver fotos. A mãe ignorou a objeção de Kwon Taekjoo e foi para o quarto. Zhenya também a observava com olhos curiosos. Só Kwon Taekjoo não estava feliz.
Ele tocou levemente a perna de Zhenya por baixo da mesa. Imediatamente, o desgraçado encontrou seus olhos. Ele baixou a voz e perguntou:
— O que houve?
— O quê?
— Por que demorou duas semanas, se disse que ia voltar rápido?
— Você também está curioso sobre isso?
Ele perguntou, como se fosse uma novidade. Kwon Taekjoo ficou atônito. Ele queria saber por que o desgraçado achava que ele não se importaria.
— Seu idiota, quando você some, não sei que plano está tramando. Fico tão ansioso que não consigo viver.
— Ah, então foi por isso que mandou tantas mensagens e ligações?
Ele acrescentou, como se tivesse descoberto algo.
— Achei que você era do tipo ciumento. Talvez com transtorno de ansiedade de separação.
— Quem está…!
Ele ia contestar, mas lembrou-se de seus atos dos últimos dias. Ele tinha ido à embaixada e à residência, vasculhando em busca de notícias de Zhenya. Ele até pediu a Yoon Jong-woo que investigasse. Tudo porque o retorno do desgraçado estava demorando mais do que o esperado. Será que era ciúmes?
Não. Não pode ser. Ele negou e se defendeu.
— É porque você tem muitos inimigos. Com medo de que tivesse sido sequestrado de novo.
O desgraçado riu. Foi uma risada de zombaria, mas seu humor parecia estar melhor.
— Quem você acha que está na sua frente?
— É por isso que sou um louco. Imaginar que você, de todas as pessoas, estaria em perigo. A menos que fosse o contrário.
Bem, mesmo que fosse o contrário, também seria um problema.
Ele resmungou com desagrado. Não gostava que Zhenya estivesse em perigo, nem que ele criasse essas situações. Embora fosse hipócrita da sua parte, era o que sentia.
O desgraçado, que ouvia, riu novamente.
— Você é o único neste mundo que se preocupa comigo, Taekjoo.
Exatamente. Por que ele estava sorrindo? Não esperava que ele se sentisse culpado, mas não havia um pingo de remorso. Será que ele ia começar a sumir de vez em quando, só para variar? A reação era preocupante. E ele ainda achava que podia namorar alguém assim.
— Este é o álbum. Dá para ver que é bem velho. — A mãe voltou com o álbum em questão. Estava desgastado em alguns lugares, devia ter pelo menos 20 ou 30 anos. Era a primeira vez que Kwon Taekjoo o via. Bem, para ser mais preciso, ele não se importava o suficiente para saber. Além da mãe, a família era composta por homens silenciosos. Eles não se importavam com álbuns, nem tiravam fotos. Assim, registrar os momentos da família era tarefa da mãe. Os álbuns no quarto de Kwon Taekjoo eram todos obra dela.
— É um álbum de família, então tem fotos de outras pessoas além do Taekjoo… — Zhenya sorriu radiantemente e aceitou o álbum. Não era uma ocasião de negócios, para que servia aquele sorriso? Era uma expressão que nem mesmo Kwon Taekjoo tinha visto. Era bonita, mas incrivelmente fingida. A mãe, sem saber das intenções sombrias do desgraçado, também sorriu.
O desgraçado abriu o álbum. A foto do casamento dos pais apareceu. Uma foto com mais de 40 anos. Zhenya, que observava o casal jovem, ergueu a cabeça de repente. Então, olhando para Kwon Taekjoo, ele sorriu.
— Taekjoo, você se parece com seu pai.
— …É o que dizem.
— As pessoas sempre disseram que ele era a cara do pai. Embaixador, acha que ele se parece? — O desgraçado acenou com a cabeça de forma precisa à pergunta da mãe. Ele ainda falava apenas russo, e a mãe, apenas coreano. Mas eles se entendiam, com poucos gestos. Uma sensação de apreensão o dominou. Esse sentimento incômodo era só dele.
O desgraçado observou a foto do pai com atenção e murmurou algo incompreensível.
— Com esses genes, não preciso me preocupar.
— Preocupar com o quê?
— Se você tiver um filho sem eu saber, ele vai se parecer exatamente com você.
Seu rosto se contraiu. Que besteira ele estava dizendo? O desgraçado devia saber que não podiam ter filhos. Isso significava que ele não se importava se ela tivesse um filho com outra pessoa?
— Se você tiver essa habilidade, talvez.
O desgraçado sorriu. Era uma frase com vários significados. Ele imaginou várias vidas sendo ceifadas por causa daquelas palavras. “Então é isso.” Ele ficou aliviado, embora achasse absurdo. Isso o surpreendeu.
A partir da página seguinte, a história da família se desenrolou. Desde o nascimento de seu irmão e dele, até os pequenos e grandes eventos da família. Zhenya examinou cada foto com atenção, como se fosse uma exploração. E, sempre que encontrava Kwon Taekjoo, ele ria.
— Parece um feijão preto.
— Feijão o quê. Eu era um bebê grande.
— É brincadeira? Você parece tão pequeno que caberia numa mão.
— Ha, seu egocêntrico. Você é que é anormalmente grande.
Não adiantava. O desgraçado, fingindo ouvir suas objeções, apenas acenava com a cabeça para as explicações da mãe, que ele nem entendia. Os dois estavam tão entretidos que perdiam a noção do tempo.
Então, ele fixou o olhar numa foto. Era uma foto do dia do atletismo no ensino fundamental. Kwon Taekjoo, com cerca de dez anos, estava com o rosto sujo, chorando copiosamente, com os joelhos e cotovelos ralados. Lembrou-se do constrangimento. A mãe, sem saber, tagarelava animadamente.
— Ah, tão fofo, não é? Ele tinha dez ou onze anos aqui. Ele não chorava tanto nem quando era bebê. Só resmungava quando estava com fome ou com a fralda molhada. Graças a isso, criar dois meninos foi relativamente fácil. Os adultos ao redor se preocupavam que ele fosse atrasado, mas felizmente ele cresceu bem. Ele sempre gostou de se exercitar desde pequeno e sua vontade de vencer cresceu muito. Provavelmente, na foto, ele estava chorando porque perdeu.
— Ah, mãe, por que contar isso…
— Deixa. Ele foi escolhido como representante do revezamento e treinou muito. Mas no dia, ele se envolveu numa briga com o corredor da frente e os dois caíram. Com isso, os corredores de trás alcançaram todos… Eu pensei que ele fosse desistir. Dava para ver que ele tinha se machucado até o queixo. Mas não. Ele se levantou e começou a correr de novo, ultrapassando um a um. Claro, não foi o suficiente para chegar em primeiro. Mas não importa o quanto eu dissesse que tudo bem cair, que ele fez o seu melhor, que o terceiro lugar já era ótimo, ele não parava de chorar. Ele só ficava satisfeito se chegasse em primeiro. Se ele não começasse, tudo bem, mas se começasse, tinha que ver até o fim. — Zhenya olhou para Kwon Taekjoo e sorriu. Era uma expressão que dizia “eu sabia”. Como ele, que nem sabia o alfabeto coreano, entendia as nuances?
As revelações da mãe não pararam por aí.
— E outra vez… Não sei se na Rússia também tem dever de férias. Na Coreia, eles dão várias tarefas para as crianças não ficarem à toa. Uma delas era construir um planador. Ele recusou a ajuda do irmão e fez sozinho, mas na véspera do primeiro dia de aula, um primo mais novo veio e, brincando, quebrou. Já era tarde para refazer, então eu disse que explicaria ao professor. Não adiantou. Ele ficou soluçando a noite toda e refez aquele planador.
— Mãe, para com isso. É vergonhoso.
— Por quê? É divertido — a mãe riu e disse ao desgraçado: “Não é, embaixador?”. Desta vez, ele também acenou com a cabeça. Ele sorriu de um jeito estranho para a mãe. Quando ele perguntou o que foi, o desgraçado encontrou seus olhos lentamente.
— Taekjoo, você devia ter se parecido mais com esta mulherzinha. Tagarelar sem parar e sorrir assim é bem fofo, não é?
— Desculpe por não ser fofo. E não se chama uma pessoa mais velha de fofa, seu mal-educado.
— Você fica com raiva por qualquer coisa, não entendo, mas é divertido.
Ele disse isso como se fosse um consolo. Mesmo com essas palavras, seu coração se sentia estranho. Certamente havia algo errado.
O desgraçado tirou fotos da infância de Kwon Taekjoo no celular. A mãe observava com satisfação. Quando ele tentou fechar o álbum bruscamente, ela bateu em suas costas.
— O que você está fazendo, seu malcriado, enquanto o embaixador está vendo?
— Não, mãe, ah… — A mãe, sem entender, só o repreendia por causa de Zhenya. Ela o encarou com desaprovação e fez um comentário inesperado.
— Quando ele era pequeno, era tão obediente e fofo. Mas, de repente, ele cresceu desse jeito, ficou teimoso… Eu não tenho grandes expectativas. Só queria que ele saísse do meu ninho, constituísse sua própria família e vivesse feliz. Mas ele parece não conhecer ninguém, e quando sugiro um encontro, ele só diz que não.
Ela estalou a língua abertamente. Ele olhou para Zhenya em silêncio. O desgraçado inclinou a cabeça e o encarou. Parecia que esperava uma tradução, mas ele não podia fazer isso.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna