↫─☫ Capítulo 08.5
↫─☫ Checkmate – 08.5
O assistente Kim perscrutou com atenção a pessoa da foto. Olhando mais algumas fotos, vasculhava a mente. Depois de ficar assim um bom tempo, havia um ser que vagamente lhe ocorria. Talvez fosse um engano. Ouvira dizer que ele não costumava esquecer alguém que via uma vez, mas, ao menos desta vez, podia ser exceção.
Para obter certeza, tirou o celular. Então, conectando-se à internet, pesquisou alguém. Logo se exibiram as informações sobre a pessoa em questão. O assistente Kim, que verificava em ordem o nome, a atual filiação e até a foto, arregalou os olhos. Era certeza.
Logo virou o celular e mostrou ao promotor Seok. O sujeito pesquisado era, sem dúvida, a mesma pessoa da foto. Sua identidade era o 1º subdiretor do Serviço Nacional de Inteligência, Cha Munseok.
Tan.
Um único estampido despedaçou o silêncio fugaz. Ao mesmo tempo, Kwon Taekjoo, que erguia docilmente os braços, tombou para trás. Os policiais que o miravam ficaram desnorteados diante do disparo inesperado. Alguns projéteis que perderam o alvo se ergueram ao céu. Mesmo em meio àquele tumulto, o chefe de divisão Im e o 1º subdiretor trocaram olhares recíprocos de desagrado.
Não muito depois, ouviu-se o ruído de hélices. Nas alturas, um helicóptero se aproximava. Pensou, tardiamente, que devia ser um helicóptero de apoio que chegava, mas a aparência era bastante diferente dos helicópteros existentes. Tinha como características um exterior arrojado e patins de pouso peculiarmente grossos e longos.
O olhar de todos se voltou para o vazio. Com a aproximação do helicóptero, cabelos e golas esvoaçaram em desalinho. Era difícil até manter os olhos abertos direito. O helicóptero continuou a baixar a altitude. Como a força de rotação das hélices não diminuía nem um pouco, não parecia tentar pousar. Mas, se não fosse pousar, a distância até o asfalto era próxima demais.
O helicóptero, do qual não se distinguia se era aliado ou não, e cujo próprio objetivo de aproximação era obscuro, de repente despejou grande quantidade de gás. Eram granadas de fumaça de alta densidade. Mesmo em pleno dia, num átimo, a visão foi bloqueada. A ponto de não se distinguir um palmo à frente.
Enquanto todos estavam desnorteados, o som das hélices não cessou. Não, ficou ainda mais próximo do que antes. O 1º subdiretor, que estava dentro do carro, olhou os arredores com incômodo. Estranhamente, tinha a sensação de que o helicóptero rondava só sobre a própria cabeça. A vibração do ar gerada quando as hélices giravam sacudia a carroceria. Pela janela aberta, fumaça negra e vento intenso se precipitavam sem parar. Não seria… não seria só impressão sua?
Com a mão encharcada de suor, empunhou o fuzil com firmeza. No instante seguinte, o sedã se sacudiu violentamente de um lado a outro. Um som metálico, “kiiin”, arranhou agudamente o tímpano. Ao olhar para fora da janela, apavorado, viu um bloco de metal se aproximando rápido, cortando a fumaça. Logo ele atravessou a janela e irrompeu de vez para dentro do carro. Junto com um violento som de ruptura, cacos de vidro se derramaram sobre os bancos. De tão assustado, aquele processo entrou-lhe nos olhos como em câmera lenta, mas, na realidade, foi algo que aconteceu em meros segundos.
O bloco de metal que se enfiou até bem diante do 1º subdiretor era o patim de pouso do helicóptero. Fosse por ter sido especialmente fabricado em titânio, não surgiu sequer um arranhão nem com a colisão anterior. O patim, que passou por um triz do 1º subdiretor, cravou-se com força no teto. Por causa disso, helicóptero e carroceria colidiam sem parar, provocando faíscas. Não dava para entender de forma alguma a intenção. A menos que fosse morrer junto.
Por fim, a carroceria, que só chacoalhava de um lado a outro, começou a se sacudir para cima e para baixo. De vez em quando, parecia até flutuar de leve no ar. Só então o 1º subdiretor percebeu o que estava acontecendo consigo. Apressou-se a descer do carro, mas a porta, amassada, não abria. Nesse meio-tempo, o helicóptero aos poucos elevou a altitude. O sedã cravado no patim de pouso ergueu-se junto, inclinado.
— Uaaaah!
Gritando, baixou a janela. O botão de abertura não obedecia. Enquanto tentava ao menos quebrá-la golpeando com o fuzil, ao menor movimento a carroceria oscilava intensamente. O patim cravado no teto também deslizava, com um som “kiik”. Se ele saísse, não escaparia da queda. Ao perceber sua situação, o corpo enrijeceu. Nem a respiração vinha à toa.
Aos poucos, a fumaça também se dissipou, mas os policiais não puderam tomar nenhuma providência. Apenas observavam, impotentes, o helicóptero voando rumo ao outro lado do céu. Se disparassem, o veículo tomado como refém também não sairia intacto. Pelo mesmo motivo, o helicóptero policial que rondava as imediações também não tentou atacar. Apenas seguia o helicóptero misterioso mantendo certa distância.
Inesperadamente, a perseguição não durou muito. Foi porque o helicóptero em questão de repente pousou no estacionamento da Promotoria Central de Seul. Diante do surgimento inesperado do helicóptero, os seguranças da promotoria saíram correndo com expressão perplexa. O helicóptero primeiro largou o veículo espetado no patim de pouso, tornou a se erguer no ar e depois pousou por completo ao lado dele.
Nesse momento, o promotor Seok saía da promotoria com os investigadores. Então, ao ver o helicóptero aterrissado no estacionamento, deteve os passos. Os demais funcionários também se aglomeraram nas janelas, observando a cena rara e inesperada. Os seguranças, cercando por completo o helicóptero e o sedã, hesitavam sobre como agir.
Logo a porta do helicóptero se abriu. Quem se revelou lá de dentro não era outro senão Zhenya. Ao surgir um russo de repente, o clima ao redor ficou ainda mais desordenado. Zhenya, sob os olhares de todos, caminhou até o sedã. Então abriu a porta amassada, como quem a arranca, e retirou o atônito 1º subdiretor. O promotor Seok, que confirmou o rosto dele, aproximou-se de Zhenya a passos largos.
Zhenya empurrou de leve para ele o 1º subdiretor, que, esvaído, mal conseguia se manter em pé. Também estendeu de repente o cartão de memória que Kwon Taekjoo pedira que entregasse. O promotor Seok, assim que recebeu o objeto, reconheceu de imediato o que era.
Com isso, tendo terminado tudo o que lhe cabia, rumou para o helicóptero. Os seguranças, em uníssono, sacaram as armas e tentaram barrar, mas, indiferente, ele subiu ao assento do piloto. O promotor Seok se prontificou e impediu o confronto físico. Logo o helicóptero, provocando um vento tremendo, tornou a se erguer no ar. Quando o vento cessou por completo, já se afastara para longe, tão pequeno quanto uma unha.
O promotor Seok informou com clareza ao 1º subdiretor, ainda atordoado.
— Sou o promotor Seok Jaehui, da 1ª Divisão de Segurança Pública da Promotoria Central de Seul. Prendo o senhor Cha Munseok em flagrante, sob suspeita de violação da Lei de Segurança Nacional. O senhor pode constituir advogado, tem o direito de permanecer em silêncio, e tudo o que disser de agora em diante poderá ser usado contra o senhor em juízo.
O helicóptero de Zhenya pousou no topo de um arranha-céu. A porta se abriu, e Zhenya e Kwon Taekjoo desceram em sequência. Recostado ao parapeito, desfrutou do vento que fustigava de todos os lados. Estava esfolado e torcido em vários pontos, mas não havia nenhum lugar de grande incômodo.
Quando o 1º subdiretor disparou de surpresa, por reflexo torceu o corpo e escapou por pouco. Foi porque, seguindo o olhar do chefe de divisão Im, viu o cano apontado por trás dele. Torceu o tornozelo ao cair para baixo do carro, mas, como escapou do tiro, teve sorte.
Logo depois, Zhenya surgiu pilotando o helicóptero e, na brecha em que a fumaça se instalou, baixou uma escada de corda. Quando o cobrou, perguntando o que fizera do serviço encarregado, ele disse algo enigmático, que ia fazê-lo dali em diante. Então, de repente, espetou o 1º subdiretor junto com o carro e o transportou até a Promotoria Central de Seul.
Não havia de forma alguma nenhum ponto comum nele, mas achar fofa a imagem dele executando docilmente a tarefa incumbida significava que ele próprio também não estava normal. Era evidente que enlouquecera de vez por excesso de estresse.
— Enfim ficou quieto.
Zhenya recostou languidamente a cintura ao parapeito. Após olhar por um instante o perfil do sujeito, desviou o olhar e disse “é mesmo”. Ao pensar que tudo terminara, sentiu-se aliviado e, ao mesmo tempo, um tanto vazio. Talvez fosse por não ter caído a ficha. Era como se, do dia em que partira para a Rússia até agora, tivesse tido um longuíssimo sonho.
Enquanto estava mergulhado por um instante na emoção, a mão de Zhenya se aproximou. Sem querer, tentou recuar a cabeça e estacou. Diante de sua reação de logo se pôr em guarda, a mão de Zhenya parou no vazio. Ficou sem graça à toa. Sem recuar mais, fitou o sujeito. Então ele estendeu o resto da mão e tirou a máscara que ele ainda usava. Enfim, olhar e olhar se tocaram por completo.
Será que vai dar certo mesmo? Deixar-se levar por uma emoção de um instante. Investir de cabeça, sem nunca ter desejado um homem nem lidado com um direito. Fugir também já seria demais agora, mas continuava sem intenção de cobiçar o traseiro de um macho. Também não estava mais isolado do mundo como antes, com o sujeito como única pessoa em quem se apoiar.
Ainda assim, se estivesse junto do sujeito, ao menos.
— …Não seria atormentado por pesadelos.
Fitando Zhenya com atenção, murmurou para si mesmo. Não era como propor de repente um casamento, e talvez o sujeito se cansasse até mais rápido. Portanto, não havia por que refletir com peso. Bastava dar margem apenas na medida do possível.
Se fugir é cansativo e assustador, é só não fugir. Uma resposta mais nítida que essa, por ora, não parecia surgir. Achando absurdo o próprio arremate, riu de canto.
Contemplando o mundo lá embaixo, soltou um longo suspiro.
— Queria descansar bem em algum lugar quieto.
— Um lugar assim, eu conheço um. É um lugar onde ninguém atrapalha.
— Ah, esse aí deixa pra lá.
Um longo suspiro escapou por si só. Diante daquele ar de repulsa, Zhenya ergueu o canto da boca num sorriso. Então aproximou-se por trás e agarrou o parapeito. Com o corpo preso entre os dois braços rijos e o parapeito, ficou quase completamente enterrado no abraço do sujeito. O odor do sujeito ficou intensamente mais denso.
Zhenya mordeu a gola da camisa de Kwon Taekjoo e a puxou, pressionando os lábios, chuá, chuá, na nuca completamente exposta. Esfregando o dorso do nariz na pele seca, também sorvia o odor com avidez. Diante dos estímulos que davam cócegas, o coração, o pulso, tudo pulsava desnorteante. A essa altura, parecia não poder mais negar.
Soltando um suspiro vertiginoso, gracejou consigo mesmo: “Quem diria que meu gosto era tão desregrado”. Como era em coreano, para Zhenya não havia como entender. O sujeito apenas mordia a nuca de Kwon Taekjoo à vontade, como que punindo aquele que lamentava tagarelando palavras de sentido ignorado.
Sem que percebesse, o longo dia se punha, e o crepúsculo caía. O vento, antes só cortante, sem que se soubesse desde quando, sentia-se agora ameno. Era o prenúncio da primavera.
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Sala de audiências 426, 21ª Vara Criminal Colegiada do Tribunal Distrital Central de Seul. Começou o julgamento do caso de espionagem envolvendo um alto quadro do Serviço Nacional de Inteligência.
O réu era acusado de ter, por ordem da Coreia do Norte, conduzido atividades de espionagem ao longo de dezenas de anos. Mas, gradualmente, sofrera uma mudança de ideologia e, quando por acaso seu próprio nome foi cogitado como próximo diretor do Serviço de Inteligência, para lavar seu histórico, tentou ocultar e forjar seus atos passados. Como surgiram, nesse plano, vários cúmplices, entre eles pessoas de nível de chefia do Serviço de Inteligência, até o poder público acabou envolvido. Além disso, atraiu a atenção pública, pois um funcionário inocente do Serviço de Inteligência foi caçado ao levar as costas a acusação de ter desviado segredos de Estado.
Mas, como a primeira audiência transcorreu a portas fechadas, a entrada foi totalmente proibida, tanto para os jornalistas quanto para a plateia. Com o rígido controle do tribunal, até o corpo de advogados tinha de comprovar a identidade a cada entrada. Era uma cena rara, sem precedentes.
— Solicito como testemunha o agente do Serviço Nacional de Inteligência que, à época, capturou os réus.
O colegiado aceitou a testemunha do lado da promotoria. Então os oficiais de justiça trouxeram divisórias de escritório e instalaram uma em cada posto: o do promotor, o da defesa e o da plateia. Foi para proteger a identidade da testemunha, considerando a especificidade profissional dela.
Pouco depois, a porta se abriu, e a testemunha entrou na sala de audiências. Ocultando-se atrás da instalação de anteparo, ela jurou dizer apenas a verdade e respondeu com fidelidade às perguntas apresentadas. Incluindo ela, três agentes em atividade sentaram-se no banco das testemunhas. O acirrado embate se estendeu por mais de duas horas.
— Suspendo a sessão por trinta minutos.
O colegiado, junto com um breve recesso, declarou que, dali em diante, passaria a julgamento aberto. Imediatamente, as divisórias de proteção das testemunhas foram retiradas, e a porta antes fechada se abriu. Os jornalistas que aguardavam do lado de fora da sala afluíram, disputando espaço. Eles registravam nas câmeras ao menos a instalação de anteparo em pleno processo de desmontagem, consolando-se da frustração de não terem assistido ao interrogatório das testemunhas. Nesse meio-tempo, as testemunhas saíram por uma passagem fechada.
Yun Jongwoo primeiro tirou o paletó apertado e o pendurou no ombro. Também bagunçou de qualquer jeito os cabelos que penteara com esmero.
— Aff, nem tenho crime, mas fiquei tenso à toa. Ao entrar na sala, meu coração deu um baque total. Se a sorte fosse só um pouquinho pior, nós dois estaríamos sentados naquele banco dos réus.
Diante da tagarelice, Kwon Taekjoo riu de canto enquanto afrouxava a gravata. Sem dúvida, houvera muitas variáveis. Como Yun Jongwoo dissera, por sorte, todas elas atuaram de forma positiva e conduziram ao resultado atual. Se ao menos uma tivesse dado errado, não se sabia como a situação teria mudado. A maioria das verdades era assim. Coisas que naturalmente deveriam vir à tona são facilmente sepultadas, distorcidas, e o esclarecimento é penoso.
Depois de o caso ser encerrado, a vida de Kwon Taekjoo voltou ao normal. Ele continuava trabalhando como agente do Serviço de Inteligência, e a preocupação da mãe para com ele também permanecia a mesma.
Ainda não conseguira contar tudo com franqueza à mãe. Disfarçara o episódio do mandado de captura dizendo que fora apenas um erro no sistema. Que ter escondido o emprego todo aquele tempo também fora por causa das normas funcionais do Serviço de Inteligência, e que o trabalho que ele fazia ali era simples atividade de apoio. Claro, a mãe, só de ouvir a palavra “Serviço de Inteligência”, já insistia que ele largasse na hora. Por isso, teve de mentir dizendo que, por conta deste episódio, fora colocado em disponibilidade e logo seria transferido para outro órgão, e que, portanto, ela não se preocupasse.
Enganar a mãe não era nada agradável. Mas não podia viver uma vida que não queria só para aplacar a inquietação dela. A profissão de agente de informações lhe assentava a ponto de ser considerada uma vocação. Ao percorrer o campo, sentia-se vivo. Não tinha certeza se conseguiria substituir por outra coisa a euforia e a sensação de realização que jorravam logo após cumprir uma missão.
Recentemente, a mãe começara a receber terapia para superar um trauma antigo. Também cuidava aos poucos da própria vida, que deixara de lado. Nem que fosse pela paz e pelo bem-estar entre mãe e filho, por ora parecia que precisaria não hesitar em recorrer a mentiras de boa-fé.
Nessa parte, decidiu receber a ajuda de Zhenya. Surgia a dúvida se era certo usar um órgão público para algo tão pessoal assim. Por mais que pensasse, não entendia por que raios o sujeito assumira aquele cargo. Tanto o sujeito quanto a Rússia, que atendia de imediato só porque o sujeito exigia, eram igualmente sem-solução. Como era um elemento que, se mantido no próprio país, só causaria confusão, seria que pretendiam despejá-lo na longínqua terra coreana?
— De todo modo, uns dias atrás fiquei chocado ao saber da notícia. O senhor já sabia? Que aquele russo pirado vai vir como próximo embaixador da Rússia.
Enquanto estalava a língua por dentro, Yun Jongwoo, de repente, puxou o assunto relacionado. Como se tivesse tido o íntimo lido, sobressaltou-se à toa. Não bastasse ser um doido reconhecido oficialmente pela Rússia, agora ouvia que era pirado até na Coreia. Por que raios ele, um sujeito daqueles.
Suspirando fundo, assentiu por educação. Então Yun Jongwoo expressou preocupação, dizendo “será que vai dar certo?”.
— Deve ser passageiro. Agora ele faz esse escândalo de olhos revirados, mas logo vai enjoar. Um sujeito que diz que não faz mais de duas vezes com o mesmo parceiro, por mais que nutra um amor sincero, quanto vai durar? Não vai ficar grudado até a coluna se curvar, né? Não é?
Falava resmungando, alimentando uma parca esperança. Não pretendia, a essa altura, mesquinhamente voltar atrás na promessa. Mas daí a entrar de imediato em brincadeira de namoro com um sujeito com quem se ameaçava de morte, era difícil. Na hora de se entregar ao sujeito, sentia até um pouco de medo.
Por isso, apostava numa esperança tênue de que o interesse esquisito do sujeito, com o tempo, se dissiparia naturalmente. Até lá, planejava, na medida do possível, ceder ao que o sujeito quisesse. Enquanto o sujeito nutrisse por ele um sentimento delicado, não agiria à toa como antes, e, olhando bem, ele tinha um lado simples como o de uma criança, então bastava aplacá-lo à altura. O sexo do sujeito, de nível de arma, ainda o incomodava, mas a compatibilidade de cama parecia bastante boa, então também não era um negócio de puro prejuízo.
Enquanto se esforçava por aplacar a preocupação que crescia impotente, Yun Jongwoo perguntou, sem noção.
— O que é que não pode mais de duas vezes? E amor sincero, que história é essa?
— …É que tem uma coisa aí, moleque.
Enrolou com cara de poucos amigos. Yun Jongwoo apenas fez bico, dizendo “foi o senhor mesmo que começou a falar”. Por essa hora, o celular dele tocou.
— Eu tenho de dar um pulo na sede, e o senhor?
— Eu vou aproveitar o resto das minhas férias…
Foi exatamente quando disse isso. De dentro do paletó sentiu uma vibração repentina. Teve um mau pressentimento. Ao tirar o celular de leve, como esperado, aparecia o número direto da sede. Diante da reação inquietante, Yun Jongwoo espiou o celular dele. Então logo fez uma careta. Fitando o celular que tocava sem parar, murmurou “vai que”:
— Se eu não atender…
— Vão ligar pra você e mandar você me passar o telefone. Sabem muito bem que estamos juntos.
Veio a resposta que previra. Sem alternativa, atendeu o telefone. A ligação, como sempre, começou e terminou de forma unilateral. Não conseguiu abrir a boca nem uma vez. O novo chefe de divisão era um típico viciado em trabalho. A principal característica das pessoas competentes era serem mestras em explorar os subordinados.
— O que ele disse?
— Que ia dizer o quê. Baixou uma nova missão, ora.
Um suspiro escapou de antemão. Os dois, que deixaram os ombros caírem como se combinado, logo riram de canto. Enquanto estivessem no Serviço de Inteligência, era um cotidiano do qual não havia como escapar. Como não se pode evitar, não resta senão aproveitar.
Resignando-se, ia dar o resto dos passos quando o celular tocou de novo. De algum modo, desta vez, mesmo sem verificar o remetente, parecia saber quem era. Era vago, mas uma intuição próxima da certeza. Se não atendesse, ele ligaria até atender. Apertou o botão de chamada e levou o celular ao ouvido. Antes que ele pudesse responder qualquer coisa, o outro se antecipou.
— Diga que não pode ir.
Quem dizia isso sem mais nem menos era, sem falta, Zhenya. O momento da ligação parecia, de novo, ter hackeado o próprio celular de Kwon Taekjoo ao seu bel-prazer.
— Ei, hackeamento e escuta são crimes flagrantes, sabia? Já esqueceu?
— Você também parece ter esquecido, mas diplomata tem uma tal de imunidade.
Esse privilégio bem que podia não ser dado só a ele. Não, tinha de ser assim, sem falta. O futuro da Coreia do Sul estaria bem assim mesmo? Vieram a preocupação e a culpa de antes.
Se nutriria por Zhenya um sentimento inteiramente igual, isso ele não sabia. Como nunca na vida encarara um homem como objeto de namoro, não seria fácil. Também não dava para saber quando o sujeito faria de novo alguma birra.
Só que uma coisa era certa: fosse homem ou mulher, a única pessoa que fizera seu coração disparar enlouquecido fora o sujeito. Se isso era por causa da síndrome de Estocolmo, por uma compaixão descabida, ou se originava de algum outro sentimento, isso ainda não estava claro.
Só que, por ora, tinha curiosidade de até onde o sujeito poderia mudar por causa dele. Sempre que o sujeito mostrava um lado inusitado, brotavam um estranho senso de desafio e interesse. Partir dali, para começar, talvez não fosse ruim.
Kwon Taekjoo riu em silêncio e disse “de todo modo”:
— Vou e volto.
Ou seja, esteja esperando.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna