↫─☫ Capítulo 07.4
↫─☫ Esconde-esconde – 07.4
Tudo transcorria sem percalços. Foi assim até o instante em que a aeronave, que avançava para a pista, parou de súbito com um solavanco.
Os comissários de bordo reuniram-se apressados na copa. Diante da atmosfera inquietante, os passageiros também olhavam ao redor sem parar.
Pouco depois, veio o anúncio de bordo.
— Prezados passageiros, informamos com nossas desculpas. Devido a um pedido de busca urgente da polícia aeroportuária, a decolagem será brevemente adiada. Contamos com a ampla compreensão e cooperação dos senhores passageiros.
Os olhares dos passageiros se voltaram todos para fora da janela. Viu-se ao longe um veículo oficial se aproximando em disparada. A aeronave logo deixou a pista e foi transferida para um pátio de estacionamento separado.
Rapidamente, uma escada de emergência foi conectada. Por ela, alguém subiu lentamente. De repente, o peito bateu pesado, com força, uma, duas vezes. Diante do mau presságio indefinível, até a boca secou por completo.
Esforçou-se por virar a cabeça para a janela do lado oposto. Não podia ser, era só preocupação à toa — negava aquele pensamento dominante que insistia em crescer. Por fim, quem entrou na cabine caminhou devagar pelo corredor. Como a atenção de todos ao redor se voltou para ele, era impossível não perceber.
Enfim, os passos dele pararam de vez. Ainda que continuasse evitando olhar, num relance foi capaz de perceber a identidade dele. Por causa daquela fragrância peculiar que lhe invadiu as narinas de uma só vez.
Não teve coragem alguma de se virar na direção dele. Era como se todas as células do corpo se congelassem.
— Achou que poderia fugir assim?
Cada partícula que ele proferiu se cravou como uma agulha. Um arrepio percorreu suas entranhas. Os ouvidos ficaram entorpecidos, e ouviu um zumbido, um “biiip”.
A mão fria dele apertou-lhe o pulso como algemas. Quando, sobressaltado, se virou, os passageiros que lotavam a cabine haviam sumido, engolidos pela escuridão. O que restava eram apenas Kwon Taekjoo e aquele que o prendia. Apertando com força, como se fosse esmigalhar os ossos, ele sussurrou sinistramente.
— Você não vai a lugar nenhum, Taekjoo.
— …Uhk!
Sorvendo o ar com aspereza, abriu os olhos. A vista se abriu de forma vertiginosa. Papel de parede mofado e um teto irregular de umidade lhe entraram nos olhos. Onde é que ele estava? Rememorando em silêncio, lembrou que fora procurar o doutor Jo.
Na ponta dos cílios, que tremiam de leve, havia gotas de suor. O corpo inteiro estava arrepiado, e o coração disparava rápido e pesado. Ao erguer o tronco, o suor frio escorreu pela espinha. Diante da sensação horrível, franziu o cenho. Sem tempo para se estabilizar, um mal-estar subiu-lhe à garganta. Ergueu o dorso da mão e tapou a boca às pressas. Engoliu a náusea a duras penas, mas a respiração e as batidas ficaram ainda mais intensas.
Fora um sonho, então. Não esperava que Zhenya o soltasse de bom grado. Não era do feitio dele deixar em paz quem lhe desferira um golpe, e, além disso, em algum momento a atitude dele para com Kwon Taekjoo passara a ser estranhamente diferente. Se não fosse um engano descomunal de sua parte, aquilo era…
Deu prosseguimento ao pensamento sem querer e logo o afastou às pressas. A julgar por lhe virem à cabeça divagações inúteis, devia ter sofrido de menos.
O conteúdo do pesadelo era, em grande parte, semelhante ao processo real de fuga da Rússia. Até desembarcar do trem e pegar a aeronave para Xangai num aeroporto do interior, fora assim. Mas não houve o encontro com Zhenya.
Ao refalsificar o passaporte em Xangai para entrar na Coreia, usou uma embarcação, cuja vigilância era relativamente menos rigorosa. Presumira que, se de fato havia caído na conspiração de alguém, já a entrada seria um obstáculo.
O inconsciente continuava sem baixar a guarda em relação a Zhenya. Alguma vez já sentira tamanho medo e ansiedade por um alvo específico? Nem que visse um fantasma se sentiria tão inquieto e desamparado quanto agora. Esforçou-se por acalmar o peito que saltava de forma incômoda.
Balançou a cabeça e recompôs os pensamentos. A cama para a qual olhou de propósito estava sem o doutor Jo. Parecia ter se levantado cedo.
Abriu a porta rangente e saiu. O ar fresco da manhã cedo lhe invadiu fundo os pulmões. Desceu até o tanque e abriu a água. Uma água gelada como gelo jorrou torrencial. Encheu as duas mãos com ela e a jogou repetidas vezes no rosto encharcado de suor. Ao terminar de se lavar, a cabeça ficou bem mais leve. Era como se o circuito do raciocínio tivesse congelado.
— O sol já está a pino e você só acorda agora?
Diante do estalar de língua, olhou para trás. O doutor Jo saía trazendo a mesa do café. Ele foi logo pegá-la. Era um cardápio simples: um ensopado de pasta de soja com apenas cebola, batata e abobrinha picadas, e dois tipos de kimchi.
Fosse pela bebida da noite ou pelo pesadelo que lhe revirava o estômago, não tinha lá muito apetite, mas, pensando no esforço da refeição preparada, tomou uma colherada.
— Que sonho você teve para ficar todo ofegante assim? Fiquei um bom tempo pensando se não teria de chamar uma ambulância no meio da noite.
— …
Engasgou e tossiu. Por pouco não cuspiu o que mastigava. Sem conseguir responder, só engoliu água em goles. Não fora um sonho erótico, mas sentiu-se culpado e sem graça de antemão. Diante da reação inusitada, o doutor Jo entreabriu os olhos maliciosamente. Mesmo que ele dissesse depois “não foi nada disso”, ele ria travesso e não dava ouvidos.
— Falando nisso. Depois de dormir uma noite, ainda pensa a mesma coisa? Está decidido a fazer aquela loucura?
— Sim.
Diante da resposta sem hesitação, ele balançou a cabeça de um lado a outro.
— Não tem jeito. Diga o que você quer. Vou preparar na hora.
— Obrigado.
— Vai ser bem puxado. Mesmo que eu ajude, lutar, no fim, é você quem tem de fazer sozinho.
Assentiu em silêncio. O doutor Jo olhou aquele Kwon Taekjoo com desagrado e, dizendo “me acompanhe”, tomou a dianteira. Rumaram, em seu caminhão, a um monte próximo. Estacionando o carro no sopé, o doutor Jo subiu a trilha com familiaridade. Trilha era modo de dizer; era uma encosta sem sinal de que alguém já tivesse passado. Parecia que nem os cervos-d’água transitavam por ali.
Depois de subir cerca de uma hora inteira, surgiu uma pequena cabana. Intuitivamente, soube que aquele era o laboratório particular do doutor Jo. Lá dentro, assim como na casa, havia todo tipo de tralha espalhada. Eram objetos comuns, encontráveis no dia a dia — canetas, isqueiros, gravatas, chapéus —, mas, por conta do lugar, davam uma impressão nada ordinária.
O doutor Jo, de repente, mostrou uma caneta a Kwon Taekjoo, que estava absorto observando a cabana.
— É um dispositivo capaz de refratar ou deslocar um laser em paralelo. O princípio é simples, mas vai ser bem útil.
Como se fosse fazer uma demonstração, apontou o queixo para a cortina. Captando a deixa, Kwon Taekjoo fechou a cortina blackout dos fundos. Num instante, o interior da cabana escureceu.
Quando o doutor Jo operou o computador, lasers verde-escuros jorraram de todas as direções, formando uma malha. Parecia ter acionado um sistema de segurança. O doutor Jo girou a tampa da caneta e a aproximou dos lasers. Então, como pedaços de metal atraídos por um ímã, o conjunto de lasers começou a se mover seguindo a caneta. Só com aquilo, parecia possível tornar inútil praticamente qualquer sistema de segurança.
O doutor Jo disse “também dá para usar assim” e lançou-lhe um designador de alvo que se acopla a armas de fogo. Ligou o laser e mirou no coração dele. Então ele perturbou de novo o laser com aquela mesma caneta de instantes atrás. O laser vermelho refratava-se de forma grotesca ou se projetava completamente para cima.
Concluída a explicação, o doutor Jo passou a caneta a Kwon Taekjoo e abriu a cortina. Depois separou por conta própria os objetos necessários.
— Isto aqui parece um notebook comum, mas é uma máquina capaz de fabricar pele artificial, digitais, lentes de íris e afins. Com uma simples digitalização, é possível reproduzir o objeto real com perfeição. Este bastão aqui do lado é mole feito argila; se você o empurrar num buraco, ele endurece na mesma hora naquele formato, e dá para copiar qualquer chave. A propósito, você veio até aqui em quê?
Perguntou, interrompendo a alegre apresentação de suas invenções. Quando Kwon Taekjoo fez cara de estranheza, ele apontou para um pequeno monitor sob a mesa.
— Os cães farejadores já sentiram o cheiro.
No monitor, viam-se policiais militares subindo por entre as árvores densas. Parecia que sua localização fora exposta.
O doutor Jo pegou uma bolsa e a empurrou nos braços de Kwon Taekjoo. Kwon Taekjoo, em sintonia, atirou lá dentro os equipamentos de ponta de qualquer jeito.
— Se você for pego, direi que fui ameaçado por você e entreguei meus objetos.
O doutor Jo aconselhou, conduzindo Kwon Taekjoo à saída de emergência. Ao ele assentir, deu-lhe um tapinha nas costas e disse “agora vá”. Ele fez uma reverência e escapou às pressas pela saída de emergência. Abaixando o corpo, avançou depressa por entre a vegetação densa.
O doutor Jo observou aquilo por um instante e depois trancou a porta. Recolocou também na posição original a mesa que fora empurrada para o lado, escondendo por completo a saída de emergência.
Quando tudo estava concluído, bateram à porta por fora. Ao olhar pela janela, viu os policiais militares recém-chegados ofegando. O doutor Jo, que abriu a porta com naturalidade, cumpriu seu dever como guarda florestal.
— Deve ter sido cansativo subir até aqui, mas vão ter de descer já. Esta é uma área com entrada controlada.
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Sala da professora Yun Jinae, do Departamento de Língua e Literatura Inglesa da Universidade da Coreia. Ao bater na porta fechada, veio a autorização para entrar. Abriu a porta. O olhar da professora Yun se transferiu do monitor para a soleira. Presumindo, como de praxe, tratar-se de um aluno ou assistente, ao ver o visitante fez uma expressão de espanto.
— Como posso ajudá-lo?
O homem de meia-idade abaixou a cabeça e cumprimentou primeiro.
— Tenho algumas perguntas a respeito da professora Kim Younghee. Posso entrar?
O rosto da professora Yun se enrijeceu.
— Sei lá. Não sei o que o senhor espera, mas, a respeito daquela pessoa, eu também não sei nada. Descobrir que tudo o que eu conhecia era falso… não tenho mais nada a dizer. Então preferia que o senhor simplesmente fosse embora.
Deixando transparecer claramente o incômodo, traçou o limite. Mas o homem não recuou docilmente.
— Peço encarecidamente. Basta um instante.
— Quem é o senhor, afinal? Jornalista?
— Ah, atrasei minha apresentação.
O homem mostrou uma identificação à desconfiada professora Yun.
— Sou investigador da promotoria responsável pelo caso da senhora Kim Younghee. Há uma parte da audiência que precisa ser reforçada, e por isso vim brevemente.
O homem que assim se explicava tinha exatamente o mesmo rosto do assistente Kim. Mas, na verdade, era Kwon Taekjoo disfarçado dele. A identificação e a aparência eram tão perfeitas que nem a própria família dele conseguiria distinguir a autenticidade.
A professora Yun soltou um longo suspiro, como quem se sente impotente.
— Sério, eu já disse que não sei de nada. Conheci-a há alguns anos num congresso, apresentada por outro professor, e foi só. Como disseram que havia entrado um novo membro, trocamos algumas palavras, e por acaso a nomeação dela na nossa universidade estava confirmada. Foi por isso que nos aproximamos; não éramos do tipo que conhece a vida privada uma da outra nos mínimos detalhes. E, no fim, até isso era tudo disfarce; que mais eu poderia dizer ao senhor investigador?
Não é raro que alguém viva sob o mesmo teto por dezenas de anos e não saiba que o cônjuge é espião. Muito menos entre meras colegas seria plausível perceber as atividades de espionagem de Kim Younghee. O que Kwon Taekjoo queria verificar era algo bem mais trivial.
— No momento da prisão, Kim Younghee usava um anel no anelar da mão esquerda. Era uma peça quase sem desgaste, e pensei que talvez a senhora professora soubesse que anel era esse.
— Ouvi dizer que ela ia se casar em breve. Havia um homem com quem ela se encontrava. Não sei quem ele era, mas, se for de tê-la visto ao telefone, isso vi algumas vezes.
Seria esse homem o oficial do Exército morto? Mas ele tinha família. Para um agente secreto, é importante gerir a posição social e a reputação. Nessa condição, não parecia provável que ela espalhasse por aí que ia se casar em breve com um homem casado. Se ela tivesse se aproximado do oficial do Exército com o propósito de extrair segredos, o encontro dos dois teria de ser mais discreto. Ao menos a ponto de os colegas de trabalho não perceberem.
Nesse caso, então, haveria mesmo outra pessoa? Teve uma convicção emocional, mas não concluiu de forma precipitada. Desta vez, sim, precisava investigar passo a passo.
— Por acaso a senhora sabe onde esse anel foi comprado?
— Normalmente não se sabe. O homem que teria providenciado.
— …Mas a senhora sabe, é isso?
— Sim. É que a esposa de um membro do mesmo congresso é a designer de joias.
A professora Yun logo tirou e lhe estendeu um cartão de visita. No “quem sabe o senhor vá lá conferir” sentia-se a verdadeira intenção de que ele finalmente sumisse dali.
Em seguida, procurou a butique de joias que a professora Yun indicara. O gerente o recebeu de bom grado. Ao ver Kwon Taekjoo de terno, conduziu-o de praxe ao balcão de atendimento.
— Com licença, senhor. Que tipo de peça o senhor procura?
— Pensei em dar uma olhada em anéis.
— Ah, entendi. Por acaso será para usar num pedido de casamento?
À pergunta presumida, apenas assentiu com a cabeça. Achando talvez que fosse timidez, o gerente sorriu delicadamente e sacou uma ficha de encomenda.
— Há algum design que o senhor deseje em especial?
— Como não entendo muito de joias, será que eu poderia ver outras peças como referência?
— Claro que sim.
O gerente, de bom grado, tirou um tablet e mostrou o portfólio. Passando as fotos das peças uma a uma, despejava explicações que beiravam o elogio. Ele ouvia por alto e apenas examinava com atenção as fotos.
— O senhor não sabe o gosto da futura noiva? Há quem goste de peças chamativas, e há quem prefira as mais simples. Estas últimas dispensam os detalhes miúdos e, em troca, aumentam os quilates…
Foi por essa hora que uma foto lhe prendeu o olhar. Sem dúvida. Era exatamente aquele anel que Kim Younghee usava.
— Este anel…
— Ah, o senhor gostou desse design?
O gerente, que se atrapalhava diante da reação indiferente do início ao fim, animou-se. Mas logo, ao consultar as informações relacionadas, fez uma expressão constrangida.
— Sinto muito, mas esse anel foi especialmente desenhado pela nossa profissional com o propósito de presentear uma pessoa próxima. Como não é um produto comum, e sim uma espécie de obra criada por inspiração, provavelmente não será possível fazê-lo idêntico. Em compensação, acho que poderíamos criar algo com uma sensação parecida; que tal?
— Quando esse anel foi feito, mais ou menos?
— Hmm. Não sei ao certo, mas deve ter sido há um pouco menos de meio ano.
— Não é uma aliança de casal, é?
— Não. Uma peça desse porte é adequada para um pedido de casamento ou como presente de noivado.
— Então foi o lado do homem que comprou, imagino?
— Bom… deve ter sido, não?
Diante das perguntas que se sucediam como num interrogatório, o sorriso do gerente se desfez. Nos olhos dele também surgiu uma desconfiança velada. Parecia ser hora de se mover aos poucos.
— Um instante, o banheiro…
— Ah, claro. É por ali.
Rumou na direção que o gerente indicava. Sentiu às costas um olhar fixo. Fingindo não notar, dobrou no corredor do banheiro.
Foi por essa hora que o telefone tocou. Só então o gerente desviou o olhar e foi atender. Aproveitando a brecha, ele saiu de novo para o salão. O CCTV que verificara ao entrar estava instalado no centro do teto. Como os produtos manuseados eram caros, era uma câmera que gravava em tempo real todos os cantos da loja. Ainda que a memória interna fosse apagada periodicamente, deveria haver um arquivo de backup.
Ouvia-se de vez em quando a voz do gerente ao telefone. Fosse por estar atendendo a uma reclamação, repetia sem parar apenas “sinto muito”. Absorto naquilo, parecia ter esquecido por ora a presença de Kwon Taekjoo.
Nesse ínterim, chegou diante do ateliê. Baixou de leve a maçaneta, mas estava firmemente trancada. Tirou o bastão de argila que recebera do doutor Jo e o empurrou na fechadura. Esperou alguns segundos e, ao girar com cuidado, o mecanismo de travamento se soltou. Tomando cuidado para não fazer barulho com a porta, entrou.
Como esperava, o computador estava ali. Ligou-o e encaixou o USB no slot. Não demorou para surgir uma janela de comando. Inseriu um comando específico e executou o programa de invasão. Definiu o escopo do backup como o disco rígido inteiro e apertou Enter. No monitor, surgiu um gráfico de barras informando o progresso da tarefa.
Enquanto esperava, monitorava o que se passava do lado de fora. O gerente parecia continuar ao telefone. Sentiu certa pena dele, que ainda repetia apenas desculpas.
A cópia foi concluída num instante. Guardou bem o USB e desligou o computador. Após organizar também o mouse em sua posição inicial, saiu. Trancou de volta a porta com o bastão de argila já endurecido e não esqueceu de passar no banheiro para lavar as mãos.
— Sinto muitíssimo, cliente. Se o senhor puder nos visitar quando tiver tempo, faremos a compensação como o senhor desejar. Não, não é isso. Não é que eu queira encerrar de qualquer jeito; é que há outro cliente na loja agora… Como? Maltrato? De forma alguma. Isso é impensável. Sim, com certeza. Compreendo perfeitamente o quanto o senhor deve ter se aborrecido.
Ao voltar ao seu lugar, fingindo apanhar o casaco, fotografou a foto do anel no portfólio. Depois se aproximou do gerente, que ainda segurava o fone. Ao cruzarem os olhos, ele fez uma expressão de desculpas.
— O senhor parece ocupado, então volto outra hora.
— Como? Não, espere…
Antes que ele tivesse tempo de detê-lo, o cliente-problema do outro lado da linha ergueu a voz. O cansaço estava evidente no rosto do gerente. Deixando para trás o homem que lhe pedia que voltasse outra vez, saiu da loja.
Enquanto dava passos largos, o celular tocou. A única pessoa que conhecia aquele número era Yun Jongwoo, que ajudara na ativação. Atendeu sem parar de caminhar.
— Sênior, teve sucesso?
— Graças a você. Você tem um belo talento pra bancar o cliente-problema, hein? Não parecia coisa de quem fez isso uma ou duas vezes.
— Isso é ofensa, né?
— Elogio depende de como se ouve.
— O anel, o senhor confirmou? Estava mesmo lá?
— Sim. Achei o anel. Agora só falta encontrar a pessoa.
Se havia uma verdade oculta, sua pista deveria estar no USB. Dizendo “eu ligo”, encerrou a chamada com Yun Jongwoo. As passadas ficaram ainda mais largas.
Entre os arquivos de backup, verificou primeiro os registros de vendas. Os dados de faturamento trimestral estavam meticulosamente organizados. Segundo o gerente, o período em que o anel de Kim Younghee fora feito era há cerca de meio ano. Definiu o escopo da busca no 4º trimestre do ano anterior e trouxe os conteúdos das transações, os registros de entradas e saídas de conta, as tabelas de vendas por cartão e afins. Em seguida, pesquisou o nome do modelo do anel de Kim Younghee.
Logo surgiram dois resultados. Dentre eles, clicou primeiro na nota da transação. Constava a informação do cartão de crédito com que o anel fora pago. O titular do cartão não era o oficial do Exército morto. Ainda assim, curiosamente, aquele nome lhe era familiar.
— Isto…
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna