↫─☫ Capítulo 08.3
↫─☫ Checkmate – 08.3
Cravou o sexo inteiro de uma só vez. Ao se encher de forma abrupta por dentro, o queixo de Kwon Taekjoo se retesou. Os ombros retos e o peito também incharam, revelando forte rejeição. Tomando na boca o mamilo de Kwon Taekjoo, que se erguia em ponta, acariciou a cintura trêmula como que a acalentando. Eram verdadeiras lágrimas de crocodilo.
Como a entrada fora afrouxada e o próprio sexo estava coberto de lubrificante, a introdução não foi grande problema. O problema é que a parede interna, bastante tensa, espremia o sexo com toda a força. Ao empurrar e entrar à força, a pele, raspada com aspereza, foi empurrada para trás.
— Haa, haa… você quer é me matar.
Se doía tanto assim, bem podia tirar, mas ele aguentava, chegando a apertar um dos olhos. Após desfrutar por um tempo do aperto justo, o sujeito, aos poucos, impulsionou a cintura contra ele. O sexo, que arranhara a mucosa macia e fora extraído, cravou-se de uma vez, expandindo a parede interna. Os órgãos internos foram empurrados para cima junto, e uma náusea subiu. Cerrou os molares e aguentou.
Quando abria os olhos, via as próprias pernas amplamente abertas. Também se gravava de forma explícita o movimento do sujeito ali no meio. Por outro lado, ao fechar os olhos, a sensação do sexo entrando e saindo do corpo ficava ainda mais vívida.
— …Ugh.
Ergueu o travesseiro e enfiou o rosto nele. Se não fizesse ao menos isso, gemidos indesejáveis pareciam prestes a jorrar em desalinho. Ainda era um ato terrível, equivalente à violência. Ainda que enfiassem outra coisa qualquer em seu traseiro, não parecia que doeria como agora. Por isso mesmo, entendia-se menos ainda. Impor a si próprio uma dor tão atroz.
Não passava do cão de Pavlov. De tanto receber estímulos excessivos em sequência, naturalmente se acostumara a eles, só isso. Esforçou-se por se consolar assim, mas não conseguia enganar o corpo, que se tornara franco diante do desejo. Sempre que o sexo de Zhenya cutucava o fundo das entranhas, tremia sem querer. Diante do estímulo afiado e ao mesmo tempo pesado, as rédeas se soltavam sem remédio.
Peles distintas se encaixavam sem parar, com um som viscoso. Zhenya mordia o pescoço de Kwon Taekjoo e repetia introduções de queda profunda. O sexo avantajado do sujeito era empurrado para fora deixando só a glânde e, de uma vez, cravava-se com violência. Revirando e triturando o interior sem piedade, deixava a mucosa amolecida. Era como se as entranhas fossem moldadas conforme o formato do sexo do sujeito.
No átimo em que começava a se acostumar àquele ato, Zhenya de repente prensou o ombro de Kwon Taekjoo. Então impulsionou a própria cintura densamente, de baixo para cima. A glande curva cutucou com força um recanto da mucosa, como quem cava.
— Haaungh!
Sacudiu o corpo inteiro sem querer. Por um instante, foi como se estrelas saltassem diante dos olhos. A sensação lancinante originada nas entranhas não se dissipou logo e vagou pelo interior do corpo. Olhou Zhenya com um ar de “não pode ser”. Por que aquele “não pode ser” jamais errava, nem uma única vez?
Zhenya prensou com o próprio corpo, fixando, Kwon Taekjoo, que instintivamente tentava fugir. Depois cutucou repetidas vezes, com força, exatamente aquela região de instantes antes.
— Haugh, ugh, ah, aungh…!
Soltando um gemido parecido com um grito, tremia sem parar. Diante da dormência que subia de uma vez até a cabeça, não conseguia recobrar a consciência. Com o corpo inteiro imóvel, como que esmagado por uma rocha, foi lançado a um prazer avassalador.
O sexo de Zhenya cavava obstinadamente sempre o mesmo recanto. Não seria estranho se abrisse um buraco naquela região. Diante do ardor lancinante, o corpo inteiro fervilhava. As pupilas pareciam prestes a derreter.
— Ungh… nh, haa, ah-nh!
As pontas dos dedos se retesaram sem parar. De tanto expelir fôlego ofegante, a garganta secou. Pela hiperventilação, a cabeça também rodava. Nesse momento, Zhenya abaixou a cabeça e sobrepôs os lábios. Junto com um bafo quente, uma saliva adocicada afluiu. Como quem encontra um oásis no deserto, sugou a língua do sujeito, chuá, chuá.
Misturando as línguas ao acaso, puxou o sujeito para bem perto. Os corpos molhados de suor se enfiaram num só e balançaram. Com os estímulos densos que afluíam simultaneamente de cima e de baixo, a razão foi ficando cada vez mais tênue.
Zhenya, de repente, ergueu as duas pernas de Kwon Taekjoo sobre os próprios ombros. Então, apoiando os joelhos, entrava e saía de forma mais frequente e rápida. A glânde dura como pedra do sujeito, não bastasse cutucar a próstata, esmagava-a e a achatava por completo. A virilha parecia prestes a explodir.
Com a ejaculação iminente, o corpo inteiro estremeceu em convulsão. As coxas também se retesaram, rijas. O abdômen se contraía repetidas vezes, enviando um calor difuso ao sexo em estado precário. As pálpebras se fechavam e se abriam de forma intermitente e, a certo momento, a visão embranqueceu.
— Haaargh…!
Inflando o corpo inteiro, rugiu como uma fera. Os cabelos se eriçaram. Ao mesmo tempo, o cristal do desejo, que só fervilhava por dentro, jorrou de vez. O sêmen de densa concentração respingou até o abdome de Zhenya.
— Ugh, haa… haa…
Os lábios chacoalhavam ofegantes, expelindo respirações ásperas. O peito e o abdômen molhados de suor também ondulavam amplamente. A sensação de alívio de ter dissipado uma indigestão antiga e uma languidez espessa fluíram de uma só vez. O corpo inteiro estava tão pegajoso e escorregadio que era bem desagradável.
Fechou com força as pálpebras trêmulas e as abriu de novo. Na visão que balançava, enfim se fixou o foco. O teto do motel, que até então não conseguira ver direito, entrou-lhe nos olhos. Então a luminária tinha aquele formato. Ao se dar conta disso, o senso de realidade ressurgiu.
Seria por isso? Zhenya parecer mais pesado. Por causa do sujeito que ainda cobria e prensava o corpo inteiro, os pulmões estavam comprimidos. “Sai um pouco de cima”, disse, empurrando o sujeito.
Mas Zhenya não se moveu. Não saía de cima, nem movia o sexo cravado em Kwon Taekjoo. Algo estava um pouco estranho. Examinou o sujeito com olhar intrigado.
— …!
Logo se sobressaltou, porque o ombro do sujeito, que agarrara sem pensar, estava úmido, encharcado. Uma grande quantidade de sangue vivo manchou-lhe a mão a ponto de deixá-la viscosa. Escorrera da ferida não suturada.
Empurrou Zhenya com um pouco mais de força. O corpo dele tombou para o lado, deslizando. Como o interior das pálpebras fechadas estava quieto, parecia estar inconsciente. No rosto lívido, sem cor, gotículas de suor se formavam. A respiração que expelia com dificuldade era penosamente frágil. “Ei”, disse, sacudindo o corpo. Não houve reação. Também tentou esbofetear-lhe a face, mas ele não moveu nem uma sobrancelha. Parecia ter entrado em choque por ter perdido sangue em excesso.
Mesmo naquela situação, o sexo do sujeito, ainda não murcho, permanecia dentro do corpo. Puxou o corpo lentamente para trás. Ao ter de extrair sozinho a carne completamente enfiada, um gemido baixo escapou. Ao afrouxar de repente a parte de baixo antes cheia, um leve arrepio surgiu na nuca.
Desceu lentamente ao chão. O lençol da cama tingia-se do sangue do sujeito. Afastou-se um pouco mais e ficou em pé, mergulhado em pensamentos. Não era, de fato, uma situação nada perturbadora.
Mas, pensando com frieza, era, ao contrário, vantajoso para o próprio Kwon Taekjoo. Segurara a mão do sujeito porque a situação era urgente, mas, se houvesse outra opção, não o teria feito. Não queria se enredar de novo com o sujeito. Não tinha a mínima intenção de voltar àquela relação deformada.
O sujeito, que era como uma calamidade, perdera a consciência. Se fugisse por ali, talvez conseguisse despistá-lo. Se, enquanto o sujeito estava inconsciente, voltasse ao hospital, pegasse a mãe e fugisse… só de pensar, o peito martelava.
Por fim, firmou a decisão. Vestiu uma a uma as próprias roupas espalhadas pelo chão. Sentia pena de Zhenya, mas, por ora, precisava pensar antes na própria sobrevivência. A irrupção do sujeito estava, de fato, fora dos cálculos. Não dava para saber que revés aquela variável causaria em seu plano. Ainda por cima, muito menos tinha vontade de tornar consumada a suspeita de conluio com o sujeito.
O ferimento do sujeito em si não era grave. Fora só que a perda de sangue aumentara por ele ter se movido violentamente sem fazer o tratamento direito. Portanto, mesmo que o próprio Kwon Taekjoo desaparecesse, não haveria como o sujeito ficar em estado grave. Mesmo sendo um motel automatizado, deveria haver ao menos um administrador, então ele seria encontrado antes de virar defunto. Assim, depositou de lado uma pontinha de culpa.
— Por quê…
Fora justo no instante em que se virava. Atrás dele, a voz de Zhenya escapou. Sobressaltado, virou a cabeça. Os dois olhos do sujeito continuavam firmemente cerrados. Parecia ter murmurado algo sem sentido, inconsciente.
Que bom, era só partir tranquilo. Mas os dois pés, como que grudados ao chão, não se descolavam. Sua compaixão ou consciência não eram mais escassas que as dos outros? Ainda mais que nem se tratava de uma pessoa inocente, mas de um sujeito que o sacaneara inúmeras vezes. E, mesmo assim, ao ver o sujeito enredado por sua causa em algo desnecessário, até ferido e definhando, o humor ficou pesado.
Balançou a cabeça, irritado. Ainda que fosse, era um sentimento sem valor. Não conseguia imaginar o que viria depois, nem tinha confiança para tal. Se não pretendia arcar com isso, era melhor livrar-se cedo daquilo.
Caminhou a passos largos até a porta. Baixou a maçaneta e saiu. Nesse instante, mais uma vez, um murmúrio baixo chegou-lhe ao ouvido.
— …Taekjoo.
De algum modo, parecia poder afirmar. Que o sujeito jamais chamara nem a própria mãe de forma tão pungente. Aquela única inesperabilidade provocou uma forte onda dentro de Kwon Taekjoo.
O coração enlouquecido pulsava desgovernado, tum-tum. Franziu o cenho, irritado. Também desarrumou os cabelos inocentes ao acaso. Na consciência antes despudorada, brotou um fio de remorso. Dizia a si mesmo para simplesmente ignorar aquilo e ir, mas as duas pernas não se moviam.
Por que raios tinha de sentir culpa por um monstro daqueles? Por mais que se perguntasse repetidas vezes, não vinha resposta cabível.
Ficou um bom tempo parado diante da porta, vacilando. Segurou e soltou a maçaneta várias vezes. Por dentro, razão e consciência se enfrentavam com igual força. No cabo de guerra acirrado, até a cabeça se embaralhava. Num rompante, jogou a cabeça para trás e gritou.
— Merda, vou enlouquecer!
Fechou a porta. Kwon Taekjoo entrara para dentro, não saíra para fora. E, ainda assim, na mente, a dúvida ecoava sem parar se aquilo estava certo.
Deu passos contrafeitos e foi até a mesa. Embaixo dela, viu a caixa de primeiros socorros tombada. Remexeu os medicamentos derramados e encontrou o hemostático em pó.
Apanhou-o e olhou a cama. Já que decidira, o melhor era resolver rápido, mas ficava hesitando toda hora. Se subisse ali por vontade própria, sentia que sua parca identidade seria arrancada pela raiz. Era vago, mas não havia como explicar de outro jeito.
Mas a hesitação não durou muito. Com o peso de Kwon Taekjoo, o colchão se inclinou para um lado. O rosto de Zhenya, que perscrutou fixamente, estava todo coberto de suor. A respiração também chiava. Estalando a língua baixinho, aplicou bastante hemostático. Depois pôs gaze por cima e fixou-a bem com esparadrapo.
Mesmo tendo terminado o que tinha a fazer, continuou ali. Com os olhos fechados em silêncio, o sujeito parecia até bastante bem. Não, o rosto sempre fora bonito desde o início. Era só que o olhar fora do comum ou a compleição tornavam tal impressão tênue. “Bolo bonito é gostoso de comer”, quem terá tagarelado essa? Diante daquele idiota, queria arrastar esse desgraçado e exigir explicações do que raios estava acontecendo.
Mesmo na escuridão, os cabelos cor de marfim com tons dourados brilhavam de forma suave. Enquanto olhava distraído, estendeu a mão sem querer. Então estacou de repente. Olhou a própria mão com olhos assustados. De tão absurdo, uma risada explodiu.
Tô doido, sério.
Agora parecia que não podia mais fingir que não era. O motivo de Zhenya, que deveria estar na Rússia, ter vindo à Coreia, a razão de ter levado um tiro perdido e sangrado, era justamente o próprio Kwon Taekjoo.
— …Não precisa se preocupar. “Por ora” ele está a salvo. Ah, este celular? Peguei emprestado o de outra pessoa por um instante.
Em meio à consciência difusa, ouviu uma voz familiar. Ergueu, esvoaçantes, as pálpebras que só pareciam pesadas. Na visão que se abria aos poucos, viu as costas de Kwon Taekjoo. Parecia estar ao telefone com alguém.
Ao que parecia, ficara inconsciente por bastante tempo. Não se lembrava por que estava deitado daquele jeito. Refez a memória da noite anterior. Lembrou-se de ter encurralado Kwon Taekjoo até o limite. Esperando que ele se agarrasse primeiro, contivera a duras penas o desejo que subia. Quando enfim conquistara o que queria, foi como se todos os fluidos do corpo evaporassem num átimo.
Mas, dali em diante, tudo ficava impreciso. De repente, olhou para o esparadrapo no próprio ombro. Como não tinha memória de tê-lo colado, devia ser obra de Kwon Taekjoo.
Por que não fugira? Se tivesse a intenção, teria escapado sem dificuldade. E, ainda assim, por que Kwon Taekjoo permanecia ali?
Achando que talvez o Kwon Taekjoo que via fosse uma ilusão, estendeu a mão. A ponta dos dedos tocou de leve as costas retas dele. Diante da sensação de algo tocar suas costas, Kwon Taekjoo chegou a olhar de relance para trás. Em silêncio, os olhares se cruzaram. Kwon Taekjoo continuou a conversa nesse estado.
— De todo modo, conto com você até o fim. Depois te pago um bom rango. Obrigado.
Logo desligou o telefone e jogou-lhe o celular dizendo “usei um instante”. Ao verificar a lista de chamadas, viu um número bastante familiar. Era o número de Yun Jongwoo. Fosse pela conversa que tiveram, de repente ligou a TV.
Na TV, transmitia-se um noticiário em pleno andamento. Parecia retransmitir um conteúdo já noticiado na noite anterior. O tema não era outro senão a perseguição ocorrida em plena luz do dia no coração de Seul.
O conteúdo não fugiu às previsões de Kwon Taekjoo. Às acusações já existentes somaram-se as de se passar por advogado, tentativa de homicídio de Ri Cheoljin, obstrução ao exercício da função pública e dano ao patrimônio público, além da acusação de ferir os policiais que tentavam prendê-lo. De algum modo, era como se, a cada vez que dormia e acordava, as acusações fizessem divisão celular.
Como fora amplamente noticiado, todos os envolvidos na investigação deviam estar com os olhos em brasa. Se saísse imprudentemente, seria pego na hora. Ainda não se confirmara se a prova que o estúdio devia ter enviado chegara bem ao promotor Seok. Havia pouco pedira a Yun Jongwoo que fosse ao tal estúdio e desse também um aviso ao promotor Seok. Mas, por não ser algo que fazia em pessoa, a inquietação era a mesma.
Precisava aguentar até que o promotor Seok recebesse as fotos sem incidente e obtivesse o mandado. Na remota hipótese de as fotos se evaporarem, teria de entregar em pessoa ao menos o original que tinha consigo.
Enquanto refletia sobre as contramedidas de forma complicada, de repente ouviu um ruído metálico. Ao virar a cabeça, viu Zhenya, que já se levantara e sentara, torcendo o próprio pulso algemado. Ao cruzarem os olhos, ele revelou um ar de incômodo.
— Isso aqui não tem graça.
— Se tivesse graça, que ameaça seria? De agora em diante, pretendo te ameaçar um pouco. Se você disser que vai obedecer docilmente ao que eu falar, eu solto.
— Vamos ouvir primeiro.
Talvez achando aquilo absurdo, riu de canto. Kwon Taekjoo deixou claro que o sujeito não tinha nenhuma margem de escolha.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna