↫─☫ Capítulo 06.4
↫─☫ Koschei, um solitário – 06.4
Oleg Rizhinsky, diretor do FSB, saiu de seu escritório e se dirigiu ao quartel-general da terceira unidade Alfa. Ao saber que Zhenya havia comparecido ao trabalho, foi correndo até lá. Sempre reclusivo, e só atendendo convocações quando bem entendia, era ele quem, mesmo relutante, tinha que ir atrás.
Dois agentes de elite armados acompanhavam o diretor. Era uma precaução contra qualquer possível confronto armado. Sua personalidade era tão sensível e mutável quanto a de um réptil que muda de temperatura, e agradá-lo não era nada fácil.
Assim que o grupo do diretor chegou ao segundo andar, uma pessoa foi de repente lançada pela porta afora. O homem, que colidiu com a parede oposta, desabou no chão. A sala de onde ele havia sido expelido era justamente o destino do grupo: o quartel-general da terceira unidade Alfa. Os agentes de elite silenciosamente sacaram as armas.
O interior da sala estava mais bagunçado do que se esperava. Todas as janelas estavam quebradas, e a mesa de metal estava virada de cabeça para baixo. No chão, diversos documentos e equipamentos de escritório, como telefones, estavam espalhados desordenadamente.
Ao perceber o movimento na porta, Zhenya virou a cabeça. O olhar que observava o grupo do diretor não era nada comum. Que motivo teria feito seu humor azedar hoje?
O diretor fez um sinal para que os agentes abaixassem as armas. Depois, mandou os dois, ainda em alerta, saírem. Ele mesmo fechou a porta e se sentou no sofá, que havia sido empurrado bem longe do lugar original. Zhenya permaneceu de pé no mesmo local, observando-o. Diante daquele olhar penetrante, ele abriu a boca com dificuldade.
— Dizem que você está mantendo aquele espião coreano. Você o matou?
— …
— Se não, seria melhor entregá-lo agora mesmo. Precisamos pensar na reputação do nosso FSB.
Silêncio total. Não havia sequer sinal de hesitação. Se tivesse alguma intenção de fazer isso, não teria dado o trabalho de desaparecer com o espião. Um silêncio pesado se seguiu.
Por fim, o diretor balançou a cabeça e soltou um longo suspiro. Resignado, jogou os documentos que trouxera.
— Se não quiser, pelo menos assuma este caso. Precisa produzir algum resultado para recuperar a imagem manchada, não é?
De forma alguma parecia a atitude de um superior dando ordens a um subordinado. Era mais parecido com uma negociação condicional.
Zhenya deu uma olhada rápida nos documentos a seus pés e voltou a encarar o diretor. O diretor explicou brevemente o que ele deveria fazer.
— Há pouco tempo, um oficial de alto escalão da Inteligência Militar foi assassinado. Logo depois de ir a um hotel com uma mulher. Segundo a investigação, ele foi vítima de um atentado suicida durante o ato sexual. Parece que os rebeldes agora não hesitam nem em usar a tática da sedução. Incluindo a mulher morta, cerca de vinte membros rebeldes com identidades falsas entraram em Moscou. Então isso é apenas o começo.
O diretor fez uma pausa e então ordenou:
— Encontre todos e resolva isso.
Tarde da noite. Um casal se enroscava enquanto deixava um bar sofisticado no centro de Moscou. O homem, um alto funcionário do Ministério da Defesa, embarcou não no veículo oficial, mas num sedan fornecido pelo próprio bar. A parceira dele exalava uma sensualidade impossível de ocultar.
Assim que chegaram ao hotel, o homem puxou apressadamente o pulso dela. Assim que entraram no elevador, se enroscaram intensamente. Excitado, o homem a ergueu e a sentou sobre o corrimão. Depois, ergueu a saia dela até a cintura. A mulher, que até então não havia permitido nenhum contato físico, abriu as pernas e o apertou com força.
Mordeu e soltou a liga que envolvia a coxa lisa dela. Quando a liga vibrou de volta, a mulher tremeu levemente na cintura e gemeu baixinho. O homem, com o ânimo de engolir até mesmo o hálito quente dela, colou os lábios nos dela e sugou avidamente sua língua.
O elevador subia rapidamente. Naquele curto intervalo, mal conseguiram esperar; ao chegarem, já estavam quase completamente despidos. Jogou-a sobre a cama. A mulher riu, sacudindo os ombros arredondados. Um gesto provocante. O homem, já completamente nu, avançou sobre ela.
Colando os lábios novamente, retirou o restante das roupas dela. Ao levantar o sutiã, os seios firmes se ergueram elasticamente. Enterrou o rosto neles, esfregando-se avidamente, enquanto abria as pernas dela e as enrolava em sua cintura. A camisa, que sua esposa passara com tanto cuidado, foi amassada sem dó pelas mãos de uma mulher cujo nome ele sequer conhecia.
Beijando o pescoço dela sem parar, tirou sua calcinha. Ela, provocando, apertava os joelhos com firmeza. O homem, já completamente excitado, se agitava, fazendo cócegas nas nádegas dela.
— Ha, ha… levanta o quadril, hein?
— Aan…
Retirou o membro já quase explodindo. A carne ereta, resfolegando, procurava a entrada. Esfregou a glande aquecida contra a região íntima e sugou os mamilos com força. A mulher jogou a cabeça para trás. No instante em que o corpo se abriu, penetrou de uma vez.
— Aaan…
— Haa… hã?
Enquanto ainda desfrutava da sensação apertada da penetração, um som de estranheza escapou do homem. A cabeça, que estava enterrada no peito dela, se ergueu. A glande, ao penetrar mais fundo, tocou algo duro. Parecia haver algo dentro da vagina da mulher.
Olhou para ela sem entender, e ela, ainda sorrindo, envolveu o pescoço dele. O sorriso, antes belo, agora parecia sinistro. Tentou fugir tarde demais, mas ela o apertava com força, não deixando escapar. Envolveu firmemente a cintura dele com as duas pernas, impedindo qualquer fuga fácil.
— Eu disse que ia matar você.
Sussurrou docemente no ouvido do homem, que ficou apavorado. Percebendo o perigo, ele se debateu em pânico, mas por algum motivo não conseguia se libertar das mãos dela.
De repente, um estrondo ecoou. Ao mesmo tempo, a porta fechada foi arrancada quase de dentro. O homem e a mulher, surpresos, viraram-se ao mesmo tempo para a entrada. O intruso caminhou diretamente até eles. Ver o casal enroscado não pareceu causar-lhe nenhum constrangimento. Carregando um rifle sem cerimônia, o invasor era ninguém menos que Zhenya.
Agarrou de imediato o homem, que ainda estava preso pela mulher. Depois o arremessou longe. O homem foi jogado sem qualquer contemplação no chão. Fora dos cálculos, a mulher rapidamente tirou o detonador. Mas, antes de conseguir apertar o botão, teve o braço agarrado. Num instante, o detonador foi arrancado das mãos torcidas dela.
— Aaah…!
A mulher gritou de dor. Sem hesitação, encostou o cano da arma em sua cabeça. Puxou o gatilho em seguida, sem qualquer hesitação, sequer por um instante.
O corpo convulsionado da mulher desabou, sem forças. O sangue espirrou sobre o rosto e o corpo de Zhenya. O homem, que havia testemunhado toda a cena, gritou “hii” e fugiu apressadamente.
Mas naquele momento, teve a estranha sensação de que as partículas do ar ao redor haviam inflado repentinamente. Em seguida, uma explosão ensurdecedora ocorreu, arrancando parte da parede. O teto também desabou sem remédio. Com o impacto da explosão, as janelas da frente estilhaçaram completamente, e todas as luzes do edifício se apagaram. A visão foi bruscamente bloqueada.
Zhenya protegeu-se com a gola do casaco contra os estilhaços e a poeira. Nem ele mesmo conseguiu processar imediatamente o que estava acontecendo. Talvez seus tímpanos tivessem sido afetados, pois um zumbido ecoava em seus ouvidos.
Pouco depois, um feixe de laser atravessou a janela quebrada. A luz, vasculhando o quarto arruinado por cacos de vidro e pó de pedra, logo chegou até a ponta dos sapatos de Zhenya. Logo depois, o laser mudou de ângulo e rondou a região do peito esquerdo. Olhou em silêncio para o ponto vermelho que se formava em seu tórax.
No instante seguinte, dezenas de outros lasers vieram da mesma direção e se cravaram nele. Num instante, o peito e a cabeça de Zhenya ficaram marcados em vermelho. Um único passo em falso e o corpo inteiro se transformaria numa peneira.
Após algum tempo, o som familiar de hélices se aproximou. O helicóptero pairava no ar escuro, mirando Zhenya com holofotes. Curiosamente, a aparência lhe era bastante familiar. Não era à toa; na parte inferior do helicóptero estava estampado o símbolo do FSB. Não tendo solicitado apoio, não era provável que tivessem vindo ajudar por conta própria.
Percebeu instintivamente. Era uma armadilha dupla.
Mesmo tarde da noite, o presidente ainda permanecia em seu gabinete. Vadim também mantinha uma postura nervosa, esperando. Os dois aguardavam alguma notícia em silêncio absoluto. De vez em quando, ele levantava a manga para checar o horário.
Logo, um som de presença veio de fora da porta, seguido de uma batida. Diante do “entre”, quem apareceu foi justamente Oleg Rizhinsky, diretor do FSB.
Os olhares do presidente e de Vadim se voltaram simultaneamente para ele. O diretor cumprimentou com formalidade e relatou o andamento da operação.
— Há pouco, a equipe de operações foi enviada ao local. Todas as rotas de fuga do alvo foram bloqueadas, e o cerco está completo.
Foi uma expressão ambígua, mas não era difícil entender o significado. O presidente assentiu, mantendo-se calado. A expressão de Vadim também não era muito diferente. Em seu rosto, não havia sinal algum de preocupação ou compaixão pelo próprio parente.
O presidente voltou a fitar o diretor do FSB. Havia uma notícia ainda mais aguardada do que aquele relatório. Oleg Rizhinsky não o fez esperar muito mais.
— Meia hora atrás, nove membros da unidade especial Vympel também partiram para o destino. São agentes de elite confiáveis, então não precisa se preocupar.
Diante da garantia confiante do diretor, o presidente finalmente sorriu satisfeito. Elogiou seu trabalho árduo. Em seguida, veio uma ordem carregada de significado.
— Se o “Vigia” resistir até o fim, elimine-o.
O campo de visão estava todo tomado por uma escuridão ondulante. Ou talvez, a verdadeira natureza daquilo fosse neve. Não havia nada visível, apenas uma sensação fria e peculiar. Nenhum vento sequer passava por ali. Não havia saída em lugar nenhum, e sentia-se preso num espaço onde nada passava. Era desolador.
Enquanto olhava freneticamente ao redor daquele cenário escuro, de repente uma criança apareceu. Um menino que parecia ter uns seis ou sete anos. A criança estava sozinha, a uma certa distância. Não conseguia ver o rosto dela. Tentou falar com ela, mas, por algum motivo, nenhuma voz saía.
Depois de mais um tempo, alguém se aproximou da criança. Não conseguia distinguir se era homem ou mulher. A silhueta, que ficou rondando a criança por um tempo, de repente desapareceu. Ao ver aquilo, desamparado, mais uma pessoa se aproximou. Mas essa também logo foi embora. A criança foi deixada sozinha de novo.
Inúmeras silhuetas passavam pela criança. Às vezes uma ou duas, às vezes em grupos. Mas, ao final, nenhuma permanecia. A criança formava momentaneamente um grupo, mas rapidamente ficava sozinha de novo.
Por fim, a criança virou a cabeça. O rosto branco se voltou pela primeira vez em direção a Kwon Taekjoo. Sem hesitação, deu um passo e se aproximou depressa. Mesmo bem de perto, não conseguia ver o rosto da criança. Uma mãozinha branca e pequena se estendeu devagar. Enquanto observava vagamente, teve o dedo agarrado de repente. A temperatura gelada arrepiou toda a espinha.
Talvez ansiosa por não perder a mão que finalmente havia segurado, a criança apertou de repente com força. Por causa disso, os dedos foram apertados até doer. Uma força que não combinava com aquele corpinho pequeno.
A criança o puxou para algum lugar. Por algum motivo, teve o pressentimento de que, se continuasse sendo arrastado assim, jamais conseguiria escapar. Não tinha confiança em cuidar de crianças. Nem em assumir a responsabilidade de uma criança cuja identidade sequer conhecia. Apressadamente, torceu a mão para se soltar. Com a mão vazia, a criança olhou para Kwon Taekjoo, atônita.
A criança estendeu a mão de novo. Sem perceber, recuou. O rosto branco da criança se encheu de choque. Uma sensação ruim. Logo, a criança começou a chorar profundamente. O ar que flutuava no espaço congelou rapidamente. A cada respiração, cristais de gelo afiados invadiam os pulmões.
Deixando as lágrimas fluírem sem parar, a criança chorava tão alto que se via até a garganta. Com aquele eco, o vasto espaço começou a desmoronar sem remédio. Como se um terremoto tivesse acontecido, o chão se revirava, e o teto e as paredes também se despedaçavam.
Era perigoso. Tentou segurar a criança para protegê-la, mas ela não se deixava capturar facilmente. Quanto mais estendia a mão, mais ela se afastava, enxugando as lágrimas.
O mundo completamente desmoronado engoliu Kwon Taekjoo de vez.
Abriu os olhos, inspirando bruscamente. A visão se expandiu de repente, provocando uma tontura vertiginosa. O teto que balançava era bastante familiar. Moveu a mão, tateando o chão. Estava duro. Kwon Taekjoo não estava na cama, nem diante da lareira, mas largado ali mesmo, no chão do quarto. Revivendo as últimas lembranças antes de perder a consciência, fechou os olhos com força. Um suspiro escapou, sem saber se de alívio ou de desamparo. Dessa vez, tinha certeza de que morreria.
— Já recuperou a consciência?
Ao ouvir a pergunta, percebeu a presença de Olga. Levantou o tronco de repente. Como se esperasse por isso, uma dor aguda invadiu todo o corpo. Engolindo o gemido que queria escapar, olhou ao redor de novo. O estado do quarto era um desastre. Nem uma ruína seria tão dilacerada assim.
No meio de tudo aquilo, só o espaço ao redor de Kwon Taekjoo estava relativamente arrumado. O corpo estava coberto por um cobertor, e havia até um travesseiro sob a cabeça. Além disso, o pescoço estava enfaixado, e nas costas das mãos e nos braços havia curativos por todo lado. Parecia que Olga, sem força suficiente para movê-lo, o tinha cuidado assim mesmo, do jeito que dava.
— Por que aconteceu aquilo ontem? Por que aquele homem ficou tão fora de si?
Olga estava genuinamente curiosa. Balançou a cabeça. Kwon Taekjoo também não sabia por que Zhenya havia ficado tão furioso. Ele costumava mudar de expressão facilmente quando algo o desagradava, mas será que pedir para usar um quarto separado era motivo para tamanha fúria? Claro, ele mesmo também havia se irritado e o atacado, o que talvez tenha piorado ainda mais a situação. Para alguém que gostava tanto de “legítima defesa”, talvez até aquilo merecesse morte.
— Aquele homem saiu logo depois disso.
Olga relatou o paradeiro de Zhenya sem que perguntassem, enquanto organizava os remédios usados. Depois, disse “vamos comer” e saiu primeiro do quarto.
Kwon Taekjoo tocou desajeitadamente o pescoço enfaixado. Não pretendia remoer aquilo de propósito, mas a expressão gelada de Zhenya voltava vividamente à mente. Nunca havia sido racional, mas naquele momento parecia que os fusíveis realmente haviam queimado. Era alguém que sempre tinha folga de sobra, até quando afogava alguém. Mesmo ao revelar que não era um colega, mesmo ao vir buscá-lo na embaixada, ele nunca tinha feito aquela expressão. Talvez fosse um milagre ainda estar respirando. Ao perceber isso agora, tarde demais, as pontas dos dedos começaram a tremer.
Então, de repente, lembrou-se do sonho estranho que tivera pouco antes. No sonho, viu uma criança, mas por que ela naturalmente lembrava Zhenya? A única semelhança era a pele transparentemente branca e o cabelo incomum, cor de marfim. Balançou a cabeça de novo, dispersando os pensamentos. Antes que pensamentos ainda mais estranhos surgissem, saiu apressadamente do quarto.
Desceu as escadas e foi para a cozinha. Por algum motivo, Olga não estava lá. Ou melhor, parecia que não estava. Estava agachada do outro lado da mesa, então não fora percebida de imediato. O que ela estaria fazendo ali? A forma como segurava o peito não era nada normal. O rosto, sem cor alguma, estava coberto de suor frio.
— Ei! O que foi?
— …remédio, por favor.
Moveu os lábios ressecados com dificuldade. O corpo inteiro tremia. Olhou ao redor, desesperado. Logo encontrou um frasco de remédio rolado sob a mesa. Sem tempo para verificar do que se tratava, abriu a tampa e entregou a Olga.
Olga engoliu a pílula na mão sem água. Depois, respirou pesadamente, ofegando. Kwon Taekjoo a apoiou com cuidado e trouxe água, fazendo-a beber devagar. Também esfregou as mãos frias dela para ajudar na circulação. Depois de um tempo, a respiração se estabilizou gradualmente. A cor no rosto dela também melhorou visivelmente.
— Tenho angina, de nascença.
Confessou, esfregando o peito ainda dolorido. Parecia que aquela história de vir se recuperar não era mentira total. Apoiou Olga, cambaleante, na cadeira. Aqueceu água e trouxe mais um copo de água morna. Olga sorriu fracamente e agradeceu.
Assim que ela recebeu o copo, houve uma leve vibração na superfície da água. Não era engano; um som de hélice se aproximava. Seria Zhenya de volta? Não, o som era diferente do dele. Se fosse aquele nível de barulho, era provável que fosse um helicóptero militar com rotor auxiliar.
Colocou o indicador sobre os lábios. Sem entender, Olga assentiu em silêncio. Deixando-a na cozinha, moveu-se até a janela junto à entrada. Colando as costas firmemente à parede, observou a movimentação lá fora. Logo, um helicóptero militar cruzando o mar entrou em seu campo de visão.
Parecia que pretendia pousar na ilha, pois foi diminuindo a altitude aos poucos. A sensação era péssima. No mínimo, não estava ali para patrulhar a ilha desabitada de Zhenya. Voltou apressadamente para a sala de jantar.
— O que houve?
— Um helicóptero militar está se aproximando.
— Militar?
Olga levou a mão à boca. Parecia que algo lhe ocorrera. Antes de vir para lá, ela havia escutado a conversa entre o pai Visarion e Vadim. Dizia que, se Zhenya continuasse recusando entregar “Anastasia”, eles a recuperariam pela força se necessário. E isso era a vontade do Kremlin.
Não sabia se aqueles intrusos vinham apenas procurar “Anastasia”, ou se tinham a intenção de causar mal a Zhenya também. Nem sabia como ele reagiria, agora que estava ausente. Acima de tudo, preocupava-se com a segurança de Kwon Taekjoo.
— Não sabemos por que eles vieram, então é melhor nos escondermos por enquanto. Por agora, faça o que eu disser.
Olga assentiu em silêncio. Ninguém da família sabia que ela estava ali. Visarion e Vadim, prestes a dar um golpe importante, nunca permitiriam que ela se encontrasse com Zhenya, então isso havia sido mantido em segredo. Portanto, também não seria bom para ela se deparar com as tropas do governo.
Kwon Taekjoo desceu ao porão e pegou o rifle de caça que havia usado com Zhenya. Encheu também os bolsos de munição, o quanto pôde. A precisão do tiro seria menor, mas era melhor do que enfrentá-los desarmado. Ao voltar para a cozinha, Olga de repente levantou a barra da saia. Depois tirou uma Colt de um coldre na coxa e a entregou.
— Toma isso.
Digna de sangue Bogdanov mesmo. Sorriu levemente e devolveu a arma a ela.
— Não é só um enfeite, espero, você sabe atirar, né? Fica com isso e, se precisar, atira sem pensar duas vezes.
— Você deve estar em mais perigo que eu.
— Quem está preocupado com quem aqui.
Nesse momento, o barulho estridente das hélices começou a diminuir. Apressadamente, conduziu Olga para fora pela porta dos fundos. Como esperado, o que pousou na neve foi um helicóptero militar. Assim que o motor desligou, a porta se abriu e agentes armados começaram a sair. Incluindo o piloto, eram nove ao todo. A desvantagem numérica, e também de força, era grande demais. Era melhor evitar confronto direto e se esconder em algum lugar.
— Sabe esquiar?
Perguntou, colocando um paraquedas nas costas de Olga. Ela respondeu, incrédula, “isso é pergunta?” Foi uma sorte inesperada. Apontou para um ponto distante no horizonte.
— Está vendo aquela floresta de bétulas ali? Quando eu der o sinal, corra sem parar até lá. Mesmo que ouça tiros ou fique barulhento atrás de você, não olhe para trás, continue correndo. Entendeu?
Olga assentiu com afinco. Não havia sinal de medo. Era resultado de décadas de coragem forjada na família Bogdanov.
Verificou rapidamente o equipamento de esqui de Olga e deu um tapinha nas costas dela como sinal. Olga empurrou o chão com força usando os bastões e deslizou pela neve. Precisava atrair a atenção até que ela chegasse em segurança à floresta. Kwon Taekjoo observou-a deslizando com habilidade e depois voltou para a mansão.
Logo depois, os agentes especiais, divididos em duas equipes, invadiram o lugar. Seguindo o sinal do líder, uma equipe subiu ao andar de cima, e a outra permaneceu no térreo, iniciando a busca. Como se procurassem algo, batiam repetidamente nas paredes e no chão, e usavam também detectores de metal.
Logo um dos membros descobriu a escada que levava ao porão. Acendeu a lanterna do capacete e desceu com cautela, passo a passo.
Depois de confirmar repetidas vezes que não havia sinal de presença, ele deu mais um passo. Nesse instante, uma mão surgiu de dentro da escada e agarrou seu tornozelo. Tão repentino que não teve tempo de reagir, caiu de cara para frente.
— …argh!
Um gemido de dor intensa escapou do homem, que rolara sem piedade. Mesmo assim, buscava freneticamente pelo chão a arma que havia soltado das mãos. Mas nada foi encontrado. Confuso, ergueu a cabeça. Logo, a longa perna de alguém preencheu seu campo de visão. Era Kwon Taekjoo. A arma que o homem procurava já estava em suas mãos.
Golpeou a cabeça do homem com a coronha do rifle. Sem poder revidar, o homem desabou sem forças. Arrastou-o para o pé da escada e vasculhou suas roupas. Nas costas do colete à prova de balas, estava bordado o símbolo da unidade especial “Vympel”, do FSB.
Será que o FSB os havia enviado com o propósito de capturar Kwon Taekjoo? Se fosse esse o caso, havia muitos detalhes estranhos. O uso de detectores de metal para vasculhar a mansão, por exemplo, e a falta de cautela para quem estaria procurando alguém escondido. Era como se soubessem que o dono da casa não estava ali.
Enquanto desenvolvia esse raciocínio, tiros inesperados foram disparados. Parecia que outro membro da equipe havia percebido o alvoroço no porão e vindo correndo. Esquivou-se rapidamente. Ao ouvirem os disparos, os demais agentes se aglomeraram diante do porão.
Foi até a porta que dava para fora e colocou os esquis. Já que sua presença havia sido detectada, seria difícil evitar a perseguição. Esconder-se na floresta seria o mais seguro, mas não podia arrastar Olga junto. Escolheu a direção oposta à que ela havia fugido.
Como era dia, a superfície da neve estava razoavelmente derretida. Deslizou rapidamente sobre ela. Conforme a velocidade aumentava, o vento cortante ficava mais intenso, ferindo os olhos. Sem tempo para pegar óculos de proteção, precisava correr com o cenho franzido. Logo, os agentes que o avistaram gritaram uns aos outros.
Uma sucessão de tiros ecoou. As balas vindas de trás caíam ora à frente, ora atrás dele, revirando a neve. Cerrou os dentes e pisou com mais força ainda na neve. Assim que se afastou rapidamente para fora do alcance, os agentes também colocaram esquis especiais e passaram a persegui-lo. Um helicóptero também o seguia pelo alto.
Correu em curvas em forma de “S” bruscas para dificultar a mira. Mesmo com os braços e pernas doendo de tanto correr, a distância diminuía cada vez mais. Devido à desvantagem numérica, não podia parar para enfrentá-los. Precisava usar o conhecimento geográfico adquirido ao longo do tempo para despistá-los.
Logo, disparos vieram do helicóptero. Mudou de direção, entrando por baixo de um penhasco branco. Três ou quatro agentes o seguiram sem falta. Em seguida, começou o fogo de apoio do helicóptero. Como esperado, continuou avançando sem parar. Uma sucessão de balas atingiu o penhasco inocente. Logo depois, o penhasco rugiu de forma monumental.
Pressionou os bastões com força para aumentar a velocidade. No exato momento em que Kwon Taekjoo saiu de baixo do penhasco, as camadas sedimentares desmoronaram estrondosamente. Os agentes que o perseguiam mudaram de direção surpresos. Mas não conseguiram escapar da avalanche repentina.
Sem olhar para trás, continuou correndo pela neve. O helicóptero, persistente, continuava atirando. As balas disparadas revolviam o campo de neve, antes tranquilo. Fragmentos brancos saltavam por toda parte. Passou aflitamente por entre eles.
Pouco depois, apareceria um penhasco escarpado. Era o lugar que havia observado antes como local ideal para tentar um voo de parapente. Perfeito para um salto, mas não sabia se seria adequado também para pular. Ainda assim, tinha que tentar.
Firmou a decisão e saltou sem hesitação. O vento, soprando de todos os lados, sustentou seu corpo. Inclinou o tronco para reduzir a resistência. Os agentes não conseguiram segui-lo mais e observaram o salto ousado, ou talvez imprudente, de Kwon Taekjoo. O fundo do penhasco, distante e vertiginoso, se aproximava rapidamente. Era hora da queda. Segurou a corda do paraquedas, pronto para abri-lo a qualquer momento.
Foi então que um único disparo — bang — ecoou perto de seu ouvido. O corpo, que se mantinha firme, de repente perdeu toda a força.
De repente, olhou para o céu. Um mal-estar indefinido o invadira. No rosto branco e contorcido, havia sangue espalhado, sem saber de quem. A seus pés, jaziam os agentes que haviam participado da operação da noite anterior.
Franziu o cenho diante da luz ofuscante do sol. Nem havia percebido que o dia já havia amanhecido. Pensando bem, havia muito barulho ao redor. Havia policiais espalhados pela via, atendendo a um chamado sobre uma explosão. Ambulâncias também transportavam apressadamente as vítimas, com sirenes ligadas.
— …aaargh.
O homem em suas mãos soltou um gemido rouco. Era o único sobrevivente entre os agentes do FSB enviados na operação da noite passada. Zhenya não perguntou quem havia ordenado aquela missão nem qual era o objetivo. Já estava acostumado a esse tipo de ameaça à própria vida.
Quebrou facilmente o pescoço do agente, que, mesmo à beira da morte, ainda tentava resistir. O homem, convulsionando, ficou mole.
Limpou as mãos ensanguentadas na cortina, mergulhado em pensamentos. Havia recebido um presente surpresa; era hora de agradecer. Para quem deveria ir primeiro? Ao diretor? Ou ao Kremlin? Imaginar a expressão de Vadim ao vê-lo o fez rir.
Enquanto desenvolvia esse pensamento agradável, de repente uma dúvida surgiu. Não seria razoável imaginar que eles achassem que conseguiriam eliminar Zhenya com uma tropa tão pequena. A menos que fosse apenas para prendê-lo temporariamente e ganhar tempo.
“O presidente também quer reconfirmar sua lealdade. Esta é provavelmente a última clemência que o Kremlin vai oferecer.”
“O irmão Vadim veio aqui em casa. A conversa dele com o papai não estava nada boa. Dessa vez você pode se machucar de verdade.”
Não pode ser.
A inquietação persistente se intensificou ainda mais. O sorriso desapareceu de seu rosto. Pensou em Kwon Taekjoo, na ilha. Um pressentimento terrível o atingiu, e sua visão ficou amarelada. Num instante, a leveza sumiu.
Precisava voltar para a ilha imediatamente. Os passos, que começavam decididos, logo se transformaram em corrida.
Voou atravessando correntes de ar instáveis. Ao aumentar a velocidade ao máximo, a aeronave, incapaz de suportar aquela força, começou a tremer. O mar, escuro e agitado, parecia prestes a engolir o helicóptero instável a qualquer momento. Insistiu naquele voo imprudente, capaz de causar uma queda a qualquer momento. Só havia um pensamento na cabeça: precisava voltar para a ilha o quanto antes.
O coração batia de forma desagradável. O estômago também estava mais pesado. Uma sufocação inexplicável apertava seu pescoço sem parar. Por que estava assim, nem ele mesmo sabia. Apenas tinha a vaga sensação de que, ao chegar à ilha, todas aquelas sensações desagradáveis se dissipariam.
Apesar do mau tempo, chegou à ilha mais cedo do que o normal. A primeira coisa que avistou foi um helicóptero militar sobrevoando perto do penhasco. Rumou imediatamente para lá. Assim que o helicóptero de Zhenya se aproximou, o helicóptero militar abriu fogo sem hesitação.
Zhenya não desviou das balas que voavam em sua direção. Os projéteis roçaram a janela, as hélices e a fuselagem, deixando marcas. Da cauda, começou a subir fumaça negra. Mesmo assim, avançou teimosamente em direção ao helicóptero militar. Naquele movimento agressivo, transparecia até a disposição para uma colisão.
Percebendo o perigo, o helicóptero militar parou de atirar e tentou ganhar altitude apressadamente. Mas não conseguiu evitar a colisão. As hélices se chocaram violentamente, gerando faíscas. O ar ao redor se comprimiu momentaneamente antes de explodir com força.
Um estrondo enorme cortou o ar. Fumaça negra subiu, e as duas aeronaves, transformadas em ferro-velho, despencaram sem remédio. Um instante antes, ele mesmo pulou para o mar. Fragmentos do helicóptero pulverizado caíam ameaçadoramente. Esquivando-se deles, mergulhou fundo na água e depois subiu de uma vez até a superfície.
Os agentes que correram até a costa dispararam sem parar. Mergulhou de novo, desaparecendo de sua vista. Os agentes vasculhavam o mar, esperando que ele reaparecesse. Mas ele não voltou à superfície tão cedo.
Teria sido ferido e afundado? Enquanto os agentes desconcertados se entreolhavam, um frio inesperado surgiu atrás de um deles. Rapidamente virou a arma, mas o pescoço se torceu antes disso. O último tiro disparado ao morrer tirou a vida de um colega inocente. Sobre a neve branca, sangue vermelho se espalhava lentamente.
Correu apressadamente para o penhasco onde o helicóptero militar havia sobrevoado. Mesmo com os dois olhos bem abertos, estranhamente não conseguia enxergar nada. Quanto mais se aproximava do penhasco, mais o desconforto que fervia dentro dele se expandia ao extremo.
Ao chegar à borda do penhasco, olhou para baixo. Manchas de sangue espalhadas na neve chamaram sua atenção. Mas Kwon Taekjoo não estava visível em lugar nenhum ao redor.
Sem hesitar, colou o corpo à parede de gelo e deslizou até o fundo. A neve acumulada, macia o suficiente, amorteceu o impacto, mas não completamente. Cerrou os dentes e ergueu o corpo dolorido. Olhou ao redor desesperadamente, procurando por Kwon Taekjoo.
Seguiu as manchas de sangue espalhadas. O rastro se interrompia cerca de dez metros à frente. E ali havia uma pequena caverna que nem Zhenya conhecia. Chamar aquilo de caverna era exagero; era mais parecido com um vão apertado, mal capaz de conter uma pessoa.
Kwon Taekjoo, que ele havia procurado desesperadamente, estava sentado ali, encolhido. Não sabia por quanto tempo havia ficado assim, mas seu rosto estava pálido, sem uma gota de sangue. A respiração, branca ao escapar, mal era perceptível. Correu até ele e agarrou seu braço. Não era uma alucinação. Só então a respiração presa escapou desordenadamente.
— Ha, ha…
Verificou apressadamente a respiração e também o pulso. Como seu próprio corpo estava congelado, era difícil distinguir o quanto a temperatura de Kwon Taekjoo havia realmente caído. Colou a orelha repetidamente no peito dele, verificando a respiração; nesse momento, sua roupa foi puxada de leve. Foi uma força extremamente fraca, mas mesmo assim parou todos os movimentos e olhou naquela direção.
A mão avermelhada de frio de Kwon Taekjoo puxava a roupa de Zhenya. Era um gesto tênue, quase imperceptível ao toque. Mas por que aquele toque parecia tão pesado? Não conseguia desviar os olhos daquela roupa segurada.
Ninguém falava de vida para Zhenya. Até então, ele havia vivido uma existência praticamente equivalente à de um ceifador. Ele mesmo havia tirado inúmeras vidas, e era exatamente isso que o mundo desejava e exigia dele. Mesmo assim, aquele homem teimoso pedia para ser salvo. Era absurdo.
Mas, no momento, somente ele podia ajudá-lo. Só Zhenya, e mais ninguém.
Olhou vagamente para Kwon Taekjoo e depois apoiou suas costas. Assim, o corpo dele inteiro desabou sem forças em seus braços.
— Foi esse o método que você bolou…
Murmurou, olhando incessantemente para o rosto pálido de Kwon Taekjoo. Era uma voz carregada de um estranho eco.
Logo depois, o pegou cuidadosamente nos braços. Então caminhou devagar em direção à mansão. Aquele passo, dado ao lado de outra pessoa, deixava marcas muito mais profundas do que os passos solitários de sempre. E aquele caminhar também deixava uma marca profunda no coração de Zhenya.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna