↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 1
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Extra. Normal Days 1
Dizem que a noite de Las Vegas é mais bonita que o dia. Com o pôr do sol, a cidade que estava adormecida começava a despertar. Os hotéis de luxo alinhados na Main Street exibiam sua presença com luzes ofuscantes e letreiros de néon. Postes, pontes, guarda-corpos, placas, palmeiras, telões — onde quer que os olhos alcançassem, havia um festival de luzes multicores. Os carros nas ruas emitiam faróis ofuscantes, e multidões transbordavam pelas calçadas. Música em todo lugar, lasers de todas as cores e jatos d’água de fontes gigantes tingiam o céu negro como breu. Pessoas bem-vestidas desfrutavam do espetáculo em restaurantes e bares elegantes, faziam compras, faziam fila para assistir a shows. Parecia que nem mesmo um caleidoscópio poderia ser mais suntuoso.
Havia um lugar que coroava aquele mundo irreal. Um espaço onde dezenas, centenas de milhares de dólares evaporaram como um milagre em uma única noite. Os cassinos, com suas bocas douradas e resplandecentes, engoliam os clientes que chegavam em massa. Alguns vinham por mero interesse, outros sonhando com o jackpot da vida, e chegavam sem fim.
As luzes deslumbrantes e as melodias caóticas de centenas de caça-níqueis, a fumaça acre do cigarro, o cheiro de álcool preso no ar, a vigilância rigorosa dos seguranças, as línguas de todo o mundo se misturando em cada mesa e, mais agudo do que qualquer ruído, o som das fichas. Como uma enchente, os estímulos logo entorpeciam os cinco sentidos e turvavam a razão. Era fácil perder o controle e se concentrar apenas no jogo.
O cassino usava a psicologia humana de forma meticulosa. Removiam relógios e janelas para embotar a noção da realidade, e prestavam muita atenção à disposição das mesas. Mesas com apostas mais altas ficavam mais para o interior.
Nas mesas de alto valor, crupiês experientes conduziam os jogos, e a maioria dos jogadores era clientes habituais, não aventureiros. Ofereciam serviços personalizados para mantê-los por perto. A cada visita, o gerente da casa, o *pit boss*, vinha cumprimentá-los e preparava bebidas de acordo com o gosto de cada cliente. Como muito dinheiro estava em jogo, a vigilância era ainda mais apertada. Era mais difícil de penetrar do que qualquer zona de operação.
Kwon Taekjoo estava embaralhando cartas em uma mesa. Usava um crachá no peito com o nome de ‘Philip’, um crupiê sino-americano, veterano de dez anos. Devido a uma caracterização especial, sua aparência externa também era idêntica à dele. Tudo para se aproximar naturalmente de um alvo particularmente desconfiado.
Na mesa que ele comandava, o jogo de ‘Blackjack’ estava a todo vapor. ‘Blackjack’ é um jogo de cartas que é simples, se for simples, e infinitamente complexo, se for complexo. O crupiê e os jogadores recebem cartas aleatoriamente, e vence quem tiver a soma mais próxima de 21.
Mas se a soma das cartas ultrapassar 21, causando um ‘estouro’, a pessoa perde automaticamente, independentemente da mão do oponente.
Dos quatro clientes sentados, nenhum tinha ‘estourado’. A soma das cartas variava de 13 a 19. Agora era a vez de Kwon Taekjoo, o crupiê, abrir sua mão. A carta já revelada era um ‘3’. Como o número era baixo, a probabilidade de ‘estourar’ era alta. Isso porque o crupiê deve continuar a receber cartas adicionais até que a soma total de suas cartas ultrapasse 17. Os jogadores, com olhares um tanto ansiosos, focavam na carta oculta.
— Abrirei a carta oculta. — Virou a carta restante. Quando apareceu um ‘7’, um suspiro peculiar escapou dos jogadores. Se a próxima carta fosse um ‘A’, o blackjack seria completado e o crupiê levaria todo o dinheiro. Mesmo que saísse um ’10’ ou uma carta de figura como ‘J’, ‘Q’, ‘K’, a soma seria 20, vitória do crupiê. No ‘Blackjack’, normalmente é um jogo 1 contra 1 entre o crupiê e cada jogador, mas todos na mesa, de coração unido, esperavam que saísse um ‘6’ ou menos.
De acordo com as regras, ele pegou mais uma carta. A carta foi imediatamente aberta e colocada ao lado das outras. Era um ‘5’. A soma total ainda era 16 ou menos, então ele teve que receber mais uma. Os jogadores, agora cerrando os punhos ou murmurando por um estouro como se estivessem rezando, apenas fitavam as mãos de Kwon Taekjoo.
Ele pegou mais uma carta. Até virá-la, a tensão na mesa atingiu o auge. Destruindo a expectativa de um jogador que pedia ‘por favor’, a carta ‘6’ se revelou. Em sequência: 3, 7, 5, 6. Como por milagre, o 21 se completou.
— Blackjack.
Declarando mais uma vitória, ele recolheu todas as fichas sobre a mesa. Os jogadores, desanimados, recuaram os corpos.
— De qualquer forma, esses orientais são tão mesquinhos.
Fumando, eles expressavam sua insatisfação abertamente. Diziam que não tinham sociabilidade e que se matavam para ganhar. Era a reclamação que ele ouvia o dia inteiro, três dias seguidos, a ponto de criar calos nos ouvidos. Há um equívoco comum entre os frequentadores de cassinos. Acham que se criarem amizade com o crupiê, ele dará uma folga, ou que se vencerem a batalha psicológica, o jogo se inclinará a seu favor. Lamentavelmente, todos os jogos seguem apenas a probabilidade. Quanto mais vezes se joga, menor a chance de vitórias consecutivas. Nada mudava, mesmo que se tornassem amigos do crupiê.
Depois de perderem dinheiro mais algumas vezes, os jogadores foram saindo um a um. O último a deixar a mesa, um senhor de idade, jogou suas fichas restantes em sua direção.
Diziam que ele era o dono de uma grande empresa de navegação, e as gorjetas eram sempre generosas.
— Philip. Pode parecer vantajoso liderar o jogo agora, mas você também precisa perder de vez em quando para durar. Se você só ganhar, quem vai se sentar na sua mesa?
Bem, não é como se eu pudesse controlar isso.
Ele queria contestar, mas conteve-se e apenas inclinou a cabeça.
— Levarei isso em consideração. Quando se lembrar, apareça novamente.
O homem riu alto, dizendo que ele estava levando todo o dinheiro e ainda pedia para voltar. Mas provavelmente, ele voltaria à mesa de Kwon Taekjoo no dia seguinte. Pessoas com um desejo de vitória incomum só ficam satisfeitas quando finalmente ganham. Depois que ele também saiu do cassino, a mesa ficou vazia por um momento.
Já estava na hora de aparecer.
— De novo sozinho? Hoje você ganhou todas de novo?
Enquanto arrumava a mesa por um instante, a voz que esperava soou. Ao levantar a cabeça, viu uma senhora de meia-idade sorrindo. Ela disse que também iria brincar e sentou-se no lugar do meio.
O nome dela era Chiara Zhang. Dizia que fazia negócios de comércio relacionados à moda na Itália. Embora tivesse nascido na China, praticamente vivia na Itália. Durante os jogos, ela costumava fazer comentários pessoais: que se casou com um marido local há dez anos, que não tiveram filhos e que, talvez por isso, a relação entre eles fosse distante.
Tudo era mentira. A nacionalidade de Chiara Zhang não era chinesa, mas norte-coreana. Seu nome real era Choi Yeonhwa. Ela havia ficado na Itália por quase vinte anos, atuando como a principal responsável pelos fundos europeus da Coreia do Norte. Dizia-se que o valor dos fundos secretos que ela administrava chegava a trilhões de wons, o que seria impossível sem a confiança da liderança do partido.
No entanto, como outros membros da elite norte-coreana, ela parecia ter passado por uma mudança ideológica gradual. Com uma longa vida no exterior, ampliando seus horizontes e expandindo seu pensamento, ela passou a sentir um grande ceticismo em relação ao regime norte-coreano, que permanecia estagnado há décadas. Em meio a isso, ocorreram grandes expurgos devido à sucessão hereditária do líder, e até mesmo seus parentes e colegas que obedeciam ao partido foram executados. Ela finalmente decidiu desertar.
A Itália, que discutia e cooperava com a Coreia do Sul e os Estados Unidos sobre o assunto, não forneceu nenhuma informação sobre Choi Yeonhwa imediatamente após sua deserção. Foi para garantir sua segurança. Isso já fazia vários anos.
O Serviço de Inteligência Nacional (NIS) começou a rastrear Choi Yeonhwa relativamente tarde. Isso aconteceu porque receberam informações de que uma organização social intimamente ligada a forças políticas domésticas havia criado um fundo secreto de grandes proporções e o enviado para a Coreia do Norte. Segundo a informação, o dinheiro teria sido lavado em vários países europeus antes de ser entregue à Coreia do Norte; Choi Yeonhwa certamente saberia disso. Se fosse apenas o financiamento de grupos pró-Coreia do Norte, tudo bem, mas se o dinheiro tivesse sido pago em troca de algum benefício no cenário político, era necessário entender claramente quem estava envolvido e quais eram seus objetivos.
A Coreia do Norte também estava obcecada em capturar Choi Yeonhwa. Não era apenas por causa dos centenas de bilhões de wons em fundos secretos que ela havia desviado ao desaparecer. No momento em que ela abrisse a boca, tudo seria exposto: desde as contas secretas escondidas por toda a Europa até os métodos de obtenção de fundos, suas origens e as técnicas de lavagem de dinheiro. Se as contas secretas fossem congeladas como parte das sanções contra a Coreia do Norte, o governo norte-coreano não teria como obter dólares.
Talvez prevendo isso, Choi Yeonhwa passou por uma cirurgia plástica completa logo após a deserção. Com a ajuda ativa do governo italiano, sua identidade também se transformou perfeitamente em ‘Chiara Zhang’. A história de ter um marido local também não era falsa. Apenas não se sabia se esse casamento era apenas documental ou real.
Depois de um longo período de reclusão na Itália, Choi Yeonhwa recentemente começou a frequentar os cassinos de Las Vegas com mais frequência. Talvez estivesse tentando interpretar fielmente o papel de ‘Chiara Zhang’, uma empresária de sucesso que, no entanto, estava cansada da vida conjugal. Ou talvez quisesse se perder no vício do jogo e, assim, libertar seu verdadeiro eu.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna