↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 17
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Extra. Normal Days 17
O assessor, Oleg Menshikov, semicerra os olhos e examina Kwon Taekjoo. Depois de um bom tempo, ele finalmente fala.
— Então, o senhor é aquele “Kwon Taekjoo”?
— Sim, eu sou Kwon Taekjoo.
Não sei por que colocam um artigo demonstrativo na frente do meu nome, mas ele acenou com a cabeça obedientemente. Já que tinha ido até a residência, aproveitou para passar na embaixada. Pensou que, mais do que qualquer outro lugar, ali teriam informações sobre os assuntos não oficiais da Rússia. Como a embaixada é uma instituição diplomática especializada, é sensível às questões internacionais. Isso inclui a situação política, econômica e social do país de origem.
A família Bogdanov exerce uma influência considerável nos círculos políticos e empresariais da Rússia. Se algo tivesse acontecido com eles, a embaixada certamente saberia. Além disso, embora fosse apenas um título, ele era um embaixador, então reagiriam rapidamente a qualquer problema relacionado à segurança do desgraçado. Se ele estivesse pensando em renunciar ao cargo, certamente seria a primeira a saber.
— Entendo. O que traz o senhor, que parece ser mais ocupado que o embaixador, aqui sem aviso prévio?
Oleg Menshikov zombou abertamente, demonstrando desconfiança.
Quando ele foi perseguido por uma acusação falsa há um ano, não se sabia onde ou como sua identidade poderia ter sido exposta. A preocupação de sua mãe não era pequena. Por isso, ele se registrou como funcionário da embaixada russa. Zhenya foi quem sugeriu primeiro, e o alto comando também permitiu. Claro, era apenas nominal, e era a primeira vez que ele visitava a embaixada. Zhenya disse que cuidaria de tudo, mas a atitude do assessor não parecia boa.
Dentro da embaixada, o cargo de Kwon Taekjoo era de secretário pessoal e assistente do embaixador. Para não levantar suspeitas desnecessárias, ele decidiu se ater a esse papel.
— O embaixador me pediu para entregar alguns documentos urgentes. Tentei contatá-lo, mas ele não atende.
— O embaixador voltou à Rússia por um assunto de família. — Nem sequer o assistente sabia disso?
Cada palavra era pontiaguda. Ele forçou um sorriso.
— Não, ele disse que voltaria em cerca de dez dias, mas já se passaram duas semanas.
— Hmm… De fato, está demorando mais do que o previsto.
Oleg Menshikov acenou com a cabeça. Então, acrescentou algo enigmático.
— Bem, não é um problema que possa ser resolvido assim tão facilmente. Talvez ele esteja sendo cauteloso porque isso pode se tornar um grande evento para a Rússia.
Era uma frase tão vaga que ele não conseguiu entender o que significava. Mas ele parecia saber o propósito da visita de Zhenya à Rússia. Não podendo perguntar diretamente o que era, ele confirmou apenas uma coisa.
— É só por causa disso que ele está se atrasando?
— Por que mais seria? É um documento tão importante? Se for, posso guardá-lo e entregá-lo em seu lugar.
Oleg Menshikov estendeu a mão de repente. Ele achou melhor recuar.
— Não. Ele disse para eu entregar pessoalmente, então farei isso.
— Então você terá que voltar mais tarde.
— Sim. Então, por hoje, é só.
Ele fez uma reverência e saiu da embaixada. Assim que se virou, sentiu olhares penetrantes nas suas costas. Não era só de uma ou duas pessoas.
Ignorando-os, ele andou e, de repente, olhou para trás. As cabeças das pessoas que olhavam para ele pelas janelas desapareceram de uma só vez. Alguns, sem ter para onde olhar, mexiam em vasos ou desviavam o olhar sem graça.
Por mais que a embaixada fosse composta majoritariamente por russos, seria tão surpreendente ver um coreano ali? Nem mesmo os coreanos que viram um estrangeiro pela primeira vez olharam com tanta descaramento.
Ele inclinou a cabeça e continuou a andar. Os funcionários da embaixada, um a um, espreitavam pelas janelas para ver aquele ‘Kwon Taekjoo’ se afastando.
—
Uma tarde entediante se arrastava lentamente. Os agentes de campo do NIS raramente iam à sede. Não havia nada para fazer lá. No máximo, processar as despesas relacionadas às operações e escrever relatórios. De vez em quando, redigir relatórios de ocorrência. Kwon Taekjoo já tinha até aprovado tudo antes das férias. Era um hábito que ele adquiriu naturalmente, já que uma nova missão poderia surgir a qualquer momento.
Ele folheou o calendário de mesa sem motivo. Não se lembrava da última vez que tinha tirado férias tão longas. Era normal ser chamado quando mal tinha descansado, ou ser chamado sem nem ter descansado. Mas, com a intromissão de Zhenya, sua vida apertada ganhou algum fôlego. Embora ele sempre reclamasse do desgraçado, era verdade.
Não se sabia quando ele seria chamado de novo, usando essas férias como desculpa. Para não se sentir injustiçado na época, ele devia aproveitar bem, mas não tinha nada para fazer. Ele também não dormia bem, e os dias eram apenas entediantes. O que ele fazia antes? Normalmente, ele mal tinha tempo para descansar, e ultimamente, passava o tempo com Zhenya, sem tempo para ficar entediado.
Será que não tinha nada para fazer? Procurando por algo, ele ligou o mensageiro interno. Então, chamou o sempre acessível Yoon Jong-woo.
[O que está fazendo?]
Yoon Jong-woo só leu a mensagem depois de um bom tempo. A resposta demorou ainda mais.
[Trabalhando, claro.]
[Vamos beber depois do expediente.]
[Não posso.]
[Hoje à noite tenho que caçar o chefe.]
[Que chefe 2D é esse?]
[É 3D.]
[Você não vai comer?]
[Não. Vou passar fome, se for preciso.]
[Já que você não vai ajudar, não fica me chamando.]
[Hoje eu tenho que sair no horário, é sério.]
[É? Vou ajudar, sim.]
[Sério?]
[Sério.]
Assim que respondeu, ele ligou o laptop. Quando o horário de almoço estava terminando, ele pegou emprestado o laptop de Yoon Jong-woo. Na área de trabalho, estava instalado o jogo que ele se gabava de jogar. Ele inseriu o ID e a senha de Yoon Jong-woo e clicou em entrar. Mas uma mensagem pedindo para confirmar a senha apareceu. Ele tentou novamente, mas foi a mesma coisa.
Ele abriu o mensageiro novamente.
[Você mudou a senha?]
Yoon Jong-woo leu a mensagem e ficou em silêncio por um tempo. Parecia que ele estava tentando entender o que estava acontecendo, e o som de sua confusão podia ser ouvido além da tela.
Logo, suas mensagens começaram a chegar.
[Veterano, o que o senhor está fazendo?]
[Disse que ia ajudar.]
[Sim. Ajudar a subir de nível.]
[Ah, não faça isso!]
[Qual é a senha?]
[Acha que vou contar?]
Yoon Jong-woo, pela primeira vez, se mostrou firme. “Então não conta.” Ele, sem se importar, tentou várias combinações da senha antiga. Conseguiu entrar na terceira tentativa. Ele até agiu com arrogância, mas a senha era a mesma, só trocando o ponto de exclamação pelo arroba. Como alguém tão descuidado trabalhava no departamento de inteligência do NIS?
Parece que o aplicativo móvel conectado à conta também enviou uma notificação de login. A janela do mensageiro, que estava quieta, começou a piscar sem parar.
[Veterano.]
[Veterano?]
[Veterano?]
[Veterano, por favor, respondeㅠㅠ]
[O quê? Não disse que estava ocupado?]
[Sua personagem melhorou bastante, hein?]
[Tem um monte de itens que eu nunca vi.]
[Por favor, nãoㅠㅠㅠㅠㅠ Não mexe no meu filho.]
[Disse que ia subir de nível.]
Com essa última mensagem, ele não respondeu mais. Ignorou a janela do mensageiro que continuava piscando. Enquanto examinava a interface atualizada, o telefone tocou de repente. O remetente era, como sempre, Yoon Jong-woo. Quando ele apertou o botão de atender, ouviu uma respiração ofegante.
— O quê, seu idiota. Não disse que estava ocupado?
— É só para comer junto, certo? Eu tenho que ir embora até às 11, sem falta.
Ele riu. Imediatamente, saiu do jogo e repreendeu Yoon Jong-woo.
— O veterano vai pagar um jantar depois de tanto tempo, e você me faz passar por isso? Me faz parecer uma pessoa ruim.
— Por que o senhor tinha que pagar justo hoje?
— Porque eu quero beber hoje.
Foi uma afirmação bastante egocêntrica. A respiração de Yoon Jong-woo ficou ainda mais ofegante. Embora não pudesse ver, ele devia estar arrancando o cabelo e tremendo de raiva.
— Vai trabalhar — ele disse e desligou o telefone unilateralmente. Aproveitando, ele olhou para o telefone, mas não havia novas mensagens.
—
Depois do expediente, eles se sentaram num restaurante de churrasco nas proximidades. Yoon Jong-woo resmungou, dizendo que ele só ia pagar carne de porco, mas devorava cada pedaço de barriga de porco que era grelhado. Seus olhos, no entanto, não paravam de olhar para o laptop ao lado dele. O jogo estava em andamento automaticamente. O que havia de divertido em ver o personagem lutar e ganhar experiência sozinho? Kwon Taekjoo simplesmente não conseguia entender.
— Ei, a carne vai esfriar.
— Estou comendo.
Ele ignorava a carne que estava quase queimando e colocava na boca pedaços que mal haviam perdido a cor crua. Ele nem parecia estar olhando para a chapa. Será que era assim que se sentia ao comer com um filho adolescente desobediente?
Ele olhou com desaprovação e preparou um *ssam*. Então, estendeu-o a Yoon Jong-woo, dizendo “Ah”. Yoon Jong-woo, sem suspeitar, abriu a boca. Ele estava tão concentrado na tela do jogo que parecia ter esquecido quem estava ao seu lado. Suas bochechas incharam enquanto ele mastigava vigorosamente. Mas logo, o movimento de sua mandíbula desacelerou drasticamente. Seu rosto, que estava calmo, ficou vermelho como se fosse explodir. Era por causa do *ssam*, que não tinha nem um pedaço de carne, apenas pimenta cheongyang e alho cru.
— Ugh! Uh!
Ele tapou a boca, que ardia, e correu de um lado para o outro. Procurando água desesperadamente, ele agarrou o copo de Kwon Taekjoo. Mas a soju não apagaria o fogo em sua boca. Yoon Jong-woo, gritando silenciosamente, recebeu um prato vazio de Kwon Taekjoo, que disse para ele cuspir. Mas ele balançou a cabeça firmemente e engoliu o que estava na boca. Dizia que, pensando nos pais que trabalhavam na agricultura, não podia jogar fora nem um grão de arroz. Por causa dessa penitência, seus olhos estavam cheios de lágrimas. Sua ponta do nariz também estava vermelha.
— Viu só? Não disse para não se distrair enquanto come?
— Ha, ha. O senhor fez isso de propósito!
— Se eu tivesse feito sem querer, seria?
Ele respondeu com descaramento. Ignorando o olhar de reprovação, ele continuou a dar sermões.
— Se estivesse numa operação, você teria morrido envenenado. Ainda aceitaria a água e seria executado.
— Eu não vou a campo mesmo.
— Você acha que decide isso?
— O que há de impossível? No fundo, se não fosse o veterano…
Yoon Jong-woo, que estava prestes a se irritar, fez uma expressão de quem tinha cometido um erro. Kwon Taekjoo, rindo, disse:
— Então, quem mais eu tenho em quem confiar, além de você? Estou morrendo sozinho, sem parceiro. Se der merda, você vai ter que me dar apoio e cobertura. Não é para isso que serve um subordinado?
— Ah, sério! Então eu peço demissão no mesmo dia.
Ele achava graça da preocupação séria do outro e continuava a provocá-lo. Então, de repente, perguntou se ele queria *naengmyeon*. Era uma tentativa de acalmá-lo.
— …*Mul-naengmyeon*.
Yoon Jong-woo, que estava resmungando, também se acalmou rapidamente. Com medo de ser enganado de novo, ele fechou o laptop obedientemente.
Na verdade, ele não se lembrava da última vez que tinham se sentado assim, exceto na hora do almoço. Com as viagens de Kwon Taekjoo, era difícil se verem a menos que marcassem um horário. Mesmo assim, no passado, ele costumava chamá-lo como agora, mas ultimamente, não conseguia fazer isso. E a culpa era inteiramente de Zhenya. Em algum momento, tornou-se natural passar o tempo fora do trabalho com o desgraçado.
— Veterano, o senhor está se sentindo solitário ultimamente?
Yoon Jong-woo perguntou de repente. Seus olhos já estavam estreitados.
— O que é isso, do nada.
— É que o senhor está estranho, insistindo assim. Quer que eu marque um encontro para você?
— Que mulher você conhece?
— Se não der, posso apresentar minha irmã…
— Você quer me apresentar sua família para não ter que beber com seu chefe?
Que idiota, ele disse e bebeu mais. Yoon Jong-woo rapidamente encheu o copo vazio.
— Nunca se sabe, não é? O destino é coisa séria. Se minha irmã não der, tenho uma prima, e se ela não quiser, posso apresentar uma amiga dela…
— Quer romper com sua família?
— Não, por quê! O que há de errado com o veterano! Tem estabilidade no emprego, ganha bem para um funcionário público, é alto, tem um pau grande, corpo bom e ainda é bonito. O fato de ser um pouco rígido e ter mau gênio… bem, isso, ele não vai tentar competir com a namorada, vai?
— O seu talento para elogiar e ao mesmo tempo criticar é notável.
Como se tivesse sido pego, ele desviou o olhar. Então, bebeu o resto da soju. Kwon Taekjoo olhou para ele com desaprovação e pegou a garrafa de soju. Yoon Jong-woo estendeu o copo com mais cortesia do que nunca.
— E você? Não namora? Está na idade.
— Eu sou um defensor do celibato, apesar da aparência.
— O que isso tem a ver com namoro?
— Se eu namorar, posso querer casar.
— Isso não é necessariamente…
— Uau, que homem mau. Diz que namoro e casamento são coisas separadas?
— Claro que são separados. Eu não sei se a outra pessoa quer casar comigo também.
— Se você realmente ama, não tem tempo para pensar nessas coisas, não é? Dizem que se você não quer mandar a pessoa para casa e quer ficar junto para sempre, você casa.
— Se não quer mandar para casa e quer ficar junto, é só ficar junto. Não é case a esmo. Casamento não é chamado de realidade à toa. Funcionário público? O que é isso? Vivo na corda bamba, pensando em quando vou largar tudo, ganho mais em salário de risco do que em salário-base, não posso dizer onde ando ou o que faço, passo mais tempo fora do que em casa. Se tiver um filho, vou ter que criá-lo sozinho, e se eu morrer, o governo não vai nem recolher meu corpo, que dirá me tratar como herói. Que mulher ia querer?
— ……
Os lábios de Yoon Jong-woo se contraíram. Como tudo era verdade, ele não podia contestar. Kwon Taekjoo despejou o resto da soju em seu copo.
— Pessoas como nós, se contarmos a verdade, violamos as regras do trabalho; se escondermos, é um casamento fraudulento.
— Não está errado, mas é meio injusto. Não estamos ali por dinheiro, estamos nos desgastando e consumindo nossa saúde mental pelo país.
— Ainda não é tarde. Fuja.
— Eu sou um defensor do celibato, de qualquer forma. E não sou um agente de campo como o veterano.
Yoon Jong-woo, que resmungava, fez uma pergunta bastante séria.
— Até quando o senhor pretende trabalhar?
— Não sei.
— Sua mãe não te pressiona para casar? Você é o único filho dela.
— Claro que sim. Ela diz que se um homem casa tarde, a criança pode não nascer saudável. Na cabeça dela, ela já me casou e está segurando os netos.
— Você também é um defensor do celibato?
— Não? Nunca pensei nisso, na verdade.
— Hmm. E se você procurasse um emprego mais estável do que o atual? Aí não teria motivo para evitar o casamento.
— Isso é mais fácil falar do que fazer.
— O senhor fala fácil comigo.
— Porque você disse que não se adapta.
— É só o senhor não me chamar para o campo!
— Só tenho você em quem confiar…
— Ah, pare com isso também.
Não era para tanto.
Logo, o *naengmyeon* que ele havia pedido chegou. Yoon Jong-woo, com uma expressão aborrecida, colocou rapidamente vinagre e mostarda, e cortou o macarrão em pedaços fáceis de comer. Então, por educação, perguntou se ele queria provar. Assim que Kwon Taekjoo negou com a cabeça, ele pegou uma porção generosa de macarrão e a sorveu. Num piscar de olhos, uma tigela de *naengmyeon* havia sumido.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna