↫─☫ Capítulo 10 Extra. Normal Days 13
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Extra. Normal Days 13
Ouvindo com atenção, Zhenya riu com desdém. Então, acrescentou sem cerimônia:
— Você é surpreendentemente superprotetor.
— Não se preocupe. Estou bastante acostumado com esse tipo de coisa.
— Acostumado?
Por um instante, ele pensou ter ouvido errado. Não processou imediatamente o que significava estar ‘acostumado a ser sequestrado’.
Zhenya mencionou sua infância com indiferença.
— Foi quando eu tinha uns seis anos? Talvez antes ou depois. Estava voltando para casa depois de uma aula de equitação. O motorista foi morto por uma bala perdida. O carro perdeu o controle e caiu no rio. Consegui nadar até a superfície, mas alguns homens estavam esperando e me vendaram. Quando recuperei a consciência, estava trancado num depósito com cheiro de mofo. Não sei o que eles exigiram da família. Podia ser dinheiro, algum direito, interesses ou poder que não podem ser medidos em valor… Quanto mais se tem, mais inimigos se tem, não é? Seja por causa das maldades acumuladas ao acumular essas coisas, ou pela simples cobiça de outros. Eu devia ser o alvo mais fácil para eles. Porque eu era pequeno. Eles devem ter presumido que, por mais notória que fosse a família, a linhagem seria puxada. Foi um equívoco. A família Bogdanov valoriza o orgulho e a honra mais do que meros laços de sangue.
O desgraçado, que sempre gostava de rodeios e expressões abstratas, mas ele não conseguia entender. Não era uma questão de credibilidade ou incompreensibilidade. Era puramente uma dúvida humana, de “não pode ser”.
— …O que você está dizendo, isso?
— É apenas uma história comum. Fui sequestrado por necessidade dos adultos, abandonado pelos cálculos deles. Como as coisas não saíam como planejado, eles começaram a ficar impacientes. Me passaram fome, gritaram comigo, não me deixaram dormir. Eles me estendiam um telefone, pedindo para eu chorar e implorar por minha vida. Eu aguentei. Não queria fazer o que eles queriam, nem implorar pela minha vida, curvando-me à minha família.
— ……
— A família viu as ações deles como um desafio a si próprios e, além disso, ao Kremlin. Eles pensaram que precisavam dar um exemplo. Então, começaram a eliminá-los com força bruta descomunal. Esqueceram até que eu estava nas mãos deles, atacando sem piedade. Dezenas, centenas de balas e bombas atravessaram as paredes e o teto. As cabeças dos homens que me ameaçavam voavam, membros eram arrancados e rolavam por toda parte. Era um espetáculo.
A atitude de Zhenya ao recordar o incidente era de cinismo do início ao fim. Como ele pôde? Ele estava confuso. Apenas seis anos. Como podiam fazer isso com uma criança de seis anos.
— Os poucos que sobreviveram não se renderam. Mas eu brincava com granadas desde pequeno. Talvez tenha sido a primeira vez. Tirar a vida de alguém com estas duas mãos.
— Ei…
Era uma história cruel demais.
Naquela época, Kwon Taekjoo tinha cerca de dez anos. Era uma época em que ele ia à escola sem preocupações, jogava bola com os amigos. Como consolar alguém que viveu num mundo tão diferente do seu? Ele não esperava que o desgraçado tivesse crescido num ambiente normal, mas não imaginava que fosse a esse ponto.
— Não precisa ter pena de mim, Taekjoo. Cada família tem suas tradições, e todos se adaptam ou se resignam a elas. Pode parecer um pouco desumano e severo, mas quem sabe. Talvez seja por isso que a família Bogdanov existe hoje. Homens geram homens, feras geram feras. Monstros geram monstros. Para não ser subestimado entre monstros, decidi que precisava ser mais forte que ninguém. Foi assim que me tornei quem sou. Primeiro, meus pares, depois os adultos, depois as pessoas da família, e finalmente, até o mundo inteiro parou de me subestimar. Graças à Anastasia.
Certamente, ninguém ousava mexer com um *psikh* reconhecido pelo estado. Nem sua família o tratava levianamente. Era exatamente o que ele queria. Será que era bom? De repente, ele se lembrou das palavras de Olga: “Até quando você vai ficar isolado?”. Até Kwon Taekjoo achava que o desgraçado parecia não apenas solitário, mas exausto.
— Você não pensa que a Anastasia te deixou mais cansado? Por que não a dá para quem a quer, como a Olga disse? Pelo menos você não teria esses problemas chatos. Esses caras também te sequestraram por causa dela. Eu já não preciso mais dela, então pode devolvê-la ou destruí-la. Na verdade, eu só ia entregá-la a eles para ter certeza de que você estava bem…
— Ah, é. Taekjoo, eu te dei uma. Você já a explodiu antes. Escondi uma na casa principal e outra em Ajinokki. Agora que penso, acho que também dei uma para aquela mulherzinha.
Ele deu ‘Anastasia’ para a mãe? Ele franziu a testa imediatamente.
— O que você está dizendo? Você só fala enigmas o tempo todo.
— Eu já te disse, Taekjoo. Anastasia pode existir ou não. Só eu posso provar isso. Se eu disser que a coisa que te dei é Anastasia, as pessoas vão pensar que é Anastasia. E se eu disser que o revólver caído ali é Anastasia, ele se tornará Anastasia. No final, Anastasia existe na mente de quem acredita, e cabe a mim fazê-la existir ou não. E você é o único que conhece esse segredo.
— O quê, então? O que você disse sobre ser sua linha de vida, tudo isso era conversa fiada? Eu pensei que algo terrível ia acontecer com você se ela desaparecesse.
Sentindo-se enganado, ele se irritou, e Zhenya deu um passo à frente. Seus olhos azuis estavam cheios do rosto de Kwon Taekjoo.
— Certo. Minha respiração, minha fraqueza, e minha arma secreta que me torna o mais forte do mundo. Agora, essa Anastasia está bem diante dos meus olhos.
Os pelos do seu pescoço e bochechas se arrepiaram. O desgraçado era capaz de dizer essas coisas constrangedoras na cara de uma pessoa. Nesses momentos, seus olhos, que normalmente eram frios como os de um réptil, também se enchiam de um calor sem precedentes e se suavizavam.
— Taekjoo.
— Por quê, por que está se aproximando?
— Se você veio resgatar a princesa aprisionada no castelo, o final tem que ser aquele, não é?
— Quem é princesa? Não me faça rir.
Naquele lugar com cheiro de sangue, ele não queria ficar esfregando os lábios daquele jeito. Mas o desgraçado de repente fez um olhar comovente.
— Na verdade, esperei o tempo todo. Testei minha paciência a cada hora, minuto, segundo.
Ele tentou não se deixar levar, mas o desgraçado sempre conseguia derrubar suas barreiras com uma facilidade incrível. Estranhamente, quando ele via aquele rosto fingindo inocência, ele não conseguia ser duro. Por mais que repetisse que era uma máscara, que ele estava tentando enganá-lo com astúcia como uma raposa, era inútil.
— …Droga. Vem cá, Yevgeny.
— Taekjoo, minha *zayinka*.
Então, aquele rosto é tão…
— Ahhhhh!
Assim que se lembrou de ter beijado aquele desgraçado num lugar cheio de corpos, ele se levantou de um salto. Ele arrancou o próprio cabelo com raiva. Será que, além de seu coração, seu cérebro também tinha amolecido? Talvez os genes malucos do desgraçado tivessem sido transmitidos.
Não podia dizer que sua vida era tranquila, mas depois que se envolveu com Zhenya, realmente não havia dia de paz. Ele já sabia que tipo de desgraçado ele era, e foi culpa sua por ter abraçado aquela bomba.
— ……
Ele pegou o telefone que estava jogado longe. Ao ligá-lo, o histórico de chamadas recebidas apareceu. Mas não havia chamadas ou mensagens de Zhenya. Com a esperança de que talvez, ele examinou cada contato com cuidado. Não havia nenhum número desconhecido. Pelo menos não parecia que ele tinha sido sequestrado como da outra vez.
Tamborilando o telefone enquanto pensava em algo, ele ligou para algum lugar. O sinal de chamada tocou duas vezes e logo foi interrompido. Em seguida, a voz do outro lado foi ouvida.
— Alô?
O dono da voz um tanto hesitante não era outro senão Yoon Jong-woo.
— Yoon Jong-woo, o que está fazendo?
— O que eu faria? Trabalhando diligentemente, é claro.
— Está ocupado?
— Vou ficar muito ocupado a partir de agora.
Prevenindo-se contra mais problemas, ele se encolheu. Quando entrou como seu subordinado, ele era obediente, mas agora que tinha mais experiência, ele respondia com mais ousadia.
Mas isso não mudaria nada.
— Não seja assim, me faz um favor.
— Não sei o que é, mas faça você mesmo, veterano. Você está de folga, tem todo o tempo do mundo.
— Se eu pudesse fazer, já teria feito. Acha que eu pediria esse favor a você?
Zombando, não houve resposta. Apenas o som de resmungos ao longe.
— Yoon Jong-woo? — ele o chamou de volta. Pigarreando, ele respondeu.
— Primeiro, me diga o que é.
— Yevgeny Vissarionovich Bogdanov, conhece?
— Por, por que essa pessoa de novo?
— Por que você está gaguejando? Ele é um fantasma?
— É brincadeira? Não é muito diferente, na minha opinião.
— Deixa isso. Descobre onde ele está agora.
— …O quê? O senhor está me pedindo para investigar um civil? Sabe quão sensível é isso, veterano?
Ele pulou, apavorado. O grito foi tão alto que quase furou o tímpano. Apesar de ser tão assustadiço e sem cuidado, ele sobrevivia no NIS. Seria porque ele era muito competente? Um suspiro sem graça escapou.
— Para você, aquele desgraçado parece um civil?
— Bem, isso… não… ainda assim, ele é um diplomata. Se eu mexer e der errado, pode virar um problema diplomático…
— Não vai dar errado, e mesmo que dê, eu assumo a responsabilidade. Só me diz onde ele está. Não estou pedindo para você prendê-lo.
Yoon Jong-woo, como sempre, afastou o telefone e resmungou.
— Eu ouço tudo — disse ele, e ele se assustou e negou. Depois, relutantemente, traçou uma linha com um tom lamuriento.
— É realmente a última vez.
— Tá bom. Verifica e me liga.
Ele desligou. Era só para confirmar se Zhenya tinha realmente entrado na Rússia e, se sim, se ainda estava lá.
Ele sempre tentou manter a vida profissional e pessoal estritamente separadas. Mas, desde que começou a conviver com Zhenya, essa fronteira começou a desmoronar. Como o desgraçado era implacável quando causava problemas, ele nunca conseguia relaxar. Ele mesmo havia decidido domar o desgraçado, e assim ele se estabeleceu na Coreia. Portanto, se o desgraçado aprontasse, já não era mais problema só dele.
Não demorou muito para o telefone tocar. Ele o pegou reflexivamente e verificou o remetente. Mais uma vez, não era Zhenya. Ele atendeu com um “Ah”. O relatório de Yoon Jong-woo continuou.
— Veterano. O registro de entrada de Yevgeny Vissarionovich Bogdanov na Rússia está confirmado. Há duas semanas.
— E agora? Há algum registro de saída da Rússia ou movimento para um terceiro país?
— Não. Está limpo.
Então ele está na Rússia há duas semanas. Era uma resposta que ele meio que esperava, mas se sentiu sem forças. Ele estava prestes a desligar, dizendo “Tá bem”. Yoon Jong-woo o chamou com urgência.
— Veterano. Não se esqueça do que disse antes.
— Antes? O quê?
— Disse que assumiria a responsabilidade se desse errado. Eu sou apenas um pobre subordinado que se curvou à pressão do trabalho.
— Tá bom, seu idiota. Vai trabalhar.
Ele riu. Yoon Jong-woo insistiu até o fim:
— Por favor, diga isso também àquele homem, Bogdanov. De qualquer forma, os funcionários do NIS só tinham medo.
A ligação terminou e o silêncio voltou. Ele olhou para o telefone e tentou ligar para Zhenya. Ele ainda não atendia.
— Ah, que se dane. Esse desgraçado não é criança.
Ele jogou o telefone de lado e bagunçou o cabelo com irritação.
—
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna