↫─☫ Capítulo 07.5
↫─☫ Esconde-esconde – 07.5
De repente, veio-lhe à mente um homônimo — uma figura totalmente inesperada. Não era um nome comum, mas também não era raríssimo. Supondo que aquela pessoa estivesse envolvida, quase todas as dúvidas se dissipavam. Mas não passava, afinal, de suposição. Precisava ser cauteloso.
Para uma confirmação clara, trouxe as gravações do CCTV. Fosse para se precaver contra imprevistos, um ano inteiro estava integralmente armazenado. Dentre elas, reproduziu o vídeo da data que coincidia com a nota de venda.
Desde a manhã daquele dia, um número considerável de clientes entrava e saía. As figuras do gerente que acabara de encontrar e da designer também apareciam com frequência. Mas não havia ninguém que prendesse especialmente o olhar. Adiantou o vídeo em velocidade quádrupla. Assistindo assim por uma hora seguida, deteve-se de repente. Rebobinou a tela que passara depressa e a reproduziu em velocidade normal.
Havia um homem e uma mulher que visitaram logo depois do horário de almoço. A designer saiu em pessoa para receber os dois. A qualidade do vídeo não era das melhores, mas a mulher parecia ser, sem dúvida, Kim Younghee. O homem, porém, rondava a margem do enquadramento, e não dava para ter certeza de quem era. Só que, naquela silhueta, sentiu um intenso déjà-vu.
Por hábito, tentou ampliar a tela e suspirou. O lugar onde Kwon Taekjoo estava era uma lan house precária. Ampliar a imagem gravada, quanto mais melhorar a qualidade, era impossível. Ao que parecia, teria de contar com a ajuda de Yun Jongwoo.
Subiu o vídeo para um servidor web e fez login no jogo de tiro de que Yun Jongwoo gostava. Deixou num recado o ID, a senha e a demanda. Antes de deixar o lugar, apagou por completo o histórico de uso do computador.
Assim que saiu da lan house, entrou numa avenida. Às vésperas do auge do horário de saída do trabalho, a rua estava apinhada. Naturalmente, caminhou misturado à multidão.
— …
Quanto teria andado? Diante de um pressentimento inquietante, prestou atenção ao que vinha atrás. A rua transbordava de transeuntes. Parte daquela multidão bem podia ter o mesmo destino. Mas quem o seguia fitando fixamente só a sua nuca era, de todo modo, estranho. Bem nessa hora, na janela de um carro que fazia a curva à direita, refletiram-se os rostos dos que o seguiam. Três ao todo. Todos observavam Kwon Taekjoo com atenção.
Havia perto uma entrada de estação de metrô. Fingindo que passaria reto, mudou de direção de repente e entrou.
— Peguem-no!
Os perseguidores também não fingiram mais ser transeuntes e correram apressados. Perseguiam Kwon Taekjoo com truculência, chegando a empurrar as pessoas que subiam em torrente.
Kwon Taekjoo saltou por cima da catraca. Então, evitando os demais passageiros, subiu no corrimão da escada. Sem reduzir a velocidade em nada, desceu correndo pelo corrimão inclinado.
Quando os perseguidores chegaram à plataforma, Kwon Taekjoo já havia sumido. Trocando sinais silenciosos, os homens se dispersaram cada um numa direção. Um deles ia examinando um por um os passageiros espalhados aqui e ali. Enquanto isso, outras pessoas continuavam a afluir. Logo soou o aviso de que o trem partira da estação anterior. A pressa aumentou.
O olhar de um dos homens, que perscrutava os arredores aflito, cravou-se num ponto. Havia alguém segurando um jornal bem alto, cobrindo o rosto. Baixando o som dos passos, aproximou-se devagar. A mão já se enfiara dentro do paletó, empunhando uma arma.
Por fim, o trem deslizou para dentro. No instante, puxou o jornal com força. Ao contrário do esperado, o jornal veio fácil demais. Sem tempo para estranhar, um golpe cortante atingiu-lhe o pescoço.
— …Urgh!
Chutou o homem que cambaleava segurando o pescoço. Os passageiros ficaram atônitos com a súbita cena de violência. Os outros perseguidores, ao notar o tumulto, correram às pressas.
Nesse momento, as portas do trem se abriram e as pessoas jorraram para fora. Os perseguidores foram arrastados sem defesa pela multidão impetuosa. Observando aquilo, Kwon Taekjoo recuou com calma e embarcou no metrô. Os perseguidores tentavam, a duras penas, abrir caminho por entre as pessoas para de algum modo se aproximar. Mas o fechar das portas veio primeiro. Os homens, que perderam Kwon Taekjoo bem debaixo do nariz, descontaram a raiva na inocente porta de plataforma.
Encostou por um instante o corpo exausto. A vibração do metrô correndo pelos trilhos transmitia-se integralmente. A esta altura, os homens já deviam ter pedido reforço, então tinha de descer logo na próxima estação. Estava calculando como escapar do cerco quando, de repente, o celular tocou. O remetente era, sem dúvida, Yun Jongwoo.
— Oi. Conferiu?
— Sênior… isso aqui não é montagem nem nada, é?
Yun Jongwoo perguntou num tom perplexo. Seria que o nome que encontrara na nota de venda não era de um homônimo?
— Por que a pergunta?
— …Acho melhor o senhor ver com os próprios olhos. Acabei de enviar.
Verificou a imagem recém-transmitida. Parecia ser um trecho do vídeo capturado e retocado. Quem ali estava era, sem dúvida, aquele sujeito que Kwon Taekjoo conhecia. Quem prometera um futuro a Kim Younghee não era o oficial do Exército morto. Ele fora apenas um engodo para ocultar o verdadeiro.
Levou de novo o celular ao ouvido.
— A nuca está formigando.
— Sem dúvida este lado encaixa muito melhor. E agora, o que o senhor vai fazer? Envio este material agora para o promotor responsável?
— Não, ainda não.
— Por quê? Onde é que vai haver prova mais concreta do que esta?
Nesse ínterim, chegou à próxima estação. Depois de examinar minuciosamente os arredores, desceu às pressas.
— Só isto não basta. Preciso de algo ainda mais decisivo, a ponto de ele não ter como escapar de jeito nenhum.
— E o que seria?
— Vou ter de procurar. Ligo de novo, então, até lá, você vai fuçando devagarinho na vida daquele sujeito.
Agora o explorava abertamente. Antes que Yun Jongwoo pudesse dizer qualquer coisa, soltou um “confio em você” e encerrou a chamada de forma unilateral.
Estava justamente prestes a atravessar a catraca misturado às demais pessoas. O celular voltou a tocar. Na tela que espiou de relance, apareceu a mensagem “Número privado”. Se fosse Yun Jongwoo, não faria isso à toa. Fora ele, não havia ninguém que soubesse o número. Ficou com o pé atrás.
Ignorando a chamada, guardou o celular. Não demorou para a vibração cessar. Estava prestes a deixar aquilo passar como coisa sem importância quando, antes mesmo de dar um único passo, o bolso vibrou de novo. Desta vez também o remetente era “Número privado”.
Quem seria? Depois de encarar o celular, que não se aquietava de jeito nenhum, tocou o botão de atender. Não disse nada em especial. Apenas levou o celular ao ouvido e prendeu a respiração.
— …
Não se sabe por quê, mas, por mais que o tempo passasse, nenhuma palavra veio. Pensou que a chamada tivesse caído, mas o tempo de duração da ligação continuava correndo.
Levou o celular ao ouvido mais uma vez. Ao concentrar todos os sentidos, ouviu, ainda que tênue, o som de uma respiração. O outro também parecia estar aguçado à espreita dos movimentos de Kwon Taekjoo.
— Quem é você?
Perguntou em tom ameaçador. Apesar do tom bastante intimidador, do outro lado da linha alguém deu uma risadinha. No mesmo instante, o coração afundou. Não podia ser, mas a risada que lhe chegava ao ouvido era bastante familiar.
Seria ele?
A pergunta vaga a si mesmo provocou uma grande onda por dentro. O coração se agitava violentamente, como se fosse rasgar a carne e saltar para fora. O pulso também disparava desgovernado. Um arrepio percorreu-lhe rapidamente a espinha, e a mão que segurava o celular suou por si só. Mesmo naquela situação, não conseguiu desligar. O circuito do raciocínio travara, e não conseguia fazer nada.
Logo veio o sinal de encerramento da chamada. O celular que verificou às pressas já estava na tela de espera.
Seria mesmo ele? Como, afinal?
De repente, veio-lhe uma lembrança. Quando esteve em Irkutsk, entrara em contato com Yun Jongwoo pelo celular que Zhenya lhe conseguira. Fora para pedir que investigasse a respeito dele. E ele possuía um programa que espalhava vírus de invasão com facilidade. Se ele tivesse conseguido propagar tal programa também para o celular de Yun Jongwoo, ligar como agora também seria possível.
— …Droga.
Agarrou com força o peito que latejava. O coração de aço de que sempre se orgulhara tremia só de lembrar de Zhenya. Seria por ser o primeiro alvo à força de quem sucumbira na vida? Ou por temer a retaliação dele?
Não, a ansiedade de agora não vinha de uma emoção tão simples. Era algo mais complexo e, ao mesmo tempo, fatal. Algo que fora ameaçado a cada instante durante o tempo em que convivera com ele parecia prestes a ruir por completo no exato momento em que voltasse a encontrá-lo. E não fazia nem um mês que fugira daquele desamparo.
A risada que ouvira há pouco ecoava-lhe nos ouvidos. De repente, sentiu até um olhar penetrante e, de novo, esquadrinhou os arredores. Mas as pessoas apenas apressavam o passo, cada uma no seu caminho, e ninguém prestava atenção em Kwon Taekjoo. Talvez não tivesse sido Zhenya. Talvez fosse impaciência à toa de sua parte. Esforçou-se por racionalizar assim.
Levantou bem a gola para esconder o rosto e saiu dali às pressas.
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Diante da aguardada batida na porta, o olhar do chefe de divisão Im voou para a soleira. Embora não tenha respondido nada em especial, a porta se abriu e um homem entrou.
— …Deixaram escapar, senhor.
Diante do relatório significativo, ele bateu no braço da poltrona. Só recentemente ficara sabendo que Kwon Taekjoo voltara em segredo. Mas ele não procurara a central nem regressara à própria casa. Parecia estar investigando os acontecimentos que lhe recaíram.
Baixou o mandado de imediato e partiu para o rastreamento. Reforçou também a vigilância sobre pessoas próximas, como a mãe de Kwon Taekjoo e Yun Jongwoo. Foi então que descobriu o fato de que Yun Jongwoo andava se comunicando com frequência com um número específico. Conseguiu encontrar Kwon Taekjoo monitorando em tempo real a localização daquele número, mas não conseguiu capturá-lo. Desde então, o celular permanecia sempre desligado. Tanto em Taebaek quanto nas demais vezes, vinha perdendo-o bem debaixo do nariz.
— E então, o que ele fez na lan house?
— Como no meio disso ele apagou até o histórico de uso do PC, não foi possível saber. Que tal usarmos Yun Jongwoo como isca?
Não era má ideia, mas ele balançou a cabeça. O adversário era um agente hábil em perseguir e ser perseguido. O celular ficava desligado mais tempo do que ligado. Mesmo usando um PC público, apagava os próprios rastros de modo que nem um especialista conseguiria recuperá-los. Como sabia perfeitamente de que forma a central o perseguiria, escapava com astúcia. Ainda que tentassem atraí-lo por meio de Yun Jongwoo, havia grande chance de ele não aparecer.
— Entendi, pode ir. Assim que localizarem a posição, reporte imediatamente.
— Sim.
O homem fez uma reverência respeitosa e saiu. Enquanto esfregava o rosto seco, olhou o relógio. A noite já ia alta sem que percebesse. Havia dias que praticamente vivia na central, sem nem voltar para casa. Agora já não tinha nem roupa para trocar, então parecia que teria de dar um pulo em casa. Apanhou o casaco jogado de qualquer jeito na cadeira e saiu do gabinete.
Pegou o elevador e desceu ao estacionamento subterrâneo. Ali havia apenas alguns poucos carros de funcionários de plantão. Atravessou o espaço vazio rumo à área C, onde estacionara o carro.
Estava prestes a tirar a chave do bolso e destravar antecipadamente quando, de repente, a porta do motorista se escancarou.
— Cheguei, senhor.
Quem desceu do carro do chefe de divisão Im não era outro senão Kwon Taekjoo. Não dava para entender como ele, na condição de foragido, conseguira entrar até a central.
— Quanto tempo.
O sobressalto durou só um instante; o chefe de divisão Im cumprimentou com naturalidade. Kwon Taekjoo assentiu por educação. Não adotou de imediato uma postura agressiva, nem demonstrou hostilidade. Não tinha, de início, a intenção de ameaçar o chefe de divisão Im. Só queria, ao menos uma vez, ouvir o que ele tinha a dizer.
O chefe de divisão Im fez-se de desentendido, como se nada tivesse acontecido.
— E a sua mãe, vai bem?
— Sei lá. Isso, o senhor deve saber melhor do que eu.
Diante da resposta afiada, o chefe de divisão Im riu de canto. Descolou o corpo que estava apoiado na carroceria. E então, passo a passo, aproximou-se devagar. Num instante, o rosto do chefe de divisão Im se tingiu com a sombra de Kwon Taekjoo.
Diante dele, Kwon Taekjoo ergueu o celular. A foto do anel tirada na butique de joias preenchia a tela. O chefe de divisão Im, desta vez também, fez-se de desentendido.
— O que é isto?
— Isto também o senhor conhece melhor do que eu, não é?
— Não sei do que você está falando.
— Então talvez, vendo isto, o senhor saiba?
Exibiu uma nova foto na tela. Era a imagem capturada do CCTV que Yun Jongwoo enviara. Como fora retocada com precisão, dava para distinguir num relance a pessoa da foto. O rosto do chefe de divisão Im, plácido o tempo todo, enrijeceu-se.
— Quando dominei Kim Younghee no ferry rumo a Shimonoseki, ela usava não sei que anel na mão esquerda. Mesmo para um olho leigo como o meu, dava para ver que valia um bom dinheiro. Devia ser um objeto de significado para a própria Kim Younghee. Do contrário, teria levado aquilo para um lugar tão perigoso? Dizem que num anel desses não pode haver o menor arranhão. Estava quase sem desgaste; parecia comprado recentemente. E dizem que no local esse anel não foi encontrado. Junto com o meu lenço, que eu enfiara na boca dela como mordaça, que também sumiu.
— E daí?
— E daí que fui investigar por que sumiu. Começando por onde o anel fora comprado e quem o pagara. Foi meio inesperado, sabe? Eu tinha certeza de que o senhor havia cometido um adultério escondido da esposa que está no exterior — foi o que pensei. Mas a escala era um pouco grande demais, não? Quem é que decide matar, amarrando junto a amante e ainda o subordinado, só para não se divorciar? A menos que houvesse uma tentação mais difícil de resistir. E, aí, quando vi este vídeo do CCTV, a resposta veio na hora.
Fez uma pausa e, então, encarou o chefe de divisão Im.
— Por que o senhor fez isso comigo? O 1º subdiretor prometeu uma promoção relâmpago, caso este assunto fosse abafado?
O chefe de divisão Im não se abalou nem diante da reprimenda carregada de ressentimento. Com semblante impassível, apenas olhava o celular de Kwon Taekjoo. A pessoa na captura que preenchia a tela era justamente o 1º subdiretor.
Corria a notícia de que a renúncia do atual diretor do Serviço Nacional de Inteligência estava iminente. E espalhava-se o boato de que a vaga daí decorrente seria preenchida por um dos três subdiretores. Cada departamento se dedicava, nos bastidores, a acumular méritos e a limpar históricos. Isso porque, caso o superior direto fosse promovido, o status dos departamentos subordinados que ele chefiava também mudaria. Em qualquer instituição, em qualquer organização, onde há gente reunida não se escapa da política interna.
Nesse contexto, o chefe de divisão Im, subordinado direto do 3º subdiretor, aliara-se do nada ao 1º subdiretor. Era certo que lhe haviam garantido um benefício imenso, impossível de obter por meios legítimos.
— Agora sim entendi que história mirabolante você quer contar. Depois de voltar com todo o esforço e sair fuçando por aí, era só isso? Mesmo que, como você diz, o 1º subdiretor tivesse uma relação profunda com a falecida Kim Younghee, nada mudaria. Até entre marido e mulher, não é raro um não fazer a menor ideia de que o outro é agente secreto. E, mesmo assim, não se imputa igual culpa ao outro lado. Amar alguém que deliberadamente se escondeu não é crime, não é?
Nessa parte, o chefe de divisão Im tinha inteira razão. O único fato que Kwon Taekjoo apurara era que o 1º subdiretor mantivera uma relação privada com Kim Younghee. Para imputar culpa ao 1º subdiretor, era preciso encontrar provas de que ele estivera estreitamente envolvido na morte de Kim Younghee. Ou era necessário comprovar que ele recebera ordens diretamente da Coreia do Norte e contribuíra para o desvio de segredos. Não era tarefa fácil.
O chefe de divisão Im esboçou um sorriso triunfante.
— Não seria bem mais fácil esclarecer o seu crime do que o dele? Não há como provar que você foi à Rússia cumprindo uma missão. Ainda por cima, é tudo verdade: que você se encontrou com Psikh Bogdanov, do serviço de inteligência russo, e que andou grudado nele o tempo todo. Não é um mundo em que só se tem por verdade aquilo que se vê?
— Não vim aqui para medir quem tem mais vantagem.
— Ou veio se despedir? Eu também queria, ao menos uma vez, encontrar você antes que fosse preso. Para aconselhar que desistisse logo, antes de ver coisa pior. Falando cruamente, foi só um espião a menos, que roubava nesta terra e acabou morto. Que problema tão grave é esse para você agir como se não houvesse amanhã? Ainda não é tarde. Não aumente mais a confusão; já que veio, que tal se entregar e negociar a gravidade do crime ou a pena?
O queixo de Kwon Taekjoo se retesou com força. O olhar ficou ainda mais feroz.
— Se você tivesse o mínimo interesse em posição ou poder, eu não teria agido assim. Você dizia que odiava essas coisas por serem inutilmente acirradas. Então, não devia ter saído do jogo? Você entrou mesmo neste Serviço de Inteligência com a intenção de proteger o país? Que ingenuidade.
— …Ah, agora estou ficando com raiva de verdade.
Ficou perplexo. Não a ponto de admirá-lo, mas era um superior em quem confiara bastante. Isso porque, desde que ingressara no Serviço de Inteligência, vinham atuando em sintonia. O chefe de divisão Im era também a única pessoa a quem Kwon Taekjoo confiara questões familiares e sentimentos íntimos. E, para ele, tudo aquilo não passara de uma fachada conveniente. Algo de que se podia desfazer a qualquer momento em prol da própria ascensão.
Com um clique, a Colt de Kwon Taekjoo tocou a testa do chefe de divisão Im. O semblante já esfriara friamente. Mesmo com a vida por um fio, o chefe de divisão Im não piscou sequer um olho.
— Então você também se lembra disto? Eu nunca tolero ver ruir uma carreira que sempre atingiu 100%.
— Pretende espernear sozinho?
— Pretendo é não morrer sozinho.
Puxou o gatilho sem hesitar. O chefe de divisão Im, que se dava ares de tranquilidade, ao menos naquele instante retesou o corpo inteiro. Mas, por mais que o tempo passasse, tudo ao redor permaneceu em silêncio. Isso porque o carregador estava vazio.
Lentamente, recolheu a Colt. O chefe de divisão Im, que apertara os olhos, riu com alívio desalentado. Fitou-o em silêncio e virou o corpo de supetão. Veio uma advertência.
— Se você sair assim, não vai ser aplicado só o crime de vazamento de segredos. Vão acrescentar invasão ilegal, falsificação de documento público, ameaça e ainda tentativa de homicídio.
Que história era aquela, de repente? Olhou para trás com irritação. No instante, o chefe de divisão Im sacou a própria Colt e puxou o gatilho. A bala disparada roçou o ombro do próprio chefe de divisão Im e voou, espatifando a luminária do teto. Logo em seguida, o sistema de alarme foi acionado no prédio inteiro. O chefe de divisão Im, mesmo cambaleando com a mão sobre o ombro, esboçou um sorriso de vitória.
Num átimo, a saída de emergência ficou tumultuada. Os funcionários de plantão pareciam ter acorrido ao ouvir o disparo e os alarmes sucessivos. Qualquer um que visse a cena atual concluiria que Kwon Taekjoo tentara ferir o chefe de divisão Im.
Às pressas, apanhou a chave do carro que o chefe de divisão Im deixara cair. Quando subiu no carro dele e deu a partida, da saída de emergência acorreram três ou quatro funcionários. Um deles amparava o chefe de divisão Im, e os demais miravam Kwon Taekjoo em uníssono.
— Não se mexa!
— Se você se mexer, atiramos!
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna