↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 18
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Extra. Normal Days 18
— Ah, devia ter pedido o comum. A porção é pequena.
— Isso não é *naengmyeon* de sobremesa.
— Mentira.
Olhando para Yoon Jong-woo, que negava, ele estalou a língua e pediu mais uma tigela de *naengmyeon*, duas porções de carne e duas garrafas de soju. O rosto de Yoon Jong-woo parecia o mais feliz do mundo. Se ele paga, ele come bem assim, então por que estava fazendo tanto auê antes?
Yoon Jong-woo abriu a soju que chegou primeiro e encheu o copo de Kwon Taekjoo.
— Sinceramente, o veterano poderia passar de primeira em qualquer empresa de segurança, não é? Até a Casa Azul ia querer te contratar.
— Esse tipo de trabalho tem protocolo complicado, não posso fazer o que quero. E, na verdade, é só para manter as aparências, não tem muito trabalho físico.
— Não entendo como alguém procura sofrer assim. Se quer tanto usar o corpo, vá para o exterior. Lá tem trabalho que paga muito e é perigoso.
— Do outro lado, ou é por dinheiro ou por causa. Pelo menos se eu pensar que estou sendo patriota, me sinto menos culpado na hora do acerto de contas. Se for só por dinheiro, não consigo, fico desiludido.
— Então abra uma academia e malhe até morrer.
— Isso não tem a emoção do campo.
— Uau, o senhor é mesmo estranho.
Ele o repreendeu, ficando chocado.
— É por isso que sua mãe fica preocupada, veterano. Ela não quer uma nora ou neto, ela só quer que você se estabeleça, não é?
— Se eu casar, vou me estabelecer automaticamente?
— Pelo menos você não vai pensar em trabalhar pelo prazer de usar o corpo. Mesmo que seja seu corpo, ele não será inteiramente seu. Com uma família como coelhos, eles não vão ficar na sua frente?
Bem, ele nunca tinha pensado nisso. Como nunca tinha experimentado, era difícil imaginar. Se ele tivesse uma família, e mais pessoas para proteger, será que ele realmente mudaria? Será que a vida focada apenas na segurança não o sufocaria? Será que um senso de dever tão privado e familiar, como o de marido e pai, poderia satisfazer sua sede interior?
Enquanto fazia essas perguntas a si mesmo, ele riu de repente. Foi porque Zhenya veio à mente. A existência do desgraçado estava tão enraizada em sua mente que bloqueava qualquer pensamento profano.
É, o que ele iria fazer com uma família de coelhos? Melhor se resignar do que ser devorado pelo desgraçado por fazer bobagens.
Yoon Jong-woo perguntou o que foi. Ele balançou a cabeça como se não fosse nada.
— A propósito, como está sua mãe? Faz tempo que não a vejo. Antes, eu costumava ir com o veterano e comer lá.
— Ela estava falando de você outro dia. Disse para eu te levar quando tiver tempo.
— O quê? Mas por que não me disse?
— Ah… é que minha mãe arranjou uma melhor amiga ultimamente.
— E daí?
— Você ia odiar se fosse. Você também não ia achar graça.
— Por que a melhor amiga da sua mãe iria me odiar? E o que quer dizer com eu não ia achar graça…
— Coisas assim.
Ele se esquivou. Na mesma hora, o *naengmyeon* e a carne chegaram. Ele rapidamente passou o *naengmyeon* para Yoon Jong-woo, desviando sua atenção. Também colocou a carne na chapa, grelhando e cortando freneticamente. Yoon Jong-woo, concentrado em comer, não insistiu mais.
Quando a carne estava toda grelhada, ele largou as pinças. Yoon Jong-woo, que já tinha terminado o *naengmyeon*, encheu os copos com discrição.
— Posso fazer uma pergunta?
— O quê.
— Sempre tive curiosidade. O que você é daquele russo?
A pergunta inesperada o fez hesitar. Mas logo ele inclinou o copo como se nada tivesse acontecido. Bebeu a soju de um gole e colocou o copo vazio sobre a mesa.
— O que eu sou? Apenas nos encontramos por acaso, quase nos matamos, acabamos nos ajudando de vez em quando… e aí aquele desgraçado veio como embaixador, então a gente se vê de vez em quando. É mais ou menos isso.
— Uau, o ódio realmente é uma coisa assustadora. Como você pode ser amigo de um assassino daqueles…
A voz de Yoon Jong-woo, que tagarelava sem pensar, foi diminuindo. Ele estava prestes a perguntar por que ele estava tão cauteloso, mas então ouviu seu resmungo.
— …Bem. O veterano não é muito diferente.
— Ei, isso é falta de respeito. Você está me comparando com aquele desgraçado?
— Ele também é humano, mas… enfim.
Com o passar dos anos, sua língua só se afiava, respondendo na mesma moeda.
Se até o desatento Yoon Jong-woo tinha dúvidas, a relação com Zhenya devia ser realmente estranha. Certamente, à primeira vista, era difícil adivinhar que tipo de relação eles tinham, e, se soubessem os detalhes, entenderiam ainda menos. Não era a primeira vez que ele quase morria pelas mãos de Zhenya. E agora, ele estava transando com aquele desgraçado só de trocar olhares; a vida é mesmo imprevisível.
Depois disso, a conversa mudou para a família de Yoon Jong-woo, as notícias do chefe Im, e as reclamações sobre o trabalho. Enquanto conversavam, beberam uma ou duas garrafas de soju, e logo as duas garrafas acabaram. Quando Yoon Jong-woo perguntou se queria mais, ele negou com a cabeça.
— Não. Você vai pra casa agora.
Yoon Jong-woo, surpreso, arregalou os olhos. Ele imediatamente verificou as horas no telefone. Não satisfeito, ele olhou para o relógio na parede.
— Ainda não são nem 10 horas.
— Você tem que ir pra casa, leva tempo. E tudo bem jogar, mas é melhor tomar banho e fazer as tarefas domésticas antes.
Ao ouvir o conselho, ele exagerou na reação.
— Veterano, o senhor está me vigiando? Instalou câmeras na minha casa?
— Não preciso fazer isso, é óbvio.
Ele jogou uma folha de perilla rasgada e disse “Vai”. Yoon Jong-woo, que estava pensando lentamente, levantou-se sem hesitar. Então, com uma postura elegante, fez uma reverência profunda.
— Então vou indo. Obrigado pela comida de hoje. Amo você, veterano.
Ele fez um coração com as mãos e saiu correndo. Com medo de ser pego de novo, ele nem olhou para trás. Observando Yoon Jong-woo fugir, ele riu.
Já eram quase 10 da noite. Quando ele ia se levantar, sentiu uma pontada de arrependimento. Chamou o funcionário que estava arrumando a mesa ao lado.
— Pode apagar a luz aqui, por favor. E me traz mais uma garrafa de soju.
Ele bebeu sozinho. Fazia muito tempo que ele não passava um tempo sozinho, fora de uma viagem de negócios. Como ele tinha vivido até então? Depois que entrou no NIS, sua vida perdeu o sossego. Terminava um trabalho, e outro já o esperava. Não era raro ele ir direto de um local de trabalho para outro. Até nos dias de folga, ele mal tinha tempo para se recuperar.
Mas, no início de sua carreira, ele encontrava amigos, colegas da faculdade e veteranos das forças especiais, mesmo que tivesse que arranjar tempo. Naquela época, ele tinha tempo para isso, e era cheio de entusiasmo por amizades e lealdade. O problema era que, em qualquer encontro, todos queriam saber como ele estava. Uma ou duas vezes, ele podia inventar desculpas, mas mentir constantemente só o deixava desconfortável.
Depois que perdeu o status de novato, a carga de trabalho aumentou e ele nunca podia descansar quando os outros descansavam. Com isso, ele quase não comparecia a eventos importantes como casamentos, funerais, encontros de ex-alunos e festas de primeiro aniversário. As vezes que passou o feriado em casa também se contam nos dedos.
Por um tempo, ele andou com um “desculpe” na ponta da língua. Todos diziam que estava tudo bem, mas como uma relação baseada em pedidos de desculpas poderia se manter saudável? As comunicações se tornaram esporádicas, e ele raramente respondia às mensagens, o que o afastou das pessoas. Ele perdeu o telefone várias vezes durante as operações, então quase não tinha contatos. Embora zombasse de Zhenya por não ter amigos, o próprio Kwon Taekjoo não era muito diferente. Se ele morresse em serviço, as pessoas só saberiam depois, e diriam: “Ouvi dizer que ele morreu”. Ele não se preocupava com a possibilidade de seu funeral ser vazio. Na verdade, ele já seria sortudo se seu corpo fosse recolhido.
Ele riu com amargura e bebeu um gole. Ficar sozinho trazia muitos pensamentos. Até recentemente, ele não tinha tempo para ter esses pensamentos. A carga de trabalho continuava pesada, e Zhenya se intrometia nessa rotina apertada.
— …Quando eu reclamava, ele estava aqui.
Ele reclamava que o desgraçado o seguia para todo lado, mas agora que ele havia sumido, não havia notícias. Quão grande evento estaria por vir?
De repente, a soju perdeu o sabor. Ele pensou em fumar e saiu da loja. Numa loja de conveniência próxima, comprou o maço de cigarros que costumava fumar. Acendeu um, deu uma tragada funda e olhou para o maço. Parecia sem graça, como se não fosse o mesmo sabor. Ele já estava acostumado com os charutos artesanais.
Apenas um ano. O quanto ele tinha sido influenciado por aquele desgraçado, Zhenya? Quando ele estava por perto, ele não percebia, mas depois que ele desapareceu, ele sentiu isso de uma forma inacreditavelmente clara.
Ele terminou um cigarro rapidamente e ia pegar outro. Foi quando o telefone, que estava mudo, tocou. Ele pensou que o desgraçado ia aprontar de novo.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna