↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 2
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Extra. Normal Days 2
O ponto crucial que não se podia esquecer nesta operação era que nenhum confronto físico poderia ocorrer. Choi Yeonhwa era agora italiana, e qualquer atrito diplomático desnecessário poderia ser gerado. Além disso, se se soubesse que ela havia contatado a Coreia do Sul de alguma forma, a Coreia do Norte ficaria ainda mais obcecada em eliminá-la. Não se podia causar problemas a uma fonte de informação tão importante.
Buscaram uma maneira de se aproximar o mais naturalmente possível. O problema era que se esperava que Choi Yeonhwa fosse extremamente desconfiada de estranhos. Os seguranças à paisana que ela havia contratado também se escondiam por toda parte, fingindo ser clientes. O trabalho precisava ser feito da forma mais silenciosa e limpa possível.
Foi por isso que ele simplesmente se disfarçou de crupiê. Para dissipar as suspeitas de Choi
Yeonhwa, parecia melhor fazer com que ela viesse até ele, em vez de se aproximar primeiro. Por isso, desde quatro dias antes, ele esperava por ela, disfarçado de crupiê ‘Philip’. A vigilância era rigorosa devido à natureza do estabelecimento, e ele não podia baixar a guarda por um instante. Mesmo quando ela não aparecia, ele tinha que enfrentar outros clientes.
Choi Yeonhwa descia para jogar todas as manhãs por volta das duas da madrugada. Ele não se esforçava para ser agradável nem puxava conversa precipitadamente. Com isso, foi ela quem começou a demonstrar interesse.
— Hoje você vai perder um pouco pra mim?
— Que a sorte esteja com a senhora.
Ela fez um biquinho com sua resposta eminentemente profissional. Ignorando-a, ele disse que iria embaralhar e começou a misturar as cartas.
Nas mesas de alto valor, o embaralhamento manual era a regra. Era para evitar suspeitas de manipulação do jogo por máquinas. Por isso, ele passou várias noites praticando o manuseio, imitando os hábitos de ‘Philip’.
Em breve, a garçonete responsável pela mesa se aproximou.
— Posso preparar algo para a senhora beber?
— Não, pra mim não.
Choi Yeonhwa recusava todos os serviços oferecidos pelo cassino. Parecia que o autocontrole estava em seu sangue. Talvez para que isso não parecesse estranho, ela soltava um comentário.
— Isso também é um truque de marketing do cassino? Fazer as pessoas apostarem mais sob o efeito do álcool?
— Claro que não. É apenas um serviço oferecido aos nossos ilustres convidados. Se não quiser álcool, temos água ou outras bebidas.
— Agradeço a preocupação, mas eu prefiro beber água.
— Como preferir — disse ele, enquanto colocava as cartas alternadamente. Choi Yeonhwa estreitou os ombros e fez uma expressão maliciosa. Seus dedos, mexendo nas fichas, pareciam de alguma forma ambíguos.
— Agora, se for para tomar um drinque com Philip, é outra história.
— O consumo de álcool é proibido durante o expediente.
— Não disse que tinha que ser agora.
Ela insinuou. Aproveitando o momento, seus olhares se encontraram, e ela semicerrou os olhos. Estaria ela tentando seduzi-lo? Foi um tanto inesperado, pois não havia havido nenhum sinal especial até então.
— O quê, não gosta?
— É a primeira vez que recebo um pedido de encontro de uma cliente.
— Mentiroso.
— Não haverá mais apostas, certo? Vou abrir a carta oculta.
— Que homem de pedra.
Ela resmungou abertamente. Observando-a por vários dias, Kwon Taekjoo notou que Choi Yeonhwa nunca estava acompanhada. Nem mesmo visitantes em seu quarto. Ela sempre jantava sozinha. Embora pudesse facilmente encontrar um homem para passar o tempo, ela não o fazia.
Então por que, de repente, ela insinuava isso? Claro, desde que soube que ‘Philip’ era sino-americano, ela vinha demonstrando familiaridade. Ele pensou que isso também era parte de seu jogo de atuação.
Se Choi Yeonhwa fosse sincera, ele não tinha motivos para recusar. Afinal, a necessidade de uma abordagem complicada desaparecia. Ele também não tinha grande aversão a esse tipo de coisa. Poderia seguir o clima e, se não fosse favorável, usar um soro de verdade para extrair a informação necessária. Mas ainda não tinha certeza. Decidiu observar mais um pouco.
A soma das cartas de Choi Yeonhwa era 17. As cartas na frente de Kwon Taekjoo eram um ‘9’. Ele virou a carta oculta ao lado. Quando um ‘A’ apareceu, os ombros de Choi Yeonhwa caíram.
— Ah, perdi. A sedução não funcionou, hein?
— Blackjack não é um jogo de psicologia.
— Você não é gay, é?
— Pareço?
Ele riu baixinho e recolheu as fichas. Choi Yeonhwa, com um “hmm”, inclinou o corpo abruptamente para a frente. E começou a examinar o rosto de Kwon Taekjoo em detalhes. Não havia como sua caracterização de alto nível ser descoberta, mas aquele olhar fixo o deixava tenso.
— Não sei se é gay, mas parece ser bem comportado. Meu gosto é por homens gentis que ouvem bem.
— Entendo.
— Não dá pra saber só pela aparência.
Naquele momento, alguém se intrometeu de repente na conversa dos dois. Choi Yeonhwa virou a cabeça, intrigada. Kwon Taekjoo também franziu a testa. A voz era tão familiar. O aroma característico de Zhenya, que ele não havia notado por estar focado em Choi Yeonhwa, também se espalhava intensamente. Pensando “não pode ser”, ele ergueu os olhos e viu Zhenya se aproximando lentamente da mesa.
Por que esse desgraçado está aqui?
Surpreso, seu rosto se endureceu involuntariamente.
— O que tem de comportado nisso? Se o colocassem no show dos Chippendales, seria perfeito.
Ele examinou Kwon Taekjoo de cima a baixo e acrescentou mais uma. Choi Yeonhwa, achando que era uma brincadeira de mau gosto, riu alto. Com sua altura que beirava dois metros e sua aparência excessivamente vistosa, ele já chamava a atenção, e ainda estava vestido de forma exagerada para um cassino. Com uma aparência de pavão branco, as pessoas ao redor não paravam de olhar para ele. Por causa disso, olhares indesejados se concentraram na mesa.
O desgraçado, sem cerimônia, puxou a cadeira ao lado de Choi Yeonhwa e sentou-se.
— Posso me juntar?
— Bem, não sou eu que aluguei o lugar.
Choi Yeonhwa acenou com a cabeça sem hesitação. Ela olhou para Kwon Taekjoo e riu de um jeito estranho. Parecia pensar que a rigidez dele era puramente por ter ficado de mau humor.
E com razão, pois o ‘Show dos Chippendales’ é uma das principais atrações de Las Vegas, um show onde strippers masculinos musculosos fazem várias performances para o público feminino. Mas ‘Philip’ tinha um corpo extremamente comum. Para uma mulher comum, dizer que ele se daria bem num show de strip era mais assédio do que elogio. Para um homem, não seria diferente.
— É melhor tomar cuidado. Ele não perde fácil.
Com a dica de Choi Yeonhwa, Zhenya riu e olhou para Kwon Taekjoo. Seus olhos se encontraram novamente. Ele queria exigir uma explicação sobre por que aquele desgraçado, que deveria estar quieto na Coreia, havia aparecido, mas precisava recuperar a compostura.
— Ganhar muito fácil também não tem graça. Estou curioso para ver o quão agressivo você pode ser.
Ele provocou, zombando. Sentindo a pele sintética em seu rosto esticar, ele manteve o rosto de pôquer.
— Bem-vindo.
— Philip? Nome que não combina.
Ele continuava a implicar, como se estivesse determinado a estragar tudo. Ignorando-o, ele embaralhou as cartas.
— Chinês? Japonês? Ou… coreano?
Ele o sondou, arrastando o final da frase. Kwon Taekjoo parou as mãos e olhou para Zhenya novamente. O desgraçado apenas sorria com cara de pau. Com a estranha disputa de olhares, Choi Yeonhwa olhou de um para o outro. Então, encolhendo os ombros, acrescentou:
— Hmm. Parece que aos olhos dos ocidentais todos parecem iguais? Para um oriental, dá para ver que ele é chinês.
— É? Por alguma razão, achei que parecia com um coreano que conheço.
Esse filho da puta, vou ter que te dar uma lição.
A mandíbula de Kwon Taekjoo se tensionou. Zhenya apenas levantou as sobrancelhas, como se perguntasse o que havia feito de errado. Quando o normalmente impassível ‘Philip’ mostrou agitação pela primeira vez em muito tempo, Choi Yeonhwa riu gostosamente.
— Às vezes tem gente que confunde.
Ela acrescentou um conselho, como se defendesse Kwon Taekjoo.
— Mas é falta de educação sair dizendo que é chinês, japonês ou coreano. Por causa da longa e complicada história, muitas pessoas se ofendem.
— Devo ter isso em mente. — Ele realmente ficou de mau humor.
Ele continuou a zombar até o fim. Se pudesse, Kwon Taekjoo queria agarrar Zhenya pelo colarinho e sacudi-lo.
Depois que ele se estabeleceu na Coreia, o desgraçado aparecia repetidamente nos locais de operação de Kwon Taekjoo. Como a identidade do desgraçado era o que era, ele dizia para não seguir, pois poderia causar atritos diplomáticos, mas não adiantava. O desgraçado sempre aparecia desafiadoramente para atrapalhar Kwon Taekjoo. Bem, olhando apenas para o resultado, não se podia dizer exatamente isso, pois ele colocava os alvos de Kwon Taekjoo na linha. Mas também era difícil dizer que ele estava ajudando. Ele sempre causava problemas, como agora.
Com sua aparência e físico únicos, ele andava por aí como se não tivesse noção de que chamaria atenção em qualquer lugar. Não havia como esconder sua identidade como Kwon Taekjoo fazia. Era como se estivesse anunciando quem ele era. Na verdade, desde que ele apareceu, os sentidos de Choi Yeonhwa estavam alertas para ele.
Kwon Taekjoo sabia que Zhenya sempre o espionava. Mesmo que o avisasse para não fazer isso, ou criasse uma conta separada para o trabalho, não adiantava. Como se tivesse um dispositivo de escuta plantado em algum lugar do corpo, o desgraçado aparecia como um fantasma onde quer que a operação ocorresse. Era tão frequente que, agora, se ele não aparecesse, era mais estranho e preocupante. Porque não se sabia o que ele estava tramando em algum lugar.
Claro, até agora não houve grandes problemas. Mesmo assim, ele não conseguia deixar de se preocupar. Porque sempre que o desgraçado se envolvia, a força era usada. Uma ansiedade que não existia antes começou a se ampliar dentro dele.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna