↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 19
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Extra. Normal Days 19
Mas a tela mostrava um número desconhecido. Normalmente, ele pensaria que era telemarketing e não atenderia. Na Coreia, não haveria um grupo com coragem suficiente para sequestrar Zhenya. Talvez alguém tivesse discado o número errado.
Então, ele pensou: será que telemarketing liga depois da meia-noite? A menos que fosse alguém muito próximo ou uma emergência, ninguém se atreveria a ligar tão tarde.
Decidiu atender e, se fosse o caso, desligar.
— Alô.
— Kwon Taekjoo?
A voz que perguntou diretamente era bastante familiar. Mas não era um número salvo, então ele não baixou a guarda.
— Sou eu. Quem é?
— Uau, é você mesmo? Sou eu, Chan-woo.
Chan-woo. Kang Chan-woo? Ele pensou no nome familiar. Certamente havia um sujeito assim na faculdade. Sociável e extrovertido, foi representante da turma desde o primeiro ano. Ele se lembrava de ter ouvido falar que ele tinha se casado há alguns anos.
Não eram exatamente amigos próximos, então ele se perguntou o que ele queria.
— Ah, é. Faz tempo.
— Quase 10 anos, uma eternidade. Mas você está vivo, hein? Ninguém que mantém contato com você, só se ouvia falar que você estava sumido há anos, pensei que algo tinha acontecido. Dizem que notícia nenhuma é boa notícia. Tá bem?
Ele ainda era tagarela. Não precisava imaginar o que estava sendo dito nas costas dele. Durante a faculdade, ele sempre foi alvo de fofocas. E ainda por cima, abandonou a faculdade. Vários boatos devem ter circulado. Talvez ele tenha se tornado o protagonista de uma velha lenda que começa com “Aquele veterano antigamente”.
Nesse meio tempo, ele estava mais curioso para saber como Kang Chan-woo conseguiu seu número de telefone do que sobre o motivo da ligação. Seu vício profissional estava em estágio terminal.
— Contrariando as expectativas, estou vivo e bem. Foi só por isso que ligou?
— Seu idiota, desconfiado. Não é expectativa, é preocupação. Você largou a faculdade sem motivo e ficou sumido. Como você está? Já casou?
— Não. Ocupado tentando sobreviver.
— Fazendo o quê?
— Tenho meu trabalho. Você não precisa saber.
— Ha, seu personagem não mudou. A gente precisa se ver, os caras estão curiosos sobre você.
— Todo mundo vive do mesmo jeito, o que há de tão curioso?
— Você está perguntando na moral? Querem ver se aquele Kwon Taekjoo também virou um tiozão normal. Na verdade, combinamos de nos ver antes do Chuseok. Foi difícil alinhar as agendas.
— E daí?
— O que tem? Você também vem, seu idiota. Seja o que for que você faça, você deve ter tempo antes e depois do feriado.
Ele estava prestes a recusar, mas Kang Chan-woo acrescentou rapidamente.
— Em outras ocasiões, tudo bem, mas neste encontro você tem que vir.
O que isso quer dizer? Kwon Taekjoo estudou engenharia mecânica. A maioria dos colegas era homem, e eles não se interessavam pela vida uns dos outros. Ele também não estava particularmente curioso. Mesmo assim, qual seria a razão para insistir?
Quando a dúvida estava no auge, Kang Chan-woo continuou.
— Ouvi dizer que Nahyun vai aparecer. Ela vai se casar em breve. Quer dar uma olhada antes disso.
Outra pessoa, que ele havia esquecido, veio à mente.
—
— Kwon Taekjoo.
Ele levantou a cabeça ao ser chamado. Os colegas com quem estava comendo também se voltaram para quem falara. O barulho ao redor diminuiu como num passe de mágica.
Quem apareceu na frente do grupo foi Yoo Nahyun. Ela era uma das únicas três mulheres entre os 150 alunos do primeiro ano do Departamento de Engenharia Mecânica e de Informação da Universidade Coreana. Como a chamada “bela da engenharia”, recebeu atenção de veteranos, colegas e calouros antes mesmo de entrar, e continuou até a formatura. E naquele dia, naquele lugar, falar sobre ela era um assunto recorrente. Os que a usavam como foco de conversa calaram a boca e observaram a interação dos dois.
— Sou Yoo Nahyun.
A apresentação repentina o fez inclinar a cabeça. Afinal, já estávamos no segundo semestre. Todo mundo falava sobre ela, então Kwon Taekjoo também a conhecia. Ele só não tinha interesse, como a maioria.
— E daí?
— Posso sentar aqui?
— Fique à vontade.
Ele aceitou com indiferença. Afinal, cada um comia sua própria comida; não importava quem se sentasse ao lado. Yoo Nahyun colocou a bandeja na frente dele. Só então os outros caras do grupo começaram a puxar conversa. Perguntavam sobre as disciplinas eletivas, se os trabalhos das matérias principais estavam prontos, onde estava a amiga com quem andava… todas perguntas banais.
Yoo Nahyun respondia superficialmente enquanto olhava fixamente para Kwon Taekjoo. Ele, concentrado apenas na comida, não se juntava à conversa. Mesmo com alguém sentado à sua frente, olhando-o com insistência, ele era extremamente indiferente.
— Quero fazer o trabalho em dupla com você.
A declaração inesperada fez o silêncio voltar. Os outros caras do grupo, rolando os olhos, observavam a situação. Alguns riam maliciosamente, outros já se decepcionavam.
Finalmente, Kwon Taekjoo encarou Yoo Nahyun.
— Comigo? Por quê?
— Você tem as melhores notas. Queria ver como o primeiro colocado faz os trabalhos.
O tom de Yoo Nahyun era um tanto desafiador. Não era um pedido para fazer o trabalho juntos, parecia mais um desafio. Ele sabia que ela tinha ficado em segundo lugar no primeiro semestre. Mesmo sem prestar atenção, os outros falavam tanto que era impossível não saber. Mas ele não a encarava como rival. Para ele, as notas eram uma questão de classificação, não de posição.
Por isso, recusou a oferta de Yoo Nahyun.
— Desculpa, melhor você procurar outra pessoa.
— Por quê?
— Porque não posso fazer do meu jeito. Não consigo me adaptar aos outros.
Com a resposta definitiva, Yoo Nahyun ficou atônita. A maioria das pessoas evitava trabalhos em grupo com pessoas passivas, pois a chance de acabar fazendo tudo sozinho aumentava. Kwon Taekjoo era diferente. Ele preferia membros de equipe que se adaptassem a ele, em vez de membros dominadores. Isso aumentava sua carga de trabalho, mas garantia que o resultado não seria insatisfatório.
— Vou indo — ele disse, levantando-se com a bandeja vazia. Atrás dele, outros caras disputavam para fazer o trabalho com ela. O olhar de Yoo Nahyun o seguia teimosamente. Mas, como ele não estava a fim, não havia o que fazer.
A partir daquele dia, Yoo Nahyun aparecia de repente onde quer que ele estivesse, pedindo para fazer o trabalho juntos. Como muitos viram isso, os boatos de que eles estavam se pegando ou namorando se espalharam. A maioria era de má qualidade.
As alunas na faculdade de engenharia sempre recebiam atenção excessiva. Eram tratadas como princesas, mas os caras competiam entre si para se aproximar. Quando eram rejeitados, as depreciavam com palavras sujas. Havia um interesse especial em suas vidas amorosas. Viviam especulando se tinham namorado, há quanto tempo, quando terminariam. Se andassem com um homem desconhecido ou se atrasassem, trocavam piadas de mau gosto.
Era difícil para as alunas se concentrarem nos estudos. Alguém como Yoo Nahyun, que tirava boas notas, acumulava ainda mais rótulos. Se se desse bem com todos, diziam que ela bajulava os veteranos para conseguir provas. Se mantivesse distância, era chamada de fria.
Kwon Taekjoo era quase o único na faculdade que não demonstrava interesse pelas alunas. Não importava o quanto falassem sobre elas, ele nunca dava sua opinião. No primeiro ano, como a maioria, ele se dava bem com todos, e por causa da sua situação familiar, era respeitoso com os veteranos, o que o tornava popular. Mas, quando o assunto surgia, ele se mantinha totalmente alheio. Não achava graça alguma naquelas fofocas. Talvez isso parecesse especial para as alunas.
Foi por isso, talvez. Yoo Nahyun persistiu em segui-lo. Na hora do almoço, na biblioteca, nas aulas, até na quadra de basquete. Ela o observava jogar sob o sol forte e, depois que ele suava, pedia para fazer o trabalho juntos.
Yoo Nahyun tinha entrado como a primeira colocada, então era inteligente. Bonita, corajosa e sociável. Não era de admirar que alguém assim chamasse a atenção. O problema é que, quanto mais se falava, mais a história se distorcia. Havia tantos boatos ruins quanto elogios. Os boatos sobre ela seguindo Kwon Taekjoo também deviam ser inúmeros. Sabendo disso, ele não podia recusar sempre.
A partir daquele trabalho em dupla, eles começaram a andar juntos com frequência. Parece que se sentiam confortáveis, cada um priorizando seus próprios assuntos e sendo indiferente ao resto. Os boatos de que namoravam se espalhavam, mas não importava. Yoo Nahyun parecia preferir lidar com um único alvo. Na verdade, com o boato de que namoravam, o assédio a ela diminuiu bastante.
Se a vida universitária fosse uma maratona, os dois eram bons parceiros de treino. Alternavam entre primeiro e segundo lugar e frequentemente faziam trabalhos juntos. Contrariando as expectativas de Kwon Taekjoo, as opiniões deles se alinhavam bem. Durante os exames, quem chegasse primeiro à biblioteca guardava lugar para o outro. A maioria das refeições era no restaurante universitário, mas quando ficava muito tarde, comiam nos restaurantes próximos.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna