↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 23
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Extra. Normal Days 23
Ele teve um sonho. O menino apareceu novamente. Com cabelos loiros platinados e olhos cor de vinho. Ele examinou ao redor do menino com desconfiança. Não parecia haver nada particularmente perigoso. Suas mãos pequenas e brancas também não seguravam nada. Ele suspirou aliviado. Pelo menos não parecia ser um pesadelo como da última vez.
O menino era frágil e delicado, tanto que era difícil imaginar que se tornaria o Zhenya de hoje. Talvez ele realmente não tenha nada a ver com Zhenya. Pode ser apenas uma ilusão criada por seu próprio subconsciente.
Os dois se encaravam, como se desconfiassem um do outro. Pensando bem, foi desde que o menino apareceu que ele começou a sentir uma compaixão estranha por Zhenya. Não eram nem seus ancestrais, por que continuavam aparecendo em seus sonhos para complicar sua mente? Já que o encontrou, achou que devia perguntar.
— Ei, pivete. Por que você fica aparecendo?
Não sabia se havia falado coreano ou russo. Ele falou, mas as palavras não se formaram claramente.
Mas o menino pareceu ter entendido. Pela forma como resmungou, parecia irritado. Ele não estava acostumado a lidar com crianças. Dificilmente tinha contato com crianças daquela idade. Ele não sabia como falar para não magoar o menino, ou se ele entenderia.
— Pare de aparecer, você é um incômodo.
Ele exigiu bruscamente. Foi um erro? O menino, que estava mordendo o lábio inferior e ofegando, tinha os olhos cheios de lágrimas. Os olhos azuis se enchiam de lágrimas. Ah, ele não queria fazê-lo chorar.
O menino, que estava prestes a chorar, virou-se e começou a correr. Ele não sabia por quê, mas sentiu que devia segurá-lo. O intruso devia ser expulso, mas ele se sentiu como se tivesse feito algo terrível.
Ele se apressou para persegui-lo, dizendo “Ei”. Foi quando uma mão estendida de trás agarrou seu ombro. E então, seu corpo foi suavemente virado para o outro lado.
— Hmm… Taekjoo.
Com o chamado doce, sua consciência despertou parcialmente. O peso que pressionava seu corpo, a sensação dos cabelos roçando sua bochecha, tudo era familiar. Ele estendeu a mão e bagunçou os cabelos macios. A mão foi puxada para pressionar lábios macios. Em seguida, uma carne grossa penetrou seu interior, mexendo-o lentamente. Até essa sensação era familiar.
— Haa, Haa… — ele gemeu docemente e abraçou firmemente a pessoa que o pressionava. O corpo que antes parecia ameaçador, agora parecia seguro e reconfortante. Abraçado assim, era como se estivesse dentro de um grande ninho.
Taekjoo.
Aquele que o chamava com tanto carinho, que se excitava por ele, que sentia o clímax dentro dele, despertava nele um sentimento de ternura inexplicável. Mesmo que o mundo inteiro, e às vezes até ele mesmo, o chamasse de monstro sem hesitar, naqueles momentos ele era apenas um ser miserável que ansiava por amor e calor.
— …Hmm, Zhenya — ele o chamou com um gemido. Instantaneamente, a sensação agradável que se espalhava no fundo de seu abdômen desapareceu. Simultaneamente, suas pálpebras se abriram completamente.
— ……?
Ele olhou ao redor, confuso. Estava exatamente como quando adormeceu. Sem cobertor, ainda vestido. Ele pensou que Zhenya tinha voltado.
Ele procurou por outra presença, mas foi em vão. Na casa silenciosa, ele ainda estava sozinho. Zhenya não o acordou; até isso era uma extensão do sonho.
Ele suspirou e passou a mão pelo rosto. Então, de repente, sentiu uma sensação pesada. Com um “não pode ser”, ele verificou sua virilha. A parte da frente da calça estava inchada, como se fosse explodir. Era inacreditável. Depois de ter um sonho tão estranho, ele acabou ficando ereto sozinho. Houve algum momento em que ele esteve tão frustrado sexualmente? A preocupação com a morte por excesso de sexo parecia coisa do passado.
Ele ia tomar banho para se refrescar. Foi quando o telefone tocou. Era uma chamada da mãe.
— Ai, por que você está chegando só agora? Bebe com moderação. — Assim que destrancou a porta e entrou, os sermões da mãe começaram. Ela estava na porta da frente, vestindo um vestido de casa. Parecia que tinha visita. Ele olhou para o chão distraidamente. Viu um par de sapatos familiares. Um suspiro bobo escapou.
Passando pela mãe, ele foi direto para dentro. Logo encontrou Zhenya sentado à mesa, tomando chá. O desgraçado recostou-se e sorriu.
— Já chegou?
Incrédulo, ele soltou uma risada. Depois de deixá-lo tão preocupado, ele estava ali, apreciando um lanche. Ele acreditava que o desgraçado não tinha entrado em contato por algum motivo urgente, mas parece que não. Seus dedos, que ele pensava que estavam quebrados, estavam todos intactos.
— Ei, seu…
— Com quem você bebeu ontem à noite?
Ele estava prestes a xingar, mas Zhenya foi mais rápido. Seu tom era leve, como se fosse um comentário casual. Seus olhos estavam voltados para o prato à sua frente. Um pedaço de melão foi espetado com seu garfo. Era um movimento manso, mas de alguma forma transmitia uma sensação de pressão. Se o desgraçado não tivesse colocado um dispositivo de escuta em Kwon Taekjoo, a fonte da informação só podia ser sua mãe.
— Já fala coreano agora?
— Dá para saber isso facilmente.
O desgraçado sorriu para a mãe de repente. A mãe, sem saber do caráter sombrio do desgraçado, sorriu de volta. Vendo que o copo dele estava vazio, ela perguntou se ele queria mais chá e apontou energicamente para a cafeteira. Não era a primeira vez que sua mãe já estava no nível de linguagem corporal universal.
— Ai, por que você está parado aí? Faça companhia ao embaixador. — A mãe o empurrou pelas costas. Então, foi para a cozinha, colocou água para ferver e abriu a geladeira para procurar uma sobremesa adequada.
Não tendo escolha, ele sentou-se em frente a Zhenya. Encarando o desgraçado com desconfiança, ele pegou um pedaço de maçã do prato dele. A mãe também. Ela dizia que a casca da fruta é rica em nutrientes, mas cortou-a cuidadosamente em forma de coelho. Ele mordeu a cabeça da maçã sem cerimônia e a mastigou ruidosamente.
— Bebi um pouco com um colega mais novo depois de muito tempo. E daí?
— E dormiu com esse colega mais novo?
Ele semicerrou os olhos e o interrogou. Ele conhecia bem aquele rosto. Ele estava sorrindo, mas não era um sorriso. Para a segurança do inocente Yoon Jong-woo, ele precisava explicar direito.
— Seu louco. Que imaginação é essa?
— Imaginação estranha? Não imaginei nada. Você é quem está dizendo que é estranho, Taekjoo. Será que você está com a consciência pesada?
— Não.
— O quê? Que você bebeu a noite toda com seu colega? Ou que dormiu com ele?
— Bem, não.
— Então, de onde você está vindo agora?
Ele abriu a boca e a fechou de novo. Ele tinha sido pego. Não podia responder honestamente. Ele foi para a casa do desgraçado, que estava vazia, abraçou o travesseiro com o cheiro dele, dormiu e até ficou ereto. Se o desgraçado soubesse, zombaria dele por dias. Seu orgulho não permitiria.
— Por que tenho que te dar satisfação?
O desgraçado, que o observava, deu de ombros.
— Se não quer falar, tudo bem. Tenho meus meios de descobrir.
Com aquela frase indiferente, ele imaginou Yoon Jong-woo sofrendo todo tipo de coisa nas mãos do desgraçado. Mesmo que ele viva do jeito que quer, não deve causar transtornos.
— Dormi sozinho.
— Eu perguntei onde você estava?
— Onde quer que eu estivesse, dormi sozinho. Não mexe com pessoas inocentes.
— Se ele é inocente ou não, vou descobrir.
— Ah, não faz isso.
— Parece que você está na defensiva, fiquei curioso para saber o que andou fazendo enquanto eu não estava.
— …Acho que sua ausência seria melhor para a minha vida.
Por que ele se preocupou com um desgraçado desses? Ele não pensava no que fazia, nem demonstrava remorso. Enquanto ele o encarava com insatisfação, o desgraçado fazia uma expressão de quem não entendia. Com tanta descaramento, ele não sabia por onde começar a questioná-lo.
— O que vocês dois estão conversando tão animadamente? — A mãe voltou para a mesa. Ele pensou que ela tinha demorado, mas a bandeja que ela colocou na mesa era pesada. O serviço de chá herdado da família materna estava sobre ela. Ela sempre o guardava na vitrine, dizendo que era precioso. Falando nisso, a xícara de café que Zhenya tinha usado antes também era uma das que sua mãe mais estimava.
O que aquele Zhenya tinha feito?
Ele olhou para a mãe em protesto. A mãe ignorou seu olhar e ofereceu a Zhenya.
— Embaixador, prove isto também. É chá seungseol, um chá verde feito com brotos que brotam na neve no início da primavera — ela explicou com um tom afável. Ele não entenderia nada, mesmo assim. Contra as expectativas, com a longa explicação, Zhenya olhou para Kwon Taekjoo como se pedisse uma tradução.
— É caro, então bebe tudo sem deixar nada.
Com a tradução seca, Zhenya soltou uma risada incrédula. Quando a mãe lhe ofereceu a xícara, ele sorriu, semicerrarndo os olhos. Ele segurou a xícara até a base, num gesto educado. Era irritante. A xícara já pequena parecia ainda menor em suas mãos.
— Isto é uma sobremesa que combina bem com o chá. Espero que goste. — Ele também serviu chapssal-tteok (bolinho de arroz glutinoso) do tamanho de uma mordida. Acompanhou com farinha de feijão e jocheong (xarope de arroz). O desgraçado, achando estranho, inclinou a cabeça.
— …Brownie?
— Não. Tteok.
Ele disse para provar, apontando com o queixo para o prato. O desgraçado não se mexeu, como se visse uma criatura estranha. Observando, ele pegou um pedaço do prato do desgraçado e comeu. Comprado em sua loja de confiança, o tteok era mais mastigável e firme do que o normal. A textura em si parecia ser algo que um estrangeiro como ele não gostaria.
A mãe bateu nas costas dele, dizendo por que ele estava pegando a comida dos outros com a mão. Aproveitando a distração, o desgraçado espetou um pedaço de tteok com o garfo e o colocou na boca. A atenção da mãe se voltou para ele.
— O que achou?
— A textura parece…
O desgraçado mastigava lentamente o tteok enquanto arrastava a frase. Então, encontrou os olhos da mãe, que estava cheia de expectativa.
— Parece a bunda do seu filho.
O que, seu idiota?
Ele estava prestes a se levantar furioso. A mãe, vendo o rosto satisfeito do desgraçado, bateu palmas.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna