↫─☫ Capítulo 06.6
↫─☫ Koschei, um solitário – 06.6
— Já pode voltar.
Durante o café da manhã, Zhenya ordenou unilateralmente a Olga.
— Não dá pra ficar mais uns dias? Só mais dois dias?
— Não.
Recusou categoricamente. O rosto rígido não deixava margem para negociação. Olga, relutante, assentiu. Seu rosto, enquanto mexia na sopa de peixe, estava evidentemente amuado.
Será que, com Olga partindo, ficaria de novo sozinho com Zhenya? Soltou um longo suspiro. Diante disso, Olga disse maliciosamente “está triste que eu vou embora?”. O olhar de Zhenya também se voltou na mesma direção. Tanto um quanto o outro eram incômodos.
— Boa viagem. E para de me olhar.
Diante da atitude indiferente, Olga franziu os lábios de novo. Resmungou também “e eu que cuidei de você”. Depois disso, o olhar persistente de Zhenya não se desgrudou. Kwon Taekjoo ignorou-o e terminou de comer sua própria refeição em silêncio.
Depois da refeição, subiram juntos ao quarto de Olga. Ela havia dito que, como ele deveria estar entediado, lhe daria seus livros, mas rapidamente acabou sendo usado por ela. Sob o pretexto de que o helicóptero chegaria logo, Olga foi jogando suas coisas em Kwon Taekjoo aleatoriamente. Conforme pegava tudo, a mala não fechava mais.
Sem coragem para reorganizar tudo de novo, forçou apenas o que sobressaía para dentro. Então algo chamou sua atenção. Olhou de relance para Olga. Ela estava ocupada arrumando o que pareciam ser dezenas de roupas. Escondeu o que havia pegado no bolso.
— Terminou tudo?
Olga se virou de repente. “Sim”, respondeu, fechando a mala.
— A que horas o helicóptero chega?
— Hum, deve chegar em uns trinta minutos.
— É mesmo? Então vou deixar isso lá fora.
Carregou a mala prestes a estourar até em frente à escada. Depois, foi diretamente ao porão. No depósito, havia caixas de benzeno usado para tratar peles. Pegou um dos frascos e entrou no banheiro.
Trancou a porta com firmeza. O coração começou a bater violentamente. Já havia tentado fugir inúmeras vezes, mas sempre falhava. Desta vez, porém, talvez fosse diferente. Ao menos, parecia mais promissor do que outras ocasiões. Entre nervosismo e expectativa, as pontas dos dedos formigavam.
Colocou o benzeno no chão e tirou o frasco de remédio do bolso. Havia pego da mala de Olga. O principal componente do remédio prescrito para angina é a nitroglicerina, usada para dilatar os vasos sanguíneos. A nitroglicerina, quando dissolvida em etanol ou benzeno, adquire a propriedade de explodir com pequenos impactos ou calor. Por esse motivo, é um reagente comumente usado por quem fabrica bombas caseiras.
Retirou todas as pílulas do frasco e as triturou finamente. Despejou o pó com cuidado no frasco de benzeno. Mexendo com o cabo de uma escova de dentes, esperou até que o pó se dissolvesse completamente. A bomba caseira assim concluída foi levada até a entrada do terraço.
Assim que terminou todo o trabalho, ouviu-se o som das hélices. Ao longe, também avistou o helicóptero se aproximando. Como se nada tivesse acontecido, desceu para o segundo andar e encontrou Olga.
— Parece que está chegando logo.
Disse, tomando a iniciativa antes que fosse suspeitado. Olga assentiu com tranquilidade e desceu do lugar onde estava sentada, sobre a mala.
— Aquele homem nem vai se dar ao trabalho de me despedir, né?
— O que você espera desse desgraçado. Vai logo.
Carregou a mala de Olga em seu lugar e subiu a escada. Olga gritou em direção ao andar de baixo, onde Zhenya estava, “estou indo agora”, e seguiu Kwon Taekjoo.
Bem quando chegaram à entrada do terraço, Kwon Taekjoo, que ia à frente, parou de repente. Curvou a cintura como se tivesse deixado algo cair.
— O que foi?
— Só um instantinho, desculpa incomodar.
— Hã? O que…
A boca de Olga, ainda intrigada, foi tapada de repente. Ao mesmo tempo, sua mala rolou escada abaixo com estrondo.
Zhenya, que afinava o contrabaixo, ergueu a cabeça de repente. Um barulho repentino havia vindo do andar de cima. Provavelmente Olga havia deixado cair algo desajeitadamente de novo. De qualquer forma, nem na hora de partir ela conseguia ser discreta.
Levantou-se e foi até a janela. Ao olhar para fora, viu o helicóptero pairando no ar. Já fazia um tempo que ele havia chegado, mas por algum motivo continuava sem pousar, apenas circulando pelo céu.
Observou sem suspeita a princípio, mas depois franziu o cenho. Um mau presságio percorreu sua nuca. Sem hesitar, pegou o rifle pendurado na parede e subiu correndo as escadas.
No patamar do segundo andar, a mala de Olga estava caída. Algo se agitava dentro dela.
— Taekjoo…
Murmurou como um gemido e correu para o terraço. Ao abrir a porta com força, viu Kwon Taekjoo mantendo Olga como refém. Em suas mãos, havia um grande frasco de benzeno.
— Não vem!
Gritou Kwon Taekjoo, em alerta total. Ignorando, avançou. Kwon Taekjoo ergueu o benzeno.
— Para. Se você se aproximar mais, eu quebro isso.
Avisou de novo, com o nariz franzido. Que importava, se o que ele segurava era apenas benzeno para tratar peles? Que tipo de ameaça aquilo representava? Enquanto achava aquilo absurdo, seu cérebro automaticamente processava um cálculo. Olga com angina, e uma grande quantidade de benzeno. A combinação daqueles dois fatos levava à conclusão: “bomba de nitroglicerina”. Se aquilo caísse e quebrasse, todo o terraço voaria pelos ares. Tanto Zhenya quanto Olga, além do próprio Kwon Taekjoo, teriam a vida em risco.
Respirou fundo, tranquilo. Cerrou os dentes, contendo com dificuldade a emoção que fervia dentro de si. Estendeu a mão em direção a Kwon Taekjoo.
— Vem aqui.
Kwon Taekjoo balançou a cabeça e recuou mais um passo. Segurava o benzeno com tanta força que a mão ficou branca, como se realmente pretendesse quebrá-lo.
Por quê, afinal. O cenho de Zhenya se franziu ainda mais. Como se dissesse “vamos ver quem ganha”, encurtou a distância. Diante disso, Kwon Taekjoo recuou na mesma medida, erguendo a garrafa sem hesitar. Ao ver a expressão determinada, não parecia bravata vazia. Não importava quem se machucasse; bastaria dominá-lo à força como sempre fazia, mas Zhenya não conseguiu se aproximar mais, parando de novo. A raiva que fervia por dentro finalmente transbordou.
— Droga, vem aqui logo quando eu falo educadamente!
Mesmo diante da bronca, Kwon Taekjoo balançou a cabeça, firme. Logo, uma escada desceu do helicóptero. Os olhos de Zhenya tremeram. No instante em que Kwon Taekjoo segurou a escada, algo se rompeu dentro de sua cabeça. Num instante, a temperatura corporal despencou. Como se tivesse esquecido o aviso de Kwon Taekjoo, avançou sem hesitação em direção ao helicóptero. O frasco de benzeno voou em sua direção. Por um instante, o ar ao redor pareceu ser sugado e concentrado.
Logo depois, a explosão aconteceu. Todo o chão em que pisavam tremeu, e vários pontos do prédio racharam. Parte de uma parede desabou por completo. Zhenya também não resistiu à pressão e foi lançado para trás. As costas, ao colidir com a parede, doeram como se estivessem se partindo. Estilhaços vindos de todos os lados arranharam sua pele. Um zumbido tomou seus ouvidos abafados. O sangue que jorrava da cabeça também tingiu sua visão de vermelho.
Levantou o corpo dilacerado e atravessou a fumaça negra. A parte frontal do terraço estava desmoronada, irreconhecível. Olhando ansiosamente ao redor, avistou o helicóptero já voando bem longe. Pendurados na escada que descia dele, estavam Olga e Kwon Taekjoo, que a segurava.
Levado por um único pensamento de que precisava persegui-los, olhou ao redor. Mas não havia meio adequado. Seu próprio helicóptero já havia afundado no mar dias antes. Podia chamar outro helicóptero, mas Kwon Taekjoo não esperaria até lá. Enquanto permanecia parado, sem alternativa, ele continuava se afastando cada vez mais além do mar. Nem sequer olhou para trás uma vez.
— Droga, Taekjooooo…!
Um grito desesperado se dissipou ao longe.
O helicóptero com Olga e Kwon Taekjoo chegou aos arredores de Moscou. Ambos, ao descerem, tinham expressões serenas. Não havia sinal do clima tenso que teria justificado o sequestro de refém de pouco antes.
— O que você vai fazer quando voltar para a Coreia?
— Tenho muita coisa para resolver. Preciso encerrar a missão, e também há algumas coisas que quero investigar pessoalmente. Vou ficar ocupado por um tempo.
Olga assentiu e estendeu a mão primeiro para um aperto. Seu rosto sorridente carregava um leve toque de tristeza.
— Assim que eu for, vai ser difícil nos vermos de novo, né?
— Se nos virmos de novo, é porque eu caí no inferno outra vez.
Diante daquela resposta franca, Olga sorriu sem jeito. Kwon Taekjoo segurou levemente a mão estendida e a soltou. Depois de apertar as mãos, Olga se virou para o helicóptero. O piloto trouxe uma pequena bolsa e a entregou a Kwon Taekjoo.
— …o que é isso?
— Achei que você fosse precisar disso para voltar para sua pátria. Obrigada por salvar minha vida duas vezes.
Dentro da bolsa havia dinheiro em espécie, uma camisa nova e limpa e uma Colt. Para deixar a Rússia, precisaria de passaporte falso e dinheiro. Aceitou de bom grado o apoio de Olga.
— Obrigado. E também pela ajuda de hoje.
— Aquilo não foi ajuda. Só fiquei quieta porque não queria me machucar.
— Se você quisesse fugir, poderia ter feito isso a qualquer momento, não? Tinha até arma; bastava atirar de uma vez.
— Não é impossível, mas se eu fizesse isso, aquele homem realmente me mataria.
Riu de forma brincalhona. Nesse momento, um avião prestes a pousar passou bem acima das cabeças dos dois. Olhando distraidamente para a aeronave, Olga soltou de repente, como para si mesma:
— No final, tudo acabou ficando parecido com a história de Koschei, não é?
A situação de Kwon Taekjoo, que finalmente havia escapado de Zhenya, era semelhante à da bela que encontra e destrói o coração de Koschei e escapa de seu castelo. A história de Koschei sempre termina ali.
Assim que a sombra do avião desapareceu por completo, ela disse “agora pode ir”. Kwon Taekjoo a fitou por um momento e, sem hesitar, se virou. Enquanto o via se afastar rapidamente, Olga fez uma expressão levemente amarga. Lembrou-se de Zhenya, que gritava o nome dele mesmo com a cabeça sangrando. Era um olhar desesperado, como se tivesse perdido algo extremamente importante diante dos próprios olhos. Era a primeira vez que via Zhenya com aquela expressão. Mesmo que “Anastasia” fosse tomada dele, não achava que ele ficaria tão abalado assim. Seu coração, que se assustara naquele momento, ainda não havia se acalmado.
Se, naquele momento, Kwon Taekjoo não estivesse segurando a bomba. Se Zhenya tivesse atirado nele sem hesitar com o rifle. O resultado teria sido diferente? Não havia como saber.
Olga continuou observando Kwon Taekjoo, que já estava bem distante, e murmurou:
— O ponto fraco de Koschei não era o coração escondido.
Outro avião passou por cima de sua cabeça. Abafada pelo barulho ruidoso do motor, a última frase se dissipou sem deixar rastro.
— …era o amor, Taekjoo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna